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Presidente Perón – El Cilindro

Por Guilherme Diniz

Nome: Estádio Presidente Perón

Localização: Avellaneda, Argentina

Inauguração: 03 de setembro de 1950

Partida Inaugural: Racing 1×0 Vélez Sarsfield, 03 de setembro de 1950

Primeiro gol: Llamil Simes, do Racing.

Proprietário: Racing Club

Capacidade: 55.880 pessoas

Recorde de público: 120.000 pessoas no jogo Racing 2×1 Celtic, em 1º de novembro de 1967.

A intersecção das ruas Alsina e Colón, em Avellaneda, respira futebol há mais de 110 anos. Mais precisamente desde 1906, quando o Racing Club, fundado três anos antes, passou a jogar por ali no Estádio de Alsina y Colón, com arquibancadas de madeiras. Décadas se passaram e, no final dos anos 1940, o mesmo local viu nascer um estádio colossal, com formato cilíndrico e que poderia abrigar mais de 100 mil pessoas. Seria, durante muito tempo, o maior da Argentina. E abrigou o maior público da história do país, em 1967, em uma das finais do Mundial Interclubes entre Racing e Celtic. Com um estilo marcante, intimidador e casa de uma torcida apaixonada e barulhenta, o Estádio Presidente Perón, mais conhecido como El Cilindro, é um dos mais emblemáticos estádios não só da Argentina, mas de toda América do Sul. Ao longo dos anos, a casa do Racing viu o auge do clube, abrigou manifestações políticas, momentos de drama na época da ditadura e foi o palco da devoção de uma torcida que ajudou o clube a não desaparecer, no final dos anos 1990, e o fez forte novamente a partir dos anos 2010. É hora de conhecer a história do Coliseu de Avellaneda.

Da madeira ao concreto

Racing club supporters 1909
A primeira casa do Racing, ainda sem arquibancadas plenas, em 1909.
 
Antiguo estadio de Racing Club
E já completo, com capacidade para 50 mil pessoas, anos depois.
 

Fundado em 1903, o Racing teve como primeira grande casa o citado Estádio de Alsina y Colón, que também era conhecido como Estádio Racing Club, erguido em Avellaneda entre as ruas Alsina e Colón. Ao longo dos anos, o estádio ganhou melhorias e arquibancadas de madeira que lhe deram a capacidade de abrigar 50 mil pessoas. Por ali, foram realizadas partidas da Copa América de 1916, diversos jogos do campeonato nacional e de copas nacionais e internacionais. A partir de 1938, a diretoria do Racing começou a estudar a construção de um novo estádio, mas precisava adquirir mais terras ao redor e resolver a questão da propriedade, que era da empresa de trens Ferrocarril del Sud. Em 1944, uma comissão conseguiu negociar a aquisição de 30 mil metros quadrados que pertenciam à Ferrocarril, que deixou de existir na região em 1948. Mas o grande ponto de virada aconteceu em 16 de agosto de 1946, quando o Poder Executivo Nacional assinou o Decreto 7.395, que outorgava ao Racing um empréstimo de 3 milhões de pesos para a construção de um novo estádio “para a exibição e prática de cultura física”.

Além desse crédito, o clube ganhou ainda o aporte de 8 mil pesos graças a Ramón Cereijo, ministro da Fazenda do governo de Juan Domingo Perón, então presidente da Argentina, entre 1946 e 1952. Cereijo era torcedor do Racing e facilitou vários trâmites burocráticos para a rápida construção do estádio. Como forma de agradecimento, a diretoria do Racing nomeou Juan Domingo Perón presidente honorário do clube e como sócios honorários Ramón Cereijo, Eva Perón (então primeira dama), Juan Atilio Bramuglia (ministro de relações exteriores) e Miguel Miranda (do Banco Central da Argentina). Além disso, o nome oficial do estádio seria Presidente Perón, a máxima homenagem possível do clube pelo gesto prestado.

Estadio racing tribuna socios 1922

Foi por conta disso que, na época, rumores diziam que Perón era torcedor do Racing e teria ajudado na construção do novo estádio do clube. Mas, ao longo das décadas, tal história não passou de boato, pois Perón, na verdade, era torcedor do Boca Juniors. Em dezembro de 1946, o Racing disputou seu último jogo no Estádio Alsina y Colón – derrota por 6 a 4 para o Rosario Central, na última rodada do Campeonato Argentino – e sua cancha foi demolida dias depois.

