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Craque Imortal – Wayne Rooney

Nascimento: 24 de outubro de 1985, em Liverpool, Inglaterra.

Posição: Atacante

Clubes: Everton-ING (2002-2004 e 2017-2018), Manchester United-ING (2004-2017), DC United-EUA (2018-2019) e Derby County-ING (2020-2021).

Principais títulos por clubes: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2008), 1 Liga dos Campeões da UEFA (2007-2008), 1 Liga Europa da UEFA (2016-2017), 5 Campeonatos Ingleses (2006-2007, 2007-2008, 2008-2009, 2010-2011 e 2012-2013), 1 Copa da Inglaterra (2015-2016), 3 Copas da Liga Inglesa (2005-2006, 2009-2010 e 2016-2017) e 4 Supercopas da Inglaterra (2007, 2010, 2011 e 2016) pelo Manchester United.

Principais títulos individuais e Artilharias:

  • Maior Artilheiro da história do Manchester United: 253 gols
  • Maior Artilheiro do Manchester United em competições da UEFA: 39 gols
  • 2º Maior Artilheiro da história da seleção da Inglaterra: 53 gols em 120 jogos
  • 3º Maior Artilheiro da História da Premier League: 208 gols em 491 jogos
  • Maior Artilheiro do Derby de Manchester: 11 gols
  • 4º Maior Assistente da História da Premier League: 103 assistências em 491 jogos
  • Jogador do Ano da PFA: 2009-2010
  • Eleito para o Time do Ano da PFA: 2005-2006, 2009-2010, 2011-2012
  • Futebolista do Ano da FWA: 2009-2010
  • Personalidade Jovem do Ano da BBC: 2002
  • Bravo Award: 2003
  • Golden Boy Award: 2004
  • Jogador do Ano da Premier League: 2009-2010
  • FIFA FIFPro World XI: 2011
  • Melhor Jogador do Mundial de Clubes da FIFA: 2008
  • Eleito para o All-Star Team da Eurocopa: 2004
  • FWA Tribute Award: 2017
  • Eleito para o Time do Ano da MLS: 2018 e 2019
  • Eleito para o Hall da Fama da Premier League: 2022
  • Globe Soccer Awards: 2022
 

“Wazza dos gols!”

Por Guilherme Diniz

Ao longo das décadas, ver a lista de maiores artilheiros do Manchester United e da seleção inglesa era ver craques únicos e com números tidos como insuperáveis. Do lado dos Red Devils, os primeiros cinco nomes eram simplesmente Bobby Charlton (249), Denis Law (237), Jack Rowley (211), Dennis Violet (179) e George Best (179). Na seleção inglesa, o Top 5 era composto por Bobby Charlton (49), Gary Lineker (48), Jimmy Greaves (44), Michael Owen (40) e Alan Shearer (30). Claro que alguns recordes eram possíveis de serem superados, mas ninguém imaginava que um só homem pudesse pulverizar todos eles. Wayne Mark Rooney, ou simplesmente Wayne Rooney, se transformou nos anos 2000 e 2010 no maior artilheiro inglês e referência de tempos encantadores em Old Trafford. 

Longe do estereotipo dos atacantes ingleses, Rooney tinha na velocidade, na força dos arremates e na versatilidade como algumas de suas muitas qualidades em campo. Além de marcar muitos gols, ele também os concedia aos companheiros, o que fez dele um dos maiores garçons da história da Premier League com mais de uma centena de passes. Claro que seu temperamento forte o levou a muitas suspensões, mas ele sempre compensou a ira com gols, atuações de gala e títulos que fizeram dele um ídolo em Old Trafford. Só faltou, assim como vários de sua geração, um título pelo English Team. É hora de relembrar a carreira do icônico Wazza. 

Remember that name!

