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Esquadrão Imortal – Chelsea 2024-2025

Chelsea 2024-2025
Os campeões do mundo. Em pé: João Pedro, Colwill, Chalobah, Caicedo e Robert Sánchez. Agachados: Cole Palmer, Malo Gusto, Cucurella, Reece James, Pedro Neto e Enzo Fernández. Foto: Seth Wenig / AP
 

Grandes feitos: Campeão da Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2025) e Campeão da Liga Conferência da UEFA (2024-2025). Fez do Chelsea o primeiro clube a vencer todos os grandes torneios possíveis já organizados pela UEFA e conquistou a primeira edição da história da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

Time-base: Robert Sánchez (Jörgensen); Malo Gusto, Chalobah (Adarabioyo), Colwill (Badiashile) e Cucurella; Reece James (Dewsbury-Hall / Madueke) e Caicedo; Cole Palmer (Sancho), Enzo Fernández (Andrey Santos / João Félix) e Pedro Neto (Nkunku / Marc Guiu); João Pedro (Delap / Nicolas Jackson). Técnico: Enzo Maresca.

 

“O maior feito dos Conquistadores Azuis”

Por Guilherme Diniz

Após sua história mudar no começo dos anos 2000, quando passou a receber vertiginosos investimentos, o Chelsea levantou títulos em profusão que colocaram o clube entre os mais poderosos da Inglaterra, onde venceu dois títulos do Campeonato Inglês nas temporadas 2004-2005 e 2005-2006 e acabou com a “farra” de Manchester United e Arsenal. Em 2007-2008, os Blues alcançaram a final da Liga dos Campeões da UEFA pela primeira vez, mas a derrota para o Manchester United nos pênaltis impediu o sonho europeu. Só em 2011-2012 que a glória foi conquistada de maneira épica, em cima do Bayern München-ALE e em plena Allianz Arena. Foi a partir daquela glória que o Chelsea deixou de ser um clube apenas com sucessos domésticos e escassas glórias continentais – que datavam dos anos 1970 e metade dos anos 1990 – para virar um dos mais copeiros do Velho Continente.  

Em 2012-2013, veio a Liga Europa da UEFA. Em 2018-2019, outra Liga Europa. Em 2020-2021, mais uma Liga dos Campeões, uma Supercopa da UEFA e o Mundial de Clubes da FIFA. Só que a torcida ficou ressabiada quando uma drástica mudança administrativa ameaçou aquela calmaria financeira. Felizmente para o torcedor, o clube ganhou uma nova gerência e uma safra de jovens atletas chegou em Stamford Bridge. Era uma turma desconhecida, que tinha como objetivo reconstruir a aura competitiva dos Blues tanto na Inglaterra quanto na Europa. A missão era difícil, tanto é que em 2023-2024 eles não disputaram nenhuma competição continental.

Até que, em 2024-2025, o Chelsea conseguiu dar a volta por cima de maneira categórica. Na Premier League, terminou na 4ª colocação. Na Liga Conferência da UEFA, foi superando os desafios e clubes bem diferentes dos que estava acostumado a enfrentar até alcançar a final. Nela, levou um susto do Real Betis-ESP, mas soube ter calma e a experiência de decisões passadas para virar, golear e levantar outro troféu inédito, que fez do Chelsea o primeiro a ter em sua galeria todos os troféus já organizados pela UEFA, até mesmo os que nem existem mais! A temporada ainda reservava um outro desafio: a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, competição que os Blues nem de longe eram favoritos. Principalmente após se classificarem apenas na 2ª colocação de seu grupo. Pois eles ligaram o modo conquistador na reta final e, um a um, derrubaram seus rivais. Benfica, Palmeiras, Fluminense. Todos caíram para os azuis de Londres. 

E, na grande final, contra o super favorito PSG, o Chelsea fez um jogo perfeito, daqueles que Ron Harris, Steve Clarke, Bobby Tambling, Peter Osgood, Kerry Dixon, Dennis Wise, Vialli, Zola, Lampard, Drogba, Terry, Petr Cech, Azpilicueta e Hazard certamente aplaudiram de pé. A vitória por 3 a 0 fez do Chelsea o primeiro campeão do Mundial de Clubes em seu novo formato com 32 equipes. Uma conquista enorme, cuja dimensão talvez só seja percebida daqui alguns anos. Pois o Chelsea percebeu aquele momento e mostrou a todos, de uma vez por todas, que era o Conquistador, o clube que raramente desperdiça uma oportunidade de ser campeão. É hora de relembrar o Chelsea 2024-2025.

Reconstrução azul

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Após título mundial de 2021, Chelsea entrou em um período de incertezas.
 

Imaginar uma temporada com um desfecho tão épico do Chelsea 2024-2025 soa até utópico quando vemos os primórdios dela. Tudo começou lá em 2022, quando Roman Abramovich, magnata russo responsável pela injeção de bilhões de euros (ou libras, dólares, o que preferir) no clube desde 2003, teve que deixar o comando dos Blues por causa de uma sanção imposta pelo Governo Britânico contra pessoas e empresas ligadas a Vladimir Putin, presidente da Rússia, após a eclosão da Guerra da Ucrânia. Como Abramovich tinha relações com Putin, ele acabou proibido de seguir exercendo suas funções de diretor no Chelsea. Após colocar o clube à venda, Abramovich conseguiu oficializar o negócio em maio de 2022, quando os empresários Todd Boehly, Mark Walter e Hansjörg Wyss, e a firma de investimentos Clearlake Capital, adquiriram o clube em uma transação de £4,25 bilhões, criando a BlueCo, consórcio que seria o responsável exclusivo pelo clube.

O negócio teve todo o acompanhamento legal e crível da Premier League, da FA e do Governo Britânico. O Chelsea publicou uma carta esclarecendo o negócio, salientando que os novos donos sabiam da responsabilidade que tinham ao adquirir a equipe londrina. “Ao vender o clube, o Sr. Abramovich estipulou que o novo proprietário deve ser um bom administrador do clube, os lucros líquidos da venda devem ser doados para caridade, e que ele não buscaria o reembolso dos empréstimos feitos às afiliadas do clube”. Todd Boehly, o líder da BlueCo, também se comunicou com a imprensa na época e declarou:

“Nossa visão como proprietários é clara: queremos deixar os torcedores orgulhosos. Junto com nosso compromisso de desenvolver o plantel jovem e adquirir os melhores talentos, nosso plano de ação é investir no clube a longo prazo e construir sobre a notável história de sucesso do Chelsea. Quero agradecer pessoalmente aos ministros e autoridades do governo britânico, e da Premier League, por todo o seu trabalho para que isso acontecesse”.

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Todd Boehly, principal nome da BlueCo. Foto: AFP
 

A primeira temporada sob o comando da BlueCo ficou marcada pelo antigo vício da gestão anterior: troca de técnicos. Foram quatro nomes ao longo daquela época: Thomas Tuchel, Graham Potter, Bruno Saltor e Frank Lampard. Outro vício foi a quantidade de contratações: 20 novos nomes adquiridos nas janelas de verão e inverno, com destaque para:

  • – Marc Cucurella, lateral-esquerdo, ex-Brighton-ING, por 60 milhões de libras;
  • – Koulibaly, zagueiro, ex-Napoli-ITA, por 33 milhões de libras;
  • – Aubameyang, atacante, ex-Barcelona-ESP, por 10,3 milhões de libras;
  • – Fofana, zagueiro, ex-Leicester City-ING, por 75 milhões de libras;
  • – Badiashile, zagueiro, ex-Monaco-MO, por 35 milhões de libras;
  • – Andrey Santos, meio-campista, ex-Vasco-BRA, por 18 milhões de libras;
  • – Madueke, atacante, ex-PSV-HOL, por 29 milhões de libras;
  • – Malo Gusto, lateral-direito, ex-Lyon-FRA, por 26,3 milhões de libras;
  • – Enzo Fernández, meio-campista, ex-Benfica-POR, por 106,8 milhões de libras.