Antes da construção começar, Perón sugeriu que o novo estádio fosse construído no bairro do Retiro, mas a diretoria alviceleste decidiu permanecer em Avellaneda. O projeto foi liderado pela empresa Geopé, subsidiária da alemã Philipp Holzmann, reconhecida por seus experientes engenheiros que ajudaram na reconstrução de cidades devastadas durante a Segunda Guerra Mundial e por suas obras destacadas na Argentina como o Obelisco, o Colégio Nacional de Buenos Aires e o estádio de La Bombonera.

Cilindro plano
El Cilindro
O estádio na reta final das obras, em 1949.
 

O engenheiro-chefe do estádio foi Eduardo E. Baumeister, que desenhou um imponente estádio de concreto em formato cilíndrico, com um obelisco de destaque ao centro e largas arquibancadas. Falando no obelisco, Baumeister pensou em algumas particularidades. No topo,  haveria um mastro com uma bandeira do Racing e um local para uma câmera de TV, possibilitando a transmissão de partidas de cima. Além disso, Baumeister posicionou o obelisco em um ponto estratégico para que, na data de seu aniversário – 28 de setembro -, a sombra fosse projetada bem no meio do campo, emulando um relógio gigante.

A capacidade inicial da nova casa alviceleste seria superior a 100 mil pessoas, convertendo o local instantaneamente como maior da Argentina. Durante as obras – que duraram pouco mais de dois anos – o Racing jogou suas partidas como mandante nas casas do Boca, do San Lorenzo e até do rival Independiente, que na época jogava em La Doble Visera, a 300 metros de distância – mais tarde, o estádio seria reformado e rebatizado como Libertadores de América.

Nasce El Cilindro

El Cilindro
O Presidente Perón, em 1950. Ao fundo, o estádio do rival Independiente.
 
Estadio Presidente Peron

A inauguração da nova casa do Racing aconteceu em 03 de setembro de 1950, em partida válida pelo Campeonato Argentino entre Racing e Vélez Sarsfield, que teve a presença de diversas autoridades, entre eles o presidente Perón e sua esposa, Eva Perón. Com seu formato cilíndrico que rapidamente lhe deu o apelido de El Cilindro, arquibancadas vastas e muito bem construídas e um ambiente pleno para avalanches de torcidas bem típicas do futebol argentino, o Presidente Perón nasceu pronto para grandes momentos e eventos. Na inauguração, a Academia bateu o Vélez por 1 a 0, com gol do artilheiro Llamil Simes.

Em 1951, a casa alviceleste foi palco da cerimônia de abertura da primeira edição dos Jogos Pan-Americanos, realizados em Buenos Aires e que recebeu a chama olímpica diretamente de Olímpia, na Grécia. As 21 delegações do continente desfilaram pelo El Cilindro, na primeira vez que algo daquele tipo acontecia sem ser em uma edição de Jogos Olímpicos. Além da abertura, o El Cilindro abrigou os jogos de futebol da competição – que teve a Argentina como campeã após quatro jogos e quatro vitórias.

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A revista El Gráfico destacou a abertura do estádio em 1950.
 
Panamericanos 1951 apertura
Abertura dos Pan-Americanos de 1951.
 
Estadio de racing desde afuera 1950
O letreiro oficial do estádio foi removido na época da ditadura.
 

Em 1955, com o Golpe de Estado que eclodiu o período da ditadura na Argentina, um grande movimento anti-peronismo atingiu várias esferas da sociedade, edifícios e locais públicos. As autoridades fizeram com que Perón perdesse o título de presidente honorário, além de expulsá-lo como sócio. Cereijo e Eva Perón também deixaram o quadro associativo do Racing. Em 1957, as autoridades ainda removeram o nome Presidente Perón da fachada do El Cilindro, e o nome não foi mais exibido. Anos depois, em 22 de fevereiro de 1977, o estádio do Racing foi palco do fuzilamento de quatro homens e duas mulheres em frente ao portão 19 do estádio, em um dos muitos eventos trágicos que envolveram a ditadura da época. Os corpos nunca foram encontrados.

