Por Guilherme Diniz
Sempre que o Brasil é eliminado de uma Copa do Mundo se inicia uma intensa “caça às bruxas” para encontrar os culpados. “Ah, foi a preparação”, “ah, foi a falha na marcação”, “ah, foi o excesso de erros”, etc. Normal. Mas, além dos erros da equipe, algumas eliminações ficaram marcadas por determinados jogadores. Ao longo das décadas, a seleção sul-americana já viveu verdadeiros pesadelos por causa de grandes craques – e times inteiros! É hora de conhecer os maiores carrascos do Brasil em Copas do Mundo.
OBS.: a lista está em ordem cronológica
Sumário
Ernest Wilimowski (Polônia) – Copa do Mundo de 1938
Por que está aqui? – É o único jogador na história a marcar, em um só jogo, quatro gols na seleção brasileira

O atacante polonês aparece nesta lista não por ter eliminado a seleção ou algo do tipo, mas por ser dono de uma façanha rara e única: ele é o jogador que marcou mais gols em uma só partida em cima do Brasil em todos os tempos: incríveis quatro gols! A proeza aconteceu na Copa do Mundo de 1938, na França, na estreia de ambas as equipes nas oitavas de final – na época, não havia fase de grupos. As seleções se enfrentaram em Estrasburgo e o que se viu foi um jogo frenético e cheio de emoção.
O Brasil abriu o placar com o “Diamante Negro” Leônidas da Silva, mas Scherfke empatou. Romeu fez 2 a 1 para a seleção e Perácio ampliou para 3 a 1 ainda no primeiro tempo. O jogo parecia tranquilo para a seleção, mas, no segundo tempo, Wilimowski começou seu show particular. O atacante fez o primeiro aos 53′ e empatou o jogo aos 59′. Perácio fez 4 a 3 para o Brasil, aos 71′, mas Wilimowski empatou de novo, aos 89′, o que levou a partida para a prorrogação. Nela, Leônidas fez 5 a 4, aos 93′, e 6 a 4, aos 104′. Wilimowski guardou mais um faltando dois minutos para o fim, mas a Polônia não teve tempo de reação e acabou eliminada. Além de ser o primeiro – e até hoje único – jogador a marcar quatro gols no Brasil, Wilimowski foi também o primeiro a marcar quatro gols em um só jogo de Copa do Mundo.
Alcides Ghiggia (Uruguai) – Copa do Mundo de 1950
Por que está aqui? – Marcou o gol da vitória de virada do Uruguai sobre o Brasil na partida decisiva da Copa de 1950, o célebre Maracanazo.

Uma das maiores derrotas da história da seleção brasileira teve vários detalhes pré-jogo que acabaram interferindo no resultado final. Mas o executor do Maracanazo levou por toda a vida a fama de carrasco: Alcides Ghiggia, atacante da Celeste responsável pelo gol que calou as 200 mil pessoas no Maracanã naquele dia 16 de julho de 1950. Ghiggia atuava pela ponta-direita do Uruguai e soube aproveitar as lacunas deixadas pela zaga naquele jogo. Após um primeiro tempo sem gols, o Brasil abriu o placar com Friaça logo aos 2’ da etapa final e a torcida ficou ainda mais crente no título inédito – até o empate dava o caneco à seleção. Mas, aos 21’, Schiaffino empatou e deu sobrevida ao Uruguai.


Aos 34 minutos, Julio Pérez passou pela marcação brasileira e tocou para Ghiggia, sempre pela direita. Ele devolveu ao companheiro e partiu em velocidade, para receber nas costas de seu marcador, Bigode. Barbosa, goleiro brasileiro, pressentiu que a jogada do primeiro gol poderia se repetir e se afastou da trave esquerda. Livre de marcação, pois Juvenal estava indo em direção a Schiaffino, Ghiggia correu e, ao invés de cruzar como no primeiro gol, chutou forte, rasteiro, exatamente no canto que Barbosa havia deixado: Uruguai 2×1 Brasil. Silêncio no Maracanã. Faltando apenas 11 minutos para o fim do jogo, o time Celeste conseguia o que muitos acreditavam ser impossível.
O Brasil não teve forças para empatar e, aos 45´, o juiz inglês George Reader cumpriu a pontualidade britânica e apitou o final do jogo, sem esperar a conclusão de um lance de perigo a favor do Brasil. Era o fim. O Uruguai, 20 anos depois, conquistava a Copa do Mundo, se igualava à Itália e era bicampeão mundial. O Brasil, favorito, com o melhor ataque da competição e jogando em casa, ficava com o vice.
Ghiggia entrou de vez para o rol de carrascos do Brasil e esteve ligado ao Maracanazo até o fim de sua vida, literalmente: no dia 16 de julho de 2015, no aniversário de 65 anos daquele jogo, Ghiggia faleceu aos 88 anos. Futebol e seu misticismo. Leia mais clicando aqui!
Obdulio Varela (Uruguai) – Copa do Mundo de 1950
Por que está aqui? – Se Ghiggia foi o executor, Varela foi a mente intelectual por trás do Maracanazo dentro de campo.

