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Craque Imortal – Michael Owen

Foto: Graham Chadwick / Getty Images

 

Nascimento: 14 de dezembro de 1979, em Chester, Inglaterra.

Posição: Atacante.

Clubes: Liverpool-ING (1996-2004), Real Madrid-ESP (2004-2005), Newcastle United-ING (2005-2009), Manchester United-ING (2009-2012) e Stoke City-ING (2012-2013).

Principais títulos por clube: 1 Copa da UEFA (2000-2001), 1 Supercopa da UEFA (2001), 1 Copa da Inglaterra (2000-2001), 2 Copas da Liga Inglesa (2000-2001 e 2002-2003) e 1 Supercopa da Inglaterra (2001) pelo Liverpool.

1 Copa Intertoto da UEFA (2006) pelo Newcastle United.

1 Campeonato Inglês (2010-2011), 1 Copa da Liga Inglesa (2009-2010) e 1 Supercopa da Inglaterra (2010) pelo Manchester United.

Principais títulos individuais: 

Ballon d’Or: 2001

Melhor Jogador do Mundo pela World Soccer: 2001

Eleito para o Time do Ano da ESM: 2000-2001

Onze d’Argent: 2001

Personalidade Esportiva do Ano da BBC: 1998

Artilheiro e Chuteira de Ouro da Premier League: 1997-1998 (18 gols) e 1998-1999 (18 gols)

Melhor Jogador da Premier League: 1997-1998

Melhor Jogador Jovem da PFA: 1997-1998

Eleito para o Time do Ano da PFA: 1997-1998

Melhor Jogador Jovem da Copa do Mundo da FIFA: 1998

FIFA 100: 2004

Eleito para o Hall da Fama do Futebol inglês: 2014

Golden Foot: 2017, como Lenda

 

“Mais que um Prodígio”

 

Por Guilherme Diniz

Ele debutou no mundo do futebol como um prodígio. Rápido, inteligente, oportunista, driblador e com grande (aliás, gigantesca!) capacidade de finalização, viveu entre 1996 e 2004 o auge de sua carreira, marcando época como um dos mais talentosos atacantes já revelados pelo futebol inglês. Em seus quase dez anos de Liverpool, ajudou o clube a levantar títulos históricos, como os da temporada 2000-2001, uma das mais prolíficas do clube na história. Jogando ao lado de Steven Gerrard, compôs uma dupla emblemática para os torcedores em Anfield. Pela seleção, jogou muito, fez uma Copa marcante em 1998 e ainda destroçou a Alemanha nas Eliminatórias para a Copa de 2002. 

Tudo levava a crer que ele seria um dos maiores atacantes do planeta nos anos 2000, mas o excesso de lesões prejudicaram bastante uma trajetória mais duradoura do inglês, principalmente após 2002. Mesmo assim, Michael James Owen, ou simplesmente Michael Owen, conseguiu marcar seu nome com uma estrela do esporte e um dos maiores artilheiros da história do Liverpool e mais jovem a alcançar a marca de 100 gols na Premier League. Bola de Ouro em 2001 e referência da Inglaterra por muitos anos, Owen provou, mesmo com as lesões, que foi muito mais que um prodígio. É hora de relembrar.

Melhor do que o pai!

Foto: All Football / PA Archive

 

Owen nasceu em Chester, perto da fronteira inglesa com País de Gales, e foi o quarto filho do casal Jeanette e Terry Owen, este um atacante que passou por vários clubes da Inglaterra, com destaque para suas passagens pelo Chester, entre 1972 e  1977, e Rockdale, entre 1977 e 1979. Com apenas oito anos, Owen já despontava como um jovem habilidoso com a bola nos pés e seu pai dizia que ele era o “verdadeiro talento da família”, por isso, não hesitou em focar na carreira do filho. Foi nessa época que Owen começou a jogar no time da Deeside Area Primary School, no País de Gales, e simplesmente destroçou um antigo recorde de Ian Rush ao atingir a marca de 97 gols em uma só temporada pelo time sub-11, sendo que o recorde de Rush era de 72 gols. 