Rooney young

Rooney nasceu em Croxteth, subúrbio de Liverpool, em família de origem irlandesa. Apaixonado por futebol, cresceu como torcedor do Everton, e começou a dar seus primeiros toques na bola entre os 6 e 7 anos no Liverpool Schoolboys, que forma jovens talentos na cidade desde 1887. Com vocação ofensiva, o garoto virou rapidamente um fenômeno ao anotar 72 gols em uma só temporada. Na sequência, foi jogar no Copplehouse Boys’ Club, onde seguiu marcando gols até ser descoberto por um olheiro do Everton, Bob Pendleton, que levou o garoto para Goodison Park quando ele tinha 9 anos. Aos 11, Rooney anotou 114 gols em 29 jogos e começou a subir de categoria mesmo com pouca idade. Para se ter uma ideia, quando tinha 15 anos, Rooney jogava com garotos de 19 anos e dava show!

Rapidamente a fama do jovem começou a sacudir a Inglaterra e a encantar técnicos, de Arsène Wenger a Sven Göran-Eriksson, que disse tempo depois, quando o garoto já debutava na elite do futebol inglês: 

“Não me lembro de ninguém ter causado tanto impacto desde Pelé na Copa do Mundo de 1958… Rooney é absolutamente fantástico, não só por marcar gols, mas também por jogar futebol – ele é um jogador completo.” 

Com apenas 16 anos, Rooney já estava integrado ao elenco principal do Everton e foi sondado pela federação de futebol da Irlanda para defender o país, afinal, pelo fato de seus avós serem irlandeses, ele poderia optar pela nacionalidade, só que tal fato nunca passou pela sua cabeça. 

“Eu tenho avós irlandeses, então, se eles quisessem jogar pela Irlanda, tenho certeza de que poderiam, mas nunca foi algo em que pensei. Nasci na Inglaterra, sou inglês de cabo a rabo”, comentou Rooney anos depois.

Wayne Rooney

Em 2002, o jogador se tornou o segundo mais jovem atleta a estrear pela equipe profissional do Everton na história, com apenas 16 anos, quando deu uma assistência no empate em 2 a 2 contra o Tottenham. Seus primeiros gols vieram logo depois, na vitória por 3 a 0 sobre o Wrexham, na segunda fase da Copa da Liga Inglesa, quando o garoto marcou duas vezes. Cinco dias antes de completar 17 anos, Rooney marcou o gol da vitória (de virada) do Everton sobre o Arsenal por 2 a 1, pela Premier League, encerrando uma série de 30 jogos sem derrotas dos Gunners na época. Ele se tornou naquele dia o mais jovem jogador a marcar um gol na Premier League.

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O gol foi uma síntese do que era Rooney já naquela época: controle de bola espetacular ao recebê-la no canto esquerdo, visão de jogo, classe e força no arremate perfeito no gol de Seaman. Um golaço digno de uma estrela que surgia e encantava. Não foi à toa que o técnico do Arsenal, Arsène Wenger, elogiou assim o garoto no fim do jogo:

“Rooney é o maior talento inglês que vi desde que cheguei à Inglaterra. Certamente não houve nenhum jogador com menos de 20 anos tão bom quanto ele desde que me tornei treinador aqui”.

A fala do francês poderia até soar exagerada, ainda mais com tantos craques surgindo na época no país, mas Rooney realmente se destacava pela qualidade técnica, força e gols, além de se infiltrar com muita facilidade nas defesas rivais. Seu jeito explosivo de condução da bola lembrava um pouco um de seus ídolos no futebol, o brasileiro Ronaldo, inspiração do inglês principalmente pelo que o camisa 9 fez nos anos 1990. Rooney ainda marcou outro lindo gol dias depois, na vitória por 1 a 0 sobre o Leeds, fora de casa, e foi eleito a Personalidade Jovem do Ano de 2002 pela BBC, o que só reforçou a fama do jovem na época.

