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Jogos Eternos – Hungria 4×2 Brasil 1954

Última atualização em 07 de abril de 2026 às 07:03

Data: 27 de junho de 1954

O que estava em jogo: uma vaga na semifinal da Copa do Mundo da FIFA de 1954.

Local: Wankdorf Stadium, Berna, Suíça.

Árbitro: Arthur Ellis (Inglaterra)

Público: 40.000 pessoas

Os Times:

Hungria: Grosics; Buzánszky, Lóránt e Lantos; Bozsik e Zakariás; Hidegkuti; József Tóth, Kocsis, Mihály Tóth e Czibor. Técnico: Gusztáv Sebes.

Brasil: Castilho; Djalma Santos e Pinheiro; Bauer, Brandãozinho e Nilton Santos; Julinho Botelho, Didi, Índio, Humberto e Maurinho. Técnico: Zezé Moreira.

Placar: Hungria 4×2 Brasil. Gols: Hidegkuti-HUN, aos 4′, Kocsis-HUN, aos 7′ e Djalma Santos-BRA, aos 18′ (pênalti) do 1º T; Lantos-HUN (pênalti), aos 15′, Julinho Botelho-BRA, aos 20′, e Kocsis-HUN, aos 43′ do 2º T.

Expulsos: Bozsik (HUN), Nilton Santos (BRA) e Humberto (BRA).

 

A Batalha de Berna

Por Guilherme Diniz

Quatro anos depois do Maracanazo, o Brasil retornou a uma Copa do Mundo com o orgulho ferido. Precisava dar a volta por cima, desempenhar um bom papel e provar que podia seguir como uma das principais forças do futebol. Só que, naquele ano de 1954, quem dava as cartas era a fabulosa Hungria, campeã olímpica em 1952, responsável por aplicar goleadas marcantes em seus rivais e revolucionar o futebol com um novo esquema tático, o aquecimento pré-jogo e por marcar pelo menos dois gols nos primeiros 10, 20 minutos das partidas. Com craques como Grosics, Bozsik, Czibor, Hidegkuti, Kocsis e Puskás, a seleção magiar era a favorita ao título. E, nas quartas de final, apareceu no caminho do Brasil.

Seria muito difícil para a seleção canarinho derrotar os europeus. E ficou ainda mais depois da bagunça que dirigentes desmiolados fizeram na concentração da equipe ao cobrar raça, patriotismo e bradando discursos sem qualquer relevância com o esporte. Eles pilharam os jogadores e tiraram o sono de vários. E, quando a bola rolou em Berna, o que se viu foi um jogo tenso, ríspido e com 42 faltas, um número absurdo e mais do que o dobro do que era considerada uma partida faltosa na época. 

Além de entreveros dentro de campo, o jogo continuou quente fora dele, com chutes, garrafadas e chuteiras lançadas. Uma selvageria que foi parar até nos vestiários, passando por guardas e preparadores físicos. Naquele dia, Berna foi palco de um jogo, mas também de uma verdadeira batalha. É hora de relembrar o Hungria 4×2 Brasil 1954: a Batalha de Berna

Pré-jogo

A seleção brasileira que foi para a Copa de 1954 tinha um elenco muito bom, mas que ainda despertava dúvidas sobre sua capacidade de decisão. Apesar de ter renovado a comissão técnica e até mesmo o uniforme – o Mundial da Suíça foi o primeiro do Brasil jogando de camisas amarelas com frisos verdes e calções azuis -, o emocional do time ainda se mostrava abalado por conta da derrota na Copa de 1950, em casa, diante do Uruguai. E isso só se agravava diante da pressão que dirigentes e jornalistas faziam no time de Zezé Moreira, cobrando raça, amor à camisa e patriotismo. Era comum, antes de alguns jogos e em especial naquela Copa, membros da comissão fazerem discursos sobre o orgulho e obrigando os jogadores a beijarem a bandeira (!). Atitudes que em nada ajudavam o coletivo. Muito pelo contrário: traziam mais pressão e a obrigação de vencer para não “envergonhar a nação novamente”.

Como só focavam nisso, os próprios membros da comissão se esqueciam do básico e não davam aos atletas o entendimento do regulamento da competição e dicas de cada partida. E um exemplo claro foi o último jogo do Brasil na fase de grupos, contra a Iugoslávia. Com o placar em 1 a 1 no tempo regulamentar, a partida foi para a prorrogação, por conta do regulamento que previa tempos extras em todas as partidas que terminassem empatadas. No entanto, aquele resultado classificava ambas as seleções, pois nem França nem México tinham chances de vaga àquela altura. 