Owen era simplesmente uma máquina de gols e, com velocidade e dribles desconcertantes, deixava todos os rivais para trás e ganhou até uma permissão especial para jogar com garotos mais velhos do que ele. Tempo depois, o garoto vestiu a camisa do Mold Alexandra, também do País de Gales, e anotou 34 gols em apenas 24 jogos em sua primeira temporada no clube. Quando atingiu os 12 anos, Owen já poderia assinar com equipes de grande porte e os gigantes vieram em peso para tentar levar o garoto: Chelsea, Arsenal, Manchester United e Liverpool. 

E foi o time de Anfield Road que conseguiu vencer a disputa graças a Steve Heighway, da área das categorias de base do clube vermelho, que escreveu uma carta muito poderosa, dizendo que “tinha se impressionado com o jovem desde o primeiro dia”. Sabendo da importância do Liverpool e a possibilidade de crescimento, Michael Owen não pensou duas vezes e assinou seu contrato com o clube. Era hora de brilhar.

 

Artilheiro desde sempre

Foto: PA

 

Jogando pelo Liverpool e continuando os estudos até terminar o ensino médio, Owen virou notícia no mundo do futebol com a precocidade de seus feitos. Ele quebrou recordes de gols pelas equipes juniores dos Reds e ainda marcou gols em todas as suas estreias pela seleção inglesa, da sub-15 até a sub-18. O garoto marcou também 28 gols em 20 jogos pela equipe sub-15. Além de Owen, o Liverpool tinha na época outra estrela em ascenção: Steven Gerrard, que foi para o time profissional juntamente com Michael Owen já na temporada 1996-1997. A dupla cultivou uma importante amizade que se estenderia nos anos seguintes e fundamental para recolocar o Liverpool no caminho das glórias, pois era uma época difícil para os Reds, que viam o Manchester United e o Arsenal dominarem o futebol inglês naqueles anos 1990, enquanto o Liverpool vivia cada vez mais de seu passado de glórias dos anos 1970 e 1980.

Com 16 anos, Owen jogava contra garotos de 18 anos e ainda sim brilhava, marcava gols e colecionava jogadas fantásticas. Naquela época de 1996-1997, ele ajudou o Liverpool a conquistar o título da Copa da Inglaterra Juvenil com gols decisivos – foram 11 gols em cinco jogos, no primeiro título dos Reds na competição. Quando completou 17 anos, Owen conseguiu espaço no time principal do Liverpool, comandado na época por Roy Evans. Nos treinamentos, Owen causava impacto e espantava pela maturidade, técnica e talento que esbanjava com apenas 17 anos. 

 

“É inacreditável quando você vê ele jogando e percebe que ele só tem 17 anos. Ele é muito bom, muito rápido, tem excelente visão de jogo e controle de bola. Ele já é um ótimo jogador e será um ótimo jogador”, comentou na época o alemão Karl-Heinz Riedle, reforço dos Reds em 1997 e que foi companheiro de Owen no clube até 1999.

Owen disputou alguns jogos na temporada e estreou com gol diante do Wimbledon, o que fez dele o mais jovem a marcar um gol em sua estreia pelo clube, com 17 anos e 143 dias. A ideia do técnico Evans era lançar Owen aos poucos, mas uma lesão do atacante Fowler fez com que Owen passasse a atuar como titular na temporada 1997-1998. “Nós dissemos que antes da temporada começar, iríamos tomar conta dele, mas ele mudou tudo. Ele queria jogar todo momento e todos os jogos”, comentou Evans tempo depois. E aquele início precoce catapultou a carreira de Owen de maneira meteórica.

 

Explosão Owen

Jogando ao lado de Redknapp, Steve McManaman, Patrick Berger e Paul Ince, Michael Owen foi simplesmente a referência de ataque do Liverpool na época 1997-1998, sendo o artilheiro do clube tanto na Premier League (18 gols) quanto na temporada (23 gols no total). Logo de cara, o jovem ganhou a Chuteira de Ouro da PL e foi eleito pela PFA como melhor jogador jovem do ano no futebol inglês. Esse impacto levou Owen direto para a seleção inglesa, pela qual debutou em fevereiro de 1998, na derrota por 2 a 0 para o Chile. Na época, ele se tornou o mais jovem atleta a vestir a camisa da seleção inglesa, com 18 anos e 59 dias. Tempo depois, em outro amistoso, ele marcou seu primeiro gol, diante do Marrocos, e só aumentou a expectativa e o clamor popular para que o atacante fosse convocado para a Copa do Mundo da FIFA de 1998. 

