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Flamengo x Racing – Grandes jogos na história

Por Guilherme Diniz

Flamengo e Racing possuem poucas partidas oficiais entre si, várias amistosas nas décadas de 1950 e 1960, e um notável equilíbrio. Em 19 jogos, são 7 vitórias do Flamengo, 5 vitórias do Racing e 7 empates, mas vantagem do Racing quando focamos em duelos eliminatórios, pois a Academia saiu classificada em 1992, nas semis da Supercopa da Libertadores, e nas oitavas da Libertadores de 2020, enquanto o Fla triunfou em 2025, nas semis da Libertadores. Confira a seguir os principais duelos entre brasileiros e argentinos!

Flamengo 1×1 Racing – Torneio Internacional do Rio de 1953

O primeiro confronto entre os dois na história foi em uma competição amistosa disputada no Maracanã, entre janeiro e fevereiro de 1953, reunindo Vasco (campeão carioca de 1952), Flamengo (vice-campeão carioca de 1952), Racing (vice-campeão argentino de 1952) e Boca Juniors (convidado, pois o River Plate, campeão argentino de 1952, não quis participar). Diante de pouco mais de 30 mil pessoas, o Flamengo empatou em 1 a 1 com o Racing e o primeiro gol foi do rubro-negro Índio (Mario Boyé empatou). Na época, o Mengão contava com vários craques como Pavão, Joel, Paulinho e Zagallo, espinha dorsal de um timaço que colecionaria títulos naquela década. O Flamengo, porém, acabou perdendo o título do torneio para o Expresso da Vitória do Vasco, que venceu por 5 a 2 a partida decisiva sobre o rival, com dois gols de Ademir de Menezes, dois de Sabará e um de Chico.

Racing 4×1 Flamengo – Amistoso em 1958

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O Racing daquela época, na foto, uma escalação de 1961. Em pé: Negri, Sacchi, Anido, Scardulla, Blanco e Mesías. Agachados: Corbatta, Pizzuti, Mansilla, Sosa e Belén.
 

Três anos depois de o Fla ter vencido o Racing por 2 a 1 em outro torneio amistoso no Rio, La Academia conseguiu o troco em um amistoso disputado em 1958, em La Bombonera, durante uma excursão do rubro-negro pela Argentina. Os brasileiros haviam derrotado o Boca Juniors por 4 a 2 em 31 de janeiro, com gols de Moacyr (2), Zagallo e Dida, e enfrentaram o Racing em 04 de fevereiro. Dessa vez, porém, os argentinos deram show e abriram o placar logo aos 26′, com Sande. Pizzuti (que anos depois seria técnico do esquadrão campeão mundial e da Libertadores dos alvicelestes) fez o segundo e ampliou para 3 a 0 no segundo tempo. Dida descontou para o Fla, aos 70′, mas Reynoso, aos 80′, fechou o 4 a 1.

O Racing jogou naquele dia com J.Negri; P.Dellacha e Murúa; O.De Vicente, V.Cap e N.Sivo; O.Corbatta, N.Sande (R.Sosa), J.J.Pizzuti, Reynoso e E.Belén. Já o Flamengo entrou em campo com Fernando; Joubert e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel, Moacyr, Henrique, Dida e Zagallo. Três dias depois, houve outro amistoso entre brasileiros e argentinos, que terminou empatado em 3 a 3.

Flamengo 2×0 Racing – Amistoso em 1958

Em março daquele ano, o Fla voltou a enfrentar o Racing em um amistoso disputado no Estádio Independência, em Belo Horizonte (MG), e venceu por 2 a 0, com gols de Luís Carlos e Joel. Uma curiosidade é que o rubro-negro era comandado na época pelo lendário técnico Fleitas Solich, que havia atuado como volante pelo Racing lá em 1931, mas só conseguiu jogar três partidas pela Academia por causa de uma grave lesão na perna sofrida no ano anterior.

Flamengo 0x2 Racing – Torneio Conde de Fenosa de 1968

Conde de Fenosa 1968
Festa do Racing campeão.
 

Campeão do mundo e da Libertadores em 1967, o Racing era uma das equipes mais fortes do planeta na época e o Fla viu em diferentes situações do que os argentinos eram capazes. Meses antes, em março, o Racing visitou o Fla no Maracanã para um amistoso e venceu por 2 a 1. E, em agosto, durante uma excursão dos cariocas pela Europa, ambos duelaram na primeira edição do Torneio Conde de Fenosa, realizado na cidade de Corunha, na Espanha, e que reuniu também o Deportivo La Coruña, garantido na final e que esperava o vencedor do duelo sul-americano na semifinal. O Racing bateu o Fla por 2 a 0 e foi para a decisão, na qual derrotou o Deportivo por 1 a 0 e ficou com o troféu.

Flamengo 3×2 Racing – Copa Mohamed V de 1968

silva fla 1958
Silva, do Flamengo, com a taça conquistada no Marrocos.
 

Após duas derrotas, o troco dos brasileiros veio em grande estilo. Em setembro, o Fla viajou até o Marrocos para a disputa da 7ª Copa Mohamed V, organizada pela Federação Real Marroquina de Futebol e com o aval da Confederação Africana de Futebol (CAF). Além do Fla, o torneio teve a participação do Racing, do Saint-Étienne-FRA (campeão francês) e o FAR Rabat, campeão marroquino. Nas semis, os brasileiros eliminaram os marroquinos com vitória por 2 a 1, que teve até influência do rei Hassan II, que fez de tudo para que o time da casa vencesse, incluindo pedir a anulação de um gol flamenguista (acatado pelo árbitro!). 

