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Seleções Imortais – México 1997-1999

Última atualização em 02 de julho de 2026 às 09:07

México 1999
Em pé: Pardo, Rafa Márquez, Abundis, Jorge Campos, Claudio Suárez e Carmona. Agachados: Zepeda, Palencia, Blanco, Germán Villa e Ramírez.
 

Grandes feitos: Campeã da Copa das Confederações da FIFA (1999), Campeã da Copa Ouro da CONCACAF (1998) e 3ª colocada da Copa América (1997 e 1999).

Time-base: Jorge Campos (Oscar Pérez); Salvador Carmona (Terrazas), Rafa Márquez (Duilio Davino) e Claudio Suárez; Germán Villa (Gerardo Torrado), Pável Pardo (Raúl Lara / Emilio Mora), Miguel Zepeda (Roberto Medina / Jesús Arellano / Paulo Chávez) e Ramón Ramírez (García-Aspe / Braulio Luna); Cuauhtémoc Blanco (Hermosillo / José Manuel Abundis) e Luis Hernández (Francisco Palencia). Técnicos: Bora Milutinovic (1997) e Manuel Lapuente (1997-1999).

 

“La Era de Oro del Tri”

Por Guilherme Diniz

Nos anos 1990, a seleção mexicana precisava de uma reviravolta em sua história. Motivo? A pesada sanção imposta pela FIFA de dois anos de suspensão após um escândalo que envolveu a seleção juvenil do país, que tinha pelo menos quatro jogadores acima da idade permitida na disputa das Eliminatórias para o Mundial sub-20 de 1989. A falsificação fez com que a entidade máxima do futebol banisse todas as seleções do México por dois anos, o que fez com que La Tri ficasse de fora da Copa do Mundo de 1990. Essa mancha no esporte do país fez com que uma profunda reestruturação tomasse forma, e, a partir de 1994, o México começou a dar a volta por cima.

Com uma geração de grandes futebolistas, a equipe não só venceu a tradicional Copa Ouro da CONCACAF como levantou seu primeiro título com a chancela da FIFA: a Copa das Confederações de 1999, com direito a vitória emblemática por 4 a 3 sobre o todo-poderoso Brasil. Diante de sua torcida no estádio Azteca, La Tri conseguiu um troféu inédito e que encheu de orgulho o torcedor mexicano, que pôde vibrar com novos ídolos como o folclórico Jorge Campos, o zagueiraço Rafa Márquez, Claudio Suárez, Pável Pardo, Ramón Ramírez, García-Aspe, Blanco, Hernández e companhia. É hora de relembrar o México 1997-1999.

Dos Cachirules à reestruturação

CACHIRULES1990
Torcida mexicana pede (em vão) para a FIFA não punir o país após o escândalo dos Cachirules.
 

Sede de duas Copas fabulosas em 1970 e 1986, o México ainda buscava brilhar em alguma competição de prestígio internacional. Por mais que vencesse vez ou outra a Copa Ouro, ainda era pouco para um país tão apaixonado por futebol e que deixou uma herança tão importante para a Copa do Mundo. Só que esse anseio de brilhar custou caro ao país. Em abril de 1988, a seleção mexicana juvenil estava na Guatemala, a fim de participar das Eliminatórias para o Mundial Sub-20 da FIFA. Os mexicanos foram bem e conseguiram a vaga na competição. Tempo depois, porém, o jornalista mexicano Antonio Moreno, da TV Imevisión (atual TV Azteca), descobriu no anuário da Federação Mexicana de Futebol (FMF) que os jogadores Aurelio Rivera, Gerardo Jiménez, José de la Fuente e José Luis Mata tinham idade maior do que o permitido pela FIFA na categoria – Aurelio Rivera, por exemplo, havia adulterado sua idade em impressionantes sete anos! E justamente em 1988, a FIFA havia engrossado o coro sobre erros de datas de nascimentos de atletas e não iria tolerar mais erros em seus torneios juvenis.

Quando o assunto veio a público, a FMF negou ou não comentou as acusações, mas outros jornais e TVs do país começaram a investigar e perceberam o tamanho do escândalo – praticamente todos os atletas tiveram suas idades adulteradas (!). Os envolvidos também começaram a conceder entrevistas e, de fato, descobriu-se que haviam mesmo adulterado suas idades e passaportes. A CONCACAF decidiu impor uma pena de dois anos de suspensão à seleção juvenil do México de suas competições e ainda indiciou vários membros da FMF e os jogadores envolvidos.

Mundo Deportivo 01 jul 1988 2
 

Mas o estopim do caso foi quando a FIFA endossou todas as penas da CONCACAF e aplicou ela também uma pena de dois anos de suspensão não só à seleção juvenil mas a todas as seleções profissionais. Foi uma das mais pesadas penas já aplicadas pela FIFA na história e que tirou o México das Olimpíadas de Seul-1988 (a equipe já estava classificada) e da Copa do Mundo de 1990, para a qual a equipe nem sequer disputou as Eliminatórias. Todo esse caso ganhou o nome de “O Escândalo dos Cachirules” (ou Los Cachirules), em alusão a um personagem da televisão mexicana da década de 1950 chamado “Cachirulo“, que tinha uma idade muito menor do que a do ator que o interpretava (Enrique Alonso).

O pior disso tudo é que o México tinha grandes chances de não só se classificar para a Copa de 1990 como fazer o seu melhor Mundial, pois contava com uma geração de grandes futebolistas como o craque do Real Madrid Hugo Sánchez, Carlos Hermosillo, Ricardo Peláez, Alberto García-Aspe, Zaguinho, Luis Flores, entre outros. Essa punição foi uma vergonha gigantesca para o povo mexicano e para o esporte do país. E, obviamente, motivou uma reestruturação completa em toda a federação. Já na década de 1990, a FMF contratou o experiente técnico César Menotti, campeão do mundo com a Argentina em 1978, que ajudou a melhorar o ambiente da seleção durante sua estadia entre 1991 e 1992. 

hugo sanchez
Hugo Sánchez não pôde desfilar suas virtudes no Mundial de 1990.
 

