
Grandes feitos: Campeão da Copa Libertadores da América (2025), Campeão do Campeonato Brasileiro (2025), Campeão da Copa do Brasil (2024), Campeão da Supercopa Rei (2025), Bicampeão do Campeonato Carioca (2024-Invicto e 2025) e Vice-campeão da Copa Intercontinental da FIFA (2025). Foi o primeiro clube brasileiro a vencer a Libertadores pela 4ª vez na história.
Time-base: Rossi; Varela (Wesley), Léo Ortiz (Fabrício Bruno / Danilo), Léo Pereira (David Luiz) e Alex Sandro (Ayrton Lucas / Viña); Erick Pulgar (De La Cruz) e Jorginho (Gerson); Carrascal (Plata / Michael / Alcaraz), De Arrascaeta (Luiz Araújo / Saúl) e Samuel Lino (Pedro / Evertton Araújo); Bruno Henrique (Gabriel Barbosa / Everton Cebolinha / Juninho). Técnicos: Tite (até setembro de 2024) e Filipe Luís (a partir de setembro de 2024).
“O Primeiro Tetra”
Por Guilherme Diniz
Depois de conquistar o título da Copa Libertadores de 2022 de maneira invicta, o Flamengo entrou em 2023 disposto a vencer tudo. Tinha o elenco mais caro e badalado da América do Sul e muito dinheiro. Mas tudo foi por água abaixo quando a diretoria dispensou Dorival Júnior e fez uma série de apostas erradas. E o resultado se deu dentro de campo com as perdas dos títulos da Supercopa do Brasil, da Recopa Sul-Americana, do Campeonato Carioca e da Copa do Brasil, além de eliminações na semifinal do Mundial de Clubes da FIFA, nas oitavas da Libertadores e campanha medíocre no Brasileirão. Após um ano melancólico e perdido, o clube apoiou sua recuperação no experiente técnico Tite, que conduziu o time ao título invicto do Carioca, mas, jogo a jogo, não conseguiu fazer o Flamengo deslanchar mesmo com investimentos pesados e grande elenco em mãos.
Após a eliminação nas quartas de final da Libertadores, Tite deixou o Ninho do Urubu e a diretoria recorreu a Filipe Luís, jogador dos tempos de ouro entre 2019 e 2022 e que vinha em grande ascenção no comando dos times de base do Flamengo. Pois Filipe conseguiu, em pouquíssimo tempo, recuperar a vocação competitiva e vencedora daquela equipe e venceu no final de 2024 o título da Copa do Brasil sobre o rival interestadual Atlético-MG – em plena casa do Galo, a Arena MRV. Foi o estopim para que o Flamengo fizesse de 2025 o ano da afirmação daquele trabalho. E resgatasse a magia do time de 2019.
Primeiro, veio a Supercopa Rei, conquistada sobre o rival Botafogo. Depois, mais um Carioca. Na sequência, uma maratona de jogos enormes em diferentes frentes, incluindo a primeira edição da Copa do Mundo de Clubes, na qual o Flamengo venceu o Chelsea-ING (que seria campeão!) por 3 a 1, de virada, se classificou em primeiro lugar na chave e acabou eliminado pelo Bayern München-ALE em um elétrico 4 a 2. Na Libertadores, se impôs dentro e fora de casa e garantiu vaga na final. No Brasileirão, soube crescer na hora certa e, nos jogos em que era matar ou morrer, matou, com a força do Maracanã e sangue frio. E, em ambos os cenários, o rival foi o Palmeiras, entalado na garganta dos cariocas desde a derrota na final continental de 2021 e da Supercopa Rei de 2023. Pois a vingança veio em dose dupla: primeiro, na Libertadores, quando o Flamengo dominou os alviverdes em sua “segunda casa”, o Monumental U, e se tornou o primeiro clube brasileiro tetracampeão da América. Depois, veio o Brasileirão, com campanha irrepreensível.
Com quatro troféus na temporada, aquele Flamengo já estava na história como um dos mais vencedores do clube em todos os tempos. Só faltava a Copa Intercontinental da FIFA. Os brasileiros despacharam o Cruz Azul-MEX e o Pyramids-EGI e conseguiram disputar a final contra o poderoso PSG-FRA. O jogo foi nervoso, os franceses saíram na frente, o Fla empatou e levou a final para os pênaltis. Na marca da cal, porém, tudo deu errado e o PSG venceu por 2 a 1 após o goleirão parisiense defender quatro cobranças rubro-negras.
Foi dolorido, mas o torcedor rubro-negro tinha que se orgulhar pelo fato de seu time ser apenas o quinto no Brasil em toda história a levantar em um só ano quatro títulos, algo que apenas o Santos de Pelé, o São Paulo de Telê e o próprio Flamengo, em 2020, haviam conseguido. É hora de relembrar.
Sumário
Chega de turbulências!
Logo após a perda do título da Copa do Brasil de 2023 e da saída de Jorge Sampaoli, o Flamengo começou a pensar na temporada seguinte ao anunciar, em outubro de 2023, o técnico Tite, que estava há quase um ano sem trabalhar após o período de mais de seis temporadas no comando da seleção brasileira. Com contrato de um ano, Tite esperava retomar o caminho das glórias na carreira e levar sua experiência a um elenco que precisava de uma direção depois de tantos tropeços e quatro vices. Em sua apresentação, o treinador ressaltou que assumir o Flamengo era “uma responsabilidade muito grande e um desafio profissional”, e que o time carioca precisava “ser melhor que os outros e ser melhor que ele mesmo”.

A diretoria tratou de reforçar o elenco e contratou ao longo do ano nomes como:
- Nico De La Cruz, meio-campista, ex-River Plate-ARG, por R$ 78 milhões;
- Léo Ortiz, zagueiro, ex-RB Bragantino-BRA, por R$ 37,5 milhões;
- Evertton Araújo, meia, ex-Volta Redonda-BRA, sem custos;
- Matías Viña, lateral-esquerdo, ex-Roma-ITA, por R$ 48,3 milhões;
- Alex Sandro, lateral-esquerdo, sem custos;
- Carlos Alcaraz, meia, ex-Southampton-ING, por R$ 110,8 milhões;
- Gonzalo Plata, atacante, ex-Al Saad-CAT, por R$ 24 milhões

Por outro lado, vários atletas deixaram o clube, entre eles Filipe Luís (aposentadoria), Rodrigo Caio, Éverton Ribeiro, Santos e Thiago Maia. Tais perdas, porém, em nada atrapalharam o planejamento do clube carioca, que seguiu fortíssimo e apto a disputar todas as competições que tinha pela frente. A primeira foi o Campeonato Carioca e, sem qualquer dificuldade, o rubro-negro pavimentou seu caminho até a final com oito vitórias e três empates em 11 jogos na Taça Guanabara. Na semifinal, a equipe bateu o rival Fluminense com vitória por 2 a 0 no duelo de ida e empate sem gols na volta.
Na final, duas vitórias sobre a sensação Nova Iguaçu – 3 a 0 e 1 a 0 – deram o 38º título ao Mengão, que conquistou o torneio de maneira invicta e sofrendo apenas um gol em 15 jogos. A campanha fez dos comandados de Tite os primeiros desde 1913 a serem campeões cariocas com apenas um gol sofrido. O Fla teve o melhor ataque, a melhor defesa e o artilheiro do torneio – Pedro, com 11 gols.
Oscilações e goleada histórica

Com o 4º lugar no Brasileirão de 2023, o Flamengo conseguiu uma vaga na fase de grupos da Copa Libertadores de 2024 e, depois do caneco no Estadual, pôde se concentrar na competição sul-americana. Na estreia, a equipe de Tite empatou com o Millonarios-COL, em Bogotá, em 1 a 1, e venceu o Palestino-CHI no Maracanã por 2 a 0. Na sequência, as derrotas fora de casa para o Bolívar-BOL (2 a 1) e Palestino (1 a 0) deixaram a torcida temerosa por mais uma campanha ruim no torneio, afinal, o Flamengo precisava vencer seus dois jogos finais e torcer por tropeços do Bolívar ou Palestino para seguir às oitavas de final. No entanto, para a sorte rubro-negra, tudo deu certo: o time venceu em casa o Bolívar – 4 a 0, com show da dupla Pedro e Gerson – e o Millonarios (3 a 0) e terminou na segunda colocação de seu grupo com 10 pontos, três a menos do que o líder Bolívar e três a mais do que o terceiro colocado, Palestino.
Paralelo à disputa da Liberta, o Flamengo iniciou sua jornada no Brasileirão e, após a derrota por 2 a 0 para o Botafogo na 4ª rodada, conseguiu se recuperar e emendou sete jogos sem perder, além de assumir a liderança na 7ª rodada com uma goleada histórica pra cima do rival Vasco, no Maracanã e de virada: 6 a 1, a maior aplicada pelo Fla sobre o cruzmaltino na história do Clássico dos Milhões. Os gols foram de Everton, Pedro, David Luiz, De Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabriel Barbosa, que se redimiu com a torcida na época após uma polêmica foto divulgada na mídia em que apareceu vestindo a camisa do Corinthians.

