Por Guilherme Diniz
Ao longo de sua longa história, a Copa Libertadores já teve partidas emocionantes e espetaculares, principalmente nas fases de mata-mata. E a dose de emoção sempre foi maior nas viradas, as populares remontadas já protagonizadas por alguns clubes. Algumas vezes, a virada resultou em classificação épica e combustível para seguir em busca do título. Em outras, faltou pouco para a glória ou para a vaga. Confira a seguir, em ordem cronológica, as maiores viradas da Libertadores em todos os tempos!
OBS.: listamos majoritariamente as viradas de três gols ou mais, além de viradas de dois gols que tiveram particularidades marcantes e que merecem estar por aqui.
Sumário
1966 – Final – Peñarol x River Plate
Peñarol-URU 2×0 River Plate-ARG / River Plate-ARG 3×2 Peñarol-URU / Peñarol-URU 4×2 River Plate-ARG

Uma das maiores finais da história da Libertadores precisou de três partidas para definir o campeão, em tempos sem os critérios de vantagem de gols, apenas vantagem de pontos. O River Plate mostrava enorme poder de fogo com o atacante Daniel Onega, que viria a ser o maior artilheiro de uma só Libertadores na história com incríveis 17 gols, e tinha um elenco muito equilibrado e a força de sua torcida no Monumental. Do lado uruguaio, o Peñarol queria voltar a uma final e tentar o tricampeonato após a derrota para o Independiente na decisão de 1965.
Tudo levava a crer que seria uma final muito disputada e equilibrada. E realmente foi. No primeiro jogo, em Montevidéu, o Peñarol venceu por 2 a 0 e foi com a vantagem do empate para a partida de volta, em Buenos Aires. No dia do duelo no Monumental, o Peñarol sofreu com o clima criado pelos argentinos. Antes do jogo, o ônibus que iria levar jogadores e comissão técnica até o estádio não apareceu. Com isso, os uruguaios tiveram que se dividir em táxis e carros particulares para ir até o Monumental. Porém, o trânsito estava caótico e as intervenções fecharam cerca de oito quadras antes do estádio. Adivinhe? Sim, eles tiveram que ir a pé até lá, em meio aos torcedores do River. Milagrosamente, eles conseguiram chegar “inteiros”.
Em campo, a diretoria colocou cadeiras improvisadas em volta do gramado para acomodar tanta gente que havia no Monumental naquele dia. Isso sem qualquer divisão entre os atletas – vale lembrar que o estádio ainda não tinha a estrutura de hoje nem passado pela reforma pré-Copa de 1978. Ou seja, o Peñarol teve que jogar com o inimigo literalmente “no seu pescoço” durante os 90 minutos. Sem contar os policiais que torciam para o River e acertaram Mazurkiewicz e Lezcano com cassetetes (!). Mesmo em um ambiente tão hostil, o time aurinegro ficou na frente do placar por duas vezes, mas permitiu a virada por 3 a 2 e a realização de um terceiro duelo.

Com sangue nos olhos, os aurinegros queriam a revanche o mais rápido possível. A princípio, o jogo seria realizado 72 horas após o duelo de Buenos Aires, mas, na reunião da Conmebol entre os dirigentes, os argentinos propuseram jogar apenas 48 horas depois, em Santiago, no Chile. A ideia era impossibilitar o descanso dos “viejos” do Peñarol. Mas os uruguaios foram diretos: “juguemos ya”. Esse curto espaço de tempo fez muita gente acreditar que o River iria levar vantagem. Mas quem tinha vantagem, na prática, era o Peñarol. Primeiro: ele estava irado, queria a desforra. Segundo: o clube estava com melhor média de gols na soma dos dois jogos e poderia empatar no tempo normal e na prorrogação que ficaria com o título.
Quando a bola rolou, o River abriu 2 a 0 ainda no primeiro tempo e foi para o intervalo certo de que seria campeão. O Peñarol trabalhou o lado psicológico de seus atletas e focou em tudo o que eles haviam passado na Argentina para reverter aquele placar. Foi então que o experiente goleiro do River, Amadeo Carrizo, acordou o Peñarol. Aos 15’, um levantamento para Spencer resultou em uma cabeçada do equatoriano sem grandes pretensões. A bola foi em direção ao camisa 1 do River, que matou no peito e depois a segurou. O estádio ficou boquiaberto. Rumores foram ouvidos, inclusive na gravação da partida. Como um goleiro, em plena final de campeonato, tinha coragem e audácia de fazer aquilo?

