Por Guilherme Diniz
Nome: Estádio Olímpico do Pará – Jornalista Edgar Proença
Localização: Belém (PA), Brasil
Inauguração: 04 de março de 1978
Partida Inaugural: Seleção Paraense 4×0 Uruguai, 04 de março de 1978
Primeiro gol: Mesquita, da Seleção Paraense e do Remo
Proprietário: Governo do Pará
Capacidade: 53.645 pessoas
Recorde de público pagante: 65.000 pessoas no jogo Remo 1×0 Paysandu, 11 de julho de 1999.
De todas as regiões do Brasil, a Norte é a que possui menos estádios de futebol e praças esportivas. Mas, dentre todos, existe um que se destaca e possui fama muito além da Amazônia. Ao longo de quase 50 anos, ele abriga duas das mais fanáticas torcidas do país e inúmeros jogos do infinito clássico Re-Pa. Viu festas memoráveis. E, com reformas pontuais, se transformou em um ícone do Norte, com suas curvas sinuosas e a imponência de um inabalável Rei. O Estádio Estadual Jornalista Edgar Proença, mais conhecido como Mangueirão, faz parte do seleto rol dos mais famosos e icônicos estádios do Brasil, cuja história enche de orgulho o povo paraense. É hora de relembrar a trajetória e os detalhes desse gigante de Belém.
Sumário
O grande estádio do Pará

No final dos anos 1960, Belém não tinha um estádio à altura de seus clubes mais populares, Remo e Paysandu, e de suas respectivas torcidas. O Leão jogava no Baenão, inaugurado em 1917 e que abrigava pouco mais de 30 mil pessoas na época. Já o Papão atuava no estádio da Curuzu, inaugurado em 1914 e que comportava pouco menos de 20 mil torcedores. Por isso, o então governador do Pará, Alacid Nunes, revelou o desejo de construir um estádio na capital Belém com capacidade para 120 mil pessoas e que pudesse rivalizar em grandeza com outros estádios do país na época como Maracanã, Morumbi e Mineirão. A ideia era criar uma arena imponente, com anel completo e pista de atletismo. O projeto foi desenvolvido pelo arquiteto Alcyr Meira e apresentado em 1969, mas a capacidade acabaria reduzida para pouco mais de 60 mil espectadores por falta de recursos financeiros.
O novo estádio seria construído a partir de 1971, em uma área periférica da cidade e cercada por vegetação e igarapés. Mais tarde, o estádio ganharia o apelido de Mangueirão, criado pelo cronista esportivo Moacir Calandrini em referência ao apelido de Belém, conhecida como “a cidade das mangueiras”, e pelo fato de o estádio ter (segundo o cronista) o formato de uma manga. As obras se arrastaram por muitos anos por conta dos já citados problemas financeiros do governo paraense. Por isso, o estádio só foi inaugurado, ainda inacabado e sem o anel superior completo, em 1978, o que fez ele ganhar o apelido de “Bandola”, justamente por conta das arquibancadas incompletas.


Em fevereiro de 1978, aconteceu a inauguração não-oficial do estádio, em um jogo entre Remo e Operário, válido pelo Brasileirão daquele ano e vencido pelo Leão por 2 a 0 (dois gols de Mego), diante de 50 mil pessoas. Uma curiosidade é que essa partida só foi realizada no Mangueirão por conta de um acidente ocorrido no Baenão, dias antes, quando a queda do muro do alambrado – por superlotação – forçou o governo estadual a antecipar a abertura do novo estádio da cidade, já que a Confederação Brasileira de Desportos queria levar a partida para o Rio de Janeiro.
A inauguração oficial aconteceu um mês depois, em amistoso entre a Seleção Paraense, formada por atletas de Remo, Paysandu e Tuna Luso, contra a seleção do Uruguai. O primeiro gol foi de Mesquita, do Remo, e o jogo terminou com vitória dos paraenses por 4 a 0 sobre a Celeste, que levou a campo uma equipe juvenil. Mesquita, artilheiro da grande inauguração, virou engenheiro agrônomo após pendurar as chuteiras e passou a ser responsável pela grama do estádio, como destacou a Agência Pará em reportagem de março de 2025.
“Marcar o primeiro gol do Mangueirão foi um momento único. Naquela época, o estádio ainda era chamado de Alacid Nunes. Hoje, estar aqui, cuidando do gramado como agrônomo, é uma satisfação imensa. Jamais imaginei que faria parte dessa história de tantas formas.” – Raimundo Mesquita, em entrevista à Agência Pará, 04 de março de 2025.
Sinônimo de Re-Pa e visitantes ilustres

Em 1979, o Mangueirão recebeu mais de 64 mil no Paysandu 1×1 Remo, em abril daquele ano, que foi durante muito tempo o maior da história do estádio, que na época ainda tinha o setor da Geral, semelhante ao Maracanã, no qual os torcedores ficavam em pé – o setor, aliás, lembrava muito o templo do futebol nacional quando víamos os jogos pela TV. Entre 1981 e 1982, o Mangueirão recebeu um novo complemento da cobertura de suas arquibancadas. Naqueles anos 1980, o estádio se consolidou como o mais importante e maior da região Norte e abrigou grande jogos de Remo e Paysandu tanto pelo Campeonato Paraense como por torneios nacionais – com destaque para os Re-Pas válidos pelo Brasileirão de 1985, com vitórias do Paysandu por 1 a 0 e 3 a 0. Em 1983, por exemplo, o Flamengo de Zico e companhia visitou o estádio para enfrentar o Paysandu e venceu por 3 a 2, em jogo visto por mais de 42 mil pessoas.


