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Argentina x Inglaterra: Grandes Jogos na História

Última atualização em 15 de julho de 2026 às 20:20

Por Guilherme Diniz

Assim como fizeram em vários países, os ingleses foram os responsáveis por levar o futebol à Argentina no final do século XIX. Eram mais de 10 mil britânicos vivendo em solo argentino em uma época com enorme respeito e união entre as comunidades e esportistas. Clubes foram criados a partir de iniciativas de ingleses tais como o lendário Alumni, o Rosario Central, o Quilmes, o Newell’s Old Boys, entre outros. E, nos anos 1940, por exemplo, até árbitros ingleses eram utilizados em algumas partidas do campeonato nacional. Mas as inimizades começaram a surgir nos anos 1960, mais precisamente quando as seleções se enfrentaram na Copa do Mundo da FIFA de 1966 e os argentinos trataram a derrota por 1 a 0 nas quartas de final como o “roubo do século”. Dois anos depois, Estudiantes e Manchester United se enfrentaram na final do Mundial Interclubes e os ingleses chamaram os argentinos de “animais”. 

A harmonia havia acabado. E ruiu de vez na década de 1980, com a eclosão da Guerra das Malvinas, o principal ponto de intriga entre argentinos e ingleses na história. Em 1986, Maradona provocou a fúria dos ingleses no épico confronto das quartas de final da Copa daquele ano, quando marcou um gol com a mão e outro driblando meio time inglês. Depois, em 1998, fizeram uma etapa de oitavas de final alucinante na Copa da França. E ainda se enfrentaram na fase de grupos do Mundial de 2002, com triunfo inglês que contribuiu para a queda precoce da favorita albiceleste, e na épica semifinal de 2026, como triunfo argentino de virada nos minutos finais do jogo.

Argentina x Inglaterra nunca é apenas um jogo. É um verdadeiro confronto de inimizades, intrigas e muita rivalidade, que transcende o futebol e passa por várias outras modalidades, pela política, pela cultura. É hora de relembrar os grandes jogos na história entre a Albiceleste e o English Team!

Inglaterra 2×1 Argentina – Amistoso – 1951

Logo após as Olimpíadas de 1948, as federações de Argentina e Inglaterra começaram a articular dois amistosos entre suas seleções, algo então inédito na história, um em cada país. O primeiro jogo foi disputado em Wembley e a Argentina tinha vários craques da seleção que brilhou nos anos 1940 como o goleiro Rugilo, o defensor Yácono, o meia Norberto Méndez e os atacantes Mario Boyé, Félix Loustau e Ángel Labruna. Já a Inglaterra contava com os grandes defensores Billy Wright e Alf Ramsey, os atacantes Tom Finney e Stan Mortensen e o icônico técnico Walter Winterbottom. 

Argentina x Inglaterra: Grandes Jogos na História

Quando a bola rolou, a Argentina saiu na frente com gol de Boyé, mas a Inglaterra nutria na época uma notável invencibilidade para seleções fora do Reino Unido dentro de casa. E fez de tudo para não perder aquela marca diante dos sul-americanos (o fim seria em 1953, contra a Hungria de Puskás e companhia). Aos 79’, Mortensen empatou. E, aos 86’, Milburn fez o gol da virada que garantiu o triunfo inglês por 2 a 1. Um grande destaque desse jogo foi o goleiro argentino Rugilo, que fez defesas espetaculares e ganhou o apelido de “Leão de Wembley”.

Argentina 0x0 Inglaterra – Amistoso – 1953

A tentativa de revanche sul-americana aconteceu dois anos depois, no estádio Monumental lotado e ainda incompleto, o que dava à casa do River Plate um curioso formato de ferradura. Mesmo assim, mais de 90 mil pessoas – o maior público da história do futebol argentino na época – lotaram o caldeirão de Buenos Aires na expectativa de uma vitória da equipe que tinha nomes como Pedro Dellacha, Carlos Cecconato e Ernesto Grillo. Porém, o jogo durou apenas 23 minutos e teve que ser encerrado devido a uma chuva torrencial que caiu na capital argentina naquele dia. Não houve condição de retomar a partida e o duelo terminou mesmo sem gols.

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Um detalhe curioso é que antes desse empate aconteceu uma partida não-oficial entre as duas seleções que terminou com vitória da Argentina por 3 a 1. O jogo não entrou para as contagens de nenhuma das associações pelo fato de a Inglaterra ter enviado a campo um time reserva e denominado FA XI (Football Association XI).