“Já falei o que tinha que falar. Usei várias camisas de time, mas nunca usei camisa (de rival) do Rio. Me arrependo, errei, foi uma coisa sem pensar. Não teve nenhuma intenção, eu estava tranquilo na minha casa. Todo mundo sabe do meu amor pelo Flamengo, todo mundo sabe o quanto eu amo jogar aqui, o quanto eu amo jogar para essa torcida. Eu jogo no Flamengo, eu me identifico com o Flamengo. A questão para mim é essa. Eu amo jogar no Flamengo, eu amo morar no Rio de Janeiro, e eu espero ficar aqui por muito tempo”, comentou Gabriel, no pós-jogo.
Sem muito espaço no time naquele ano por conta das rusgas que tinha com Tite desde os tempos em que ele comandava a seleção brasileira – na qual Gabriel teve poucas chances mesmo em sua melhor fase -, ele tinha contrato até dezembro e não era mais o artilheiro decisivo dos anos anteriores. A relação do atacante com o clube passou a se deteriorar a partir dali. O Corinthians até chegou a cogitar a contratação do atacante, mas os valores pedidos pelo Flamengo foram muito altos. Ele permaneceu até o fim de seu contrato, em dezembro de 2024.
Eliminação e a solução caseira

O Fla de Tite liderou o Brasileirão até a 15ª rodada, perdeu a ponta na rodada 16, retomou na 19, mas começou uma derrocada entre os meses de agosto e setembro que o tirou de vez da briga pelo título nacional. Em oito jogos no período, a equipe perdeu quatro – incluindo um 4 a 1 para o Botafogo, que seria campeão -, para o São Paulo (1 a 0), Corinthians (2 a 1) e Grêmio (3 a 2), empatou com o Palmeiras e o Vasco (ambos em 1 a 1) e só venceu uma partida (2 a 1 no RB Bragantino). E foi nessa época que o clube deu adeus ao sonho do tetra na Libertadores. Após superar as oitavas de final – vitória por 2 a 1 no agregado sobre o Bolívar-BOL -, o Flamengo acabou eliminado nas quartas de final para o Peñarol-URU, algoz histórico desde os anos 1980, que derrotou os cariocas em pleno Maracanã por 1 a 0 e segurou o empate sem gols no Uruguai.
A eliminação foi determinante para a demissão de Tite do comando técnico do clube, com a diretoria alegando “estagnação no trabalho”. De fato, o Fla havia caído bastante de rendimento naquele segundo semestre. Apesar do clube ter sofrido com as convocações de seus atletas para seleções, alguns lesionados (principalmente Matías Viña e Pedro) e outros em má fase (Gabriel Barbosa), Tite contava com um bom elenco e peças que poderiam repor os ausentes. Porém, quando mais se exigiu arrojo e soluções, o treinador não foi eficiente. Faltou mais imposição de seu time naquela reta decisiva, principalmente na Libertadores, quando enfrentou um adversário claramente inferior (Peñarol) e não conseguiu vencer – para efeito de comparação, o Botafogo enfiou 5 a 0 no mesmo Peñarol na semifinal e seguiu rumo ao título.
No Flamengo, Tite acumulou 70 jogos, com 42 vitórias, 12 empates e 16 derrotas, um aproveitamento de 65,7% dos pontos. O lado bom àquela altura era a vaga assegurada na semifinal da Copa do Brasil após eliminar Amazonas (2 a 0 no agregado), Palmeiras (2 a 1 no agregado) e Bahia (2 a 0 no agregado). E o escolhido para manter a esperança de um grande título em 2024 foi Filipe Luís, que havia começado sua carreira como treinador e colecionava resultados expressivos pelos times de base do Flamengo, com destaque para os títulos da Copa Rio Sub-17 de 2024 e a Copa Intercontinental Sub-20, vencida de virada sobre o Olympiacos-GRE no Maracanã por 2 a 1.

Pupilo dos ensinamentos de Jorge Jesus, emblemático técnico rubro-negro do ano de ouro de 2019, Filipe Luís tinha a filosofia que a diretoria flamenguista desejava: ousadia, toque de bola, futebol ofensivo e competitividade, além de pensamentos modernos e bom relacionamento com atletas e funcionários.
“Com certeza o meu modelo de jogo é de muito ataque. Às vezes eu peco por não ter medo, por atacar demais. Mas esse time já está bem treinado, tem uma estabilidade e uma organização defensiva muito boa. Claro que eu vou colocar a minha ideia em prática, que é diferente, para ver o time atacando como eu quero. Espero ver muitos gols e muitas chances de gol”. – Filipe Luís, em entrevista à FlaTV, canal oficial do clube no YouTube, outubro de 2024.
De estilo simples, com traje esportivo preto e tênis, ele mudou completamente a visão que os atletas tinham nos tempos de Tite, sempre de social e mais contido. Filipe Luís transformou o vestiário com um clima mais leve e despojado, além de conhecer bem vários daqueles jogadores, em especial Gabriel Barbosa, Bruno Henrique e o meia De Arrascaeta, remanescentes do time de 2019. Mas deixou claro, em sua apresentação, que todos deveriam entender que ele não era mais o jogador Filipe, mas sim o treinador Filipe.
“Tem os prós e contras. O pró é que conheço esse grupo como ninguém, eu sei das lideranças e o que acontece. Eu estava presente nesse grupo há cinco anos. Acho que só chegaram três ou quatro jogadores depois que me aposentei, eu conheço todos eles. E eu sei que vou tomar decisões que vão incomodar alguns jogadores e que alguns deles vão ficar bravos comigo, mas não é com o Filipe Luís pessoa, é com o Filipe Luís treinador. É importante separar”.
Resultados instantâneos

O primeiro jogo de Filipe Luís no comando do Flamengo foi a partida de ida na semifinal da Copa do Brasil, contra o Corinthians. E a estreia não poderia ser melhor: vitória por 1 a 0 (gol de Alex Sandro), no Maracanã, resultado que só não foi mais elástico por conta das grandes defesas do goleiro corintiano Hugo Souza, que evitou tentos de Gabriel Barbosa (titular depois de muito tempo) e De Arrascaeta. O Flamengo foi o dono do jogo na etapa inicial e demonstrou muito mais dominância sobre o rival do que nos tempos de Tite.
Na partida da volta, na casa do Timão, o Flamengo sofreu um duro golpe quando Bruno Henrique foi expulso logo aos 27 minutos do primeiro tempo e forçou Filipe Luís a mudar completamente seu jogo e conter o ímpeto do rival. O zero não saiu do placar e o Flamengo conseguiu a vaga na final. A partir dali, o time embalou e não perdeu mais. No Brasileirão, foram nove jogos, com cinco vitórias e quatro empates que garantiram o terceiro lugar no torneio, com 70 pontos. E, na Copa do Brasil, veio a cereja do bolo…
Festa na casa do freguês!

A grande final da Copa do Brasil de 2024 colocou frente a frente Flamengo e Atlético-MG, adversários de longa data e que nutrem entre si muita rivalidade – principalmente do lado atleticano. A ida ficou marcada para o Maracanã e a volta para a Arena MRV, com isso, o Flamengo sabia que um bom resultado em casa seria determinante para o título. Afinal, no ano anterior, o clube perdeu a ida para o São Paulo por 1 a 0 e, no Morumbi, só empatou, ficando com o vice. Filipe Luís colocou seu time pra cima do Galo desde o início do jogo e logo aos 11’, De Arrascaeta abriu o placar. Aos 39’, Gabriel Barbosa, o homem das decisões do Fla, fez 2 a 0 e, no segundo tempo, ampliou a vantagem para 3 a 0. Alan Kardec descontou para o Atlético faltando dez minutos para o fim, mas o placar de 3 a 1 deixou o Flamengo muito mais confortável para a volta.
Em um ambiente hostil em Belo Horizonte, o Flamengo teve pela frente um adversário sedento pela glória em sua casa, nova em folha e que abrigava pela primeira vez uma grande final. Vencer o primeiro título ali era questão de honra para o Atlético, mas é claro que o Flamengo, sempre algoz dos alvinegros, quis estragar a festa. O time de Filipe Luís mostrou muita organização e conseguiu neutralizar as investidas de Zaracho, Scarpa, Paulinho e Hulk. Após 0 a 0 no primeiro tempo, Gonzalo Plata, aos 42’ do segundo tempo, aproveitou passe de Bruno Henrique e fez o gol que selou o pentacampeonato do Flamengo na Copa do Brasil e a festa em plena Arena MRV, que virou Arena MeuRivalVenceu!