O meio-campista uruguaio fez história como um dos maiores craques do futebol mundial nas décadas de 1940 e 1950, sendo o principal responsável pela façanha Celeste na Copa do Mundo de 1950, quando encheu de brio seus companheiros e foi o líder do Maracanazo. Varela encorajou seus companheiros antes do duelo a não olhar para cima (evitando a intimidação com as 200 mil pessoas), tentou abafar a comemoração do gol do Brasil alegando que o mesmo havia sido irregular e capitaneou uma seleção como poucos já fizeram em uma Copa.
“Segurei a bola depois do gol do Friaça, alegando impedimento, chamei o juiz, o bandeirinha, pedi intérprete, fiz tudo isso só para acalmar aquela gritaria. Eu sabia que provocando o medo de verem o gol anulado aquilo se transformaria num túmulo. Tentei e deu certo.”


Após a partida, Varela caminhou pelas ruas de Copacabana e viu de perto o drama que ele e seus companheiros haviam causado aos brasileiros, chegando até a consolar algumas pessoas, como ele descreveu em depoimento ao site da FIFA:
“A tristeza de todos era tanta que terminei sentado em um bar bebendo com eles. Quando me reconheceram, pensei que iriam me matar. Felizmente foi tudo o contrário, me parabenizaram e ficamos bebendo juntos.”
A lenda do jogador foi eternizada pelas palavras do cronista Nelson Rodrigues, que assim definiu Varela: “A humilhação de 1950, jamais cicatrizada, ainda pinga sangue. Todo escrete tem sua fera. Naquela ocasião, a fera estava do outro lado e chamava-se Obdulio Varela, que não atava as chuteiras com cordões, mas com as veias”. Leia mais sobre esse craque clicando aqui!
Sándor Kocsis e Seleção da Hungria – Copa do Mundo de 1954
Por que estão aqui? – Responsáveis por eliminar o Brasil da Copa de 1954 na Batalha de Berna.

Quatro anos depois do Maracanazo, o Brasil retornou a uma Copa do Mundo com o orgulho ferido. Precisava dar a volta por cima, desempenhar um bom papel e provar que podia seguir como uma das principais forças do futebol. Só que, naquele ano de 1954, quem dava as cartas era a fabulosa Hungria, campeã olímpica em 1952, responsável por aplicar goleadas marcantes em seus rivais e revolucionar o futebol com um novo esquema tático, o aquecimento pré-jogo e por marcar pelo menos dois gols nos primeiros 10, 20 minutos das partidas. Com craques como Grosics, Bozsik, Czibor, Hidegkuti, Kocsis e Puskás, a seleção magiar era a favorita ao título. E, nas quartas de final, apareceu no caminho do Brasil.


Seria muito difícil para a seleção canarinho derrotar os europeus. E ficou ainda mais depois da bagunça que dirigentes desmiolados fizeram na concentração da equipe ao cobrar raça, patriotismo e bradando discursos sem qualquer relevância com o esporte. Eles pilharam os jogadores e tiraram o sono de vários. E, quando a bola rolou em Berna, o que se viu foi um jogo tenso, ríspido e com 42 faltas, um número absurdo e mais do que o dobro do que era considerada uma partida faltosa na época.
Além de entreveros dentro de campo, o jogo continuou quente fora dele, com chutes, garrafadas e chuteiras lançadas. Uma selvageria que foi parar até nos vestiários, passando por guardas e preparadores físicos. Naquele dia, Berna foi palco de um jogo, mas também de uma verdadeira batalha. A Hungria venceu por 4 a 2, com dois gols de Kocsis, artilheiro daquele Mundial com incríveis 11 gols em cinco jogos, e tirou o Brasil do Mundial. Relembre a Batalha de Berna clicando aqui!
Eusébio (Portugal) – Copa do Mundo de 1966
Por que está aqui? – Marcou dois gols nos 3 a 1 da Seleção das Quinas que decretou a eliminação do Brasil ainda na fase de grupos da Copa de 1966.

