Por Guilherme Diniz
Disputada desde 1960, a Copa Libertadores da América é a principal competição do continente sul-americano e já reuniu alguns dos mais talentosos atacantes da história do esporte. Porém, ser artilheiro do torneio não é fácil e construir uma sólida história como goleador a exemplo do que vemos na Liga dos Campeões da UEFA é muito difícil, principalmente pelo fato de a maioria dos atletas ir jogar justamente na Europa ou em outras ligas.
Por isso, a lista dos maiores artilheiros da Libertadores é dominada por atletas do século XX e que tiveram a oportunidade de jogar por mais clubes das Américas ao invés de construírem suas carreiras na Europa. Só recentemente que três atletas conseguiram superar recordes bem antigos e entraram no top 10 graças às performances por diferentes clubes sul-americanos. É hora de conhecer a seleta lista dos maiores goleadores da Libertadores!
Sumário
1º – Alberto Spencer (EQU) – 54 gols

48 gols pelo Peñarol-URU
6 gols pelo Barcelona-EQU
Atacante nato, matador e um dos maiores fazedores de gols de cabeça que se tem notícia, o que lhe deu o apelido de “cabeça mágica”, Alberto Spencer é o recordista de gols da Libertadores há mais de 50 anos. E deve permanecer assim por muito tempo. Com espantosos 54 gols na carreira disputando a principal competição das Américas, ele construiu sua dinastia pelo Peñarol, com o qual anotou 48 gols e venceu três Libertadores – 1960, 1961 e 1966 -, além de dois vices. Spencer foi artilheiro das Libertadores de 1960 (7 gols), 1962 (6 gols) e anotou ainda 10 gols na edição de 1968, que teve o brasileiro Tupãzinho (11 gols), do Palmeiras, como goleador. O equatoriano ainda é dono de outros recordes como:
- Autor do primeiro poker (4 gols) – em 1960, quando anotou quatro gols nos 7 a 1 sobre o Jorge Wilstermann-BOL;
- Autor do primeiro triplete – em 1960, nos 7 a 1 sobre o Jorge Wilstermann-BOL;
- Autor de um repoker (5 gols) – em 1963, nos 9 a 1 do Peñarol sobre o Everest-EQU;
- Primeiro e único jogador a marcar gols em 4 finais de Libertadores: 1960 (1 gol), 1961 (1 gol), 1962 (3 gols) e 1966 (3 gols).
Spencer chegou aos 54 gols em 88 jogos disputados e, nos 36 jogos nos quais ele balançou as redes, seja pelo Peñarol, seja pelo Barcelona-EQU, ele só perdeu dois e empatou três. Ou seja: quando o atacante marcava gol, raramente seu time perdia na Liberta. Leia mais sobre ele clicando aqui!
2º – Fernando Morena (URU) – 37 gols

37 gols pelo Peñarol-URU
Fernando Morena Belora, ou simplesmente Fernando Morena, é uma divindade do Uruguai. Um craque com números até hoje inigualáveis mesmo após décadas desde sua aposentadoria. Um virtuose. Finalizador nato, que não perdia chances claras, que sabia exatamente o que fazer dentro da área. Que tinha o faro da decisão. Que conquistou títulos memoráveis. Autor de gols até hoje gritados pelos torcedores. E um verdadeiro pesadelo para inúmeros zagueiros e goleiros.
Com a camisa do Peñarol, Morena marcou 37 gols em 77 jogos pela Libertadores e foi artilheiro das edições de 1974 (7 gols), 1975 (8 gols) e 1982 (7 gols), o único até hoje a ser o máximo goleador em três edições na história. Morena ainda faturou o título continental de 1982, com gol dele na grande final diante do Cobreloa-CHI. Leia mais sobre ele clicando aqui!
3º – Pedro Rocha (URU) – 37 gols

