Nascimento: 05 de julho de 1975, em Florida, Argentina.
Posição: Centroavante
Clubes: River Plate-ARG (1993-1996), Parma-ITA (1996-2000 e 2010-2012), Lazio-ITA (2000-2002), Internazionale-ITA (2002-2003, 2006-2008-empréstimo e 2008-2009), Chelsea-ING (2003-2008), Milan-ITA (2004-2005-empréstimo), Genoa-ITA (2009-2010).
Principais títulos por clubes:
- 1 Copa Libertadores (1996) e 2 Campeonatos Argentinos (1993-Apertura e 1994-Apertura) pelo River Plate.
- 1 Copa da UEFA (1998-1999), 1 Copa da Itália (1998-1999) e 1 Supercopa da Itália (1999) pelo Parma.
- 1 Supercopa da Itália (2000) pela Lazio.
- 1 Supercopa da Itália (2004) pelo Milan.
- 1 Campeonato Inglês (2005-2006) e 1 Supercopa da Inglaterra (2005) pelo Chelsea.
- 3 Campeonatos Italianos (2006-2007, 2007-2008 e 2008-2009) e 2 Supercopas da Itália (2006 e 2008) pela Internazionale.
Principal título por seleção: 1 Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) pela Argentina.
Principais títulos individuais e artilharias:
- Artilheiro do Campeonato Argentino: 1994-Clausura (13 gols)
- Artilheiro dos Jogos Olímpicos de 1996: 6 gols
- Artilheiro da Copa da Itália: 1998-1999 (6 gols) e 2006-2007 (4 gols)
- Artilheiro do Campeonato Italiano: 2000-2001 (26 gols)
- Eleito para o Time do Ano da ESM: 2000-2001
- FIFA 100: 2004
- Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 2006
- Eleito o Melhor do Jogo da Final da Copa da UEFA: 1999
- Chuteira de Prata da Copa do Mundo da FIFA: 2006 (3 gols)
“O letal da grande área”
Por Guilherme Diniz
Grandes artilheiros precisam de pouco para brilhar. Alguns centímetros, uma bola, um chute. Nos anos 1990 e 2000, acompanhamos o auge de dezenas deles. Ser goleador naquela época? Só se você fosse muito, muito bom. Os concorrentes eram fora de série. E teve um argentino que conseguiu se sobressair durante muito tempo, vestindo as mais diversas camisas graças ao raciocínio rápido, grande físico, excelente domínio de bola, habilidade e criatividade para arriscar um toque de primeira ou mesmo uma bicicleta. Hernán Jorge Crespo, ou simplesmente Crespo, foi um daqueles centroavantes raros, letais e que resolviam jogos dos mais diversos tipos. Se fosse final, aí que ele crescia e provava seu valor. Marcou gols em final de Libertadores, de Liga dos Campeões, de Copa da UEFA e foi ídolo do River Plate, do Parma, da Lazio e na Inter. Até no Milan, apesar do pouco tempo, ele também conseguiu se destacar mesmo jogando com o prolífico Shevchenko.
A única lacuna que ficou em sua carreira foi mesmo um grande título pela seleção, “maldição” que acometeu ele e tantos outros craques reunidos pela Argentina nos anos 1990 e 2000. Por outro lado, se tornou um dos maiores artilheiros da albiceleste com 35 gols em 64 jogos, superando lendas como Maradona, Di María, Artime e Luque. É hora de relembrar a carreira do Valdanito.
Sumário
Do Ciclón ao Millonario
Crespo nasceu em Florida, na província de Buenos Aires, a 15 quilômetros da capital. Diferente de muitos companheiros no futebol, ele não teve dificuldades financeiras e cresceu em uma família estruturada economicamente, estudando em colégios particulares e sem grandes problemas. O esporte sempre foi a paixão de Crespo, que era uma criança de três anos quando Kempes marcou dois gols na final da Copa de 1978, fechando o 3 a 1 sobre a Holanda que deu à Argentina seu primeiro título mundial. Obviamente que El Matador foi uma inspiração para o jovem nas peladas de infância, mas Crespo sempre se atentou ao futebol como um todo, não só em sua terra.
“Nasci em 1975, então era natural para um garoto da minha idade abrir os olhos e ver o grande Mario Kempes. Tenho algumas lembranças vagas disso, mas do que realmente me recordo é da Itália de 1982, e particularmente de Paolo Rossi. Toda aquela geração, na sequência, acabou sendo ofuscada por Diego Maradona – ele estava em outro patamar.
Eu não podia ser o Maradona. Em vez disso, apaixonei-me — futebolisticamente falando — por Gary Lineker. Ele era o camisa 9 [embora Lineker, na verdade, usasse a camisa 10] e que jogador! Ele adorava a área. Eu queria muito conhecê-lo, pois o admirava demais. Lembro-me sempre de Lineker marcando gols na Copa do Mundo de 1986, no México, e conquistando a Chuteira de Ouro. O futebol me proporcionou muita coisa, inclusive a chance de conhecer Lineker”, comentou Crespo à revista Four Four Two, em setembro de 2016.

