Top 5 dos mais lidos da semana

Posts relacionados

Jogos Eternos – PSG 5×4 Bayern München 2026

Data: 28 de abril de 2026

O que estava em jogo: um bom resultado no primeiro jogo das semifinais da Liga dos Campeões da UEFA de 2025-2026.

Local: Parque dos Príncipes, Paris, França.

Árbitro: Sandro Schärer (SUI)

Público: 47.511 pessoas

Os Times:

Paris Saint-Germain-FRA: Safonov; Hakimi, Marquinhos, Pacho e Nuno Mendes (Lucas Hernández, 84′); Zaïre-Emery (Fabián Ruiz, 64′), Vitinha e João Neves; Doué (Barcola, 70′), Dembélé e Kvaratskhelia (Mayulu, 84′). Técnico: Luis Enrique.

Bayern München-ALE: Neuer; Stanisic, Upamecano, Tah e Alphonso Davies (Laimer, intervalo); Kimmich e Pavlovic (Nicolas Jackson, 90’+3′); Olise, Musiala (Goretzka, 79′) e Luis Díaz; Harry Kane. Técnico: Aaron Danks (treinador substituto. Vincent Kompany estava suspenso).

Placar: PSG 5×4 Bayern München. Gols: Harry Kane-BMN, pênalti, aos 17′, Kvaratskhelia-PSG, aos 24′, João Neves-PSG, aos 33′, Olise-BMN, aos 41′ e Dembélé-PSG, pênalti, aos 45’+ 5′ do 1º T; Kvaratskhelia-PSG, aos 11′, Dembélé-PSG, aos 13′, Upamecano-BMN, aos 20′, e Luis Díaz-BMN, aos 23′ do 2º T.

 

“Uma Homenagem ao Futebol”

Por Guilherme Diniz

A cidade de Paris é conhecida desde meados do século XVII como “Cidade-Luz” (ou cidade das luzes), por conta da Era do Iluminismo, movimento intelectual e filosófico que apresentou uma série de ideias centradas no valor do conhecimento aprendido por meio do racionalismo e do empirismo e ideais políticos como o direito natural, a liberdade, a tolerância, a fraternidade, o governo constitucional entre outros. O apelido vem também do sentido literal, porque Paris foi uma das primeiras grandes cidades da Europa a usar iluminação pública a gás em grande escala já em 1829, quando luzes foram instaladas na Place du Carrousel, Rue de Rivoli e Place Vendôme. Séculos depois, pelo menos por uma noite, Paris ganhou um novo apelido: Cidade-Gol. Motivo? O Parque dos Príncipes sediou uma partida de gala do esporte mais popular do planeta que foi uma verdadeira homenagem. Se Paris “É sacudida pelas ondas, mas não afunda”, as redes do estádio parisiense foram sacudidas nove vezes pelos atletas de Paris Saint-Germain e Bayern München, e mesmo assim permaneceram firmes e plenas diante de mais de 47 mil pessoas.

Em 13 chutes no gol, saíram 9 gols. O PSG chutou cinco vezes no gol e acertou todas (!). O Bayern chutou sete, acertou mais da metade. O primeiro tempo acabou 3 a 2 para o PSG, na primeira vez em que uma semifinal teve cinco gols em um só tempo. O segundo tempo terminou 2 a 2, finalizando o placar em 5 a 4 para os donos da casa, na primeira semifinal da história da era moderna da UCL com 9 gols. 

O que PSG e Bayern fizeram naquela noite parecia um jogo de videogame. Um jogo dos tempos de ouro do esporte. Dois times que jamais ficaram tocando a bola na defesa sem propósito. Que jamais ficaram reclamando com o árbitro. Que jamais fizeram cera. Que jamais fizeram antijogo. Os dois times jogaram FUTEBOL, na mais pura concepção da palavra. Poucas vezes vimos uma partida tão eletrizante, tão cheia de alternativas, tão perfeita. E nem era final… Mas poderia ser. É hora de relembrar o PSG 5×4 Bayern München 2026.

