
Grandes feitos: Campeão Invicto da Copa do Brasil (1995), Bicampeão do Campeonato Paulista (1995 e 1997) e Campeão do Troféu Ramon de Carranza (1996). Foi o primeiro clube de SP a vencer a Copa do Brasil na história.
Time-base: Ronaldo Giovanelli; André Santos (Vítor / Fábio Augusto), Célio Silva (Antônio Carlos), Henrique e Sylvinho (André Luiz); Zé Elias (Marcelinho Paulista / Ezequiel / Romeu), Bernardo (Gilmar Fubá), Marcelinho Carioca e Souza (Elivélton); Viola (Tupãzinho / Edmundo / Donizete) e Marques (Fabinho / Mirandinha / Túlio). Técnicos: Mário Sérgio (1995), Eduardo Amorim (1995-1996), Valdir Espinosa (1996) e Nelsinho Baptista (1996-1997).
“Os Primórdios do Todo-Poderoso”
Por Guilherme Diniz
Após décadas de decepções, enfim, o Corinthians conseguiu seu primeiro título brasileiro em 1990, sob a batuta de Neto e companhia, em duas finais memoráveis contra o rival São Paulo. No entanto, após aquele caneco, o alvinegro entrou em um período de entressafra e viu o outro rival, Palmeiras, entrar em um momento mágico e que “sobrou” para o próprio Timão, vice-campeão paulista de 1993 e vice-campeão brasileiro de 1994 após finais contra o alviverde. Mas foi dessas dolorosas derrotas que o Corinthians soube se reerguer e, após contratações certeiras e talento de grandes craques, o Timão retomou o caminho das glórias e fez festas memoráveis, sendo a primeira em cima do próprio Palmeiras, na final do Paulistão de 1995 e impedindo o tricampeonato alviverde. Depois, veio a Copa do Brasil, quando levantou o título inédito (e invicto!) em duas finais lendárias contra o Grêmio de Felipão. Para fechar, o Paulistão de 1997 foi conquistado sobre o São Paulo em pleno Morumbi.
Foi nessa época que o Timão começou a “esquentar os motores” antes de um dos períodos mais laureados de sua história, entre 1998 e 2000, quando levantou dois Brasileiros, um Mundial, um Paulista e ficou conhecido como Todo-Poderoso Timão. Com Ronaldo Giovanelli, Henrique, Célio Silva, Sylvinho, Zé Elias, Marcelinho Carioca, Souza, Viola, Marques e companhia, o Corinthians 1995-1997 fez a Fiel vibrar demais com um time que honrou a tradição corintiana de jamais desistir, de jogar com garra, encarar qualquer adversário e elevar ainda mais o nome do clube no futebol nacional. É hora de relembrar.
Sumário
Chega de vice!

O passaporte para disputar a Copa do Brasil de 1995 foi conquistado pelo Timão em 1994, antes mesmo do vice-campeonato brasileiro daquele ano. A equipe disputou a extinta Copa Bandeirantes, que reuniu oito times, sendo os seis melhores da primeira divisão de 1994 – Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Santos, América e Novorizontino -, o campeão da segunda divisão – Araçatuba – e o campeão da terceira divisão – Nacional. Os times foram divididos em dois grupos com quatro equipes e os líderes de cada grupo iriam para a final. Aquela competição dava ao campeão uma vaga na Copa do Brasil de 1995, por isso, tinha grande valor.
O Corinthians passou sem sustos pelos rivais e acumulou cinco vitórias e uma derrota em seis jogos. O alvinegro aplicou 3 a 0 no Araçatuba (fora), 4 a 1 no São Paulo (casa), 1 a 0 no Novorizontino (casa), 4 a 0 no Araçatuba (casa), 2 a 0 no São Paulo (fora) e derrota por 3 a 1 para o Novorizontino, fora. Na decisão, o alvinegro encarou o Santos e sacramentou o título logo no primeiro jogo ao fazer 6 a 3, com gols de Wilson Mano, Tupãzinho, Marcelinho Carioca, Viola (2) e Marques. Na volta, empate em 1 a 1 e título para o Timão, que conseguiu também a vaga na competição nacional.
Já no começo de 1995, o Corinthians passou a ser comandado por Mário Sérgio no lugar de Jair Pereira e o novo treinador tinha como objetivo renovar a equipe a fim de apagar as memórias da perda do Brasileirão para o maior rival. Ele queria uma equipe que marcasse mais, dizendo, em sua chegada, que “o Corinthians tem que ser um time de pegada, que marca forte. Quem quiser jogar aqui tem que entender isso”. Uma das mudanças do técnico foi recuar Marcelinho Carioca, em franca ascensão no clube, e forçar o meia a ajudar na marcação.

Nos primeiros jogos do ano, a equipe até deu a impressão de que iria embalar, com goleadas pelo Paulistão – 5 a 0 no Araçatuba e 5 a 0 na Ponte Preta -, além de vitória por 1 a 0 sobre o forte Guarani da época, mas uma série de empates e problemas com a diretoria fizeram com que Mário Sérgio pedisse demissão em março, após empate contra o Santos. Eduardo Amorim, auxiliar de Mário Sérgio e um dos principais jogadores do grande Cruzeiro campeão da Libertadores de 1976, foi quem assumiu a vaga de treinador a partir dali e tratou de mudar algumas coisas.
Ele parou de exigir tanto empenho na marcação de Marcelinho Carioca – que havia anotado apenas um gol até então -, construiu um time forte defensivamente, letal nos contra-ataques e nas bolas paradas, montando uma base que sofreria poucas mudanças. No gol, Ronaldo Giovanelli era incontestável e um ídolo do clube desde o título nacional de 1990. Na zaga, o lateral-direito Vítor, com grande passagem pelo São Paulo, era o preferido na função, enquanto o jovem Sylvinho, cria das bases e muito talentoso, era o titular da lateral-esquerda. No miolo da zaga, Henrique e Célio Silva eram os mais constantes no setor, com André Santos também aparecendo por ali e ainda como lateral-direito.