Inglaterra 3×1 Argentina – Fase de Grupos da Copa do Mundo da FIFA de 1962

A primeira partida válida por um torneio oficial entre as duas seleções aconteceu na segunda rodada do Grupo 4 do Mundial de 1962, ainda em tempos de calmaria. A Argentina vinha de uma vitória por 1 a 0 sobre a Bulgária, enquanto a Inglaterra havia perdido por 2 a 1 para a Hungria e precisava da vitória se quisesse sonhar com uma vaga na segunda fase, afinal, na época as vitórias ainda valiam dois pontos. Jogando em Rancagua, diante de pouco mais de 9 mil pessoas, a Inglaterra começou na frente em gol de pênalti anotado por Flowers, aos 17’. Aos 42’, Bobby Charlton ampliou e deu tranquilidade ao English Team para a etapa final.

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Logo aos 67’, o artilheiro Jimmy Greaves fez 3 a 0 e praticamente selou a vitória inglesa. Sanfilippo descontou para a Argentina aos 81’, mas o 3 a 1 deixou a Inglaterra dependendo só de si para se classificar. Na última rodada, os ingleses empataram em 0 a 0 com a Bulgária, enquanto a Argentina também empatou sem gols com a Hungria. Com isso, a Inglaterra se classificou em segundo lugar, com 3 pontos, e a Argentina acabou eliminada também com 3 pontos, mas média de gols inferior a dos ingleses. A Hungria avançou em primeiro lugar, com 5 pontos. Os ingleses seriam derrotados pelo campeão Brasil nas quartas de final por 3 a 1.

Argentina 1×0 Inglaterra – Taça das Nações de 1964

A primeira vitória oficial da albiceleste sobre os ingleses aconteceu na Taça das Nações de 1964, torneio realizado no Brasil em comemoração aos aniversário de 50 anos da Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF). Quatro seleções participaram da disputa: Brasil, Argentina, Inglaterra e Portugal, com todos se enfrentando entre si e o melhor colocado terminando com o título. A Argentina estreou com vitória por 2 a 0 sobre Portugal (gols de Rojas e Rendo) no Maracanã, enquanto a Inglaterra levou de 5 a 1 do Brasil também no gigante carioca.

Na segunda rodada, a Argentina derrotou o Brasil em pleno Pacaembu por 3 a 0 e encarou a Inglaterra diante de apenas 15 mil pessoas no Maraca na última rodada. O time sul-americano venceu por 1 a 0, gol de Alfredo “El Tanque” Rojas, e celebrou sua primeira vitória sobre o English Team na história. De quebra, ficou com o título da Taça das Nações após três vitórias em três jogos, com o Brasil em segundo, a Inglaterra em terceiro e Portugal na lanterna.

Inglaterra 1×0 Argentina – Quartas de Final da Copa do Mundo da FIFA de 1966

Este foi o duelo que mudou para sempre as relações entre ingleses e argentinos no futebol. E em plena Copa realizada na Inglaterra. Após superarem grupos difíceis, sul-americanos e europeus realizaram um jogo muito disputado e tenso no estádio Wembley lotado com mais de 90 mil pessoas pelas quartas de final. Os ingleses venceram os argentinos por 1 a 0, gol de Hurst, mas a vitória acabou em segundo plano, pois o jogo ficou marcado mesmo pela polêmica expulsão do argentino Antonio Rattín por “indisciplina e pelo olhar controverso” como disse o árbitro alemão Rudolf Kreitlein – mesmo este não sabendo nada de espanhol. O argentino ficou mais de 10 minutos em campo exigindo uma explicação e até um intérprete antes de ser retirado do gramado.

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Foi por causa desse episódio que a FIFA passou a adotar já na Copa de 1970 o uso de cartões, pois na época os jogadores ainda eram expulsos verbalmente. Os argentinos alegaram na época que o gol inglês foi impedido e chamaram o duelo de “o roubo do século”. A mídia inglesa chamou os argentinos de “animais”, ambos trocaram acusações e nunca mais o confronto entre as nações foi amistoso. O próprio Rattín comentou sobre o jogo, anos depois, em entrevista ao jornal La Nación (ARG) e reproduzida no UOL em julho de 2016. “O árbitro cobrava tudo a favor da Inglaterra: escanteios, faltas, até inventava mão. Mostrei-lhe o bracelete de capitão e durante vários minutos pedi intérprete e explicações. Aos 35 minutos de jogo, me expulsou”. 

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Alf Ramsey impede George Cohen de trocar de camisa com um jogador da Argentina após a tensa partida das quartas de final da Copa do Mundo em Wembley, vencida pela Inglaterra por 1 a 0. Foto: Central Press/Getty Images.
 