Quem mais se enervou foi Spencer, ainda mais após Gonçalves e companhia dizerem a ele que aquilo era uma afronta, uma zombaria, para despertar o equatoriano. E deu certo. Ele diminuiu, aos 23’. Cinco minutos depois, Abbadie surgiu na entrada da área, chutou forte, a bola bateu em Matosas e enganou Carrizo: 2 a 2. O jogo foi para a prorrogação. E, aos 13’, uma cobrança de falta ensaiada foi ao encontro do lateral Pablo Forlán. O jovem correu, olhou para a área e cruzou para Spencer testar no canto oposto de Carrizo: 3 a 2. Frenesi uruguaia, com invasões de campo, corrida de alegria de Forlán na pista lateral, gritos e mais gritos nas arquibancadas. Os chilenos estavam contagiados pela garra e técnica daquele Peñarol.
Na segunda etapa, os avanços aurinegros continuaram diante da incredulidade argentina. Logo aos 4’, Cortés viu Rocha avançar pelo meio da área millonaria. Ele levantou e o Verdugo cabeceou, a bola foi no cantinho e Carrizo aceitou um gol de maneira constrangedora, sem nem pular: 4 a 2. Os chamados “viejos” do Peñarol eram tricampeões da América. Já o River, além de perder a final, o título e a chance de acabar com a seca de conquistas, teve que conviver com o surgimento do apelido de “gallinas”, uma alcunha lembrada até hoje pelos rivais. A brincadeira começou em uma partida contra o Banfield, nove dias depois da decisão continental. Os torcedores mandaram a campo uma galinha branca com uma tarja vermelha simbolizando o River. Tiraram uma foto, ela ganhou as manchetes do país e a mania pegou. Leia muito mais sobre essa final clicando aqui.
1968 – Semifinal – Estudiantes x Racing
Racing-ARG 2×0 Estudiantes-ARG / Estudiantes-ARG 3×0 Racing-ARG / Estudiantes-ARG 1×1 Racing-ARG

No ano em que começou sua dinastia de três títulos consecutivos na Copa Libertadores, o Estudiantes de La Bruja Verón (pai de Juan Sebastián Verón) e de Carlos Bilardo teve que alcançar uma remontada daquelas antes da final. O time pincharrata enfrentou o Racing, campeão continental e mundial em 1967 e que ainda tinha vários remanescentes em busca do bicampeonato como Cejas, Basile, Chabay, Perfumo, Rulli, Maschio, Cárdenas e Raffo. No duelo de ida, no El Cilindro lotado, o Racing venceu por 2 a 0 (gols de Maschio e Perfumo) e foi com a vantagem do empate para a volta, em La Plata. Após um primeiro tempo sem gols, o Estudiantes acordou na etapa final, foi pra cima e não só igualou o placar da ida como aumentou a vantagem: 3 a 0, com dois gols de Verón e um de Fucceneco.

No regulamento atual, o Estudiantes estaria classificado para a final, mas ainda valia o critério de pontos e um terceiro jogo foi agendado três dias depois, em campo neutro, no Monumental, em Buenos Aires. Naquele jogo, se houvesse empate no tempo regulamentar, uma prorrogação de 30 minutos seria jogada e, em caso de novo empate, a vaga seria do Estudiantes por causa do saldo de gols (não havia disputa de pênaltis). Obviamente que a vaga seria de quem vencesse, seja no tempo regulamentar, seja na prorrogação.
Quando a bola rolou, a partida terminou 0 a 0 nos primeiros 90 minutos e foi para o tempo extra. Nele, Verón fez 1 a 0 para o Estudiantes e Cárdenas empatou. O placar de 1 a 1 acabou classificando o time de La Plata pelo saldo de gols. Na final, o Estudiantes derrotou o Palmeiras após três jogos e foi campeão. Leia mais clicando aqui!
1989 – Oitavas de final – Olimpia x Boca Juniors
Olimpia-PAR 2×0 Boca Juniors-ARG / Boca Juniors-ARG 5×3 Olimpia-PAR (Olimpia 7×6 Boca Juniors nos pênaltis)

Depois de se classificar na “bacia das almas” para a fase final, apenas na terceira posição, com duas vitórias, um empate e três derrotas, atrás de Cobreloa e Sol de América, o Olimpia chegou às oitavas de final como azarão diante do Boca Juniors, que lutava pelo tricampeonato. Só que o Decano paraguaio se agigantou pra cima do tradicional “freguês” (derrotado pelo Olimpia na final da Libertadores de 1979) em dois jogos lendários. O primeiro, em casa, terminou 2 a 0 para os paraguaios com dois gols do artilheiro Amarilla.
Na volta, em La Bombonera, o Olimpia levou uma pressão gigantesca dos xeneizes, mas respondeu com gols os que levou. O time de Assunção fez 2 a 0 com Mendoza e Amarilla e aumentou para 4 a 0 sua vantagem. Só que o Boca descontou com Perazzo e empatou no começo do segundo tempo, em gol de Villarreal. Amarilla deixou o Olimpia na frente mais uma vez, mas aí o Boca começou uma pressão gigantesca e conseguiu uma virada épica em gols de Comas, Tavares e Perazzo, resultando no placar de 5 a 3 para o Boca e um agregado de 5 a 5, que levou a decisão para os pênaltis.
Na marca da cal, o goleiro paraguaio Ever Almeida se redimiu da falha em um dos gols do Boca no tempo regulamentar para calar La Bombonera ao defender três cobranças e converter a sua (!), garantindo o placar de 7 a 6 para o Olimpia e mais um triunfo dos alvinegros diante do Boca em uma Copa Libertadores. O Decano seguiu até a final, mas perdeu para o Atlético Nacional-COL em uma final histórica. Leia mais clicando aqui!
1993 – Oitavas de final – Sporting Cristal x El Nacional
El Nacional-EQU 3×0 Sporting Cristal-PER / Sporting Cristal-PER 4×0 El Nacional-EQU
Essa foi a primeira remontada de três gols conquistada na raça, sem a dependência de jogo extra ou pênaltis. No duelo de ida, em Quito, o El Nacional fez valer o fator casa e venceu por categóricos 3 a 0, com gols de Chérrez (2) e Ballesteros. Só um milagre poderia classificar o Sporting Cristal, mas o time peruano conseguiu o feito histórico com a clássica cartilha de marcar pelo menos um gol nos primeiros dez minutos – saiu aos 6’, com Zegarra -, fazer o segundo ainda no primeiro tempo – aos 43’, com Olivares – e continuar atacando na etapa final, quando fez o terceiro gol, aos 56’, com Maestri, e alcançou os 4 a 0 em gol de pênalti anotado pelo brasileiro Marquinho, aos 88’. Nas quartas de final, o Sporting Cristal acabou eliminado pelo América de Cali-COL e deu adeus à competição.
1993 – Oitavas de final – São Paulo x Newell’s Old Boys
Newell’s Old Boys-ARG 2×0 São Paulo-BRA / São Paulo-BRA 4×0 Newell’s Old Boys-ARG