No meio de campo, o Timão contava com muitos nomes de peso. Ezequiel, volante revelado pela Ponte Preta nos anos 1980, era um talismã desde 1990, que podia jogar mais recuado e também ajudar no setor ofensivo. Bernardo, que brilhou no São Paulo de Telê, era outro muito forte na marcação. Zé Elias, cria corintiana, seria o grande motor do meio de campo corintiano com raça, bons passes e muita entrega, criando uma enorme identificação com a torcida. Marcelinho Carioca viveria em 1995 um de seus melhores anos pelo Timão e começaria a construir de vez a idolatria que marcou sua carreira com gols decisivos, jogos espetaculares e cobranças de falta inacreditáveis.
Souza, que vinha de grandes jogos pelo Rio Branco de Americana (SP), havia chegado em 1994 e podia jogar tanto na meia como mais avançado, marcando gols e distribuindo bem a bola. No ataque, o grande nome era Viola, vivendo o auge da carreira, presente na seleção brasileira campeã da Copa do Mundo de 1994 e com o faro de gol apuradíssimo. Ao seu lado, Marques era uma das principais escolhas, além de Elivélton e Tupãzinho (herói do caneco nacional de 1990). Dessa maneira, o Corinthians mudaria a chave completamente. E viveria um ano histórico.
Pelo fim do jejum

Sem vencer o Campeonato Paulista desde 1988, o Corinthians passava por um jejum muito incômodo na competição e enorme para seus padrões. Por isso, conquistar o Estadual era sem dúvida um objetivo essencial para a equipe naquela temporada. E a estreia do técnico Eduardo Amorim foi a melhor possível: vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, no Pacaembu, pelo Paulistão, com gols de Marcelinho Carioca e Tupãzinho – sempre carrasco do tricolor. Na sequência, o alvinegro bateu o América de São José do Rio Preto por 3 a 0, empatou com o Bragantino em 2 a 2 e encontrou o rival Palmeiras, no Pacaembu, em 02 de abril. Foi o primeiro duelo desde as fatídicas finais do Brasileirão de 1994 e o Corinthians encarou o jogo como uma final.
O Verdão era um dos principais esquadrões do país na época e contava com Velloso, Cléber, Roberto Carlos, Amaral, Flávio Conceição, Paulo Isidoro, Rivaldo e Edmundo, treinados por Valdir Espinosa – Luxemburgo havia deixado o clube para assumir o Flamengo no ano de seu centenário. A partida terminou com vitória corintiana de virada por 2 a 1, com dois gols de Marcelinho Carioca, que, enfim, desencantou contra o rival, algo que incomodava o craque, tão artilheiro pelo clube, mas que ainda não havia balançado as redes do principal adversário alvinegro.
“A torcida chegou em um determinado momento e falou assim: ‘Não adianta você entrar para a seleção, receber Bola de Prata, Bola de Ouro’. Se você não fizer gol nos caras, não adianta nada”, comentou Marcelinho ao UOL Esporte, em 27 de abril de 2023.
O primeiro gol do craque foi de falta, de muito longe, na qual o goleiro Velloso nem pediu barreira – o Pé-de-Anjo acertou um petardo no ângulo e fez um golaço! Na comemoração, o meia extravasou, com raiva, e levou à loucura a Fiel torcida. Tempo depois, o camisa 7 marcou o segundo, após receber dentro da área alviverde, selando a vitória que deixou o Timão mais perto da segunda fase.
Desafios na Copa do Brasil

Enquanto cumpria a agenda de 30 jogos (!) da primeira fase do Campeonato Paulista, o Corinthians enfrentava seus primeiros adversários na Copa do Brasil. Tudo começou em março, no empate em 1 a 1 contra o Operário-MT, fora de casa e ainda sob comando do técnico Mário Sérgio. Na volta, em casa, o Timão goleou por 4 a 0, já treinado por Eduardo Amorim, com gols de Célio Silva (2), Henrique e Elivélton. O adversário seguinte foi o Rio Branco, do Acre, e o Corinthians fez valer a longa viagem para o jogo de ida, no Estádio José de Melo, e venceu por 3 a 0, com dois gols de Marques e um de Marcelinho. Na volta, Marcelinho anotou mais dois gols e garantiu o 2 a 0 que colocou o Timão nas quartas de final.
Em maio, o alvinegro enfrentou o Paraná Clube, que na época vivia a melhor fase de sua história, dominante no futebol paranaense e frequente na elite do futebol brasileiro. Na ida, diante de mais de 41 mil pessoas no Couto Pereira, o Corinthians se segurou e o empate em 0 a 0 deixou tudo aberto para a volta, no Pacaembu. Com Viola inspirado, o Timão venceu por 2 a 1, com dois gols de seu artilheiro, e carimbou a vaga na semifinal.
Voltando ao Paulistão, a equipe vivia um período de instabilidade. Após derrotar a Ferroviária por 3 a 0, em abril, o alvinegro ficou cinco jogos sem vencer e despencou na tabela de classificação. Em maio, venceu o Bragantino por 1 a 0, fora de casa, mas perdeu para o Novorizontino e para o Palmeiras. Após mais alguns tropeços, o Corinthians acabou se classificando para a etapa final do Estadual na 6ª colocação, com 10 vitórias, 12 empates e 8 derrotas em 30 jogos.
Nas finais!