O Brasil vinha de dois títulos mundiais e sua fama já estava consolidada em todo mundo. Porém, em 1966, uma bagunça na organização e na convocação fez com que o escrete nacional viajasse até a Inglaterra bem enfraquecido e com poucas chances de ir além. E isso começou a aparecer em campo, quando a equipe até venceu a Bulgária por 2 a 0, com gols de Pelé e Garrincha – no último triunfo com a dupla em campo em Copas -, mas perdeu para a Hungria por 3 a 1 o duelo seguinte e jogou sua vida contra Portugal, na última rodada. A seleção lusitana tinha uma de suas melhores gerações da história e era comandada por Eusébio, o Pantera Negra.

O técnico de Portugal era o brasileiro Otto Glória, que sabia da fragilidade brasileira e tratou de marcar Pelé, o único que poderia desequilibrar pelo lado canarinho. Ele pediu para seus jogadores fazerem de tudo para brecá-lo, nem que fosse à base da porrada – exatamente o que os defensores Vicente e Morais fizeram. Pelé sofreu várias faltas em sequência naquele jogo, sendo as mais ríspidas da dupla portuguesa, cruciais para destroçar o jogador brasileiro, que teve de se arrastar em campo (na época não havia substituições) e nada pôde fazer para ajudar o Brasil. Diante de um adversário com 10 homens, muito nervoso e sem talento algum, Portugal tratou de liquidar o jogo rapidinho.
Simões, aos 15´, aproveitou uma bobeada do goleiro Manga e fez 1 a 0. Eusébio, aos 26´, ampliou. Rildo, aos 28´ do segundo tempo, diminuiu para o Brasil, mas Eusébio deixou mais um aos 40´e decretou a vitória portuguesa por 3 a 1. Leia mais clicando aqui!
Cruyff e Seleção da Holanda – Copa do Mundo de 1974
Por que estão aqui? – Eliminaram o Brasil da Copa do Mundo de 1974

O Brasil vinha do tricampeonato mundial e o técnico Mário Zagallo estava confiante e convicto de que não seria eliminado naquela segunda fase do Mundial da Alemanha pela Holanda. A equipe do Velho Lobo tinha o ótimo goleiro Leão, o zagueiro Luís Pereira, o craque Rivellino no meio de campo e Jairzinho na frente. Porém, nem sempre camisa ganha jogo. Muito menos se o adversário tiver Cruyff e Neeskens, os autores dos gols da vitória Laranja por 2 a 0 que mandou o Brasil para a disputa do 3º lugar (perdida para a Polônia por 1 a 0). O Brasil ficou perdido em campo, não conseguiu neutralizar a Holanda e apelou para a pancadaria, com Luís Pereira expulso já perto do final do jogo. Não fosse Leão, o Brasil teria levado uma goleada. E Zagallo teve que digerir uma laranja bem azeda… Leia mais clicando aqui!
Paolo Rossi (Itália) – Copa do Mundo de 1982
Por que está aqui? – Autor dos três gols da vitória da Itália por 3 a 2 sobre o Brasil na fatídica Tragédia do Sarriá.