Recordes e grandes momentos

Hinchas en el cilindro

Em 1961, o Racing conquistou em sua casa o título nacional daquele ano diante de 90 mil pessoas, ao vencer o San Lorenzo por 3 a 2, quando pôde dar a primeira volta olímpica em seu estádio, já que os títulos anteriores foram conquistados longe do Presidente Perón. Em 1966, a lendária Equipo de José foi mais uma vez campeã nacional e ostentou a série de 39 partidas sem perder. No mesmo ano, o clube inaugurou o novo sistema de iluminação do El Cilindro – o mais moderno do continente na época – e convidou o Bayern München para uma partida amistosa.

Os Bávaros já tinham no elenco nomes como Sepp Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer e Gerd Müller, que seriam campeões do mundo com a seleção em 1974 e fariam do Bayern tricampeão europeu. Só que o Racing já tinha a base da equipe que, em 1967, seria campeã da América e venceu por 3 a 2, de virada, com gols de Díaz, Cárdenas e Rodríguez – Gerd Müller fez os gols dos alemães. Mais de 70 mil pessoas compareceram ao Presidente Perón para ver aquele jogo histórico da Academia.

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El Cilindro no dia do recorde de público, na final do Mundial de 1967. Foto: Arquivo / Racing Club
 
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Foto: Arquivo / Racing Club
 
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O gol de Cárdenas, na final. Torcida ficou amontoada até em volta do gramado!
 

No ano seguinte, em 1967, o El Cilindro foi um talismã importante na campanha do título da Libertadores do Racing. No primeiro jogo da final, contra o Nacional (URU), mais de 99 mil pessoas lotaram o Presidente Perón em um duelo que terminou 0 a 0. Na volta, no Uruguai, um novo empate forçou a partida extra, disputada em Santiago (CHI). Lá, o Racing venceu por 2 a 1 e levantou a taça. Meses depois, a equipe enfrentou o Celtic-ESC na final do Mundial Interclubes. Na ida, em Glasgow, os escoceses venceram por 1 a 0 no Hampden Park tomado por mais de 83 mil pessoas. Na volta, El Cilindro recebeu 120 mil pessoas, que fez daquele o maior público já registrado em toda história do futebol argentino. Nunca mais a Argentina abrigou uma partida com tanta gente, nem mesmo durante a Copa do Mundo de 1978. Em campo, muita catimba, brigas, e vitória do Racing por 2 a 1, que levou o jogo para uma partida desempate no Uruguai, vencida pela Academia por 1 a 0.

Tita Matiussi: A filha do Racing

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Em 1915, Ida e César Mattiussi, um casal de imigrantes italianos, começaram a cuidar do campo do antigo estádio do Racing, o Alsina y Colón. Desse casal, nasceu em 19 de novembro de 1919 Elena Margarita Mattiussi, conhecida como “Tita”, no antigo banco de reservas do estádio. Ela herdou da mãe o cargo de lavadeira do time e se tornou profundamente enraizada no coração do estádio mesmo quando ele foi demolido para a construção do El Cilindro – a diretoria construiu uma casa para ela e sua família abaixo de uma das tribunas do novo estádio. 

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Tita Mattiussi tinha seu lugar cativo no El Cilindro. Foto: Arquivo / El Gráfico.
 

Tita foi a responsável por costurar os primeiros números das camisas do clube, por exemplo, acompanhou o time na turnê escocesa a pedido dos próprios jogadores durante o Mundial de 1967, e foi a “irmã mais velha” que cuidou dos jovens que compartilharam a paixão pelo Racing por várias décadas. Tita ficou conhecida como “a filha do Racing” e símbolo de uma torcida que pulou, sofreu e chorou no terraço de sua casa: a arquibancada do Racing. Ao falecer, em 1999, o clube batizou seu novo centro de treinamentos pra jovens de Predio Tita Mattiussi, embora a maior homenagem pudesse ser renomear El Cilindro com seu nome.