“De raiva, sentei no tapete vermelho do palco da rainha. Sentei uns cinco minutos ali. Fui para o vestiário. Enquanto caminhava, me jogavam chocolate aerado, que para mim era uma novidade. Eu abria, mastigava um pouco e devolvia. Cheguei ao escanteio, peguei uma bandeirinha britânica e retorci toda com a mão e lhes disse: ‘Ingleses filhos da ….’. Começaram a me jogar latas fechadas de cerveja, e saí correndo para não me acertar…”.

A Inglaterra seguiu rumo ao título mundial em uma final também polêmica contra a Alemanha, na qual entrou para a história o “Gol Fantasma” de Geoff Hurst. Leia mais clicando aqui!

Inglaterra 2×2 Argentina – Amistoso – 1974

Quase uma década depois, os rivais se enfrentaram em um amistoso frenético em Wembley, no mês de maio de 1974. Em um processo de renovação e sem as estrelas do final dos anos 1960, a Inglaterra vivia tempos difíceis que deixaram o English Team de fora de duas Copas seguidas – 1974 e 1978, com retorno apenas em 1982. Os únicos nomes de destaque da equipe que empatou com a Argentina naquele duelo eram o goleiro Peter Shilton e o defensor Emlyn Hughes. Já a albiceleste tinha o ótimo zagueiro Perfumo, o defensor Francisco Sá, o meio-campista Brindisi e o artilheiro Mario Kempes.

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Channon e Worthington fizeram 2 a 0, mas Kempes anotou dois gols – um aos 59’ e outro aos 89’ -, e garantiu o empate que encerrou a sequência de vitórias da Inglaterra em casa sobre os sul-americanos. Os rivais se enfrentaram em outros dois amistosos nos anos de 1977 (1 a 1) e 1980 (vitória inglesa por 3 a 1), mas nada tão relevante quanto um que se aproximava…

Argentina 2×1 Inglaterra – Quartas de Final da Copa do Mundo da FIFA de 1986

Entre 02 de abril e 14 de junho de 1982, Argentina e Inglaterra travaram uma sangrenta batalha pela posse dos arquipélagos austrais das Malvinas, num conflito que ficou mundialmente conhecido como a Guerra das Malvinas. O saldo foi negativo para os sul-americanos e teve a Inglaterra como vencedora após a morte de mais de 640 soldados argentinos e outros 1068 feridos, contra 255 soldados ingleses mortos e 777 feridos. 

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Os capitães Maradona e Shilton.
 

Quatro anos depois, eis que os dois países voltaram a se encontrar em uma batalha. Dessa vez, para o bem da humanidade, não haveria armas, helicópteros, aviões militares ou explosivos. Mas sim um estádio abarrotado de gente, 22 homens vestidos com as cores de seus países e uma bola que serviria para atingir um só objetivo: o gol. E foi naquele 22 de junho de 1986 que a Argentina deu o troco nos ingleses de uma maneira apoteótica e que entrou definitivamente para a história graças a um homem baixinho, marrento e com uma camisa que tinha um imenso número 10 às costas que protagonizou dois lances mágicos que sacramentaram a vitória alviceleste por 2 a 1: Diego Armando Maradona.

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A famosa “mano de Dios”
 
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Após o polêmico primeiro gol, Maradona fez um gol antológico…
 
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O delírio de Maradona e o nada amigável público inglês ao fundo.
 

O meia chamou para si a responsabilidade de destruir aqueles europeus pelo orgulho da nação argentina e por tudo o que eles haviam causado quatro anos atrás. Mas Maradona não trabalhou sozinho. Ele contou com uma ajuda divina para colocar a bola para dentro do gol inglês logo no começo do segundo tempo. Minutos depois, Maradona não teve ajuda de ninguém. Foi apenas ele, sua genialidade, sua explosão, seu talento e a bola. Um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Meio time da Inglaterra foi driblado por Maradona. E a Copa do Mundo ganhava o seu gol mais sublime e maiúsculo para ser adorado, revisto e idolatrado para a eternidade. Leia mais sobre esse épico clicando aqui!

Inglaterra 2×2 Argentina – Copa Challenge de 1991

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Lineker e Ruggeri antes do amistoso de 1991.
 

A Football Association promoveu em maio de 1991 um torneio amistoso chamado Copa Challenge, que reuniu Inglaterra, URSS e Argentina, em jogos disputados nos estádios de Wembley e Old Trafford. Os ingleses venceram a URSS no primeiro jogo (3 a 1) e a Argentina empatou com os soviéticos (1 a 1), levando a decisão do título para a última rodada. Nela, a Inglaterra saiu na frente com gols de Lineker e Platt, mas a Argentina foi em busca do empate e conseguiu, após duas jogadas de escanteio que terminaram com gols de Claudio García, aos 66’, e Darío Franco, aos 72’. O 2 a 2, no entanto, acabou dando o caneco à Inglaterra. 