De fato, o estilo de jogo de Lineker era muito parecido com o que Crespo iria demonstrar anos depois: criatividade dentro da área, lindos gols, faro artilheiro para jogos decisivos e velocidade na condução da bola e no arremate. Apesar de torcer para o San Lorenzo na infância, Crespo acabou migrando para o River Plate na pré-adolescência, quando acompanhava vários jogos do time no Monumental, incluindo a final da Libertadores de 1986 vencida pelo River Plate em cima do América de Cali-COL. Aos 13 anos, o jovem fez seu primeiro teste no clube, acompanhado por quatro amigos da escola. Dos cinco, Crespo foi o único aprovado – e ainda precisou esperar cerca de um mês para receber a confirmação.
Em 1991, já nas inferiores, trabalhava como gandula no Monumental e comemorava junto a Ramón Díaz quando seu futuro treinador ainda marcava gols pelo River, um período no qual o jovem criou uma sintonia enorme com o clube millonario. Em 1993, aos 18 anos, fez seu debute no clube de Buenos Aires sob o comando do técnico Daniel Passarella, que percebeu semelhanças físicas e de jogo entre ele e o atacante Jorge Valdano, campeão do mundo com a Argentina em 1986, e lhe deu o apelido de Valdanito.
“O engraçado foi que o Passarella não disse a mim, eu soube quando li na imprensa. Para apelido no campo é muito longo, então ficou só para os jornalistas”, comentou o atacante ao El Gráfico, nos anos 1990.
De artilheiro a renegado
O atacante levantou já em 1993 seu primeiro título argentino – o Apertura -, mas no final daquele ano, Crespo e Ariel Ortega, seu companheiro de River, viveram um drama: eles não puderam participar da festa de formatura do colégio por estarem concentrados com o River antes de um jogo no Monumental, em dezembro de 1993. Vários amigos de Crespo do Colégio La Salle estavam na discoteca Kheyvis, em Buenos Aires, quando um incêndio causou a morte de 17 jovens. O local estava superlotado. Pode-se dizer que o futebol salvou a vida do atacante, que estaria na festa se não tivesse jogo marcado pelo clube.

Passado o momento triste, Crespo despontou em 1994 como um dos principais talentos argentinos ao marcar 11 gols e ser artilheiro do Campeonato Argentino-Clausura, apesar do River não conquistar o título. O atacante deixou sua marca em um Superclássico contra o Boca vencido por 2 a 0 em plena La Bombonera, quebrando um jejum de cinco anos sem vitória millonaria por ali. Ele marcou ainda sua primeira tripleta nos 4 a 0 sobre o Belgrano, em maio, e contribuiu com sete assistências para gols. Ainda em 1994, o atacante levantou outro título nacional – o Apertura -, mas o protagonismo acabou sendo de Enzo Francescoli, um ídolo do clube e que seria a referência daquela geração e do próprio Crespo, que “grudou” no uruguaio e fez questão de coletar dicas e macetes para melhorar seu desempenho em campo e ter mais chances como titular.
Àquela altura, Passarella não era mais o técnico e o River passou pelas mãos de Américo Gallego e depois, em 1995, por Carlos Babington, que preferia escalar Francescoli, Ortega ou Gabriel Amato no ataque, deixando Crespo no banco. O jogador revelaria que o técnico simplesmente “não gostava dele” e só iria escalá-lo como titular por ordem da diretoria. De fato, Crespo jogou muito pouco – apenas 20 partidas em 1995 – e marcou sete gols. Em julho de 1995, Ramón Díaz assumiu o comando do River e Crespo acreditou que teria uma mudança de ares para sua carreira. Ledo engano. O atacante não só continuou sem espaço como, em dezembro, foi comunicado que o River queria emprestá-lo ao Yokohama Marinos-JAP. O atacante foi direto:
“Eu não vou embora do River, eu fico.”