Para balancear tantas contratações – foram mais de 600 mihões de euros gastos (!) -, a diretoria vendeu, não renovou contrato ou emprestou dezenas de atletas, entre eles Rüdiger, Christensen, Timo Werner, Emerson Palmieri, Marcos Alonso, Batshuayi, Jorginho, Bakayoko, entre outros. Ainda sem qualquer padrão de jogo e parecendo um “catado”, o Chelsea foi eliminado pelo Manchester City das duas copas nacionais e, na Liga dos Campeões da UEFA, sucumbiu diante do Real Madrid nas quartas de final. Mas o pior foi na Premier League, na qual os Blues terminaram apenas na 12ª colocação, desempenho que deixou o clube de Stamford Bridge de fora das competições europeias pela primeira vez desde 2016-2017 (e, antes desta, a última vez havia sido na temporada 1996-1997).

Boa impressão com Pochettino

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Foto: Getty Images
 

Na temporada 2023-2024, Mauricio Pochettino assumiu o comando técnico do clube e a diretoria voltou a fazer uma enorme limpa no elenco. Mais de um time inteiro deixou Stamford Bridge, incluindo vários nomes ainda remanescentes do título europeu de 2021. A equipe conseguiu negociar:

  • – Koulibaly, ao Al-Hilal-ARS, por 17 milhões de libras;
  • – Kovacic, ao Manchester City-ING, por 25 milhões de libras;
  • – Mendy, ao Al-Ahli-ARS, por 16 milhões de libras;
  • – Havertz, ao Arsenal-ING, por 65 milhões de libras;
  • – Loftus-Cheek, ao Milan-ITA, por 15 milhões de libras;
  • – Bakayoko, ao FC Lorient-FRA, sem custos;
  • – Kanté, ao Al-Ittihad-ARS, sem custos;
  • – Mason Mount, ao Manchester United-ING, por 55 milhões de libras;
  • – Azpilicueta, ao Atlético de Madrid-ESP, sem custos;
  • – Pulisic, ao Milan-ITA, por 17,1 milhões de libras;
  • – Aubameyang, ao Olympique de Marselha-FRA, sem custos

Mas é claro que os Blues não deixaram de ir às compras e trouxeram os seguintes reforços:

  • – Nicolas Jackson, atacante, ex-Villarreal-ESP, por 32 milhões de libras;
  • – Nkunku, atacante, ex-RB Leipzig-ALE, por 52 milhões de libras;
  • – Disasi, zagueiro, ex-Monaco-MO, por 38,8 milhões de libras;
  • – Robert Sánchez, goleiro, ex-Brighton-ING, por 25 milhões de libras;
  • – Caicedo, volante, ex-Brighton-ING, por 100 milhões de libras;
  • – Cole Palmer, atacante, ex-Manchester City-ING, por 40 milhões de libras

Renovado e com muitos jovens, o Chelsea foi outro time naquela temporada 2023-2024. Sem os compromissos continentais, Pochettino conseguiu ter mais tempo para montar a equipe e trabalhar melhor as alternativas que poderia ter em campo. E a equipe “pegou no breu” principalmente na segunda metade da temporada. Após um início ruim na Premier League, quando não conseguia superar a 10ª colocação, o Chelsea emendou uma sequência de oito jogos sem perder (com direito a um 4 a 3 no Manchester United, com três gols de Cole Palmer, e um 6 a 0 no Everton, com mais quatro gols do atacante), e encerrou os últimos seis jogos invicto para terminar na 6ª colocação, com 38 jogos, 18 vitórias, nove empates e 11 derrotas, além de 77 gols marcados e 60 gols sofridos. O time ganhou uma vaga nos playoffs da Liga Conferência da UEFA de 2024-2025 e retornou a uma competição continental.

Cole Palmer
Cole Palmer, grande revelação no elenco do Chelsea em 2023-2024. Foto: Darren Walsh/Chelsea FC via Getty Images
 

Cole Palmer foi o grande nome do time na temporada ao anotar 22 gols. Além dele, Caicedo e Enzo Fernández, ambos no meio de campo, e Cucurella, na lateral, foram outros que ganharam o carinho da torcida. Nas copas nacionais, o Chelsea bem que tentou, mas não conseguiu levantar títulos. Na Copa da Inglaterra, a equipe eliminou Preston North End, Aston Villa, Leeds United e Leicester City, mas perdeu para o Manchester City na semifinal por 1 a 0. E, na Copa da Liga Inglesa, os Blues chegaram à final contra o Liverpool, mas perderam por 1 a 0, com um gol na prorrogação anotado por Van Dijk.

Não vencer títulos e terminar a Premier League na 6ª colocação acabaram pesando contra o técnico Pochettino, que acabou demitido ao final da temporada. Embora tenha conduzido o time muito bem nos últimos meses da época 2023-2024, alguns membros da diretoria questionaram o tempo perdido no começo da temporada, quando o clube ficou estacionado no meio da tabela e não engrenou. Os jogadores ficaram “perplexos” com a saída do argentino, pois o clima nos vestiários era saudável e o time demonstrava isso. Faltou paciência aos mandatários do clube, que queriam “instantaneidade” após tantos milhões investidos. Com isso, outra vez o clube de Stamford Bridge teria que buscar um novo treinador…

Maresca e um “novo” time

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Enzo Maresca, técnico do Chelsea na temporada 2024-2025. Foto: Darren Walsh/Chelsea FC/Getty Images
 

Após sondar Kieran McKenna, Roberto De Zerbi e Rúben Amorim, o Chelsea acabou oficializando a contratação do italiano Enzo Maresca, campeão do Campeonato Inglês da 2ª Divisão de 2023-2024 pelo Leicester City, como técnico da equipe para a temporada 2024-2025. Novato, o ex-meio-campista iniciou sua trajetória como treinador no time sub-23 do Manchester City em 2021-2022 e, após um breve período na equipe principal do Parma, retornou ao City para ser membro da comissão técnica de Pep Guardiola na inesquecível temporada 2022-2023 do clube inglês, que faturou o Treble inédito ao clube do Etihad Stadium. Maresca comentou sobre o novo desafio.

“Me juntar ao Chelsea, um dos maiores clubes do mundo, é um sonho para qualquer treinador. É por isso que estou tão entusiasmado com esta oportunidade. Estou ansioso para trabalhar com um grupo muito talentoso de jogadores e funcionários para desenvolver uma equipe que continue a tradição de sucesso do clube e deixe nossos torcedores orgulhosos.”

Além de Maresca, a diretoria dos Blues trouxe mais alguns reforços, entre eles:

  • – Adarabioyo, zagueiro, ex-Fulham-ING, sem custos;
  • – Dewsbury-Hall, meia, ex-Leicester City-ING, por 30 milhões de libras;
  • – Pedro Neto, meia e atacante, ex-Wolverhampton Wanderers-ING, por 51,2 milhões de libras.
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O gigante elenco dos Blues. Foto: 90min
 

Outra grande leva de atletas deixou Stamford Bridge, mas ainda sim o Chelsea tinha um dos maiores elencos da Europa: 43 jogadores naquele começo de 2024-2025. Mesmo assim, Maresca tratou de reorganizar o time e tinha à sua disposição um grupo jovem, com média de idade de 23 anos – o Chelsea teria o elenco mais jovem da história da Premier League em 2024-2025 (!) – e nomes promissores que poderiam levar o clube a posições melhores no Campeonato Inglês e talvez nas copas, em especial a Liga Conferência da UEFA, na qual o Chelsea era um dos principais clubes e favorito ao título pela história e pela relativa fragilidade dos adversários pelo caminho.

