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Jogos Eternos – Argentina 6×0 Sérvia e Montenegro 2006

Data: 16 de junho de 2006

O que estava em jogo: três pontos importantes na luta por uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo da FIFA de 2006

Local: Veltins Arena, Gelsenkirchen, Alemanha.

Árbitro: Roberto Rosetti (ITA)

Público: 52.000 pessoas

Os Times:

Argentina: Abbondanzieri; Burdisso, Ayala, Heinze e Sorín; Mascherano, Lucho González (Cambiasso) e Maxi Rodríguez (Messi); Riquelme; Saviola (Tevez) e Crespo. Técnico: José Pekerman.

Sérvia e Montenegro: Jevric; Duljaj, Gavrancic, Dragutinovic e Krstajic; Albert Nad (Ergic), Pedrag Dordevic, Koroman (Ljuboja) e Stankovic; Milosevic (Vukic) e Kezman. Técnico: Ilija Petkovic.

Placar: Argentina 6×0 Sérvia e Montenegro (Gols: Maxi Rodríguez-ARG, aos 6′ e aos 41′ e Cambiasso-ARG, aos 31′ do 1º T; Crespo-ARG, aos 33′, Tevez-ARG, aos 39′ e Messi-ARG, aos 43′ do 2º T.).

 

“A estreia de Messi no 6uper tango argentino”

Por Guilherme Diniz

Algumas partidas ficam marcadas não só pelo placar em si ou pelos gols, mas também por detalhes que às vezes passam despercebidos na hora e se tornam emblemáticos anos depois. Naquele dia 16 de junho de 2006, Gelsenkirchen, na Alemanha, presenciou muito mais do que um jogo de futebol. Presenciou um acontecimento. Aos 30’ do segundo tempo, Maxi Rodríguez, autor de dois gols naquele jogo e um dos melhores em campo, deu lugar a um jovem prestes a completar 19 anos: Lionel Messi, vestindo curiosamente a camisa 19. E o garoto tratou de apresentar seus predicados nos 15 minutos em que esteve no gramado: uma assistência, aos 39’, para o gol de Carlos Tevez. E, aos 43’, um gol para fechar a goleada de 6 a 0 da Argentina sobre uma atônita Sérvia e Montenegro.

Começava ali a história digna de filme de um dos maiores craques de todos os tempos no maior palco do futebol. Em duas décadas, ele viveu dramas e alegrias até a glória máxima em 2022, quando capitaneou a Argentina rumo ao tricampeonato mundial. E tudo começou em 2006, quando a albiceleste fez o clássico “vira 3, acaba 6” e ainda protagonizou um dos gols mais fantásticos da história das Copas, com incríveis 24 passes. É hora de relembrar o Argentina 6×0 Sérvia e Montenegro 2006.

Pré-jogo

Argentina 2006
Em pé: Sorín, Heinze, Abbondanzieri, Burdisso, Riquelme e Ayala. Agachados: Lucho González, Saviola, Crespo, Maxi Rodríguez e Mascherano. Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images
 

Vivendo um angustiante jejum de títulos – apesar do Ouro Olímpico em 2004 -, a Argentina entrou na Copa de 2006 como uma das favoritas ao título graças a sua imensa geração de craques. Comandada por José Pekerman, a albiceleste tinha nomes como Abbondanzieri, Sorín, Ayala, Cambiasso, Mascherano, Lucho González, Riquelme, Tevez, Saviola, Crespo, Messi… Era uma equipe fortíssima, bem treinada e que poderia, sim, ir longe na Copa. Só que a Argentina colecionava decepções nas últimas Copas e não conseguia ir além das quartas de final desde 1990, quando foi vice-campeã. 