Ascensão meteórica

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Foto: AFP
 

Após 37 jogos (a grande maioria saindo do banco) e 8 gols em sua primeira temporada, Rooney assinou seu primeiro contrato profissional com o Everton e se tornou um dos jovens mais bem pagos do mundo. Ganhou a partir de 2003 suas primeiras convocações para a seleção inglesa, comandada por Sven-Göran Eriksson, que via nele e em Michael Owen a “dupla perfeita” para o English Team. Rooney estreou pela seleção em fevereiro de 2003, em Londres, na derrota por 3 a 1 para a Austrália, e marcou seu primeiro gol nos 2 a 1 sobre a Macedônia do Norte pelas Eliminatórias da Eurocopa – o tento fez dele o mais jovem a marcar um gol pela Inglaterra na história. Falando em Euro, o jovem ajudou a Inglaterra a se classificar e, em 2004, foi um dos destaques do torneio disputado em Portugal. 

Na fase de grupos, o craque marcou dois gols na vitória por 3 a 0 sobre a Suíça e mais dois nos 4 a 2 sobre a Croácia. Nas quartas de final, a Inglaterra encarou a forte seleção de Portugal e Rooney era a grande esperança de classificação, mas o atacante sofreu uma lesão aos 27’ do primeiro tempo e teve de ser substituído precocemente por Darius Vassell. Sem ele, o English Team perdeu força ofensiva, o jogo terminou 2 a 2 e, nos pênaltis, a Seleção das Quinas venceu por 6 a 5 e seguiu firme até a final – na qual perdeu para a Grécia. Com quatro gols em quatro jogos, Rooney foi eleito para o All-Star Team da Euro daquele ano e se consolidou como um dos principais atacantes do planeta.

Pedaço arrancado do Everton

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Ferguson e Rooney: símbolos de outra era marcante dos Red Devils no futebol. Foto: REUTERS/Simon Bellis
 

A exposição massiva após a Euro e a fama de Rooney obviamente chamaram a atenção dos grandes e endinheirados clubes da Europa, que começaram a fazer contas para tirar o atacante dos Toffees. Tentando se prevenir, o Everton ofereceu um novo contrato de cinco anos ao seu melhor jogador com valores estipulados em 50 mil libras por semana. O problema é que o Everton passava por um momento ruim financeiramente e a diretoria sabia que uma negociação seria muito boa para os cofres do clube, além de Rooney entender que dificilmente ele iria vencer títulos no Goodison Park. Após o Everton rejeitar uma oferta do Newcastle United de 20 milhões de libras, em agosto de 2004 o Manchester United ofereceu os mesmos 20 milhões, além de um extra de 7 milhões.

Sir Alex Ferguson, técnico do United na época, foi decisivo na negociação, prometendo a Rooney um papel central no projeto do United, que vinha de grandes títulos no final dos anos 1990 e queria voltar a ser protagonista diante de um endinheirado Chelsea, que começava a agitar o futebol europeu com um esquadrão fortíssimo e que iria vencer vários troféus. “A idade dele (18 anos) é uma grande vantagem. E o Manchester United não podia se dar ao luxo de perdê-lo”, comentou Ferguson na época. Depois de muita negociação, o United conseguiu fechar um acordo e levou Rooney para Old Trafford. A transferência do craque abalou a torcida do Everton, que começou a ameaçá-lo. Ele revelou os momentos de drama vividos em sua casa tempo depois, à BBC.

“Recebi ameaças de morte. A casa dos meus pais foi vandalizada e destruída. A casa da minha namorada na época, agora minha esposa, também foi pichada. Eu sabia o que queria e sabia como chegar lá. Tive de me manter forte mentalmente. Eram pessoas da minha cidade, por isso foi duro, mas pensei ‘não quero saber’, é preciso ser egoísta e tomar esse tipo de decisão”.

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Foto: Getty Images.
 

Rooney ganhou a camisa 8 em sua apresentação no United, em setembro de 2004, e deixou claro que aquela transferência, por mais dolorida que fosse para os torcedores do Everton, era importante para o futuro dele como futebolista.

“Deixei claro que queria sair do Everton. Assim que soube do interesse do Manchester United, só havia um lugar para onde eu iria. Eu sabia que queria progredir na minha carreira e jogar na Liga dos Campeões da UEFA. Depois da Euro de 2004, decidi que precisava ir para um clube maior. Queria jogar com os grandes jogadores semana após semana. É difícil para os torcedores do Everton porque eu surgi nas categorias de base e eles me consideravam um dos seus. Mas eu queria seguir em frente com a minha carreira”. – Wayne Rooney, em entrevista à BBC (UK), 1º de setembro de 2004.