O primeiro bom resultado dessa nova era veio em 1993, quando o México faturou o título da Copa Ouro da CONCACAF ao golear os EUA na final por 4 a 0 diante de 130 mil pessoas no Azteca (!) e já sob o comando de Mejía Barón. No mesmo ano, La Tri, mesmo convidada pela Conmebol, conseguiu alcançar a final da Copa América após eliminar o Peru, nas quartas (4 a 2) e o Equador, nas semis (2 a 0). Na final, a equipe fez um jogo duro contra a Argentina, que acabou vencendo por 2 a 1 e ficou com a taça. Mesmo assim, o futebol apresentado por Jorge Campos, Claudio Suárez, Perales, Ramón Ramírez, García-Aspe, Galindo e Hugo Sánchez encheu a torcida de orgulho. E, nas Eliminatórias para a Copa, La Tri conseguiu a vaga no Mundial dos EUA.

Já em 1994, a seleção mexicana, comandada por Mejía Barón, conseguiu se classificar em primeiro lugar no Grupo E da Copa do Mundo, deixando para trás a titã Itália, a Noruega e a Irlanda. Os mexicanos perderam para a Noruega (1 a 0), mas deram a volta por cima com a vitória por 2 a 1 sobre a Irlanda (dois gols de Luís García) e o empate em 1 a 1 com a Itália. Nas oitavas, um jogo dramático contra a forte Bulgária de Stoichkov terminou empatado em 1 a 1 e foi para os pênaltis. Na marca da cal, os búlgaros venceram por 3 a 1 e sepultaram o sonho da classificação de La Tri. A eliminação foi dolorida, mas comprovou que o México estava de volta e pronto para buscar posições mais altas no futebol continental e, quem sabe, internacional.

Presença constante e bicampeonato da Copa Ouro

mexico anos 90

Antes restrita às competições da CONCACAF, a seleção mexicana começou a figurar em diferentes torneios no mundo do futebol naqueles anos 1990. Após os bons anos de 1993 e 1994, a equipe disputou outra Copa América, em 1995 (acabou eliminada nas quartas de final, após derrota nos pênaltis para os EUA) e a segunda edição da Copa das Confederações (na época ainda chamada Copa Rey Fahd), quando entrou como campeã da Copa Ouro da CONCACAF de 1993. No Grupo A, os mexicanos venceram a Arábia Saudita por 2 a 0 e empataram em 1 a 1 com a Dinamarca, então campeã da Eurocopa. 

Para definir quem iria para a final, mexicanos e dinamarqueses disputaram a vaga nos pênaltis e os europeus levaram a melhor: 4 a 2. Coube ao México disputar o terceiro lugar contra a forte Nigéria da época e a equipe norte-americana empatou em 1 a 1 no tempo regulamentar até vencer nos pênaltis por 5 a 4, garantindo o bronze. Na final, a Dinamarca derrotou a Argentina e ficou com o título. O mexicano Luís García foi o artilheiro do torneio com 3 gols.

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Jorge Campos, icônico goleiro mexicano dos anos 1990.
 
mexico 1995
Luis Miguel (à esq.) em lance contra o estadunidense Alexis Lalas, na Copa América de 1995. EUA avançaram nos pênaltis e eliminaram os mexicanos nas quartas de final. Foto: MEXSPORT/ David Leah
 

Em 1996, foi a vez do México vencer mais uma Copa Ouro da CONCACAF. Comandada pelo experiente Bora Milutinovic, a equipe mexicana passou sem problemas pela primeira fase e pela semifinal até encontrar o Brasil, convidado e jogando com sua equipe olímpica. Mesmo com uma seleção jovem, o time brasileiro era comandado por Mário Zagallo e tinha nomes como Dida, Zé Maria, Narciso, Flavio Conceição, Amaral, Caio, Jamelli, Zé Elias, entre outros. O México foi com sua força máxima, com destaque para o goleiro Jorge Campos, o defensor Claudio Suárez, os meio-campistas Germán Villa, Ramón Ramírez e García-Aspe, e a dupla de ataque formada por Postigo e Blanco, além de Luis Hernández e Peláez. Após um primeiro tempo sem gols, Postigo, aos 54’, fez 1 a 0. Aos 75’, Blanco ampliou e o 2 a 0 deu o título ao México.

copa ouro 1996
Blanco (centro) foi um dos carrascos do Brasil em 1996 e também em 1999.
 
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Luis Hernández, artilheiro mexicano de destaque nos anos 1990. Foto: Getty Images.
 

Em 1997, La Tri foi convidada para a disputa de mais uma Copa América e, de novo, desempenhou um bom papel. Na fase de grupos, a equipe derrotou a Colômbia por 2 a 1 (dois gols de Luis Hernández) e, no segundo jogo, abriu 2 a 0 sobre o Brasil com mais dois gols de Hernández. A equipe canarinho, porém, conseguiu a virada e venceu por 3 a 2 com gols de Aldair, Romero (contra) e Leonardo. Na última rodada, o empate em 1 a 1 com a Costa Rica (mais um gol de Hernández) classificou La Tri, que encarou o Equador nas quartas de final. O jogo foi equilibrado e o placar em 1 a 1 (gol de Blanco) levou a disputa da vaga para os pênaltis. E o time norte-americano venceu por 4 a 3, conseguindo a vaga na semifinal.

O adversário seguinte foi a anfitriã Bolívia, que conseguiu vencer por 3 a 1 em La Paz e se classificou para a final – nela, perdeu para o Brasil. Na disputa pelo terceiro lugar, Hernández fez o gol da vitória sobre o Peru por 1 a 0 e garantiu o bronze aos mexicanos. O atacante foi o artilheiro da competição com 6 gols, ficando à frente de Ronaldo Fenômeno (5 gols), Romário e Leonardo (ambos com 3 gols). No final de 1997, o México disputou outra Copa das Confederações, na condição de campeão da Copa Ouro de 1996, mas decepcionou e foi eliminado ainda na fase de grupos.