Pré-jogo

Dois esquadrões poderosos e goleadores – ambos começaram as semifinais da UCL 2025-2026 com 38 gols cada! -, Bayern e PSG transformaram as semifinais em uma super aguardada “final antecipada” da competição europeia. Do lado francês, o PSG queria superar o desempenho ruim que vinha tendo contra o Bayern na UCL para lutar pelo bicampeonato em Budapeste, afinal, os franceses perderam os últimos cinco jogos para os bávaros e só venceram na Copa do Mundo de Clubes de 2025.

parbay1 12026

Antes da confirmação do duelo nas semis, a dupla se enfrentou lá na Fase de Liga da UCL, em Paris. A partida foi frenética e reuniu na época dois times ainda com 100% de aproveitamento após três rodadas. Logo aos 4’, Luis Díaz abriu o placar para o Bayern e, aos 32’, aproveitou uma falha do zagueiro Marquinhos para anotar o segundo. O atacante colombiano acabou expulso nos acréscimos, após carrinho maldoso no lateral Hakimi, e o Bayern ficou com um a menos durante todo segundo tempo. Aos 74’, João Neves descontou para o PSG, que seguiu pressionando, mas não conseguiu o empate e acabou derrotado por 2 a 1.

O técnico do PSG, Luis Enrique, sabia que o jogo da ida seria fundamental para o futuro de sua equipe e, por isso, iria apostar tudo no duelo do Parque dos Príncipes. Ele mandou a campo sua força máxima, com exceção de Fabián Ruiz, que voltava de lesão e não podia jogar os 90 minutos – Zaïre-Emery entrou em seu lugar. 

PSG time 2026
O 11 inicial do PSG. Em pé: Pacho, Marquinhos, Nuno Mendes, Zaïre-Emery e Safonov. Agachados: João Neves, Hakimi, Vitinha, Doué, Kvaratskhelia e Dembélé.
 

Do lado do Bayern, o trio de ataque Luis Díaz, Kane e Olise era a principal arma dos bávaros, que vinham embalados após a confirmação do título da Bundesliga e de ter eliminado o Real Madrid no épico 4 a 3 da Allianz Arena para brigar pelo hepta e se igualar ao Milan em número de títulos europeus. Com relação ao time que bateu o Real, Kompany mudou o lateral Laimer por Alphonso Davies e colocou Musiala no lugar de Gnabry, lesionado. Falando em Kompany, o técnico não estaria à frente de seu time em Paris por causa de uma suspensão e Aaron Danks substituiu o belga.

bayern time 2026
O 11 inicial do Bayern. Em pé: Alphonso Davies, Neuer, Upamecano, Stanisic, Tah e Pavlovic. Agachados: Olise, Musiala, Harry Kane, Kimmich e Luis Díaz.
 

A ausência de Kompany iria fazer falta pelo fato de o técnico inspirar bastante seu time com seu jeito frenético de comando e por fazer sua equipe não desistir jamais, uma característica marcante do esquadrão de Munique. Mas os jogadores sabiam o que fazer. E sabiam o que teriam pela frente: o indiscutível melhor time do mundo desde 2025, campeão do Sêxtuplo e que queria manter tal condição. Mas o Bayern também se enquadrava como um dos melhores do mundo e tinha, naqueles primeiros 90 minutos, a chance de provar suas qualidades já conhecidas. Em uma bela noite em Paris, o público no Parque dos Príncipes não poderia esperar nada além de um jogaço. E as mais de 47 mil pessoas seriam privilegiadas de um épico…

Primeiro tempo – Cinco gols e contando…

O PSG deu a saída, com seu tradicional chutão para a linha lateral, e já encaixotou a marcação para reduzir os espaços dos bávaros. A falta de espaço foi a tônica dos primeiros dez minutos, com as equipes sofrendo para encontrar brechas, embora o PSG tenha levado perigo em lances com Dembélé, aos 5’ e aos 7’. Aos 8’, Doué fez boa jogada, mas Kimmich apareceu bem e evitou o perigo. Só a partir dos 11’ que o Bayern conseguiu aparecer mais no campo do PSG, com jogadas mais centralizadas e o talento de Kane, que sofreu falta de Zaïre-Emery e ofereceu falta ensaiada para o Bayern, com Olise, mas o ponta não conseguiu aproveitar. Aos 12’, Marquinhos levou o primeiro cartão amarelo do jogo após falta em Luis Díaz.