Finalistas na edição de 1992 – vencida pelo tricolor – Newell’s Old Boys e São Paulo voltaram a se encontrar em uma Libertadores, dessa vez nas oitavas de final de 1993. Com os brasileiros entalados na garganta, os argentinos queriam a revanche e venceram por 2 a 0 o duelo de ida, em Rosario, em gols de Cozzoni e Mendoza, e foi ao Morumbi podendo até perder por um gol de diferença. O São Paulo precisava vencer por pelo menos três para avançar direto. Pois o timaço de Telê Santana voltou a triunfar sobre os leprosos de maneira categórica. No primeiro tempo, Dinho e Raí fizeram 2 a 0 e igualaram o placar agregado. Na segunda etapa, Raí fez mais um e Cafu, aos 83’, fechou a goleada de 4 a 0 que colocou o time brasileiro nas quartas de final. O São Paulo seguiu até a final e foi bicampeão. Leia mais clicando aqui!
1995 – Quartas de final – Grêmio x Palmeiras
Grêmio-BRA 5×0 Palmeiras-BRA / Palmeiras-BRA 5×1 Grêmio-BRA

Sem dúvida, o mais alucinante e espetacular embate eliminatório da história da Libertadores aconteceu naquela etapa de quartas de final de 1995 entre tricolores e alviverdes. Com dois timaços, os brasileiros fizeram uma final antecipada naquele ano e certamente o vencedor seguiria firme rumo ao título. Só que todos pensaram que o embate já estava decidido após o primeiro jogo, em Porto Alegre. Diante de sua torcida no Olímpico Monumental, o Grêmio não tomou conhecimento do forte time palmeirense da época e goleou por inapeláveis 5 a 0, com três gols de Jardel, um de Arce e outro de Arílson.
Na volta, o Palmeiras precisava de pelo menos cinco gols de diferença para levar o jogo para os pênaltis ou de seis para se classificar no tempo normal. Ninguém, nem o mais fanático torcedor, acreditava que o Verdão, repleto de desfalques, iria reverter uma desvantagem tão absurda. O reflexo foi no público: pouco mais de sete mil pessoas foram ao saudoso Palestra Itália na noite de 02 de agosto de 1995. Quando a bola rolou, antes mesmo dos dez minutos, Jardel deixou o Grêmio em vantagem e ampliou o placar agregado dos sulistas para 6 a 0. Palmeiras eliminado? Com certeza, dizia a maioria.

Mas os alviverdes começaram a partir daquele instante a busca pelo improvável. Um, dois gols no primeiro tempo. Um, dois, três gols no segundo tempo. E 5 a 1 no placar! Faltavam mais alguns minutos! Um gol, só um gol, separava o Palmeiras da disputa de pênaltis e de uma façanha impressionante. Mas aí o reloginho não quis saber e tratou de andar depressa, comendo os minutos como se fossem segundos.
Ao apito do árbitro, o Grêmio, que nunca suou tanto frio em sua história, respirou aliviado a brisa da classificação – o tricolor foi campeão daquele ano. E o Palmeiras, que nunca suou por tanta garra e entrega em sua história, lamentou. Mas, nas arquibancadas, a torcida que sempre cantou e vibrou pelo alviverde imponente festejou a belíssima partida de futebol que tinha acabado de presenciar. Leia mais sobre esse jogo eterno clicando aqui!
1999 – Quartas de final – Cerro Porteño x Estudiantes de Mérida
Estudiantes de Mérida-VEN 3×0 Cerro Porteño-PAR / Cerro Porteño-PAR 4×0 Estudiantes de Mérida-VEN

