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Craque Imortal – Drogba

 

Nascimento: 11 de Março de 1978, em Abidjan, Costa do Marfim. 

Posições: Centroavante e Atacante

Clubes: Le Mans-FRA (1998-2002), Guingamp-FRA (2002-2003), Olympique de Marselha-FRA (2003-2004), Chelsea-ING (2004-2012 e 2014-2015), Shanghai Shenhua-CHN (2012-2013), Galatasaray-TUR (2013-2014), Montreal Impact-CAN (2015-2016) e Phoenix Arizona-EUA (2017-2018).

Principais títulos por clubes: 1 Liga dos Campeões da UEFA (2011-2012), 4 Campeonatos Ingleses (2004-2005, 2005-2006, 2009-2010 e 2014-2015), 4 Copas da Inglaterra (2006-2007, 2008-2009, 2009-2010, 2011-2012), 3 Copas da Liga Inglesa (2004-2005, 2006-2007, 2014-2015) e 2 Supercopas da Inglaterra (2005 e 2009) pelo Chelsea.

1 Campeonato Turco (2012-2013), 1 Copa da Turquia (2013-2014) e 1 Supercopa da Turquia (2013) pelo Galatasaray.

1 Conferência Ocidental do Campeonato Estadunidense (2018) pelo Phoenix Arizona.

Principais títulos individuais e Artilharias:

Artilheiro do Campeonato Inglês: 2006-2007 (20 gols) e 2009-2010 (29 gols)

Maior Assistente do Campeonato Inglês: 2005-2006 (11 assistências)

Maior Artilheiro da história da seleção da Costa do Marfim: 65 gols em 105 jogos

Futebolista Africano do Ano: 2006 e 2009

Futebolista Africano do Ano da BBC: 2009

Eleito para o Time do Ano da CAF: 2005, 2006, 2009 e 2012

Eleito para o Time do Ano da ESM: 2006-2007

Eleito para o Time do Torneio da Copa Africana de Nações: 2006, 2008 e 2012

Eleito para o Time do Ano da UEFA: 2007

Melhor Jogador da Final da Copa da Inglaterra: 2010

Melhor Jogador da Final da Supercopa da Inglaterra: 2005

Melhor Jogador da Final da Liga dos Campeões da UEFA: 2012

FIFPro World XI: 2007

Prêmio Tributo da FWA: 2015

Golden Foot: 2013

Onze d’Or: 2004

Onze de Bronze: 2007

UEFA President’s Award: 2020

Eleito para o Time dos Sonhos da África da IFFHS: 2021

Jogador Africano com maior número de assistências da história da Premier League: 54 assistências

Jogador Africano com maior número de gols em competições da UEFA na história: 50 gols

Jogador Africano com maior número de gols na Liga dos Campeões da UEFA na história: 44 gols

Único jogador a marcar gols em 4 finais de Copa da Inglaterra na história

Único jogador a marcar gols em 3 finais de Copa da Liga Inglesa na história

 

“Rei Marfinense”

Por Guilherme Diniz

 

Ele deixou a maior e mais populosa cidade da Costa do Marfim para tentar a sorte no futebol francês. Por lá, começou a se destacar até chegar ao Olympique de Marselha. Embora não tenha vencido títulos, provou seu talento e chamou a atenção do Chelsea, para onde foi em 2004. Daquele ano em diante, o marfinense se transformou em um dos mais perigosos e letais atacantes do futebol mundial. Com uma força estrondosa, raro atacante que causava medo nos defensores (medo mesmo!), enorme oportunismo, senso de colocação, chutes potentes e perigosíssimo no jogo aéreo com seus 1,88m de altura, se transformou em um ídolo eterno da torcida e símbolo de uma era em Stamford Bridge. 

Foi o herói de jogos tidos como perdidos. De decisões épicas. E da primeira e inesquecível Liga dos Campeões da UEFA conquistada pelos Blues, em 2012. Foi um rei que marcou 164 gols em 381 jogos vestindo a camisa azul. E, se não levantou uma taça com sua seleção, fez dela uma das mais fortes do mundo nos anos 2000. Didier Yves Drogba Tébily, mais conhecido como Didier Drogba, foi sem dúvida alguma um dos mais talentosos e importantes atacantes do futebol no século XXI e uma figura marcante no esporte dentro e fora de campo. Sempre fiel às suas origens, preocupado com causas sociais e engajado, Drogba sempre foi diferente e virou um ícone incontestável no futebol. É hora de relembrar.

