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Craque Imortal – Jorge Campos

Nascimento: 15 de outubro de 1966, em Acapulco, México. 

Posições: Goleiro e Atacante

Clubes: Pumas UNAM-MEX (1988-1995, 1998-1999 e 2001-2002), Atlante-MEX (1995-1996 e 2000-2001), LA Galaxy-EUA (1996-1997), Cruz Azul-MEX (1997), Chicago Fire-EUA (1998), Tigres-MEX (2000) e Puebla-MEX (2002-2003).

Principais títulos por clubes: 1 Campeonato Mexicano (1990-1991) e 1 Liga dos Campeões da CONCACAF (1989) pelo UNAM.

1 Campeonato Mexicano (1997-Inverno) pelo Cruz Azul.

1 Copa da MLS (1998) e 1 Copa US Open (1998) pelo Chicago Fire.

Principais títulos por seleção: 1 Copa das Confederações da FIFA (1999) e 2 Copas Ouro (1993 e 1996) pelo México.

Principais títulos individuais:

Melhor Jogador da Copa Ouro: 1991

Luva de Ouro do Campeonato Mexicano: 1990-1991, 1991-1992, 1992-1993, 1993-1994 e 1994-1995

Luva de Bronze e 3º Melhor Goleiro do Mundo pela IFFHS: 1993

MLS All-Star: 1996, 1997 e 1998

 

“El Brody”

Por Leandro Stein

Alguns jogadores marcam o nome no futebol por serem incomparáveis. E Jorge Campos Navarrete, ou simplesmente Jorge Campos, foi assim. Por seu estilo único, nos mais diferentes sentidos da palavra. Ver um goleiro de 1,70m voando sob as traves é um tanto quanto incomum. No entanto, abandonar as luvas para virar também atacante em algumas partidas, só El Brody. O mexicano era arrojo puro. Compensava a falta de estatura com muita agilidade, que lhe servia nas corajosas saídas de gol e nas espalhafatosas pontes, mas também em suas aventuras no ataque. Obviamente, não estava imune às falhas, por vezes clamorosas, embora colecionasse seus milagres. E, não bastassem os hábitos incomuns para um jogador de sua posição, o arqueiro personificava a irreverência em seu estado mais psicotrópico. As roupas largas e coloridas, que ele mesmo desenhava, serviam de marca registrada à extravagância completa do camisa 1 – que usava a 9 ou a 10 no gol, além da própria 1 na linha. Um ídolo inegável da seleção mexicana. Um clássico do folclore futebolístico que relembramos agora.

Atacante do gol

Jorge Campos
As roupas largas sempre foram uma marca registrada de Campos.
 

Nascido em Acapulco, Jorge Campos começou sua carreira ‘anfíbia’ dentro da própria casa. Filho mais novo em uma família cheia de boleiros, o garotinho ia para o gol sob as ordens de seu pai, para que não se machucasse tanto. Mas também se irritava e saía a causar estrago com a bola nos pés. Torcedor do Interjap, ganhou uma chance para atuar na base do clube. Depois, seguiu para os Delfines de Acapulco, onde se destacou em um amistoso contra o Pumas. O ano era 1983 e, a contragosto de seu pai, o goleirinho viajou à capital para um teste com os felinos. Não foi aprovado. No ano seguinte, o jovem tentou a sorte no Cruz Azul, mas terminou barrado outra vez, por sua estatura. Porém, a insistência valeu muito a El Brody, que entrou para o time B do Pumas em 1985, aos 18 anos.

Jorge Campos

O camisa 1, aos poucos, conquistou a confiança dentro do clube. Até que, em dezembro de 1988, fez sua estreia no time profissional. Jorge Campos precisou substituir Adolfo Ríos, titular no gol, que se lesionou durante a partida contra o Santos Laguna. Recebeu mais algumas chances naquela temporada, mas não era o goleiro preferido do elenco. Só que a reserva o entediava. Meses depois, convenceu o técnico Miguel Mejía Barón que também poderia jogar no ataque. A surpresa aconteceu em agosto de 1989, durante um jogo da Concachampions, no qual o “goleiro reserva” entrou na linha de frente e marcou um dos gols na vitória dos felinos. Pois El Brody não só se saiu bem na missão sem luvas, como se tornou artilheiro do time naquela temporada, com sete gols no torneio continental e outros 14 anotados do Campeonato Mexicano!

Ganhando o mundo com El Tri

campos jorge

Todavia, Jorge Campos voltaria ao gol em 1990/91, quando Adolfo Ríos acabou vendido ao Veracruz. Sua condição? Que também pudesse atuar, vez ou outra, na linha. De qualquer forma, a partir deste momento, nada mais negaria a excelência do baixinho sob as traves. O arqueiro teve papel fundamental na conquista do Mexicano, o primeiro do Pumas em uma década, e foi eleito o melhor do campeonato em sua posição. A partir de 1991, também começou a ser convocado à seleção. Para marcar época.