Realizando uma campanha surpreendente, o Estudiantes de Mérida-VEN chegou às quartas de final após eliminar o Emelec-EQU graças a uma vitória por 3 a 1 em casa e derrota por apenas 1 a 0 fora dela. E, nas quartas de final, o time comandado pelo técnico Richard Páez voltou a se impor jogando no Estádio Guillermo Soto Rosa e aplicou 3 a 0 no tradicional Cerro Porteño, com gols de Echenausi, Raíces e Morán. Mesmo com a força do seu estádio, o La Nueva Olla, a missão do Cerro era dificílima. Principalmente após o primeiro tempo terminar apenas 1 a 0 para os paraguaios, em gol de Mauro Caballero.
Só que o time azul e grená conseguiu a remontada graças a um gol logo aos 3’ do segundo tempo, de Blanco, que embalou o time paraguaio. Gauchinho, aos 23’, ampliou para 3 a 0 e, faltando três minutos para o fim, o goleiro Aceval cobrou pênalti e fez o gol da vitória por 4 a 0 que classificou o Cerro Porteño para a semifinal. Nela, a equipe levou de 4 a 0 do Deportivo Cali-COL no duelo de ida, na Colômbia, mas não conseguiu uma nova virada e venceu por 3 a 2. Os colombianos foram para a final e terminaram com o vice, após derrota para o Palmeiras.
2000 – Oitavas de final – Bolívar x Nacional
Nacional-URU 3×0 Bolívar-BOL / Bolívar-BOL 3×0 Nacional-URU (Bolívar 5×3 Nacional nos pênaltis)

A altitude sempre foi um problema para os clubes que enfrentam equipes bolivianas na Libertadores. Por isso, quando se tem pela frente um adversário de La Paz, você deve vencer bem em casa e levar poucos gols quando vai jogar no Hernando Siles ou qualquer outro estádio há mais de 3500 metros de altitude. Sabendo disso, o Nacional do Uruguai tratou de liquidar o Bolívar na primeira partida das oitavas de final da Libertadores de 2000 e, jogando no Centenário, o Bolso venceu por 3 a 0, resultado que trouxe certa tranquilidade aos uruguaios.
Só que eles não contavam com a péssima partida que fizeram no duelo de La Paz. Em apenas 22 minutos, García, Ferreira e Baldivieso igualaram o agregado ao Bolívar e coube ao Nacional tentar algum gol ou pelo menos se segurar até o fim do jogo. O 3 a 0 permaneceu e a vaga acabou decidida nos pênaltis. Na marca da cal, os bolivianos converteram todos os seus chutes, Ruben da Silva errou o seu e o Bolívar venceu por 5 a 3. Nas quartas, os bolivianos tiveram pela frente o América-MEX, acostumado a altitudes, e perderam tanto no México (2 a 0) quanto na Bolívia (2 a 1).
2000 – Semifinal – Boca Juniors x América-MEX
Boca Juniors-ARG 4×1 América-MEX / América-MEX 3×1 Boca Juniors-ARG

No ano em que conquistou sua terceira Libertadores e encerrou um jejum de mais de duas décadas sem títulos na principal competição do continente, o Boca sofreu bastante para conseguir a vaga na decisão. No duelo de ida, em La Bombonera, contra o forte América-MEX da época, o time de Carlos Bianchi e do craque Riquelme abriu 4 a 0, com gols de Arruabarrena, aos 9’, Barijho, aos 11’ e aos 51’, e Marchant, aos 21’. Tudo estava bem tranquilo para os xeneizes até Andrés Silva, aos 73’, fazer o gol de honra dos mexicanos e dar alguma esperança para a volta, no místico estádio Azteca.
Com mais de 100 mil pessoas gritando e apoiando, o América fez um grande jogo e abriu o placar logo aos 12’, com Calderón. Estay, aos 68’, fez o segundo e Calderón, aos 81’, anotou o terceiro gol dos mexicanos, igualando o agregado em 4 a 4. Só que, dois minutos depois, Walter Samuel fez um gol e o placar de 3 a 1 classificou o Boca de maneira dramática. Leia mais clicando aqui!
2001 – Oitavas de final – River Plate x Emelec
Emelec-EQU 2×0 River Plate-ARG / River Plate-ARG 5×0 Emelec-EQU

Líder de seu grupo e um do favoritos ao título, o River Plate chegou às oitavas de final certo de que passaria com tranquilidade pelo Emelec, que havia se classificado na segunda posição de seu grupo com 9 pontos, seis longe do líder Cruzeiro. Só que, na ida, o time argentino perdeu por 2 a 0 e viu sua situação se complicar bastante para a volta, na qual teria que vencer por três gols de diferença. Mas, em casa, os millonarios eram muito fortes e provaram isso no dia 17 de maio de 2001. Ayala, aos 21’, e Saviola, aos 34’, fizeram 2 a 0 e igualaram o agregado. Yepes, no começo da segunda etapa, fez 3 a 0, e Saviola, aos 61’, anotou o quarto. Ortega fechou a conta cinco minutos depois: 5 a 0. A goleada classificou o time argentino, que acabou sucumbindo diante do Cruz Azul-MEX na etapa seguinte.
2004 – Oitavas de final – Santos x LDU
LDU-EQU 4×2 Santos-BRA / Santos-BRA 2×0 LDU-EQU (Santos 5×3 LDU nos pênaltis)

Bicampeão brasileiro em 2002 e 2004 e vice-campeão da Libertadores em 2003, o Santos era um dos maiores times do continente na época e teve pela frente a LDU-EQU nas oitavas de final, equipe que já começava a montar o esquadrão que iria levantar vários títulos na segunda metade dos anos 2000. No duelo de ida, em Quito, o Santos abriu 2 a 0 com apenas quatro minutos de jogo, em gols de Robinho e Elano, mas a altitude e a força da LDU jogando em casa acabaram sufocando o time brasileiro, que levou o empate em gols de Ambrosi e Urrutia. Ambrosi virou o jogo aos 72’ e Salas, aos 84’, fechou o placar em 4 a 2.
Precisando da virada, o Santos lotou sua Vila Belmiro e conseguiu o primeiro gol logo aos 2’, com o meia Diego. No começo do segundo tempo, Diego fez mais um e o agregado de 4 a 4 levou a decisão para os pênaltis. Na marca da cal, o Santos venceu por 5 a 3 e conseguiu a vaga nas quartas de final com muito sofrimento. Na etapa seguinte, porém, a equipe foi eliminada pelo Once Caldas-COL e deu adeus ao sonho do tri.
2007 – Semifinal – Boca Juniors x Cúcuta Deportivo
Cúcuta Deportivo-COL 3×1 Boca Juniors-ARG / Boca Juniors-ARG 3×0 Cúcuta Deportivo-COL