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Contra a Iugoslávia, a seleção pensou que estava eliminada com o empate.
 

O Brasil, sem saber, seguiu atacando a equipe europeia de maneira desesperada durante os 30 minutos, achando que só a vitória iria classificá-lo. Os iugoslavos tentaram avisar os brasileiros para que não se desgastassem nem corressem em vão, mas de nada adiantou. No fim, o placar ficou mesmo 1 a 1 e os atletas sul-americanos deixaram o gramado aos prantos, achando que estavam eliminados, ainda mais com os iugoslavos celebrando a vaga e se abraçando! Só nos vestiários que ficaram sabendo que a vaga nas quartas de final estava garantida…

Foi um enorme alívio naquele instante, mas por pouco tempo, pois o adversário seguinte seria a Hungria, seleção mais famosa do planeta, invicta há anos e que havia anotado 17 gols em apenas dois jogos. A única notícia boa para os brasileiros era de que Puskás não iria jogar por conta de uma lesão sofrida no duelo contra a Alemanha. Por outro lado, a Hungria teria toda a sua artilharia pesada com Hidegkuti, Bozsik, Czibor e Kocsis, expoentes máximos do sistema ofensivo da seleção.

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A Hungria de 1954: uma das maiores seleções da história do futebol mundial. Em pé: Gyula Lóránt, Jeno Buzanszky, Nandor Hidegkuti, Sandor Kocsis, Jószef Zakarías, Zoltan Czibor, Jószef Bozsik, László Budai. Agachados: Mihaly Lantos, Ferenc Puskás e Gyula Grosics.
 

Já o Brasil teria três baixas para o jogo contra os húngaros: Rodrigues, com dores no tornozelo, Baltazar, lesionado, e Pinga, com dores na perna. Zezé Moreira escalou Humberto, Maurinho e Índio, respectivamente, a fim de igualar a velocidade da equipe europeia. Time por time, claro que a Hungria era melhor, mas o Brasil poderia oferecer um bom duelo com seus excepcionais laterais Nilton Santos e Djalma Santos, os meio-campistas Brandãozinho, Bauer e Didi, e o habilidoso ponta-direita Julinho Botelho.

Antes da partida, os dirigentes brasileiros, mais uma vez, encheram os jogadores de frases prontas e mais patriotismo, invocando até a Segunda Guerra Mundial, pois os jogadores tinham o dever de “vingar os mortos de Pistoia”, em referência ao cemitério italiano onde foram enterrados os soldados que morreram na guerra. Só que brasileiros e húngaros não se enfrentaram no conflito bélico de quase uma década atrás… Djalma Santos comentou sobre essa falácia sem propósito.

“Na véspera do jogo contra a Hungria, o jantar terminou às 19h e ficamos ouvindo os dirigentes falarem até as 23h. Eles fizeram do Puskás um monstro, um deles. E ele nem jogou aquela partida! Ficaram falando que nós tínhamos que honrar a nossa bandeira, que isso, que aquilo… Teve jogador que nem dormiu depois de tudo que eles falaram. Naquela época não tinha aquecimento dentro do próprio campo antes dos jogos.

Antes de entrar em campo contra a gente, os húngaros foram bater bola de manhã em um campinho ao lado do estádio. Já os brasileiros, não: nós voltamos a ouvir aquela mesmo conversa, que o Puskás era isso, que o time deles era aquilo. O resultado veio no jogo. […] Faltou um comando, como o que nós tivemos em 1958. Os dirigentes foram mais a passeio. Tinha só essa conversa fiada, que não resolvia nada”.Djalma Santos, em entrevista a Pedro Cirne, do UOL Esporte, em 2002.

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O capitão brasileiro, Bauer, o capitão húngaro, Bozsik, e o árbitro Arthur Ellis, ao centro, antes da partida.
 

Toda essa verborragia fez muito mal ao elenco brasileiro, que, segundo Nilton Santos, “entrou em campo com os nervos em frangalhos por causa da maluquice” dos dirigentes. No dia do jogo, nem a chuva torrencial afugentou o público, com 40 mil pessoas no estádio de Wankdorf, que iria abrigar também a finalíssima do Mundial. O gramado encharcado era um bom presságio para o Brasil, pois iria prejudicar o toque de bola do time húngaro. Mas nem isso seria um empecilho para o lendário time de Sebes.