Owen celebra seu gol no duelo contra a Romênia, ao lado de Beckham (à esq.). Foto: Getty Images

 

Sem querer comprar briga com a torcida, o técnico da seleção, Glenn Hoddle, levou Owen para o Mundial. E não se arrependeu. Após entrar durante a vitória sobre a Tunísia por 2 a 0, Owen saiu do banco no duelo contra a Romênia e empatou o jogo para os ingleses, aos 81’. Os romenos acabaram vencendo por 2 a 1, mas Owen ainda acertou a trave nos acréscimos e quase empatou de novo. Na partida decisiva contra a Colômbia, Owen foi titular e a Inglaterra venceu por 2 a 0, garantindo sua vaga nas oitavas de final. E seria nessa fase que Owen iria explodir de vez.

A sequência de imagens da obra de arte de Owen: golaço está em várias listas da FIFA de gols mais bonitos dos Mundiais.

 

 

A Inglaterra enfrentou a Argentina nas oitavas de final e fez um dos jogos mais marcantes da história das Copas. Batistuta, de pênalti, fez 1 a 0 para a albiceleste. Shearer, também de pênalti, empatou. E o English Team virou graças a uma obra-prima de Owen. Tudo começou quando Claudio López recebeu no campo de defesa inglês, mas foi desarmado na hora H por Paul Ince, que já deixou com Beckham para iniciar o contra-ataque. O camisa 7 percebeu a corrida de Owen e lançou o jovem atacante, que dominou com precisão cirúrgica e adiantou a bola para ganhar na corrida de Chamot. 

O camisa 20 foi indo, indo, Chamot ainda tentou desequilibrar o inglês, mas Owen escapou do zagueirão. Já na entrada da área, Owen deu um gingado fulminante pra cima de Ayala e cortou para a direita. Com uma velocidade impressionante, o atacante ajeitou a bola para a perna direita e fuzilou o goleiro Roa: golaço! E virada inglesa em Saint-Étienne. Quem ainda não conhecia aquele quase adolescente, ficou conhecendo da melhor maneira possível. O gol deixou os torcedores ingleses em polvorosa, que viam por um breve momento o filme de 1986 ser repetido a favor deles: um primeiro gol originado após um lance contestável e um segundo gol marcado com toques de arte e maestria.

Mas, nos acréscimos, a Argentina empatou com Zanetti e, na etapa complementar, Beckham foi expulso, o que prejudicou demais o desempenho dos ingleses. A partida foi para os pênaltis, Owen converteu sua cobrança, mas quem venceu foi a Argentina: 4 a 3. Mesmo com a eliminação, o atacante deixou o Mundial muito prestigiado e ganhou o prêmio de Personalidade Esportiva do Ano da BBC.

 

Entre os melhores do mundo

Owen e Gerrard com a Copa da Liga Inglesa em 2003. Foto: Getty Images.

 

Na temporada 1998-1999, Owen foi outra vez artilheiro da Premier League com 18 gols e maior goleador do Liverpool. O time passou a jogar em função de Owen, com lançamentos em profundidade que exploravam a velocidade do atacante. Esse tipo de jogada seria uma virtude com consequências. Owen arrancava muito rápido em poucos segundos e vencia praticamente todos os defensores que enfrentava – ele inclusive marcava muitos gols partindo em velocidade surpreendendo o adversário já com a bola dominada, que a perdia para o craque e ele saía com a redonda para fuzilar o goleiro. Mas, como tal jogada era constante no Liverpool, Owen iria sofrer bastante com lesões no músculo posterior da coxa. 

A primeira lesão aconteceu em abril de 1999, que acabou tirando ele do restante da temporada. E tal problema seria uma constante na carreira do craque. Mesmo assim, Owen era muito inteligente e, com poucos toques, definia jogos e marcava gols decisivos, além de evitar choques físicos por conta do porte franzino que tinha. O craque comentou, anos depois, que essa lesão seria um fator preponderante para as outras que viriam. 