Em tempos do famigerado gol qualificado, as etapas de mata-mata da Libertadores na época ganharam doses extras de emoção. Fazer um gol na casa do adversário ajudava bastante, embora o critério fosse injusto em várias circunstâncias – tanto é que a Conmebol acabou com a regra tempo depois. No embalo do craque Riquelme, o Boca Juniors chegou à semifinal de 2007 e teve pela frente o Cúcuta Deportivo, que fazia uma campanha surpreendente e havia deixado pelo caminho o Toluca-MEX e o Nacional-URU, sempre jogando muito em sua casa, o Estádio General Santander, que recebeu 42 mil pessoas para o duelo da ida contra os argentinos. Embora Ledesma tenha feito 1 a 0 para os xeneizes no primeiro tempo, Pérez, duas vezes, e Bustos viraram o jogo e o placar de 3 a 1 deixou os colombianos com a vantagem de até perder por um gol que a inédita vaga na final seria dos rubro-negros.
Só que em La Bombonera o buraco é mais embaixo. Riquelme jogou muito, fez um golaço de falta, Palermo ampliou e Riquelme deu assistência para Battaglia fechar a conta: 3 a 0. Com o 4 a 3 no agregado, o Boca foi para a final, não tomou conhecimento do Grêmio e aplicou 3 a 0 em casa e 2 a 0 fora, em mais dois shows de Riquelme, grande nome daquele ano e melhor jogador do torneio em 2007. Leia mais clicando aqui!
2008 – Oitavas de final – América-MEX x Flamengo
América-MEX 2×4 Flamengo-BRA / Flamengo-BRA 0x3 América-MEX

Antes do título de 2019 mudar a história do Flamengo na Libertadores, o clube colecionava fiascos homéricos. E o maior deles aconteceu em 2008. No dia 30 de abril, o técnico rubro-negro Joel Santana chegou a poupar alguns atletas (acredite!) para o duelo da ida, no Azteca, por conta da final do Campeonato Carioca (hã!!??), que iria acontecer no fim daquela semana. E, mesmo assim, o Flamengo venceu por 4 a 2, com dois gols de Marcinho, um de Diego Tardelli e outro de Leonardo Moura, enquanto Cervantes e Mosqueda descontaram para os mexicanos.
Dias depois, o Flamengo conquistou o Carioca e o confronto contra o América seria uma festa, com entrega de faixas e o adeus ao técnico Joel Santana, que iria dirigir a seleção da África do Sul, que se preparava para ser a anfitriã da Copa do Mundo de 2010 – na verdade, ele iria embora logo após Carioca, mas acabou permanecendo até o jogo contra o América. No dia do jogo, o oba-oba era nítido nas ruas do Rio. Os jogadores do Flamengo foram em direção ao Maracanã sob enorme festa, contornando pela Serra ao invés de ir pela Lagoa. E, com isso, a equipe chegou atrasada ao Maracanã (faltando 50 minutos para o início do jogo…), algo que prejudicou o aquecimento e a preparação. Dentro do ônibus, tranquilidade e a certeza de que a vaga nas quartas de final estava ganha. Bem, isso no imaginário dos rubro-negros…

Aos 20’, Cabañas recebeu na entrada da área, arriscou o chute, mas a bola bateu no marcador. No rebote, o paraguaio dominou, percebeu o goleiro rubro-negro adiantado e chutou no ângulo para marcar um golaço e abrir o placar: 1 a 0. Aos 38’, contra-ataque mortal dos mexicanos, a bola vai de maneira rápida e objetiva aos pés de Esqueda, que avançou sozinho no meio da atrapalhada zaga flamenguista. Na saída do goleiro, o atacante tocou por cima e fez 2 a 0. No segundo tempo, já na casa dos 30’, falta para os mexicanos. De muito longe. Cabañas foi para a bola. O paraguaio chutou forte, a bola desviou e entrou no cantinho do gol: 3 a 0. O América celebrou a classificação histórica para as quartas de final, enquanto o Flamengo amargou um de seus maiores vexames em todos os tempos. Leia mais clicando aqui!
2008 – Final – LDU x Fluminense
LDU-EQU 4×2 Fluminense-BRA / Fluminense-BRA 3×1 LDU-EQU (LDU 3×1 Fluminense nos pênaltis)