Antes de começar a etapa final do Paulistão, o Corinthians enfrentou o Vasco pelas semifinais da Copa do Brasil. Comandado por Abel Braga, o cruzmaltino ainda não tinha as estrelas de sua era de ouro do final dos anos 1990, mas contava com bons nomes como o goleiro Carlos Germano, o veterano Ricardo Rocha, os meio-campistas Leandro Ávila e Luisinho e o atacante Valdir. Na ida, no Maracanã, o Corinthians mostrou força e venceu por 1 a 0, após bela jogada trabalhada pela esquerda e que culminou em gol de Marcelinho Carioca, de cabeça (!), livre na grande área. A única notícia ruim foi a expulsão de Zé Elias, que poderia fazer falta na volta. Só que o Timão realizou no dia 31 de maio de 1995 um de seus grandes jogos do ano e, diante de 43 mil pessoas em um Pacaembu fervente, aplicou sonoros 5 a 0 no Vasco!
Tudo começou aos 24’, no gol-contra de Ricardo Rocha, que desviou um chute de fora da área de Marcelinho. O segundo veio aos 32’, após grande jogada de Souza, que passou como quis por três marcadores e deixou Viola na cara de Carlos Germano. No segundo tempo, após uma blitz na área vascaína, Souza aproveitou a sobra e fez o terceiro gol, aos 66’. Aos 87’, escanteio cobrado por Marcelinho e Viola, livre, só escorou para fazer o quarto. Dois minutos depois, Viola completou sua tripleta na noite após receber na entrada da grande área de Marcelinho e chutar colocado, no canto do goleirão vascaíno: 5 a 0. Foi uma goleada que lavou a alma do torcedor alvinegro e se transformou na maior do Timão em cima do Vasco na história – e a maior do clássico interestadual desde os 5 a 2 do Vasco em 1980.


A vitória fez do Corinthians o primeiro clube de SP a se classificar para uma final de Copa do Brasil, acabando com a hegemonia de clubes do RS, RJ e MG, os mais frequentes desde a criação do torneio, em 1989. E o rival do Timão na final seria do RS: o Grêmio de Felipão, um dos maiores times do país na época, campeão em 1994 e que havia passado por um caminho bem mais árduo até a decisão, superando Desportiva, Palmeiras, São Paulo e Flamengo. Com Danrlei, Arce, Rivarola, Carlos Miguel, Dinho, Adílson, Paulo Nunes, Jardel entre outros, o Grêmio era imenso favorito para vencer o título, principalmente pelo fato de poder decidir em sua casa, no icônico Olímpico Monumental.
A tática para o título

Antes da final nacional, o técnico Eduardo Amorim disse que esperava um Corinthians sufocando o Grêmio nos primeiros 20 minutos de jogo, para abrir o placar e ter mais tranquilidade. “No gramado do Pacaembu não dá para tocar a bola, facilitando para quem tenta só se defender, como o Grêmio. Se não conseguirmos marcar até os 20 minutos, o time pode se enervar e ter muitas dificuldades para conseguir a vitória”, disse o treinador, em entrevista à Folha de S. Paulo em 14 de junho de 1995.
Para isso, ele eximiu das funções defensivas seus quatro principais homens de frente: Souza, Marcelinho Carioca, Viola e Fabinho. “Eles têm permissão para arriscar os dribles e tentar as jogadas individuais”, disse Amorim, que destacou ainda a preparação do elenco. “Apesar das pressões, consegui preparar o time para esta decisão. Os jogadores vêm atuando apenas a cada sete dias e estão muito bem”. Mesmo sem Zé Elias, que acabou pegando dois jogos de suspensão por causa do cartão vermelho no primeiro duelo contra o Vasco, Amorim escalou Marcelinho Paulista no lugar do “Zé da Fiel”, mantendo a eficiência na marcação do meio de campo.
Outra aposta do treinador era Sylvinho, ótimo lateral-esquerdo que teria como missão frear as investidas em velocidade do arisco Paulo Nunes, que infernizava as zagas rivais e era um dos garçons do temível Jardel. Além disso, o Corinthians precisava conter o ótimo lateral Arce, responsável pelos cruzamentos que davam a Jardel as chances de seus inúmeros gols de cabeça. Outro ponto que gerava temor no time alvinegro era a falta de casa cheia no Pacaembu, pois o antigo setor do tobogã estava interditado e reduziria a capacidade do estádio para pouco mais de 25 mil pessoas.
A um empate do título

No Pacaembu, o Corinthians cumpriu as exigências de seu treinador e dominou o tricolor gaúcho no primeiro tempo, aproveitando os espaços na intermediária devido ao recuo excessivo da equipe de Felipão. O problema é que o gol não saiu nos primeiros 20 minutos, embora um chute de Marcelinho Carioca tenha passado rente à trave de Danrlei. Dos 23’ aos 33’, o alvinegro teve grandes chances com Viola, mas a bola teimava em não entrar. Só aos 41’ que o atacante, enfim, acertou. Marcelinho fez bom cruzamento da direita e o atacante marcou de cabeça o primeiro gol do jogo.
Na segunda etapa, o Grêmio avançou a marcação e parou de ficar recuado, só esperando o rival. Com isso, as chances apareceram e, aos 4’, Paulo Nunes recebeu livre na entrada da área, mas se atrapalhou com a bola e perdeu boa chance. Aos 15’, foi a vez de Jardel vencer a defesa corintiana e, de cabeça, obrigar Ronaldo a realizar boa defesa. A resposta corintiana veio aos 18’, quando Bernardo arriscou de bicicleta e quase fez o segundo, mas Danrlei realizou uma defesa monstruosa. Dois minutos depois, o Grêmio conseguiu o empate quando Luís Carlos Goiano dominou e, com um toque sutil, venceu Ronaldo.
O Pacaembu emudeceu por um momento, mas o Corinthians foi pra cima e ganhou falta da entrada da área, aos 26’. Dali, era fatal para uma pessoa: Marcelinho Carioca. O craque cobrou com sua perfeição habitual e marcou o gol que fechou a vitória alvinegra por 2 a 1. No final do jogo, o meia criticou a postura bruta do rival durante o jogo. “Eles têm raiva de mim porque sempre faço gol contra eles”, disse o jogador. A vitória dava ao Corinthians a vantagem do empate.
Antes da finalíssima, o Timão enfrentou o União São João em Araras, pelo primeiro jogo da fase final do Paulistão, que tinha oito clubes divididos em dois grupos com quatro equipes cada, que se enfrentam em jogos de ida e volta – os campeões de cada grupo iriam para a final. Sem margem para errar, a equipe foi com força máxima e venceu por 3 a 1, gols de Henrique, Souza e Tupãzinho. Após a vitória, o clube viajou para Porto Alegre em busca do título inédito da Copa do Brasil.
Timão imbatível e campeão!