Em 1994, caiu precocemente diante da Romênia. Em 1998, foi eliminada pela Holanda em um jogo épico. E em 2002 a queda aconteceu ainda na fase de grupos, no chamado “grupo da morte”. Quando o sorteio definiu as chaves do Mundial da Alemanha, o torcedor ficou ainda mais temeroso quando a Argentina, de novo, caiu no “grupo da morte” ao lado da sempre temível Holanda, Costa do Marfim (do craque Didier Drogba) e Sérvia e Montenegro, na teoria a mais fraca, mas ainda sim como nomes como Stankovic, Dragutinovic, Milosevic e Mateja Kezman.

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Crespo (à esq.) e Sorín comemoram o gol do camisa 9 durante a vitória sobre Costa do Marfim. Foto: Shaun Botterill/Getty Images
 
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Abbondanzieri, Messi e Pekerman, em treinamento da Argentina na Copa. Foto: AFP/Getty Images
 

Para apagar de vez o fantasma de 2002, a Argentina venceu seu primeiro jogo, contra Costa do Marfim, por 2 a 1, em gols de Crespo e Saviola ainda no primeiro tempo, com Drogba descontando no final da partida para os marfinenses. Na partida seguinte, a equipe tinha pela frente Sérvia e Montenegro e sabia que uma vitória já daria a vaga nas oitavas de final. Pekerman mandou praticamente o mesmo time da estreia, com apenas a troca de Cambiasso por Lucho González. Na zaga, Burdisso, zagueiro de origem, jogava de lateral-direito, enquanto Sorín atuava pela esquerda, com Ayala e Heinze no miolo central. Mascherano era o xerife da cabeça de área, com Lucho González mais pela direita e Maxi Rodríguez pela esquerda, quase como um ponta. Riquelme, impecável como sempre, era o camisa 10 dono das ações ofensivas, passes e bolas paradas, enquanto Saviola e Crespo os responsáveis pelos gols lá na frente.

Do outro lado, o técnico Ilija Petkovic tinha que vencer para manter as esperanças de classificação após o revés por 1 a 0 na estreia diante da Holanda (gol de Robben). Ele prometeu uma equipe mais ofensiva para o jogo contra a Argentina após receber críticas por conta do defensivismo no duelo contra a Holanda. E isso mesmo com a zaga sem a estrela Vidic, que rompeu os ligamentos do joelho e foi uma baixa muito sentida no Mundial. A aposta era nos chutes de longa distância de Stankovic, estrela da Internazionale-ITA, e na dupla de ataque Milosevic e Kezman. O duelo tinha tudo para ser equilibrado e truncado em Gelsenkirchen. Mas, quando a bola rolou, o roteiro foi completamente diferente…

Primeiro tempo – Passeio e um gol histórico

Argentina 6x0 Sérvia e Montenegro 2006
Esteban Cambiasso vibra: passeio argentino no primeiro tempo. Foto: AP Photo/Mark J. Terrill
 

A Argentina começou o jogo ditando o ritmo e provou que os fantasmas da Copa anterior estavam no passado. Com enorme controle de bola e tocando a redonda de maneira rápida, a albiceleste chegava fácil ao gol de Jevric, principalmente pelo lado esquerdo, ganhando escanteio logo no primeiro minuto. Riquelme tentou chute cruzado aos 2’, mas a zaga tirou. Até que, aos 5’, a bola foi lançada para Juan Pablo Sorín na ponta esquerda, que a passou para Javier Saviola, que por sua vez tocou para Maxi Rodríguez. O camisa 18 invadiu a área e, com muita frieza e precisão, mandou um petardo indefensável para o gol e abriu o placar. O gol foi um prêmio à equipe de Pekerman, muito mais precisa e dominante.

A seleção de Sérvia e Montenegro tentou responder aos 9’, quando Predrag Djordjevic chutou de primeira, mas a bola passou ao lado da trave de Abbondanzieri. A Argentina seguiu pressionando até Javier Saviola sofrer uma falta. Riquelme cruzou a bola para a área, mas Sorín não conseguiu dominá-la e chutou para fora, ao lado da trave. Minutos depois, Riquelme lançou Lucho González no ataque, mas a bola foi muito forte. O volante acabaria sentindo uma lesão e teve que ser substituído aos 17’ por Cambiasso, titular na estreia argentina contra Costa do Marfim. 