Na coletiva após o título, Filipe Luís enalteceu o grupo, o técnico Tite e os eternos Garotos do Ninho.
“Queria mencionar o Tite que me deixou na semifinal da Copa do Brasil, que fez um trabalho, ao meu ver, excelente, porque eu trabalhei com ele, eu sei o bom treinador que ele é e queria agradecer a ele. Depois, quero fazer uma menção especial a uma sensação que eu tenho dentro de mim e eu preciso falar que são os Garotos do Ninho, porque eu não estava aqui quando aconteceu tudo.
Mas queria mandar um abraço para a família de todos eles, porque eu tenho uma conexão muito forte com eles, eu não sei porquê, mas existe um memorial lá no Ninho, no CT, e não foi por acaso. Eu comecei no sub-17, no sub-20. Parece que eu tenho eles muito presentes comigo, mesmo eu não estando aqui na época e não conhecendo nenhum deles, conheço alguns familiares. Então eu queria só deixar isso registrado porque eu sinto que eles são parte de mim”.


Ainda no gramado, entre as celebrações, Gabriel Barbosa anunciou oficialmente sua saída do Flamengo, criticando a diretoria e o ex-técnico Tite. O último jogo do atacante foi na rodada final do Brasileirão, no Maracanã, no 2 a 2 contra o Vitória, com um gol dele. A torcida fez mosaico especial para o jogador e homenageou um de seus mais importantes e decisivos jogadores pós-Zico.
Mudanças administrativas e Supercampeão

No final de 2024, o Flamengo passou por eleições presidenciais e Luiz Eduardo Baptista foi eleito para o triênio 2025-2027 no lugar de Rodolfo Landim, que ficou no clube entre 2019 e 2024, justamente o laureado período de glórias do clube. A missão de Baptista seria manter a competitividade e o “outro patamar” tão celebrado pela torcida perante os rivais. Ao lado dele, Flávio Willeman assumiu o posto de vice-presidente.
“Não há mais espaço para amadorismo no clube. Títulos e profissionalismo. O mundo do futebol, do esporte e entretenimento se tornaram grande atividade mundial. A gente não vai virar SAF, mas queremos profissionalizar o clube. Uma SAF nada mais é do que uma estrutura profissional de gestão. O Flamengo já demonstrou que isso é possível e faremos isso sem vender o clube”. – Flávio Willeman, em entrevista coletiva logo após a eleição.
Nos primeiros meses do ano, o clube viu mais saídas de atletas do que entradas. As novidades em janeiro foram apenas o atacante Juninho (ex-Qarabag-AZE) e o experiente zagueiro e lateral-direito Danilo (ex-Juventus-ITA). Por outro lado, deixaram o clube os seguintes nomes:
- Hugo Souza – vendido oficialmente ao Corinthians, após período emprestado ao clube paulista;
- David Luiz – fim de contrato;
- Gabriel Barbosa – fim de contrato;
- Fabrício Bruno – vendido ao Cruzeiro por R$ 44 milhões;
- Carlos Alcaraz – emprestado ao Everton-ING e vendido posteriormente por R$ 97,8 milhões.


Apesar das baixas, o Flamengo seguiu forte e analisando o mercado já com foco na janela do meio do ano e a disputa da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, torneio que seria um dos grandes desafios do clube na temporada pela visibilidade, ineditismo e peso. E, para começar bem o ano, o Flamengo venceu a Supercopa Rei em cima do rival Botafogo, que em 2024 havia vencido a Libertadores e o Brasileirão.
Jogando com Rossi; Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira (Danilo) e Alex Sandro; Erick Pulgar, De La Cruz (Evertton Araújo) e Gerson; Plata (De Arrascaeta), Michael (Luiz Araújo) e Bruno Henrique (Juninho), a equipe de Filipe Luís demonstrou muita força tática e física, dominou o jogo e venceu por 3 a 1, com dois gols do talismã Bruno Henrique e um de Luiz Araújo. O título (o 3º do clube na história da competição) foi celebrado no estádio do Mangueirão, em Belém (PA), debaixo de muita chuva, que fez com que a partida fosse paralizada por mais de uma hora. O Fla desembolsou R$ 12 milhões com a premiação.
Bi no carioca e susto na Libertadores

Em um repeteco de 2024, o Flamengo foi dominante no Campeonato Carioca e avançou até as semifinais invicto diante dos principais rivais – Botafogo, Fluminense e Vasco. Antes da decisão, o rubro-negro bateu o Vasco nos dois jogos (1 a 0 e 2 a 1) e fez a decisão contra o Fluminense. Na ida, Wesley e Juninho fizeram os gols da vitória por 2 a 1 que deu a vantagem do empate ao Flamengo na volta. O zero não saiu do placar no Maracanã na finalíssima e o bicampeonato ficou com o time de Filipe Luís.
Em abril, o Fla estreou na Libertadores diante do Deportivo Táchira-VEN e venceu por 1 a 0, fora de casa, placar magro pelo fato de o adversário passar o jogo inteiro se defendendo. Na partida seguinte, contra o Central Córdoba-ARG, um susto: derrota em pleno Maracanã por 2 a 1, com muitos erros de finalização e também de posicionamento da defesa. O revés significou o fim da invencibilidade de 27 jogos da equipe em 2025. Aliás, o jogo serviu como um exemplo do que Filipe Luís precisava corrigir: a falta de gols mesmo com tantas chances criadas. O Flamengo chegava fácil ao ataque, tocava bem a bola, mas não fazia os gols que poderia fazer. E isso cobrava um preço caro, pois dava chances ao adversário e contra-ataques.
O Flamengo precisava encarar todos os jogos em casa, em todas as competições, com muita vontade e jamais perder pontos como aqueles. A boa notícia é que, a partir dali, o atacante Pedro estava de volta e seria um importante reforço para a sequência da temporada. Nos dois jogos seguintes pela Liberta, a equipe voltou a tropeçar – empates contra LDU-EQU (0 a 0, em Quito) e Central Córdoba (1 a 1, na Argentina) -, e só conseguiu dar a volta por cima nos dois últimos jogos: vitória por 2 a 0 sobre a LDU, em casa, com gols de Léo Ortiz e Luiz Araújo, e 1 a 0 sobre o Táchira, em casa (gol de Léo Pereira), resultados que classificaram o time brasileiro em segundo lugar no grupo, com 11 pontos, mesmo número da líder LDU, que avançou na frente graças ao saldo de gols.
“Botou os ingleses na roda…”

Com a vaga assegurada, o Flamengo também mostrou força no Brasileirão antes da viagem aos EUA para a Copa do Mundo de Clubes. Nas 11 primeiras rodadas, a equipe venceu sete jogos, empatou três e perdeu apenas um – para o Cruzeiro, fora de casa (com direito a “lei do ex” em gol de Gabriel Barbosa para a Raposa no final do jogo) -, garantindo a liderança provisória da competição. Os destaques foram as vitórias sobre o Grêmio, fora de casa, por 2 a 0; os 6 a 0 sobre o Juventude, em casa; os 4 a 0 sobre o Corinthians, também em casa; os 2 a 0 sobre o Palmeiras em pleno Allianz Parque, e os 5 a 0 sobre o Fortaleza, em casa. Se antes o time não marcava gols, agora o cenário era completamente diferente: as finalizações eram acertadas, o ataque correspondia e o meio de campo dominava os rivais graças à dupla De Arrascaeta e Gerson, sem dúvida os melhores do futebol brasileiro na época.
A ótima série embalou o Flamengo na Copa do Mundo de Clubes, para a qual o clube se reforçou com a contratação do ítalo-brasileiro Jorginho, ex-Arsenal-ING e que havia brilhado pelo Chelsea-ING campeão europeu em 2021 e pela Itália campeã da Eurocopa de 2020 (disputada em 2021). Experiente e muito talentoso, o jogador seria mais um reforço importante para a sequência da temporada, principalmente pelo fato de o meio-campista Gerson ter sido sondado pelo Zenit-RUS em meados de junho e ter sua saída praticamente selada para depois da Copa – o que de fato aconteceu, após o clube russo pagar a multa de R$ 160,8 milhões ao clube brasileiro.

