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Grêmio x Internacional – Gre-Nal

Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS.

Por Guilherme Diniz

 

Este é o maior clássico do mundo de uma lista especial do Imortais. Confira a relação completa no link ao final deste texto!

 

A rixa: praticamente divide o coração dos torcedores do Rio Grande do Sul. Começou antes mesmo de a bola rolar, com desavenças entre dirigentes. E uma goleada massacrante de dez gols do já experiente Grêmio sobre um recém-fundado Inter. Cada jogo é uma guerra de nervos até hoje e que deixa os sites de dicas e competições de futebol em pura ebulição!

Quando começou: no dia 18 de julho de 1909, na goleada do Grêmio sobre o novato rival por 10 a 0.

Maior Artilheiro: Carlitos-BRA (Internacional): 38 gols

Quem mais venceu: Internacional – 160 vitórias (até setembro / 2022). O Grêmio venceu 139. Foram 138 empates.

Maiores goleadas: Grêmio 10×0 Internacional, 18 de julho de 1909
Grêmio 10×1 Internacional, 18 de junho de 1911
Internacional 6×0 Grêmio, 1º de novembro de 1938
Internacional 7×0 Grêmio, 17 de outubro de 1948

Os irmãos Henrique Poppe Leão, Luiz Madeira Poppe e José Eduardo Poppe saíram de São Paulo no início do século XX e chegaram a Porto Alegre, que passava por um intenso processo de modernização, com bondes elétricos, iluminação nas ruas e um esporte que começava a cativar a todos: o futebol. Os irmãos Luiz e José Eduardo queriam praticar o tal football que eles haviam conhecido em São Paulo, mas encontraram dificuldades pelo fato de os clubes da cidade na época, o Grêmio e o Fuss Ball, serem restritos a sócios. Com isso, decidiram, junto ao irmão Henrique, criar seu próprio clube: o Sport Club Internacional, que ganhou esse nome justamente por aceitar brasileiros e estrangeiros, em contraponto à identificação de muitos clubes na época com colônias italianas, alemãs e portuguesas.

Cartaz do primeiro Gre-Nal.

 

O Inter queria disputar seu primeiro jogo contra o mais tradicional time da cidade, o Grêmio. Em uma reunião, foi acertado o amistoso, mas o tricolor iria mandar a campo seu time reserva. O Inter não aceitou, exigiu o time titular e a data que ele queria. Os tricolores ficaram espantados com a audácia dos novatos e aceitaram mandar o time titular, mas apenas no dia 18 de julho, pois a agenda do time estava cheia. Com menos de um mês para ajustar seus jogadores, o Inter foi presa fácil e perdeu por 10 a 0. O Colorado ficou três meses sem jogar. Quase fechou as portas. Mas a insistência de seus entusiastas e a criação de um campeonato entre os times da cidade reviveu a disputa e o sentimento de dar o troco no rival. No segundo duelo entre ambos, goleada tricolor por 5 a 0 com a primeira briga: após driblar toda a defesa colorada, o gremista Edgar Booth levou um pontapé do defensor Volksmann, cansado daquela “falta de respeito”, e os jogadores começaram a desferir tapas e socos entre si. Por pouco o jogo não acabou ali mesmo. Foi a primeira briga nos Gre-Nais. E já no segundo jogo.

Carlitos, maior artilheiro do clássico.

 

Com esses temperos, o Gre-Nal se consolidou ano a ano como o mais pegado, disputado e acirrado clássico do futebol brasileiro. A paixão transborda tanto que ele conseguiu superar o peso do histórico Fla-Flu, a monopolização da maior cidade do país entre Corinthians e Palmeiras e o temperado duelo entre Atlético e Cruzeiro. Por mais que esses duelos sejam eletrizantes, nenhum deles consegue superar a troca de farpas, de raça e de sangue nos olhos de um Gre-Nal. Uma das melhores sínteses do que é o duelo vem de um colorado, Luís Fernando Veríssimo: “O Internacional precisa ser melhor que o Grêmio, que precisa ser melhor que o Internacional, que morre se não for melhor que o Grêmio”. E é assim mesmo. Ano após ano, se um fazia alguma coisa ou era campeão, o outro ia lá e igualava ou superava. O Grêmio começou sua história no antigo estádio da Baixada. O Inter, no mirrado Eucaliptos, que foi reformulado, virou uma das sedes da Copa do Mundo de 1950 e superou o do rival. Nos anos 50, o Grêmio construiu o Olímpico. O Inter respondeu e fez o Beira-Rio. Depois, o Grêmio criou sua Arena. E o Inter reformulou seu Beira-Rio e o tornou moderno.

Batista e Geraldão, em um dos muitos embates dos anos 80. Foto: Telmo Curcio.