“Chega de receber uma faixa de vice por ano. Só faltam 90 minutos. Está fácil. Não podemos deixar escapar esta chance”. Foi assim que o goleiro Ronaldo destacou o espírito alvinegro para a final da Copa do Brasil de 21 de junho de 1995. Após perder dois Paulistas (1991 e 1993), um torneio Rio-São Paulo (1993) e um Brasileiro (1994), o Corinthians tinha a chance definitiva de levantar um grande troféu e pôr fim à seca que perdurava desde o título da Supercopa do Brasil de 1991. Mesmo com alguns jogadores enfrentando problemas musculares – o time havia realizado 11 partidas em um intervalo de um mês (!) -, o elenco corintiano foi com tudo em busca do troféu inédito e enfrentou vários adversários antes do jogo.
“A semana foi uma loucura, doideira, e aí a gente sabia que estava formando uma equipe fadada a ser campeã. Chegamos lá e conquistamos a Copa do Brasil em cima de 63 mil gremistas. Os caras indo jogar pedra no hotel. Você acorda às 3h da manhã. Apedrejaram ônibus, não queriam deixar a gente descer no campo. Então, nós vencemos todas as barreiras possíveis”, comentou Marcelinho Carioca, em entrevista publicada no globoesporte.com, em 21 de junho de 2020.

No dia do jogo, a festa no Olímpico foi enorme e a pressão da fanática torcida tricolor ajudou o Grêmio a tentar o primeiro gol nos primeiros minutos, principalmente em cruzamentos para o atacante Jardel. A primeira chance surgiu aos 14’, quando Paulo Nunes chutou para fora após uma rebatida deficiente do volante Bernardo. Aos 26’, Ronaldo defendeu outro chute perigoso de Paulo Nunes. O empate seguiu e, na segunda etapa, o técnico Eduardo Amorim deixou Viola mais recuado, na armação, e colocou Marcelinho Carioca mais à frente, ao lado de Marques. A tática confundiu o Grêmio, que viu o Timão crescer na partida e levar perigo.
Até que, aos 27’, um contra-ataque mortal do alvinegro resultou em gol. O meia Souza lançou Marques, que tocou para Viola e este rolou para Marcelinho Carioca aproveitar a sobra da zaga tricolor e bater de primeira, sem chance para o goleiro tricolor. O 1 a 0 selou o agregado em 3 a 1 a favor do alvinegro paulista. Dali em diante, o Grêmio apelou para a violência e o jogo ficou tenso. A partida teve um total de 65 faltas (!), sendo 37 do Corinthians e 28 do Grêmio.

O alvinegro recebeu três amarelos (André Santos, Bernardo e Zé Elias), enquanto o Grêmio foi advertido em cinco oportunidades (Jardel, Gélson, Rivarola, Paulo Nunes e Arilson). Sylvinho e Paulo Nunes se desentenderam e foram expulsos, enquanto um dirigente tricolor invadiu o gramado e tentou agredir o árbitro Márcio Resende de Freitas. No fim, a festa foi do Corinthians, campeão da Copa do Brasil em pleno Olímpico! Curiosamente, em 2001, o Grêmio daria o troco no Timão ao vencer a Copa do Brasil no Morumbi.
Marcelinho Carioca e Viola foram os artilheiros corintianos na competição com 6 gols cada. A conquista foi inédita e invicta, com oito vitórias e dois empates em 10 jogos, além de o time alvinegro ter sofrido apenas três gols (!) e anotado 21. Com o troféu, o Timão carimbou sua vaga na Copa Libertadores de 1996. “Este grupo de jogadores tem um união muito forte. Tinha certeza que ganharia o título hoje”, disse Marcelinho no pós-jogo. Jardel, artilheiro gremista, elogiou o rival. “Perdemos para uma grande equipe, que soube jogar futebol e está de parabéns”.
Em busca de outra final

Quatro dias depois do título nacional, o Corinthians voltou suas atenções para o Campeonato Paulista e empatou em 2 a 2 contra o Santos, que naquele ano contava com um bom time que seria vice-campeão brasileiro. Na sequência, o Timão venceu a Portuguesa por 1 a 0, derrotou o União São João por 2 a 0 e fez um duelo decisivo contra a Portuguesa em 15 de julho, no Pacaembu, no qual o vencedor estaria praticamente com os pés na final. A Lusa era um grande time, comandada por Candinho e com nomes como Zé Roberto, Capitão, Zinho, Caio e Paulinho McLaren, mas o Timão conseguiu a vitória por 1 a 0, gol de Bernardo, e se isolou na liderança do grupo. No último jogo, Marques (2), Marcelinho e Tupãzinho anotaram os gols da vitória por 4 a 2 sobre o Santos que selou a vaga alvinegra na final Estadual após cinco vitórias e um empate em seis jogos.
O adversário nas finais seria o rival Palmeiras, que havia acabado se ser eliminado da Copa Libertadores pelo Grêmio e queria o título para alcançar o tricampeonato e salvar um ano até aquele momento bem decepcionante para o elenco que o alviverde tinha. Além disso, quem vencesse aquele Paulistão ficaria isolado na liderança histórica com 21 conquistas, pois ambos tinham 20 troféus na época.
Campeão dos Campeões!