Impactante!

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Debute de Rooney teve triplete e assistência. Foto: Laurence Griffiths/Getty Images
 

A estreia de Rooney não poderia ser mais perfeita: em uma partida de Liga dos Campeões da UEFA, dentro do Teatro dos Sonhos de Old Trafford, com vitória por goleada, triplete e uma assistência! Isso mesmo! O craque marcou três gols e deu uma assistências na vitória por 6 a 2 do United sobre o Fenerbahçe-TUR. Jogando ao lado de Van Nistelrooy, Rooney viveu uma noite mágica e criou a partir daquele momento uma sintonia única com os torcedores. O primeiro gol foi típico de centroavante, quando recebeu de Nistelrooy em velocidade e chutou alto, de primeira, na saída do goleiro. O segundo veio após receber de fora da área, driblar o marcador e chutar rasteiro, no cantinho. E o terceiro foi de falta, no ângulo do goleiro Rustu. Para completar, deu o passe de cabeça para o gol de Bellion, no final do jogo. 

“Nunca vi uma estreia tão perfeita, e olha que já tenho 50 anos (risos)” – na verdade, ele tinha 63 anos na época – comentou Alex Ferguson após o jogo.

Rápido, insinuante, com chutes poderosos de média e longa distâncias, perito em voleios e em grande forma, Rooney estava apenas começando sua carreira. E, apesar de não conquistar títulos em sua primeira temporada no United, marcou 17 gols em 43 jogos (além de 6 assistências) mesmo não sendo o homem-gol do time – a função era de Van Nistelrooy. O jovem podia jogar em qualquer posição do ataque e ainda mais recuado, como meia. Com enorme senso coletivo, corria demais e era uma peça importantíssima para o jogo de Ferguson. 

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Na temporada seguinte, Rooney aumentou sua contagem de gols e marcou 19 gols em 48 partidas, além de contribuir com 12 passes para gols. Foi nessa temporada que o atacante recebeu seu primeiro cartão vermelho pelos Red Devils, após debochar de uma marcação da arbitragem em duelo contra o Villarreal-ESP pela Liga dos Campeões. Temperamental, Rooney não levava desaforo para casa e costumava receber muitos cartões amarelos, o que acabaria prejudicando algumas sequências do atacante no United.

Por outro lado, ele decidia jogos, como em sua primeira conquista: a Copa da Liga Inglesa de 2005-2006, quando marcou dois gols na final diante do Wigan que terminou 4 a 0 para o United, com os outros gols anotados por Saha e Cristiano Ronaldo, que passou a fazer uma grande parceria com Rooney principalmente a partir daquele ano por conta da Copa do Mundo de 2006.

Shrek e CR7

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Beckham, Cristiano Ronaldo e Rooney no tenso duelo na Copa de 2006.
 

No Mundial de 2006, Rooney mais uma vez foi a esperança do grande time da Inglaterra na Copa, porém, o jogador estava longe de sua melhor forma. Por conta de uma lesão no pé, ele teve que correr contra o tempo para tentar pelo menos jogar a segunda fase do Mundial. Ele conseguiu, mas tempo depois sofreu uma lesão na virilha que teve que ser tratada em silêncio, com fisioterapeutas todos os dias e a ingestão de muitos analgésicos para não sentir dor.

“Não queria dizer nada, porque muita gente tinha trabalhado bastante para me deixar em forma. Não relatei a lesão até o torneio acabar – e ali eu já tinha seis centímetros de rompimento na virilha. Se me encontrasse na mesma posição hoje, eu teria me descartado. Na época, eu tinha 20 anos, era minha primeira Copa do Mundo, e havia muitas expectativas sobre mim.” – Wayne Rooney, em coluna publicada no Times (UK), março de 2020.