Uma das mais dramáticas finais da história da Libertadores teve dois jogos sensacionais e um roteiro digno de filme, com final feliz para os equatorianos e um terror para os brasileiros. Depois de eliminar Atlético Nacional, São Paulo e Boca Juniors com atuações memoráveis, o Fluminense chegou à decisão certo de que iria conquistar seu primeiro título continental. Só que do outro lado estava a LDU, também fortíssima e que costumava matar seus adversários nas partidas em Quito. E foi quase isso que aconteceu. Na ida, diante de 55 mil pessoas, a LDU fez um primeiro tempo impecável e abriu 4 a 1, com gols de Bieler, Guerrón, Campos e Urrutia, e o argentino Conca para o tricolor.
No segundo tempo, Thiago Neves fez o segundo gol do Flu e diminuiu o prejuízo, mas todos sabiam que a partida de volta seria bem difícil. Mesmo assim, a torcida tricolor se apegou aos grandes jogos das etapas anteriores e mais de 86 mil pessoas lotaram o Maracanã. Só que nem a festa do pré-jogo conseguiu esfriar ou apavorar os ânimos dos rivais de Quito, que abriram o placar da decisão continental com menos de 10 minutos de jogo. Era o fim? Não. Vestindo uma folclórica camisa 10, Thiago Neves fez o que nenhum outro jogador jamais fizera na principal competição das Américas. Nem Spencer. Nem Pelé. Nem Jairzinho. Nem Morena. Nem Zico. Nem Raí. Thiago Neves marcou três gols. Jamais um jogador havia feito três gols em uma decisão de Libertadores. Pois Thiago fez.

O improvável deixaria de ser inalcançável, pensavam os torcedores tricolores. Mas havia a tal alma do Maracanã. Assim como em 1976, quando a Máquina Tricolor sucumbiu diante do Corinthians e seus 70 mil “invasores”, o mais emblemático estádio brasileiro voltou a aprontar com o Fluminense. O gol não saía. E não saiu. Veio a prorrogação. E nada. O pirotécnico placar agregado de 5 a 5 levou a final para os pênaltis. Aí veio o drama tricolor e a consagração do goleiro Cevallos, que defendeu três pênaltis e garantiu a vitória por 3 a 1. A América era da LDU. Leia mais sobre esse jogo eterno clicando aqui.
2012 – Oitavas de final – Universidad de Chile x Deportivo Quito
Deportivo Quito-EQU 4×1 Universidad de Chile-CHI / Universidad de Chile-CHI 6×0 Deportivo Quito-EQU

Outra vez uma equipe equatoriana sucumbiu após um grande placar em casa e um desastre fora dela. Com a 13ª campanha entre os 16 classificados, o Deportivo Quito era azarão no duelo contra a Universidad de Chile, campeã da Copa Sul-Americana de 2011 e uma das forças do continente na época, comandada por Jorge Sampaoli. Mas, no duelo de ida, no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, o Deportivo fez 1 a 0, com Alustiza, levou o empate logo na sequência, em gol de Matías Rodríguez, e voltou a ficar à frente do placar no final do primeiro tempo, em gol de Checa. No segundo tempo, Alustiza ampliou e Martínez fechou o 4 a 1 que deu uma vantagem gigantesca aos equatorianos, que poderiam até perder por dois gols de diferença em Santiago.
Só que La U engatou todas as marchas de uma vez diante de sua torcida no Estádio Nacional tomado por mais de 43 mil pessoas e aplicou uma goleada histórica de 6 a 0, no clássico vira três, acaba seis. Fernandes, aos 20′ e aos 27′, Díaz, aos 35′, Mena, aos 56′, e Henríquez, aos 70′ e aos 73′, anotaram os gols que colocaram a Universidad nas quartas de final. A equipe avançou até as semis, mas caiu diante do Boca Juniors-ARG, que perdeu para o Corinthians a final.
2016 – Quartas de final – Atlético Nacional x Rosario Central
Rosario Central-ARG 1×0 Atlético Nacional-COL / Atlético Nacional-COL 3×1 Rosario Central-ARG

Esse jogo ganha espaço nesta lista pela dose de emoção que tivemos no jogo da volta, que causou uma reviravolta danada na missão do Atlético Nacional. Os colombianos, que tinham um timaço na época com Armani, Davinson Sánchez, Bocanegra, Pérez, Torres, Copete, Guerra e Moreno, encarou o Rosario Central-ARG, do experiente goleiro Sosa, do zagueiro Pinola, do meio-campista Lo Celso e do atacante Marco Rúben. O time argentino era muito forte e provou isso no duelo de ida, em Córdoba, quando Montoya aproveitou uma rara bobeada da zaga colombiana e chutou por cobertura para fazer 1 a 0 e impor ao Atlético sua primeira derrota na Libertadores.
Na volta, a torcida colombiana fez uma festa espetacular no Atanasio Girardot e mais de 44 mil pessoas transformaram a casa verdolaga em um caldeirão típico de Libertadores. Porém, logo aos 9’, Marco Rúben fez de pênalti o primeiro do Rosario, aumentando para 2 a 0 a vantagem argentina no placar agregado. O Atlético Nacional teria que buscar todas as forças, invocar todos os heróis do passado e toda a mística possível para reverter o resultado – vale lembrar que na época ainda valia o gol fora, por isso, os colombianos tinham que marcar três gols e não levar nenhum àquela altura.


