
Grandes feitos: Campeão da Copa da UEFA (2000-2001), Campeão da Supercopa da UEFA (2001), Campeão Invicto da Copa da Inglaterra (2000-2001), Campeão da Copa da Liga Inglesa (2000-2001) e Campeão da Supercopa da Inglaterra (2001).
Time-base: Sander Westerveld; Marcus Babbel, Stéphane Henchoz, Sami Hyypiä e Jamie Carragher (Ziege); Dieter Hamann, Gary McAllister (Igor Biscan), Steven Gerrard e Danny Murphy (Vladimir Smicer / John Arne Riise); Michael Owen (Robbie Fowler) e Emilie Heskey (Nicky Barmby). Técnico: Gérard Houllier.
“It’s FIVE: We Are Back!”
Por Guilherme Diniz
Até o final dos anos 1980, não tinha para ninguém. Todos tentavam, mas ninguém conseguia superar a hegemonia do Liverpool. Os Reds empilhavam taças e mais taças, jamais se cansavam de celebrar títulos e só aumentavam a distância para os rivais, seja no âmbito nacional, seja no continental. Só que tudo começou a mudar nos anos 1990. O Campeonato Inglês “virou” Premier League, mudanças drásticas foram feitas nos estádios a fim de garantir mais segurança aos torcedores após as tragédias de Heysel e Hillsborough – ambas com o Liverpool envolvido – e o clube de Anfield Road estacionou. Para piorar, viu os rivais vencerem títulos, o Manchester United polarizar a Premier League e até o Blackburn Rovers vencer o principal torneio nacional.
Eram tempos de ostracismo e decepções. Bem, isso até uma nova geração de futebolistas, capitaneados por Steven Gerrard e Michael Owen, recolocar o Liverpool no lugar de onde ele não deveria ter saído: o topo. Em uma temporada simplesmente inesquecível, os Reds venceram um Treble de copas incontestável: Copa da Inglaterra, Copa da Liga Inglesa e Copa da UEFA, esta em uma final imprópria para cardíacos e que plantou a semente de Istambul. Na sequência, vieram ainda os títulos da Supercopa da UEFA e da Supercopa da Inglaterra, o que deu ao clube impressionantes 5 troféus (!) em um só ano, algo que nem os grandes esquadrões dos anos 1980 conseguiram. É hora de relembrar o Liverpool 2000-2001.
Sumário
A garotada da mudança

Sem vencer o Campeonato Inglês desde 1990, a Copa da Inglaterra desde 1992 e a Copa da Liga desde 1995, além de estar na seca de títulos continentais desde 1984, o Liverpool vivia um de seus maiores jejuns recentes de títulos naquela virada de milênio. Precisando de resultados o mais rápido possível, o clube decidiu contratar em 1998 o francês Gerard Houllier, que vinha de um trabalho fantástico como assistente de Aimé Jacquet na seleção da França campeã do mundo em 1998. Houllier foi quem lapidou jovens como Trezeguet e Henry e ajudou na montagem do super elenco campeão dos Bleus, uma característica que a diretoria vermelha via com bons olhos e que poderia ser aplicada nas bases do Liverpool.
O francês traçou um plano de cinco anos de trabalho para reestruturar o clube e limpar o elenco de jogadores problemáticos, em especial os apelidados de “Spice Boys” (em alusão ao sucesso da banda Spice Girls da época) Jamie Redknapp, David James, Neil Ruddock, Steve McManaman, Robbie Fowler e Jason McAteer, que tinham suas virtudes, mas se envolviam em polêmicas dentro e fora de campo que só traziam problemas ao time e não ajudavam na busca por títulos. Outro ponto de virada seria no centro de treinamento de Melwood, que passaria por uma ampla reforma estrutural.