O River bloqueou o contrato do jogador, que ainda sim foi convocado para a seleção argentina que disputaria o Torneio Pré-Olímpico e desandou a fazer gols: um nos 6 a 0 sobre o Equador; três nos 4 a 0 sobre a Colômbia e um nos 2 a 0 sobre a Venezuela. Um detalhe importante é que na goleada sobre a Colômbia, o vice-presidente do Parma-ITA estava nas arquibancadas e ficou impressionado com o jovem atacante. Imediatamente, fez uma proposta de 4 milhões de dólares ao River, que não hesitou e confirmou o negócio. O Parma disse que só queria o jogador para o final de junho, já com planos para a temporada 1996-1997. Com isso, Crespo ainda teria seis meses no River. Será que ele iria fazer corpo mole e só esperar o fim de sua jornada para ir embora? De jeito nenhum…
De dispensado a herói da Libertadores
Quando voltou do Pré-Olímpico, Crespo seguiu no banco de reservas e entrava no decorrer de alguns jogos. O atacante respondia com gols a implicância de Ramón Díaz com seu futebol. “Não parava de fazer gols. Voltei para o River e todo mundo falava de mim e de como eu não jogava lá. Aí o Alfredo Davicce — presidente do clube na época — apareceu na capa da revista El Gráfico dizendo: “O Ramón não o vê porque está cego”. Eu jogava o campeonato local e fazia gols; jogava a Libertadores quando me escalavam e fazia gols”, comentou Crespo ao Bola Vip (ARG).
Falando em Liberta, o craque viveu naquele ano de 1996 um momento especial. Ele balançou as redes em três jogos da fase de grupos e, nas oitavas, estava no banco de reservas enquanto o River perdia para o Sporting Cristal-PER por 2 a 0, no Peru, quando Díaz colocou Crespo. E, aos 87’, o atacante recebeu a bola, dominou parcialmente com o peito e finalizou para fazer o gol do River: 2 a 1. O tento deu sobrevida ao clube argentino para a volta, no Monumental.
Em casa, Crespo começou como titular e provou que deveria ser o centroavante do River há muito tempo. Logo aos 4′, fez 1 a 0. Aos 22′, Francescoli ampliou. E, aos 30′, Crespo fez isso:
Uma bicicleta espetacular, perfeita, que fez com que Francescoli erguesse o jovem atacante para que ele ouvisse ainda mais alto a ovação que recebeu da torcida. O River venceu por 5 a 2 e se classificou para as quartas de final. Aquele gol foi um dos mais bonitos da carreira do atacante, que ouviu “por favor, não se vá” dos hinchas. Crespo comentou sobre o golaço no pós-jogo ao jornal La Nación (ARG).
“A verdade é que não pensei em nada. Eu dei o chute por cima e o que saiu, saiu. Poderia ter ido para a arquibancada, é verdade, mas acabou no gol… quem não arrisca, não ganha”.
Nas quartas, um duelo doméstico contra o San Lorenzo terminou com vitória millonaria por 2 a 1 na ida, fora de casa (um gol de Crespo) e empate em 1 a 1 na volta (outro gol de Crespo). Nas semis, o atacante não marcou, mas o River despachou a Universidad de Chile-CHI após 2 a 2 na ida e vitória por 1 a 0 na volta, em casa, resultados que colocaram o River na final após 10 anos. E foi nela que Crespo cravou de vez seu nome na história.


Após o revés por 1 a 0 para o América de Cali-COL fora de casa (curiosamente o mesmo rival do primeiro título lá de 1986), o River Plate precisava vencer por dois gols de diferença se quisesse o bi. Pois Crespo tratou de marcar os dois gols – um em cada tempo – da vitória por 2 a 0 que deu o título da Libertadores ao clube argentino. Uma festa inesquecível em um Monumental tomado por mais de 73 mil pessoas.
“Foi a realização de um sonho. O River Plate havia conquistado sua primeira Copa Libertadores em 1986. Naquela época, eu era um jovem no clube e assisti à final das arquibancadas do Estádio Monumental. Depois de ver aquilo, sonhei em ganhar a Copa Libertadores. Dez anos mais tarde, enfrentamos o mesmo adversário na final: o América de Cali. Sim, marquei dois gols naquele jogo, mas também fiz 10 gols ao longo de toda a campanha da Libertadores naquela temporada. A conquista teve um impacto enorme na minha vida. Eu tinha apenas 20 anos, era torcedor do River, um garoto da casa, e conquistei o maior troféu de todos. Quanto à festa… basta ver os vídeos no YouTube. Uma loucura!”, comentou Crespo à Four Four Two, anos depois.

Crespo foi o vice-artilheiro daquela Libertadores com 10 gols, um a menos do que o colombiano Antony De Ávila. “Lembro que levei as mãos à cabeça e pensei: ‘O que eu fiz?’. No segundo gol, primeiro olhei para a torcida e queria abraçar todo mundo. Passou um filme pela minha cabeça: sete anos indo ao River, sem jogar, sendo maltratado por técnicos e por alguns companheiros. Consegui superar isso; foi a minha força para provar a todos que estavam errados, e então segui sempre em frente. Eu tinha 20 anos e comecei aquela Libertadores na reserva. O Ramón não me queria, e passei por tudo aquilo no River. Como o convenci? Com gols.”, completou Crespo, em entrevista ao Bola Vip (ARG). O atacante deixou o River após 85 jogos, 36 gols e 14 assistências.
A Prata Olímpica