Primeiro tempo – Dianteira húngara  

“Contra a Hungria, ficamos surpresos logo antes da partida. Enquanto nós estávamos no vestiário fazendo 1, 2, 3…, eles realizavam dois toques como pelada. Nunca tínhamos visto aquilo. Aí, o Didi, muito inteligente disse: ‘eles vão arrebentar com a gente logo ou vão cansar’. O que o Didi falou aconteceu. Ia correr, dar um drible, caía por causa da trava da chuteira. Eles, além de terem feito o reconhecimento do campo, jogavam com dez travas de borracha e nós com seis”. O relato do zagueiro Pinheiro à ACERJ (Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro-BRA) exemplifica o tamanho da evolução do futebol húngaro perto do brasileiro naquele ano. A equipe de Sebes pensava e fazia o que hoje é banal, mas foi a pioneira no quesito preparação física. E isso sempre fazia a diferença contra os adversários.

Hungria 4x2 Brasil 1954

Como não poderia deixar de ser, a Hungria abriu 2 a 0 em menos de 10 minutos, em gols de Hidegkuti, aos 4’, após rebote da defesa brasileira, e Kocsis, aos 7’, em cabeçada certeira ao aproveitar um cruzamento de Hidegkuti. Os gols atordoaram o Brasil, com os Mágicos Magiares mantendo o domínio e trocando passes rápidos que envolviam a zaga brasileira. Como forma de tentar brecar os europeus, o time de Zezé Moreira apelava para as faltas e dava trabalho ao árbitro Arthur Ellis. Em determinado lance, József Tóth teve o calção rasgado por Didi e jogou assim por algum tempo até conseguir trocar sua vestimenta. A Hungria poderia ter feito pelo menos mais um gol, mas um chute de Hidegkuti foi desviado em cima da linha por Djalma Santos.

Após 12 minutos, o time sul-americano conseguiu se recompor e, em uma investida ao ataque aos 18’, teve um pênalti a seu favor após Índio ser derrubado dentro da área. Na cobrança, Djalma Santos bateu bem e descontou. A partida ficou lá e cá, com as duas equipes tentando o gol e a Hungria mais incisiva. O Brasil se defendia como podia e tinha muito trabalho com as bolas alçadas pela direita, sempre procurando Kocsis ou Hidegkuti – em outra oportunidade, Pinheiro afastou o perigo quase em cima da linha após uma cabeçada de Hidegkuti. Quando chegava ao ataque, o Brasil tinha muita dificuldade para concluir as jogadas e quase sempre perdia a bola, principalmente pelo lado direito, onde Bozsik reinava absoluto por ali. Nas raras vezes em que alguém conseguia chutar, Grosics estava bem colocado para defender.

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Kocsis, no chão, se desentende com Maurinho: intrigas já começaram na etapa inicial.
 

Na reta final do primeiro tempo, József Tóth se lesionou em lance com Didi e acabaria jogando no sacrifício na etapa complementar – o atacante acabaria de fora do restante do Mundial. Pouco depois, Kocsis não gostou de uma dividida com Maurinho e apontou o dedo para o brasileiro. O clima não estava nada bom. Eram muitos encontrões, divididas ríspidas e muitas faltas, principalmente no meio de campo e nas zonas intermediárias – em determinado lance, Hidegkuti passou por Brandãozinho e deu-lhe um bico na canela. O brasileiro revidou e, sem o árbitro ver, acertou um safanão ao pé da orelha do húngaro! Por mais que a Hungria dominasse as principais jogadas, o Brasil conseguia brigar. Na bola e no braço. 

Segundo tempo – Polêmicas e pancadaria

Na etapa final, a partida seguiu frenética, com a Hungria atuando mais pela esquerda, em boas jogadas de Mihály Tóth. O Brasil tentava pelo meio, em chutes de média distância, mas defendidos por Grosics. Até que, aos 15’, Czibor cruzou da esquerda e Pinheiro acabou colocando a mão na bola em disputa com Kocsis. Na cobrança, Lantos bateu e fez 3 a 1. Quando a bola voltou a rolar, Índio acertou em cheio Hidegkuti e por pouco não foi expulso. Os húngaros, indignados, começaram a cobrar mais atitude do árbitro Ellis. Depois, com uma pausa para atendimento médico a Djalma Santos, vários jornalistas e dirigentes brasileiros invadiram o gramado e tiveram que ser contidos pelos policiais.