A vaga na Copa

hernandez

O agitado ano de 1997 rendeu importantes compromissos ao México nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998. A seleção já havia superado a terceira fase e precisava ficar entre os três primeiros da quarta e última etapa se quisesse a vaga no Mundial. Seriam dez jogos de ida e volta, contra cinco adversários. O primeiro foi o Canadá, no Azteca, e La Tri goleou por 4 a 0. Na rodada seguinte, o México empatou com a Costa Rica (0 a 0) e, na sequência, goleou a Jamaica, em casa, por 6 a 0. O duelo seguinte foi contra os EUA, em Foxboro, e os mexicanos empataram em 2 a 2. Na quinta rodada, o artilheiro Luis García fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre El Salvador, fora de casa, resultado que deixava a equipe bem próxima da vaga. 

Já em outubro de 1997, La Tri goleou El Salvador, em casa, por 5 a 0, empatou em 2 a 2 com o Canadá e, já em novembro, empatou em casa com os EUA em 0 a 0, no Azteca. Nas duas últimas rodadas, o México empatou com a Costa Rica (3 a 3), e também com a Jamaica (0 a 0, fora) e tais resultados classificaram a seleção mexicana para a Copa do Mundo. Invicto naquela fase e líder, o México venceu quatro jogos, empatou seis, marcou 23 gols e sofreu apenas sete. Na campanha geral, La Tri disputou 16 jogos, venceu oito, empatou seus e perdeu dois, com 37 gols marcados e 13 gols sofridos. Carlos Hermosillo, com 11 gols, foi o artilheiro das Eliminatórias.

Experiência e tricampeonato continental 

jorgecampos

A partir do final de 1997, o México passou a ser comandado pelo técnico mexicano Manuel Lapuente, que vinha de grandes trabalhos no comando do Puebla (campeão da Liga dos Campeões da CONCACAF de 1991, de dois campeonatos nacionais e de uma copa nacional) e do Necaxa (onde venceu dois campeonatos nacionais). Lapuente manteve a base de jogadores de seu antecessor (Bora Milutinovic) e, após a disputa da Copa das Confederações de 1997, concentrou seu trabalho na Copa Ouro de 1998, a fim de manter a hegemonia do país na América do Norte e Central. 

Lapuente deu “sua cara” ao time rapidamente ao priorizar uma formação defensiva que tinha a capacidade de atacar os adversários de forma decisiva, aproveitando seus erros e explorando contra-ataques mortais. Sua seleção utilizaria o 4-4-2 e, de vez em quando, o 3-5-2. Todos os convocados para a Copa Ouro jogavam no país, com destaque para a dupla do Necaxa – Blanco e Luis Hernández -, o trio do América – Germán Villa, Duilio Davino e Raúl Lara -, e a dupla do Guadalajara – Claudio Suárez e Ramón Ramírez. Era um elenco que tinha experiência e entrosamento suficientes para encarar qualquer desafio e que utilizava os embates recentes contra Brasil, Argentina, Dinamarca entre outros para nortear os trabalhos daquele ano. 

México 1997-1999
Uma das escalações do México em 1998. Em pé: Mercado, Héctor López, Óscar Pérez, Roberto Medina, Duilio Davino e Claudio Suárez. Agachados: Luis Hernández, Blanco, Ramón Ramírez, Emilio Mora e Carmona.
 
mexico copa oro 1998

No Grupo B, o México se impôs e venceu Trinidad e Tobago por 4 a 2, com gols de Ramírez, Hernández (2) e Palencia. Na sequência, venceu Honduras por 2 a 0 (dois gols de Blanco) e garantiu a vaga na semifinal. Nela, a equipe fez um jogo complicado contra a Jamaica, que tinha um bom time na época e iria disputar sua primeira Copa do Mundo na história tempo depois. Mas o México tinha o matador Hernández, que fez, aos 105’, o Gol de Ouro que deu a vitória por 1 a 0 e a vaga na final. 

O rival foi os EUA, em Los Angeles, e o México venceu por 1 a 0, gol de Hernández, de cabeça, após cruzamento de Carmona da direita, e ficou com o tricampeonato continental! O atacante Hernández foi o artilheiro daquela Copa Ouro com 4 gols e confirmou a ótima fase que vivia na carreira, em especial na seleção.

A Copa do Mundo de 1998

No Mundial, Luis Hernández foi o artilheiro da seleção.
 

O técnico Lapuente convocou os atletas esperados pela torcida para o Mundial da França, incluindo o goleiro Jorge Campos, único “estrangeiro” do elenco e que jogava no Chicago Fire (EUA). Veja abaixo:

  • Goleiros: Jorge Campos (Chicago Fire-EUA), Oswaldo Sánchez (América) e Óscar Pérez (Cruz Azul);
  • Defensores: Claudio Suárez (Guadalajara), Joel Sánchez (Guadalajara), Duilio Davino (América), Isaac Terrazas (América) e Salvador Carmona (Toluca);
  • Meio-campistas: Germán Villa (América), Marcelino Bernal (Monterrey), Ramón Ramírez (Guadalajara), Alberto García-Aspe (América), Pável Pardo (Atlas), Raúl Lara (América), Braulio Luna (UNAM), Jaime Ordiales (Toluca) e Jesús Arellano (Guadalajara);
  • Atacantes: Ricardo Peláez (América), Luis García Postigo (Atlante), Cuauhtémoc Blanco (Necaxa), Luis Hernández (Necaxa) e Francisco Palencia (Cruz Azul).