Problemas e reformas

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Após o fatídico caso das seis mortes, em 1977, o El Cilindro viveu momentos complicados nos anos 1980. Por causa da falta de manutenção, o estádio foi fechado pelas autoridades em maio de 1981 e obrigou o Racing a jogar em outros estádios durante dois anos. Além disso, o estacionamento foi alugado como local de carga e descarga para caminhoneiros, a fim de aliviar as finanças do clube. Para piorar a situação, quando o Cilindro voltou a funcionar no final de 1983, o Racing sofreu o primeiro rebaixamento de sua história, perdendo por 4 a 3 em casa para o seu homônimo de Córdoba na penúltima rodada do torneio. E justamente em um período de ouro do rival Independiente…

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O fosso, que dificultava a visão dos torcedores, só seria removido nos anos 2020.
 

Só em 1988 que a torcida pôde, enfim, celebrar um título quando o Racing levantou a Supercopa da Libertadores após derrotar o Cruzeiro em Avellaneda por 2 a 1 e segurar o 1 a 1 no Brasil. Nos anos 1990, a diretoria fez mais algumas obras no estádio e implantou uma estrutura metálica e cobertura translúcida para as plateias, além de um novo sistema de iluminação, que fizeram do Cilindro o primeiro estádio argentino com todas as plateias cobertas. As obras foram realizadas entre 1991 e 1998 e reduziram a capacidade do estádio para menos de 70 mil pessoas.

Maldição e Exorcismo

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Tanta notícia e momentos ruins viraram rotina para o Racing principalmente nos anos 1970, quando nasceu a crença de que existia uma maldição no El Cilindro, plantada justamente pelo vizinho Independiente. Certa vez, na calada da noite, torcedores do Rojo entraram no estádio do Racing graças a benevolência de um funcionário alviceleste que, na verdade, era torcedor do Diablo. Com acesso livre, os torcedores, munidos de pás, enterraram embaixo do gramado de um dos gols sete sapos. A vontade era de que o Racing não se encontrasse mais e ficasse meio século sem vencer nada. E, ano após ano, a praga deu certo. O Racing não ganhou absolutamente nada nos anos 1970, enquanto o Independiente emendou quatro Copas Libertadores seguidas, além de um Mundial Interclubes. Nos anos 1980, o calvário seguiu, com o já citado rebaixamento, em 1983, e mais uma Libertadores e outro Mundial para o Independiente, ambos em 1984.

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Técnico do Racing em 1980, Toto Lorenzo ouviu certa vez que haviam enterrado sapos no gol onde a grama não crescia no El Cilindro. Foi então que o treinador ordenou a escavação da área daquele gol maldito (do lado direito, ao ver a partida pela TV). A história, a partir daí, tomou alguns rumos. Nos trabalhos, encontraram mesmo ossadas, mas de seis gatos. Ainda faltava uma, que não foi encontrada. Algum tempo se passou e, nos anos 1990, já sob o comando do ídolo Alfio Basile, o Racing tratou de realizar novas buscas no gramado. Dessa vez, encontraram ossos de outro gato. Enfim, o sétimo. E encontraram também estranhos objetos enterrados em diferentes pontos do campo. O clube interpretou aquilo como prova irrefutável de uma praga lançada por rivais. 

A partir dali, o Racing tentou de tudo: desde benzer o estádio até realizar cerimônias para “limpar” o ambiente espiritual do Cilindro. A mais memorável aconteceu em 14 de fevereiro de 1998, quando Daniel Lalín, presidente do Racing na época, organizou um exorcismo do gol. Um padre foi chamado para realizar o ato em um dia sem futebol no estádio e cerca de 15 mil (!) torcedores apareceram dispostos a ajudar no que fosse preciso, espirrando água benta em cada metro quadrado do Cilindro e vestindo túnicas, lenços, velas e chapéus celestes. Mas será que aquilo seria suficiente para mudar a história do clube? Bem, não tão cedo…

07 de março de 1999: Día del Hincha de Racing

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Apesar das melhorias em seu estádio e do exorcismo de 1998, o Racing vivia tempos difíceis no âmbito financeiro e esportivo. E o fundo do poço aconteceu em 1999, quando o clube anunciou falência, ficou proibido de jogar enquanto não resolvesse suas pendências e prestes a desaparecer. Só que essa “tragédia” em um dos clubes mais tradicionais da Argentina não aconteceu por causa da torcida e do El Cilindro. No dia 07 de março de 1999, mais de 30 mil torcedores e ídolos como Ubaldo Fillol, Gustavo Costas, Fernando Quiroz e Juan Carlos Cárdenas foram até o estádio alviceleste e se reuniram como se fosse um dia de jogo – seria, mas o clube estava proibido de jogar. Era dia de protestar contra o fechamento do Racing e demonstrar a paixão de sua torcida.  