O Mundial da Espanha tinha um favorito absoluto antes mesmo de começar: o Brasil. Com uma legião de craques como Leandro, Oscar, Júnior, Falcão, Sócrates, Éder e Zico, a equipe de Telê Santana jogava por música e encantava com suas vitórias e seus golaços. Após garantir a vaga no triangular que dava ao líder uma vaga na semifinal, o Brasil venceu a Argentina por 3 a 1 e foi para o jogo contra a Itália precisando apenas de um empate. Só que, naquela ensolarada tarde no Sarriá, um jogador renasceu das cinzas para fazer a partida de sua vida: Paolo Rossi.
Sem marcar gols na primeira fase e vivendo um calvário após dois anos suspenso por causa do escândalo de manipulação de resultados conhecido como Totonero, Rossi transformou aquele jogo em sua volta por cima na carreira e da própria Itália, antes desacreditada e jogando bem abaixo do que podia. O atacante abriu o placar para a Azzurra logo aos cinco minutos de jogo, com uma cabeçada fulminante após cruzamento de Cabrini. O Brasil não se abateu e empatou, aos 12’. Aos 25’, Rossi aproveitou passe errado de Toninho Cerezo e, com o habitual oportunismo, roubou a bola para colocar a Nazionale novamente à frente do placar.


Na segunda etapa, o Brasil pressionou até encontrar o gol, com Falcão. Após o empate, os sul-americanos cresceram muito e tiveram oportunidades para virar o placar, mas Paolo Rossi apareceu novamente para dar o golpe de misericórdia. Aos 30 minutos, livre de marcação, desviou chute na pequena área e fez 3 a 2. O Brasil não conseguiu superar o baque e, graças a Rossi, a Itália estava classificada para as semifinais.
“O primeiro gol contra o Brasil, lembro-me como o melhor da minha vida. Não tive tempo para pensar em nada: tive uma sensação de libertação. É incrível como um episódio pode mudar você radicalmente: chega de bloqueios mentais e físicos. Depois desse gol, tudo veio naturalmente”, comentou Rossi, anos depois.
A partir dali, o atacante não parou mais e balançou as redes duas vezes na vitória sobre a Polônia por 2 a 0 e, na grande final, deixou mais um gol nos 3 a 1 que selaram o tricampeonato mundial da Itália. Mas a grande marca do atacante foi mesmo os três gols no Sarriá, que sepultou uma das melhores seleções brasileiras de todos os tempos, fazendo do dia 05 de julho data de tristeza e melancolia para qualquer brasileiro quando o assunto é futebol. Leia mais clicando aqui!
Claudio Caniggia (Argentina) – Copa do Mundo de 1990
Por que está aqui? – Marcou o gol que eliminou o Brasil nas oitavas de final da Copa de 1990.

Brasileiros e argentinos haviam se encontrado apenas uma vez em Copas: no Mundial de 1978, que terminou empatado em 0 a 0 e ficou conhecido como a Batalha de Rosário, por conta do excesso de faltas e lances ríspidos. Até que, em 1990, os rivais se encontraram em uma etapa de oitavas de final. Jogando um futebol burocrático na fase de grupos e com foco na defesa, a equipe do técnico Lazaroni acabou fazendo naquele dia seu melhor jogo no Mundial, com direito a três bolas nas traves do goleiro Goycochea.

A Argentina não era nem sombra do time campeão do mundo em 1986, mas tinha duas cartas na manga: Maradona e o atacante Caniggia. E o mundo brasileiro desmoronou aos 81’, quando El Diez recebeu uma bola no meio de campo, passou por Alemão, por Dunga, trouxe a marcação de outros três defensores brasileiros para si até dar um passe magistral para Caniggia, sozinho, que driblou Taffarel e tocou para o gol vazio: 1 a 0. Foi o suficiente para classificar a Argentina e eliminar o Brasil.
Zinédine Zidane (França) – Copas do Mundo de 1998 e 2006
Por que está aqui? – Marcou dois gols na vitória por 3 a 0 da França sobre o Brasil na final da Copa de 1998 e deu um recital na vitória por 1 a 0 que eliminou o Brasil nas quartas de final da Copa de 2006. É, sem dúvidas, o maior carrasco do Brasil em Mundiais e único a acabar com a seleção em duas Copas diferentes.

O nome Zidane causa calafrios em qualquer brasileiro. Mas, para quem gosta de futebol, gera respeito. Afinal, o que Zizou jogou contra o time canarinho em duas Copas foi algo espetacular. Em 1998, Zidane era um dos astros da França finalista do Mundial diante do Brasil, que tinha Ronaldo, Rivaldo e grandes estrelas. Tudo levava a crer que seria um jogo eletrizante, mas apenas uma equipe jogou: a França. Aproveitando a fragilidade emocional do time brasileiro, que sofreu com a convulsão de Ronaldo horas antes do jogo – e mesmo assim o jogador entrou em campo – , a dona da casa abriu o placar aos 26’, após escanteio cobrado em que Zidane (de 1,85m) subiu mais alto do que Leonardo (1,77m) e cabeceou forte, parecendo até um chute pro gol, para marcar seu primeiro tento naquela Copa: 1 a 0.