PSG 5x4 Bayern München 2026
Kane deslocou o goleiro e abriu o placar. Foto: Reprodução TNT Sports
 
kane la presse bayern
Foto: La Presse / Acervo Marca
 

Aos 14’, Kimmich surpreendeu o goleiro Safonov com um bom arremate, mas o guarda-metas parisiense conseguiu a defesa e evitou o primeiro do Bayern. Porém, aos 16’, o Bayern apareceu de novo pelo meio da área, com Kimmich, que tocou para Olise e este escorou para Luis Díaz. O colombiano ajeitou, mas antes de chutar, foi derrubado dentro da área por Pacho. Pênalti! Na cobrança, Kane bateu no cantinho, Safonov pulou no canto oposto e a bola balançou as redes pela primeira vez na noite: 1 a 0. Foi o gol de número 54 de Kane em 47 jogos na temporada, sendo 13 gols em 12 jogos na UCL. Simplesmente uma máquina de gols o atacante inglês!

O gol deixou o Bayern ainda mais ávido por mais e, dois minutos depois, Musiala recuperou uma bola no campo do PSG, Harry Kane recebeu e tocou na direita para Olise. O ponta dominou, ajeitou para a perna esquerda, mas perdeu o tempo e o chute acabou saindo fraco, embora perigosíssimo. O goleiro Safonov defendeu e Marquinhos ainda completou, afastando a bola. Aos 22’, Olise apareceu de novo pela direita e Marquinhos teve que trabalhar de novo. O jogo era do Bayern, mas o PSG não se dava por vencido. E, aos 23’, o Bayern errou um passe no meio de campo e a bola foi lançada para Dembélé. O melhor do mundo saiu em disparada, livre, teve a chance de empatar, mas tentou tirar tanto do goleiro Neuer que acabou chutando pra fora. Do outro lado, Doué ficou desesperado pedindo a bola, em total condição de fazer o gol.

olise quase gol
Olise quase fez o segundo. Foto: Reprodução TNT Sports
 

O PSG percebeu que o lado direito da zaga do Bayern era o caminho. E, no minuto seguinte, engatilhou outra jogada por ali. Kvaratskhelia recebeu um belo passe de Zaïre-Emery nas costas de Stanisic, chamou o lateral para dançar, cortou e chutou com efeito no canto de Neuer para empatar: 1 a 1. A velocidade da partida era impressionante, com os times indo e vindo sem parar. Do lado do PSG, Kvara era um dos mais acionados, com velocidade, dribles insinuantes e muita criatividade. Além dele, Zaïre-Emery era outro que brilhava com desarmes precisos, passes na medida e muita presença ofensiva e defensiva. 

kvara lance uefa
Kvaratskhelia fez uma partidaça. Foto: Acervo / UEFA
 

Aos 31’, Olise deu a resposta bávara com uma jogadaça pela direita, ganhando de Nuno Mendes, passando por Marquinhos e caminhando no limite da linha de fundo. O francês chutou, mas Safonov fechou o ângulo, João Neves ofereceu o tronco e a bola explodiu no meio campista. No rebote, Safonov conseguiu defender e evitou o segundo gol alemão. Que lance!

olise quase gol 2
Olise ficou no limite da linha de fundo e ainda sim conseguiu finalizar! Foto: Reprodução TNT Sports
 
psg 5x4 bayern tactics 2026
Os times em campo: 22 jogadores que fizeram história.
 