O time do técnico Reinaldo Rueda foi pra cima e, nos acréscimos do primeiro tempo, Berrío fez grande jogada pela direita, cruzou rasteiro e Torres deixou sua marca para empatar. O segundo tempo pegou fogo e o Atlético seguiu no ataque, sufocando o Rosario, que jogava no contra-ataque. Até que, aos 5’, Moreno invadiu a área e tocou no meio para Guerra virar: 2 a 1. O Atlético continuou ofensivo, os zagueiros viraram atacantes, mas a bola teimava em não entrar.
Nos acréscimos, aos 45’+4’, Ibargüen foi invadindo a área meio que aos trancos e barrancos, perdeu o ângulo do chute e cruzou de canhota, que não era sua melhor perna. A bola subiu demais, mas desceu… A redonda encontrou Henríquez, que cabeceou, a bola sobrou para Berrío, que se esticou todo e fuzilou o goleiro Sosa para explodir o Atanasio Girardot e classificar de maneira espetacular o Atlético Nacional: 3 a 1.
Na comemoração, os jogadores colombianos provocaram os argentinos, em especial o goleiro Sosa, que fez muita cera ao longo do jogo, causando uma enorme confusão. Nas arquibancadas, a torcida fez uma festa digna de título e alguns até invadiram o gramado. Berrío e Lo Celso foram expulsos e o jogo terminou com o esquadrão verdolaga na semifinal. Faltava pouco para o sonho da Glória Eterna, que veio tempo depois, após triunfo sobre o Independiente Del Valle-EQU. Leia mais clicando aqui!
2017 – Quartas de final – River Plate x Jorge Wilstermann
Jorge Wilstermann-BOL 3×0 River Plate-ARG / River Plate-ARG 8×0 Jorge Wilstermann-BOL

Campeão da América em 2015 e comandado por Marcelo Gallardo, o River Plate se classificou para a fase final com a 4ª melhor campanha da fase de grupos. Nas oitavas, despachou o Guaraní-PAR e encarou o Jorge Wilstermann, da Bolívia, nas quartas de final, clube que havia eliminado o Atlético-MG na etapa anterior. Jogando na altitude de Cochabamba, o JW conseguiu um placar elástico e venceu por 3 a 0, com gols de Zenteno, Álvarez e Machado. O River teria que golear os bolivianos em sua casa e não levar gols se quisesse a vaga na semifinal. Pois os comandados de Gallardo não só golearam como massacraram o rival!
Em apenas 19 minutos, o River já vencia por 3 a 0, com três gols de Scocco. Aos 35’, Enzo Pérez fez 4 a 0 e já garantiu o placar necessário ao River só no primeiro tempo! Mas os millonarios não se acomodaram e foram para cima. No primeiro minuto da etapa final, Scocco fez o quinto. Nacho Fernández anotou o sexto, aos 52’. Scocco fez seu quinto gol no jogo, aos 57’, e Enzo Pérez, aos 66’, finalizou o passeio argentino: 8 a 0, em uma das maiores goleadas da história da Libertadores em mata-matas. Virou quatro, acabou oito! Mas, na etapa seguinte, os millonarios sentiriam na pele a dor de uma remontada…
2017 – Semifinal – Lanús x River Plate
River Plate-ARG 1×0 Lanús-ARG / Lanús-ARG 4×2 River Plate-ARG

Em “modo automático”, o River estava certo de que iria disputar a decisão. E, diante do compatriota Lanús – dono da segunda melhor campanha na fase de grupos e que havia superado pelo caminho o The Strongest-BOL e o San Lorenzo-ARG, – o River era tido como favorito e fez valer seu mando de campo no duelo de ida ao vencer por 1 a 0, no Monumental. Na volta, os millonarios tinham a vantagem do empate e, em apenas 21 minutos, Scocco e Montiel fizeram 2 a 0 para o esquadrão de Marcelo Gallardo, aumentando para 3 a 0 o placar agregado para o River. A vaga na final estava garantida, pensaram todos.
Mas tudo começou a virar de cabeça para baixo nos acréscimos do primeiro tempo, quando Sand diminuiu. No primeiro minuto da segunda etapa, Sand fez mais um e empatou. Pouco tempo depois, Acosta virou. E, aos 23’, Silva fez 4 a 2 para o Lanús em pênalti marcado pelo VAR. Foi um desastre para o River. O fim do sonho de outra final continental e a queda do especialista em mata-matas Gallardo, que buscava sua 31ª classificação em 38 confrontos desde 2014. Além disso, o River acumulou outro 4 a 2 para a conta em Libertadores, placar que causa pânico no torcedor desde o fatídico ano de 1966.

Aquela foi, segundo o próprio Gallardo, a mais dolorida derrota de sua carreira como técnico. Ele disse que o time demoraria três meses para se recompor – e isso influenciou inclusive na campanha do River no Campeonato Argentino, onde os millonarios nem sequer brigaram pela taça. Já o Lanús acabou derrotado pelo Grêmio na final e perdeu a chance do título inédito.
2019 – Final – Flamengo x River Plate
Flamengo-BRA 2×1 River Plate-ARG