Antes de iniciar sua trajetória no Parma, Crespo brilhou com a Argentina nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, quando marcou um gol na fase de grupos e, na reta final, ajudou a equipe sul-americana a alcançar a grande final. O atacante marcou dois gols na vitória por 4 a 0 sobre a Espanha, nas quartas de final, e mais dois gols nos 2 a 0 sobre Portugal, na semifinal. Na decisão, Crespo marcou mais um, mas a Argentina não resistiu à fortíssima Nigéria, que venceu de virada por 3 a 2 e ficou com o ouro. A prata foi amarga para Crespo, mas o atacante terminou como artilheiro dos Jogos com 6 gols.
O sonhado início no Calcio
Chegar ao futebol italiano era um sonho antigo de Crespo. O jogador sempre disse que o Calcio moldou sua trajetória na juventude, pois foi vendo a Itália na Copa de 1982 e ainda em 1990 que ele nutriu uma enorme admiração pelo país.
“Meu amor pela Itália começou quando eu era criança, acompanhando a seleção italiana em 1982, nos jogos contra a Argentina e o Brasil. Quando a Argentina conquistou a Copa do Mundo de 1986, o único jogo em que empatamos foi justamente contra a Itália. Em 1990, a Copa foi realizada na Itália, e a seleção italiana chegou à semifinal contra a Argentina.
Ou seja, a Itália esteve sempre presente durante a minha formação. Diego Maradona jogava na Itália, os melhores jogadores daquela época estavam lá — eu só assistia ao futebol italiano. Nunca acompanhei o campeonato inglês ou o espanhol; eles não passavam na televisão. Por que aquele estilo combinava tanto comigo? É difícil dizer. Eu tinha 21 anos quando cheguei e me adaptei imediatamente. Nem todo mundo consegue se adaptar logo de cara a uma nova liga, mas eu consegui”, explicou Crespo.

A Série A italiana tinha na época alguns dos melhores jogadores do mundo e o melhor time do mundo: a Juventus, campeã europeia e mundial em 1996 – justamente diante do River Plate. Além dela, o Milan contava com vários craques, a Inter ganharia tempo depois o reforço de Ronaldo, a Lazio começava a formar um grande time e o Parma já contava com os aportes financeiros da Parmalat, que havia montado um forte esquadrão no começo dos anos 1990 que conquistou títulos inéditos para os crociati.
Apesar da rápida adaptação, Crespo teve um início complicado no Parma pelo fato de ter ficado os primeiros seis meses no clube sem marcar gols! Foi algo trágico, que fez com que a torcida vaiasse constantemente o argentino nos jogos em casa. Crespo, porém, ganhou a confiança do então técnico Carlo Ancelotti e permaneceu no time até tudo mudar na segunda metade da temporada: 12 gols e grandes atuações que ajudaram o Parma a alcançar o vice-campeonato italiano, a apenas dois pontos da campeã Juventus. Foi naquela temporada que nomes como Gigi Buffon, Lilian Thuram e Enrico Chiesa começaram a brilhar no time.
Na época seguinte, Crespo seguiu prolífico e marcou 12 gols na Série A, além de dois na campanha do Parma na Liga dos Campeões da UEFA – que terminou na fase de grupos. Mas seria na temporada 1998-1999 o auge do artilheiro no clube crociati.
A primeira Copa e o início da concorrência com Batistuta na seleção
Em 1998, Crespo foi convocado para a Copa do Mundo da FIFA como um dos atacantes do time de Daniel Passarella. O torcedor esperava ver no Mundial uma dupla de ataque dos sonhos com Crespo e Batistuta, que vivia grande fase na época. Porém, Passarella dizia que a dupla não podia jogar junta e Crespo foi reserva no torneio. O atacante até chegou a ser titular, marcou três gols em um amistoso contra a Iugoslávia no período pré-Mundial, mas uma lesão muscular sofrida em um duelo contra o Lecce, em abril de 1998, pelo Campeonato Italiano, acabou prejudicando a presença do jogador entre os titulares.

Crespo só entrou nas oitavas de final, quando a Argentina encarou a Inglaterra em um jogaço e se classificou nos pênaltis – Crespo acabou desperdiçando sua cobrança, mas a Argentina venceu por 4 a 3. Nas quartas, a albiceleste foi eliminada pela Holanda. Naquele momento, a lesão de fato prejudicou o atacante no Mundial, mas o drama seria maior quatro anos depois.
Campeão da Europa e a ascensão do super goleador
Depois da Copa, Crespo iniciou um período fantástico em sua carreira, recompensado com títulos e o reconhecimento de todo o mundo. Pelo Parma, o jogador passou a ter ainda mais peso na equipe com a chegada do técnico Alberto Malesani, que explorou demais as qualidades do argentino ao lado de Chiesa no ataque e as chegadas ofensivas de Verón e Dino Baggio. No Campeonato Italiano, o Parma terminou na quinta colocação e Crespo anotou 16 gols, incluindo três gols no histórico 4 a 2 sobre a Juventus de Zidane e Del Piero em pleno Delle Alpi. Mas foi nas Copas que o craque deu show.

Na Copa da Itália, Crespo foi o artilheiro com 6 gols e, na final, encarou a Fiorentina do compatriota Batistuta. O Parma empatou em 1 a 1 a ida, em casa, com gol de Crespo, e também a volta, fora, em 2 a 2 (com outro gol de Crespo), e garantiu o título graças ao critério do gol qualificado. Na Copa da UEFA, o argentino marcou mais seis gols, incluindo dois nos 6 a 0 sobre o Bordeaux-FRA, nas quartas de final, um nos 3 a 1 sobre o Atlético de Madrid-ESP em pleno estádio Vicente Calderón, na semifinal, e mais um na grande final contra o Olympique de Marselha-FRA, que terminou com vitória italiana por 3 a 0, com gols de Crespo, Vanoli e Chiesa.