O PSG sabia que não podia ficar tanto tempo sem marcar. Por isso, aos 33’, Dembélé cobrou escanteio na área e João Neves, mesmo diante de tantos gigantes do Bayern, conseguiu subir livre e testou para o gol de Neuer. Virada do Paris! E falha de marcação clamorosa da zaga do Bayern, que permitiu um gol do “baixinho” português mesmo com Tah, Kane, Stanisic e tantos outros jogadores altos por ali. Aos 34’, Dembélé tentou uma jogada mano a mano com Upamecano, mas o zagueiro do Bayern se saiu melhor. Dois minutos depois, Luis Díaz invadiu a área com muita qualidade, chutou rasteiro e fácil para Musiala, que preferiu tocar para Olise quando todos esperavam o chute, e a chance acabou desperdiçada.

joao neves gol
João Neves conseguiu cabecear mesmo com três gigantes do Bayern à sua frente. Foto: Reprodução TNT Sports
 

Mas Olise teve outra chance, dessa vez no meio, e não perdoou. O craque invadiu a área pela meia-lua, ajeitou e chutou forte, sem qualquer chance para o goleiro Safonov, e anotou um golaço: 2 a 2. Não tinha vantagem para ninguém. Se o PSG achava que tinha tudo sob controle com a virada, o Bayern mostrava que aquilo era balela. O árbitro assinalou um minuto de acréscimo, e o PSG usou esse exato minuto para tentar a virada. Conseguiu. Dembélé tentou cruzar pela direita, mas Alphonso Davies tocou a mão na bola e, após consulta ao VAR, o árbitro marcou o pênalti. Na cobrança, o próprio Dembélé se redimiu do gol perdido, chutou no canto esquerdo de Neuer, que ainda acertou, mas não conseguiu alcançar a bola: 3 a 2. 

paris saint germain v fc bayern munchen uefa champions league 2025 26 semi final first leg

Pela primeira vez na história uma partida semifinal de UCL terminava o primeiro tempo com cinco gols. Era uma enormidade! Ao apito de Sandro Schärer, enfim, o jogo cessou e os jogadores foram aos vestiários. Aplausos no Parque dos Príncipes. Que ode ao futebol bem jogado! Que jogo espetacular! Apenas sete faltas cometidas. Apenas um cartão amarelo. Só futebol. Será que eles iriam conseguir manter o nível? 

Segundo tempo – Perfeição 

Para a volta do intervalo, o Bayern trocou o lateral Davies por Laimer, a fim de ter mais proteção por aquele setor e também alternativas, pois o canadense não fez um bom primeiro tempo. Quando a bola voltou a rolar, Kvaratskhelia já fez arruaça pra cima de três jogadores do Bayern na ponta-esquerda, mostrando que o apetite estava o mesmo. Logo aos 6’, o georgiano avançou pela esquerda e, quando estava prestes a chutar, a perna de Upamecano apareceu. O ponta caiu e pediu pênalti, mas foi ele quem atingiu o zagueiro do Bayern e o árbitro deixou o jogo seguir. Aos 9’, Laimer apareceu no ataque e arriscou o chute após boa chegada de Luis Díaz, mas a bola pegou na rede pelo lado de fora.

kvara gol
“Bota 2 aí pra mim na conta!”
 

Quatro minutos depois, o PSG engatilhou um ataque rápido pela direita, quando Vitinha deu um “passe pornográfico”, como diria Nelson Rodrigues, que foi direto para Hakimi, totalmente livre. O lateral marroquino invadiu a grande área, olhou e cruzou para o meio. A bola acabou passando por Dembélé e Zaïre-Emery, menos por Kvaratskhelia, que mandou um foguete pro gol de Neuer: 4 a 2. Segundo tento do georgiano no jogo! E grande vantagem parisiense. O Bayern nem teve tempo de dar a saída e o PSG tomou a bola para si novamente. Apenas dois minutos depois, Doué conduziu a redonda pela direita, com Jonathan Tah em seu encalço. O camisa 14 foi até perto da meia-lua e tocou na esquerda para Dembélé, que cortou para a direita e chutou cruzado por entre as pernas de Upamecano, viu a bola beijar uma trave e a bochecha da rede do outro lado: 5 a 2.

psg v fc bayern munich uefa champions league
Doué celebra com Dembélé: PSG 5×2 Bayern
 

O PSG era uma máquina! Três gols de vantagem sobre o poderoso Bayern! Cinco gols marcados NO Bayern! E cinco gols após cinco chutes no gol! Quantos times conseguem ter 100% de aproveitamento em chutes NO gol? Raros, apenas os imortais, como já é esse PSG de Luis Enrique. E um detalhe: o Bayern não levava cinco gols em um jogo de Liga dos Campeões desde 1995, quando levou de 5 a 2 do super Ajax de Van Gaal também em uma semifinal.