Já nos acréscimos, os Bleus ganharam escanteio pelo lado esquerdo. Ao contrário da jogada do primeiro gol, era Dunga quem estava na cola de Zidane. O capitão brasileiro teria ficado furioso com a falha de marcação e disse que iria tomar conta do maestro francês. Só que Zizou apareceu de novo como um foguete e testou sem chance alguma para marcar 2 a 0. Era um baile da França. Um nó tático. No segundo tempo, foi só cozinhar o jogo até Dugarry conduzir a bola e iniciar um contra-ataque mortal para selar o título. O atacante tocou na esquerda para Vieira, que lançou Petit em velocidade. O meio-campista invadiu a área e tocou na saída de Taffarel para colocar a bola no fundo do gol do Stade de France: 3 a 0. França campeã do mundo. Brasil, vice.
Anos depois, Zidane reencontrou o Brasil, dessa vez em uma fase de quartas de final. Com astros como Ronaldo, Ronaldinho, Adriano, Kaká, Cafu, Roberto Carlos e companhia, o Brasil entrou na Copa do Mundo da Alemanha como favorito absoluto. Porém, quando o Mundial começou, aqueles atletas decepcionaram. Na fase de grupos, futebol bem abaixo da média e nada de brilho. No único jogo razoavelmente bom, contra o Japão, o Brasil foi com um time cheio de reservas, que provaram ser melhores do que os titulares. Nas oitavas, vitória protocolar contra Gana, mas ainda sim sem brilho. Até que veio o adversário das quartas de final: a França, algoz de 1998 e com vários remanescentes do timaço campeão do mundo de 8 anos atrás e um camisa 10 que gelava a espinha dos brasileiros: Zinédine Zidane.

Ver o maestro bleu era recordar as cabeçadas mortais dos 3 a 0, da dolorosa derrota que impediu o penta. Era relembrar seus dribles e grandes lances no amistoso de 2004, no centenário da FIFA. Era ter a certeza de estar diante de um dos três grandes carrascos do Brasil em Copas, tríade composta por ele, Paolo Rossi e Alcides Ghiggia. E, quando a bola rolou, com menos de um minuto, Zidane deixou Zé Roberto, Juninho Pernambucano e Gilberto Silva para trás. Os três, de uma vez, com sua classe, seus movimentos, suas passadas largas. Dali em diante, o Waldstadion de Frankfurt foi palco de um dos maiores recitais de um só jogador na história das Copas. Uma atuação digna de nota 10. Teve dribles, toques de primeira, chapéus. Zidane foi o senhor da bola que transformou aquela constelação de craques sem apetite do Brasil em garotinhos. Deu até pena.
Aplausos foram insuficientes para Zizou. Adjetivos, idem. Aquela atuação foi direto para o Olimpo das Copas, onde ele já residia, mas cravou de vez seu lugar como um dos maiores gênios que a competição já teve. E foi dele a bola que voou até a área brasileira e terminou com gol de Henry, da classificação francesa e vitória por 1 a 0, no terceiro triunfo seguido dos Bleus sobre o Brasil em Copas. Zidane é, sem dúvidas, o maior pesadelo brasileiro em Copas. Leia mais clicando aqui!
Seleção da Alemanha – Copa do Mundo de 2014
Por que está aqui? – 7 a 1. Sem mais.