Reece James, capitão dos Blues e remanescente dos títulos de 2021, tinha 25 anos. Enzo Fernández (24 anos) e Moisés Caicedo (23 anos), segundo e terceiro capitães do Chelsea, também eram os exemplos de liderança da juventude azul. Outros jovens que teriam destaque ao longo daquela temporada seriam Colwill (22 anos), Cole Palmer (23 anos), Delap (22 anos) e Pedro Neto (25 anos). A pouca idade poderia revelar um desafio para os jogos grandes, mas aquele plantel e o técnico Maresca sabiam perfeitamente como executar a missão de devolver o orgulho ao torcedor e colocar os Blues novamente nos holofotes. E, quem sabe, no topo.

Início promissor

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Foto: Glyn Kirk/AFP
 

Na pré-temporada, a equipe decepcionou e só venceu um dos seis jogos que disputou. Mas, quando os compromissos oficiais começaram, os Blues mudaram sua imagem rapidamente. Apesar da derrota na estreia da Premier League (2 a 0 para o City, em casa), o Chelsea emendou seis jogos sem perder e subiu para a 4ª colocação, com destaque para os 6 a 2 sobre os Wolves (fora de casa), com três gols de Madueke, os 3 a 0 sobre o West Ham, também fora, e os 4 a 2 pra cima do Brighton, em casa, com quatro gols de Cole Palmer. 

Após perder para o Liverpool na 8ª rodada, foram mais 9 jogos sem perder, desempenho que colocou o Chelsea de vez na briga pelo título inglês. Graças ao elenco farto, Maresca conseguia mesclar bem seu 11 titular e fazia mudanças pontuais no time que disputava a Premier League e também a Liga Conferência da UEFA. A melhor fase aconteceu no final de novembro de 2024 e ao longo de dezembro daquele ano, quando o Chelsea venceu cinco jogos seguidos na PL:

  • 2 a 1 no Leicester City, fora;
  • 3 a 0 no Aston Villa, em casa;
  • 5 a 1 no Southampton, fora;
  • 4 a 3 no Tottenham Hotspur, fora;
  • 2 a 1 no Brentford, em casa.

Na Liga Conferência, os Blues superaram o Servette-SUI na etapa preliminar com um 2 a 0 em casa e derrota por 2 a 1 fora, insuficiente para atrapalhar a caminhada dos ingleses, que venceram todos os seis jogos da Fase de Liga:

  • 4 a 2 no Gent-BEL, em casa;
  • 4 a 1 no Panathinaikos-GRE, fora;
  • 8 a 0 no Noah-ARM, em casa;
  • 2 a 0 no Heidenheim-ALE, fora;
  • 3 a 1 no Astana-KAZ, fora (e debaixo de neve!);
  • 5 a 1 no Shamrock Rovers-IRL, em casa.
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O desempenho do Chelsea àquela altura era muito consistente e o time apresentava um futebol dinâmico, com transições rápidas ao ataque e veloz. Não havia um goleador nato, mas sim um elenco que sabia marcar gols e criava muitas chances. Tanto em casa quanto fora, o Chelsea se impunha e não temia ninguém. Era uma equipe que marcava e dificultava as ações ofensivas do rival, além de exibir um notável preparo físico muito por conta, claro, da juventude dos atletas. 

Cole Palmer, Nkunku, Nicolas Jackson e Madueke eram alguns dos destaques ofensivos do time àquela altura, com Jackson e Madueke mais prolíficos na Premier League, Nkunku o principal homem-gol do time na Fase de Liga da Conference e Cole Palmer decisivo em ambas as competições. Além deles, Pedro Neto e Enzo Fernández também deixavam suas marcas nas redes, além de serem importantes garçons lá na frente, em especial Enzo, que terminaria a temporada como recordista em assistências pelo time.

Melhor focar na Europa…

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Nkunku e sua tradicional comemoração enchendo um balão: atacante foi o artilheiro do Chelsea na Liga Conferência da UEFA com 7 gols.
 

Apesar da grande fase na Premier League no final de 2024, o Chelsea começou a perder fôlego na virada do ano, mesmo já sem compromissos na Copa da Liga Inglesa – foi eliminado na segunda fase – e na Copa da Inglaterra – caiu também na segunda fase. Entre a 18ª e a 26ª rodadas, o Chelsea teve um desempenho pífio que arruinou de vez a briga pelo título inglês. Foram cinco derrotas, duas vitórias e dois empates, incluindo um revés em casa para o Fulham (2 a 1), e tropeços fora diante de Ipswich Town (2 a 0), Manchester City (3 a 1), Brighton (3 a 0) e Aston Villa (2 a 1), derrota esta que deixou o time longe inclusive das vagas nas competições europeias. No final de fevereiro, os Blues venceram o Southampton por 4 a 0 e bateram o Leicester City por 1 a 0, mas perderam o clássico diante do Arsenal, no Emirates, por 1 a 0, na rodada 29.

Nas seis rodadas seguintes, o Chelsea conseguiu se recuperar, venceu quatro – incluindo um 3 a 1 sobre o Liverpool, campeão – e empatou dois, mantendo sua posição no top 4 da tabela. Nas últimas três rodadas, os Blues venceram dois jogos – 1 a 0 no Manchester United e 1 a 0 no Nottingham Forest -, perderam para o Newcastle United (2 a 0), e terminaram na quarta colocação, dentro da zona de classificação para a Liga dos Campeões da UEFA. Foram 20 vitórias, nove empates, nove derrotas, 64 gols marcados, 43 gols sofridos e 69 pontos em 38 jogos. Cole Palmer, com 15 gols, foi o artilheiro do time na competição. Após mais uma temporada em branco dentro da Inglaterra – desde 2018 que o clube não vencia nenhum torneio nacional -, o foco foi direcionado para a Liga Conferência da UEFA.

Missão: gabaritar!

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Foto: Zac Goodwin/PA
 

Observando todos os clubes classificados para as oitavas de final da Liga Conferência, o Chelsea era, de longe, o gigante a ser batido e favorito à conquista. Os outros concorrentes no quesito tradição eram Real Betis-ESP, Panathinaikos-GRE, Fiorentina-ITA e Rapid Wien-AUT. Todos os outros eram figurantes que poderiam surpreender ou causar algum problema, mas nada que pudesse atrapalhar o caminho inglês até a final. E, jogo a jogo, os prognósticos se confirmaram, apenas com o Panathinaikos caindo já nas oitavas, mas diante da Fiorentina. 

O Chelsea começou sua caminhada naquele mata-mata contra o Copenhagen-DIN, fora de casa, e abriu o placar com Reece James, em chute rasteiro de fora da área, logo no primeiro minuto do segundo tempo. Enzo Fernández, aos 65’, ampliou, e Gabriel Pereira descontou para o time da casa. Na volta, em Londres, Dewsbury-Hall fez bela jogada individual e anotou o gol da vitória por 1 a 0 que classificou o Chelsea para as quartas de final.

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Foto: Jonas Ekstroemer/TT News Agency via AP
 

Na etapa seguinte, os ingleses tiveram pela frente o Legia Warsaw-POL e trataram de liquidar a fatura logo na ida, na Polônia: 3 a 0, com um gol da cria das bases Tyrique George, e dois gols de Madueke. Na volta, em casa, o time perdeu por 2 a 1, mas se garantiu na semifinal com o agregado de 4 a 2. O último desafio antes da final foi o surpreendente Djurgårdens-SUE, que havia superado o Pafos-CPR, nas oitavas, e o Rapid Wien-AUT, nas quartas. Mesmo jogando a ida na Suécia, o Chelsea mais uma vez se impôs, exerceu sua marcação pressão no campo de defesa do rival e venceu de maneira categórica por 4 a 1, aproveitando, também, a fragilidade defensiva dos suecos.