 

Da solidão ao futebol

Drogba nasceu em Abidjan, a capital econômica da Costa do Marfim e mais importante cidade do país. Membro do grupo étnico Bété, que reúne pouco mais de três milhões de pessoas, Drogba acabou vivendo pouco em seu país por conta da influência de seu tio, Michel Goba, futebolista que persuadiu os pais de Drogba para que deixassem o garoto viver com ele na França, onde as oportunidades de vida seriam melhores. Acontece que isso aconteceu no começo dos anos 1980, quando Drogba tinha apenas cinco anos de idade (!). O jovem foi enviado para a capital francesa sozinho, pois os pais só tinham condições de pagar a passagem do filho.

 

“Lembro-me muito claramente que tive de viajar sozinho, tinha apenas cinco anos. Lembro-me de ter uma coisa pendurada no pescoço, uma etiqueta dizendo qual era meu nome e a aeromoça cuidando de mim. Foi muito, muito difícil”, comentou Drogba em entrevista ao The Observer (UK), 04 de fevereiro de 2007.

 

Longe dos pais em um momento tão crucial de sua vida, Drogba chorava todos os dias por conta dessa distância. Mesmo com seu tio fazendo o papel de figura paterna, era difícil viver daquele jeito. Três anos depois, Drogba adoeceu e voltou para a Costa do Marfim, onde permaneceu por um período, se recuperou e encontrou no futebol a alegria que precisava. O garoto jogava bola todos os dias em um estacionamento perto de casa até seus pais perderem o emprego diante da grave crise econômica que acometeu os marfinenses na época. Com isso, Drogba voltou a viver com Michel Goba na França e o acompanhou por várias cidades por conta das mudanças de clubes do tio. Em 1991, os pais de Drogba também foram até o território francês – primeiro em Vannes, e, em 1993, em Antony, subúrbio de Paris, local onde Drogba pôde voltar a viver com seus pais e irmãos – mas não antes de “ficar de castigo” e ir morar com um primo durante um ano em Poitiers (na região oeste da França, próximo a Nantes) após ir mal na escola e repetir de ano (ele ficou proibido de jogar futebol pelos pais nesse período). 

Drogba, pelo Le Mans: início profissional só aconteceu aos 21 anos.

 

Àquela altura, Drogba já tinha no futebol a esperança de um futuro melhor. Com o apoio do tio, conseguiu encontrar inclusive a posição ideal para sua carreira: a de atacante. Certa vez, Michel Goba viu que Drogba atuava como lateral-direito e disse ao sobrinho: “o que você está fazendo aí atrás? Vá para a frente! No futebol, as pessoas só olham para os atacantes!”. 

Após breves passagens por Tourcoing, Abbeville e Vannes, Drogba se destacou no Levallois, onde começou a construir sua reputação de prolífico goleador. No entanto, quando foi para o time principal aos 18 anos, o jovem não convenceu o treinador e acabou deixando a equipe. Após concluir os estudos, o marfinense pensou em um plano B e se mudou para Le Mans, onde começou a estudar contabilidade. Mas o esporte não saiu do cotidiano de Drogba, que tentou a sorte no Le Mans FC, onde enfrentou dificuldades com a agenda de treinos puxada e as lesões. Já com 21 anos, ele ainda não tinha a sequência desejada para um jogador profissional. E precisava urgente de uma chance. Caso contrário, sua carreira nem sequer iria começar.

 

Enfim, profissional

Pelo Guingamp, Drogba despontou de vez para o futebol.

 

Só em 1999 que Drogba assinou seu primeiro contrato profissional, com o Le Mans, e pôde iniciar em definitivo sua carreira. No mesmo ano, ele e sua esposa, Alla, tiveram o primeiro filho, o que significou um ponto de virada na vida do jogador, que passou a se dedicar mais e prosperar. Em sua primeira temporada completa, Drogba marcou sete gols em 30 jogos, pouco para um atacante, mas lembrando que ele muitas vezes ficava no banco de reservas. Depois de sofrer uma lesão durante a época 2000-2001, ele voltou em 2001-2002 e marcou cinco gols em 21 jogos, o que despertou o interesse do técnico no Guingamp, Guy Lacombe, que viu potencial no marfinense e achava um desperdício ele jogar na segunda divisão e ficar a maioria das vezes no banco de reservas.

