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Técnico Imortal – Matt Busby

Times que treinou: Manchester United-ING (1945-1969 e 1970-1971), Seleção Olímpica da Grã-Bretanha (1948) e Seleção da Escócia (1958).

Principais títulos por clubes: 1 Liga dos Campeões da UEFA (1967-1968), 5 Campeonatos Ingleses (1951-1952, 1955-1956, 1956-1957, 1964-1965 e 1966-1967), 2 Copas da Inglaterra (1947-1948 e 1962-1963) e 5 Supercopas da Inglaterra (1952, 1956, 1957, 1965 e 1967) pelo Manchester United.

Principais títulos individuais: 

PFA Prêmio ao Mérito: 1980

Eleito para o Hall da Fama do Futebol Inglês: 2002

7º Maior Técnico de Todos os Tempos pela ESPN: 2013

11º Maior Técnico de Todos os Tempos pela France Football: 2019

36º Maior Técnico de Todos os Tempos pela World Soccer: 2013

 

“O mito criador de uma marca”

Por Leandro Stein e Guilherme Diniz

O significado de Sir Alexander Matthew Busby, ou simplesmente Sir Matt Busby para os Red Devils vai muito além do apelido de “Mr. Manchester United”. Se o clube é hoje um dos maiores do planeta, deve muito à genialidade de seu grande mentor. Apenas como técnico, Matt Busby passou quase 25 anos em Old Trafford – só superado por outro Sir, Alex Ferguson. A fama conquistada na beira dos campos fez até com que virasse letra de música dos Beatles, fosse condecorado pela corte britânica, ganhasse estátua e nome de rua.

Quando assumiu, o clube vinha de um período nada glorioso. Em suas mãos, se transformou em uma marca vencedora. Foram sete títulos nacionais, entre copas e ligas, além da primeira conquista internacional dos Red Devils: a Copa dos Campeões da Europa – atual Liga dos Campeões da UEFA – de 1968. Isso sem contar os ídolos como Bobby Charlton, George Best e Denis Law, todos forjados por sua capacidade quase infinita em encontrar talentos.

Neste espaço de tempo, o escocês implantou uma nova filosofia no banco de reservas. Foi o pioneiro entre os managers, cuidando tanto de treinos e táticas quanto de contratações. Montou uma geração de garotos promissores no início da década de 1950, destroçada por um acidente aéreo, que ficou conhecida como Busby Babes. Viu a cara da morte, mas a venceu. E se reinventou com uma nova equipe talentosa, que finalmente conquistou a Europa. É hora de relembrar a carreira de um dos maiores técnicos de todos os tempos.

Das minas aos campos

Quando nasceu Alexander Matthew Busby, em 1909, sua mãe, Nellie, disse ao médico que “havia chegado um jogador de futebol”. A intuição materna provaria, anos depois, que não estava errada. O garoto cresceu na pequena vila escocesa de Orbiston, em Bellshill. Logo aos seis anos perdeu o pai, Alexander, mineiro que morreu defendendo o Reino Unido na Primeira Guerra Mundial.

Apesar da inteligência acima da média na escola, Busby teve que suar desde cedo para ajudar a mãe e as três irmãs, que viviam em um casebre de dois cômodos. Aos 16 anos, seguia os passos do pai e trabalhava em uma mina. No entanto, desde já, sonhava em seguir a carreira no futebol. Mesmo passando boa parte do dia na mina, Matt ainda conseguia atuar pelas equipes menores do Alpine Ville, com o qual ganhou o Campeonato Escocês Sub-18. Depois, assinou com o Denny Hibs, até ser cobiçado pelos grandes clubes do país.

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Primeiro, Busby fez um teste no Rangers, que o dispensou após descobrir que o garoto era católico fervoroso. O Celtic, por sua vez, sabendo que o atleta tinha passado pelos rivais antes, também não o quis. Quem acabou se dando melhor foi o Manchester City, com o qual firmou vínculo no início de 1928, com um salário semanal de 5 libras.

Classe no meio-campo

Apesar da intenção da mãe de que seu filho emigrasse aos Estados Unidos, Matt Busby preferiu continuar em Manchester. Sua estreia aconteceu apenas no fim de 1929, em uma vitória sobre o Middlesbrough. Atuando como “inside left”, fez 12 aparições ao longo da temporada. Sem tantas expectativas, chegou mesmo a ser cotado no Manchester United, que preferiu não bancar as 150 libras estipuladas pelo City.