No Grupo D, o Flamengo encarou o Espérance de Tunis-TUN na estreia e venceu por 2 a 0, gols do meia De Arrascaeta e de Luiz Araújo. Na partida seguinte, o grande desafio daquela fase: o Chelsea-ING, campeão da Liga Conferência da UEFA e com um time muito jovem e rápido. Um dia antes, o compatriota Botafogo havia protagonizado uma zebra enorme ao vencer o badalado campeão europeu PSG-FRA por 1 a 0 e, por isso, o Flamengo queria provar que também tinha condições de vencer um time do Velho Continente.
O jogo começou e os ingleses abriram o placar logo aos 11’, com Pedro Neto, após falha de Wesley. O gol não abalou o time brasileiro, que seguiu com a posse de bola e ganhando escanteios a seu favor – foram cinco só no primeiro tempo. Na segunda etapa, Filipe Luís mudou o time e colocou Bruno Henrique no lugar do uruguaio De Arrascaeta e o ataque foi outro. Com mais velocidade pelas pontas, o Fla seguiu na frente e, aos 16’, Gerson cruzou no segundo poste, Plata ajeitou de cabeça e Bruno Henrique empatou. Três minutos depois, Pulgar bateu escanteio no meio da área, Bruno Henrique ajeitou de cabeça e Danilo desviou para as redes: 2 a 1. O Chelsea ficou nervoso e, aos 22’, Nicolas Jackson levou cartão vermelho após falta em Ayrton Lucas.

Aos 36’, Gerson saiu, muito cansado, para a entrada de Wallace Yan, e mais uma vez um jogador vindo do banco apareceu para decidir. Foi dele, aos 37’, o gol que selou a vitória rubro-negra por 3 a 1 e fez do Flamengo o primeiro clube brasileiro a vencer um clube europeu de virada em jogos oficiais desde os 2 a 1 do São Paulo sobre o Barcelona-ESP na final do Mundial Interclubes de 1992. A vitória foi enorme e ganhou repercussão na mídia internacional.
A torcida, claro, se esbaldou e relembrou a música de 1981, quando “botou os ingleses na roda” do Liverpool na final do Mundial daquele ano e venceu por 3 a 0. Contra o Chelsea, não foi final, mas valeu a vaga nas oitavas e o orgulho por um grande e histórico jogo do time da Gávea.




“Estou muito feliz pelo jogo. Desde o começo, nós sempre acreditamos que tínhamos chances. Estou muito orgulhoso, porque, depois do erro do Wesley, o time não parou de jogar. Continuamos jogando da mesma forma como sempre jogamos. Meu coração está quente por causa disso.
Conheço a qualidade dos clubes europeus, especialmente a elite do futebol. São 12 clubes no mundo que fazem parte da elite. Estou surpreso por esses resultados. Eles não estão muito acostumados com o clima. Os sul-americanos são muito competitivos, na Libertadores é muito difícil vencer, mas nem sempre o melhor vence.
[…] Nós temos paciência nos jogos, estamos acostumados com o clima. Eu fiquei quatro dias sem dormir bem porque eu vi o time do Chelsea e acho que é o time mais tático da Europa. Os jogadores entenderam muito bem o modo de jogar, é difícil jogar contra o Chelsea. Foi uma enorme vitória para nós. Eu estou muito feliz. Qualquer um pode ganhar essa competição, isso é o futebol”. – Filipe Luís, na coletiva pós-jogo.
O treinador ainda destacou a presença de Bruno Henrique, de novo decisivo. “Primeiro, o Bruno é o jogador que é. Com mais títulos na história do clube. Todos nós sabemos que cresce em jogos grandes. Pensei muito em começar com ele. Por mais que ele venha sendo cobrado e criticado, é um atacante que não se resume a gols e assistências”.
Na última partida do grupo, o Flamengo empatou com o Los Angeles-EUA em 1 a 1 e, com o primeiro lugar na chave, teve pela frente o Bayern München-ALE, que perdeu o último jogo de seu grupo para o Benfica e, com seis pontos, terminou na segunda colocação, um ponto atrás dos portugueses.
Dolorido, mas sem terra arrasada

Enfrentar o Bayern não estava nos planos do Flamengo naquela etapa de oitavas de final. Todos esperavam o Benfica-POR ou mesmo o Boca Juniors-ARG, pois a certeza era de que o clube alemão iria terminar em primeiro lugar no Grupo C. Só que o titã apareceu logo de cara e exigiu do Flamengo um jogo perfeito e com erro zero. Porém, isso não aconteceu. Os erros defensivos apareceram cedo, principalmente com Rossi e Wesley – muito ruim naquela Copa – e o Bayern abriu o placar logo aos 5’, após Kimmich bater escanteio fechado e o volante chileno Erick Pulgar cabecear contra a própria meta. Aos 8’, Harry Kane aproveitou outra bobeada do Fla e ampliou para 2 a 0.
O Fla tentou descontar aos 14’, com Luiz Araújo, mas Manuel Neuer fez uma defesaça e evitou o gol. Aos 32’, a esperança voltou quando Luiz Araújo cruzou na área, De Arrascaeta ajeitou para trás e Gerson soltou uma bomba indefensável para diminuir. Só que o Bayern não baixou a guarda e, aos 40’, Luiz Araújo desarmou Laimer na área, mas afastou mal e a bola sobrou nos pés de Goretzka, que finalizou de fora da área e marcou o terceiro. No segundo tempo, aos 9’, Jorginho, de pênalti, descontou de novo e manteve o jogo eletrizante, com o Flamengo melhor principalmente após a entrada de Bruno Henrique e as boas tabelas entre ele e Jorginho.

Porém, aos 27’, Luiz Araújo tentou sair driblando na intermediária do Flamengo, mas foi desarmado por Laimer. O volante entregou a bola para Kimmich, que tocou para Harry Kane na meia-lua. O atacante inglês chutou e fechou a conta: 4 a 2. O Bayern se classificou para as quartas de final, onde acabou eliminado pelo PSG. Já o Flamengo deixou a Copa de cabeça erguida pelo jogo que fez contra o forte time alemão. O meio-campista Jorginho comentou, no pós-jogo, sobre o desempenho do time brasileiro.
“Em grandes jogos, como esse, muitas coisas fazem a diferença. Não estou dizendo que são melhores que nós. Nos últimos minutos, estávamos avançando, mas durante boa parte do jogo foi muito equilibrado. Eles começaram a criar a partir dos erros que fomos cometendo. Isso fez diferença no jogo. Levamos a confiança, o potencial que o time tem. Precisamos acreditar ainda mais no nosso grupo. O potencial que temos de chegar tão longe. Mostramos mais uma vez que podemos competir com qualquer time, que somos forte, que precisamos acreditar, continuar trabalhando. Esse grupo é impressionante. Podemos ir muito longe, e eu acredito nisso”.
Já o técnico Filipe Luís destacou a qualidade do jogo aplicado pelo adversário.
“Tomamos o gol de escanteio, depois tomamos o segundo gol em um erro de saída de bola, depois tivemos volume e acabamos fazendo 2 a 1. A partir desse momento, quando o Bayern nos levou até nossa área, a gente não conseguiu sair, porque é um time com uma qualidade imensa e eles não perdem a bola. Eles te sufocam, a pressão pós-perda é muito grande, fisicamente eles te sufocam. Tentamos sair no contra-ataque com o Arrascaeta e o Plata, e eles voltam com seis, sete jogadores ao mesmo tempo. É um time superior a nós, simples assim. São melhores que nós e mereceram passar. Erramos na saída de bola, o que gerou gols. Se optássemos por uma forma diferente, talvez teriam saído gols de outras maneiras”.
Curiosamente, o campeão da Copa foi o Chelsea, após uma vitória soberba sobre o PSG na final por 3 a 0. Com isso, o triunfo rubro-negro lá na fase de grupos ganhou ainda mais peso. E mostrou que o time era, sim, forte e favorito para as grandes competições da temporada, principalmente após os reforços que chegaram na janela do meio do ano: o meio-campista espanhol Saúl, o defensor Emerson Royal, o atacante Samuel Lino e o meia colombiano Jorge Carrascal.
Do problema à solução

Antes de engatilhar a sequência decisiva de jogos da temporada, o Flamengo teve que superar uma pequena crise envolvendo o atacante Pedro e a comissão técnica. Após deixar um treinamento antes da hora sem motivo aparente, o jogador não foi relacionado para o duelo contra o São Paulo em julho, no Maracanã, vencido pelo Fla por 2 a 0. Desde que havia voltado de uma lesão que o tirou dos gramados por sete meses, Pedro só havia jogado oito jogos como titular e, na Copa do Mundo, não foi aproveitado como deveria. Com menos minutos, começou a demonstrar descontentamento e a postura de sair de um treinamento antes da hora foi a gota d´água para sua saída do grupo no duelo contra o tricolor. Após o jogo, o técnico Filipe Luís detonou o atacante.
“O comportamento e a atitude do Pedro durante a semana… Foi lamentável, beirou o ridículo. Evidentemente que o Pedro tem os seus problemas pessoais com a diretoria, com o clube, problemas dele. E não é de agora que ele vinha treinando muito mal. Só que esta semana ele rompeu para mim com um princípio claro que nós temos como comissão e o grupo de jogadores, que é a cultura de treino. O que ele fez foi uma falta de respeito, a atitude dele nos treinamentos. E não duvidei em nenhum momento de deixá-lo fora da lista de relacionados, porque esse tipo de comportamento pode contagiar.
Espero que ele se recapacite, que pense e peça desculpas para os companheiros. E volte a ser o Pedro, porque para mim não é só uma falta de respeito com os companheiros, é uma falta de respeito com ele mesmo, um jogador que tem uma ambição que o Pedro deveria ter, chegar à seleção brasileira, de jogar mais uma Copa do Mundo. Não pode negociar um minuto de treino. E esta semana aconteceu. Depois, faltou com o respeito com os torcedores, que estão esperando o melhor Pedro, e com o clube, que paga o salário”.
Pedro conversou com os colegas de clube na semana seguinte ao ocorrido e disse que o caso de um vazamento de conversas de um dirigente que aceitaria vender o atacante por 15 milhões de euros o afetaram no dia a dia. Ele disse que “estava feliz por jogar ao lado dos companheiros e que não queria fazer nada para prejudicar o grupo”. Pedro não gostou das falas de Filipe Luís em público e as considerou “acima do tom e desrespeitosas”. No jogo seguinte à polêmica, o Flamengo visitou o Santos na Vila Belmiro e, ainda sem Pedro, perdeu por 1 a 0. Filipe Luís aproveitou o revés para encerrar de vez o assunto e dizer que ele e o atacante “precisavam trabalhar juntos para manter o clube competitivo”.

