Data: 16 de junho de 2026
O que estava em jogo: três pontos importantes na luta por uma vaga nos 16-avos de final da Copa do Mundo da FIFA de 2026
Local: Kansas City Stadium, Kansas City, EUA.
Árbitro: Szymon Marciniak (POL)
Público: 69.045 pessoas
Os Times:
Argentina: Emiliano Martínez; Montiel (Molina, 46′), Romero (Otamendi, 80′), Lisandro Martínez e Medina; Mac Allister, De Paul e Enzo Fernández; Messi (Nico Paz, 80′), Lautaro Martínez (Julián Álvarez, 55′) e Almada (Nico González, 55′). Técnico: Lionel Scaloni.
Argélia: Luca Zidane; Belghali, Mandi, Bensebaini e Aït-Nouri; Bentaleb (Boulbina, 81′), Boudaoui (Aouar, 64′) e Maza (Zerrouki, 82′); Hadj Moussa (Mahrez, 64′), Gouiri (Amoura, 64′)e Chaïbi. Técnico: Vladimir Petkovic.
Placar: Argentina 3×0 Argélia. Gols: Messi-ARG, aos 17’, 60’ e 76’.
“Messi, 16 gols em Copas”
Por Guilherme Diniz
Gelsenkirchen, Alemanha, 16 de junho de 2006: um jovem prestes a completar 19 anos e vestindo curiosamente a camisa 19 entra em campo pela primeira vez em uma Copa do Mundo. O garoto tratou de apresentar seus predicados nos 15 minutos em que esteve no gramado: uma assistência, aos 39’, para o gol de Carlos Tevez. E, aos 43’, um gol para fechar a goleada de 6 a 0 da Argentina sobre uma atônita Sérvia e Montenegro.
Kansas City, EUA, 16 de junho de 2026: um homem prestes a completar 39 anos e vestindo a camisa 10 entra em campo como titular, capitão e pela 27ª vez na história das Copas do Mundo. O homem tratou de apresentar seus predicados nos 80 minutos em que esteve em campo: três gols nos 3 a 0 da Argentina sobre uma atônita Argélia. Foi seu primeiro hat-trick em Copas. E, com esses três gols, esse homem chegou aos 16 gols em Mundiais e se tornou o maior artilheiro da história das Copas, recorde compartilhado com o alemão Miroslav Klose, além de ser o primeiro a disputar seis Copas na história. Puro simbolismo. Pura magia. Puro Messi.
Se alguém duvidava (sério mesmo???) da capacidade do craque em decidir uma partida ou se ainda estava apto a jogar em alto nível, a atuação de gala do camisa 10 esclareceu tudo. Parecia que Messi tinha os mesmos 18 anos e 358 dias de 2006. A genialidade continuava a mesma. O chute de perna esquerda, o mesmo. As arrancadas, iguais. A capacidade única de se desvencilhar dos adversários sem ser tocado, idem. Messi fez um estádio inteiro lhe ovacionar e aplaudir como acontece desde 2006. Fez do seu jogo de número 200 pela Argentina o escolhido para alcançar o topo da artilharia das Copas. E se a Copa foi tão hostil com ele durante várias edições, desde 2022 ela o ama. E ele retribui a cada jogo esse amor. O maior dos torneios com o maior dos craques deste século XXI. Sintonia pura. Simbiose perfeita. É hora de relembrar Argentina 3×0 Argélia 2026.
Sumário
Pré-jogo
Após o título mundial de 2022, conquistado na final de todos os tempos contra a França, no Catar, a Argentina percorreu em um mar calmo e sem problemas como há décadas não navegava. A seleção foi para o topo do ranking da FIFA, manteve o time e a comissão técnica, faturou o bicampeonato da Copa América em 2024 e fez uma campanha sem contestações nas Eliminatórias, terminando em primeiro lugar e vencendo seus rivais de maneira categórica, incluindo o Brasil, que levou de 4 a 1 no Monumental. Aquele cenário perfeito fez com que a seleção pudesse realizar um trabalho organizado e sem crises pensando na Copa do Mundo. E Lionel Messi, que dava indícios de que a Copa de 2022 havia sido sua última, voltou atrás e decidiu participar de sua sexta Copa, um recorde.