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Foto: LFCHistory.net
 

Com diversos problemas de lesão no elenco e percebendo a qualidade de seu atleta na distribuição de jogo, o técnico Peter Hodge deu nova função a Busby na temporada seguinte. Como meio-campista pela direita, o garoto passou a ser reconhecido pela precisão de seus passes e também por sua visão de jogo apurada. Seus maiores sucessos nos Citizens foram disputando a FA Cup, da qual foi vice-campeão em 1933, mesmo ano em que chegou à seleção escocesa, e campeão na temporada seguinte. Contudo, Busby acabou perdendo o seu lugar no time e, em 1936, foi negociado com o Liverpool. Foram 8 mil libras investidas após 204 jogos e 11 gols pelo Manchester City.

Em Anfield, Matt Busby era rosto comum na equipe titular. A regularidade lhe deu até mesmo a braçadeira de capitão. Mesmo sem nenhum título expressivo, o meio-campista fez seu nome dentro do clube, somando 115 partidas disputadas. O advento da Segunda Guerra Mundial, no entanto, o obrigou a dar um tempo no futebol e a servir o Reino Unido no Regimento do Rei de Liverpool. Sem campeonatos oficiais, Busby chegou a integrar equipes como Chelsea, Hibernian, Middlesbrough e Reading em amistosos.

Construindo o legado

Ainda na guerra, Matt Busby teve as suas primeiras experiências como técnico. O escocês chegou a comandar equipes de futebol do exército, a Royal Army Physical Training Corps e, com essa experiência, o novato treinador acabou convidado pelo Liverpool para ser assistente do técnico George Kay. Divergências sobre métodos de trabalho, porém, impediram a passagem de Busby pelo banco dos Reds.

Não demorou muito até que achasse outro emprego. Acumulando décadas de futebol de baixa qualidade e com dois títulos conquistados no longínquo início do século, o Manchester United planejava reconstituir sua estrutura no pós-guerra. Enquanto ainda estava nos combates, Busby recebeu uma carta de Louis Rocca, dirigente dos Red Devils com quem já tinha amizade. No conteúdo, Rocca falava, de forma vaga, sobre um “trabalho” no United.

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Foto: Telegraph
 

A assinatura do contrato aconteceu em fevereiro de 1945. Matt Busby foi bastante específico sobre o que queria fazer no clube. Almejava estar envolvido em treinos e nos jogos, além de realizar compras e vendas de jogadores sem nenhuma interferência dos cartolas. O que hoje é comum para qualquer “manager” inglês, na época, extrapolava as funções de um técnico para a época. A revolução em seu método começava ali.

Com isso, Busby começou a impor seu estilo, comandar os treinos, as táticas e ser um legítimo professor, algo não muito comum na época do futebol inglês, que tinha às vezes dois ou três técnicos dando seus palpites e se revezando na organização da equipe. Além dele, Jimmy Murphy e Joe Armstrong foram fundamentais para ajudar Busby no garimpo de atletas, principalmente Murphy, fiel escudeiro de Busby na época e responsável por treinar os jovens e prepará-los para a equipe principal.

A primeira geração de sucesso

Como um verdadeiro manager, Busby sabia que o Manchester United precisava voltar a levantar títulos, afinal, desde o longínquo ano de 1911 (!) que os Red Devils não sabiam o que era ser campeão de algum torneio grande. Em campo, Busby contava com a presença de jogadores que estavam em Old Trafford desde o pré-guerra, como Jack Rowley, Stan Pearson e Johnny Carey, além de contratações pontuais, como a de John Aston. E o primeiro capítulo daquela nova era foi na temporada 1947-1948, quando Busby comandou o United rumo ao título da Copa da Inglaterra, levantada após vitória por 4 a 2, de virada, sobre o temido Blackpool de Stanley Matthews na final em Wembley. 

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O troféu serviu como alívio e prenúncio de bons tempos, ainda que eles estivessem longe – o clube tinha que jogar na época em Maine Road, casa do rival Manchester City, pois as obras de reconstrução de Old Trafford, bombardeado durante a Guerra, ainda levariam um tempo. Ainda em 1948, Busby comandou a seleção da Grã-Bretanha e levou o país à quarta colocação na disputa do futebol nos Jogos Olímpicos de Londres.