As duas finais foram realizadas em Ribeirão Preto e o Timão jogava por empates nos dois jogos e na prorrogação da segunda partida – sim, na época os regulamentos eram espantosos de ruins, para dizer o mínimo… – para ficar com a taça, já que tinha melhor campanha. No primeiro jogo, o placar estava 0 a 0 quando Marcelinho Carioca recebeu na meia-lua e bateu de primeira para fazer 1 a 0. O Palmeiras empatou nos acréscimos, com Nilson, e deixou tudo aberto para a volta. No jogo decisivo, Nilson abriu o placar aos 56’, até que o Corinthians teve uma falta a seu favor quatro minutos depois. Marcelinho cobrou e, claro, fez: 1 a 1. A partida foi para a prorrogação e Elivélton fez o gol da virada e do título estadual, o primeiro desde 1988, e que fez do Corinthians o “campeão dos campeões” estaduais de SP, posto jamais perdido desde então.

Aquela final foi a despedida de Viola, negociado com o Valencia-ESP. “Entrei campeão no Corinthians (em 88) e me despeço campeão”, comentou o artilheiro durante a festa pela conquista. O título coroou um ano inesquecível para qualquer corintiano, afinal, o clube venceu o Paulistão, a Copa do Brasil, a Copa SP de Futebol Júnior e ainda o Carnaval de SP com a escola de samba Gaviões da Fiel, vencedora pela primeira vez com o lendário enredo “Coisa Boa É Pra Sempre”, cujo refrão do samba-enredo virou mantra da torcida até hoje e até um talismã para embalar a torcida nas conquistas daquele ano dentro de campo:
“Me dê a mão, me abraça
Viaja comigo pro céu
Sou gavião, levanto a taça
Com muito orgulho, pra delírio da fiel…”
Em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo da época, até o Rei Pelé se rendeu ao Timão de 1995.
“O Corinthians amadureceu, entende? É o que eu digo em relação ao Santos, sobre a necessidade de um trabalho de base, que só aparece com o tempo. Veja quantos jogadores o Corinthians revelou: Ronaldo, André Santos, Silvinho, Zé Elias, Marcelinho Souza, Marques e Viola. Sete, sendo seis titulares! Até o técnico, o Eduardo, aprendeu lá. Isso faz diferença. Mas não há dúvida de que o Corinthians foi brilhante. Afinal, disputar e vencer dois campeonatos simultâneos é tarefa para quem tem sangue alvinegro”.
Decepção na América e eliminações

Na sequência de 1995, o Corinthians não deu bola para o Brasileirão e terminou apenas na 14ª colocação. Já em 1996, a equipe trouxe novos nomes, entre eles o badalado atacante Edmundo, por empréstimo. No Timão, o Animal, apesar do passado no Palmeiras, passou a se controlar mais e se ateve ao futebol. Muito bem recebido pela Fiel torcida, jogou bem e marcou 23 gols em 33 jogos. Ele ainda deixou sua marca em todos os clássicos: dois gols no Palmeiras, dois gols no São Paulo e um gol no Santos. A trajetória de Edmundo no Timão acabou precocemente, pois o Vasco decidiu comprar o passe do jogador ainda em 1996 por cerca de 5 milhões de dólares.
Mesmo com ele, o Corinthians não conseguiu repetir o grande desempenho do ano anterior. Nos primeiros meses do ano, a equipe oscilou bastante, indo desde uma goleada de 5 a 0 sobre o rival São Paulo – a maior do clube na história do Majestoso na época, com dois gols de Edmundo, um de Henrique, um de Souza e outro de Róbson – a revezes bastante complicados – como um 4 a 0 para o Cruzeiro, nas quartas de final da Copa do Brasil, que eliminou o time da competição. Na Libertadores, a equipe fez uma boa fase de grupos e se classificou para o mata-mata após terminar na primeira colocação, com 13 pontos, à frente de Universidad de Chile-CHI, Botafogo – campeão brasileiro de 1995 -, e Universidad Católica-CHI.

No mata-mata, o alvinegro eliminou o Espoli-EQU com duas vitórias – 3 a 1, em Atahualpa, e 2 a 0, no Pacaembu. Nas quartas de final, o alvinegro reencontrou o Grêmio, mas levou um sonoro 3 a 0 em casa no jogo de ida (dois gols de Jardel e um de Paulo Nunes) e praticamente deu adeus à competição naquele jogo. O revés causou a demissão do técnico Eduardo Amorim, já bastante criticado à época por não fazer o time render como antes, embora o elenco fosse inferior ao que ele tinha em mãos em 1995. No Olímpico, já comandado por Valdir Espinosa, o Corinthians até venceu – 1 a 0 -, mas o placar foi insuficiente para a classificação.
Além das eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, o Corinthians sucumbiu também no Campeonato Paulista – dominado pelo super Palmeiras do ataque dos 100 gols -, terminando na 4ª colocação, com 52 pontos – impressionantes 31 pontos atrás do campeão. No Brasileirão, o Timão empatou demais – 11 vezes – e ficou apenas na 12ª colocação, longe das vagas à segunda fase, somando 32 pontos em 23 jogos. Para não dizer que o ano foi sem títulos, o clube levantou o Troféu Ramón de Carranza, na Espanha, disputado em agosto, após vitórias por 2 a 0 sobre o Cádiz-ESP e 2 a 0 sobre o Real Betis-ESP, na final, com dois gols de Marcelinho Carioca. Falando em Marcelinho, foi em 1996 que o craque anotou provavelmente um de seus mais antológicos gols da carreira.