O grupo dos mexicanos na Copa tinha Coreia do Sul, Bélgica e Holanda, estes dois últimos favoritos para a classificação. Porém, a equipe de Lapuente demonstrou desde o início que iria brigar muito por uma das vagas às oitavas de final. Na estreia, contra a Coreia, embora tenha começado perdendo, a equipe demonstrou paciência, excelente toque de bola e bom futebol para virar o jogo no segundo tempo. Peláez, aos 51’, e Hernández, aos 74’ e 84’, construíram o placar de 3 a 1 que deixou o México na liderança do grupo, graças ao empate sem gols entre os vizinhos Holanda e Bélgica. 

Na segunda rodada, o técnico Lapuente afirmou que “com uma mentalidade defensiva não se ganha” e que iria partir pra cima da Bélgica, que apostava nos gols do artilheiro Wilmots, ídolo do Schalke 04 campeão da Copa da UEFA do ano anterior. De fato, o México levou perigo aos belgas aos 10’, quando o zagueiro Sánchez cabeceou no travessão do goleiro De Wilde. A Bélgica equilibrou as coisas até que Pardo foi expulso e deixou o México com um a menos. Aos 44’, Wilmots abriu o placar para os belgas. No começo do segundo tempo, Wilmots ampliou para 2 a 0. Com um a menos, parecia o fim do México na Copa, principalmente pelo fato de a equipe ter pela frente a super Holanda na rodada final.

Só que os mexicanos, com a boa troca de passes de seus jogadores, conseguiram diminuir em cobrança de pênalti de García-Aspe, aos 55’. Sete minutos depois, Ramírez cruzou e Blanco empatou! O 2 a 2 manteve o México com chances de classificação e, na última rodada, jogou seu futuro contra a Holanda, que havia goleado a Coreia do Sul por 5 a 0. O técnico da Laranja, Guus Hiddink, mostrou respeito ao adversário. “Eles (os mexicanos) têm um time experiente, com muitos jogadores habilidosos, por isso devemos fazer um jogo simples, disciplinado e tático. Dessa forma as chances de gol vão aparecer naturalmente”. Já o técnico Lapuente manteve o otimismo. 

“Não podemos hesitar. Temos que vencer. Apesar da injeção de ânimo com a goleada sobre a Coreia, acho que a Holanda não jogará tão aberta contra nós, pois uma derrota pode tirá-los da Copa”.

hernandez mexico 1998

O empate era benéfico para ambos, afinal, tanto mexicanos como holandeses terminariam a primeira fase com 5 pontos, enquanto a Bélgica só poderia chegar aos 4 pontos. O México conhecia o time holandês, pois havia enfrentado os laranjas em amistoso pré-Copa e, após levar 3 a 0, conseguiu marcar dois gols e quase empatou. E, naquele duelo no Mundial, o roteiro foi parecido. Cocu, aos 4’, e Ronald de Boer, aos 18’, abriram 2 a 0 para a Holanda. Mas o time de Lapuente era valente e, aos 29’, em cobrança de escanteio, Peláez cabeceou da entrada da área e a bola foi passando por todos os jogadores até entrar no gol. 

O jogo ficou dramático, pois a Bélgica empatava com a Coreia do Sul e, se vencesse, poderia se classificar. Mas, no último minuto, Peláez, de cabeça, jogou a bola na entrada da área, o líbero Stam se atrapalhou com a bola e deixou que ela chegasse até o matador Hernández, livre diante do goleiro: 2 a 2. O México, pela primeira vez, estava classificado para uma fase de oitavas de final de Copa disputada fora de seu continente. “Estou feliz por toda a América Latina”, disse Ricardo Peláez, autor do primeiro gol, após o jogo. A má notícia foi a expulsão de Ramón Ramírez, grande nome do setor de criação do time.

mexico germany 1998

Nas oitavas, o México teve pela frente a Alemanha, campeã continental em 1996 e com vários craques como Köpke, Matthäus, Babbel, Hässler, Hamann, Klinsmann e Bierhoff. Obviamente que o time germânico era favorito, mas o desempenho do México diante de Bélgica e Holanda inflava os jogadores em busca do “impossível”. Após um primeiro tempo sem gols, Hernández, logo aos 2’ da etapa final, fez 1 a 0. Os mexicanos tentaram se segurar e fizeram um jogo muito tático e de entrega, com Hernández quase ampliando, aos 17’. Mas a Alemanha, em Copas, sempre foi a Alemanha. Aos 30’, Klinsmann empatou e, aos 41’, Bierhoff virou o jogo para classificar a Nationalelf às quartas de final. 

“Provamos que podemos jogar em alto nível. A derrota para a Alemanha foi mais uma questão de falta de experiência”, afirmou o goleiro Jorge Campos. “Perdemos lutando. Jogamos uma grande partida, mas, claro, é sempre difícil assimilar uma derrota. Asseguro, porém, que, de agora em diante, o México será mais forte”, disse o técnico Lapuente. “Infelizmente, os alemães conseguiram reverter o placar. E nos trouxeram de volta à Terra após nosso sonho de estar nas quartas-de-final”, lamentou Hernández.

Novo Bronze

ronaldo pavel pardo 1999
Ronaldo disputa a bola com Pavel Pardo.
 

Em 1999, a FMF reconheceu o trabalho de Lapuente e manteve o treinador no cargo para os desafios da temporada. O primeiro deles aconteceu no final do primeiro semestre, em mais uma Copa América. Os mexicanos iniciaram sua trajetória no Grupo B e bateram o Chile de Zamorano e Salas por 1 a 0, gol do artilheiro Hernández. Na partida seguinte, a equipe encarou o Brasil, vice-campeão mundial e que passava por uma nova era sob o comando do técnico Vanderlei Luxemburgo, que levou ao Paraguai uma equipe com vários novos nomes como Odvan, Antônio Carlos, Vampeta, Alex, Ronaldinho e Amoroso. A seleção canarinho abriu o placar logo aos 20’, com Amoroso. Alex ampliou aos 45’, mas o México não se entregou e descontou aos 74’, com Terrazas. O placar acabou mesmo 2 a 1, mas o México seguiu firme rumo à etapa seguinte ao vencer a Venezuela por 3 a 1, com gols de Blanco (2) e Osorno.