A prova de que o trabalho de Busby era bem feito pôde ser notada nas campanhas do United no Campeonato Inglês. Ele conduziu os Red Devils aos vice-campeonatos de 1946-1947, 1947-1948, 1948-1949 e 1950-1951, além de o time demonstrar enorme poder ofensivo graças aos talentosos jogadores que tinha na época. Mas tudo começou a mudar em definitivo na temporada 1951-1952. Busby percebeu que o elenco precisava ser renovado para aquela década livre de guerras e interrupções e sabia que a torcida que voltava ao Old Trafford em peso após 8 anos de reformas – o estádio reabriu em 1949 – queria ver um time que pudesse disputar títulos. Por isso, Busby começou a lapidar talentos das categorias de base e também jovens de outros clubes para rejuvenescer o plantel do United.

Os Busby Babes

Tudo começou em 1949, quando o goleiro Ray Wood estreou no time principal com apenas 18 anos. Dois anos depois, foi a vez de Roger Byrne, 22 anos, Bill Foulkes, de 19 anos, e Jackie Blanchflower, de 18 anos, (irmão mais novo de Danny Blanchflower, lenda do Tottenham Hotspur dos anos 1960) debutarem na equipe, algo que fez com que o cronista Tom Jackson, do Evening Times, escrevesse: “Os ‘Bebês’ do United estavam calmos e confiantes” após um duelo contra o Liverpool, em novembro de 1951. Ali, nascia a expressão “Busby Babes”, que ganharia força conforme o técnico incorporava mais e mais jovens ao time principal.

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Dennis Viollet, Tommy Taylor, David Pegg, Tom Curry (treinador), Wilf McGuinness, Roger Byrne, o técnico Matt Busby, Ray Wood, Bill Whelan, Duncan Edwards, Mark Jones, Geoff Bent, John Berry. Foto: Popperfoto/Getty Images.
 

O defensor Mark Jones, por exemplo, estreou na época 1950-1951 com apenas 17 anos. O atacante Billy Whelan estreou em 1953, com 18 anos. Albert Scanlon, em 1954, com 19 anos. E o ponta David Pegg, em 1952, com 17 anos. Mas um jogador em especial ganharia destaque naquele time: Duncan Edwards, meio-campista de apenas 16 anos que debutou no elenco principal em abril de 1953, o que fez dele o mais jovem futebolista a jogar uma partida profissional do Campeonato Inglês na história. E não era para menos, afinal, o prodígio foi descoberto em 1948, quando tinha apenas 12 anos, por Jack O’Brie, que foi correndo dizer para Matt Busby que havia encontrado um garoto que “merecia atenção muito especial”.

Com tantos jovens de talento explodindo (no bom sentido) nas bandas de Old Trafford, o Manchester United tratou o Campeonato Inglês de 1951-1952 como prioridade máxima. Após um início irregular, o time foi se encontrando ao longo da competição e permaneceu 16 jogos sem perder até assumir a ponta da tabela no mês de fevereiro de 1952. No embalo do artilheiro Jack Rowley, autor de 30 gols naquela temporada, e do capitão Johnny Carey, o United foi campeão inglês após 41 anos de jejum de maneira categórica.

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Em pé: Duncan Edwards, Bill Foulkes, Mark Jones, Ray Wood, Eddie Colman e David Pegg; Sentados: John Berry, Billy Whelan, Roger Byrne, Tommy Taylor e Dennis Viollet.
 

Na última rodada, o Arsenal ainda tinha chances de título e enfrentou o United na casa dos Red Devils. Porém, os Gunners tinham que vencer por uma diferença de sete gols se quisessem ficar com a taça. Bem, isso jamais aconteceu e jamais aconteceria. O Manchester United aplicou uma goleada de 6 a 1, com três gols de Rowley, dois de Pearson e um de Byrne, resultado que garantiu o troféu incontestável aos Red Devils, que somaram 57 pontos em 42 jogos (na época as vitórias valiam dois pontos), com 23 vitórias, 11 empates, 8 derrotas, 95 gols marcados (melhor ataque) e 52 gols sofridos. Enfim, a espera havia acabado. Era hora de resgatar o tempo perdido.

Renovação certeira

Entre 1952 e 1955, o único título conquistado pelo Manchester United foi o da Supercopa da Inglaterra de 1952. Mas, apesar da queda de rendimento, não se pode dizer que o período foi perdido por Matt Busby. Foi entre esses anos que o técnico promoveu uma transição na equipe, aposentando os veteranos remanescentes do pós-guerra e colhendo os primeiros frutos do esquema de prospecção que implantara nas categorias de base. Aos poucos, Busby foi abrindo lugares na equipe titular para a entrada de nomes como os de David Pegg, Dennis Viollet, Duncan Edwards e Bobby Charlton. Um pouco mais amadurecido, o time começou a engatar uma sequência de títulos a partir de 1955-56, quando venceu o Campeonato Inglês com onze pontos de vantagem sobre o segundo colocado.