Sancho, aos 13’, abriu o placar. Madueke, aos 43’, ampliou. No segundo tempo, Jackson fez 3 a 0, aos 59’, e fez o quarto seis minutos depois. O Djurgårdens descontou aos 68’, mas a vantagem dos Blues para a volta, em Stamford Bridge, era muito confortável, tanto é que o técnico Enzo Maresca colocou uma equipe mista em campo, já planejando a decisão e as rodadas finais da Premier League. Com um belo gol de Dewsbury-Hall, aos 38’, os Blues venceram por 1 a 0 e garantiram a vaga na final. Só faltava um jogo para a conquista de um título inédito.

We’ve Won It ALL!

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Os campeões da Conference. Em pé: Jörgensen, Badiashile, Chalobah, Nicolas Jackson, Malo Gusto e Cole Palmer. Agachados: Enzo Fernández, Cucurella, Pedro Neto, Caicedo e Madueke. Foto: Richard Heathcote / Getty Images
 

Vencer a Liga Conferência da UEFA era a chance de garantir não só um título na temporada, mas também uma façanha única e que provavelmente seria bem difícil de ser igualada por outro clube na Europa tão cedo: ser o primeiro a vencer todos os torneios já organizados pela UEFA, até mesmo os extintos. Isso mesmo! O Chelsea, àquela altura, tinha em sua galeria:

  • Liga dos Campeões da UEFA (2012 e 2021)
  • Liga Europa da UEFA (2013 e 2019)
  • Supercopa da UEFA (1998 e 2021)
  • Recopa da UEFA (1971 e 1998), torneio extinto em 1999

Com isso, só faltava a Liga Conferência para os Blues terem todas as principais taças do Velho Continente. Por isso, o técnico Enzo Maresca tratava aquela final com o devido valor, mesmo sendo o terceiro torneio em grau de importância na Europa. “A Conference é importante. Para nós, tem sido desde o primeiro dia. É a competição europeia em que estamos. Se conseguirmos vencer, será algo bom, porque continuamos a construir uma mentalidade vencedora”, comentou Maresca, dias antes da final em coletiva de imprensa. O italiano ainda ressaltou que o troféu serviria como ponto de virada no protagonismo do clube.

“Cada jogo é uma chance de mostrar que melhoramos e que queremos conquistar títulos. Somos o elenco mais jovem da história da Premier League, mas também somos homens. Estamos maduros e podemos competir. A mensagem nas últimas 48 horas foi clara: fizemos algo importante ao garantir a Champions. Mas, se queremos confirmar que estamos nos tornando um clube de peso, precisamos mostrar desejo de vencer a final”.

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Enzo Fernández começou a virada londrina. Foto: UEFA
 

A final em Breslávia, na Polônia, colocaria frente a frente Chelsea e Real Betis-ESP, que vinha de uma classificação marcante diante da Fiorentina-ITA, após vitória em casa por 2 a 1 e empate na Itália em 2 a 2. Os espanhóis apostavam na boa fase de Isco e Antony, além da experiência do zagueiro Bartra e do técnico Manuel Pellegrini, campeão da Copa do Rei de 2021 pelos andaluzes e que tinha enorme bagagem no futebol europeu ao conduzir grandes times como o Villarreal de 2004-2006, o Manchester City campeão inglês de 2013-2014 entre outros. 

Time por time, o Chelsea era melhor, e foi com Malo Gusto e Cucurella nas laterais, Chalobah e Badiashile no miolo de zaga, Enzo Fernández e Caicedo no meio de campo, Madueke, Cole Palmer e Pedro Neto formando uma linha de três na zona intermediária e Nicolas Jackson como centroavante. Quando a bola rolou, porém, o Real Betis foi pra cima e levou muito mais perigo ao gol inglês. Organizado, o time espanhol abriu o placar aos 9’, quando Isco recebeu na área e rolou para o marroquino Ezzalzouli fazer 1 a 0. Preso na marcação, o Chelsea não conseguiu criar e sequer levou perigo ao gol de Adrián. 

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Cucurella celebra com o capitão Reece James. Foto: UEFA
 

No segundo tempo, Maresca mexeu no time, colocou Reece James no lugar de Malo Gusto e o capitão foi a voz da virada. Com sua experiência, ajudou os mais jovens a entrarem de vez no jogo e viu Cole Palmer chamar para si a responsabilidade. O artilheiro do Chelsea no ano não marcou, mas tratou de servir seus companheiros de maneira plena, além de atrair a marcação. Aos 65’, Palmer mandou a bola na área e Enzo Fernández fez de cabeça o gol de empate. Cinco minutos depois, Palmer avançou pela direita, escapou da marcação e esperou o momento certo para cruzar outra bola na área e ver Nicolas Jackson virar o jogo, em gol de peito: 2 a 1. O Chelsea não cessou e continuou a levar perigo. Após mais algumas mudanças, os Blues fizeram o terceiro, com Sancho, que recebeu de Dewsbury-Hall, ajeitou para o pé direito e chutou cruzado, sem chance para o goleiro Adrián. 

O gol desestruturou de vez o Betis, que não teve forças para diminuir. Já nos acréscimos, em contra-ataque mortal, Caicedo recebeu bom passe na entrada da área e chutou no canto direito de Adrián, beneficiado por um desvio do zagueiro Natan: 4 a 1. Show azul! E Chelsea campeão da Liga Conferência da UEFA. Os Blues eram campeões de tudo. Nenhum troféu da UEFA faltava na galeria de Stamford Bridge! 

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Foto: PA
 
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Chelsea “gabaritou” os troféus da UEFA: Liga Europa, Supercopa, Liga dos Campeões, Recopa e Liga Conferência.
 

“Espero que este seja um ponto de partida e que, a partir desta noite e desta temporada, possamos construir algo importante. A torcida merece. Eles esperavam por um bom momento como este há dois ou três anos. O clube investiu muito dinheiro nos últimos três ou quatro anos, então eu também esperava resultados”, comentou Enzo Maresca à TNT Sports no pós-jogo.

Em 15 jogos, o Chelsea venceu 13, perdeu apenas dois, marcou 45 gols e sofreu 12, um aproveitamento de 86,6% simplesmente incontestável. Nkunku, com 7 gols, e Marc Guiu, com 6 gols, foram os artilheiros do time na competição. Enzo Fernández, com 7 assistências, e Sancho, com 5, foram os grandes “garçons” naquela caminhada europeia. Hora das merecidas férias? Que nada. Era hora de disputar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

“Azarão” e reclamão

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Foto: Franck Fife / AFP
 

O Chelsea se classificou para a Copa do Mundo de Clubes da FIFA graças ao título da Liga dos Campeões da UEFA de 2020-2021, quando superou favoritos e levantou sua segunda Velhinha Orelhuda. No entanto, a equipe não era nem de longe cogitada ao título. PSG, Manchester City, Real Madrid e Bayern München detinham o favoritismo na disputa inédita com 32 clubes de diferentes continentes. No Grupo D, ao lado de Flamengo-BRA, Espérance-TUN e Los Angeles FC-EUA, o Chelsea era favorito apenas para se classificar, mas ninguém via o clube como canditado ao título. E, no dia a dia do Mundial, o clube inglês dava mostras de que não iria muito longe.