Drogba e Malouda: dupla de peso do clube da Bretanha.

 

Após o pagamento de 80 mil libras, o Guingamp contratou Drogba e o técnico Lacombe fez questão de colocar o marfinense em vários jogos. Contratado no meio da temporada 2001-2002, Drogba fez 11 jogos e marcou três gols, retrospecto ainda pouco convincente. Mas o marfinense provou que precisava de confiança e de mais sequência para brilhar. E o principal: ele gostava mesmo de jogar contra grandes equipes. Na temporada 2002-2003, Drogba marcou 17 gols em 34 jogos da Ligue 1 e ajudou o Guingamp a alcançar a 7ª colocação, posição histórica para o clube da Bretanha. Muitos dos gols de Drogba vieram graças à parceria com seu amigo Florent Malouda. O grande jogo de Drogba na temporada foi no empate em 3 a 3 contra o então campeão Lyon. Perdendo por 3 a 1, o Guingamp conseguiu o empate nos 20 minutos finais graças a um gol do marfinense, que entrou no segundo tempo para provar que não podia ficar no banco. Após uma temporada tão marcante, Drogba chamou a atenção do Olympique de Marselha, que contratou o atacante por pouco mais de 3,3 milhões de libras!

 

Passagem relâmpago e histórica

Vestir a camisa do Olympique foi um sonho realizado por Drogba. Ele sempre ouviu as histórias do clube sulista e viveu sua adolescência acompanhando o grande esquadrão do início dos anos 1990, que levantou a Liga dos Campeões da UEFA de 1992-1993, até hoje a única conquistada por um clube francês na história. Por tudo isso, o atacante não desapontou e fez uma temporada marcante com a camisa azul e branca. Foram 19 gols em 35 jogos na Ligue 1, cinco gols na Liga dos Campeões e outros seis gols na Copa da UEFA, competição que o Olympique chegou até a final, mas acabou perdendo para o forte Valencia de Cañizares, Ayala, Carboni, Vicente, Aimar e Sissoko. Durante a campanha continental, Drogba marcou gols em todas as etapas eliminatórias (exceto na final, vencida pelo Valencia por 2 a 0), ajudando o Marselha a eliminar Dnipro-UCR, Liverpool-ING, Inter de Milão-ITA e Newcastle United -ING. 

Mesmo sem títulos, Drogba virou um ídolo instantâneo do fanático torcedor do Marselha e anotou 32 gols na temporada. Tantos gols e tanta imponência despertaram o interesse de um clube que nadava em dinheiro na época e causava o terror nas janelas de transferências: o Chelsea de Roman Abramovich. Com isso, em 2004, o clube inglês pagou 24 milhões de libras e levou Drogba para Stamford Bridge. Mal sabia o marfinense que começaria a melhor e mais fantástica fase de sua carreira.

 

O homem das finais

Embora tenha sofrido uma lesão que o tirou de vários jogos por dois meses, a temporada 2004-2005 foi próspera para Didier Drogba. O craque marcou 16 gols em 41 jogos, sendo 10 em 26 jogos da campanha do título do Campeonato Inglês – o primeiro conquistado pelo Chelsea depois de 50 anos. Drogba deixou sua marca, também, na final da Copa da Liga Inglesa, quando fez o gol da virada na vitória por 3 a 2 sobre o Liverpool, em Cardiff, diante de 78 mil pessoas. Na temporada 2005-2006, Drogba começou com o pé-direito ao anotar os dois gols da vitória por 2 a 1 do Chelsea sobre o Arsenal na final da Supercopa da Inglaterra. O marfinense teria uma temporada mais regular e sem lesões, o que contribuiu para mais 16 gols em 41 jogos. Sob o comando de José Mourinho, o Chelsea venceu mais uma vez o título inglês e Drogba virou um dos “senadores” dos Blues, ao lado de Frank Lampard e John Terry. Por mais que o time fosse bastante coletivo e tivesse alternativas no banco de reservas para suprir a ausência de um ou outro titular, esse trio tinha uma certa proteção de Mourinho na época pela qualidade e presença dentro e fora dos gramados, além da representatividade de ambos para o time e para a torcida.