26 gols pelo Peñarol-URU
10 gols pelo São Paulo-BRA
1 gol pelo Palmeiras-BRA
Num misto de raça uruguaia com a mais nobre elegância do futebol arte, Pedro Virgílio Rocha Franchetti encantou o Uruguai, o Brasil, a América e o mundo com exibições formidáveis e uma categoria fascinante que o levou ao status de ídolo nos gigantes Peñarol e São Paulo. Multicampeão no clube aurinegro, com o qual venceu 3 Copas Libertadores, “El Verdugo” (O Carrasco) marcou 26 gols pelo clube de Montevidéu e outros 10 pelo São Paulo, sendo 7 gols na edição de 1974, na qual foi um dos artilheiros, ao lado do compatriota Morena e do brasileiro Terto. Leia mais sobre Pedro Rocha clicando aqui!
4º – Daniel Onega (ARG) – 31 gols

31 gols pelo River Plate-ARG
Além de ser um dos recordistas em gols na Libertadores, Daniel Onega segue imbatível como maior artilheiro de uma só edição do torneio na história: foram impressionantes 17 gols em 20 jogos em 1966, curiosamente ano em que o River acabou perdendo a final para o Peñarol. Onega debutou no clube naquela temporada e jogou até 1971, retornando em 1973. Ele marcou outros 7 gols na edição de 1967 – o River caiu na segunda fase – e 7 gols em 1970, quando os millonarios foram eliminados na semifinal pelo Estudiantes, que seria tricampeão naquele ano. O atacante ainda disputou mais quatro jogos na edição de 1973, mas passou em branco. Onega possui a segunda melhor média de gols dentre os ranqueados da lista, com 0,66 gol por jogo, sendo 31 gols em 47 jogos.
5º – Gabriel Barbosa (BRA) – 31 gols

30 gols pelo Flamengo-BRA
1 gol pelo Santos-BRA
Responsável pelos gols que colocaram o Flamengo de volta ao topo da América na épica final da Libertadores de 2019, Gabriel Barbosa começou a partir daquele ano a construir uma incrível história na principal competição do continente. Além de consagrar seu nome com o título e os gols, o brasileiro foi o artilheiro daquele ano com 9 gols e repetiu a dose em 2021, quando balançou as redes 11 vezes – e outra vez em uma final, embora seu time tenha perdido para o Palmeiras.
Em 2022, Gabigol deixou sua marca com 6 gols, e outro gol na final, dessa vez vencida pelo Flamengo diante do Athletico-PR, o que fez do atacante o primeiro brasileiro a balançar as redes em três finais distintas de Libertadores. Com 31 gols em 60 jogos de Libertadores, Gabigol é um dos poucos atletas que ainda podem brigar pela quarta posição da lista, ou mesmo a vice-liderança – faltam apenas seis gols para ele igualar Fernando Morena.
6º – Miguel Borja (COL) – 31 gols

11 gols pelo Palmeiras-BRA
8 gols pelo River Plate-ARG
7 gols pelo Júnior de Barranquilla-COL
5 gols pelo Atlético Nacional-COL
Campeão da Libertadores de 2016 pelo Atlético Nacional, Miguel Borja é outro artilheiro da era moderna da competição que vem aumentando sua contagem de gols ano a ano. Depois de marcar cinco gols na trajetória verdolaga rumo ao caneco de 2016 – incluindo o gol do título na decisão contra o Independiente Del Valle -, o colombiano marcou mais 11 gols com a camisa do Palmeiras entre 2017 e 2019 – com destaque para os 9 gols de 2018, quando foi artilheiro da Libertadores. Após sua passagem pelo Verdão, o colombiano foi jogar no Junior de Barranquilla e marcou mais 7 gols. Entre 2023 e 2025, já com a camisa do River Plate, Borja marcou 8 gols – seis deles em 2024 – e igualou os 31 gols de Gabriel Barbosa, o que fez dele o maior goleador de seu país na competição, superando o histórico Antony de Ávila. Vamos ver se o atacante ainda terá fôlego para seguir marcando nos próximos anos.
7º – Julio Cesar Morales (URU) – 30 gols