Os Blues reclamaram muito do calor dos EUA, das paralisações no decorrer dos jogos quando havia alguma possibilidade de tempestade, do desgaste do fim de temporada, descumpriram protocolos em zonas mistas e mantiveram distância no relacionamento com a FIFA, com a imprensa e os torcedores. O Chelsea virou o “reclamão” do Mundial, com o técnico Enzo Maresca rechaçando tal fama:

“Quando disse que a gente jogou mais do que eles (times brasileiros), um colega do Brasil disse: ‘não foi bem assim’. Mas os times brasileiros ficaram de férias de dezembro a janeiro, enquanto os nossos jogadores, o último mês de férias que tiveram foi há mais de um ano. Acho que essa é uma diferença difícil para eles entenderem, mas é uma diferença enorme. Em termos de energia, estamos encerrando uma temporada, então finalmente teremos três semanas de folga após 15 meses de jogo ininterrupto, e vamos tentar recuperar nossa energia para o ano que vem…”.

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Foto: Dale Zanine-Imagn Images
 
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Maresca reclamou bastante ao longo do Mundial. Seria estratégia? rsrs Foto: Getty Images
 

Em campo, o Chelsea estreou diante do Los Angeles e venceu por protocolares 2 a 0, gols de Pedro Neto e Enzo Fernández. Mas, na partida seguinte, após abrir 1 a 0 contra o Flamengo (gol de Pedro Neto), a equipe caiu de rendimento no segundo tempo e viu o time brasileiro virar para 3 a 1, uma derrota que surpreendeu a imprensa inglesa, que criticou a postura da equipe, muito displicente e sem demonstrar vontade de vencer.

A resposta veio na última rodada, na qual os Blues venceram o Espérance por 3 a 0, gols de Adarabioyo, Delap e George, e carimbou a vaga na fase final em segundo lugar do grupo, escapando da chave mais difícil, que tinha PSG, Bayern e Real. No caminho até a final, o Chelsea teria maioria sul-americana e um europeu nas oitavas – o Benfica, velho conhecido da final da Liga Europa da UEFA de 2013, vencida pelos ingleses por 2 a 1. 

Com mais foco, o time poderia ir longe. Principalmente após a diretoria anunciar a contratação do atacante brasileiro João Pedro, ex-Brighton, que foi direto para a concentração do clube nos EUA e ficou disponível para jogar naquela fase final. Era um reforço de peso em um setor que ainda deixava a desejar na equipe, que há muito tempo buscava um atacante decisivo. João Pedro poderia jogar tanto como centroavante como segundo atacante e meia-atacante, flutuando entre os espaços. Além disso, o brasileiro tinha no drible e na inteligência tática virtudes que seus concorrentes Nicolas Jackson e Delap (também contratado naquela janela) não tinham.

Despertar do Gigante

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Enzo e James. Foto: Agustin Marcarian / Reuters
 

Contra o Benfica, o Chelsea começou o jogo querendo decidir e levou muito perigo ao gol de Trubin. Cucurella, mais ativo no ataque, quase marcou um belo gol aos 19’, mas foi interceptado por António Silva. Palmer, na sequência, também arriscou, mas foi Trubin quem evitou. Cucurella ainda apareceu aos 37’, em outro chutaço, e exigiu grande defesa do goleiro encarnado, personagem do jogo até aquele momento.

Os ingleses seguiram no ataque e foram premiados com o gol aos 18’, quando Reece James cobrou falta direta e marcou 1 a 0. A partida parecia liquidada, mas, aos 40’, o jogo foi paralisado por conta de uma tempestade que se aproximava. Após quase duas horas (!), o jogo voltou e o Benfica conseguiu chegar ao empate de pênalti, aos 45+4’, com Di María. A partida ficou dramática e foi para a prorrogação. Nela, o Benfica viu sua situação ficar mais difícil quando Prestianni foi expulso logo no primeiro minuto do tempo extra, após falta dura em Colwill. A desvantagem beneficiou o Chelsea, que conseguiu se impor taticamente e fisicamente sobre os portugueses no segundo tempo. 

Aos 2’, Nkunku aproveitou bobeada do goleiro e da zaga para fazer 2 a 1. Aos 8’, Di María foi desarmado no círculo central, Pedro Neto recebeu na direita de Caicedo e, em altíssima velocidade e completamente livre, foi em direção ao gol para tocar na saída de Trubin e fazer 3 a 1. Ainda teve tempo para Dewsbury-Hall receber no meio de Palmer, aproveitar a lentidão da zaga benfiquista e tocar na saída de Trubin: 4 a 1. Chelsea nas quartas de final! Mesmo com a vaga, ainda teve tempo para o técnico Maresca cutucar (de novo) a organização do Mundial por conta da longa paralização do jogo.

“Não me entendam mal. É uma competição fantástica, é top, todos os melhores clubes estão aqui, mas há alguma coisa acontecendo. Provavelmente, para quem decide, deve ter uma razão porque não é normal suspender uma partida. Na Copa do Mundo, quantos jogos foram suspensos? Na Eurocopa quantos foram? Estamos aqui há duas semanas e já suspenderam seis ou sete”.

De fato, suspender alguns jogos era exagerado demais, tanto é que, em muitos, nem chuva caiu… 

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Jogadores deixam o gramado após ameaça de tempestade: protocolo polêmico da Copa nos EUA. Foto: Agustin Marcarian / Reuters
 

Nas quartas, o Chelsea teve um reencontro com o Palmeiras-BRA, adversário na final do Mundial de 2021, quando os Blues venceram por 2 a 1 e ficaram com seu primeiro título. O Verdão havia eliminado o compatriota Botafogo e seguia na esperança da conquista inédita e de acabar de vez com sua compulsão pelo troféu. A imprensa brasileira via o time alviverde com condições de vencer o Chelsea, principalmente pelo fato de a equipe não ser favorita e ter perdido para o Flamengo. Mas, quando a bola rolou, os Blues jogaram com muita raça, aplicação tática e aproveitando os espaços. A equipe de Maresca abriu o placar logo aos 15’, quando Cole Palmer recebeu no meio, escapou de dois e chutou colocado para fazer 1 a 0. O jogo era todo do Chelsea, que se impunha e não deixava o Palmeiras atacar.

No segundo tempo, os brasileiros tiveram um alento em gol de Estevão, aos 7’, mas o Chelsea mudou o jogo com sua carta na manga: João Pedro, que entrou aos 8’ no lugar de Delap e passou a infernizar a zaga alviverde com seu domínio de bola, dribles e quebra de linhas. A presença do brasileiro em campo deu mais ânimo ao Chelsea, que foi pra cima e fez o segundo, aos 37’, quando Malo Gusto recebeu a bola quase na linha de fundo, fez o passe para Cole Palmer, que tabelou com Enzo Fernández, e o camisa 8 devolveu em Gusto. O lateral do Chelsea finalizou da ponta direita, a bola desviou na chuteira de Giay, bateu em Weverton e entrou – a FIFA assinalou gol contra do goleiro alviverde.

O gol desmontou o Palmeiras e o Chelsea só precisou administrar o placar para se classificar para as semifinais do Mundial. Se alguém ainda duvidava dos Blues, tinha que rever sua opinião. A equipe de Maresca mostrava um desempenho muito alto, enorme entrega e uma grata surpresa com João Pedro na frente. Tudo levava a crer que o brasileiro seria titular no duelo seguinte, contra o embalado Fluminense, que havia despachado a Internazionale-ITA e o Al-Hilal-ARS.

Lei do ex e vaga na final

joao pedro chelsea flu

Como não poderia deixar de ser, Enzo Maresca começou o duelo semifinal com João Pedro entre os titulares e praticamente a mesma equipe que vinha atuando nas últimas partidas, com destaque para a volta de Caicedo no meio de campo. Dominando as ações, o Chelsea demonstrou o mesmo apetite do jogo anterior e, logo aos 18’, abriu o placar aproveitando a fragilidade do lado direito tricolor – que não teve Samuel Xavier naquele jogo. João Pedro aproveitou erro de Cano no meio de campo e tocou para Pedro Neto, na esquerda do ataque. O meia saiu em velocidade e cruzou para a área. A zaga afastou, mas deu rebote. João Pedro recebeu, ajeitou e bateu no ângulo do goleiro Fábio para marcar um golaço: 1 a 0.