E, no Fla-Flu do dia 20 de julho, Pedro fez o gol da vitória por 1 a 0 do Flamengo que manteve o time na briga pelo título e inspirou uma sequência de 12 jogos sem perder do clube na competição! Nesse período, destaque para o 1 a 0 sobre o Atlético-MG, em casa; os 3 a 1 sobre o Internacional, fora – com dois gols de Pedro; os 8 a 0 sobre o Vitória, em casa – maior goleada do Brasileirão e com três gols de Pedro -, e um 2 a 1 sobre o Corinthians em Itaquera.
Na Libertadores, o Flamengo encarou o Internacional, adversário nas quartas de final lá da campanha vitoriosa de 2019, coincidência que já era um bom sinal para a torcida. No primeiro jogo, em casa, o Fla contou com a força de mais de 68 mil pessoas e venceu por 1 a 0, gol de Bruno Henrique. Na volta, no Beira-Rio, De Arrascaeta e Pedro fizeram os gols do triunfo por 2 a 0 que classificou o rubro-negro para as quartas de final. Enfim, a paz estava selada. Era hora de seguir o ritmo em busca das taças!
Neutralizando um rival – parte 1

Após dez rodadas na liderança do Brasileirão, o Flamengo foi derrotado pelo Bahia na rodada 27 por 1 a 0, em Salvador, e deixou escapar a ponta da tabela para o Palmeiras, grande rival do clube nos últimos anos. Na rodada seguinte, o time precisava vencer o Botafogo no Nilton Santos se quisesse seguir vivo para não perder o adversário de vista. Pois o rubro-negro fez 3 a 0 nos alvinegros e foi para a rodada 29 encarar justamente o Palmeiras em uma espécie de “final antecipada” no returno da competição. O Fla tinha que vencer para evitar que o rival abrisse vantagem no topo e fez valer a força de sua casa.


Com mais de 70 mil pessoas no Maracanã, o clássico foi uma ode ao bom futebol e fez jus ao grande momento das duas equipes. Em um primeiro tempo de sonho, o rubro-negro fez 1 a 0 com De Arrascaeta, aos 10’, até Vitor Roque empatar, aos 24’. Jorginho, aos 42’, ampliou para o Fla e Pedro, aos 45’, fez 3 a 1. No segundo tempo, o Palmeiras tentou se impor, mas faltou calibrar o pé. O Flamengo aproveitou e tomou o controle da bola para administrar o placar. Só no finalzinho que Sosa bateu cruzado, Rossi deu rebote e Gustavo Gómez marcou o segundo gol alviverde, mas já era tarde. O 3 a 2 manteve o Fla com o mesmo número de pontos do rival e na briga pelo caneco a nove rodadas do fim.
Além da vitória, o jogo foi muito importante para dar mais confiança ao elenco e moral conforme a temporada se encaminhava para o fim. Derrotar o rival foi muito comemorado pela torcida, que aproveitou para vaiar e não perdoar Andreas Pereira, que voltou ao Maracanã contra o Flamengo vestindo a camisa do Palmeiras, justamente o clube para o qual ele “deu” um gol na final da Libertadores de 2021, quando era do Flamengo e falhou bisonhamente para Deyverson anotar o tento do título alviverde em Montevidéu.
Rossi salvador e vaga na semifinal

Antes de encarar o Palmeiras no Brasileirão, o Flamengo teve também compromissos pela Libertadores e enfrentou o Estudiantes-ARG nas quartas de final. O clube argentino tinha sua camisa pesada e muita história e confiava nisso para sair com a vaga, além de ir bem no Campeonato Argentino – do qual terminou campeão em dezembro. Na ida, no Maracanã tomado por mais de 71 mil pessoas, Pedro, logo no primeiro minuto, fez 1 a 0. Varela, aos 9’, ampliou e o Fla dava mostras de que iria golear. O terceiro quase saiu aos 20’, quando o goleiro pincharrata operou um milagre para defender chute à queima-roupa de Pedro dentro da área. No entanto, os gols pararam e um gol contra de Léo Pereira fez o placar de 2 a 1 tornar a noite um pouco amarga para o torcedor.
Na volta, em La Plata, o Estudiantes fez 1 a 0 nos acréscimos do primeiro tempo com Benedetti e deu mais drama à vida flamenguista. Apesar das mudanças no segundo tempo, o Flamengo não melhorou e o jogo acabou indo para os pênaltis. Na marca da cal, o goleiro Agustín Rossi brilhou, defendeu dois chutes, os batedores do Fla converteram todas as suas cobranças e o placar de 4 a 2 classificou o time carioca para a semifinal! Era hora de enfrentar um antigo conhecido: o Racing-ARG.
Lima é logo ali!

Campeão da Copa Sul-Americana de 2024 e da Recopa Sul-Americana de 2025, o Racing vivia um de seus melhores momentos depois de décadas e era muito forte jogando em casa e também fora dela, com muito entrosamento e velocidade nos contra-ataques, além de contar com um sistema defensivo que levava poucos gols – eram apenas três sofridos na primeira fase e dois na segunda fase da Liberta. Mas o eletrizante duelo serviu como uma revanche para o Fla eliminar o rival pela primeira vez em uma competição da Conmebol, pois havia caído diante da Academia nas semifinais da Supercopa da Libertadores de 1992 e nas oitavas de final da Libertadores de 2020.
No duelo de ida, no Maracanã, o time brasileiro sofreu um bocado, deu 20 chutes a gol, mas conseguiu uma magra vitória por 1 a 0, com um gol de Carrascal já nos minutos finais. A notícia ruim foi a (nova) lesão de Pedro (dessa vez no antebraço), que desfalcaria o time até o final do ano. Os comandados de Filipe Luís levaram a vantagem do empate para a Argentina. Diante de um cenário hostil no El Cilindro, o Fla conseguiu segurar o ímpeto do rival com controle do meio de campo e muita qualidade no toque de bola, principalmente no primeiro tempo. Na etapa final, o time rubro-negro teve um jogador expulso – Plata – e sofreu mais, porém, o goleirão Rossi estava atento e fez grandes defesas para manter a meta intacta e garantir o 0 a 0 que colocou o Mengão em mais uma final de Libertadores – a quarta em sete anos.
Pronto para fazer história

O Flamengo seguiu na vice-liderança do Brasileirão até a rodada 34, após derrota para o Fortaleza (1 a 0), empate contra o São Paulo (2 a 2), e vitórias sobre Sport (3 a 0) e Santos (3 a 2). Mas o clube chegou ao topo após golear o Sport em jogo atrasado por 5 a 1 e aproveitar um tropeço do Palmeiras para alcançar os 71 pontos e deixar o Verdão estacionado com 68. A cinco rodadas do fim, o time carioca só dependia de si para ser campeão brasileiro e vivia melhor fase do que o rival alviverde, que tropeçou bastante em casa naquela reta final e perdeu pontos importantes que custaram o topo. Antes da decisão continental, o Fla perdeu para o Fluminense (2 a 1), mas venceu o RB Bragantino (3 a 0) e empatou fora de casa contra o Atlético-MG, resultados que mantiveram o time na liderança e com três pontos de vantagem a duas rodadas do fim.
Além de ser o concorrente direto na luta pelo título nacional, o Palmeiras seria o adversário do Flamengo na grande final da Libertadores. Era a grande chance de vingança dos cariocas pelo revés de 2021 e a oportunidade de ser o primeiro clube brasileiro tetracampeão da América. O jogo teria um peso único e já era tratado como o maior clássico entre os rivais paulistas e cariocas na história. Com a partida marcada para o estádio Monumental U, mesma casa do título flamenguista de 2019, a torcida rubro-negra foi em peso até a capital peruana crente em mais uma festa em Lima.
Apesar de ser jogo único e não ter favorito, o Flamengo, time por time, era melhor e vivia momento superior ao Palmeiras, que tropeçou demais em jogos “grandes” ao longo da temporada. Era a ocasião perfeita para o Fla vencer, expurgar de vez um adversário tão indigesto ao longo dos anos, encerrar os pesadelos de 2021 e ser o primeiro tetra.
Quem manda aqui sou eu! Flamengo tetra!

