- Data: 3 de abril de 2016.
- Competição: Campeonato Paulista, 14ª rodada da primeira fase.
- Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo.
- Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza.
- Público: 22.663 presentes, sendo 21.219 pagantes.
- Palmeiras: Fernando Prass, Jean, Thiago Martins, Vitor Hugo, Egídio, Gabriel (Thiago Santos), Arouca (Lucas), Robinho (Dudu), Zé Roberto, Gabriel Jesus e Alecsandro. Técnico: Cuca.
- Corinthians: Cássio, Fagner, Felipe, Yago, Uendel, Bruno Henrique, Elias (Maycon), Giovanni Augusto, Guilherme (Romero), Lucca (Danilo) e André. Técnico: Tite
- Placar: Palmeiras 1 x 0 Corinthians.
- Gol: Dudu, aos 32 minutos do segundo tempo.
Lucca tinha a chance de colocar o Corinthians em vantagem. Fernando Prass tinha um canto para escolher e uma defesa para fazer. O goleiro levou a melhor. Pouco depois, Dudu apareceu entre os defensores e Cássio para marcar de cabeça. Em poucos minutos, um clássico amarrado ganhou os dois lances que definiriam sua história.
Com Palmeiras x Corinthians marcado para 11 de outubro pelo Brasileirão, vale voltar à tarde de 3 de abril de 2016. Naquele domingo, o Pacaembu recebeu um dérbi em que a pressão estava concentrada no lado alviverde. A vitória por 1 a 0 trouxe alívio na tabela e encerrou um longo jejum naquele estádio.
O reencontro também renova o interesse pelo retrospecto e pela fase recente dos rivais. Informações reunidas na APWin mostram um Palmeiras em alta, brigando pelo título, e um Corinthians em queda, lutando para não entrar na zona do rebaixamento.
Para o clássico de 11 de outubro, pela 30ª rodada do Brasileirão, os palpites de futebol podem complementar a consulta ao retrospecto com uma análise do momento das equipes.
Entre tantos capítulos dessa disputa, o de abril de 2016 ajuda a entender por que uma vitória magra pode ocupar tanto espaço na memória de uma torcida.
Sumário
Pré-jogo: um Palmeiras pressionado diante do líder
O Palmeiras ainda procurava se acertar com Cuca. A goleada sofrida diante do Água Santa, por 4 a 1, estava fresca na memória. O triunfo por 3 a 0 sobre o Rio Claro, na rodada anterior, havia interrompido a sequência ruim, mas a classificação para o mata-mata continuava ameaçada.
Do outro lado, Tite comandava o dono da melhor campanha do Paulistão. O Corinthians chegava com 32 pontos e vaga assegurada nas quartas de final. Para o Palmeiras, com 18, cada ponto fazia falta na disputa do Grupo B.
Havia ainda o peso do endereço. Desde setembro de 1995, quando vencera por 2 a 0 pelo Brasileirão, o time alviverde não derrotava o Corinthians no Pacaembu. Eram 13 encontros de espera, com sete vitórias corintianas e seis empates.
O tabu atravessava gerações de jogadores. Naquela tarde, sua continuidade dependia de um Corinthians mais confortável na competição e de um Palmeiras que precisava reagir.
Primeiro tempo: Gabriel Jesus acelera, Cássio responde
O Palmeiras começou tentando dificultar a saída de bola corintiana. Logo no primeiro minuto, Gabriel Jesus recuperou a posse e encontrou Jean pela direita. A finalização passou por cima, mas a jogada mostrava o caminho escolhido por Cuca.
Jesus se movimentava, atacava os espaços e oferecia uma saída para acelerar o jogo. Em uma das melhores oportunidades da etapa inicial, recebeu lançamento de Robinho e bateu forte. Cássio espalmou para escanteio.
O Corinthians respondeu com Lucca, servido após uma jogada de Giovanni Augusto. O chute saiu. As oportunidades, porém, apareciam com pouca frequência. Havia muita disputa no meio-campo e dificuldade para transformar a posse em chances claras.
Até Prass tentou surpreender Cássio com uma finalização de longe, ao perceber o adversário adiantado. O goleiro corintiano se recuperou. O intervalo chegou com o placar zerado e o clássico ainda à espera de alguém que encontrasse uma brecha.
Segundo tempo: a defesa de Prass muda o ambiente
Na volta, Cássio voltou a impedir o gol palmeirense. Gabriel Jesus avançou pela esquerda e encontrou Alecsandro, que finalizou de perto. O goleiro reagiu a tempo e manteve o empate.
Cuca colocou Dudu no lugar de Robinho. O atacante, recuperado de lesão, entrou com a tarefa de dar outra opção ao ataque. O Palmeiras encontrava dificuldades para concluir as jogadas, enquanto o Corinthians teve a oportunidade de mudar completamente a partida.

Ela apareceu quando Thiago Martins derrubou Giovanni Augusto na área. Pênalti. Lucca assumiu a cobrança diante de um Prass que já havia sido decisivo contra o próprio Corinthians na semifinal paulista de 2015.
O atacante bateu no canto direito do goleiro. Prass saltou e espalmou. O Pacaembu reagiu como se o Palmeiras tivesse marcado.
O zero continuava no placar. A arquibancada, porém, já comemorava a defesa que mantinha a vitória ao alcance.
Dudu aparece e encerra o tabu no Pacaembu
A resposta veio logo depois, aos 32 minutos. Uma cobrança de falta levou a bola à área corintiana. Zé Roberto desviou, Cássio saiu sem conseguir interceptar e Dudu chegou antes para cabecear. Palmeiras 1 a 0.
O jogador que começou entre os reservas acabava de aproveitar a chance que faltava aos titulares. Cássio, responsável por defesas importantes durante o jogo, viu uma saída mal sucedida decidir o clássico.
Ainda houve espaço para outro lance de Dudu. O atacante entrou na área e finalizou por baixo do goleiro. Gabriel Jesus, em posição de impedimento, tocou na bola antes dela entrar, e o gol foi anulado.
A vantagem mínima resistiu até o fim. Depois de 13 dérbis sem vencer o Corinthians naquele estádio, o Palmeiras finalmente podia comemorar no Pacaembu.
Pós-jogo: alívio para Cuca e uma lembrança duradoura
O resultado levou o Palmeiras aos 21 pontos e à liderança do Grupo B. A classificação ainda precisava ser confirmada na última rodada, mas a equipe deixava o clássico em uma situação melhor. O Corinthians permaneceu com 32 pontos e sofreu sua segunda derrota no campeonato.
Os dois clubes acabaram eliminados nas semifinais daquele Paulistão, o Palmeiras pelo Santos e o Corinthians pelo Audax, ambos nos pênaltis. Meses depois, porém, o time de Cuca conquistaria o Campeonato Brasileiro.
Na lembrança daquele domingo, ficaram o salto de Prass e a cabeçada de Dudu. Dois lances separados por poucos minutos encerraram uma espera que vinha desde 1995. É esse contraste entre a rapidez da decisão e o tamanho do jejum que dá ao dérbi de abril de 2016 seu lugar na história.