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Cinco minutos depois do gol húngaro, Julinho Botelho recebeu na direita, cortou um marcador e acertou um chute cruzado para fazer o gol mais bonito do jogo e descontar: 3 a 2. A partida ficou ainda mais explosiva e os brasileiros mais destemperados. Em determinado lance, Índio acertou um tapa em Czibor, sem o árbitro ver, e derrubou o ponta húngaro. Mas tudo desandou de vez aos 26’, quando Bozsik e Nilton Santos, que se estranharam o jogo inteiro, foram às vias de fato e tiveram que ser separados pelos companheiros. O árbitro expulsou os dois e deixou Brasil e Hungria com 10 homens cada.

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Lance em que Índio agrediu Czibor.
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O árbitro Ellis acompanha Bozsik e Nilton Santos até a lateral do campo.
 
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Nilton Santos e Bozsik.
 

O jogo ficou dramático, mas o Brasil continuava tentando o empate – e ele quase veio, em chute cruzado de Humberto e, depois, em chute na trave de Didi. Aos 34’, porém, a seleção canarinho viu Humberto ser expulso após falta duríssima em Lóránt e a dificuldade aumentou ainda mais. E o golpe final dos magiares veio aos 43’, quando Czibor cruzou na cabeça de Kocsis, soberano na grande área, que marcou o quarto gol e fechou o placar em 4 a 2. Este gol gerou ainda mais polêmica, pois Kocsis estava fora do campo bebendo água e retornou livremente para receber o cruzamento e marcar. Sem mais tempo, o Brasil estava eliminado. E a Hungria, na semifinal.  

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Golaço de Julinho não adiantou.
 

No entanto, ao apito do árbitro, a partida continuou rumo ao terceiro tempo: a pancadaria. Até hoje não se sabe ao certo como tudo começou, mas uma série de eventos desencadearam os conflitos. Os jogadores brasileiros, a comissão técnica e jornalistas invadiram o gramado e sofreram repressões da polícia suíça. Bauer discutiu com os oficiais e Paulo Buarque, da imprensa brasileira, derrubou com uma rasteira um policial suíço. Depois, Pinheiro foi atingido por uma garrafa de vidro (na época, as garrafas de água não eram de plástico) arremessada, dizem, por Puskás, que estava na arquibancada e acabou provocando os brasileiros. Mas, segundo Djalma Santos, não foi isso.

“Foi um mal entendido. As entradas para os dois vestiários ficavam uma do lado da outra. Os dois times estavam deixando o campo após o jogo e o Newton Paes, médico do Brasil, pegou uma garrafa de água. Naquele tempo era garrafa de vidro, não de plástico, como as de hoje. Aí ele pegou a garrafa e jogou no Puskás. Só que ele errou e acertou o (zagueiro) Pinheiro. Pegou na testa dele e, quando o Pinheiro se virou para ver quem havia arremessado, alguém gritou: “foi o Puskás!”. Aí começou a confusão”. 

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Foto: DPA / Press Association Images
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O técnico brasileiro Zezé Moreira, com uma chuteira em mãos, pronto para a briga.
 

Didi desandou a dar golpes de capoeira em quem chegasse por perto e Zezé Moreira agrediu o técnico húngaro Gusztáv Sebes com uma chuteira. Nas tribunas dentro do estádio, quem também brigava, mas com palavras, era o árbitro brasileiro Mário Vianna, que trabalhava naquela Copa e fazia “um bico” como comentarista de uma rádio. Indignado, ele chamou a FIFA de “camarilha de ladrões”, e o árbitro Arthur Ellis de “ladrão, comunista e covarde”. Tais ofensas fizeram com que ele deixasse o quadro da entidade máxima do futebol pouco depois da Copa. O árbitro Arthur Ellis, tempo depois, comentou seu desapontamento com o desfecho do jogo. 

Antes da partida, me senti o homem mais sortudo do mundo, pois eu iria arbitrar o jogo com as duas melhores seleções do mundo na época. Depois do jogo, no entanto, me senti o homem mais azarado do mundo, pois ao invés de uma aula de futebol como esperava, acabei arbitrando uma vergonhosa carnificina”.

O jogo teve ainda 42 faltas, um número absurdo para a época, e fez com que a partida ganhasse para sempre a alcunha de “A Batalha de Berna”. Apesar de toda selvageria, a FIFA não aplicou nenhuma sanção às equipes, nem ao menos suspendeu Bozsik para a partida seguinte, e deixou as questões disciplinares para os respectivos países (eram outros tempos…). Atingido por uma chuteira, Gusztáv Sebes teve que receber quatro pontos no rosto e comentou sobre a partida tempo depois. 

