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Maiores Viradas da Copa do Brasil

Por Guilherme Diniz

Torneio mais democrático do país, a Copa do Brasil faz a festa de diferentes torcidas desde 1989. Por reunir tantos clubes, a competição é um prato cheio para as zebras aprontarem pelo caminho e, de vez em quando, até levantarem o título, como já vimos em algumas oportunidades. E, por ter jogos de ida e volta, possui margem para algumas viradas marcantes e tidas como impossíveis, principalmente quando o gol fora era critério de desempate. É hora de conferir as maiores viradas da história da Copa do Brasil!

OBS.: não listamos viradas que foram para os pênaltis após igualdade no placar agregado.

Quartas de final – 1990

Remo 3×1 Náutico / Náutico 4×0 Remo

Bizu (com os braços ao alto) foi o talismã do Timbu na época.

Com o Baenão lotado, o Remo, que tinha um grande time naquele começo de anos 1990 e foi semifinalista da Copa do Brasil de 1991, venceu o Timbu por 3 a 1 e parecia com a vaga confirmada para a etapa seguinte de 1990. Porém, no Recife, os paraenses levaram de 4 a 0 do Náutico, que encarou o Flamengo na semifinal e acabou eliminado.

Segunda Fase – 1999

Fluminense 3×1 Juventude / Juventude 6×0 Fluminense

No ano em que venceu o histórico título da Copa do Brasil, o Juventude despachou o Fluminense, no calvário da Série C na época, de maneira categórica. Na ida, os gaúchos perderam por 3 a 1 no Maracanã, mas deram o troco em Caxias: 6 a 0, com quatro gols de Flávio, um de Maurílio e um de Capone. A equipe gaúcha foi campeã diante do Botafogo, em pleno Maracanã, após segurar um empate sem gols depois de vencer a ida por 2 a 1. Leia mais clicando aqui!

Terceira fase – 2000

Remo 2×0 América-RN / América-RN 6×2 Remo

Mais uma vez o Remo conseguiu um bom resultado em casa, mas sofreu fora dela. Em 2000, a equipe paraense venceu por 2 a 0 o duelo de ida, mas perdia por 3 a 1 ao fim do primeiro tempo da volta, em Natal. Mesmo com o empate em 3 a 3 no agregado, os azuis não conseguiram se segurar e levaram mais três gols na etapa final, decretando os 6 a 2 do América-RN, que avançou com um confortável agregado de 6 a 4.

Primeira fase – 2005

Ulbra-RS 3×0 Treze-PB / Treze-PB 5×0 Ulbra-RS

Uma das grandes histórias do futebol paraibano foi contada em 2005 pelo Treze. A equipe encarou o Ulbra e perdeu por 3 a 0 o duelo de ida, no Rio Grande do Sul. Na volta, só uma goleada de 4 a 0 classificaria o time para a fase seguinte. Pois eles venceram por 5 a 0 no Amigão e conseguiram uma classificação heroica, que embalou o time em mais duas proezas: eliminar o São Caetano (campeão paulista do ano anterior) e o Coritiba e só cair nos pênaltis diante do Fluminense (que seria vice-campeão ao perder para o Paulista de Jundiaí a decisão) nas quartas de final.

Segunda fase – 2005

Cianorte-PR 3×0 Corinthians / Corinthians 5×1 Cianorte-PR 

Vivendo a turbulenta passagem da MSI em sua gestão, o Corinthians de 2005 teve um ano de altos e baixos. E, naquele primeiro semestre, o alvinegro quase sofreu um de seus maiores vexames da história. No primeiro jogo da segunda fase da Copa do Brasil daquele ano, o Timão, comandado por Daniel Passarella e com jogadores como Fábio Costa, Sebá, Carlos Alberto, Roger Flores, Gustavo Nery, Carlitos Tevez e Gil, era favoritíssimo para derrotar o modesto Cianorte. Porém, em um jogo inacreditável dos paranaenses, o Corinthians levou de 3 a 0 (todos os gols só no primeiro tempo), incluindo um gol de bicicleta do atacante Márcio Machado. 

Teve até bicicleta!

Reverter um placar daquele tamanho seria dificílimo. Mas, no Pacaembu, a Fiel lotou o estádio da capital paulista – quase 35 mil pessoas – e empurrou o alvinegro em busca do épico: vitória por 5 a 1, com dois gols de Tevez, dois de Roger e um de Gustavo Nery. A classificação foi categórica, mas que o Corinthians levou um baita susto, isso levou!