 

“Em uma noite fria de 1999 no Elland Road [estádio do Leeds], meu corpo me fez pagar por ir ao limite muito cedo. Meu músculo da coxa se partiu em dois e foi nesse momento que minha capacidade de ter bom desempenho sem impedimentos acabou. Não tinha que ser dessa forma. […] Minha recuperação ficou comprometida porque o nosso médico deixou o clube naquela temporada e não foi substituído a tempo. Sem cuidado médico regular durante o período crítico da lesão, minha rotina me destinou a ficar restrito o resto da minha carreira”.

 

Na época 1999-2000, por conta da lesão, Owen jogou menos do que estava acostumado – foram 30 jogos e 12 gols – mas se recuperou a ponto de voltar com tudo na época 2000-2001, quando disputou 46 partidas, marcou 24 gols e foi um dos destaques do Liverpool nas conquistas da Copa da UEFA, da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa, as primeiras taças dos Reds depois de muitos anos de jejum. Ele foi o artilheiro do clube pelo 4º ano seguido e fez valer como nunca a parceria com Gerrard no clube vermelho.

Foto: Martin Rickett – PA Images/PA Images via Getty Images

 

Na final da Copa da Inglaterra, o Liverpool derrotou o Arsenal, de virada, por 2 a 1, com dois belos gols de Owen. Na Copa da Liga Inglesa, os Reds empataram a decisão em 1 a 1 contra o Birmingham City e venceram nos pênaltis por 5 a 4. E, na Copa da UEFA, o craque deixou sua marca em três etapas eliminatórias até o time vermelho derrotar o Deportivo Alavés no alucinante 5 a 4 que sacramentou o primeiro título europeu do clube após 17 anos de jejum – leia mais clicando aqui! 

Owen, o terror alemão naquela noite.

 

Jogando ao lado de Carragher, Hyypiä, Hamann, Babbel, Smicer, Heskey e Gerrard, Owen conquistou os primeiros grandes títulos de sua carreira naquela temporada, que foi ainda mais especial por causa de um jogo pela seleção inglesa: os 5 a 1 em cima da Alemanha em plena Munique, partida válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002. Owen simplesmente acabou com os germânicos ao anotar três gols – os outros foram de Gerrard e Heskey – e provou que naquela época ele era mesmo um dos melhores e mais talentosos atacantes do planeta. No final de 2001, Owen confirmou a fase espetacular que vivia ao vencer o Ballon d’Or de melhor jogador da Europa, confirmando o que ele mesmo dizia:

 

“Desde que eu tinha 10 anos que eu não queria ser apenas um jogador de futebol, eu queria ser o melhor jogador de futebol do mundo”. 

 

Quase na Copa e ida a Madri

Vivendo a melhor fase da carreira, Owen chegou esperançoso para o ano de 2002. A Inglaterra era comandada pelo sueco Sven-Göran Eriksson e tinha um timaço, com Seaman, Campbell, Gary Neuville, Ashley Cole, Ferdinand, Beckham e Scholes, além de McManaman, Carragher, Hargreaves e Fowler no banco de reservas. Owen era uma das estrelas da equipe e foi até capitão (na ausência de Beckham) em um amistoso contra o Paraguai, em abril de 2002, o que fez dele o mais jovem capitão do English Team desde a lenda Bobby Moore, em 1963. No Mundial, o craque não marcou na fase de grupos, mas sofreu a falta que originou o pênalti convertido por Beckham que garantiu a vitória inglesa sobre a Argentina por 1 a 0, no “grupo da morte”. 

Owen aproveitou a falha de cobertura de Lúcio e abriu o placar. Foto: The Independent.

 

Após se classificar, a Inglaterra eliminou a Dinamarca nas oitavas de final com um 3 a 0, gols de Ferdinand, Owen e Heskey. Nas quartas, a equipe encontrou o Brasil, velho conhecido em confrontos válidos por Copas, e os titãs realizaram um duelo memorável em Shizuoka. Aos 24’, Heskey lançou Owen, mas a bola caiu em Lúcio. Porém, o zagueiro brasileiro não conseguiu dominar, Owen aproveitou a falha e não perdoou: 1 a 0. Foi um duro golpe ao Brasil, que atacava mais, só que não conseguia impor precisão, além de Ronaldo e Rivaldo terem dificuldades para romper com as duas linhas de quatro inglesas, que não deixavam Cafu e Roberto Carlos avançarem como de costume. 