A entrada do carequinha mudou apenas a posição de Maxi Rodríguez, que passou a jogar mais pela esquerda, com Cambiasso mais à direita. A Argentina continuou com o jogo na mão, enquanto a equipe europeia não esboçava reação. Quando atacava, Sérvia e Montenegro não conseguia furar a boa retaguarda albiceleste, que ficava com praticamente cinco homens atrás com o recuo de Mascherano.

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Presente nas arquibancadas, Maradona vibra após o primeiro gol.
 
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Com Cambiasso, Argentina seguiu ofensiva e com ainda mais controle do jogo.
 
maxi rodriguez argentina 2006
Maxi Rodríguez (com a bola dominada) foi um dos grandes nomes do jogo com dois gols e intensa movimentação. Foto: Albert Gea / Reuters
 

Só aos 23’ que a equipe europeia pareceu melhorar. Dejan Stankovic avançou pela esquerda, mas uma falta de Mateja Kezman resultou em uma cobrança de falta para a Argentina. Aos 26’, Ognjen Koroman foi acionado no outro lado do campo para cobrar uma falta. Mateja Kezman alcançou a bola alta, mas  foi penalizado por falta em Sorín na disputa pela posse. A resposta argentina veio na sequência, quando Riquelme recebeu de Cambiasso na intermediária, driblou o marcador e chutou, mas a bola acabou indo para fora do gol. A Argentina precisava de mais um gol para ficar tranquila no jogo. E ele surgiu de maneira arquitetada, trabalhada, única.

Tudo começou lá atrás, na roubada de bola de Maxi Rodríguez, que deixou com Heinze e este tocou na esquerda para Mascherano, que tocou para Riquelme, que deixou para Rodríguez, que tocou para Sorín, que devolveu para Rodríguez, que tocou para Sorín, que deixou com Mascherano, que deixou no meio para Riquelme, que olhou e mandou a bola na direita para Ayala, que tocou no meio para Cambiasso, que gingou e recuou para Mascherano, que rolou para Rodríguez e este inverteu na esquerda para Sorín. O lateral aconchegou no peito, esperou e tocou para Rodríguez, que tocou no meio para Cambiasso, que tocou para Riquelme, que recuou para Mascherano, que devolveu para Sorín, que acelerou e tocou para Saviola e este deixou com Riquelme, que devolveu de primeira para Saviola, que ajeitou e tocou na entrada da área para Cambiasso, que tocou dentro da área para Crespo, que ajeitou e devolveu de calcanhar para Cambiasso chutar e fazer o gol. Argentina 2×0 Sérvia e Montenegro.

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Não foi apenas um gol. Foi uma obra de arte futebolística. Um ballet no gramado de Gelsenkirchen. Provavelmente um dos gols coletivos mais espetaculares de todos os tempos e dos Mundiais. Algo que não víamos em Copas desde o quarto gol do Brasil na final da Copa de 1970. Foram 24 passes até a conclusão de Cambiasso, o toque 25. Um gol que merecia valer por 2, 3, 4. Que já valia o ingresso de uma partida inteira. Só vendo para crer. 

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Foto: Reuters
 

O gol desmoronou por completo Sérvia e Montenegro. Repleta de buracos na defesa, sem qualquer organização e apática, a seleção do técnico Petkovic parecia um catado perto da Argentina, que caminhava e corria da maneira que queria no gramado alemão. Minutos depois, Crespo até fez o seu, mas o bandeirinha assinalou impedimento antes do passe de Saviola chegar ao centroavante. Aos 41’, Maxi Rodríguez, fazendo uma partidaça e também uma excelente Copa, aproveitou a sobra do goleiro após um chute rasteiro de Saviola e empurrou a bola para dentro do gol vazio: 3 a 0. A bola ainda quicou na trave antes de entrar.