Este jogo está aqui não pela diferença de gols da virada, mas por ter sido uma virada espetacular em apenas três minutos, em uma decisão e com um roteiro muito parecido com a final da Liga dos Campeões da UEFA de 1999 entre Manchester United-ING e Bayern München-ALE. A primeira final única da história da Libertadores colocou frente a frente River Plate e Flamengo no estádio Monumental U, em Lima, no Peru. Era, de fato, a decisão com os times que praticavam o melhor futebol do continente, com jogadores em grande fase e muito talento. Todos esperavam um jogo equilibrado, mas o que se viu no primeiro tempo foi um “nó” de Gallardo no técnico Jorge Jesus. Com muita organização e disciplina tática, o time millonario não cedia espaços e o Flamengo não conseguia impor seu futebol rápido e de pressão no ataque.
Experiente e frio, o River sabia o que fazer com a bola. Nada abalava os nervos daquele esquadrão. Até que, aos 14’, Enzo Pérez tocou na direita para Nacho Fernández, este cruzou na área, a zaga rubro-negra não tirou dali e a bola sobrou para Borré, que chutou de primeira, sem marcação e chance alguma para Diego Alves: 1 a 0. Todos pensaram que a partida iria pegar fogo, com o Flamengo indo pra cima, ao seu estilo, jogo aberto e tudo mais… Mas não. O River é quem controlava as principais jogadas.
Só no segundo tempo que o River foi ficando menos agressivo, menos intenso. E o Flamengo, mais acordado. Até que, aos 42’, Pratto perdeu a bola para De Arrascaeta, que deu um carrinho perfeito e desarmou o rival. Ele mesmo engatilhou um contra-ataque e viu os espaços que tanto o Flamengo buscou o jogo inteiro. O camisa 14 tocou para Bruno Henrique, na esquerda, que escapou da marcação, foi para lá, para cá, chegou perto da meia-lua e devolveu para De Arrascaeta. O uruguaio cruzou rasteiro, aos 43’, e Gabriel, o iluminado, fez o gol de empate.

A torcida flamenguista explodiu em Lima. Os jogadores, extasiados, viam a esperança do título voltar. Jorge Jesus tentou conter a comissão técnica e os reservas, pois ainda havia jogo. O River vivia um pesadelo. E fantasmas do passado já assombravam o torcedor. Gallinas de novo? Como em 1966? Como em 2004? Como em 2017? Pesadelos não faltavam. E outro parecia surgir.
No primeiro minuto após o fim dos 45’ regulamentares, Diego, lá no campo de defesa e com a bola dominada, lançou uma bola perfeita para Gabriel. Ela deu um pingo no gramado. O zagueiro Pinola, que passou o jogo inteiro sem dar trégua para o camisa 9 rubro-negro, deu de presente a bola para o jogador brasileiro. Sem hesitar, sem enrolar, sem lenga lenga, do jeito que ela veio, o atacante disparou o petardo certeiro: 2 a 1. Flamengo campeão da América depois de 38 anos de jejum. River, vice. Leia mais clicando aqui!
2023 – Oitavas de final – Olimpia x Flamengo
Flamengo-BRA 1×0 Olimpia-PAR / Olimpia-PAR 3×1 Flamengo-BRA

Campeão da América em 2022, o Fla chegou com tudo em busca do tetra na edição de 2023. Com um elenco milionário e estrelado, o rubro-negro teve pela frente o Olimpia nas oitavas de final e dava como certa a classificação, afinal, a equipe brasileira havia eliminado o mesmo Olimpia nas quartas de final de 2021 com duas goleadas: 4 a 1 e 5 a 1. Ou seja, o otimismo era enorme. Principalmente após a vitória por 1 a 0 na ida, com gol de Bruno Henrique, que deu a vantagem do empate para a volta, no Defensores del Chaco. E a expectativa aumentou quando Bruno Henrique, logo aos 8’, fez 2 a 0 e obrigou o Olimpia a marcar três gols se quisesse a vaga.
Foi então que o clube paraguaio invocou seu passado glorioso de três títulos continentais e encheu de orgulho seu torcedor com uma remontada digna dos esquadrões de 1979, 1990 e 2002. Aos 12’, Torres empatou. Aos 69’, Ortiz virou. E aos 80’, Bruera fez o 3 a 1 que classificou o Olimpia e derrubou o então campeão, que passou o ano de 2023 sem nenhum grande título. Já o Olimpia foi eliminado pelo Fluminense, que seguiu rumo ao título inédito.
2025 – Semifinal – Palmeiras x LDU
LDU-EQU 3×0 Palmeiras-BRA / Palmeiras-BRA 4×0 LDU-EQU

Exatos 30 anos depois de ficar a um gol do milagre no Palestra Itália, o Palmeiras conseguiu uma remontada para chamar de sua no Allianz Parque e que honrou a grande história que o clube escreve na Libertadores nesta década de 2020.
Depois de não jogar absolutamente nada no duelo de ida e perder por 3 a 0 para a LDU, o time brasileiro precisava de três gols de diferença para levar a decisão para os pênaltis ou quatro para avançar no tempo regulamentar. Pois o Verdão conseguiu, seguindo a cartilha do “vira 2, acaba 4”.
Amassando o rival desde o início, o alviverde fez 1 a 0 com 20 minutos e chegou ao segundo gol nos acréscimos da etapa inicial. No segundo tempo, aumentou a contagem para 3 a 0, em gol de Raphael Veiga, e ampliou para 4 a 0 em pênalti cobrado pelo mesmo Veiga. O Allianz virou delírio puro e o Palmeiras carimbou sua vaga na final, onde enfrentará o Flamengo, mesmo rival do título de 2021. Leia mais sobre esse jogo eterno clicando aqui!

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