Em um duelo quente contra o Santos, pelo Paulistão, que terminou com quatro expulsões (duas para cada lado), os rivais alvinegros empataram em 2 a 2, mas tudo isso ficou em segundo plano. O grande momento daquele jogo foi o gol da virada corintiana, anotado por Marcelinho, aos 21’ do segundo tempo. O craque recebeu no meio, arrancou, passou pela marcação e tocou na direita para Tupãzinho, que foi conduzindo a bola até a entrada da área. Na esquerda, Marcelinho acompanhava tudo e pediu a bola, livre. Tupãzinho tocou e, do jeito que a bola veio, Marcelinho deu um toque que encobriu Ronaldo Marconato. Sem deixar a bola cair, o camisa 7 bateu de primeira e o goleiro Edinho só olhou a redonda entrar no fundo do gol.
Foi tão bonito, tão plástico, que virou Gol de Placa a pedido de ninguém mais ninguém menos que o Rei Pelé, que viu aquele gol ao vivo e pediu imediatamente para a diretoria santista confeccionar uma placa para Marcelinho, ainda mais pelo gol ter sido no filho do Rei, Edinho.
Para retomar a coroa

Em setembro de 1996, o Timão trocou de técnico mais uma vez após Espinosa ser demitido por criticar a diretoria do clube, que, segundo o treinador, “demorava muito para contratar um atacante” – ele queria o veterano Renato Gaúcho, mas a direção alvinegra não o contratou por ele estar machucado. Com isso, Nelsinho Baptista, conhecido da torcida por causa do título brasileiro de 1990, assumiu o clube já pensando em 1997. Com o fechamento de um novo patrocinador (o Banco Excel), o Timão ganhou uma importante injeção financeira que possibilitou a contratação de nomes de peso para o elenco como os atacantes Túlio e Donizete, o lateral André Luiz e o zagueiro Antônio Carlos.
Contando ainda com o goleirão Ronaldo, o zagueiro Henrique, os meias Souza e Marcelinho e o atacante Mirandinha, o Corinthians focou suas atenções no Campeonato Paulista, pois o rival Palmeiras estava de novo na cola com 21 troféus. Naquele ano, o torneio teve 16 equipes divididas em dois grupos com oito times cada um. As equipes se enfrentaram em turno único contra os adversários de seu grupo e, depois, enfrentaram os adversários do outro grupo em turno e returno, totalizando 23 jogos para cada equipe. Depois disso, os dois primeiros de cada grupo avançavam para o quadrangular final, no qual todos jogariam entre si uma vez, com o líder ficando com o título.