O Monumental U estava simplesmente estonteante naquela ensolarada tarde de 29 de novembro de 2025. A torcida do Flamengo, em maior número, dominava as arquibancadas do Colosso de Ate e ficava atrás do gol onde Gabriel Barbosa marcou os tentos do título épico lá de 2019. Pois curiosamente seria aquele mesmo gol o privilegiado em abrigar o único daquela final. Desde o início, o Flamengo demonstrou enorme maturidade e controle do jogo. Teve mais posse, chegou mais ao ataque e encontrou um adversário que mais se defendia e tentava jogar pelo contra-ataque. Se final não se joga, se ganha, o Flamengo jogou e ganhou.
Nos primeiros 15 minutos, a equipe carioca teve boas chances com De Arrascaeta, Bruno Henrique e Samuel Lino, mas a bola não entrou. O Palmeiras só conseguiu criar aos 20’, em cabeçada de Vitor Roque. A partir dali, o jogo ficou mais truncado, com muitos cartões e reclamações. Só no segundo tempo que a equipe carioca destravou a partida e chegou ao gol aos 21’, quando De Arrascaeta cobrou escanteio perfeito e Danilo subiu sozinho para fazer 1 a 0. Explosão rubro-negra no Monumental U! E justiça pela partida do time de Filipe Luís, superior e dominante desde o primeiro tempo.


O Palmeiras até tentou responder, mas foi muito fraco no ataque e só conseguiu uma oportunidade clara aos 43’, com Vitor Roque, que errou dentro da pequena área. O Fla ainda mandou uma bola na trave nos acréscimos, mas nem fez falta. Ao apito do árbitro, a América era rubro-negra pela quarta vez na história. E o Flamengo se tornava o primeiro clube brasileiro tetracampeão da Libertadores.
Enfim, a saborosa vingança. Ou, como tanto frisou a torcida flamenguista, “ninguém morre nos devendo”, com foco total em Andreas Parmera Pereira, vilão de 2021 e que sentiu mais uma vez o gosto do vice, dessa vez pelo Palmeiras. O título foi a consolidação do absolutismo do Flamengo no continente. Em sete anos, três títulos. Uma hegemonia que não víamos desde a fase áurea do Boca Juniors lá nos anos 2000, quando venceu quatro Libertadores em 2000, 2001, 2003 e 2007.


Em 13 jogos, foram oito vitórias, três empates, duas derrotas, 13 gols marcados e cinco sofridos, aproveitamento de 61,5%. Filipe Luís não escondeu o orgulho após a conquista e destacou a mística do Flamengo em Lima. “É um lugar que me sinto muito feliz. Com a seleção também. Com o Flamengo, duas finais de Libertadores. É um estádio muito especial. Tem uma energia muito especial para nós. Forma lendas. Verdadeiras lendas, eternas para nosso clube. Estou realmente muito feliz de ter conquistado e aumentado a mística de Lima”.
O título foi o terceiro de Filipe Luís pelo clube, dois como jogador e um como técnico. Foi também o terceiro de Bruno Henrique e De Arrascaeta, bastiões rubro-negros e símbolos de uma era que já supera, pelo menos em número e peso de títulos, a Era Zico. Não foi à toa que a dupla foi a responsável por erguer o imponente troféu. Capitães, ídolos, lendas, únicos. E patrimônios imortais do Flamengo.
Brasil rubro-negro

Dias depois da conquista da Libertadores, o Flamengo recebeu o Ceará, no Maracanã lotado com mais de 73 mil pessoas, e fez a festa com sua torcida pelo tetra continental e também com a oportunidade de ser campeão brasileiro. E foi. Com um gol de Samuel Lino no primeiro tempo, o Fla venceu por 1 a 0 e levantou o troféu com uma rodada de antecipação, fechando um ano praticamente perfeito com quatro troféus: Supercopa, Carioca, Libertadores e Brasileiro. Em solo nacional, só escapou a Copa do Brasil, pois o Fla foi eliminado nos pênaltis para o Atlético-MG nas oitavas de final.
A campanha rubro-negra entrou direto para o top 10 das melhores da história dos pontos corridos com 69,3% de aproveitamento: em 38 jogos – na última rodada, com time reserva, a equipe empatou em 3 a 3 com o Mirassol – foram 79 pontos, com 23 vitórias, 10 empates, cinco derrotas, 78 gols marcados (melhor ataque) e 27 gols sofridos (melhor defesa), e saldo de +51.
De Arrascaeta, com 18 gols, foi o artilheiro do time na competição e ainda contribuiu com 14 assistências (rei no quesito), além de vencer o prêmio de melhor jogador, coroando um ano impecável do maestro uruguaio. Pedro, com 12 gols, foi outro goleador a se destacar na campanha. Agustín Rossi foi o goleiro que ficou mais jogos sem levar gols: 18 no total. O título brasileiro fez do Flamengo um dos raros clubes a conquistar no mesmo ano o principal campeonato do Brasil e a Libertadores, algo restrito a apenas outros três clubes: Santos, em 1962 e 1963; Flamengo em 2019 e Botafogo em 2024.
Mundo perdido

Com um tempo relativo de descanso e preparação, o Flamengo viajou até o Catar para a disputa da Copa Intercontinental da FIFA na esperança de recuperar um título que não vinha desde 1981. Os primeiros desafios foram superados sem dramas: vitória por 2 a 1 sobre o Cruz Azul-MEX, no Derby das Américas, e triunfo por 2 a 0 sobre o Pyramids-EGI na Copa Challenger. Com a vaga na final, o Flamengo teve pela frente o PSG, campeão de quase tudo em 2025 e que também queria a Intercontinental para alcançar o Sêxtuplo com seis troféus no ano.
Filipe Luís sabia, a exemplo do que aconteceu na Copa do Mundo, que era um jogo de erro zero. Mas, quando a bola rolou, o goleiro Rossi acabou falhando feio duas vezes. Na primeira, ao tentar salvar uma bola que sairia pela linha de fundo, acabou deixando o gol aberto para Fabián Ruiz marcar. Porém, após checagem do VAR, foi assinalado escanteio. Minutos depois, após cruzamento de Doué, Rossi tentou afastar e “ajeitou” a bola para Kvaratskhelia marcar 1 a 0 para o PSG, aos 37’ do primeiro tempo.
Na segunda etapa, aos 16’, Marquinhos cometeu pênalti em De Arrascaeta e Jorginho fez o gol de empate. A esperança voltou para o Flamengo, apesar de o domínio ser todo do PSG. Com várias mudanças, o jogo seguiu tenso e o PSG desperdiçou boas chances, enquanto o Flamengo esbarrou na falta de espaços para criar. O 1 a 1 levou o duelo para a prorrogação, e, também sem gols, foi para os pênaltis.

Na marca da cal, o time brasileiro viveu um pesadelo ao ver o goleiro Safonov defender impressionantes quatro cobranças, de Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo. Só De La Cruz acertou. Vitinha e Nuno Mendes fizeram para o PSG, Dembélé e Barcola erraram, mas o placar de 2 a 1 deu o título mundial aos franceses. Foi uma decepção tremenda para o Flamengo encerrar o ano daquela maneira. E ainda mais nos pênaltis, com tantos erros e vendo o rival também errar. O técnico Filipe Luís comentou sobre o revés no pós-jogo.
“Muito triste por perder, não gosto de perder. Não gosto dessa sensação. Mas, ao mesmo tempo, muito orgulhoso dos jogadores. O que eles fizeram hoje é histórico, para mim. Estivemos tão perto, uma disputa de pênaltis. Mais perto que isso contra uma equipe deste nível é muito difícil. A parte mental eu já sabia. […] Foi uma temporada realmente incrível, mágica e histórica. Os jogadores entraram para a história do Flamengo. Teriam entrado mais ainda se as cobranças tivessem caído para o nosso lado. Mas esses jogadores são históricos, todos eles. Colocaram o nome deles na história, é um grupo muito vencedor, muito ambicioso. Não tenho dúvida que vai continuar com a mesma ambição”.
Ele ainda salientou a qualidade do PSG. “Foi a minha primeira derrota em finais com esse grupo. Não foi para um rival qualquer, foi para o PSG de Luis Enrique, uma equipe que fez história, que ganhou seis títulos. É uma equipe que joga de uma maneira fantástica, com o melhor técnico, com o melhor do mundo. Temos que admirar e parabenizar eles pelo trabalho que fizeram. Eu analisei umas 40 partidas. Cada uma que eu via me deixava com sensações piores, parecia que sempre jogavam melhor”.
Apesar da derrota, o Flamengo precisava festejar o ano de 2025. O clube conquistou 4 títulos, se tornou o primeiro brasileiro tetra da Libertadores e alcançou um inédito e impressionante faturamento superior a R$ 2 bilhões em premiações e vendas de jogadores. De fato, o clube alcançou um outro patamar naquele ano.
Para manter a dinastia