Àquela altura, só dava Brasil, enquanto a Inglaterra se protegia bem, mas não criava nada. Só nos acréscimos que Ronaldinho Gaúcho recebeu no meio de campo, saiu em disparada, passou por Paul Scholes, entortou a espinha de Ashley Cole e deixou com Rivaldo, que marcou o gol de empate. Na etapa complementar, Ronaldinho virou o jogo em cobrança de falta épica, mas logo em seguida foi expulso. O jogo ficou dramático, mas a Inglaterra não conseguiu empatar e acabou eliminada. Já o Brasil seguiu firme rumo ao título mundial. Aquela foi a última Copa em alto nível de Owen – em 2006, ele teria seu desempenho prejudicado por uma lesão no ligamento do joelho logo no terceiro jogo da Inglaterra no Mundial da Alemanha. 

Na temporada 2002-2003, o atacante seguiu em alto nível no Liverpool e voltou a marcar 28 gols em uma só época, mesmo número de 2001-2002. Na temporada seguinte, o craque marcou 19 gols em 38 jogos, mas já não se via mais em Anfield Road. Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, queria o inglês para sustentar seu projeto dos Galácticos. Sem perspectiva de títulos no Liverpool, Owen queria deixar o clube e seguir jogando torneios grandes, como a Liga dos Campeões da UEFA, por isso o desejo de ir a Madri. 

Nesse período, ele sofreu outra lesão, dessa vez no tornozelo, e temeu que o negócio não fosse se concretizar, ainda mais por causa de outras lesões no posterior da coxa no começo de 2004. Mas a transação para o Real, enfim, aconteceu após o pagamento de 8 milhões de libras. Ele foi apresentado em agosto de 2004 e virou mais um Galáctico, ao lado de Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham. No entanto, toda a expectativa pelo desempenho do craque caiu bastante nos meses seguintes pela falta de sequência de jogos, lesões e a péssima fase que o clube vivia, afinal, só tinha estrelas e não planejamento técnico e tático para brigar por títulos, algo semelhante do que vemos no endinheirado PSG. 

Florentino Pérez ainda não havia se ligado que não bastava contratar as principais estrelas do futebol para vencer. Era preciso um bom técnico, uma boa comissão e planejamento. Ele só se daria conta disso nos anos 2010, quando o time, enfim, passou a ter equipes genuínas que recolocaram o Real Madrid no topo. Em 2005, com as novas contratações para o setor ofensivo, Owen teve ainda menos espaço e rumores já davam como certa sua volta à Premier League.

 

De volta para casa e o fim

Owen no Newcastle. Foto: Getty Images.

 

Owen foi contratado pelo Newcastle United em agosto de 2005 pelo valor recorde de 16,8 milhões de libras. O atacante chegou com grande alarde para assumir o protagonismo que era de Alan Shearer, estrela que estava prestes a se aposentar. Owen estreou com um gol em sua primeira partida como titular contra o Blackburn Rovers e logo marcou um hat-trick contra o West Ham United em setembro de 2005 – aliás, o “perfect hat-trick”, com um gol anotado com a perna esquerda, um com a direita e um de cabeça! O início fulminante do craque encheu de esperança os torcedores dos Magpies. Mas, já em dezembro de 2005, bem na rodada do Boxing Day, ele sofreu uma fratura no metatarso que o manteve afastado por vários meses. Ele retornou apenas em abril, mas ainda longe dos 100%. 

Owen após a lesão na Copa de 2006: início do fim. Foto: Acervo / Mirror (UK)

 

Owen queria permanecer mais tempo se recuperando, mas acabou convocado para a Copa do Mundo de 2006, na qual disputou os dois primeiros jogos da fase de grupos, sem marcar gols. No terceiro jogo, em menos de um minuto, o craque sofreu uma grave lesão nos ligamentos do joelho e ficou de fora do Mundial. Aquela lesão, segundo o jogador, aconteceu muito por causa da falta de tempo de recuperação daquela ocorrida no Boxing Day. Ele ficou quase um ano sem jogar por causa disso. O Newcastle inclusive demonstrou sua insatisfação pública contra a seleção inglesa e a FA por causa daquele período sem o atacante. Os Magpies alegaram que a pressão para ter Owen na Copa forçou demais seu físico, que já não era bom. Foi o velho debate clube x seleção que tanto causa polêmicas no futebol. 