Jogando bem e com um ataque afiado, o Timão foi líder de sua chave e terminou com 45 pontos em 23 jogos, sendo 13 vitórias, seis empates e quatro derrotas, com 51 gols marcados e 28 sofridos. Durante a campanha, destaque para as goleadas sobre São José (6 a 2), Guarani (8 a 2), América (5 a 0) e uma de 5 a 2 sobre o Palmeiras, no Morumbi, com três gols de Donizete, um de Mirandinha e um de Marcelinho Carioca, sempre carrasco do Verdão.
No quadrangular final, avançaram os quatro grandes de SP e o Timão iniciou a disputa aplicando 4 a 3 no Santos. Depois, bateu o Palmeiras por 2 a 0 (gols de Henrique e Mirandinha) e foi para o jogo decisivo contra o São Paulo precisando apenas do empate, pois a campanha geral favorecia o alvinegro mesmo com ele e o tricolor empatados em pontos (ao São Paulo, só valia a vitória). Com um gol de André Luiz, o Timão abriu o placar no final do primeiro tempo. No segundo, logo aos 2′, Fábio Aurélio empatou, mas o placar permaneceu 1 a 1 e deu o 22º título paulista ao Timão, que fez a festa em pleno Morumbi tomado por 60 mil pessoas.
À espera da Era de Ouro
O caneco estadual foi o único do Corinthians naquele ano de 1997. A equipe seguiu competitiva e alcançou as semifinais da Copa do Brasil, após superar Juventude, Atlético-MG e Athletico-PR. Antes da final, porém, o alvinegro perdeu (de novo) para o Grêmio, que terminou campeão. No Brasileirão, péssima campanha e apenas 17º lugar, que deixou o time do Parque São Jorge bem longe da segunda fase. Só em 1998 que a Fiel torcida iria vibrar novamente com o início da era do super time de Rincón, Vampeta, Ricardinho, Marcelinho, Edílson e companhia, que começou com o título do Brasileirão daquele ano, teve o bi em 1999, mais um Paulista, em 1999, e o Mundial de Clubes da FIFA em 2000. Mas essa fase histórica só foi possível graças ao esquadrão de 1995-1997, que construiu uma aura competitiva e copeira em um Corinthians imortal.
Os personagens:
Ronaldo Giovanelli: com reflexos apurados, ótimo senso de colocação e extremamente identificado com a torcida do Corinthians, Ronaldo Giovanelli marcou época no time alvinegro com atuações inesquecíveis e muita personalidade. Era polêmico, falastrão e não levava desaforo para casa. Com 602 jogos disputados, Giovanelli é o 4º jogador que mais vestiu a camisa do Corinthians na história e um dos seis goleiros menos vazados do clube (0,95 gol por jogo). Só não teve chances maiores na seleção brasileira por causa do temperamento e das brigas que arrumava dentro e fora de campo. Jogou 10 anos no Timão e é um ídolo do clube até hoje.
André Santos: lateral com características mais defensivas, esteve nas equipes titulares que brilharam em 1995 e foi um dos principais nomes do time no período do técnico Eduardo Amorim. Jogou no Timão de 1995 até 1999.
Vítor: aós colecionar títulos pelo São Paulo, o lateral-direito chegou ao Corinthians em 1995 e faturou mais duas taças para sua coleção. Embora não tenha sido titular absoluto, foi muito regular e fez bons jogos, ajudando na marcação e iniciando contra-ataques pela direita. Jogou no alvinegro até o final do ano e partiu para levantar mais troféus pelo Cruzeiro.
Fábio Augusto: chegou em 1997, como um dos muitos reforços da equipe naquela temporada, após grandes atuações pelo Guarani, e se destacou na campanha do título estadual. Podia jogar no meio de campo e também improvisado na lateral-direita. Disputou 59 partidas pelo clube.
Célio Silva: um dos mais talentosos zagueiros brasileiros dos anos 1990, o Canhão do Brasileirão, como ficou conhecido devido à força de seus chutes em cobranças de faltas, já havia se consagrado com as camisas do Vasco – pelo qual venceu o Brasileirão de 1989 e o Carioca de 1988 – e do Internacional, onde foi campeão da Copa do Brasil (com direito a gol do título, em 1992) e de dois estaduais. Célio Silva chegou ao Timão em 1994 e foi um dos principais jogadores da equipe até 1998, disputando 157 jogos e marcando 19 gols. Tinha grande senso de cobertura, era eficiente nos desarmes e na saída de bola. Vestiu a camisa da seleção brasileira em 11 oportunidades.
Antônio Carlos: zagueiro muito técnico e com passagens vitoriosas pelo São Paulo e pelo Palmeiras, chegou em 1997 ao Timão e foi titular em boa parte da campanha do título estadual daquele ano, participando de 30 jogos e marcando dois gols. Acabou se envolvendo em uma briga durante um duelo contra o Athletico-PR, pelo Brasileirão daquele ano, e pegou uma suspensão de 40 dias. Acabou se transferindo para a Roma-ITA em 1998.
Henrique: jogou de 1992 até 1997 no Corinthians e foi um dos principais defensores do time no período, fazendo uma grande dupla de zaga ao lado de Célio Silva. Foi capitão do time em várias ocasiões e acumulou quase 300 jogos pelo clube, além de ter anotado 17 gols.
Sylvinho: com 269 jogos disputados pelo Timão, o lateral-esquerdo foi um dos maiores talentos revelados pelo clube naqueles anos 1990 e brilhou intensamente nas conquistas do período, em especial na Copa do Brasil de 1995, anulando o perigoso ataque gremista pelo setor, e no Paulistão. Em 1999, se transferiu para o Arsenal-ING e passou a trilhar uma grande carreira no futebol europeu, com destaque para sua passagem pelo Barcelona de Guardiola.
André Luiz: contratado em 1997, se destacou no Timão ao marcar 8 gols em 81 jogos, um deles o do título do Paulistão daquele ano justamente em cima de seu ex-clube, o São Paulo. Com boa técnica, cruzamentos precisos e bom passe, André Luiz teve outras passagens pelo Timão em 2000 e 2003.
Zé Elias: o volante raçudo, implacável na marcação e que não desistia jamais foi um dos ídolos da torcida naqueles anos 1990 e cravou seu nome na história com os títulos de 1995, um de seus melhores anos da carreira e que ajudou, tempo depois, em sua transferência para o Bayer Leverkusen-ALE e, na sequência, para a Internazionale-ITA, pela qual venceu a Copa da UEFA jogando ao lado de Zanetti, Zamorano e Ronaldo Fenômeno. Zé Elias disputou 161 jogos e marcou dois gols pelo Timão entre 1993 e 1996.
Marcelinho Paulista: cria das bases, o volante passou a ser identificado como “Paulista” após a chegada de Marcelinho Carioca. Estreou na equipe profissional com 18 anos, em 1991, e jogou no Timão até 1996, com outra passagem em 1998. Era muito eficiente na saída de bola e nos passes. Integrou as seleções brasileiras de base e esteve nos Jogos Olímpicos de 1996. Foram 250 jogos e 10 gols pelo Corinthians na carreira.
Ezequiel: no Timão desde 1990, o meio-campista seguia como um dos principais nomes do setor do time na época e fez bons jogos nas campanhas do título Paulista e da Copa do Brasil, quase sempre entrando no decorrer do jogo para dar mais fôlego ao time. Ajudava bem na marcação e na troca de passes. Disputou 254 jogos e marcou 10 gols pelo alvinegro.