No verão de 1999, Houllier já iniciou uma profunda limpa no elenco e Paul Ince, David James, Jason McAteer, Rob Jones, Tony Warner e Steve Harkness foram negociados, além de Steve McManaman ser liberado após o fim de seu contrato. Para suprir essa debandada, o Liverpool trouxe o zagueiro Sami Hyypiä, o meio-campista Dietmar Hamann, o zagueiro Stéphane Henchoz, o meia Vladimír Šmicer, o goleiro Sander Westerveld, os atacantes Titi Camara e Eric Meijer e o zagueiro Djimi Traoré.
“Contratamos um grupo de jogadores de diferentes países, diferentes ligas e diferentes atitudes — provavelmente mais em sintonia com o que aconteceu em outros lugares. Às vezes, é preciso mudar e evoluir”, comentou Houllier, em entrevista publicada no The Guardian, em 2020.

Além deles, o clube já tinha no elenco profissional uma dupla de jovens de muito talento que seria o símbolo da reconstrução daquele Liverpool: o meio-campista Steven Gerrard e o atacante Michael Owen, que subiram juntos das categorias de base em 1996-1997. A dupla cultivou uma importante amizade que se estenderia nos anos seguintes, fundamental para recolocar o Liverpool no caminho das glórias. Por atuar no meio de campo, Gerrard demorou um tempo para estrear no time principal, pois Redknapp, Patrick Berger e Paul Ince eram os titulares e não davam brecha para aquele magricela de 18 anos, ao contrário de seu companheiro Michael Owen, que já confirmava as expectativas no ataque do time, além de ter brilhado na Copa do Mundo de 1998 com um golaço em um épico duelo contra a Argentina.
Outro que subiu das bases foi o defensor Jamie Carragher, que poderia jogar como lateral ou zagueiro e seria um dos recordistas em jogos pelo clube na história. As primeiras temporadas de Houllier, como esperado, foram de adaptação e reconstrução, por isso, o Liverpool não brigou por títulos. Em 1998-1999, foi 7º colocado na Premier League e caiu precocemente nas copas nacionais. Em 1999-2000, melhorou sua posição no campeonato nacional e ficou na 4ª colocação, embora tenha sucumbido nas copas.
A montagem do esquadrão copeiro

Em 2000, o clube fez mais uma limpa no elenco e trouxe novos nomes como os laterais alemães Markus Babbel (ex-Bayern) e Christian Ziege, os meio-campistas Gary McAllister, Igor Bišćan e Nicky Barmby, e o atacante Emile Heskey. Com a vaga na Copa da UEFA conquistada na temporada anterior, o Liverpool traçou como uma das principais metas vencer o torneio continental, que tinha um peso maior na época com o fim da Recopa da UEFA, antiga segunda principal competição do continente. Na pré-temporada, Houllier fez alguns amistosos e o torcedor pôde ver um time competitivo e com um ataque muito poderoso. O ponto alto foi a goleada de 5 a 0 pra cima do fortíssimo Parma-ITA da época, que tinha nomes como Lilian Thuram, Fabio Cannavaro, Dino Baggio, Fuser, Di Vaio e Benarrivo.
Com um time entrosado, o Liverpool tinha condições de brigar por títulos e duelar de igual para igual com Manchester United e Arsenal, os principais esquadrões ingleses da época. O time-base do técnico Houllier jogaria num 4-4-2 clássico, com Westerveld no gol, Babbel e Carragher nas laterais e a dupla de zaga formada pelo suíço Henchoz e pelo finlandês Hyypiä. No meio de campo, Gerrard jogaria mais pela ponta direita, com características mais ofensivas, além de atuar algumas partidas como volante que aparecia no ataque pelo meio, enquanto Hamann e McAllister ficavam centralizados, na contenção, e o veloz Smicer aberto pela esquerda (Danny Murphy também jogava por ali). Na frente, Heskey e Owen eram os atacantes titulares, com Fowler também aparecendo em vários jogos.
Irregular no campeonato, letal nas copas