Com a base mantida e muito dinheiro para investir, o Flamengo começou 2026 pronto para colecionar mais títulos, mas perdeu as finais da Supercopa do Brasil (para o Corinthians) e da Recopa Sul-Americana (para o Lanús-ARG) e a diretoria rubro-negra, no mesmo vício de 2022, demitiu Filipe Luís e contratou Leonardo Jardim, um ato absurdo e que mais uma vez demonstrou o quão atrapalhada é a diretoria do clube quando o assunto é treinador. Mesmo assim, com o novo calendário da CBF, a torcida espera que o clube trace um planejamento que priorize as grandes competições e faça do Flamengo um verdadeiro bicho-papão não só no Brasil, mas no continente.
Se tudo der certo, será natural ver esse time alcançar mais finais e colecionar troféus. E tudo sem virar SAF nem recorrer a grupos duvidosos do exterior. Durante décadas, perguntavam como seria se o Flamengo, com seu peso e sua torcida, tivesse organização e dinheiro. A resposta está aí: um clube multivencedor, dominante e primeiro brasileiro tetracampeão da América. Simplesmente imortal.
Números de 2025:
- 78 jogos
- 49 vitórias
- 18 empates
- 11 derrotas
- 143 gols marcados
- 51 gols sofridos
- +92 gols de saldo
- Aproveitamento de pontos: 70,5%
- Percentual de vitórias: 62,8% (49/78)
Média de gols marcados: 1,83 por jogo
Média de gols sofridos: 0,65 por jogo
Saldo médio: +1,18 por jogo
Os personagens:
Rossi: revelado pelo Chacarita Juniors, o argentino estava no futebol árabe quando foi contratado pelo Flamengo, em 2023, para suprir a saída do goleiro Santos. Primeiro arqueiro albiceleste do clube desde Ubaldo Fillol, nos anos 1980, Rossi só passou a ser titular sob o comando de Tite, pois acabou preterido por Sampaoli na temporada dos desastres. Aos poucos, conseguiu se manter na meta e foi essencial em vários momentos do clube tanto em 2024 quanto em 2025, em especial na conquista da Libertadores. Só pecou na final da Copa Intercontinental da FIFA, cometendo dois erros que poderiam ter custado o título ainda no tempo regulamentar. Acumulou quase 150 jogos com a camisa rubro-negra em dois anos.
Varela: com a saída do lateral Wesley no meio do ano de 2025, o uruguaio assumiu a vaga de titular no setor e foi muito bem no segundo semestre, principalmente na cobertura e na marcação dos rivais, o que dava liberdade aos homens de frente na criação. Antes, sob o comando de Tite, também conseguiu mais minutagem e boas partidas. Foi fundamental na reta final da temporada, em especial nos jogos finais da Libertadores – na decisão, foi espetacular contra o Palmeiras e tomou conta do setor, ajudando inclusive o ataque.
Wesley: no clube desde 2021, Wesley assumiu a titularidade a partir de 2023 e entrou até no radar da seleção brasileira. Foi o dono da posição até metade de 2025 e fez grandes jogos, apesar de cometer algumas falhas na saída de bola. Acabou negociado junto a Roma-ITA por quase R$ 164 milhões.
Léo Ortiz: zagueiro muito bom na saída de bola e com qualidade técnica herdada de seus tempos de futsal, Léo Ortiz brilhou no RB Bragantino, onde fez parte da grande campanha do Massa Bruta vice-campeão da Copa Sul-Americana de 2021, e se transferiu para o Flamengo em 2024 como uma das principais contratações do clube na época. Aos poucos, conquistou seu espaço e foi peça-chave no esquema defensivo tanto em 2024 quanto em 2025, quando fez uma boa dupla com Léo Pereira. Além da regularidade, ainda contribui com gols e assistências. Entre 2024 e 2025, foram 94 jogos, seis gols e quatro assistências.
Fabrício Bruno: chegou em 2023 ao Flamengo e, apesar da temporada sem títulos, foi um dos principais nomes defensivos da equipe. Manteve a regularidade em 2024, mas várias sondagens do exterior anunciavam sua saída, que aconteceu em 2025, quando foi jogar no Cruzeiro.
Danilo: experiente e multicampeão por vários clubes, Danilo chegou ao Flamengo em 2025 para agregar técnica e competitividade ao elenco. Apesar de não ter sido titular absoluto, o zagueiro jogou alguns dos principais jogos da temporada e mostrou seu talento e poder de decisão: fez gol nos 3 a 1 sobre o Chelsea, na Copa do Mundo, fez gol nos 2 a 0 sobre o Pyramids, na semifinal da Intercontinental, e fez o gol mais importante do ano: o do tetra na Copa Libertadores. Em 36 jogos, marcou cinco gols e deu duas assistências.
Léo Pereira: sofreu bastante com a desconfiança da torcida em seu início no clube lá em 2020, mas conseguiu ano após ano dar a volta por cima e se transformar em um dos mais regulares e queridos jogadores do elenco. Bom na cobertura, nas jogadas aéreas e nos bloqueios rasteiros, foi um pilar do sistema defensivo do técnico Filipe Luís e o segundo que mais jogou em 2025: 62 jogos. Já tem quase 300 jogos com a camisa do Flamengo na carreira.
David Luiz: o veterano zagueiro, que havia contribuído para os títulos de 2022, começou a cair de rendimento já em 2023 e em 2024 perdeu espaço no time, mesmo com Tite no comando. Não teve seu contrato renovado e deixou o clube logo após a conquista da Copa do Brasil. Foram 132 jogos, quatro gols e duas assistências pelo rubro-negro.
Alex Sandro: outra contratação certeira do Fla, o lateral conseguiu vencer a concorrência com Ayrton Lucas e, aos poucos, virou titular nos principais jogos do Fla tanto em 2024 quanto em 2025. Com grande visão de jogo, qualidade no passe, lançamentos e experiência para ajudar na cadência e aceleração, encaixou perfeitamente no estilo de jogo de Filipe Luís.
Ayrton Lucas: titular no grande ano de 2022, o lateral alternou bons e maus momentos depois daquela temporada e viu a concorrência no setor crescer. Jogou boa parte da época 2024 na equipe principal, em especial no Brasileirão, no qual participou de 32 jogos e marcou três gols, mas, com a chegada de Alex Sandro, perdeu a titularidade absoluta. Disputou 24 jogos como titular em 2025 e entrou em outros 14.
Viña: o lateral chegou para assumir a titularidade, mas sofreu com as lesões e jamais teve uma boa sequência de jogos. Foram apenas 32 jogos entre 2024 e 2025.
Erick Pulgar: chegou em 2022 ao Flamengo e se consolidou como um dos principais volantes do time, com destaque para sua capacidade de marcação e proteção, podendo atuar até como terceiro zagueiro, além de sair bem com a bola dominada e inicar contra-ataques. É eficiente, também, nas bolas paradas. Acumulou 139 jogos, três gols e 9 assistências pelo Flamengo entre 2022 e 2025.
De La Cruz: após temporadas brilhantes pelo River Plate-ARG, o uruguaio chegou como uma estrela ao Flamengo em 2024 e só não jogou mais vezes como titular por conta das lesões que o atormentaram em 2024 – foram três visitas ao departamento médico no segundo semestre – e também em 2025. Quando esteve em campo, entregou o que se espera dele: velocidade, versatilidade, excelência no passe e ótima visão de jogo. De La Cruz consegue atuar em qualquer região do meio de campo, seja mais à frente, seja mais recuado.
Jorginho: o ítalo-brasileiro caiu perfeitamente no esquema tático de Filipe Luís graças ao seu enorme talento no meio de campo, nas bolas paradas e jogadas ensaiadas, além de ser um exímio distribuidor de bolas. Fez grandes jogos no Brasileirão e na Copa Libertadores, além de ter ido muito bem na Copa do Mundo e na Copa Intercontinental. Em 32 jogos em 2025, foram cinco gols e três assistências.
Gerson: depois de deixar o Flamengo em 2021, o Curinga retornou em 2023 para mais um período de glórias e grandes jogos. Titular absoluto, deu show no meio de campo do clube e disputou mais de 50 jogos tanto em 2023 quanto em 2024, quando ajudou a equipe a vencer a Copa do Brasil. Em 2025, foi essencial nas campanhas do time no primeiro semestre e brilhou, também, na Copa do Mundo, quando marcou um golaço diante do Bayern. Acabou saindo para jogar no Zenit-RUS, que pagou a multa contratual do jogador. Em duas passagens, Gerson possui 253 jogos, 19 gols e 34 assistências, além de 12 títulos conquistados.