Romeu: após boa passagem pelo Goiás, foi contratado em 1997 e jogou no Timão até 1999, com uma breve passagem em 2000. Era um volante de contenção, que protegia a zaga e ajudava no desarme e na cobertura.
Bernardo: o volante foi um dos principais jogadores do São Paulo do começo dos anos 1990 e, após jogar no exterior, retornou ao Brasil em 1993, quando teve uma passagem pelo Vasco. Em 1995, foi para o Corinthians e virou titular nas campanhas dos títulos daquele ano, com destaque para o gol da vitória sobre a Portuguesa que colocou o Timão na final. Tinha boa presença física, era eficiente nas bolas aéreas e forte na marcação.
Gilmar Fubá: meio-campista de muita vontade e força física, foi revelado pelo Timão e passou a figurar na equipe principal de maneira mais frequente em 1996, figurando na equipe campeã paulista de 1997. Disputou 129 jogos pelo alvinegro na carreira e tinha o apelido de “Fubá” por ter recebido mamadeira de fubá da mãe na infância por falta de leite. Faleceu precocemente, aos 45 anos, em 2021, vítima de mieloma múltiplo, um tipo de câncer da medula óssea.
Marcelinho Carioca: cria do Flamengo, ele chegou meio a contragosto em São Paulo. No entanto, a sintonia entre ele e a camisa do Corinthians foi praticamente instantânea. Marcelinho virou o “Carioca” e um dos xodós da Fiel por suas atuações magistrais, passes precisos, enorme visão de jogo e declarações cheias de paixão que contagiaram a torcida. O meia marcou diversos gols, muitos decisivos, e foi um dos mais letais cobradores de faltas e pênaltis do Brasil nos anos 1990. O Pé-de-Anjo (ele calçava chuteiras tamanho 36) era a referência no meio campo do time campeão da Copa do Brasil e do Paulista de 1995 e virou um ídolo exatamente por conta desses títulos. Nos anos seguintes, aumentou ainda mais seu peso no clube com o esquadrão multicampeão entre 1998-2000. Disputou 433 jogos e marcou 206 gols pelo Timão, 13 deles em cima do rival Palmeiras. Leia mais sobre ele clicando aqui!
Souza: meia com grande visão de jogo, bons passes e presença de área, Souza chegou em 1994 ao Corinthians e cravou seu espaço no time com grandes jogos e sintonia com o técnico Eduardo Amorim, além de ter sido convocado para a seleção brasileira e ter disputado 11 jogos entre 1995 e 1996. Jogou até 1998 no Corinthians, acumulando 209 jogos e 32 gols.
Elivélton: chegou em 1995, após brilhar pelo São Paulo e ter uma rápida passagem no futebol japonês, e foi um dos recordistas em jogos naquela temporada do Timão com 61 partidas, sendo 37 como titular. Rápido e habilidoso, podia jogar mais avançado e também mais aberto, atraindo a marcação. Anotou o gol do título paulista daquele ano sobre o Palmeiras, para onde foi jogar já em 1996. Brilhou também pelo Cruzeiro, pelo qual marcou o gol do título da Libertadores de 1997.
Viola: carismático, provocador, muito identificado com a torcida e artilheiro. Viola foi um símbolo do Corinthians nos anos 1990 e marcou seu nome como um dos mais importantes atacantes do clube no período. Brilhante ainda na juventude, provou sua estrela logo em seu primeiro ano no time profissional, em 1988, quando marcou o gol do título estadual. Após um período emprestado para outros clubes, retornou com tudo e ganhou até convocação para a seleção brasileira, fazendo parte do elenco campeão do mundo em 1994 e jogando inclusive parte da final contra a Itália. Em 1995, manteve a boa fase e virou, ao lado de Marcelinho Carioca, a referência ofensiva da equipe. Depois dos títulos da Copa do Brasil e do Paulistão de 1995, foi jogar o Valencia. Disputou 283 jogos e marcou 105 gols pelo Timão.
Tupãzinho: o “Talismã da Fiel” já era um dos xodós da torcida naquela época e manteve a sina de marcar gols importantes durante as campanhas vitoriosas de 1995. Era muito inteligente taticamente e se posicionava bem, atuando mais fora da área e dando passes para os companheiros, além de aparecer entre os zagueiros e demonstrar oportunismo. Foram 341 jogos e 52 gols pelo alvinegro.
Edmundo: embora breve, a passagem do craque pelo Timão teve gols e grandes atuações contra os principais rivais do clube em SP. Com 23 gols em 33 jogos – uma excelente média – o Animal deixou sua marca, mas um convite do Vasco o fez retornar a São Januário ainda em 1996. Leia mais sobre ele clicando aqui!
Donizete: após brilhar no Botafogo campeão brasileiro de 1995, o Pantera chegou ao Corinthians em 1997 e ajudou o time a vencer o Paulistão daquele ano, com destaque para os três gols nos 5 a 2 sobre o Palmeiras durante a campanha vitoriosa. Em 52 jogos, marcou 14 gols.
Marques: revelado pelo Corinthians, o atacante começou a jogar pelo clube em 1992 e fez uma boa parceria com Viola e foi um importante garçom do time em 1995. Jogou no Timão até o final daquele ano, quando teve passagens por Flamengo e São Paulo até se firmar como ídolo do Atlético-MG. Pelo Corinthians, Marques disputou 146 jogos e marcou 36 gols.
Fabinho: não era um atacante goleador, mas sim de abrir espaços e brigar pela bola lá na frente. Jogou no Timão de 1989 até 1995, acumulando 258 jogos e 25 gols.
Mirandinha: rápido e oportunista, o atacante viveu grande fase pelo Timão entre 1996 e 1999, com destaque para seus 14 gols em 10 jogos contra o rival Palmeiras, o que fez dele um dos maiores carrascos dos alviverdes na história do Derby. Brilhou nas conquistas do Paulistão de 1997 e do Brasileirão de 1998. Foram 165 jogos e 47 gols pelo clube.
Túlio: chegou com muita badalação ao Parque São Jorge, mas não foi o goleador nato dos tempos de Botafogo e ficou apenas um semestre no Timão, em 1997. Foram 33 jogos e 14 gols.
Mário Sérgio, Eduardo Amorim, Valdir Espinosa e Nelsinho Baptista (Técnicos): de todos os treinadores do período, sem dúvida Eduardo Amorim foi o principal nome e o responsável por moldar a aura competitiva daquele Corinthians. Explorando o lado ofensivo sem descuidar da defesa, Amorim trilhou um caminho brilhante em 1995 e levantou dois títulos históricos e extremamente importantes para a segunda metade da década de 1990 do clube, pois serviram como combustível para o Corinthians se transformar em um dos principais times do país naquela época. Eduardo Amorim comandou o Corinthians em 108 jogos, com 52 vitórias, 28 empates e 28 derrotas, um aproveitamento de 56,8% dos pontos disputados. Depois dele, Nelsinho Baptista teve méritos em conduzir a equipe ao título Paulista de 1997, mas falhou nas outras competições e poderia ter ido mais longe.

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Marcelinho,Viola,Souza,Marques,Elivelton,Fabinho e Tupã o poder de fogo desse ataque era incrível muito raro passar um jogo sem marcar e hoje eu tenho que aturar o ataque milionário do Corinthians que no brasileiro marca apenas um gol por jogo incrível como o futebol de ataque regrediu em trinta anos da vontade de chorar de verdade.a nível de comparação o Viola de três que chegavam nele duas eram gols e hoje o nosso camisa nove cai com a bola sozinho.