O Newcastle venceu uma ação contra a FA na época e recebeu 10 milhões de libras como compensação, que serviram para ajudar, também, nos custos dos salários e recuperação do jogador. Tal caso foi um divisor de águas até para a FIFA, que passou a incluir um seguro para os clubes que tivessem jogadores lesionados em competições organizadas por ela, além de a FA dobrar o valor do seguro para o mesmo fim aos seus clubes.

Owen voltou a jogar em 2007, mas já não era como antes. Por causa das lesões em sequência, o craque perdeu bastante agilidade, explosão e os piques que tanto atormentar os zagueiros rivais. Ele passou a jogar mais centralizado, explorando sua plena capacidade de finalização, mas ainda sim era visível que sua boa fase havia chegado ao fim. Após 32 jogos e 10 gols na época 2008-2009, Owen deixou o Newcastle para jogar no Manchester United, onde recebeu a lendária camisa 7, vaga após a saída de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. Em 2008, ele ainda encerrou sua trajetória pela seleção, muito por causa das desavenças com o técnico Fabio Capello.

Durante sua passagem pelos Red Devils, Owen foi utilizado principalmente como um jogador de elenco, sendo uma alternativa aos principais atacantes da equipe, como Wayne Rooney, Dimitar Berbatov e, mais tarde, Javier Hernández. Suas aparições foram frequentemente como substituto, contribuindo com gols importantes em momentos decisivos, sendo um dos mais lembrados o gol da vitória nos 4 a 3 sobre o Manchester City no primeiro dérbi da temporada 2009-2010, já nos acréscimos do segundo tempo. 

Apesar de suas limitações físicas, Owen teve participações importantes em competições de copas e em levar experiência aos mais jovens do elenco. Ele marcou um hat-trick na Liga dos Campeões contra o Wolfsburg, em dezembro de 2009, e marcou na final da Copa da Liga Inglesa de 2010 contra o Aston Villa, ajudando o Manchester United a conquistar o título. No entanto, ele sofreu uma lesão no mesmo jogo que o afastou por um período significativo. Ele marcou 9 gols em 31 jogos pelo United em sua primeira temporada. 

Na época 2010-2011, o craque retornou e anotou 5 gols em 17 jogos, mostrando que o espaço na equipe principal seria bem difícil. Mesmo assim, ele venceu sua primeira e única Premier League naquele ano, além da Supercopa da Inglaterra. Em 2012, Owen deixou o United para uma breve passagem pelo Stoke City, pelo qual se aposentou em 19 de maio de 2013, com uma intensa salva de palmas e homenagens dos torcedores locais e rivais. 

Foto: Getty Images

 

Após pendurar as chuteiras, Owen passou a se dedicar aos hobbies, entre eles as corridas de cavalos (ele possui vários, inclusive) e virou comentarista esportivo, além de frequentar muitos anúncios e programas de TV. Enorme personalidade, Michael Owen teve uma carreira laureada, mas que poderia ter sido ainda maior se não fossem as lesões que tanto prejudicaram seu desempenho. O início precoce entre os profissionais e a falta de recuperação em várias lesões foram cruciais para as sequelas que ele acabou ostentando ao longo dos anos. Mesmo assim, em seu auge, Owen foi um dos maiores e mais talentosos atacantes de todos os tempos e autor de golaços e jogadas para ver e rever sempre. Um craque imortal.

 

Números de destaque:

 

Disputou 297 jogos e marcou 158 gols pelo Liverpool.

Disputou 45 jogos e marcou 16 gols pelo Real Madrid.

Disputou 79 jogos e marcou 30 gols pelo Newcastle United.

Disputou 52 jogos e marcou 17 gols pelo Manchester United.

Disputou 9 jogos e marcou um gol pelo Stoke City.

Disputou 89 jogos e marcou 40 gols pela seleção da Inglaterra.

Disputou 571 jogos e marcou 262 gols na carreira.

 

 

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Um Comentário

  1. Parabens pelo texto guilherme owen teve um inicio de carreira parecido com ronaldo fenomeno e assim como o brasileiro as lesoes e mau tempo de recuperacao impediram um auge mais longevo.eu afirmo tranquilo qie owen seria o maior atacante ingles da historia tanto que na epoca ele ficou perto do numero de gols do sir bobby e tambem poderiavter pelo menos jogado uma final de copa mas…

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