A equipe de Lapuente demonstrava eficiência na linha direta entre a defesa e o ataque, em passes rápidos, e levava muito perigo nos contra-ataques. Mas, nas quartas de final, a equipe sofreu um baque no elenco quando a Conmebol divulgou que os volantes Lara e Chávez jogaram a partida em que o México perdeu para o Brasil por 2 a 1, fase de grupos, dopados. Chávez jogou sob o efeito de anabolizantes, enquanto Lara apresentou excesso de testosterona na sua urina. A Comissão Disciplinar da Copa América suspendeu os atletas pelo resto do torneio e a FMF tentou contestar a decisão ao realizar novos testes em um laboratório estadunidense autorizado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), mas os atletas não voltaram a jogar no torneio. 

Houve muita discussão na época por parte dos mexicanos, que alegaram haver um complô contra o país dentro da Conmebol. O capitão Claudio Suárez comentou na época: “Sempre tivemos arbitragens tendenciosas. Em 1997, nos roubaram contra a Bolívia para que os anfitriões estivessem na decisão. Querem sujar nossa imagem para o mundo”. O meia Ramírez também opinou, ao dizer que “o México já se converteu no convidado incômodo da Copa América, porque estamos acima do nível médio das outras seleções”.

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Em campo, mesmo sem Lara, Chávez e Blanco (suspenso, após ser expulso contra a Venezuela), o México fez um jogaço contra o Peru e, após levar dois gols em 15 minutos, empatou com dois gols em quatro minutos, ambos do artilheiro Hernández. Ainda no primeiro tempo, Solano fez 3 a 2, mas Torrado, aos 88’, empatou e levou a partida para os pênaltis. Na marca da cal, os mexicanos converteram todas as suas cobranças, enquanto José Soto e Reynoso chutaram para fora. O placar de 4 a 2 classificou os mexicanos para a semifinal, onde La Tri teve pela frente o Brasil. A volta de Blanco deixou a equipe mexicana esperançosa, mas o Brasil foi muito superior e construiu o placar de 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com gols de Amoroso e Rivaldo.

O México pouco agrediu o gol brasileiro e só tentou chutes de longa distância e esparsos ataques no segundo tempo. Com a derrota, restou ao time de Lapuente disputar o bronze com o Chile e La Tri venceu por 2 a 1, com gols de Palencia e Zepeda. Foi o segundo bronze da equipe na competição, provando que o México era uma das melhores seleções do continente americano da época.

Em busca da glória em casa

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Rafa Márquez, novato defensor mexicano que despontou de vez em 1999.
 

Dias depois do fim da Copa América – vencida pelo Brasil – o México começou a disputa da Copa das Confederações da FIFA, realizada em 1999 no país norte-americano. Lapuente apostou em alguns novos nomes, com destaque para o jovem zagueiro Rafa Márquez, que vinha de grandes atuações pela equipe sub-20. Os participantes daquela edição eram, além do México, como campeão da Copa Ouro de 1998 e anfitrião:

  • Alemanha (campeã da Eurocopa de 1996);
  • Arábia Saudita (campeã da Copa da Ásia de 1996);
  • Bolívia (vice-campeã da Copa América de 1997);
  • EUA (vice-campeão da Copa Ouro de 1998);
  • Egito (campeão da Copa Africana de Nações de 1998);
  • Brasil (campeão da Copa América de 1997 e vice-campeão mundial);
  • Nova Zelândia (campeã da Copa da Oceania de 1998).

A França, campeã do mundo em 1998, seria uma das participantes, mas declinou da disputa e, por isso, a Bolívia ganhou uma vaga como vice-campeã da Copa América, já que o Brasil herdou uma vaga tanto como campeão continental como vice-campeão mundial. No Grupo A, o México deu show logo na estreia e fez 5 a 1 na Arábia Saudita, com quatro gols de Blanco e um de Abundis. No duelo seguinte, empate em 2 a 2 com o Egito, em gols de Pardo e Abundis.

Na última rodada, os mexicanos venceram a Bolívia por 1 a 0 (gol de Palencia) e se classificaram na primeira posição. Nas semifinais, os anfitriões enfrentaram o rival EUA e, como sempre, o jogo foi muito tenso e equilibrado. Com o 0 a 0 no placar durante o tempo regulamentar, a partida foi para a prorrogação, que ainda tinha na época o gol de ouro. E foi o ídolo Blanco quem anotou o gol da vitória por 1 a 0 que colocou o México na final. Era hora de enfrentar o velho conhecido Brasil, com um time alternativo, mas dono do melhor ataque do torneio e que havia goleado Alemanha (4 a 0), Arábia Saudita (8 a 2) e passado por EUA (1 a 0) e Nova Zelândia (2 a 0).

Campeões do Azteca

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Cerca de 110 mil pessoas lotaram o lendário Estádio Azteca na final da Copa das Confederações de 1999. Era sem dúvida o jogo mais importante da história do futebol mexicano e a chance de La Tri vencer um torneio da FIFA. Lapuente escalou o que tinha de melhor, apostando na boa fase de Blanco, jogando mais recuado, como meia, Carmona, Rafa Márquez e Suárez no setor defensivo, e um meio de campo pegador com Villa e Pardo centralizados e Ramírez e Zepeda mais abertos. O Brasil de Luxemburgo tinha uma equipe bem diferente da habitual, com Dida no gol, Odvan e João Carlos no miolo de zaga, Serginho na lateral, mas jogando um pouco recuado quase como terceiro zagueiro, Emerson, Flávio Conceição e Beto centralizados, Vampeta e Zé Roberto abertos e Ronaldinho e Alex no ataque. 