Foram 28 gols em 45 jogos na temporada e a coroação de uma temporada de sonhos do esquadrão crociati, que ainda venceu meses depois a Supercopa da Itália de 1999 diante do Milan, com vitória por 2 a 1 em pleno San Siro, com mais um gol de Crespo, que completou sua sequência de gols em todas as finais disputadas pelo Parma naquela época: Copa da Itália, Copa da UEFA e Supercopa. O argentino comentou sobre aquela era mágica ao site da Four Four Two.
“É preciso entender a situação daquela época. O Parma tinha um grande time, mas veja o restante: a Juventus era a melhor do mundo, o Milan era muito forte, a Inter tinha o Ronaldo. Não era fácil. Não tivemos a chance de jogar juntos por três ou quatro anos e crescer como equipe; houve muitas mudanças. Mas conseguimos conquistar três títulos em 100 dias: a Supercopa, a Copa da Itália e a Copa da UEFA. Também nos classificamos para a Liga dos Campeões pela primeira vez na história do clube. Ainda assim, éramos o Parma, um time pequeno de uma cidade pequena”.
As expectativas eram enormes na temporada 1999-2000, principalmente com as chegadas de Amoroso, Ortega, Di Vaio e Paulo Sousa. Só que o Parma perdeu muita gente boa: Chiesa, Verón, Sensini, Mussi, Apolloni e Fiore deixaram o clube, que, mesmo muito forte, não teve fôlego para resistir ao returno da Série A, quando o Parma ficou oito jogos sem vencer entre janeiro e fevereiro de 2000. A equipe se recuperou, mas terminou apenas na 5ª colocação. Por outro lado, Crespo se tornou um dos maiores artilheiros do Campeonato Italiano com 22 gols, atrás apenas de Shevchenko (24 gols) e Batistuta (23 gols). Na Liga dos Campeões, o Parma acabou eliminado já na fase preliminar e disputou novamente a Copa da UEFA, na qual chegou até as oitavas de final e perdeu para o Werder Bremen-ALE.
A transferência recorde para a Lazio e artilharia na Série A
Na temporada 2000-2001, a Lazio desembolsou 35 milhões de libras e contratou Crespo, na maior transação da história do futebol naquela época. O valor astronômico poderia impor alguma pressão no atacante, mas aquilo não abalou o sempre focado argentino.
“Pressão? Não. Nenhuma. Eu sabia que era um valor recorde, mas nunca dei importância ao preço; eu só me preocupava com o meu futebol. Para aprender a lidar com a pressão, é preciso olhar para o passado. Vou lhe dar um exemplo. Eu tinha 20 anos quando o River enfrentou o América de Cali naquela final da Copa Libertadores. Isso aconteceu dois anos após a morte de Pablo Escobar. Ir para a Colômbia era complicado. Havia problemas de segurança e nunca sabíamos o que poderia acontecer.
A imprensa falava sobre os cartéis de drogas, sobre Medellín e Cali. Aquilo, sim, parecia pressão: vivemos um clima de medo durante as semanas que antecederam o jogo. E, no entanto, a realidade é que fui muito bem tratado. Por isso, o valor da transferência não foi um problema. Eu me orgulhava de valer aquilo. Foi algo positivo”, comentou Crespo à Four Four Two.

A Lazio tinha um timaço na época e havia acabado de vencer o Campeonato Italiano e a Copa da Itália. Com Peruzzi, Nesta, Mihajlovic, Stankovic, Simeone, Verón, Nedved e Claudio López, os romanos eram favoritos a tudo naquela temporada e Crespo viveu outro período prolífico. Muito bem municiado lá no ataque, o argentino foi uma máquina de gols e anotou 26 tentos em 32 jogos no Campeonato Italiano, desempenho que fez dele o artilheiro do Calcio em 2000-2001. A Lazio, no entanto, não conseguiu acompanhar os ponteiros do torneio e terminou na 3ª colocação, atrás da rival Roma (campeã) e da Juventus (vice).
Crespo era um dos principais atacantes do planeta e vivia provavelmente o auge da forma. Porém, na época 2001-2002, o atacante começou a sofrer com algumas lesões e viu o timaço de outrora ser desfeito por conta da crise financeira que acometeu os laziali, que perderam a força e não conseguiram mais competir em alto nível. Mesmo assim, Crespo foi o artilheiro do time na temporada com 20 gols em 34 jogos.
Copa de 2002: a grande decepção
A Argentina era uma das favoritas no Mundial da Coreia do Sul e Japão. E isso fazia jus ao elenco montado pelo técnico Marcelo Bielsa: Ayala, Sorín, Almeyda, Samuel, Zanetti, Batistuta, Ortega, Verón, Simeone e o próprio Crespo. Na época, o craque vivia melhor fase do que Batistuta, mas de novo foi preterido e teve que ouvir a velha desculpa de que ele e Batigol não podiam jogar juntos. Nas Eliminatórias para 2002, Crespo marcou 9 gols em 12 partidas e terminou como artilheiro. Mesmo assim, foi insuficiente para Bielsa mantê-lo como titular, pois o treinador acreditava que Crespo e Batigol ocupavam essencialmente a mesma função e não gostava da ideia do “doble nueve”. Em vez de convocá-los regularmente e desenvolver uma convivência tática entre ambos, passou a alterná-los nas convocações.