O número de gols de Drogba aumentou ainda mais na temporada 2006-2007, quando o craque marcou 20 gols em 36 jogos na Premier League e totalizou 33 gols em 60 jogos, seu primeiro recorde pessoal na carreira e o primeiro jogador do Chelsea desde Kerry Dixon, em 1984-1985, a superar a marca de 30 gols em uma só temporada! Na Premier League, os Blues venceram oito, perderam um e empataram outro nos 10 primeiros jogos da competição, mas o excesso de empates ao longo da temporada acabou minando as chances de título. A zaga foi outra vez o destaque do time – apenas 24 gols sofridos em 38 jogos, além de uma série de oito partidas sem levar gols -, mas o campeão foi mesmo o Manchester United, que terminou com 89 pontos, seis à frente dos Blues. O Chelsea foi a equipe que menos perdeu no campeonato – apenas três derrotas – mas acumulou 11 empates, cruciais para o caneco ficar com Alex Ferguson e companhia, que venceram quatro jogos a mais.

Didier Drogba, enfim, foi o artilheiro do torneio com 20 gols e vários deles golaços, como o da vitória sobre o Liverpool em setembro de 2006, quando matou no peito e emendou um lindo voleio sem chance alguma para o goleiro Reina. Mas se os gols do marfinense não garantiram a coroa no Campeonato, eles iriam garantir outras duas taças… A primeira glória foi a Copa da Liga Inglesa, que veio após vitória por 2 a 1 sobre o Arsenal, com dois gols de Drogba, decisivo como sempre. Tempo depois, veio a glória na Copa da Inglaterra, com triunfo por 1 a 0 sobre o Manchester United e gol de Drogba, na prorrogação, nos minutos finais, na primeira final de Copa da Inglaterra do novo Wembley, tomado por quase 90 mil pessoas. Para coroar um ano mágico, Drogba foi eleito o Futebolista Africano do Ano pela primeira vez na carreira.

Os gols do marfinense, além de garantirem os títulos, fizeram dele o primeiro jogador a marcar em ambas as finais de copas nacionais na Inglaterra em uma temporada e vencer as duas. Ele já estava consagrado como um dos mais prolíficos atacantes do mundo na época. Mas a característica principal do marfinense era o medo que ele impunha nos rivais, algo que poucos atacantes conseguiam. O ex-goleiro do Everton Tim Howard disse certa vez que Drogba foi o atacante mais terrível que ele enfrentou no “mano a mano”. O defensor francês William Gallas comentou também que seu parceiro no Arsenal, Senderos, entrava em pânico quando sabia que iria enfrentar Drogba, notável carrasco dos Gunners, afinal, o marfinense marcou 13 gols em 15 jogos contra o rival vestindo o manto azul. Frank Lampard, ídolo dos Blues, comentou sobre o companheiro.

 

“No vestiário, antes de um grande jogo, era um Didier diferente, ele era como um animal. A preparação dele, a intensidade no olhar dele, ali ele sempre produzia.”Frank Lampard, em entrevista à BBC (UK), 02 de abril de 2019.

 

Com Drogba, o Chelsea não precisava jogar com dois atacantes. Ele sozinho já causava estragos e pânico nas defesas rivais.

 

Unindo uma nação

Em 2005, Drogba conseguiu marcar seu nome na história da Costa do Marfim não só jogando futebol, mas também com palavras. Após ajudar a seleção a se classificar para uma Copa do Mundo pela primeira vez, no triunfo sobre o Sudão, o craque convocou as emissoras de TV até os vestiários dos Elefantes para fazer um discurso. Sabendo de sua popularidade, Drogba fez um emocionante apelo para que a Primeira Guerra Civil da Costa do Marfim, que assolava o país desde 2002, terminasse e que houvesse um cessar-fogo pelo menos no ano de 2006, para que as eleições pudessem acontecer sem problemas. Ele e seus companheiros de time se ajoelharam frente às câmeras pedindo o fim do conflito, provando que a união poderia levar a coisas melhores – demonstrando a classificação de Costa do Marfim para a Copa do Mundo como exemplo.