Primeira fase – 2008

Coruripe-AL 4×1 Juventus-SP / Juventus-SP 5×1 Coruripe-AL

O Juventus ganhou o apelido de Moleque Travesso por tirar pontos dos clubes tradicionais de SP ao longo da história no Campeonato Paulista. Porém, em 2008, o time da Mooca deu show no âmbito nacional. Depois de perder por 4 a 1 o duelo de ida contra o Coruripe, em Alagoas, o Juventus teve que escrever um épico para sair da Rua Javari com a vaga. E conseguiu! Após abrir o placar com Dedimar – que entendia muito bem de Copa do Brasil, afinal, foi campeão pelo Santo André em 2004 -, a equipe grená levou o empate e o placar de 5 a 2 era todo do Coruripe, ainda mais depois que o primeiro tempo terminou em 1 a 1. Só que o Juventus fez um gol com Lima, outro com Anderson Luis e mais dois gols com Kanu e conseguiu a vitória por 5 a 1 que classificou o Moleque para a etapa seguinte. Na segunda fase, porém, o time provou do mesmo veneno: após vencer o Náutico por 2 a 0 em casa, perdeu por 3 a 0 no Recife e deu adeus à Copa do Brasil.

Final – 2008

Corinthians 3×1 Sport / Sport 2×0 Corinthians 

O Corinthians vencia por 3 a 0 o Sport no primeiro jogo da decisão, no Morumbi, quando levou um gol de Enílton aos 46’ do segundo tempo. Mal sabia a torcida que aquele era o “gol do título” dos pernambucanos, como bem disse Carlinhos Bala após o duelo: “Se a gente jogar assim, como na etapa final, em Recife, não perdemos nem do Real Madrid. Tenho certeza de que foi o gol do título”.

Quando a bola rolou na Ilha do Retiro, o Sport mostrou que, de fato, nenhum time no planeta poderia vencê-lo em seu caldeirão. Após a tensão dos primeiros minutos, Nelsinho Baptista decidiu mexer na equipe rapidamente e sacou Kássio para a entrada de Enílton, mudando o esquema tático para o 4-3-3. Deu certo. Aos 34’, Luciano Henrique lançou Carlinhos Bala, que dominou no peito e fuzilou o goleiro Felipe para fazer 1 a 0. Poucos minutos depois, o Sport foi para o ataque novamente, Luciano Henrique chutou, Enílton atrapalhou o goleiro Felipe e o camisa 1 falhou feio: 2 a 0. Era o suficiente. Bastou controlar o jogo na segunda etapa, ir no embalo da torcida e soltar o grito: Sport campeão da Copa do Brasil de 2008. Leia mais clicando aqui!

Quartas de final – 2014

Corinthians 2×0 Atlético-MG / Atlético-MG 4×1 Corinthians

Depois de eliminar o Palmeiras nas oitavas da Copa do Brasil de 2014, o Galo encarou o Corinthians, rival indigesto e que sempre trouxe problemas para o clube mineiro em duelos eliminatórios. E tal fama aumentou ainda mais após a vitória corintiana por 2 a 0, no Pacaembu, no dia 1º de outubro, resultado que obrigava o Atlético a vencer por mais de dois gols no tempo normal se quisesse avançar até as semifinais.

No dia 15 de outubro, o Mineirão recebeu pouco mais de 30 mil pessoas para o duelo de alvinegros. O Atlético precisava da vitória a qualquer custo e viu Levir Culpi colocar pelo menos quatro homens no setor ofensivo: Guilherme, Diego Tardelli, Luan e Carlos, com Dátolo e Leandro Donizete mais recuados e Marcos Rocha e Douglas Santos como opções pelas laterais. Já o Corinthians foi a campo com uma postura mais defensiva e a tranquilidade dos 2 a 0 no placar. Quando a bola rolou, essa tranquilidade se elevou à mais alta potência quando Guerrero, aos 4´, abriu o placar para o Corinthians.

O placar agregado estava 3 a 0 para os paulistas. Até que, aos 23´, Luan empatou o jogo e, aos 31´, Guilherme virou. Pronto. O Galo estava na briga outra vez. A torcida começou a jogar junto, o time se enervou e foi com tudo em busca do improvável. No segundo tempo, depois de obrigar Cássio a realizar grandes defesas e carimbar a trave, o Atlético chegou ao terceiro gol, aos 29´, quando Guilherme concluiu no canto após cruzamento de Douglas Santos e escorada de Carlos: 3 a 1. Faltava só mais um gol. 

Edcarlos corre para o abraço: Galo classificado!

Aos 42´, Dátolo cobrou escanteio, Edcarlos veio lá de trás e cabeceou para fazer o quarto e enlouquecer o Mineirão: 4 a 1. Virada! E quase teve gol de meio de campo quando Marcos Rocha chutou e Fágner tirou de cabeça. Já imaginou? A vitória épica mostrou o quão imponderável pode ser um jogo de futebol. Mas tinha mais…

Semifinal – 2014

Flamengo 2×0 Atlético-MG / Atlético-MG 4×1 Flamengo 

Foto: Cristiane Mattos / FP

Acredite se quiser: o Galo aplicou outra virada espetacular na mesma edição da Copa do Brasil! Na semifinal, o alvinegro teve pela frente outro rival histórico: o Flamengo, campeão do torneio em 2013. O problema é que na primeira partida, no Maracanã, o Galo levou dois gols no segundo tempo e viu o mesmo filme das quartas de final se repetir: derrota por 2 a 0 e necessidade de triunfo por mais de dois gols na partida de volta.