Uma mágoa profunda de Crespo foi que Bielsa nunca testou os dois juntos para saber se poderiam jogar ou não. E que isso criou um clima de “rivalidade” que jamais existiu entre os dois, que se respeitavam e eram companheiros. Crespo nunca culpou Batistuta por isso. Anos depois, disse que a existência de Batigol provavelmente o fez melhor, porque o obrigou a competir contra uma lenda já estabelecida. Enquanto o Brasil, no final dos anos 1990, encantou com a dupla Ronaldo e Romário, a Argentina jamais teve Batigol e Valdanito brilhando juntos. Kily González, companheiro de Crespo na Copa de 2002, comentou sobre o caso anos depois.
“Com certeza, sem dúvida alguma, eles poderiam ter jogado juntos. Sabe como eu resumo isso? Nós comprávamos a ideia do (Marcelo) Bielsa. Ela nos levou aonde chegamos. (a eliminação na fase de grupos da Copa).”

Crespo contou posteriormente que participou do último treino antes da partida contra a Nigéria entre os titulares. Mas, pouco antes do duelo, Bielsa reuniu alguns jogadores e anunciou que eles ficariam no banco. Crespo estava entre eles. Ali, o jogador perdeu a confiança no treinador e jamais tolerou aquela atitude. Apesar do atacante ter entrado nos três jogos da fase de grupos e marcado um gol diante da Suécia, a Argentina foi eliminada. Tempo depois, Bielsa admitiu que errou e se desculpou, mas Crespo jamais engoliu aquela ausência como titular justamente em sua melhor fase na carreira.
“Sei que o decepcionei. Ali, aprendi para sempre algo que eu já sabia. Se você enganar seu filho hoje para conseguir algo como resultado dessa força momentânea e artificial, resolverá o problema daquele momento, daquele dia. O erro que cometi naquele dia, para convencê-lo, foi dizer que as coisas eram definitivamente assim, quando na verdade eu não pensava dessa forma.” – Marcelo Bielsa, em trecho publicado no site Tyc Sports (ARG).
“Quando a Copa de 2002 terminou, deixamos isso claro novamente. Eu disse a ele que a Seleção estava acima dos homens e dos nomes, mas que eu não acreditava mais nele. Que, se ele me convocasse, eu estaria lá, mas que não acreditava mais nele. Foi assim durante o restante do seu ciclo”, comentou Crespo tempo depois. O atacante renunciou à seleção por um período e só retornaria sob o comando de José Pekerman.
Altos e baixos e o vice na Champions de 2005
Em 2002, a Internazionale perdeu Ronaldo para o Real Madrid e foi ao mercado em busca de um centroavante. Encontrou na Lazio: Crespo, contratado por 26 milhões de euros. Jogando ao lado de Vieri e Recoba, o atacante tinha tudo para brilhar novamente, mas lesões no começo de 2003 atrapalharam sua temporada – ele ficou praticamente três meses sem jogar. Ainda sim, o argentino anotou 16 gols em 30 jogos, com destaque para os 9 gols que ajudaram a Inter a alcançar as semifinais da Liga dos Campeões da UEFA, quando acabou eliminada pelo rival Milan, que terminou campeão.