O México defendia uma invencibilidade de 18 anos sem perder dentro do Azteca para qualquer seleção – a última derrota havia sido para a Espanha, em 1981. “Os jogadores estão alegres. Estão desfrutando o momento. Há otimismo”, comentou o técnico Lapuente dias antes da final. O clima no Azteca naquele 04 de agosto de 1999 era impressionante e a torcida tratava aquele jogo como uma verdadeira final de Copa do Mundo, mesmo o Brasil sem sua equipe principal. Mas era o Brasil, a seleção mais famosa do mundo, que despertava tanta simpatia no povo local desde a Copa de 1970. E aquela final de 1999 era curiosamente o primeiro jogo do time canarinho no Azteca desde a lendária decisão de 1970. 

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O time da final.
 

Mais incisivo no ataque, La Tri foi com tudo pra cima e abriu o placar aos 13’, em chute de Zepeda que Dida aceitou. Aos 28’, novo ataque rápido dos mexicanos e Abundis recebeu livre na área para ampliar: 2 a 0. No final do primeiro tempo, Germán Villa derrubou Ronaldinho dentro da área e o árbitro marcou pênalti. Na cobrança, Serginho bateu e fez. No segundo tempo, logo aos 2’, Roni recebeu passe perfeito de Ronaldinho e fez 2 a 2. O jogo pegou fogo e o México conseguiu o terceiro gol ao aproveitar uma desatenção da zaga brasileira, que pediu impedimento no lance, mas João Carlos dava condição enquanto Zepeda encheu o pé no canto do goleiro Dida para fazer 3 a 2. 

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Alex, Vampeta, Flávio Conceição e Warley, com as medalhas de vice-campeões.
 

O Brasil tentou a resposta logo na sequência, mas cedeu um contra-ataque mortal para o México pela esquerda, com Rafa Márquez, que inverteu o jogo para Blanco, na direita, este driblou João Carlos dentro da área e fuzilou: 4 a 2. Explosão no Azteca! Que jogo de La Tri! No minuto seguinte, Roni fez boa jogada pela esquerda, cruzou e Zé Roberto descontou para o Brasil. O jogo ficou lá e cá e o time brasileiro ainda carimbou a trave de Jorge Campos. Mas aquela final era do México e, ao apito do árbitro, o 4 a 3 deu o inédito e histórico título a La Tri, que celebrou diante de sua torcida a Copa das Confederações da FIFA de 1999.

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Depois de ver tantas festas estrangeiras em suas terras, enfim, o povo mexicano pôde celebrar uma glória sua, um título levantado por seus heróis. Foi o troféu que coroou de vez uma das mais brilhantes gerações de futebolistas do país e que tanto competiu desde 1994, quando expandiu sua dominância na América do Norte e conseguiu duelar contra algumas das principais seleções do planeta. O técnico Lapuente comentou sobre aquela conquista histórica, em entrevista ao mediotiempo.com.

“Essa emoção que se sente quando termina o jogo após o apito do árbitro e ter com você uma copa internacional e com reconhecimento mundial, a primeira do México a nível profissional, é de uma satisfação imensa. […] Estávamos um pouco ‘ardidos’ pelo que passou com os brasileiros (na semifinal da Copa América de 1999). Tínhamos uma equipe pronta, entrosada, que foi contruída com trabalho, esforço e sobretudo gana de vencer”.

O treinador revelou ainda como inflou seus atletas a derrotar o Brasil. “A única maneira de vencer o Brasil, coloquem isso na cabeça de vocês, é marcar mais gols do que eles, porque eles vão marcar contra nós, mas nós vamos marcar mais do que eles, e é assim que vamos vencer.” 

Crise e o fim

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Após chegar ao topo, o México começou a cair no cenário internacional. Em 2000, a equipe estava crente no tetracampeonato consecutivo da Copa Ouro, mas acabou eliminada nas quartas de final para o Canadá, o que causou a demissão de Manuel Lapuente. Em 2001, outra campanha ruim e eliminação já na fase de grupos da Copa das Confederações da FIFA após três derrotas – 2 a 0 para a Austrália, 2 a 1 para a Coreia do Sul e 4 a 0 para a França. Convidada para mais uma Copa América, a seleção mexicana disputou a final, mas perdeu para a Colômbia. 

Na Copa do Mundo de 2002, La Tri até que foi bem na primeira fase e passou sem sustos, após vitória por 1 a 0 sobre a Croácia, 2 a 0 sobre o Equador e empate em 1 a 1 com a Itália. Nas oitavas, porém, a queda veio quando ninguém imaginava: para os EUA, freguês da CONCACAF, que venceu por 2 a 0 e ficou com a vaga. Desde então, a seleção mexicana só obteve um grande título fora da CONCACAF em 2012, quando faturou o Ouro Olímpico no Futebol ao vencer o Brasil na final por 2 a 1.

Geração dourada do México de 2012 não conseguiu brilhar na Copa do Mundo. Foto: REUTERS/Nigel Roddis.
 

No entanto, aquela geração não conseguiu repetir o sucesso do time dos anos 1990 e o México não conseguiu avançar além das oitavas de final das Copas de 2014 e 2018, e caiu já na primeira fase de 2022. A torcida espera que La Tri volte a brilhar em 2026, quando será uma das sedes da Copa do Mundo da FIFA. Mas é algo improvável, pois a geração atual teria que jogar muito mais para se equiparar à seleção dos anos 1990. Aquela sim, uma La Tri imortal.