Veja abaixo:

As palavras da estrela tiveram efeito e as votações ocorreram sem derramamento de sangue. Em 2007, a guerra acabou. Foi uma atitude louvável e que provou a importância de Drogba para seu país na época e o poder que o futebol pode exercer em determinadas situações. Na Copa, a Costa do Marfim acabou caindo no “grupo da morte” ao lado de Sérvia e Montenegro, Argentina e Holanda e foi eliminada já na fase de grupos. Drogba marcou o primeiro gol do país em Mundiais, contra a Argentina, mas os sul-americanos venceram por 2 a 1. No duelo seguinte, a Holanda bateu os Elefantes por 2 a 1 e Drogba acabou de fora do último jogo por ter levado dois cartões amarelos. Do banco de reservas, ele viu seus companheiros saírem atrás do placar diante da Sérvia e Montenegro e virarem para 3 a 2, encerrando de maneira digna o Mundial.

 

Pela seleção, Drogba acabou não conquistando títulos. Ele chegou perto em 2006, mas Costa do Marfim perdeu a Copa Africana de Nações nos pênaltis para o anfitrião Egito. E, em 2012, outra vez derrota nos pênaltis, dessa vez diante da Zâmbia. Mesmo sem títulos, ele é até hoje o maior artilheiro da história da seleção com 65 gols em 105 jogos.

 

Sede por gols e recordes

As temporadas 2007-2008 e 2008-2009 não foram muito boas para Drogba. Na primeira, o atacante marcou seis gols e ajudou o Chelsea a alcançar sua primeira final de Liga dos Campeões da UEFA, mas os Blues perderam a taça nos pênaltis diante do Manchester United. Na prorrogação, Drogba acabou expulso e não pôde ser um dos batedores na marca da cal – no lugar dele, o francês Anelka acabou desperdiçando um dos chutes. Ele ainda deixou sua marca em mais uma final – da Copa da Liga Inglesa, mas o Chelsea perdeu o título para o Tottenham por 2 a 1.

Na época seguinte, o atacante sofreu com problemas no joelho e perdeu alguns jogos, além de ser preterido pelo técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari, que escalou Anelka em algumas partidas e deixou o marfinense no banco. Após a saída de Scolari, Drogba voltou ao time titular e foi mais uma vez decisivo na final da Copa da Inglaterra, quando marcou um gol na vitória de virada por 2 a 1 sobre o Everton e faturou mais um título pelos Blues. O troféu inspirou Drogba a alcançar a mais estrondosa temporada da carreira em termos de gols, a época 2009-2010. 

Foto: Darren Walsh/Chelsea FC via Getty Images).

 

Foram 29 gols em 32 jogos na Premier League, um desempenho espetacular que obviamente ajudou os Blues a venceram o troféu. Ele anotou ainda oito gols nas outras competições e totalizou 37 gols em 44 jogos, superando sua marca de 2006-2007. O “homem das finais” ainda marcou o gol do título da Copa da Inglaterra, no triunfo por 1 a 0 sobre o Portsmouth, alçando o recorde pessoal de marcar gols em todas as seis finais de copas domésticas disputadas na carreira. Drogba ainda faturou entre 2009 e 2010 os prêmios de Futebolista Africano do Ano da CAF e da BBC (2009), foi o Man of the Match da final da Copa da Inglaterra (2010), ganhou a Chuteira de Ouro da Premier League (2010) e entrou no Time do Ano da PFA (2010).

 

A maior glória

Depois de passar em branco a temporada 2010-2011, Drogba teria na época 2011-2012 as maiores alegrias da carreira. No âmbito nacional, o craque mais uma vez deixou sua marca no estádio de Wembley em uma final e ajudou o Chelsea a vencer a Copa da Inglaterra na vitória por 2 a 1 sobre o Liverpool. E, no âmbito continental, o craque marcou três gols na fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA, outro nos 4 a 1 sobre o Napoli-ITA nas oitavas de final, e o gol da vitória sobre o poderoso Barcelona de Guardiola por 1 a 0 em Stamford Bridge,  resultado que possibilitou o time londrino a se classificar para a final após empate em 2 a 2 no Camp Nou.