Campos atravessou 13 anos como referência na meta de El Tri. Tornou-se em um ícone mundial. E não só pela bizarrice, mas também pelas boas atuações graças à grande capacidade de salto, porte atlético e velocidade ao sair da linha, além de ser perito na organização de sua defesa, o que lhe permitiu superar sua baixa estatura. Campos disputou três Copas do Mundo, sendo titular em 1994 – quando ficou conhecido mundialmente pelas roupas coloridas – e 1998. 

México 1999
Em pé: Pardo, Rafa Márquez, Abundis, Jorge Campos, Claudio Suárez e Carmona. Agachados: Zepeda, Palencia, Blanco, Germán Villa e Ramírez.
 
Jorge Campos 1993
Jorge Campos com o troféu de 3º Melhor Goleiro do Mundo de 1993.
 

Conquistou duas vezes a Copa Ouro e uma a Copa das Confederações, além de ter sido vice na Copa América. Titular em boa parte daquela era de ouro do México, virou uma referência da seleção e ídolo. Enquanto isso, mantinha a sua idolatria no Pumas, apontado como o melhor goleiro do Campeonato Mexicano em cinco temporadas consecutivas. Em 1993, também foi escolhido como 3º melhor goleiro do mundo pela IFFHS, ficando atrás de Peter Schmeichel (DIN) e Sergio Goycochea (ARG). Era convocado com frequência à seleção do Resto do Mundo, também pelo que representava, e até ganhou um personagem em Super Campeões – o goleiro de roupas coloridas ‘Ricardo Espadas’.

Últimas camisas de uma lenda

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Em 1995, Jorge Campos deixou o Pumas pela primeira vez. Tentou a sorte no Atlante, em passagem lembrada pelo golaço de voleio, mas não emplacou. Virou andarilho, por mais que se mantivesse intocável na equipe nacional. Rodou por Los Angeles Galaxy, Chicago Fire, Cruz Azul, Tigres e Puebla, além de acumular outras três passagens pelo Pumas. Serviu tanto como goleiro quanto como atacante. Deixou suas anedotas até se aposentar em 2003/04, pendurando luvas e chuteiras por clube e seleção, com 46 gols na carreira.

“Não vou me esquecer de quando Mejía Barón me disse para nunca mudar a minha forma de jogar. Para mim, o futebol sempre foi isso: um jogo para me divertir. Sempre pensei que a fama e esse tipo de coisas eram algo passageiro. E mais ainda como futebolista. Sempre soube que só era um momento na minha vida, e minha família também disse isso. Então, aproveitei ao máximo. Devia colocar os pés no chão, para que depois seguisse caminhando bem outra vez”, avaliou em novembro de 2004, em entrevista ao periódico La Jornada, após sua despedida.

El Brody Campos segue no mundo esportivo como comentarista na TV Azteca (MEX), embaixador da FIFA e administra sua rede de lanchonetes, a Sportortas Campos – onde a zoeira também impera e os pratos têm nomes inspirados em esportistas. Mais além, permanece forte nas lembranças de quem o viu jogar, tão vivas quanto as cores gritantes de seus uniformes. Um símbolo da galhofa que tanto marcou os anos 1990 e que, apesar da dose de marketing, também tinha a sua qualidade. Não fosse assim, o mexicano não marcaria tanto. Seja como goleiro ou como atacante. 

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Em junho de 2025, Jorge Campos voltou a ousar quando anunciou sua ida ao futebol espanhol, aos 58 anos, para jogar pelo México FC, da terceira divisão espanhola! O clube é uma iniciativa ousada liderada pelo empresário iucatense Víctor Ferraez , lançada após a aquisição do Paracuellos FC em 2024. O clube visa desenvolver jovens talentos mexicanos na Europa e construir um elenco com dupla identidade no futebol espanhol. A contratação de Campos acrescenta um poder de estrela e um impulso simbólico a essa missão. Com sua fama e peso no futebol, certamente El Brody levará muitos fãs a Madri.

Números de destaque:

Disputou 318 jogos e marcou 44 gols pelo Pumas.

Disputou 77 jogos e marcou 1 gol pelo Atlante.

Disputou 52 jogos e marcou 1 gol pelo LA Galaxy.

Disputou 2 jogos pelo Cruz Azul.

Disputou 10 jogos pelo Chicago Fire.

Disputou 17 jogos pelo Tigres.

Disputou 25 jogos pelo Puebla.

Disputou 501 jogos e marcou 46 gols em sua carreira por clubes.

Disputou 129 jogos pela seleção do México.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Um jogador capaz de jogar bem como goleiro e como atacante não é coisa que a gente vê todo dia! Acho que Jorge Campos merece seu espaço entre os craques imortais! Ele era habilidoso, flexível e divertido! Foi um cara único e não teve vergonha de realizar suas manias e mostrar o quanto ele era presente! Deixou sua marca no mundo do futebol! E virou um ícone do seleção mexicana!

    Mandou bem, Imortais! Jorge Campos quis ser memorável! Até acho que suas bizarrices deixaram o futebol divertido enquanto ele esteve presente! Abraço!

Comentários encerrados.

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