Em 1990, foi a vez da seleção da Bulgária, do craque Stoichkov, jogar no estádio um amistoso contra a seleção do Pará, que terminou empatado em 1 a 1. A partida inusitada aconteceu após uma intriga ocorrida entre a CBF e a Federação Paraense de Futebol (FPF), quando um jogo entre Brasil x Romênia, prometido para acontecer no Pará, foi realizado em Londrina (PR). Já no Brasil para também enfrentar a seleção canarinho, a Bulgária acabou convencida pela FPF a disputar um amistoso contra a seleção do estado, que entrou em campo com a camisa da seleção brasileira, o que gerou críticas da torcida local.



O Brasil só jogaria no Mangueirão pela primeira vez em novembro de 1990, em amistoso contra o Chile que terminou 0 a 0, no primeiro jogo entre as duas seleções após o fatídico episódio do Caso Rojas. Em 1993, o Mangueirão foi o talismã da grande campanha do Remo no Brasileirão daquele ano, quando o Leão avançou até a fase final e terminou na 8ª colocação, na melhor campanha de um clube do Norte em toda a história da Série A.
Foi naquele ano ainda que o Remo iniciou a maior série invicta da história do Re-Pa: 33 jogos sem perder, uma sequência que só seria interrompida em 1997, ano que teve outro jogo da seleção brasileira: um amistoso contra Marrocos que terminou com vitória canarinho por 2 a 0 (dois gols de Denílson). Para completar uma década de ouro do Leão no Mangueirão, o clube venceu o rival por 1 a 0 na final do Campeonato Paraense de 1999, em jogo que teve 65 mil pessoas, o maior da história do estádio e que selou o Remo como maior campeão paraense do Século XX.
A primeira grande reforma e novo nome

Ao final da década de 1990, o estádio já mostrava sinais de desgaste. As exigências da FIFA e da CBF para jogos oficiais, aliadas às novas normas de segurança, deixaram claro que o velho Mangueirão precisava de uma grande reforma. Isso levou ao fechamento temporário no início dos anos 2000 e à posterior modernização que resultou na reinauguração de 2002, com muito mais conforto, segurança e uma pista de atletismo onde ficava a geral, dando ao estádio o status de estádio Olímpico, além do fechamento do grande anel das arquibancadas. O estádio foi rebatizado como Estádio Estadual Jornalista Edgar Proença, em homenagem ao advogado e dramaturgo que se destacou como jornalista e radialista, nascido em Belém em 1892. Edgar Proença esteve à frente da inauguração da PRC-5 Rádio Clube do Pará, pioneira na região amazônica, em 1928. Anos depois, Proença foi a voz das transmissões dos jogos da Copa do Mundo de 1950, no Brasil, para a região do Norte.
Essa nova fase do Mangueirão coincidiu com a grande era do Paysandu, que acumulou títulos entre 2000 e 2003 e se transformou no primeiro clube do Norte a disputar uma Copa Libertadores da América, em 2003. O Papão alcançou as oitavas de final e enfrentou o temido Boca Juniors-ARG da época, levando mais de 57 mil pessoas ao Mangueirão. No entanto, o time paraense perdeu por 4 a 2 e foi eliminado.

Em 2005, o Mangueirão recebeu a seleção brasileira em partida válida pelas Eliminatórias da Copa de 2006 e viu o famigerado “quadrado mágico” vencer a Venezuela por 3 a 0, em gols de Adriano, Ronaldo e Roberto Carlos. A partida iludiu muita gente, pois o time canarinho jogou por música e dava mostras de que seria hexa. Mas, na Alemanha, tudo deu errado, como você pode ler mais clicando aqui.
Tempo depois, em 2011, foi a vez do Brasil vencer a Argentina no Superclássico das Américas por 2 a 0 e fazer a festa da torcida, que, na execução do hino nacional, cantou o trecho normalmente cortado à capela, contagiando os jogadores. Nos anos seguintes, mesmo apto para grandes jogos, o estádio foi preterido na escolha das sedes para a Copa do Mundo de 2014, quando Manaus acabou sendo a sede do Norte e ganhou a Arena da Amazônia, com capacidade para pouco mais de 44 mil pessoas.

Remodelação

Com o passar dos anos, o Mangueirão necessitou de novas modernizações para atender às exigências de acessibilidade, segurança e conforto. Entre 2019 e 2023, o estádio passou por uma reforma estrutural completa:
- Troca do gramado por padrão FIFA;
- Novos sistemas de iluminação em LED;
- Modernização das arquibancadas, cadeiras e acessos;
- Total acessibilidade para pessoas com deficiência;
- Elevadores panorâmicos;
- Novas catracas e câmeras de segurança com reconhecimento facial (conectadas com os servidores da segurança pública);
- Criação de áreas de hospitalidade e melhorias nos vestiários;
- Ampliação da cobertura das arquibancadas e instalação de placas solares.





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O estádio foi reinaugurado em abril de 2023, com capacidade ampliada para 53.645 torcedores, e suas arquibancadas ficaram ainda mais bonitas com as cadeiras dispostas em cores que simbolizam a bandeira do Pará. Mantendo-se como o maior palco esportivo da Amazônia, dono de uma arquitetura monumental e localização emblemática, o Mangueirão segue como referência do futebol nortista e orgulho do povo do Pará, sendo considerado um dos grandes templos do futebol brasileiro.
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