Revelado pelo Fluminense, João Pedro fazia valer a lei do ex e virava carrasco do clube que o formou. O brasileiro, em respeito ao tricolor, não comemorou o gol. O Chelsea não se acomodou e ainda teve chance de ampliar com Malo Gusto, em cabeçada defendida por Fábio. A resposta brasileira veio aos 25’, quando Hércules chutou por baixo das pernas de Sánchez, mas antes de a bola entrar, Cucurella tirou em cima da linha! Aos 34’, o Flu teve um pênalti a seu favor, em toque de bola no braço de Chalobah, mas o VAR reviu o lance e cancelou.

O Chelsea tinha mais posse e finalizava mais, enquanto o Fluminense sentia as ausências de Martinelli e Freytes (suspensos) e Samuel Xavier (lesionado). No segundo tempo, logo aos 10’, o Chelsea aproveitou outro vacilo do Flu no meio de campo e Enzo Fernández deu um passe magistral para João Pedro, na esquerda e em velocidade. O brasileiro avançou, invadiu a área, passou por Ignácio e chutou forte, sem chance alguma para Fábio. Outro golaço: 2 a 0. O Chelsea estava na final! E com lei do ex em dobro! Que jogo de João Pedro! Que contratação dos Blues! “Estou muito feliz por marcar pela primeira vez pelo Chelsea, embora saiba que este torneio significava muito para o Fluminense. Sinto muito, mas sou profissional e o Chelsea me paga para marcar gols”, comentou João Pedro após a partida.

CHELSEA 2025 TATICA
O 11 ideal do time campeão do mundo.
 

A vaga na decisão foi mais do que merecida, pois o Chelsea vinha em uma ascenção notável no torneio. Seu meio de campo era dominante, marcava muito e criava chances enormes de gol, principalmente com Enzo Fernández, no auge físico e técnico e a experiência de ser campeão do mundo com a Argentina em 2022. Os laterais Malo Gusto e Cucurella tinham virtudes defensivas, enervavam seus adversários e esbanjam raça. Na frente, Cole Palmer aparecia para recuperar a bola e tentar engatilhar contra-ataques, mesma função de Pedro Neto. E João Pedro era o atacante tão sonhado por uma torcida ainda carente de matadores. Só faltava um desafio aos Blues. E ele era imenso: o PSG, campeão europeu em 2025 e que vinha de vitórias épicas sobre Bayern e Real Madrid.

O mundo é azul!

Joao Pedro vs PSG

Havia um consenso antes daquela final de Copa do Mundo de Clubes: o PSG era o favorito ao título. Também pudera, afinal, os parisienses vinham de quatro conquistas na temporada e golearam o poderoso Real Madrid por 4 a 0 na semifinal daquele Mundial, com 3 a 0 apenas no primeiro tempo, fora o baile. Os comandados de Luis Enrique já estavam na história e queriam o título mundial para coroar a temporada perfeita. Só que do outro lado estava o Chelsea, uma das equipes mais copeiras dos últimos anos e acostumada a superar os mais imensos desafios e favoritos em sua história recente.

“Nossa equipe merece toda a confiança dos torcedores, porque nesta temporada terminamos no Top 4 da Premier League, vencemos a Conference League e estamos na final da Copa de Clubes. […] PSG e Luis Enrique são uma referência, não só para mim, mas para muita gente que ama futebol. Junto com Pep Guardiola, ele é o melhor técnico do mundo hoje. Será um grande desafio, mas temos o nosso estilo e já mostramos como queremos jogar” , disse o técnico Enzo Maresca, em coletiva de imprensa dias antes da final.

Ele previu ainda um jogo com equipes parecidas. “Nós gostamos de ficar com a bola, com certeza, e eles também. Eles gostam de pressionar em cima, nós fazemos o mesmo. Acho que vai ser um jogo com poucos processos de passes, porque ambos gostam de pressionar. Tenho a sensação de que vai ser um jogo de atacar, atacar e atacar”. Por essas e outras que o Chelsea já entrava naquela final com mais ânimo e “mordido”. Era a chance de provar que todos estavam errados sobre ele e que o elenco tinha qualidade e potencial para derrotar o PSG. 

O time francês tinha seus problemas, como toda equipe, e não era perfeito. E o Chelsea, também a par dos seus, sabia que seu ataque era rápido e prolífico e que João Pedro era uma arma poderosa naquela final. E ainda tinha Cole Palmer, um dos destaques nas quartas de final e que gostava de jogo grande. Jogando com garra, aplicação tática, pressionando o rival e criando chances, o Chelsea fez o PSG provar do próprio veneno naquela tarde ensolarada de New Jersey.

palmer golChelsea FC v Paris Saint Germain Final FIFA Club World Cup 2025
Cole Palmer e João Pedro: craques da final.
 

O primeiro gol quase saiu aos 7’, quando Cole Palmer recebeu na entrada da área e chutou colocado, mas a bola raspou a rede de Donnarumma. Minutos depois, o mesmo Palmer teve outra chance e não perdoou: 1 a 0. Palmer apareceu novamente oito minutos depois e fez o segundo. E foi dele o passe para João Pedro anotar o terceiro, aos 43’: Chelsea 3×0 PSG. E só no primeiro tempo! A final era de um time só. O PSG simplesmente não existia e sofria do mesmo mal que o Real Madrid dias antes. Letal, o Chelsea aproveitava cada oportunidade e Cole Palmer demonstrava o quão decisivo era, assim como havia sido na final da Liga Conferência da UEFA meses antes, diante do Real Betis. 

No segundo tempo, alguns acreditaram na “mágica” de Luis Enrique, na mudança de postura. Só que o placar não se alterou. Contra todos os prognósticos, com garra, disciplina tática e vontade, o Chelsea superou o badalado campeão europeu e venceu a primeira Copa do Mundo de Clubes com 32 equipes. Viu seu escudo e nome ser gravado pela primeira vez no imponente troféu. E terá o privilégio de usar durante quatro anos um emblema de campeão do mundo na camisa. Um feito histórico, marcante e imenso, que consolidou o clube de uma vez por todas como um dos maiores do planeta.

No pós-jogo, o técnico Maresca revelou como conseguiu derrubar o favorito PSG. 

“A ideia era ir com a marcação homem a homem, não poderíamos dar espaço a eles. Pressionamos e deu certo. Contra o PSG, se você não marca alto, fica difícil. É uma equipe que, com tempo, sempre complica o jogo. […] Os três no meio-campo fizeram marcação individual, e sabíamos que o PSG tem problemas pelo lado esquerdo. Por isso coloquei Malo Gusto e Palmer naquele lado, e criamos muitas situações por ali”, explicou o italiano, que reforçou o peso da Copa em relação aos outros torneios.