Desde 2013, após a conquista da Copa das Confederações, que a história era a mesma e repetida aos borbotões em solo brasileiro: “Seremos hexacampeões”. “A Amarelinha pesa” e vários blá blá blás. O povo, que em sua maioria não entende nada de futebol como ele realmente é, acreditou na ladainha. Quando a Copa começou, o script do ano anterior foi repetido: hino cantado à capela, emoção, bravura. Os jogadores pareciam guerreiros antes de entrarem em uma batalha. Na primeira fase, liderança, duas vitórias e um empate e nada de futebol bonito e eficiente. Nas oitavas, um empate que poderia ser uma derrota contra o Chile e classificação no sufoco (e no chororô) apenas nos pênaltis. Nas quartas, outra vitória apertada contra a freguesa Colômbia.
Veio a semifinal. E o primeiro grande adversário. Outra vez, o discurso foi o mesmo, de otimismo e de superação. Mas, quando a bola rolou no Mineirão, o que se viu foi um atropelamento. A Alemanha, exemplo de seleção bem treinada, bem preparada e com talento em praticamente todos os cantos do campo, não se importou com o adversário em casa, com a torcida toda contra, com a tal da amarelinha e suas cinco estrelas no escudo etc.


Eles fizeram um gol. Dois gols. Três gols. Quatro gols. Cinco gols. E tudo isso em apenas 18 minutos, do gol de Müller, aos 11´, até o gol de Khedira, aos 29´. Nunca antes na história das Copas algo semelhante havia acontecido. No segundo tempo, eles fizeram mais um. E outro. O placar da FIFA teve que usar pela primeira vez o scroll para mostrar os marcadores para quem via pela TV. Era Brasil 0x7 Alemanha. SETE! No final, ainda teve um golzinho de Oscar.
Era o fim do oba-oba. A prova real de que aquela seleção (?) não merecia final alguma. Era um time medíocre. Um time sem alma. Um time desequilibrado emocionalmente. Um time sem talento à altura da história da amarelinha. Para os daqui, foi a maior tragédia (e foi mesmo) da história centenária da Seleção Brasileira. Mas, para o futebol, foi um prêmio, um favor prestado pela Alemanha por evitar que uma aberração como aquela chegasse à decisão. Leia mais clicando aqui!
Erling Haaland (Noruega) – Copa do Mundo de 2026
Por que está aqui? – Marcou os dois gols da vitória da Noruega por 2 a 1 que eliminou o Brasil nas oitavas de final da Copa de 2026.

A Noruega é a única seleção do planeta que nunca perdeu para o Brasil. São cinco jogos, com três vitórias e dois empates, sendo duas dessas vitórias em Copas do Mundo. E a mais recente aconteceu nas oitavas de final do Mundial do Canadá, EUA e México. Com a mesma crença de que tinha chances de ser campeão por causa da camisa e do técnico multicampeão Carlo Ancelotti, o Brasil enfrentou uma Noruega fortíssima, ainda mais do que o time que venceu o esquadrão de Zagallo em 1998 por 2 a 1 na fase de grupos.
A missão do Brasil era ser ofensivo e marcar individualmente a grande estrela dos nórdicos: Erling Haaland, que já acumulava cinco gols naquela Copa e conhecido mundialmente como um dos mais perigosos atacantes do futebol. Mas o time canarinho falhou miseravelmente em todas as suas obrigações. Levou um gol logo aos 3’, mas deu sorte por estar em impedimento. Depois, teve um pênalti a seu favor e desperdiçou com Bruno Guimarães – o goleiro Nyland defendeu.


A Noruega tentava o gol mais em jogadas por baixo, nunca pelo alto. Faltava mais ousadia e refletir a imensa posse de bola em gols. Até que, aos 79’, na primeira boa bola pelo alto que o time europeu conseguiu mandar para a área, ele estava lá: Haaland. O gigante subiu mais alto do que Gabriel Magalhães e testou sem chance para o goleiro Alisson: 1 a 0. O Brasil foi para o desespero, mas cedeu contra-ataques. E, aos 90’, Haaland recebeu sozinho na entrada da área e teve total liberdade para dominar, ajeitar e mandar o chute forte e rasteiro, no canto de Alisson. Gol. E 2 a 0 no placar.

O Brasil ainda descontou em pênalti tardio, mas de nada adiantou. O 2 a 1 classificou a Noruega para as quartas de final pela primeira vez na história. Já o Brasil acabou eliminado em uma etapa de oitavas de final pela primeira vez desde 1990. Naquele dia, quem não conhecia Haaland, acabou conhecendo da pior maneira possível: como o mais novo carrasco da seleção brasileira em Copas.

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Bem que poderia trazer sobre o Ernest Wilimowski.
E do jeito que anda o circo mambembe da CBF essa lista deve aumentar no futuro …