Rooney até jogou as partidas da fase de grupos e o duelo contra o Equador, nas oitavas, mas longe do atacante incisivo que era. E, para piorar, nas quartas de final contra Portugal, foi expulso no segundo tempo e viu o time lusitano eliminar o English Team mais uma vez de uma grande competição. O pior é que o cartão vermelho foi “obra” do companheiro Cristiano Ronaldo, que viu quando Rooney pisou em Ricardo Carvalho, no chão, e foi correndo esbravejar com o árbitro pedindo a expulsão do inglês. Horácio Elizondo atendeu o português e expulsou Rooney. Portugal derrotou a Inglaterra nos pênaltis por 3 a 1 após empate sem gols no tempo regulamentar e na prorrogação.

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Foto: Andrew Couldridge/Action Images
 

“Foi uma reação ao árbitro, Horacio Elizondo, não me dar uma falta. Houve uma falta clara, o ex-zagueiro do Chelsea, Ricardo Carvalho, estava me puxando e empurrando, e o Petit veio do outro lado. O Elizondo não fez nada, e aí eu pisei no Carvalho. Foi um daqueles momentos em que você não está pensando. Eu sabia que era um cartão vermelho e, quando fui para o vestiário, assisti ao resto do jogo em uma TV pequena, pensando: ‘Se vencermos, estou suspenso para a semifinal e a final da Copa do Mundo. E, se perdermos, a culpa é minha’. Foi a pior e mais esquisita sensação que já tive no futebol”, comentou Rooney, anos depois, ao Times.

O inglês admitiu que aquela situação o fez se aproximar mais de Cristiano Ronaldo, com o qual ainda não tinha uma relação tão próxima. “Claro que, quando ele correu para pedir que o Elizondo me expulsasse, eu o empurrei. Naquele momento, eu não acreditava no que ele estava fazendo. Porém, no vestiário, tive tempo de me acalmar e pensar. Coloquei-me no lugar do Ronaldo. Eu faria o mesmo? Provavelmente. Ficaria em cima do árbitro para garantir que ele o expulsasse? Se ele merecesse o vermelho, se isso fosse nos ajudar a vencer, sim, sem dúvidas”. 

“Então, eu me acalmei. Fui até ele depois, no túnel. Senti que era importante falar com ele enquanto a coisa toda ainda estava fresca, presencialmente. Ele olhou para mim como se estivesse se desculpando, mas ali eu já estava com a cabeça no United. Disse a ele: ‘não tenho problemas com você. Aproveite o torneio e boa sorte. Vejo você em algumas semanas – e vamos tentar vencer a liga’.”

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CR7 e Rooney: após a Copa, dupla ficou afiada e conduziu o United às glórias. Foto: Getty Images.
 

Tempo depois, a imprensa inglesa tentou apimentar o caso durante todo o verão, mas, no primeiro jogo da nova temporada, o United derrotou o Fulham por 5 a 1. Rooney marcou dois gols e deu uma assistência para Cristiano Ronaldo marcar outro, e tal fato acalmou a mídia. “No vestiário, sempre fomos muito próximos. Sempre éramos nós dois fazendo pegadinhas com o técnico ou com outros jogadores. E o que nos uniu foi justamente o que aconteceu na Copa. Os três anos seguintes foram os nossos melhores como parceiros, nos trazendo três títulos (da Premier League) e a Champions League. Aquele meu cartão vermelho em Gelsenkirchen foi o começo de tudo”, comentou Rooney.

Aliás, foi CR7 quem criou o apelido “Shrek” para Rooney, por conta do rosto largo, traços marcantes e o porte físico atarracado, que lembravam o personagem do filme que fez enorme sucesso no começo dos anos 2000. 