30 gols pelo Nacional-URU
Bicampeão da Libertadores pelo Nacional em 1971 e 1980, Morales é um ídolo histórico do tricolor de Montevidéu e vestiu a camisa do clube entre 1965 e 1973 e 1979 e 1982, após uma passagem pelo Austria Viena-AUT. Com 30 gols em 76 jogos, Morales alcançou um número expressivo de gols na Libertadores mesmo sem nunca ter sido artilheiro. Nos anos em que venceu o torneio, viu seus companheiros ganharam a Chuteira de Ouro: em 1971, Luis Artime, com 10 gols, e em 1980, Waldemar Victorino, com 6 gols.
8º – Lucas Pratto (ARG) – 30 gols

9 gols pelo River Plate-ARG
8 gols pelo Vélez Sarsfield-ARG
7 gols pelo Atlético Mineiro-BRA
6 gols pela Universidad Católica-CHI
O argentino é outro goleador da era moderna que atingiu uma expressiva marca de 30 gols em 96 jogos disputados, com destaque para seus 9 gols com a camisa do River, dois deles na grande, inesquecível e caótica final de 2018 contra o Boca Juniors, quando o River empatou em 2 a 2 o duelo da ida, em La Bombonera, e venceu a volta por 3 a 1 – no Santiago Bernabéu, em Madri (ESP) (oi?!) -, para ficar com o tetracampeonato. Pratto brilhou também com as camisas do Vélez, pelo qual anotou 8 gols, Atlético-MG (7 gols) e Universidad Católica-CHI (6 gols).
9º – Luizão (BRA) – 29 gols

15 gols pelo Corinthians-BRA
8 gols pelo Vasco-BRA
5 gols pelo São Paulo-BRA
1 gol pelo Grêmio-BRA
Um dos principais atacantes brasileiros dos anos 1990 e início dos anos 2000, Luizão começou a brilhar na Libertadores de 1998, quando anotou 7 gols e ajudou o Vasco a levantar sua primeira Glória Eterna, com um gol de Luizão no primeiro jogo da final – vitória por 2 a 0 sobre o Barcelona-EQU – e outro gol no segundo duelo (2 a 1). Ele ainda marcou um gol na campanha vascaína na Liberta de 1999 até se transferir para o Corinthians, onde viveu uma das melhores fases da carreira, principalmente na Libertadores de 2000, quando marcou impressionantes 15 gols em 12 jogos e se tornou o brasileiro com mais gols em uma só edição de Libertadores e o 2º maior artilheiro de uma só edição, atrás apenas de Daniel Onega e seus 17 gols de 1966.
Mesmo com o desempenho avassalador do craque, o Timão foi eliminado nas semifinais para o rival Palmeiras. Depois de marcar mais um gol pelo Grêmio, em 2002, Luizão vestiu a camisa do São Paulo em 2005 e marcou cinco gols – um deles na final diante do Athletico-PR – e entrou para a história como maior artilheiro brasileiro na competição até ser superado recentemente por Gabriel Barbosa. Mesmo assim, Luizão é dono da maior média de gols desta lista de artilheiros: 0,67 gol por jogo, com 29 gols em 43 partidas.
10º – Juan Carlos Sarnari (ARG) – 29 gols

12 gols pela Universidad Católica-CHI
10 gols pelo River Plate-ARG
4 gols pela Universidad de Chile-CHI
3 gols pelo Independiente Santa Fe-COL
Meio-campista de muito talento, seriedade e visão de jogo, Sarnari foi dos grandes craques da história da Libertadores e conseguiu brilhar em três países diferentes, isso mesmo com pouquíssimos títulos na carreira – foram apenas 2, um pela seleção e um pelo Santa Fe. Tudo começou em 1966, quando marcou (como capitão) seis gols na trajetória dos millonarios até a final, perdida para o Peñarol. Na edição seguinte, anotou mais quatro gols, mas deixou o clube para jogar na Universidad Católica, onde virou ídolo e artilheiro da equipe na edição de 1968 com 6 gols – a Católica caiu só na segunda fase. Em 1969, anotou mais seis gols e conduziu a equipe chilena até a semifinal, quando acabou perdendo para o Estudiantes-ARG. Nos anos seguintes, o argentino ainda anotou gols pela Universidad de Chile e pelo Santa Fe, alcançando a marca de 29 gols em 62 jogos.
11º – Antony de Ávila (COL) – 29 gols