Por conta das ausências, a Inter não hesitou e decidiu vender Crespo já na temporada 2003-2004 ao Chelsea, que desembolsou 16,8 milhões de euros pelo jogador. Jogar na Premier League seria um novo desafio ao jogador, principalmente em um clube que começava a investir bastante em contratações. Os Blues já tinham na época nomes como Frank Lampard, Makélélé, Joe Cole, Damien Duff e Gudjohnsen, atletas que fariam história em Stamford Bridge. Claudio Ranieri ainda era o técnico da equipe londrina e Crespo teve algumas chances, mas ainda não convenceu como nos tempos de Parma ou Lazio. Foram 10 gols em 19 jogos na Premier League e um porém: ele ficou sozinho em Londres, enquanto sua família permaneceu na Itália, o que prejudicou bastante o dia a dia do jogador, que se sentiu muito sozinho naquele período.
Na temporada 2004-2005, José Mourinho foi contratado como novo técnico dos Blues e chegou com ele um novo centroavante: Didier Drogba. Com o aporte do marfinense, Mourinho até pretendia utilizar os dois no ataque azul, mas entendeu que a distância da família estava interferindo bastante no rendimento de Crespo. E, quando o Milan demonstrou interesse em contratar o atacante por empréstimo, ambas as partes concordaram que era o momento de uma mudança.
“Mourinho era espetacular. Quando ele chegou ao Chelsea, queria que eu ficasse. Eu disse que ficaria, mas também falei: “Mas, José, o Milan me ligou”. Eu tinha a chance de ir para o Milan, um time que eu cresci acompanhando — especialmente por causa de Marco van Basten. Então disse: “Olha, José, é uma situação muito difícil, mas, se eu tiver de escolher entre Chelsea e Milan, vou escolher o Milan”.
José respondeu: “Tudo bem, vou esperar por você durante uma semana. Se em uma semana o negócio com o Milan não se concretizar, então você fica no Chelsea. Porque, se você não ficar, teremos de ir ao mercado buscar um substituto”. Voltei para a Itália. Minhas escolhas baseavam-se em minhas paixões e sonhos. O Chelsea, então, contratou Mateja Kezman e Arjen Robben”, relembrou Crespo sobre o episódio, anos depois, à Four Four Two.
No Milan, Crespo reencontrou o técnico Carlo Ancelotti, muito importante em seu início de trajetória no Parma, e ainda uma legião de craques como Dida, Maldini, Stam, Cafu, Gattuso, Pirlo, Kaká e Shevchenko. Os rossoneros eram espetaculares, atuais campeões italianos e brigariam por todos os títulos naquela temporada 2004-2005, que começou com título da Supercopa da Itália, após 3 a 0 sobre a Lazio, com três gols de Shevchenko. O ucraniano, claro, era o principal goleador do time italiano há anos, mas Crespo rivalizou à altura. Na Série A, foram 10 gols de Crespo e 17 de Sheva, e na Liga dos Campeões o argentino anotou 6 gols, enquanto Sheva fez 5. No total da temporada, o ucraniano anotou 22 gols em 38 jogos e Crespo marcou 17 gols em 39 jogos.

A trajetória mais marcante para o atacante foi mesmo na Liga dos Campeões. Após dois gols na fase de grupos, ele acabou com o Manchester United-ING nas oitavas de final ao marcar os gols das vitórias na ida (1 a 0) e volta (1 a 0). E, na grande final, o craque marcou dois gols nos 3 a 0 dos sonhos do Milan no primeiro tempo diante do Liverpool. Bem, só que aí veio o segundo tempo… E todo mundo sabe o que aconteceu: o Milagre de Istambul, o empate em 3 a 3 e a vitória inglesa nos pênaltis. O que era para ser uma final inesquecível para o argentino, com dois gols, se transformou em um pesadelo.
“Quando você é jovem, aprende que o jogo dura 90 minutos. Todos nós sabíamos disso. Éramos todos jogadores experientes, incluindo Clarence Seedorf, Paolo Maldini, Alessandro Costacurta, Alessandro Nesta, Andrea Pirlo, Gennaro Gattuso, Andriy Shevchenko – você acha que esses caras iriam comemorar? Infelizmente, houve jornalistas que inventaram esta história para justificar o que nos aconteceu. Disseram que comemoramos, quando,, na verdade, apesar de estarmos vencendo por 3 a 0, sentamos e discutimos o que poderíamos fazer melhor.
O que aconteceu em Istambul foi o destino. É futebol. E essa é a tristeza e a beleza do nosso jogo. Mas naquela noite, em primeiro lugar, foi um sonho jogar a final da Liga dos Campeões com o Milan. O primeiro tempo foi ótimo. Jogamos muito bem e tudo aconteceu como queríamos. Me senti em boa forma e marquei dois gols, mas acabei no time perdedor. Ainda hoje não consigo acreditar. Depois do jogo foi como um funeral. Ninguém se falou – nem no vestiário, nem no ônibus do time, nem mesmo no hotel. Foi muito difícil. Alguns jogadores estavam chorando. Outros abraçaram suas esposas e filhos”, relembrou Crespo, anos depois.

Naquele ano, ele se tornou o primeiro jogador na história a marcar gols em Ligas dos Campeões da UEFA por cinco clubes diferentes: Parma, Lazio, Chelsea, Inter e Milan. De quebra, provou que era mesmo um artilheiro de decisões, acrescentando a UCL em sua lista que incluía Libertadores, Copa da UEFA, Copa da Itália e Supercopa da Itália.
Copa de 2006 e retorno à Inter
Na época 2005-2006, Crespo retornou ao Chelsea para impor concorrência a Drogba, o que seria benéfico para ambos e para o time, segundo o técnico Mourinho. Crespo teve mais tempo de jogo e anotou os mesmo 10 gols de sua temporada anterior, além de outros três por outras competições, o que fez dele o terceiro maior artilheiro dos Blues na temporada, atrás apenas de Lampard e Drogba. O argentino foi campeão da Premier League e da Supercopa da Inglaterra, além de ter se transformado no camisa 9 da Argentina nas Eliminatórias, nas quais anotou 7 gols, dois deles na vitória por 3 a 1 sobre o badalado Brasil de Ronaldo, Ronaldinho e companhia, no Monumental. Crespo fez o primeiro após receber de Riquelme, que marcou o segundo. O terceiro veio após Saviola cruzar e Crespo, de cabeça, vencer Dida.