Colecionando títulos e goleador

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Rooney ergue a UCL de 2008. Foto: REUTERS/Darren Staples
 

De fato, após a Copa, a parceria entre Rooney e CR7 rendeu imensos frutos ao Manchester United. Com a dupla afiada, o time inglês fez jogos marcantes e faturou em 2007-2008 os títulos da Liga dos Campeões da UEFA e da Premier League, com Rooney decisivo em ambos. O craque marcou 4 gols e deu uma assistência em 11 jogos na campanha do título europeu e marcou 12 gols e deu 12 assistências em 27 jogos na campanha do título inglês. Meses depois, foi o grande nome da campanha do United no Mundial de Clubes da FIFA, quando marcou dois gols nos 5 a 3 sobre o Gamba Osaka-JAP e fez o gol do título mundial na vitória por 1 a 0 sobre a LDU-EQU. Ele ganhou a Bola de Ouro de melhor jogador da competição.

Nas duas temporadas seguintes, o craque viveu uma de suas fases mais prolíficas da carreira ao anotar 20 gols e dar 13 assistências em 49 jogos e registrar 34 gols e 6 assistências em 44 jogos na temporada 2009-2010. Ele marcou 26 gols em 32 jogos só na Premier League e não foi artilheiro porque a lenda Didier Drogba anotou 29 gols. Nesse período, Rooney venceu mais títulos nacionais, porém, acabou com o vice da Liga dos Campeões da UEFA de 2008-2009, quando o United foi derrotado pelo Barcelona.

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Cristiano Ronaldo, Bola de Prata, e Rooney, Bola de Ouro do Mundial de Clubes da FIFA de 2008. Foto: Acervo / FIFA
 

Entre 2008 e 2009, Rooney brilhou também pela seleção inglesa e foi o artilheiro da equipe nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010 com 9 gols. Nesse período, vestiu a braçadeira de capitão do English Team pela primeira vez na carreira, em amistoso contra o Brasil (derrota por 1 a 0). No Mundial, Rooney, assim como todo o time inglês, não foi bem e a Inglaterra foi eliminada pela Alemanha nas oitavas de final. Ele não marcou gols e foi criticado pela imprensa devido ao baixo rendimento. Foi justamente na temporada 2010-2011, após a Copa, que Rooney teve um número de gols bem menor do que sua época anterior: 16 tentos em 40 jogos. O craque foi campeão mais uma vez da Premier League com o United naquela época, mas perdeu outra UCL para o Barcelona – ele até deixou sua marca na decisão em Wembley, mas os blaugranas venceram por 3 a 1.

A bicicleta eterna e a volta por cima

Ainda na temporada 2010-2011, Rooney presenteou os torcedores com um gol espetacular em um clássico contra o Manchester City, em Old Trafford. Com o placar em 1 a 1, o craque resolveu a partida marcando o gol da vitória assim:

Foi um gol antológico, eleito o gol do ano da BBC, nomeado para o Prêmio Puskás (acabou derrotado pelo gol de Neymar, do Santos, contra o Flamengo) e tido como mais bonito da carreira de Rooney pelo próprio! Alex Ferguson disse na época que foi o gol mais bonito que ele havia visto naquele estádio (e olha que ele viu muitos gols!).

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A bicicleta do craque, em belíssima foto de Darren Staples. Foto: REUTERS/Darren Staples
 

“Assim que chutei, soube que ia entrar e, com certeza, é o melhor gol que já marquei. Foi uma sensação especial. Os torcedores merecem isso de mim, porque não tive a melhor das temporadas”. – Rooney, em entrevista à BBC Sport, 12 de fevereiro de 2011.

Na temporada 2011-2012, Rooney se empenhou em apagar o baixo rendimento da época passada e provou isso em campo. Com 27 gols em 34 jogos na Premier League – atrás apenas de Van Persie, do Arsenal, que marcou 30 gols -, o craque foi o expoente do United na eletrizante briga pelo título com o rival Manchester City. A taça acabou indo para os Citizens em um jogo histórico, mas Rooney conseguiu resgatar o amor dos torcedores com atuações de gala e excelente futebol. Em 43 jogos na temporada, ele marcou 34 gols e deu 8 assistências, uma participação ativa de praticamente um gol por jogo.

Recordes e últimas taças

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Rooney levantou a Liga Europa da UEFA em 2017. Foto: Lee Smith / Reuters.
 