27 gols pelo América de Cali-COL
2 gols pelo Barcelona-EQU
Cria das bases do América de Cali, despontou ao lado de Alexander Escobar no time rojo para se transformar no maior artilheiro da história do clube com 208 gols em 492 jogos, além de ser o 2º atleta com mais partidas pelo América. Atacante de muita velocidade e oportunismo, Ávila teve três passagens pelos Diablos: de 1982 até 1987, período áureo do clube, quando o esquadrão vallecaucano disputou três finais de Libertadores seguidas, 1988-1996 e 2009, esta última só para se aposentar. Ávila foi artilheiro da Libertadores de 1996 com 11 gols, desempenho que ajudou o time colombiano a chegar até a final, perdida para o River Plate de Francescoli. Ávila é ainda um dos jogadores com mais jogos na competição continental (94 partidas) e uma lenda incontestável do América e do futebol colombiano.
12º – Alberto Acosta (ARG) – 28 gols

18 gols pela Universidad Católica-CHI
8 gols pelo San Lorenzo-ARG
2 gols pelo Boca Juniors-ARG
Atacante muito identificado com a Universidad Católica e com o San Lorenzo (pelo qual venceu uma Copa Sul-Americana e uma Copa Mercosul), Beto Acosta brilhou nos anos 1990 e começo dos anos 2000 e foi inclusive campeão da Copa América de 1993 pela seleção da Argentina. Em 1997, o argentino brilhou na Libertadores e alcançou a artilharia da competição com 11 gols em 10 jogos, quando a Universidad Católica avançou até as quartas de final, mas acabou derrotada pelo Colo-Colo-CHI. Acosta seguiu goleador com a camisa do San Lorenzo e chegou à marca de 28 gols em 43 jogos disputados na Libertadores.
Curiosidades:
- Vale destacar alguns grandes nomes da história do futebol sul-americano ausentes na lista, mas que possuem bons números. Riquelme, meia argentino que brilhou pelo Boca Juniors, possui 25 gols em 72 partidas. Martín Palermo, outro atacante goleador do Boca, anotou 23 gols em 44 jogos. Raúl Amarilla, paraguaio lenda do Olimpia, possui 22 gols em 40 jogos. Já o Rei Pelé possui 17 gols em 15 jogos, números modestos pelo fato de o Santos não ter priorizado a Libertadores nos anos 1960. Ainda sim, o Rei teve média superior a um gol por jogo (!);
- Os clubes que mais vezes tiveram artilheiros na história da Libertadores são Peñarol-URU e São Paulo-BRA. Cada um já fez o artilheiro do torneio 7 vezes;
- O uruguaio Carlos Borges é o autor do primeiro gol da história da Libertadores, na vitória do seu Peñarol-URU sobre o Jorge Wilstermann-BOL por 7 a 1;
- O jogador mais jovem a marcar um gol na história da Libertadores é o brasileiro Ângelo Gabriel, que balançou as redes pelo Santos, em 2021, na vitória por 3 a 1 sobre o San Lorenzo-ARG, com apenas 16 anos e três meses;
- O jogador mais velho a marcar um gol na história da Libertadores também é um brasileiro: Zé Roberto, do Palmeiras, em 2017, na vitória por 3 a 1 sobre o Atlético Tucumán-ARG, quando tinha 42 anos e 10 meses;
- O único jogador a marcar seis gols em um só jogo de Libertadores foi o boliviano Juan Carlos Sánchez, no jogo Blooming-BOL 8×0 Deportivo Itália-VEN. O atacante anotou 25 gols na história do torneio;
- Enquanto o já citado Daniel Onega é o maior artilheiro de uma só edição de Libertadores, o artilheiro com menor número de gols da história é o argentino Osvaldo Panzutto, que marcou 4 gols pelo Independiente Santa Fe-COL na edição de 1961. Vale lembrar que na época eram apenas oito times na disputa.

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