“Considero essa competição… Falei aos jogadores sobre isso, tenho a sensação de que será tão ou mais importante do que a Champions. É com os melhores clubes do mundo. Tive a sorte de há três anos pertencer a uma comissão técnica [do Manchester City] que ganhou a Champions, mas essa competição [Mundial] tem os melhores clubes do mundo. Por isso, valorizamos como a Champions, ou talvez mais. Para nós, foi um grande triunfo. Permitir aos torcedores do Chelsea ter na camiseta esse patch de campeão mundial para nós é um orgulho”.

palmer Chelsea FC v Paris Saint Germain Final FIFA Club World Cup 2025

Em sete jogos, o Chelsea venceu seis, perdeu um, marcou 17 gols e sofreu 5. Cole Palmer, Pedro Neto e João Pedro foram os artilheiros do time na competição com três gols cada. Palmer levou também a Bola de Ouro como melhor jogador do torneio, Caicedo levou a Bola de Bronze e o goleiro Sánchez ficou com a Luva de Ouro. Ao término da temporada, o Chelsea somou 64 jogos, com 41 vitórias, nove empates, 14 derrotas, 137 gols marcados e 64 gols sofridos, aproveitamento de 64%. Os destaques individuais foram:

Artilheiros

  • Cole Palmer – 18 gols
  • Nkunku – 15 gols
  • Nicolas Jackson – 13 gols
  • Madueke – 11 gols
  • Pedro Neto – 9 gols
  • Enzo Fernández – 9 gols

Jogadores com mais assistências para gols:

  • Enzo Fernández – 17 assistências
  • Cole Palmer – 13 assistências
  • Jadon Sancho – 9 assistências
  • Pedro Neto – 8 assistências 

Legendary Chelsea

Kai Pfaffenbach Reuters via Imagn Images chelsea
Foto: Kai Pfaffenbach-Reuters via Imagn Images
 
chelsea campeao do mundo 2025

O título da Copa do Mundo de Clubes recolocou de vez o Chelsea no pelotão de elite do futebol mundial e transformou o esquadrão de 2024-2025 em um dos mais lendários do clube em todos os tempos. Hoje pode soar exagerado, mas daqui alguns anos, com a consolidação do torneio no calendário e a consagração de seus campeões, vamos perceber o peso da conquista inaugural dos Blues. Ser o primeiro campeão mundial no formato expandido de 32 clubes dá um status único aos londrinos. E, da maneira como foi, vencendo o tão badalado PSG de maneira categórica na final, só aumentou a façanha de Sánchez, Gusto, Cucurella, Chalobah, Colwill, Enzo Fernández, Caicedo, Reece James, Cole Palmer, Pedro Neto, João Pedro e companhia, os primeiros campeões da Copa de Clubes. Os primeiros imortais.

Os personagens:

Robert Sánchez: o espanhol de 1,97m de altura recebeu muitas críticas desde que chegou ao Chelsea, em 2023, mas conseguiu dar a volta por cima ao fechar o gol dos Blues na campanha da Copa do Mundo de Clubes de 2025. Muito bem colocado e arrojado, fez grandes defesas – em especial na fase final – e ganhou a Luva de Ouro como melhor goleiro do Mundial. Foi ainda a primeira escolha do técnico Enzo Maresca na campanha da Premier League de 2024-2025. 

Jörgensen: nascido na Suécia, filho de mãe sueca e pai dinamarquês, Jörgensen acabou se naturalizando dinamarquês e chegou em 2024 ao Chelsea. Foi titular na campanha do título da Liga Conferência da UEFA, enquanto Sánchez assumiu o posto nos jogos da Premier League e da Copa. Fez grandes jogos na reta final da competição continental e foi eleito para o All-Star Team do torneio após o título dos Blues.

Malo Gusto: lateral-direito de ótimo preparo físico, boa impulsão, eficiente na marcação individual e no apoio ao ataque, o francês chegou ao Chelsea em 2023 e assumiu a titularidade mesmo com a presença de Reece James, deslocando o companheiro para funções no meio de campo em alguns jogos. Disputou 32 jogos na campanha da Premier League e foi titular absoluto na trajetória do título mundial.

Chalobah: nascido em Serra Leoa e naturalizado inglês, o zagueiro se formou nas categorias de base do Chelsea e se profissionalizou em 2018, quando passou a jogar em vários clubes por empréstimo, a fim de ganhar experiência. Retornou em 2021 e alternou alguns jogos como titular e outros como suplente. Em agosto de 2024, foi emprestado ao Crystal Palace, mas retornou em janeiro de 2025 para ajudar o Chelsea na reta final da Premier League, da Liga Conferência e principalmente da Copa do Mundo, na qual fez bons jogos e não comprometeu.

Adarabioyo: cria do City, o zagueiro inglês chegou ao Chelsea em 2024 e disputou 41 jogos na temporada, em especial na Liga Conferência da UEFA, na qual participou de 12 jogos na campanha do título. Com 1,96m de altura, se destaca pela força no jogo aéreo, pela velocidade e bom domínio de bola.

Colwill: cria do Chelsea, o zagueiro se profissionalizou no clube em 2019 e, em 2021, passou a figurar no time principal dos Blues. Na temporada 2023-2024, disputou 32 jogos e aumentou a conta para 43 partidas na época 2024-2025, sendo 35 jogos na Premier League, três na Liga Conferência e cinco na Copa do Mundo. Muito forte e capaz de jogar, também, como lateral, é um dos mais talentosos defensores do jovem time londrino.

Badiashile: revelado pelo Monaco, o zagueiro chegou em 2022 ao Chelsea, mas não conseguiu cravar seu espaço como titular absoluto por conta da concorrência no setor. Só em 2024-2025, na trajetória da Liga Conferência, que o francês brilhou ao disputar 13 jogos da campanha vitoriosa dos Blues. Com 1,94m, é outro que se destaca no jogo aéreo e também na força física.

Cucurella: jogador com mais partidas pelo Chelsea na temporada 2024-2025 – 54 partidas, 47 delas como titular -, o espanhol já se consagrou como um dos principais jogadores do clube nessa nova era e vem em uma notável ascenção desde a temporada 2022-2023, quando chegou a Stamford Bridge. Incansável na marcação, rápido na transição entre defesa e ataque e capaz de tirar do sério seus rivais, Cucurella brilha não só pelo Chelsea, mas também pela seleção da Espanha, pela qual venceu a Eurocopa de 2024 como um dos principais nomes do time campeão. Na Copa do Mundo de Clubes, Cucurella foi um dos melhores jogadores da competição e foi eleito para o All-Star Team do torneio. Marcou 7 gols e deu 5 assistências na temporada 2024-2025.

Reece James: capitão dos Blues e muito identificado com o clube, onde se formou, Reece James foi ganhando espaço na equipe titular desde os tempos do técnico Frank Lampard. Esteve no elenco campeão europeu de 2021, mas sua guinada no time principal foi prejudicada depois disso por conta do excesso de lesões. Retornou muito bem em 2024-2025 jogando como lateral-direito e também volante. Muito bom nas bolas paradas e cruzamentos, Reece James se impõe em campo e foi uma voz muito importante nos jogos decisivos da temporada. Teve a honra de ser o primeiro jogador a levantar o troféu da nova Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

Dewsbury-Hall: chegou ao Chelsea com o aval do técnico Enzo Maresca, que treinou Dewsbury-Hall no Leicester City em 2023-2024. Nos Blues, o meio-campista fez bons jogos e foi uma peça muito importante taticamente por ser um jogador capaz de construir jogadas de ataque, aparecer lá na frente para marcar gols, dar passes e ainda ajudar na marcação e recomposição. Na campanha da Liga Conferência da UEFA, disputou 15 jogos e marcou 4 gols, além de dar duas assistências. Foram 36 jogos e cinco gols na temporada.

Madueke: após oito gols em 34 jogos na temporada 2023-2024, o atacante teve mais chances sob o comando do técnico Enzo Maresca e balançou as redes 11 vezes em 46 jogos disputados na temporada 2024-2025, além de dar 4 assistências. Rápido e muito eficiente nos chutes de perna esquerda, fez grandes jogos na Premier League e na campanha da Liga Conferência da UEFA. Deixou o clube após o Mundial para jogar no Arsenal. Foram 92 jogos e 20 gols pelo Chelsea entre 2022 e 2025.