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Uma das escalações do Manchester United: força no meio de campo e poder ofensivo eram as marcas de um timaço.
 

Aquela conquista deu direito ao clube disputar a Copa dos Campeões da Europa de 1956-1957, se tornando o primeiro clube da Inglaterra a entrar na competição (a federação se recusou a enviar um representante na primeira edição do torneio, um ano antes). Matt Busby, inclusive, comprou briga com a FA e arriscou até ver seu clube levar sanções para colocar o Manchester United na disputa continental, um teste e tanto para seu jovem time. Após eliminar Anderlecht, Borussia Dortmund e Athletic de Bilbao, os Red Devils caíram para o Real Madrid de Di Stéfano nas semifinais. Já nos campeonatos domésticos, Busby levantou sua terceira taça nacional – com grande destaque para Bobby Charlton, autor de 10 gols em apenas 14 jogos -, além de mais uma Supercopa Inglesa.

Marcas da tragédia

Em 1958, Matt Busby viveu o episódio que marcaria o restante de sua carreira. Após empatar com o Estrela Vermelha em Belgrado e assegurar a classificação para as semifinais da Copa dos Campeões, o time teria o Milan pela frente e a chance de um possível encontro com o Real Madrid na final. Mas, no dia 06 de fevereiro de 1958, quando a delegação do Manchester United retornava para a Inglaterra, o avião que transportava atletas, dirigentes e comissão técnica aterrissou em Munique, na Alemanha, para reabastecer. Em solo germânico, a aeronave começou a sofrer problemas com o motor e a forte nevasca dificultava a visão do piloto. Depois de duas tentativas fracassadas de decolagem, na terceira, o avião saiu do chão, mas tempo depois um forte estrondo aconteceu.

O avião Elizabethan deixou a pista, passou sobre uma cerca e cruzou uma rua antes da asa bater em uma árvore. A asa e parte da cauda foram arrancadas. O cockpit bateu em uma árvore e a parte estibordo da fuselagem se chocou em uma barraca de madeira que tinha um caminhão cheio de combustível e pneus. Eles explodiram. Era o desastre. Das 44 pessoas a bordo, 20 morreram na hora e outras três perderam a vida no hospital. Oito jogadores do Manchester United estavam entre os mortos e outros nove conseguiram sobreviver.

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Matt Busby, se recuperando após o acidente. Foto: @ManUtdHeritage
 

O acidente chocou o mundo e decretou o fim dos Busby Babes, que teriam chegado muito mais longe não fosse aquela tragédia. O cortejo das vítimas aconteceu em Manchester, com o velório em Old Trafford. Dali, os carros com os corpos deixaram o estádio em direção aos destinos que suas famílias pretendiam. Em toda a Europa, os jogos de futebol posteriores ao acidente tiveram homenagens e um minuto de silêncio para lembrar os Busby Babes

Matt Busby também ficou ferido gravemente após a queda do avião. Enquanto estava no hospital, recebeu o rito da extrema unção por duas vezes, mas conseguiu escapar da morte. O acidente prejudicou até mesmo a sua carreira na seleção escocesa, já que era Busby quem deveria comandar a equipe nacional na Copa do Mundo de 1958, disputada quando ainda recebia cuidados médicos. O técnico cogitou mesmo abandonar o Manchester United, sentindo culpa por ter insistido na decolagem, porém, voltou a treinar o time 71 dias depois da fatalidade. Neste ínterim, sob o comando de Jimmy Murphy, o clube chegou ao vice-campeonato da Copa da Inglaterra e acabou eliminado nas semifinais da competição continental. Para as próximas temporadas, Busby teria que reinventar o time sem metade de um elenco que se projetava para durar no topo por um bom tempo.

O retorno do esquadrão

Passados os traumas e os momentos pós-acidente, o técnico Matt Busby, depois de vários dias no hospital, começou a reformular o combalido elenco do United com Bobby Charlton, Harry Gregg e Bill Foulkes como principais nomes do time. Os outros sobreviventes acabariam deixando o United para jogar em outros clubes até se aposentarem – com exceção de Johnny Berry e Jackie Blanchflower, que não jogaram mais futebol profissional devido às múltiplas sequelas que tiveram. 