“Foi uma batalha; uma partida brutal e selvagem. No final, tínhamos ganho por 4 a 2, mas ainda não tinha acabado. Fotógrafos e torcedores brasileiros invadiram o campo e a polícia foi chamada para dispersar a multidão. Os jogadores entraram em confronto no túnel e uma pequena guerra começou no corredor que leva aos vestiários – todos estavam se provocando: torcedores, jogadores e dirigentes.”  

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Revista Paris Match estampou uma imensa foto da briga na capa.
 

A repercussão do duelo foi grande. O correspondente do jornal The Times (UK) publicou no dia seguinte: “nunca na minha vida vi uma abordagem tão cruel, o abate de oponentes como se fossem atingidos por uma foice, seguido de atitudes ameaçadoras e alfinetadas dissimuladas quando as autoridades estavam ocupadas em outro lugar.” O Daily Mail (UK) sugeriu que a FIFA “impedisse o Brasil de disputar futuras competições”, enquanto o Sport (SUI) preferiu a neutralidade e noticiou que “as duas seleções cruzaram as fronteiras da boa conduta e nenhuma pode culpar a outra”. A imprensa brasileira alfinetou o árbitro inglês, culpando-o pelo resultado: “Roubados no campo da luta!”, estampou o Última Hora

Esse foi o segundo jogo violento da história das Copas, curiosamente envolvendo mais uma vez o Brasil – que, em 1938, protagonizou uma partida repleta de faltas e com três expulsões contra a Tchecoslováquia, que ficou conhecida como “A Batalha de Bordeaux”. De fato, o Brasil precisava “esfriar a cabeça”, parar de ficar atribuindo seus revezes aos outros e compreender seus próprios erros. A profissionalização fora de campo era necessária e urgente se o país quisesse levantar uma Copa. Afinal, a seleção brasileira não poderia ficar conhecida como protagonista de batalhas. Mas sim de futebol.

Pós-jogo: O que aconteceu depois?

Hungria: dias depois, os magiares tiveram pela frente o Uruguai, então campeão mundial, e os europeus tiveram que suar bastante para vencer. Depois de abrir 2 a 0, a Hungria levou o empate e a partida foi para a prorrogação. Nela, os magiares conseguiram mais dois gols, venceram por 4 a 2 e foram para a final. O duelo contra a Celeste foi o melhor e mais emocionante jogo da Copa, como você pode ler mais clicando aqui. No entanto, a equipe magiar acabou perdendo a decisão para a Alemanha por 3 a 2, de virada, no aclamado Milagre de Berna. Em 1966, a equipe magiar reencontrou o Brasil em um Mundial, dessa vez na fase de grupos, e venceu de novo: 3 a 1, resultado que deixou o Brasil perto da eliminação, consumada na partida seguinte, diante de Portugal. Com isso, a Hungria nutre uma rara invencibilidade diante do Brasil em Copas: duas vitórias em dois jogos. 

Brasil: o revés ensinou muita coisa à seleção, a começar pela parte tática: já na Copa de 1958, a equipe jogaria de maneira parecida com a Hungria, num 4-2-4, mas teria um diferencial com o recuo de um ponta – Zagallo – para o meio de campo, o que fez nascer o 4-3-3. Fora de campo, a seleção se preparou como nunca, teve organização, grandes craques e viajou para a Suécia muito mais leve. O resultado? Título mundial conquistado em cima dos anfitriões após vitória de virada por 5 a 2. Sem batalha, nem brigas, apenas jogando futebol. Leia mais clicando aqui!

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1 COMENTÁRIO

  1. Quando se quer ser o melhor se busca espelhar nos melhores certo? Então nada melhor do que uma ajuda húngara para melhorar e aí chega no Brasil Bela Gutman lendário treinador magiar que ensinou valiosas lições ao assistente Vicente Feola no SP campeão paulista de 57 como melhorar o físico e um esquema de jogo perfeito para encaixar os craques daqui.Ai Feola vira técnico da seleção usa e abusa das táticas húngaras ganha dois presentes divinos chamados Pelé e Garrincha e com o Dr.Paulo Machado colocando ordem quase militar nos bastidores ganha a copa de 58 com um time que o mundo todo lembra .

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