Com ele, a base campeã e ainda novos nomes, a Argentina viajou aos EUA como uma das candidatas ao título, obviamente, juntamente com França, Espanha, Inglaterra e Portugal. Porém, muitos duvidavam se Messi poderia render o mesmo de antes. Perto dos 39 anos, o camisa 10 jogava no futebol estadunidense há alguns anos, onde o nível de competição não era alto como nas ligas europeias, por exemplo. Havia também a dúvida quanto à capacidade física do argentino, que sofreu algumas pequenas lesões antes do Mundial. Mas o camisa 10 estava na dele. Treinando e se preparando para o debute.

O adversário argentino seria a Argélia, de volta a um Mundial após duas edições de jejum. A equipe do norte da África queria repetir o feito da Arábia Saudita, em 2022, e derrotar os sul-americanos, que tradicionalmente não iam bem em estreias de Mundiais. A torcida ainda tirava onda e mostrava nas arquibancadas faixas com o nome de Maza, jovem e talentoso meia do time, com o apelido de “Mazadona”, em referência ao ídolo argentino Diego Maradona. Só que os argelinos iriam ver outro craque em campo…
Primeiro tempo – Ele abre o caminho
A Argentina foi a campo com praticamente o mesmo time-base campeão do mundo: dez jogadores presentes em 2022 e apenas um novo nome – o lateral-esquerdo Facundo Medina. Otamendi e Julián Álvarez, presentes na maioria dos jogos de 2022, estavam no banco mais por opção do técnico Scaloni, que podia se dar ao luxo de poupar alguns atletas que nem assim perdia qualidade. Quando a bola rolou, a Argentina mostrou suas cartas logo aos 3’, quando Almada levantou na área e Lautaro Martínez cabeceou, exigindo boa defesa do goleiro Luca Zidane, um dos filhos de Zinédine Zidane, lenda das Copas e que estava presente no estádio. Apesar de ter nascido na França, Luca preferiu defender a Argélia, país de onde a família de Zidane tem suas origens.

Um minuto depois, a Argentina continuou no ataque, pela direita, e Lautaro deu um passe impecável para Messi. O camisa 10 invadiu a área e bateu no canto do goleiro, mas o argentino estava em posição de impedimento e o gol não valeu. Foi o primeiro lance que mostrou o apetite do argentino. Naquele mesmo dia, outros craques já haviam deixado suas marcas na Copa: Mbappé deu show e marcou dois gols na vitória da França sobre Senegal por 3 a 1, o que fez o atacante chegar aos 14 gols e passar Messi e Fontaine na artilharia dos Mundiais. Depois, foi a vez de Erling Haaland debutar em Copas e marcar dois gols na vitória da Noruega sobre o Iraque por 4 a 1. Ou seja, o sarrafo estava alto: cada estrela marcou dois gols. Messi precisava dar uma resposta à altura. Não que ele precisasse, mas, sabe como é o mundo do futebol…
A Argélia respondeu aos 7’, em jogada que começou com Maza, pelo meio, com a bola rondando a intermediária defensiva da Argentina. O camisa 22 recebeu, encontrou uma brecha no paredão albiceleste e tocou para Chaïbi, que chutou no contrapé do goleiro Martínez. Argélia na frente! Bem, só por alguns segundos, pois o atacante também estava em posição de impedimento. O não-gol fez com que a Argentina se reorganizasse após aquele instante de distração e o time voltou a controlar as ações, principalmente no meio de campo. E foi por ali que nasceu o primeiro gol do jogo.
Mac Allister tentou a jogada, mas a marcação evitou o avanço do meio-campista. A bola voltou para De Paul, que viu Messi à frente e deu o clássico passe “quebra linhas” para o capitão. A redonda grudou no pé do craque, que avançou em disparada, chegou na entrada da área e chutou forte. O goleirão Luca Zidane tentou espalmar, mas acabou aceitando e a bola foi parar no fundo do gol: 1 a 0.