Na Copa de 2006, Crespo teve a oportunidade que sempre sonhou. Foi titular do time de José Pekerman e, ao lado de uma nova geração de craques, queria ir longe em um Mundial. Na fase de grupos, mesmo no aclamado grupo da morte, brilhou e viu a Argentina terminar na liderança após vencer Costa do Marfim – 2 a 1, com um gol do craque -, Servia e Montenegro – um épico 6 a 0, com um gol do craque e participação direta em um dos golaços coletivos mais sensacionais dos Mundiais – e empatar sem gols com a Holanda. Nas oitavas, Crespo fez mais um e a Argentina venceu o México por 2 a 1.
Nas quartas, contra a anfitriã Alemanha, o craque não marcou e foi substituído no segundo tempo, quando a Argentina vencia por 1 a 0. Do banco, viu a Alemanha empatar e vencer nos pênaltis. Era o fim do sonho do tri. O atacante ainda disputaria a Copa América de 2007, mas encerrou sua trajetória pela albiceleste após alcançar os 35 gols em 64 jogos.

De volta à Inter, Crespo anotou 14 gols na temporada do título italiano de 2006-2007 da nerazzurri e foi o artilheiro da equipe com 19 gols em 39 jogos. Na época seguinte, o atacante acabou ofuscado pela ascenção de Ibrahimovic, além de ter perdido espaço no time. O atacante celebrou três Scudettos consecutivos e marcou gol em outra final vencida pela nerazzurri – a Supercopa da Itália de 2006, nos 4 a 3 sobre a Roma. O argentino ainda balançou as redes três vezes nos dois jogos finais da Copa da Itália de 2006-2007, mas o caneco ficou com a Roma, que venceu por 6 a 2 a ida (dois gols de Crespo) e perdeu por 2 a 1 a volta (um gol de Crespo).
Últimas camisas e aposentadoria
Em 2009-2010, com o fim de seu contrato, Crespo foi jogar no Genoa, substituindo o compatriota Diego Milito, que fez o caminho oposto e foi jogar na Inter, onde seria campeão do Treble. Na equipe da Liguria, Crespo disputou 21 jogos e marcou apenas sete gols no curto período em que permaneceu no clube genovês, e acertou seu retorno ao Parma em janeiro de 2010, onde permaneceu até novembro de 2012 e encerrou a carreira aos 37 anos, após mais 50 jogos e 14 gols em um período no qual ele se tornou ainda mais ídolo dos crociaci e atingiu, na época 2010-2011, a marca de 11 gols em 31 jogos, o que fez dele o maior artilheiro da temporada do Parma pela quarta vez na carreira.

Depois de pendurar as chuteiras, Crespo estudou e se formou técnico, começando nas categorias de base do próprio Parma em 2014. Ele assumiu um time profissional pela primeira vez em 2015, quando dirigiu o Modena-ITA na série B italiana. Em 2019, voltou à sua terra natal para treinar o Banfield, mas foi no Defensa y Justicia que o treinador fez história ao levantar o título da Copa Sul-Americana de 2020, após derrotar o compatriota Lanús com um contundente 3 a 0 na final. Em 2021, foi treinador do São Paulo e faturou o Campeonato Paulista, encerrando um longo jejum de títulos do tricolor.

A identificação com o clube foi grande, mas rusgas com a diretoria acabaram minando seu trabalho, o que aconteceu novamente anos depois no mesmo São Paulo, entre 2025 e 2026. O treinador ainda teve um trabalho de sucesso no futebol árabe, onde foi campeão nacional pelo Al-Duhail, do Catar, e ainda pelo Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, pelo qual levantou a Liga dos Campeões da Ásia. Atualmente, Crespo trabalha no Atlas-MEX e segue trilhando uma carreira que já tem títulos importantes e a promessa de mais conquistas no futuro.
O fato é que Hernán Crespo foi um dos melhores e mais talentosos atacantes argentinos de seu tempo, artilheiro de decisões e campeão por onde passou, superando percalços e provando, com gols e atuações memoráveis, que foi muito mais do que um Valdanito. Foi um craque imortal.
Números de destaque:
- Disputou 84 jogos e marcou 36 gols pelo River Plate.
- Disputou 201 jogos e marcou 94 gols pelo Parma.
- Disputou 73 jogos e marcou 48 gols pela Lazio.
- Disputou 116 jogos e marcou 45 gols pela Internazionale.
- Disputou 73 jogos e marcou 25 gols pelo Chelsea.
- Disputou 40 jogos e marcou 17 gols pelo Milan.
- Disputou 21 jogos e marcou 7 gols pelo Genoa.
- Disputou 64 jogos e marcou 35 gols pela Seleção da Argentina.
- Disputou 608 jogos e marcou 272 gols em sua carreira por clubes.
- Disputou 672 jogos e marcou 307 gols na carreira.

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