A vantagem de três gols deu um certo conforto ao PSG e fez o Bayern se lançar de novo ao ataque. Luis Díaz teve boa chance aos 17’, mas acabou afastando demais a bola e Safonov conseguiu defender. Aliás, era o atacante quem tentava conduzir o time ao ataque naqueles minutos posteriores ao quinto gol do PSG, demonstrando muita vontade e raça, do jeito que o técnico Kompany sempre gostou. Aos 19’, Zaïre-Emery, gigantesco naquele jogo, acabou substituído por Fabián Ruiz, que teria alguns minutos para dar mais cadencia e fôlego ao companheiro já pensando na partida de volta. 

O problema é que Ruiz ainda não estava 100% fisicamente e causaria uma queda de rendimento no meio de campo parisiense a partir dali. Em um jogo frenético e rápido, o espanhol destoou perante seus companheiros. E o Bayern agradeceu. Um minuto depois da mexida, Kimmich cobrou falta na área, Upamecano apareceu por ali e só escorou a bola para descontar: 5 a 3. No lance, dá até a impressão de que o zagueiro francês nem tocou na bola, mas o gol foi creditado a ele. Pouco mais de dois minutos depois, o Bayern apareceu com perigo mais uma vez, na mais bela jogada da noite. 

Kimmich tocou no meio para Harry Kane e o atacante, como se fosse um maestro da camisa 10, viu o avanço de Luis Díaz lá na frente, por entre as costas de Marquinhos. Kane poderia dar um passe rasteiro, mas preferiu o toque por cima. Bem, não foi apenas um toque por cima. Foi uma assistência espetacular, daquelas que lendas como Gérson, Pelé, Cruyff ou Maradona poderiam aplaudir de pé. Dominar aquela bola exigia classe, beleza, arte. Luis Díaz entendeu isso e amorteceu a redonda com a parte de fora da perna, já ganhando espaço frente a Marquinhos. O colombiano dominou, fingiu que ia chutar, ajeitou mais um pouco e bateu no canto de Safonov: GOLAÇO. 

kane diaz
O passe espetacular de Kane… Foto: Reprodução TNT Sports
luis diaz gol la presse17774088580679
E o golaço de Díaz. Foto: La Presse
 

Quando saiu para comemorar a obra-prima, Luis Díaz viu o bandeira assinalar impedimento. Como assim anular um gol tão plástico, tão incrível? Ainda bem que temos a tecnologia. Sim, muitos ainda torcem o nariz por ela, mas ela existe para acabar com polêmicas e fazer justiça, seja para o bem, seja para o mal. Naquele caso, seria para o mal, pois teríamos um dos gols mais lindos da UCL jogados na lata do lixo. Pois Luis Díaz estava em condição legal, por centímetros. Foi a precisão cirúrgica do passe de Kane e a movimentação exata de Díaz. Ufa, ainda bem.

Luis Enrique decidiu mexer de novo e colocou o ágil Barcola no lugar do cansado Doué. Mas o Bayern continuou pressionando, querendo um incrível empate de 5 a 5. Aos 30’, o zagueiro Tah quase conseguiu o feito após cabeçada em cobrança de escanteio, mas o goleiro Safonov defendeu. Só perto dos 35’ que o Bayern fez sua primeira mudança, com a entrada de Goretzka no lugar de Musiala, a fim de dar ainda mais força no meio de campo do PSG, que sentia a falta de Zaïre-Emery naquele momento.

O PSG fez mais duas mudanças aos 39’ e a partida foi ficando mais comedida por alguns minutos, bem, isso até Vitinha arrancar pela esquerda, aos 41’, tocar para Mayulu e este mandar uma bomba no travessão de Neuer! Parecia o último lance do jogo, mas ainda teve outro aos 90’+4’, quando Kimmich aproveitou rebatida do goleiro após escanteio e cabeceou, no entanto, Pacho tirou a bola também de cabeça quase em cima da linha. 