O jogo estava resolvido. Com uma vitória maiúscula e um futebol exuberante, a Argentina só precisaria gastar a bola no segundo tempo que sua vaga nas oitavas de final estava garantida. Grupo da morte? Só se fosse para os rivais! E a etapa final da partida ainda reservava um garoto que viu tudo aquilo do banco de reservas sedento para participar da festa…

Segundo tempo – Messi

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Riquelme foi a pura classe naquele dia.
 

No intervalo do jogo, comentaristas e narradores se renderam à qualidade argentina e aos gols. Na BBC, por exemplo, Ian Wright disse: “Se o Brasil tivesse marcado aquele gol, diriam que foi o melhor de todos os tempos”. Leonardo, tetracampeão com a seleção em 1994, comentou: “Magnífico, espetacular, talvez a melhor atuação da Copa do Mundo. Gols incríveis, espetaculares, perfeitos”. Já Alan Hansen, lenda do Liverpool, disse: “Foi uma aula magistral de qualidade, equilíbrio, passes, controle e finalização. Se eu vir um gol melhor nesta Copa do Mundo, vou embora. Foram 24 passes de controle total. Eles destruíram a defesa deles”. O técnico Petkovic tentou mudar o meio de campo de sua equipe ao sacar Albert Nad para a entrada de Ivan Ergic, enquanto a Argentina voltou sem mudanças.

Milosevic arriscou logo no primeiro minuto e Abbondanzieri espalmou. A resposta argentina veio aos 5’, com Crespo, que chutou de fora da área e exigiu boa defesa de Jevric. Três minutos depois, Riquelme cobrou falta da entrada da área, mas a bola explodiu na barreira europeia. Sérvia e Montenegro não conseguia levar perigo mesmo com a tirada do pé da Argentina e Milosevic, aos 10’, desperdiçou grande chance de cabeça ao receber sozinho dentro da área. A equipe do leste europeu abusava do chuveirinho, sem sucesso. Aos 14’, Pekerman começou a poupar seus atletas e sacou Saviola para a entrada de Tevez. E a missão dos europeus ficaria ainda mais difícil quando Kezman acertou um carrinho em Mascherano e levou cartão vermelho direto.

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Carlos Tevez em disputa de bola com Dejan Stankovic. Foto: Christof Koepsel/Bongarts/Getty Images
 

Com 10 em campo, Sérvia e Montenegro virou uma presa ainda mais vulnerável para a Argentina, que passou a atacar mais a fim de aumentar a vantagem e o saldo de gols no grupo. Pekerman colocou sua equipe mais no ataque e resolveu fazer outra substituição: tirou Maxi Rodríguez, camisa 18, e colocou o garoto Lionel Messi, camisa 19, com 18 anos e a dias de completar 19. Mais simbólico, impossível! Pois aquela noite entraria para a história como o debute de um dos maiores jogadores de todos os tempos, do craque que pulverizou recordes e levou a Argentina ao topo do mundo em 2022. Do atleta com mais jogos na história das Copas. Enfim, da lenda.

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Pois Messi não queria apenas estrear. Ele queria marcar território. Deixar claro que naquele palco, naquele show, ele também teria seu lugar e sua história. E, aos 33’, Riquelme cobrou falta rapidamente e mandou a bola para Messi, na esquerda. O camisa 19 saiu em velocidade e cruzou na área para Hernán Crespo deixar o seu: 4 a 0. Minutos depois, foi a vez de Tevez marcar após grande jogada individual, na qual deixou dois marcadores para trás e tocou na saída do goleiro: 5 a 0.