Os personagens:

Jorge Campos: com 1,70m de altura, ele era um nanico para a posição de goleiro. Porém, compensava a baixa estatura com um estilo de jogo único e marcante. Jorge Campos jogava praticamente como um goleiro-líbero, a exemplo do folclórico René Higuita, e aliava habilidade com a bola nos pés, excelente senso de colocação, enorme capacidade para organizar a defesa, agilidade e arrojo. Outra característica eram seus uniformes, enormes, coloridos e que lhe davam personalidade. Foi um dos mais premiados goleiros dos anos 1990 e eleito o 3º melhor goleiro do mundo em 1993. Titular em boa parte daquela era de ouro do México, virou uma referência da seleção e ídolo. Muito habilidoso, podia jogar também como atacante e, por isso, anotou 46 gols na carreira, todos com bola rolando e por clubes, nenhum pela seleção, o que fez dele o 3º maior goleiro-artilheiro de todos os tempos, atrás apenas de Rogério Ceni e Chilavert. Disputou 129 jogos por La Tri na carreira. Leia mais sobre ele clicando aqui!

Oscar Pérez: outro goleiro bem baixo para a posição (também tinha 1,70m de altura), Pérez conviveu com a concorrência de Campos ao longo da carreira naqueles anos 1990, mas ganhou espaço em várias partidas e competições de La Tri. Muito seguro, corajoso e capaz de realizar defesas milagrosas, foi uma lenda do Cruz Azul e teve uma laureada carreira de quase 30 anos. Ganhou três Copas Ouro e a Copa das Confederações de 1999 pela seleção e disputou 55 jogos por La Tri, além de participar de três Copas do Mundo: 1998, 2002 e 2010.

Salvador Carmona: foi um dos principais defensores mexicanos dos anos 1990, de enorme velocidade, grande capacidade de marcação e ótimo apoio ao ataque pelo lado direito. Capaz de atuar como lateral e também zagueiro, Carmona foi uma das principais escolhas do técnico Lapuente e essencial na conquista da Copa das Confederações de 1999. Foram 84 jogos por La Tri na carreira, que acabou encerrada de maneira abrupta em 2007, ao receber uma suspensão definitiva da FIFA por causa de doping.

Terrazas: começou a ser convocado para a seleção em 1997 e fez parte do grupo que disputou a Copa do Mundo de 1998, a Copa América de 1999 e a Copa das Confederações de 1999. Podia jogar na zaga, mas perdeu espaço nos anos seguintes e não foi mais chamado.

Rafa Márquez: um dos principais defensores da história do futebol mexicano, Rafa Márquez começou a brilhar em 1999 pela seleção, com a qual viraria uma lenda e capitão. Na Copa das Confederações, foi crucial para o título ao jogar tanto na zaga quanto mais aberto, na lateral-esquerda, participando inclusive de um dos gols da final contra o Brasil. Muito técnico, com ótima visão de jogo e espírito de liderança, brilhou no super Barcelona dos anos 2000, onde venceu torneios nacionais e ainda duas Ligas dos Campeões da UEFA. Pela seleção, Márquez disputou 148 jogos – é o 4º atleta que mais vestiu a camisa de La Tri na história – e marcou 16 gols, além de ter dado seis assistências. ganhou o apelido de El Káiser de Michoacán, em referência ao alemão Franz Beckenbauer, conhecido como Kaiser, e à sua terra natal.

Duilio Davino: defensor que brilhou com a camisa do América por 10 anos, Davino disputou 84 jogos pela seleção do México e foi um dos mais utilizados jogadores pelo técnico Lapuente no período de ouro de La Tri. 

Claudio Suárez: outra lenda do futebol mexicano e considerado um dos maiores zagueiros do país, Súarez foi o capitão de La Tri naquela era de glórias e um símbolo que norteou as conquistas da equipe. Com 177 jogos e 6 gols, é o 2º jogador que mais vestiu a camisa mexicana na história, atrás apenas de Andrés Guardado. Tinha enorme espírito de liderança, eficiência nos desarmes e sabia sair jogando. Ganhou o apelido de El Emperador e foi ídolo do UNAM.

Germán Villa: o meio-campista foi titular em boa parte dos jogos do México naquele período, em especial nas campanhas dos títulos da Copa Ouro e da Copa das Confederações. Tinha funções mais defensivas, de marcação, e ajudava no elo entre defesa e meio de campo. Foram 67 jogos pelo México entre 1996 e 2002, com participação em duas Copas do Mundo no período.

Gerardo Torrado: figurinha carimbada na seleção mexicana dos anos 2000, Torrado começou sua trajetória na equipe principal em 1999, quando participou da Copa América e da Copa das Confederações. Volante muito forte na marcação e na troca de passes, alcançou o 6º lugar na lista dos atletas com mais jogos na história da seleção: 144 partidas.

Pável Pardo: outro volante de muita qualidade, El Bebé é o 5º atleta que mais vestiu o manto de La Tri com 146 jogos, além de ter marcado 10 gols. Fez uma grande dupla no meio de campo ao lado de Germán Villa e virou uma referência do setor na época graças à qualidade nos passes, ao combate mano a mano e aos chutes fortes de longa e média distâncias. Brilhou também no futebol alemão, conquistando o Campeonato Alemão de 2006-2007 pelo Stuttgart e pelo qual se tornou o primeiro jogador mexicano a marcar um gol na Bundesliga.

Raúl Lara: meio-campista de bom toque de bola e que ajudava na proteção à zaga, esteve no grupo da Copa do Mundo de 1998, mas falhou duas vezes na partida contra a Alemanha e causou a eliminação da equipe no Mundial. Mesmo assim, seguiu nas convocações de Lapuente no período até perder espaço após o problema de doping na Copa América de 1999.

Emilio Mora: atacante veloz que podia jogar, também, como meia. Integrou o elenco campeão da Copa Ouro de 1998, mas não teve tantas chances posteriormente. Foram apenas 12 jogos e um gol pela seleção.

Miguel Zepeda: o meio-campista, que podia jogar também mais aberto, como ponta-direita, brilhou na campanha do título da Copa das Confederações de 1999, com destaque para seus dois gols pra cima do Brasil na grande final. Zepeda aparecia bastante no ataque e foi uma importante arma ofensiva do time de Lapuente naquele ano. Seguiu na seleção até 2005, acumulando 50 jogos e 8 gols.