 

No quesito títulos, o Inter começou uma histórica hegemonia no estado no final dos anos 30 justamente com uma goleada de 6 a 0 sobre o Grêmio, em 1938. Três anos antes, aconteceu o lendário Gre-Nal do centenário da Revolução Farroupilha, no qual o goleiro Lara, do Grêmio, fez grandes defesas, ajudou seu time a vencer por 2 a 0, deixou o duelo no intervalo e faleceu dois meses depois, criando a lenda de que “teria morrido em campo após defender um chute violento do rival colorado”. Em 1948, veio os 7 a 0 sobre o Grêmio em plena Baixada, maior goleada na era do profissionalismo. E, em 1954, durante um torneio de inauguração do Olímpico, o Inter fez 6 a 2 no rival sem dó nem piedade. Mas teve troco: em 1960, o Grêmio fez 5 a 1 em pleno Eucaliptos, década que teve um heptacampeonato estadual do tricolor. Mas aí vieram os anos 70, e o Inter foi octacampeão gaúcho, bicampeão brasileiro consecutivo e ainda campeão invicto, em 1979, dando ao estado os primeiros títulos nacionais de futebol.

Em 1977, o Grêmio acabou com a hegemonia do Inter no Gauchão com o famoso gol de André Catimba.

 

No final do jogo, claro, muita confusão e essa lendária e pitoresca voadora de um torcedor no árbitro do jogo, em foto captada pelas lentes do fotógrafo Telmo Curcio.

 

Só que o Grêmio venceu um brasileiro, em 1981, e se tornou o primeiro clube gaúcho campeão da América e do mundo, em 1983. Mas, em 1989, o Inter venceu o “Gre-Nal” do século, que valia vaga na final do Campeonato Brasileiro. Nos anos 90, outra vez o Grêmio se sobressaiu, faturou títulos nacionais e internacionais e deixou o rival para trás. Maaaaas, sabe como é, o Inter deu o troco. Venceu sua primeira Libertadores, em 2006, faturou o Mundial no mesmo ano e venceu outra Libertadores em 2010, igualando o número de taças da competição do rival. Até que, em 2017, o Grêmio venceu sua terceira e passou de novo o rival: 3 a 2. Mas, sabe como é, pode ter troco…

Em Gre-Nal, tem discussão até em cara e coroa, como esse em março de 2018…

 

Matéria sobre a queda do torcedor em um Gre-Nal de 1948.

 

Já são mais de 100 anos de clássico, muitos duelos eletrizantes e um ponto positivo: nunca aconteceu algo de muito grave envolvendo as torcidas. Já tivemos muitas brigas, claro, mas a única fatalidade que se tem notícia foi fruto de um acidente inesperado em maio de 1948, no Gre-Nal de número 100, quando uma das arquibancadas de madeira do estádio da Timbaúva cedeu e um torcedor de 17 anos acabou falecendo com a queda. A rixa e a ira sempre se restringiram ao campo, às provocações, às falatórias de dirigentes, jogadores e às brincadeiras. As mais recentes rixas foram no primeiro Gre-Nal da história em uma Libertadores, na fase de grupos de 2020, quando oito jogadores (!) foram expulsos em uma confusão generalizada perto do fim do jogo, que terminou 0 a 0. E, em fevereiro de 2022, quando um ataque ao ônibus do Grêmio provocou o adiamento de um clássico pelo Gauchão e causou vários ferimentos nos jogadores tricolores. Talvez por isso que o Gre-Nal seja tão enorme, em todas as essências e sentidos. E que continue assim por mais 100 anos.

 

Curiosidades

  • Grêmio e Inter já se enfrentaram seis vezes em duelos continentais. Pela Copa Libertadores, o Grêmio venceu uma vez e houve um empate. Pela Copa Sul-Americana, foram quatro jogos, com uma vitória para cada lado e dois empates;
  • A maior série invicta do clássico pertence ao Inter: foram 17 jogos sem perder para o rival, entre outubro de 1971 e julho de 1975. A segunda maior série também é colorada, com 16 jogos sem derrotas entre maio de 1947 e setembro de 1949. O Grêmio possui a 3ª maior série invicta com 13 jogos sem perder para o rival entre junho de 1999 e outubro de 2002;
  • Embora leve vantagem nos números absolutos do clássico, o Internacional está atrás do Grêmio quando pensamos em vitórias por décadas. Desde a década de 1900, o Grêmio saiu vencedor em 8 décadas (1900, 1910, 1920, 1930, 1960, 1980, 1990 e 2010), enquanto que o Inter acumulou mais vitórias em 5 décadas (1940, 1950, 1970, 2000 e 2020);
  • A explicação para a dianteira colorada se dá nos números impressionantes registrados nas décadas de 1940 e 1970: foram 33 vitórias coloradas e apenas 7 do Grêmio nos anos 1940 e 24 vitórias do Inter contra 12 do Grêmio nos anos 1970;
  • Em 1935, quando o Grêmio venceu o Inter por 2 a 0 e conquistou o Gauchão do Centenário da Revolução Farroupilha, os tricolores passaram a celebrar a emblemática vitória com um jantar de gala anual;
  • Tesourinha, um dos maiores ídolos do Inter, foi pé-quente em seu primeiro Gre-Nal: vitória colorada por 6 a 1, em 1940, com um gol do craque;
  • Em 2004, o ídolo colorado Fernandão anotou o gol 1000 dos Gre-Nais na vitória do Inter por 2 a 0.

 

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