Foi o 14º gol do craque em Mundiais. E o tento que tranquilizou a tricampeã mundial. Na celebração, Messi se emocionou, provando que cada jogo importava e que vestir a camisa de sua Argentina em uma Copa era algo único. Após a pausa para hidratação, o time argentino dominou a partida, enquanto a Argélia tinha dificuldades para romper a linha defensiva dos sul-americanos. Aos 31’, Messi fez uma falta dura em Mandi, com a sola a chuteira, e o árbitro não deu nem cartão amarelo para o camisa 10. Fosse outro atleta, certamente levaria uma tarjeta, até mesmo uma vermelha. Mas ser Messi tem suas vantagens…
Com toques rápidos e precisos, a Argentina impunha sua dominância e tinha a partida sob controle. Não precisava se desgastar muito, nem ser veloz. Era só ter a bola que o tempo passava. Só aos 40’ que a Argélia conseguiu chegar com perigo, pela direita, em nova tentativa de Chaïbi, mas o chute do camisa 10 foi defendido por Dibu Martínez. Na cobrança de escanteio, a Argélia teve a chance, mas Chaïbi não conseguiu mirar no gol e a cabeçada foi para fora.


Dois minutos depois, após corte da zaga argentina, Messi recebeu no meio e engatilhou um contra-ataque rápido. A bola sobrou para Almada, mas o camisa 16 chutou muito forte e a bola passou longe do gol. Chaïbi tentou outro chute aos 43’, mas também mandou a redonda para fora. Ao apito do árbitro, o 1 a 0 era justo pelo domínio argentino. Por outro lado, a Argélia dava mostras de que poderia empatar se conseguisse melhorar a pontaria.
Segundo tempo – O primeiro triplete do maior artilheiro das Copas
A etapa final começou com Messi arriscando de fora da área já aos 50’, mas o chute do camisa 10 foi longe do gol – ele poderia ter tocada para Lautaro Martínez, porém, preferiu o chute. Dois minutos depois, Messi liderou um contra-ataque para a Argentina e deu um passe na medida para Lautaro, que dominou, chutou rasteiro e exigiu boa defesa de Luca Zidane. O segundo gol estava muito próximo de acontecer. E, aos 59’, começou a ser arquitetado lá de trás, com Dibu Martínez jogando de líbero e mandando um lançamento nos pés de Messi, como um ponta-esquerda lá no ataque. O camisa 10 ajeitou de maneira perfeita e deu um tapa de direita para Nico González, que cruzou, mas a zaga tirou. No rebote, Mac Allister mandou um petardo rasteiro e Luca Zidane não conseguiu agarrar. Ele deu rebote. E quem estava lá dentro da área? Messi, livre, leve e solto. O craque só tocou de perna direita para o gol e fez 2 a 0.

Foi o 15º gol de Messi em Copas. Chegava ao mesmo número do brasileiro Ronaldo Fenômeno. Ultrapassava Mbappé. E chegava aos mesmos dois gols do dia que o francês e o norueguês Haaland haviam marcado. A “missão” do camisa 10 estava cumprida. Bem, ele ainda queria mais. O estádio inteiro ovacionou o argentino com os gritos “Meeeeeeessiiiii, Meeeeeesssiiiii”, braços ao alto, como se todos saudassem um rei. Bem, era mesmo. Tanto é que, cinco minutos depois, Messi recebeu passe magistral de Mac Allister, avançou sob marcação cerrada e ainda sim conseguiu chutar de perna esquerda. Era gol certo, mas dessa vez o goleiro Luca Zidane fez uma defesaça para compensar as duas falhas anteriores.

Messi estava imparável. Parecia o garoto de 20 anos atrás, querendo mostrar serviço ao técnico para ter mais minutos em campo. Mas ele já era um homem de 38 anos, quase 39. Campeão do mundo. Campeão de tudo. Não precisava provar mais nada. Só que ele ama o futebol. Estava enamorado com a Copa do Mundo. E ela com ele. A Argélia não conseguia fazer seu gol e apimentar o jogo. Só dava Argentina, que pediu pênalti aos 73’ após Messi ser derrubado dentro da área. O jogo seguiu e Messi também, ávido pelo terceiro gol. Ele queria chegar ao topo. Se igualar a Miroslav Klose como o maior artilheiro da história das Copas. Aos 75’, outro contra-ataque pelo meio, engatilhado por Messi. Ele tocou na esquerda para Nico González, muito bem na partida, que devolveu para Messi. O craque dominou, ajeitou para a perna esquerda e… Já sabe né? Golaço. Argentina 3×0 Argélia. Ou seria Messi 3×0 Argélia?