Argentina 2×2 Inglaterra (Argentina 4×3 Inglaterra nos pênaltis) – Oitavas de Final da Copa do Mundo da FIFA de 1998

Passados 12 anos do tenso duelo na Copa de 1986, ingleses e argentinos voltaram a se enfrentar em um mata-mata de Copa, dessa vez nas oitavas de final. A Argentina, no papel, tinha (de novo) mais time que os rivais europeus – Roberto Ayala, Javier Zanetti, Juan Sebástian Verón, Ariel Ortega, Matías Almeyda, Diego Simeone, Gabriel Batistuta, entre outros – e apostava em sua solidez defensiva para sair de Saint-Étienne com a vaga. Já os ingleses resolveram inverter os papeis e jogar tal como os sul-americanos: com garra, força de vontade e, claro, muita técnica. 

Nos primeiros 45 minutos, o English Team cavou pênalti – convertido por Alan Shearer -, chegou “chegando” em cada lance e, após sofrer o empate em gol de pênalti de Batistuta, ousou marcar um gol para a antologia das Copas, fruto de um garoto – Michael Owen -de apenas 18 anos que fez muito inglês lembrar o gol de Maradona em 1986 (nas devidas proporções). Mas a Argentina teve calma e inteligência para empatar em uma cobrança de falta científica e simplesmente impecável com Zanetti: 2 a 2. 

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Batistuta e Simeone celebram o primeiro gol argentino.
 
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A sequência de imagens da obra de arte de Owen: golaço está em várias listas da FIFA de gols mais bonitos dos Mundiais.
 
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No segundo tempo, Beckham não aguentou o calor do jogo e perdeu a cabeça, sendo expulso de campo. Foi aí que a Inglaterra se inflou e fez de tudo para não levar gols e para marcar o gol da vitória. A primeira missão foi gloriosamente cumprida graças a Paul Ince, Sol Campbell, Tony Adams e David Seaman, sublimes do sistema defensivo inglês. Já o gol não saiu por falta de sorte e pela ausência que um jogador como Beckham causava na linha ofensiva do técnico Glenn Hoddle. Campbell ainda fez um gol, mas este foi mal anulado pelo juiz.

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A expulsão de Beckham: mesmo sem o craque, a Inglaterra conseguiu segurar os argentinos.
 

Após 120 minutos, a partida foi para os pênaltis e, mais uma vez, a Inglaterra sucumbiu na marca da cal, como na Copa de 1990 e na Eurocopa de 1996. Mas ninguém deixou de aplaudir a atuação heroica dos europeus, que ficaram com o doce e eterno gol de Owen e o amargo de por muito pouco não vingar a derrota de 1986. Leia mais sobre esse jogaço clicando aqui!

Inglaterra 1×0 Argentina – Fase de Grupos da Copa do Mundo da FIFA de 2002

Como num pacto de orgulho, a Inglaterra ficou um bom tempo sem perder para a Argentina depois da eliminação de 1998. Em 2000, num amistoso em Wembley, o duelo terminou empatado em 0 a 0. Dois anos depois, na fase de grupos da Copa do Mundo, Beckham lavou a alma e deu a vitória aos ingleses por 1 a 0 (gol de pênalti), resultado que catapultou a classificação do time para a fase de mata-mata no famigerado grupo da morte. 

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Em 2002, Beckham deu o troco na Argentina e praticamente tirou os sul-americanos da Copa.
 
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Apesar de a Argentina ter vencido a estreia por 1 a 0 diante da Nigéria, o revés para a Inglaterra deixou os sul-americanos em situação dramática na última rodada, pois só a vitória diante da Suécia iria garantir a classificação. A equipe albiceleste acabou empatando em 1 a 1, viu a Inglaterra empatar com a Nigéria em 0 a 0 e os classificados foram Suécia e Inglaterra, com 5 pontos cada, com a Argentina em terceiro lugar, com 4 pontos.

Inglaterra 3×2 Argentina – Amistoso – 2005

Um novo encontro aconteceu três anos depois, em amistoso disputado em Genebra, na Suíça, que foi recheado de nostalgia e terminou com final feliz para o selecionado europeu. A Argentina tinha um timaço com Abbondanzieri, Sorín, Zanetti, Samuel, Maxi Rodríguez, Riquelme, Crespo, Cambiasso e Tevez, e já era uma das favoritas ao título da Copa de 2006. Mas a Inglaterra mostrou força, brio e um antigo carrasco para acabar com aquela banca toda dos sul-americanos. Crespo abriu o placar no primeiro tempo e Rooney empatou pouco depois.