Foram quatro temporadas de seca, incluindo campanhas ruins no Campeonato Inglês, até a volta do Manchester United ao primeiro lugar. O técnico passou a investir boas quantias de dinheiro em jovens talentos, aplicando mais uma vez seu faro para encontrar boas promessas. Nesta leva, jogadores como Denis Law e George Best chegaram ao clube. Nomes que, sob o comando do escocês, acabariam entrando para a história do United.

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O Manchester de 1968: Charlton, Law e Best eram as referências do ataque magistral daquele time.
 
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Charlton, Law e Best: trio mágico do United nos anos 1960.
 

A quebra do jejum aconteceu mais uma vez na Copa da Inglaterra, vencida em 1963 sobre o Leicester City. Já no Campeonato Inglês, depois de ficar a duas posições do rebaixamento no mesmo ano de 1963, os Red Devils emplacaram um vice-campeonato na temporada seguinte. O título, por sua vez, veio em 1964-1965, quando o clube obteve vantagem sobre o Leeds apenas nos critérios de desempate. Classificado para a Copa dos Campeões, o time vermelho mais uma vez bateu na trave e caiu nas semifinais, desta vez eliminado para o fortíssimo Partizan, da Iugoslávia.

A inédita conquista da Europa

A primeira glória continental do Manchester United, contudo, começaria a se desenhar já na temporada seguinte, com a conquista do sétimo título nacional, o quinto sob a batuta de Matt Busby. A equipe não perdeu um jogo sequer em casa e se credenciou para a sua quarta participação na Copa dos Campeões. A campanha vitoriosa começou com êxitos sobre Hibernians, Sarajevo e Górnik Zabrze. Nas semifinais, fase na qual o clube havia caído nas outras três oportunidades, o encontro foi com o Real Madrid, algoz em 1958. Com uma vitória por 1 a 0 em casa e um emocionante empate por 3 a 3 fora, depois de estarem perdendo por 3 a 1, os Red Devils garantiram passagem para a decisão. Enfrentariam o Benfica de Eusébio em Wembley.

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Matt Busby e Bobby Charlton após o título europeu do United em 1968. Foto: Getty Images
 

Depois do empate por 1 a 1 no tempo normal, a façanha foi garantida de forma sublime na prorrogação. George Best, Brian Kidd e Bobby Charlton deixaram as suas marcas e os ingleses acabaram a noite com uma goleada por 4 a 1. Dez anos depois do acidente aéreo em Munique, Matt Busby finalmente chegava ao topo da Europa. Era a prova final de sua capacidade de montar times e, sobretudo, de vencer. Dias depois da conquista, foi nomeado cavaleiro do Império Britânico, ganhando a alcunha de Sir.

Referência eterna

A Copa dos Campeões foi o último troféu levantado por Sir Matt Busby como técnico do Manchester United. Ele até brigou pelo título do Mundial Interclubes de 1968 contra o Estudiantes-ARG, mas perdeu a decisão – uma das mais polêmicas da história do torneio. Ao término da temporada seguinte, o escocês assumiu um cargo como diretor no clube. Ainda voltaria a treinar os Red Devils em 1970-1971, mas apenas por seis meses. Além, Busby foi presidente do Manchester no início dos anos 1980 e também vice-presidente da Football League.

Ao fim de sua carreira no futebol, o “Mr. Manchester United” recebeu diversas homenagens do clube, as mais notórias nas redondezas de Old Trafford. Em 1993, a rodovia que passa à frente do estádio do clube foi rebatizada como “Sir Matt Busby Way”. Já em 1996, dois anos após a sua morte, o ex-técnico ganhou uma estátua em frente ao Teatro dos Sonhos.

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Sir Matt Busby faleceu em 1994, em decorrência de uma leucemia. Pôde presenciar apenas o primeiro título da Premier League de Alex Ferguson, seu compatriota, herdeiro de seu legado e único técnico a ter ficado mais tempo que ele no cargo. Em 1999, o Manchester United conquistou de forma inacreditável a segunda Liga dos Campeões do clube, virando nos acréscimos um placar que parecia perdido. Um milagre ocorrido justamente no dia 26 de maio, data em que Busby completaria 90 anos. E ele estava lá. Ao menos em memória.

Números de destaque:

  • Comandou o Manchester United em 1120 jogos, com 565 vitórias, 263 empates e 292 derrotas, um aproveitamento de 58,2%.

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1 COMENTÁRIO

  1. Uma das histórias mais incríveis que um ser humano já viveu e é sempre bom lembrar que antes de um Sir Alex Ferguson dominar houve outro Sir: Matt Busby o pioneiro de todo um legado vencedor.

Comentários encerrados.

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