Roberto Medina: o meio-campista teve poucas convocações no período, mas contribuiu para o título da Copa Ouro de 1998, sendo titular inclusive na final contra os EUA. Perdeu espaço por conta da concorrência no setor e acumulou apenas sete jogos com a camisa de La Tri.

Jesús Arellano: ponta que virou lenda do Monterrey, “El Cabrito” era uma espécie de 12º jogador da equipe de Lapuente, pois sempre entrava no decorrer dos jogos e ajudava bastante o setor ofensivo com suas arrancadas e estilo de jogo incisivo. Foram 69 jogos pela seleção e 7 gols. Disputou as Copas do Mundo de 1998, 2002 e 2006.

Paulo Chávez: o meio-campista acumulou 30 jogos e dois gols pela seleção entre 1997 e 2000, mas o caso do doping na Copa América de 1999 prejudicou sua sequência em La Tri. 

Ramón Ramírez: meia de muito talento e habilidade, foi um dos principais jogadores mexicanos dos anos 1990 e essencial nas conquistas de três Copas Ouro e da Copa das Confederações. Ramírez podia jogar mais aberto pela esquerda e também como meia de ligação. Foram 119 jogos e 14 gols pela seleção.

García-Aspe: El Capitán foi uma lenda do México nos anos 1980 e 1990 e referência de La Tri no meio de campo com sua liderança, boa presença de ataque e distribuição de jogo. Acumulou 109 jogos e 21 gols pela seleção na carreira, disputou três Copas do Mundo e venceu a Copa das Confederações de 1999 e a Copa Ouro de 1996.

Braulio Luna: começou a ser convocado em 1997 e fez parte dos grandes times do México no período. Jogava no meio de campo, com funções mais defensivas, e acumulou 31 partidas por La Tri entre 1997 e 2010.

Cuauhtémoc Blanco: capaz de jogar como meia e atacante, Blanco se transformou no principal nome ofensivo do México nos anos 1990 e uma referência de ataque da seleção em todos os momentos. Forte, destemido, temperamental (levava muitos cartões), rompedor de defesas, dono de um chute poderoso e especialista em cobranças de pênaltis – converteu 71 dos 73 pênaltis que cobrou na carreira! -, Blanco marcou gols importantíssimos, fez uma parceria memorável com Luis Hernández e levantou duas Copas Ouro e a Copa das Confederações. Com 38 gols em 118 jogos, é o 4º maior artilheiro da história da seleção e uma lenda em seu país.

Hermosillo: com quase 1,90m de altura, El Grandote de Cerro Azul foi um dos grandes atacantes mexicanos dos anos 1980 e 1990 e foi convocado até 1997 para La Tri. É o 6º maior artilheiro da seleção com 34 gols em 89 jogos.

José Manuel Abundis: atacante que brilhou no Toluca em boa parte da carreira, fez dupla de ataque com Palencia na trajetória vencedora da Copa das Confederações de 1999 e marcou três gols na campanha do título, um deles sobre o Brasil, na final. Foram 47 jogos e 10 gols por La Tri.

Luis Hernández: oportunista, sempre bem colocado, goleador e técnico, Luis Hernández é até hoje considerado um dos melhores atacantes da história do futebol mexicano. Carrasco do Brasil nos anos 1990, foi o artilheiro do México em vários momentos, artilheiro da Copa América de 1997, primeiro mexicano a marcar 4 gols em uma Copa do Mundo (em 1998) e um ícone do ataque de La Tri. Marcou 35 gols em 85 jogos pela seleção e é o 5º maior goleador da seleção em todos os tempos. Venceu a Copa das Confederações de 1999 (embora tenha ficado mais na reserva) e duas Copas Ouro.

Francisco Palencia: atacante que podia jogar também como meia, Palencia foi um ídolo do Cruz Azul, pelo qual se tornou o mexicano com mais gols da história da Copa Libertadores – 16 gols em 38 jogos -, quando os clubes do país ainda disputavam a competição. Pela seleção, disputou as Copas de 1998 e 2002 e foi titular do time campeão da Copa das Confederações de 1999. Disputou 80 jogos e marcou 12 gols com La Tri.

Bora Milutinovic e Manuel Lapuente (Técnicos): Milutinovic comandou o México na conquista da Copa Ouro de 1996 e em boa parte das Eliminatórias da Copa do Mundo de 1998. O desempenho ruim na reta final das Eliminatórias acabou abreviando a trajetória do técnico, que deu lugar a Manuel Lapuente, que soube reestruturar o time e montar um esquadrão altamente competitivo e que conseguiu enfrentar de igual para igual algumas das maiores seleções do planeta na época. Conquistar a Copa das Confederações foi o ponto alto da carreira do treinador, que é até hoje respeitado no país e único a conseguir um troféu da FIFA com La Tri. Entre 1997 e 2000, Lapuente comandou o México em 67 jogos, com 33 vitórias, 18 empates e 16 derrotas.

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5 COMENTÁRIOS

    • Verdade! É que o Lapuente não deu chances a ele. Borgetti só jogaria de maneira mais frequente na seleção a partir de 2000.

  1. O melhor México da história eu acompanhei todo esse período e pude ver ao vivo vários jogos desse time e na boa que saudade da dupla Blanco/Hernandez El matador que infernizavam qualquer zaga inclusive a do brasil que sofreu bem contra eles.entre 97 e 98 Luis Hernandez foi um dos melhores atacantes do mundo e curioso pois ele rendia mais na seleção do que nos clubes e o cara fazia gols a rodo de todo jeito.

  2. Belo texto, Imortais! Precisávamos de um México imortal, afinal, a sempre revelou grandes jogadores e escreveu ótimas histórias no futebol, como na Copa das Confederações de 1999.
    Mandou bem, Imortais. Sugiro colocar o Rafa Márquez e o Jorge Campos entre os craques Imortais no futuro. Abraço!

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