Caicedo: xodó da torcida e eleito o melhor jogador do clube em 2024-2025, Moisés Caicedo foi sem dúvida uma das principais contratações do Chelsea nos últimos anos e prova isso a cada ano. Meio-campista versátil com uma ampla gama de habilidades, Caicedo atua em uma função mais profunda, protegendo a defesa e iniciando ataques, sua especialidade. Foi assim que ele contribuiu com 5 assistências e ainda marcou dois gols, um deles na final da Liga Conferência da UEFA diante do Real Betis. Craque, já é um dos principais meio-campistas do futebol europeu. E isso tudo com apenas 23 anos.

Cole Palmer: o “gelado” meia/atacante dos Blues já era uma enorme revelação após os 25 gols em 45 jogos na temporada 2023-2024, mas foi em 2024-2025 que o inglês provou de vez que é talentosíssimo. Com 18 gols em 52 jogos, além de 13 assistências, Palmer resolveu jogos quando o Chelsea mais precisou, em especial na final da Liga Conferência da UEFA, em vários jogos da Premier League e na final da Copa do Mundo de Clubes, da qual saiu como Bola de Ouro e melhor jogador. Habilidoso, rápido, muito inteligente taticamente e especialista em “quebrar linhas” de marcação, é a referência do ataque dos Blues e deve seguir em alta por muito tempo. Um ídolo instantâneo da torcida.

Sancho: com 5 gols e 9 assistências em 41 jogos, o atacante jogou a temporada emprestado pelo Manchester United e fez alguns bons jogos, principalmente na Liga Conferência, na qual deixou sua marca na final diante do Real Betis. Por conta da concorrência no setor ofensivo, não teve seu vínculo renovado e deixou Stamford Bridge logo após a Copa do Mundo.

Enzo Fernández: enquanto Caicedo ajudava na proteção, marcação e roubadas de bola, Enzo Fernández era o responsável pela criação, organização e controle de bola do ótimo meio de campo do Chelsea naquela temporada de ouro. Experiente e consagrado pela Argentina campeã do mundo em 2022, o argentino fez jogos estupendos e, em 53 partidas, Enzo marcou 9 gols e deu 17 assistências, recordista do time no quesito. É um daqueles jogadores que qualquer equipe gostaria de ter: impecável em suas funções, técnico, raçudo, inteligente. Não à toa virou vice-capitão do time.

Andrey Santos: cria do Vasco, o brasileiro chegou em 2023 ao Chelsea, mas acabou emprestado a outros clubes até retornar em 2025 para exercer a função de meio-campista que combina instintos defensivos com força de ataque na área adversária. Disputou quatro jogos na Copa do Mundo de clubes e deve ganhar mais oportunidades na temporada 2025-2026.

João Félix: o habilidoso português teve mais uma chance de brilhar no Chelsea, mas, apesar do bom início de temporada, de novo não correspondeu à altura das expectativas sempre altas com relação ao seu futebol. Marcou 7 gols e deu duas assistências nos 20 jogos que disputou até ir para o Milan, em fevereiro de 2025, onde também não vingou. Acabou se transferindo para o futebol árabe e jogará no Al-Nassr, do compatriota Cristiano Ronaldo.

Pedro Neto: ponta-esquerda de muito talento, presença de ataque e que volta pra ajudar na marcação, Pedro Neto foi um dos principais nomes ofensivos do Chelsea na temporada 2024-2025 ao marcar 9 gols e contribuir com 8 assistências em 51 jogos disputados. Ao lado de Cole Palmer, foi um dos artilheiros do Chelsea na Copa do Mundo com 3 gols e foi um elo de ligação muito importante no esquema ofensivo dos Blues.

Nkunku: depois de brilhar no RB Leipzig-ALE – onde enchia balões vermelhos quando marcava gols -, o versátil atacante passou a encher balões azuis no Chelsea (a inusitada comemoração é em homenagem ao filho, que adora balões). Em sua primeira temporada em Stamford Bridge, Nkunku não conseguiu se firmar, mas deu a volta por cima em 2024-2025 como vice-artilheiro dos Blues com 15 gols em 48 jogos, além de 5 assistências. O principal momento do francês foi na Liga Conferência, quando marcou 7 gols em 11 jogos, ajudando a equipe londrina a seguir firme rumo ao título.

Marc Guiu: vice-artilheiro do Chelsea na campanha do título da Liga Conferência da UEFA com 6 gols em 9 jogos – três deles na goleada de 5 a 1 sobre o Shamrock Rovers -, o jovem espanhol de 19 anos teve mais chances no começo da temporada, mas acabou perdendo espaço para a concorrência nos meses seguintes. Gosta de jogar mais centralizado, como típico camisa 9, e deve evoluir nas próximas temporadas.

João Pedro: outra contratação certeira do Chelsea, o brasileiro chegou como um meteoro durante a disputa da Copa do Mundo de Clubes e, já no duelo das quartas de final contra o Palmeiras, bagunçou a zaga adversária e ajudou demais na vitória por 2 a 1. Nas semis, acabou com o Fluminense ao marcar os dois gols da vitória por 2 a 0. E, na final, fechou o épico 3 a 0 sobre o PSG que deu o título aos Blues. Muito talentoso, o brasileiro tem tudo para fazer uma parceria memorável com Cole Palmer no ataque londrino daqui pra frente.

Delap: assim como João Pedro, chegou já em junho de 2025 ao Chelsea após vestir a camisa do Ipswich Town. Fez um gol e deu uma assistência na campanha dos Blues nos EUA e será uma boa alternativa de ataque para Enzo Maresca, pois alia força, boas investidas e habilidade em fazer o pivô para os companheiros de ataque.

Nicolas Jackson: depois de jogar duas temporadas no Villarreal, o senegalês conseguiu espaço no time titular do Chelsea logo em sua primeira temporada, quando anotou 17 gols em 44 jogos na época 2023-2024. Em 2024-2025, anotou mais 13 gols em 37 jogos, deu 6 assistências e foi uma importante arma ofensiva para o técnico Maresca conseguir rodar bem o elenco.

Enzo Maresca (Técnico): seguindo a tradição de italianos marcantes nos Blues, assim como Vialli, Zola e Di Matteo, Maresca também cravou seu nome na história do Chelsea ao montar uma equipe muito competitiva, dinâmica, rápida e que conseguiu competir com qualquer adversário e sob qualquer circunstância. Com o elenco na mão e muito energético, contagiou seus atletas e levantou dois títulos inesquecíveis, principalmente a Copa do Mundo, aplicando o famoso “nó tático” em Luis Enrique na finalíssima. Se continuar assim, deve conseguir o feito raro de permanecer mais de uma temporada inteira nos Blues. E vencer mais e mais títulos.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Nunca gostei do Chelsea mas reconheço que eles sem alarde são os primeiros a ganhar todos os títulos possíveis da UEFA e ganhar do PSG do jeito que ganharam merece meu aplauso e nessa temporada embalado eles vão incomodar de novo.

  2. Eu admito que nem pensava que esse Chelsea iria entrar nos esquadrões imortais, mesmo com a conquista da Liga Conferência. Na Copa de Clubes, a derrota para o Flamengo fez eu achar que o Chelsea era só “mais um na multidão”. Porém, o time inglês despertou sua aura copeira no mata-mata e ficou imparável. E venceu o PSG com uma atuação digna de imortalidade. Esse futebol…

    Mandou bem, Imortais. Esse que eu achava um Chelsea “qualquer” se revelou Cold, conquistador e Imortal. E eu acho que podia ganhar uma placa da UEFA, afinal, completou a coleção de títulos continentais. Abraço!

Comentários encerrados.

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