Carrascal: se o gringo Carlos Alcaraz não fez nada no Mengão, Carrascal conseguiu fazer jus ao investimento de quase R$ 80 milhões do clube da Gávea e foi um dos mais acionados do setor ofensivo no segundo semestre. Meia rápido que pode atuar tanto centralizado quando pelas pontas, disputou 24 jogos, marcou três gols – um deles decisivo, na semifinal da Libertadores contra o Racing-ARG – e deu cinco assistências.
Plata: chegou em 2024 e causou boa impressão ao marcar o gol que selou o título da Copa do Brasil diante do Atlético-MG em plena Arena MRV. Mas foi em 2025 que o equatoriano cravou seu espaço com bons jogos, velocidade, drible e garra, além de muita entrega física. Em 70 jogos pelo Flamengo entre 2024 e 2025, marcou 7 gols e deu 10 assistências.
Michael: retornou em 2024, após um período no Al Hilal, mas não teve tantas chances como em sua primeira passagem, entrando mais no decorrer dos jogos e também em partidas do Brasileirão, competição onde mais atuou no período – 11 jogos em 2024, com um gol marcado, e 28 jogos em 2025, com quatro gols e uma assistência.
Alcaraz: de maior compra da história do Fla a grande decepção. Assim foi a passagem de Alcaraz pela Gávea entre 2024 e 2025. Apagado e sem muitas oportunidades nem com Tite nem com Filipe Luís, o argentino jamais se encaixou no estilo de jogo proposto pelos técnicos e disputou míseros 19 jogos, com três gols marcados e duas assistências. Foi jogar no Everton-ING no segundo semestre de 2025.
De Arrascaeta: o uruguaio já é um dos maiores jogadores do Flamengo em todos os tempos, mas fez questão de aumentar essa condição nas temporadas 2024 e 2025. Livre das constantes lesões que tanto prejudicaram seu rendimento em anos anteriores, o craque conseguiu engatilhar uma grande sequência de jogos e foi simplesmente impecável no meio de campo do time, principalmente na temporada 2025, a mais goleadora de toda sua carreira, na qual marcou 25 gols em 64 jogos e ainda deu 21 assistências.
Seus maiores recitais foram no Brasileirão, no qual ele anotou 18 gols e deu 14 assistências, desempenho que fez dele o Bola de Ouro da competição. Na Libertadores, também foi decisivo, anotou dois gols e deu a assistência para o gol do título, anotado por Danilo. No final do ano, foi eleito o Rei da América como melhor jogador do continente. Um prêmio mais do que justo para um jogador sublime e que parece só melhorar a cada ano que passa. Desde 2019 até 2025, De Arrascaeta disputou 354 jogos, marcou 98 gols, deu 114 assistências, jamais foi expulso e conquistou 17 troféus, sendo três Libertadores e três Brasileiros. Simplesmente imortal.
Luiz Araújo: com 32 jogos como titular e 36 partidas entrando no decorrer das partidas, Luiz Araújo foi o segundo atleta com mais aparições pelo Flamengo em 2025. Atuando como ponta-direita, foi uma importante peça ofensiva da equipe de Filipe Luís e anotou 13 gols em 68 jogos, além de ter contribuído com nove assistências. Tem bom drible, capacidade de aceleração e intensidade defensiva. Costuma criar jogadas por dentro e é eficiente nas bolas paradas e transições.
Saúl: cria do Atlético de Madrid, foi outro reforço internacional badalado que chegou ao Flamengo em 2025. No entanto, por conta da concorrência no setor de meio de campo, acabou jogando pouco. Foram 15 jogos como titular e nove entrando no decorrer dos jogos. Não marcou gols e deu duas assistências.
Samuel Lino: com quatro gols (um deles na vitória sobre o Ceará por 1 a 0, que garantiu o título Brasileiro) e cinco assistências em 31 jogos, o atacante deu um alívio no setor ofensivo rubro-negro na reta final. Fez alguns bons jogos, com velocidade, bons passes e forte habilidade em situações de um contra um. Pode jogar tanto na ponta (esquerda ou direita) quanto como ala.
Pedro: mesmo com tantos problemas físicos que sempre aparecem e nunca acabam – e minam suas chances na seleção e no futebol europeu -, o atacante é um dos maiores artilheiros do Flamengo e do Brasil há anos. Com sua natural presença de área, criatividade e habilidade, tem enorme capacidade para decidir jogos e provou isso em alguns momentos de 2024 e também em 2025. Pedro foi o artilheiro do Flamengo em 2024 com 30 gols e vice-artilheiro em 2025 com 15 gols, além de sete assistências. Apesar dos problemas de relacionamento que teve em 2025, marcou gols importantes na arrancada do clube no Brasileirão no segundo turno. Em 302 jogos pelo Fla desde sua chegada, foram 150 gols e 39 assistências.
Evertton Araújo: jovem que chegou em 2022, por empréstimo, foi contratado em definitivo pelo Flamengo em 2023 e alternou jogos como titular e outros como suplente. Disciplinado, muito focado e ótimo na contenção do meio de campo, fez bons jogos no Brasileirão e ainda quatro partidas na campanha do título da Copa do Brasil de 2024, incluindo as duas finais, mas perdeu espaço em 2025, ano em que participou mais do Brasileirão, com 18 jogos e um gol.
Bruno Henrique: outro jogador já lendário do Flamengo e dono de três Libertadores, BH superou os problemas extracampo que teve no período para voltar a marcar gols decisivos e contribuir com jogadas de efeito que ajudaram o rubro-negro a levantar títulos em 2025. O atacante acabou com o Botafogo na final da Supercopa Rei, começou a reação diante do Chelsea na Copa do Mundo e levou muito perigo aos adversários em diferentes momentos da temporada. Em 61 jogos, BH marcou 15 gols e deu duas assistências. Desde 2019 no Flamengo, o atacante acumulou daquele ano até 2025 números marcantes: 341 jogos, 110 gols, 58 assistências e 17 títulos.
Gabriel Barbosa: a última temporada do atacante no Flamengo foi conturbada, cheia de problemas extracampo, mas ele saiu fazendo o que sempre fez: gols decisivos. O ídolo flamenguista anotou dois gols na final da Copa do Brasil de 2024 diante do Atlético e só aumentou sua lista de gols em decisões: 16 tentos, sendo:
- Libertadores 2019: 2 gols
- Supercopa do Brasil 2020: um gol
- Recopa Sul-Americana 2020: um gol
- Supercopa do Brasil 2021: um gol
- Carioca 2021: 3 gols
- Libertadores 2021: um gol
- Supercopa do Brasil 2022: um gol
- Carioca 2022: um gol
- Libertadores 2022: um gol
- Supercopa do Brasil 2023: 2 gols
- Copa do Brasil 2024: 2 gols
Ele deixou o clube para jogar no Cruzeiro e, posteriormente, no Santos. Mas sua ligação com o rubro-negro será eterna. Foram 306 jogos, 161 gols, 43 assistências e 13 títulos, sendo duas Libertadores decididas com gols exclusivamente dele. Enorme.
Everton Cebolinha: o atacante sempre teve menos tempo de jogo do que merecia, mas foi sempre o preço a se pagar por jogar em um time com tantos bons jogadores e vários ídolos ao mesmo tempo. O talentoso atacante sempre que entrou, correspondeu e ganhou mais espaço ao longo de 2024 e também em 2025, alternando partidas como titular e como suplente. Foram 5 gols em 30 jogos em 2024 e 4 gols em 40 jogos em 2025.
Juninho: o atacante chegou para compor elenco em 2025, mas nunca conseguiu se firmar. Disputou apenas sete jogos como titular, e entrou em outros 25. Marcou quatro gols.
Tite e Filipe Luís (Técnicos): pragmático, Tite conduziu o Flamengo até a semifinal da Copa do Brasil de 2024, mas pecou em fazer o time jogar bem na Libertadores e no Brasileirão, apesar do bom aproveitamento. Mas foi Filipe Luís o responsável por mudar de vez o estilo daquele time e conduzir o Flamengo aos títulos e a feitos históricos, em especial em 2025, quando venceu quase tudo o que disputou e protagonizou jogos memoráveis. Jovem e com uma brilhante carreira pela frente, Filipe Luís tem tudo para levantar ainda mais títulos, aprender mais e se transformar em um dos mais vitoriosos técnicos de sua geração. O pontapé já foi dado. E com muito estilo: cinco títulos em apenas 14 meses de trabalho, além de ser o primeiro da história a conquistar Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil como jogador e técnico.

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