Na época 2012-2013, Rooney ajudou o United a recuperar a coroa na Premier League graças aos seus 12 gols e 10 assistências em 27 jogos disputados. Aquela, porém, foi a última taça nacional do craque vestindo a camisa dos Red Devils. A partir dali, o torneio ficaria restrito aos rivais – em especial o Manchester City – e o United entraria em um período de altos e baixos por conta da saída de Alex Ferguson depois de décadas de sucesso. Rooney começou a decair por conta da idade, problemas físicos e sobrepeso. 

Pela seleção, alcançou números marcantes, mas sempre foi contestado por não render mais como no começo de carreira e não brilhou nas participações do English Team em Eurocopas e Copas do Mundo. Seu último jogo pela seleção foi contra os EUA, em Wembley, vencido pela anfitriã por 3 a 0. Rooney entrou no decorrer da partida, vestiu a braçadeira de capitão e foi muito homenageado. Ele se despediu como maior artilheiro da história do English Team com 53 gols em 120 jogos, até ser superado tempo depois por Harry Kane.

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Rooney, na despedida pela Inglaterra, em Wembley. Foto: Reuters.
 
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Rooney recebeu das mãos da lenda Bobby Charlton o troféu de maior artilheiro da história do Manchester United. Foto: Acervo / SkySports
 

Pelo United, Rooney seguiu oscilando entre os titulares e os reservas, mas teve tempo de alcançar o recorde de gols marcados no clube e superou a lenda Bobby Charlton em 2017, quando marcou o gol de número 250, de falta, em empate em 1 a 1 contra o Stoke City. Ele recebeu um troféu das mãos do próprio Charlton tempo depois pela façanha. Foi em 2017 que ele decidiu pôr um ponto final em sua trajetória pelos Red Devils e o fez em grande estilo: além do recorde de gols, foi campeão da Liga Europa da UEFA, com dois gols e três assistências nos sete jogos que disputou. 

Volta para casa e aposentadoria

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Derby County foi a última camisa da carreira do craque. Foto: Acervo / Skysports
 

Na temporada 2017-2018, Rooney assinou contrato com o Everton e retornou ao seu clube de origem. Com a camisa 10, o craque foi muito bem acolhido pelos torcedores e marcou 10 gols em 31 jogos na Premier League. Destaque para o hat-trick do craque nos 4 a 0 sobre o West Ham, com direito a gol de meio de campo. Ao fim da temporada, Rooney passou um tempo no futebol estadunidense e defendeu o DC United, onde ganhou prêmios individuais, mas não levantou títulos. Em 2019-2020, voltou ao futebol inglês para se aventurar no Derby County, onde lhe foi oferecido um lugar garantido na comissão técnica. Ele jogou duas temporadas no Championship e fez a função de jogador-treinador na época 2020-2021, quando decidiu pendurar as chuteiras e virar treinador em definitivo.

Ele permaneceu na equipe até 2022, quando foi treinar o DC United em 2022-2023. Ainda sem conseguir brilhar com a prancheta, Rooney deixou sua marca no futebol como um dos mais talentosos jogadores ingleses de todos os tempos, ídolo de uma torcida acostumada a grandes craques e que ainda faz muita falta ao United, que segue sem rumo desde que ele e Ferguson deixaram Old Trafford. Quebrador de recordes impressionantes vestindo tanto a camisa do United quando da seleção, Rooney foi o maior artilheiro da história do derby de Manchester e um ícone deste século XXI. Um craque imortal.

Números de destaque:

  • Disputou 559 jogos, marcou 253 gols e deu 142 assistências pelo Manchester United.
  • Disputou 117 jogos, marcou 28 gols e deu 8 assistências pelo Everton.
  • Disputou 52 jogos, marcou 25 gols e deu 14 assistências pelo DC United.
  • Disputou 35 jogos, marcou 7 gols e deu 3 assistências pelo Derby County.
  • Disputou 120 jogos, marcou 53 gols e deu 21 assistências pela seleção da Inglaterra.
  • Disputou 763 jogos, marcou 313 gols e deu 167 assistências em sua carreira de clubes.

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