Na sequência, Messi continuou ávido em busca do seu gol. Ele tocou para Crespo na entrada da área, o camisa 9 chutou, o goleiro deu rebote, mas o jovem não conseguiu aproveitar o rebote. Até que, aos 43’, Messi recebeu de Tevez, partiu em velocidade, invadiu a área com a bola grudada em seus pés como fez durante toda sua carreira, e chutou rasteiro, de pé direito (!), por entre as pernas do goleiro: 6 a 0. Uma montanha de jogadores argentinos foi comemorar com o prodígio. Em apenas 15 minutos, uma assistência e um gol. A festa do garoto estava completa. E a goleada argentina, plena.

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Ele tinha que fechar a conta!
 

Ao apito do árbitro, a festa da torcida albiceleste tomou conta das arquibancadas de Gelsenkirchen. Com seis pontos, a equipe sul-americana estava classificada para as oitavas de final da Copa. E o tal “grupo da morte” virou “grupo da festa” para os comandados de Pekerman. Festa que teve goleada, golaços, gol épico e estreia de deslumbre de um ídolo imortal.

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Pós-jogo: o que aconteceu depois?

Argentina: “o time é sólido, e nós temos muita confiança. As coisas não poderiam estar melhores”. Foi assim que Cambiasso definiu sua equipe após a goleada, enquanto o jornal argentino Clarín destacou que a goleada foi “um convite ao sonho”. Na partida seguinte, a Argentina empatou sem gols contra a Holanda (com Messi como titular), também já classificada, resultado protocolar que classificou a equipe albiceleste em primeiro lugar. Nas oitavas, a Argentina derrotou o México por 2 a 1, na prorrogação (Messi entrou no decorrer da partida), e enfrentou a anfitriã Alemanha nas quartas de final. Ayala abriu o placar no começo do segundo tempo, mas Klose empatou e levou o jogo para a prorrogação. Após 30 minutos sem gols, a partida foi para os pênaltis e a Alemanha venceu por 4 a 2, destruindo o sonho do tri. 

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Do banco, Messi viu a Argentina ser eliminada pela Alemanha nos pênaltis.
 

Messi não jogou o duelo contra a Nationalelf, o que gerou críticas da imprensa e até surpresa do lado alemão. “Teríamos enfrentado um grande perigo. Ali percebemos que a Argentina estava retrocedendo e que tínhamos que aproveitar a chance”, disse o então auxiliar técnico alemão Joachim Löw. Já o técnico Pekerman se defendeu quando explicou o motivo de ter colocado Julio Cruz ao invés de Messi durante a partida. “Com Messi conseguíamos ter a bola, mas não teríamos tanta presença na área”. Vai entender…

Sérvia e Montenegro: “as calças dos sérvios foram arriadas seis vezes”. “Queda ao inferno. A defesa tinha buracos, o meio-campo estava desconcentrado e o ataque totalmente ineficaz”. Essas foram algumas manchetes dos jornais de Belgrado após a derrota que eliminou Sérvia e Montenegro da Copa de 2006. Por mais que a seleção representasse um país que não existia mais – pouco antes do Mundial, Sérvia e Montenegro tornaram-se independentes, mas acabaram ganhando a permissão da FIFA para atuarem sob a mesma equipe -, esperava-se um nível de competitividade maior, principalmente pelo fato de ela ter feito uma boa campanha nas Eliminatórias graças, curiosamente, à eficiência defensiva.

“Nossa melhor arma era a defesa, mas sem Vidic e Dragutinovic, que até começou a aquecer mas não aguentou, estávamos desfalcados no setor. Estou triste e irritado, mas comigo mesmo, porque não respeitei minhas ideias”, comentou o técnico Petkovic, que armou uma equipe mais ofensiva contra a Argentina ao invés de optar por uma escalação mais defensiva, como gostava. Na última partida do grupo, Sérvia e Montenegro abriu 2 a 0 diante da Costa do Marfim, mas os africanos conseguiram a virada para 3 a 2 e deixaram a lanterna do grupo da morte com a equipe europeia, que se despediu para sempre dos Mundiais. Desde então, apenas a Sérvia tem disputado regularmente os Mundiais (2010, 2018 e 2022), enquanto Montenegro jamais conseguiu uma vaga.

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