Uma nova frenesi coletiva no Kansas City Stadium. Gritos de “Meeeeessiiii, Meeeeeesssiiii”. Ovação única ao maior artilheiro das Copas. Mbappé fez dois? Haaland também? Pois Messi fez TRÊS! De quebra, foi o primeiro triplete do craque em Mundiais. Seis Copas, 16 gols em 27 jogos. Recordista em participações em Copas. Recordista em gols em Copas. Recordista em jogos em Copas. Era a história sendo escrita naquela noite em Kansas. Uma apresentação apoteótica do maior craque do século XXI. E a resposta plena aos contestadores que resistiam em falar alguma coisa do argentino. A partir dali, foi só festa. Messi foi substituído aos 80’ e aplaudido de pé. A Argentina seguiu impecável na defesa e não permitiu que a Argélia furasse a meta de Martínez. Aquele placar era sagrado. Era de Messi, não deveria ser mexido.

Ao apito do árbitro Szymon Marciniak – curiosamente o mesmo da final da Copa de 2022 -, a tricampeã garantiu seus três primeiros pontos no Mundial e provou a todas as outras 47 seleções da maior Copa da história que ela era, sim, candidata ao título, principalmente com o timaço que tem e com um meio de campo espetacular – De Paul, Mac Allister e Enzo Fernández, monstruosos. E que Messi, aos 38 anos e 358 dias, estava ali, ávido e pronto para mais histórias, gols e recordes. Naquela noite de 16 de junho, o presente repetiu o passado. E tal data virou cabalística. Se em 16 de junho de 2006 o garoto Messi fez seu primeiro gol em Copas, em 16 de junho de 2026 o homem Messi marcou seu 16º gol em Copas. Simplesmente eterno.

Pós-jogo: o que aconteceu depois?
Argentina: a imprensa mundial se derreteu ao desempenho do craque e da Argentina, que foi direto para a primeira prateleira dos favoritos ao título. Ainda no estádio, Messi comentou sobre a emoção na hora do primeiro gol. “A verdade é que se trata de uma questão completamente alheia ao esporte. Passei por alguns dias difíceis e complicados, mas sou grato a toda a delegação, a todos os meus companheiros de equipe, porque eles sempre estiveram ao meu lado, me dando muita força para superar isso, e é só isso”, disse o camisa 10, que quebrou o recorde do brasileiro Rivellino e chegou aos seis gols de fora da área em Mundiais, com dois dos três que anotou contra a Argélia – Riva tem 5. “Me encontro bem. Depois de ganhar uma partida difícil como essa… Nunca é fácil jogar uma primeira partida de Copa do Mundo. Custou bastante no primeiro tempo, depois fizemos o diferencial”, finalizou.

Argélia: a lamentação dos argelinos no pós-jogo, claro, foi sobre a falta de Messi em Mandi, que poderia ter rendido um cartão vermelho ao jogador. “É inútil nesse momento comentar situações hipotéticas. Mas todo mundo viu, inclusive eu. Depois do jogo, eu vi as imagens, mas não quero falar muito sobre isso”, disse o técnico da Argélia, o bósnio Vladimir Petkovic. Por outro lado, ele reconheceu que, mesmo com esse porém, o jogo teve o brilho do craque e vacilos da zaga argelina. “A classe é permanente. Não estamos falando de nenhum jogador velho. Estamos falando de um jogador que ganhou a Bola de Ouro oito vezes. Tornamos fácil para ele fazer os gols. […] Todo o time da Argentina joga para ele há muitos anos. Ele faz coisas incríveis. A Argentina deu dez chutes a gol, e sete foram de Messi. No fim das contas, mereceram vencer esse jogo”, disse Petkovic.

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Sempre um privilégio ver as mágicas do maior da história ( pra mim o Rei Pelé não conta) principalmente nas copas e depois desse jogo ele aumentou pra sete seus recordes em mundiais e a disputa com Mbappe pela artilharia vai ser ferrenha de novo e Klose já se conformou pois pra mim os dois vão ultrapassar o alemão e quanto ao filho do Zizou de goleiro heim…