Pouco depois de passar o último minuto dos acréscimos, o árbitro encerrou o espetáculo. Todos no estádio ficaram de pé e aplaudiram. Terminava a pirotecnia PSG 5×4 Bayern. Uma partida que entrou direto para a história como a semifinal com maior número de gols da era moderna da UCL – antes disso, só o Eintracht Frankfurt 6×3 Rangers em 1959-1960 teve tantos gols! E provavelmente um dos maiores jogos de todos os tempos. Eis os números:

  • Posse de bola: Bayern 55% x 45%
  • Chutes a gol: PSG 12 x 10 Bayern
  • Chutes no gol: Bayern 7 x 5 PSG
  • Escanteios: Bayern 5 x 2 PSG
  • Faltas: PSG 14 x 4 Bayern 
paris saint germain v fc bayern munchen uefa champions league 2025 26 semi
Foto: Acervo UEFA
 

No gramado, os jogadores estavam entorpecidos e até meio grogues. Não pareciam se dar conta do que tinham feito. A história estava escrita. O PSG 5×4 Bayern já é um dos maiores jogos de clubes não só da UCL, mas deste século. No mesmo nível do Milagre de Istambul, do Liverpool 4×0 Barcelona de 2019, do Barcelona 6×2 Real Madrid de 2009 e de outros jogos que já tivemos o prazer de ver nesses últimos anos. Independente de quem fique com a vaga na final, o futebol foi homenageado em uma noite inesquecível na Cidade-Gol.

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

PSG: na coletiva, Luis Enrique não escondeu a satisfação de ter presenciado e participado de um jogo tão marcante. “Nunca vi tanta intensidade. Não é hora de apontar falhas; precisamos apenas parabenizar a todos. Merecemos vencer, merecemos empatar e merecemos perder hoje. Foi uma partida fantástica. Sem dúvida, foi a melhor partida que já participei como treinador. Mostramos por que somos os campeões europeus e eles mostraram por que são o time com menos derrotas na Europa este ano. Fizemos com que eles perdessem a terceira partida da temporada. Devemos estar muito felizes, mesmo estando ganhando por 5 a 2 e tudo parecendo perfeito. O jogo de volta será outra comemoração e vamos tentar vencer.”

O PSG jogou pelo empate na partida da volta e abriu o placar logo no início do jogo, com Dembélé. O Bayern demonstrou muito nervosismo após o gol e suas estrelas não conseguiram brilhar, além do goleiro Safonov realizar grandes defesas. Só nos acréscimos do segundo tempo que Harry Kane anotou o gol de empate, mas era tarde demais. O placar de 1 a 1 – primeiro empate da história do duelo! – colocou os parisienses na final mais uma vez, na qual enfrentaram o invicto Arsenal e, após empate em 1 a 1, venceram nos pênaltis por 4 a 3 e ficaram com o bicampeonato europeu.

lequipe psg bayern

Bayern: “A energia esteve lá. Sofremos, mas também fomos perigosos. Uma coisa é olhar para os gols sofridos – normalmente, cinco gols fora numa semifinal da Champions League significam eliminação. Mas se olharmos para as oportunidades que criamos, poderíamos ter marcado mais. E isso tem de nos dar confiança.” Foi assim que Vincent Kompany definiu o desempenho de seu time após o duelo de Paris. Harry Kane, outro destaque da partida, também comentou. “Penso que vimos duas equipes de alto nível em campo esta noite, principalmente no ataque e nas transições, na velocidade e intensidade dos duelos individuais. Duas das melhores equipes a defrontarem-se de igual para igual.” 

A derrota em nada abalou o time bávaro, que foi para a partida de volta precisando de “apenas” dois gols de diferença para fazer a final, algo simples para a máquina alemã. Porém, as estrelas não brilharam e o placar de 1 a 1 na Allianz Arena eliminou o time de Munique.

Licença Creative Commons
O trabalho Imortais do Futebol – textos do blog de Imortais do Futebol foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em imortaisdofutebol.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença.

1 COMENTÁRIO

Comentários encerrados.

Artigos populares