No dia 05 de novembro, o Mineirão recebeu um público maior (mais de 41 mil pessoas) e o Galo foi para a briga contra o Urubu. Após meia hora sem gols, Éverton fez boa jogada e abriu o placar para o… Flamengo! Sim, por mais incrível que pudesse parecer, o Atlético estava outra vez perdendo por 3 a 0 no placar agregado e precisava de quatro gols para se classificar. No entanto, o tempo para a proeza era ainda menor do que no duelo contra o Corinthians! 

Jogo foi quente!

Aos 41´, Carlos fez o gol do empate. Aos 11´ do segundo tempo, Maicosuel fez o gol da virada: 2 a 1. Aos 36´, Dodô cruzou, Marion ajeitou e Dátolo encheu o pé para incendiar o Mineirão: 3 a 1. Apenas três minutos depois, um bate-rebate danado na área fez com que a bola sobrasse para Luan, que fez o quarto e sacramentou mais um milagre do Atlético: 4 a 1. O Galo estava na final. E, nela, foi campeão em cima do rival Cruzeiro. Leia mais clicando aqui!

Terceira fase – 2014

América-RN 0x3 Fluminense / Fluminense 2×5 América-RN

Essa o torcedor tricolor tem calafrios até hoje. De glórias recentes na época e com um bom time, o Flu era o imenso favorito diante do América de Natal, na Série B e que nunca figurou entre os favoritos de torneios da elite. E o favoritismo dos cariocas só aumentou após a vitória por 3 a 0 na capital potiguar, resultado que permitia ao tricolor perder por dois gols que ainda sim ficaria com a vaga no Maracanã. Mas o que se viu no dia 13 de agosto foi algo que nem o Sobrenatural de Almeida poderia explicar…

Vixe…

O América abriu 1 a 0 aos 17’ do primeiro tempo, mas Fred empatou. Aos 37’, Cícero virou e deixou o placar agregado em 5 a 1 para o Flu. O América, se quisesse a vaga, teria que marcar QUATRO gols para ficar com a vaga graças ao gol marcado fora. Ah, claro, já era, né!? Hehehe… Aos 5’ da segunda etapa, Max Pinheiro empatou. Aos 31’, Alfredo virou. Ele de novo, sete minutos depois, fez 4 a 2. E, aos 45’ cravados, Rodrigo Pimpão fez 5 a 2 e classificou o América de Natal para a fase seguinte. Na época, foi a sétima eliminação seguida do Fluminense para rivais de menor expressão no torneio. Simplesmente histórico! E uma das maiores viradas da história da Copa do Brasil sem dúvida alguma – para muitos, a maior, diante das circunstâncias.

Extra – Segunda Fase – 2018

Athletico-PR 5×4 Tubarão-SC

Este jogo não teve ida e volta, mas sem dúvida foi um dos mais malucos e emocionantes da história recente do torneio. E um detalhe: todos os NOVE gols saíram no SEGUNDO tempo!! Pela segunda fase, o Furacão, na época comandado pelo técnico Fernando Diniz, pressionou o modesto Tubarão desde o início do jogo, mas a bola teimava em não entrar. Só aos 6’ da etapa complementar que o primeiro gol saiu, quando Matheus Rossetto cruzou e Bérgson fez 1 a 0. Cinco minutos depois, o Tubarão empatou após cobrança de falta escorada de cabeça por Matheus Teixeira. Aos 18’, a virada catarinense surgiu com Guilherme Amorim. A equipe quase fez o terceiro em contra-ataque, mas o chute de Daniel Costa foi para fora. Na sequência, aos 24, Rossetto aproveitou rebote do goleiro e fez 2 a 2. Aos 31’, pênalti para o Athletico e Guilherme converteu para deixar o Furacão de novo na frente: 3 a 2.

Perto do fim do jogo, tudo parecia resolvido. Maaaaas, um minuto depois, Lucas Costa subiu mais do que todo mundo após cobrança de escanteio e empatou. Aos 39’, Daniel Costa recebeu dentro da área e fez um belo gol para virar o jogo de novo: 4 a 3. Mas o Athletico não se abateu e buscou uma nova virada. Aos 45’, Thiago Heleno empatou de cabeça após cruzamento de Nikão. E, nos acréscimos, aos 45’+2’, Carleto girou na entrada da área e tocou para Felipe Gedoz fazer 5 a 4 e selar a classificação histórica do Furacão. Ufa! Haja gol!

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