Mesmo com as interferências, o Fla venceu e foi para a final encarar o Racing, que havia derrotado o Saint-Étienne por 1 a 0. Com o rival entalado na garganta, o Flamengo venceu de virada por 3 a 2 e ficou com o troféu, recebido pelo rei e com grande entusiasmo do público local.

Flamengo 3×3 Racing / Racing 1×0 Flamengo – Semifinais da Supercopa da Libertadores de 1992

junior racing fla 1992

Depois de muito tempo, enfim, rubro-negros e alvicelestes se enfrentaram em uma grande competição: foi na Supercopa da Libertadores de 1992, extinto torneio da Conmebol que reunia apenas os campeões da Copa Libertadores. Depois de superar Grêmio-BRA e Estudiantes-ARG, o Flamengo encontrou o Racing na semifinal, que vinha embalado após eliminar o rival Independiente, nas oitavas de final, e o Nacional-URU, este sem ter que enfrentá-lo, pois os atletas uruguaios estavam em greve na época e não disputaram as quartas de final, classificando o Racing por WO.

 
fla racing supercopa
 

No primeiro jogo, disputado no Pacaembu devido às obras no Maracanã – fechado por causa do acidente com uma grade de proteção ocorrido na final do Brasileirão daquele ano -, o Fla abriu o placar com Júnior, em golaço que encobriu o goleiro Roa, mas Graciani empatou no começo do segundo tempo. Dois minutos depois, Garcia driblou o goleiro rubro-negro Gilmar para virar e Rogério empatou, aos 63’. Na sequência, o Racing fez 3 a 2 em cobrança de pênalti de Gustavo Matosas, mas Djalminha, também de pênalti, fechou o placar em 3 a 3. Na volta, em seu El Cilindro lotado, o Racing aproveitou uma chance dentro da área, aos 17’, e Graciani, de cabeça, fez o gol da vitória por 1 a 0 que colocou os argentinos na final. Nela, a equipe acabou derrotada pelo Cruzeiro e ficou com o vice.

Racing 1×1 Flamengo / Flamengo 1×1 Racing – Racing 5×3 Flamengo nos pênaltis – Oitavas de final da Copa Libertadores de 2020

fla racing 2020

Depois de vencer grandes títulos como Libertadores, Brasileiro, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana sob o comando de Jorge Jesus, o Flamengo entrou em um período turbulento com a saída do Mister, em 2020. E, treinado por Rogério Ceni, foi eliminado de mais uma competição continental pelo Racing. Nas oitavas da Libertadores, o time carioca até arrancou um empate no primeiro jogo, em Avellaneda, com gol de Gabriel Barbosa, mas sofreu um bocado na volta, no Maracanã, e perdia por 1 a 0 até os 90’+3’, quando Willian Arão empatou e levou a partida para os pênaltis. Na marca da cal, os argentinos converteram todas as suas cobranças, enquanto Willian Arão fez valer a máxima “herói no jogo, vilão nos pênaltis”, e viu Arias defender seu chute. O placar de 5 a 3 classificou a Academia, que foi eliminada nas quartas de final pelo compatriota Boca Juniors.

Racing 1×1 Flamengo / Flamengo 2×1 Racing – Fase de Grupos da Copa Libertadores de 2023

Flamengo x Racing

Campeão em 2022, o Flamengo era um dos favoritos para a conquista do tetra e reencontrou o Racing no Grupo A da edição de 2023. No primeiro jogo, em Avellaneda, Gabriel Barbosa voltou a marcar diante dos argentinos e fez 1 a 0 nos acréscimos do primeiro tempo. Na segunda etapa, Nicolás Oroz empatou e decretou o terceiro empate seguido no duelo, somando os de 2020. No returno do grupo, o Flamengo fez valer o fator casa e conseguiu a vitória por 2 a 1, com gols de Wesley e Victor Hugo, resultado que ajudou a classificar o rubro-negro com 11 pontos, na segunda colocação, dois pontos atrás do Racing. Na fase final, o Fla foi eliminado pelo Olimpia-PAR já nas oitavas, enquanto a Academia sucumbiu mais uma vez diante do Boca, dessa vez nas quartas de final.

Flamengo 1×0 Racing / Racing 0x0 Flamengo – Semifinal da Copa Libertadores de 2025

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Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
 

O eletrizante duelo deste ano serviu como uma revanche para o Fla eliminar o rival pela primeira vez em uma competição da Conmebol. No duelo de ida, no Maracanã, o time brasileiro sofreu um bocado, mas conseguiu a vitória por 1 a 0 com um gol de Carrascal, já nos minutos finais, e levou a vantagem do empate para a Argentina. Diante de um cenário hostil no El Cilindro, o Fla conseguiu segurar o ímpeto do rival com controle do meio de campo e muita qualidade no toque de bola, principalmente no primeiro tempo. Na etapa final, o time rubro-negro teve um jogador expulso – Plata – e sofreu mais, porém, o goleirão Rossi estava atento e fez grandes defesas para manter a meta intacta e garantir o 0 a 0 que colocou o Mengão em mais uma final de Libertadores.

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