A decisão seria um teste e tanto para o Chelsea. A equipe iria enfrentar o Bayern München em plena Allianz Arena, em Munique. A tática dos ingleses era jogar no contra-ataque, no erro do adversário e na ansiedade do rival. A obrigação era toda deles. Eles que jogavam em casa. O Chelsea era a “zebra”. Mas foi muito astuto. Passou o jogo inteiro à espera de uma bola. O Bayern atacava e atacava, mas a pontaria de seus jogadores era uma desgraça só (para se ter uma ideia, ao final do jogo e do tempo extra, eles deram 35 chutes a gol e apenas sete foram no alvo!). Até que, já perto do final da partida, o Bayern abriu o placar. E forçou o Chelsea a ir pra cima. Só que tudo estava a favor dos alemães: time embalado, torcida fervorosa e plena na Allianz Arena e 1 a 0 no placar com um gol perto dos minutos finais. A festa bávara era questão de tempo. Só que esqueceram de avisar o Chelsea… E Drogba. 

 

Aos 43’, Juan Mata foi para a cobrança de escanteio. O meia cobrou para a área. Vários jogadores estavam dispostos a marcar o gol do empate e da sobrevida. Lampard poderia ir nela. Mas, antes de subir, ele ouviu: “Minha!!”. O capitão saiu do caminho. Quem apareceu? Didier Drogba. Como um ser dominante da área, uma força da natureza, o marfinense cabeceou sem qualquer rival capaz de atrapalhá-lo e mandou a bola para o fundo do gol. Era o empate. Na comemoração, Drogba se emocionou. Não tinha como esconder o choro em um momento como aquele. A glória europeia, o sonho de garoto, estavam vivos. Tinha que ser dele o empate. Mas ainda havia a prorrogação.

Nela, o Chelsea voltou à tática da bola única. E, enquanto os atacantes estavam lá atrás ajudando na marcação, Drogba, o herói do empate e que ainda mantinha viva a chama do título, cometeu pênalti em Ribery. Herói no jogo, vilão no tempo extra? Não. Robben chutou e Cech defendeu. A zica ainda pairava sobre o holandês. E os astros realmente estavam com os ingleses. Nos pênaltis, Mata perdeu a primeira cobrança dos Blues e reacendeu a esperança bávara. Mas Olic desperdiçou o quarto chute. Schweinsteiger também errou o seguinte. E, no último chute do Chelsea, Drogba – tinha que ser ele – marcou o gol da vitória por 4 a 3 e do inédito título da equipe londrina. De partida marcada para o futebol chinês na época, o marfinense podia ir com o dever cumprido. Ele já estava na história do Chelsea. E da Liga dos Campeões da UEFA. Anos depois, em sua rede social, Drogba comentou sobre aquela final.

 

“Os donos da casa abriram o placar faltando oito minutos para acabar e antes de eu recolocar a bola em jogo estava completamente desolado. Um jovem Juan Mata então disse para mim ‘acredite, Didi, você tem que acreditar’. Segurando as lágrimas, respondi após olhar o relógio, ‘acreditar no que? Está quase acabado. Vou chorar como há uns meses quando perdi a final (da Copa Africana de Nações de 2012) com a Costa do Marfim”. Último minuto, último escanteio. Digo, nosso primeiro contra 18 escanteios do Bayern. Adivinhem quem cobrou… Juan Mata. O resto é história. A lição é: acreditem sempre”.

 

Drogba foi o mais requisitado pelos jornalistas após o título. Ele e a Velhinha Orelhuda não se desgrudaram. E o craque provou em mais uma final que tinha estrela. Da solidão da infância à multidão na glória. Era o auge de uma lenda do futebol.

 

Da China à idolatria no Bósforo

Após anunciar que não iria renovar seu contrato com o Chelsea em maio de 2012, Drogba foi jogar no futebol chinês, ao lado do ex-companheiro Anelka. Vestindo a camisa do Shanghai Shenhua, o marfinense ficou até o começo de 2013, disputou 11 jogos e marcou oito gols. Em janeiro de 2013, o craque voltou ao continente europeu para jogar no Galatasaray-TUR, causando furor na fanática torcida dos leões do Bósforo. Jogando ao lado do compatriota Eboué e do holandês Wesley Sneijder, Drogba viveu bons momentos no time turco e faturou o título do Campeonato Turco de 2012-2013 e, claro, provou sua estrela em finais ao anotar o gol do título da Supercopa da Turquia de 2013, contra o rival Fenerbahçe. Foi a vingança de Drogba meses após os cânticos racistas que a torcida do Fener evocou contra ele e Eboué, em um clássico disputado em maio daquele ano.