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Para o azar dos argentinos, Owen voltou em 2005. E decidiu. Como um bom e velho carrasco.
 

Na segunda etapa, Samuel colocou a Argentina na frente e o placar seguiu inalterado até os 42´, quando Michael Owen empatou e, aos 47´, fez o gol da virada e da vitória por 3 a 2, placar tão desejado e merecido pelo English Team no duelo de 30 de junho de 1998. Mesmo assim, o triunfo foi devidamente saboreado pelos ingleses com muito chá. E alfajores…

Argentina 2×1 Inglaterra – Semifinal da Copa do Mundo da FIFA de 2026

Pela 6ª vez na história, argentinos e ingleses se enfrentaram em uma Copa do Mundo. E foi um dos maiores jogos de todos: a semifinal que colocou frente a frente Messi e companhia contra Kane, Bellingham e um English Team que queria disputar uma final de Mundial depois de 60 anos. A Argentina fez questão de jogar de camisa azul, assim como nos duelos de 1986 e 1998, e a superstição deu certo. O duelo foi muito tenso e apimentado pela imprensa dos dois países no pré-jogo. Em campo, os hinos nacionais simplesmente não foram ouvidos por culpa das torcidas, que vaiaram e gritaram sem parar durante a execução de cada um.

Enzo provoca: Argentina viva! Foto: Reuters
 

Quando a bola rolou, faltas em demasia, jogo pegado e muita catimba do lado albiceleste, com os jogadores sul-americanos visivelmente pilhados e brigando demais. Isso acabou minando as chances de gol, com apenas uma clara de Enzo Fernández, em chute de fora da área. No segundo tempo, a Inglaterra conseguiu abrir o placar logo aos 55’, com Gordon, e viu a chance de vitória muito perto. Só que o técnico Thomas Tuchel, ao invés de mandar o time para frente, colocou defensores e recuou… Foi como se ele dissesse: “Argentina, venha até mim e faça gols”. Pois ela foi. E só a albiceleste atacou, carimbando a trave de Pickford e criando várias e várias chances.

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Até que, aos 85’, Messi tocou na meia-lua para Enzo Fernández e o meio-campista teve liberdade para chutar forte, sem chances para Pickford, e empatou. O delírio tomou conta da Mercedes-Benz Arena e a torcida jogou junto. A Inglaterra ficou em pânico e, como disse Scaloni no pós-jogo, “quando sentimos cheiro de sangue, atacamos”. Aos 90’+2’, Messi aproveitou rebote de um chute na trave de Mac Allister, foi para a linha de fundo e cruzou para a área. Lautaro Martínez estava lá, sedento por sangue, e fez: 2 a 1. Virada épica e vaga na final com o mesmo placar do triunfo de 1986, de la mano de Dios e do gol de Maradona. Bem, naquela noite de Atlanta, foi dos pés de Messi, Enzo e de um time que não desiste jamais.

Retrospecto entre Argentina x Inglaterra:

  • 15 jogos
  • 6 vitórias da Inglaterra
  • 3 vitórias da Argentina
  • 5 empates
  • 22 gols da Inglaterra
  • 17 gols da Argentina

Curiosidades:

  • A Inglaterra venceu a Argentina nas Copas de 1962 (fase de grupos), 1966 (quartas de final) e 2002 (fase de grupos). Já a Argentina venceu ou saiu classificada diante da Inglaterra nas Copas de 1986 (quartas de final), 1998 (oitavas de final, nos pênaltis, após empate no tempo regulamentar e prorrogação) e 2026 (semifinal). Placar: Inglaterra 3×3 Argentina;
  • Em jogos disputados em solo inglês, a Inglaterra jamais perdeu para a Argentina: foram seis jogos, com três vitórias inglesas e três empates;
  • Em solo argentino, foram apenas dois jogos, com dois empates, um deles cancelado por causa da chuva;
  • Em campos neutros, foram sete jogos, com três vitórias da Inglaterra, três vitórias da Argentina e um empate (com posterior vitória nos pênaltis da equipe sul-americana – no Mundial de 1998);
  • Em caminhos vitoriosos de Copa do Mundo, ambos se encontraram: a Inglaterra enfrentou a Argentina nas quartas de final da Copa de 1966 e venceu o torneio. Já a Argentina enfrentou a Inglaterra nas quartas de final da Copa de 1986 e venceu o torneio.
  • Com 3 gols, Michael Owen é o artilheiro da história do clássico.

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