Aquela comoção toda mobilizou políticos, personalidades e dirigentes, levando à aprovação pela justiça argentina da Lei 25.284, conhecida como “Lei do Racing Club”, em 25 de julho de 2000. Essa legislação instituiu o fundo fiduciário para entidades esportivas com dificuldades financeiras. Anos depois, o dia 07 de março passou a ser oficialmente o Dia do Torcedor do Racing. No processo de recuperação, o Racing e seu estádio passaram a ser geridos por uma empresa privada chamada Blanquiceleste, de 2000 até 2008.

Século XXI: a volta por cima

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Em 2001, após 35 anos de jejum, o Racing celebrou o título do Campeonato Argentino, provando que a má fase e os “gatos” eram coisas do passado. Aproveitando aquela nova fase, o clube ampliou as reformas no El Cilindro entre 2002 e 2004, com câmeras de segurança e um novo sistema de som, além da retirada dos velhos alambrados atrás dos gols e instalação de novos assentos – para se adequar às exigências da FIFA -, aproximando o torcedor do campo. 

Já nos anos 2010, o clube deu uma nova volta olímpica em sua casa ao levantar o título do Campeonato Argentino de 2014, sob a batuta de Diego Milito, ídolo que retornou ao clube na época e, após se aposentar, virou até nome de rua próxima ao estádio. Em 2017, o estádio ganhou um telão LED gigante e iluminação mais potente. A partir de 2020, o Racing apresentou um plano integral de modernização, incluindo o fechamento do famigerado fosso perimetral (2021–22), que aumentou a capacidade para pouco mais de 50 mil torcedores, melhorias de visibilidade, nova iluminação 360º em LED (2024) e a troca completa do gramado (2025), que agora conta também com áreas de grama sintética nas laterais.

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Os vizinhos de Avellaneda.
 

Hoje, com capacidade para pouco mais de 50 mil torcedores, o Estádio Presidente Perón mantém sua aura histórica, mas com recursos de arena moderna. El Cilindro segue sendo um dos templos do futebol argentino – mistura de tradição, paixão e modernidade -, um dos mais intimidadores da Argentina e patrimônio incontestável da Academia de Avellaneda.

Curiosidades:

  • O El Cilindro foi construído com o intuito de ser o maior estádio da Argentina e o segundo maior da América do Sul. E conseguiu ambas as coisas naqueles anos 1950, ficando atrás apenas do Maracanã, inaugurado também em 1950, mas que comportava cerca de 200 mil pessoas;
  • Entre 1983 e 1988, o El Cilindro só funcionou com o anel inferior habilitado ao público por conta dos problemas estruturais detectados em 1981;
  • O estádio do Racing já abrigou seis finais continentais ao longo da história: 

Libertadores de 1967 – 1º jogo – Racing 0x0 Nacional-URU;

Supercopa da Libertadores de 1988 – 1º jogo – Racing 2×1 Cruzeiro-BRA;

Supercopa da Libertadores de 1992 – 2º jogo – Racing 1×0 Cruzeiro-BRA;

Copa Sul-Americana de 2007 – 2º jogo – Arsenal de Sarandí-ARG 1×2 América-MEX;

Recopa Sul-Americana de 2008 – 1º jogo – Arsenal de Sarandí-ARG 1×3 Boca Juniors-ARG

Recopa Sul-Americana de 2025 – 1º jogo – Racing 2×0 Botafogo-BRA

  • Alguns shows já foram realizados no El Cilindro, entre eles da banda argentina Los Redondos, em 1998, dos alemães do Rammstein, em 2010, e dos britânicos Judas Priest, em 2011 e Whitesnake, em 2011.

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