Na temporada 2013-2014, Drogba levantou a Copa da Turquia e terminou a época com 14 gols em 36 jogos. O atacante chegou a enfrentar seu ex-clube, o Chelsea, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da UEFA. O duelo foi bastante emotivo pelo fato de os Blues terem no comando José Mourinho, amigo de Drogba. “É uma relação de amizade. Esses tipos de momentos são especiais, porque eles são muito importantes, preciosos. Ele foi o que me ajudou a tomar minha decisão de vir jogar pelo Chelsea. Ele sempre foi justo comigo. Quando eu merecia jogar, eu jogava, Quando não merecia, não jogava. É por isso que eu o respeitava muito”, comentou Drogba na época sobre o treinador português.

Torcida do Chelsea fez cartazes para celebrar a visita de Drogba.

 

Craque agradeceu da melhor maneira possível e não marcou gols contra seu ex-clube! Rsrs

 

Na partida de ida, em Istambul, deu empate em 1 a 1 (Drogba não marcou). Na volta, em Stamford Bridge, Drogba foi aplaudido e ovacionado pelos torcedores do Chelsea e recebido com faixas e agradecimentos ao “King”. Talvez sem jeito por tudo aquilo, o marfinense não brilhou e o Chelsea venceu por 2 a 0. 

 

A volta do rei (com títulos!) e aposentadoria

Aquela ida a Londres pela UCL e a permanência de Mourinho para a temporada 2014-2015 motivaram Drogba a retornar ao Chelsea após o término do contrato com o Galatasaray. O atacante assinou um compromisso de um ano e disse que foi uma decisão fácil de tomar não só pelo Chelsea, mas pela presença de Mourinho. Vestindo a camisa 11, Drogba não poderia ter uma volta melhor: foi campeão inglês e da Copa da Liga Inglesa, mas não foi titular absoluto já por conta da idade e concorrência no ataque. Drogba disputou 40 jogos e marcou sete gols.

Na temporada seguinte, o atacante foi jogar no Montreal Impact, pelo qual disputou a Major League Soccer e teve a oportunidade de enfrentar várias estrelas como Andrea Pirlo, David Beckham, Kaká, David Villa e companhia. Em 2015, foram 12 gols em 14 jogos e, em 2016, 11 gols em 27 jogos, desempenhos que renderam ao atacante mais prêmios individuais, incluindo presença no MLS All-Star de 2016. Após uma breve passagem pelo Phoenix Rising-EUA, Drogba anunciou sua aposentadoria em 2018, aos 40 anos.

 

Para sempre o rei marfinense

Drogba em um jogo beneficente, em 2021, vestindo a camisa do OM: marfinense marcou três gols…

 

Após pendurar as chuteiras, Drogba segue no mundo esportivo participando de eventos e na ativa de causas sociais e filantropia. Idolatrado pela torcida do Chelsea, ele é lembrado até hoje nas arquibancadas com cartazes e faixas em alusão aos seus feitos. Drogba foi um dos maiores atacantes de seu tempo e é um dos maiores do futebol africano em todos os tempos, ao lado de George Weah, Roger Milla, Samuel Eto’o, Abedi Pelé e Mohamed Salah. Com recordes, títulos e gols históricos, Didier Drogba entrou para sempre na história do futebol como um legítimo rei. The King de Stamford Bridge. Um craque imortal.

 

 

Números de destaque:

É o 4º maior artilheiro da história do Chelsea com 164 gols em 381 jogos.

Marcou 297 gols em 679 jogos na carreira.

Drogba disputou na carreira 17 finais por clubes. Marcou 12 gols em 10 finais. E venceu 11 finais das 17 disputadas.

 

Leia mais sobre o Chelsea 2004-2007 clicando aqui!

 

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2 Comentários

  1. O Didier Drogba merecia, sim, estar entre os craques imortais do site! O que ele fez nos gramados (principalmente pelo Chelsea) foi coisa de gigante! De um legítimo Imortal! E eu também acho que ele é o maior jogador da Costa do Marfim de todos os tempos! Só não brilhou em Copa do Mundo por azar da seleção marfinense cair em grupos com adversários linha dura!

    Soube que o Imortais do Futebol está celebrando 10 anos de existência e não podia deixar de prestigiar! Abraço e que tenha muitos anos de vida!

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