A trajetória do Liverpool no Campeonato Inglês de 2000-2001 começou entre altos e baixos. Bem, com mais baixos do que altos, especialmente no primeiro turno. Os Reds perderam para Arsenal (2 a 0), Chelsea (3 a 0), Leeds United (4 a 3), Tottenham (2 a 1), Newcastle (2 a 1) e Ipswich Town (1 a 0, em casa), resultados que mantiveram o clube de Anfield Road na zona intermediária da tabela, sem chances reais de brigar pelo título. Os únicos momentos positivos foram os triunfos nos clássicos contra Everton (3 a 1) e Manchester United (1 a 0, em pleno Old Trafford, com gol de Danny Murphy). Mas seria a partir de novembro de 2000 que o time de Houllier mudaria a chave na temporada ao iniciar uma série de grandes vitórias nas copas e também no campeonato nacional.
Tudo começou na Copa da Liga Inglesa, com vitória por 2 a 1 diante do Chelsea, em Anfield, após empate em 1 a 1 no tempo normal e o gol do triunfo na prorrogação, anotado por Robbie Fowler. Na sequência, os Reds massacraram o Stoke City por 8 a 0 (com mais três gols de Fowler) e passaram pelo Fulham após empate sem gols no tempo regulamentar e vitória por 3 a 0 na prorrogação. Ainda em dezembro, o Liverpool conseguiu uma vitória marcante diante do Arsenal de Wenger por 4 a 0 em Anfield Road, com gols de Gerrard, Owen, Barmby e Fowler. Com seu time ainda distante do topo da Premier League (na 4ª posição), o técnico Houllier foi taxativo sobre as chances do Liverpool de brigar pelas primeiras posições da tabela.
“Não sou um sonhador. Acho que estamos a cinco pontos de distância e não consigo ver o Manchester United a perder dez”.


Na rodada seguinte, a derrota por 1 a 0 para o Middlesbrough esfriou novamente as chances e fez o time despencar para a 6ª posição, mas uma série de seis jogos sem perder colocou os Reds na vice-liderança. Enquanto isso, na Copa da Liga, a equipe eliminou o Crystal Palace na semifinal após derrota na ida por 2 a 1 e vitória por 5 a 0 em Anfield. Na decisão, em Cardiff (País de Gales) – por conta da reconstrução do estádio de Wembley, palco tradicional da final do torneio -, os Reds enfrentaram o surpreendente Birmingham City, comandado pelo técnico Trevor Francis, ex-jogador e ídolo histórico do Nottingham Forest lá dos anos 1970 e 1980.
Com quase 74 mil pessoas no Millenium Stadium, o jogo foi tenso, mas o Liverpool abriu o placar aos 30’, com Robbie Fowler, e segurou a vitória até o minuto final, quando o zagueiro Henchoz cometeu um pênalti ao derrubar Martin O’Connor dentro da área. Na cobrança, Darren Purse bateu e empatou o jogo em 1 a 1. Na prorrogação, o Birmingham City entrou com mais força, mas o Liverpool também levou perigo, embora o placar tenha permanecido inalterado. A taça teve que ser decidida nos pênaltis e Westerveld defendeu o primeiro pênalti do Birmingham City, de Grainger. O Liverpool foi convertendo suas cobranças até Hamann errar e deixar a disputa empatada. Nas cobranças alternadas, Andrew Johnson errou e Carragher fez o gol da vitória vermelha por 5 a 4, que deu o título aos Reds. Era a primeira copa do ano! Mas eles queriam mais.
Reis de Cardiff!

Com o título da Copa da Liga assegurado, o Liverpool seguiu focado nas outras copas e trilhou seu caminho até a final da Copa da Inglaterra. Após eliminar o Rotherham United com vitória por 3 a 0 (dois gols de Heskey e um de Hamann), a equipe bateu o Leeds United em pleno Elland Road por 2 a 0 (gols de Barmby e Heskey), venceu o Manchester City por 4 a 2 em Anfield Road (gols de Litmanen, Heskey, Smicer e Babbel) e derrotou o Tranmere Rovers nas quartas de final por 4 a 2 (gols de Murphy, Owen, Gerrard e Fowler). Nas semis, vitória por 2 a 1 sobre o surpreendente Wycombe Wanderers (gols de Heskey e Fowler) e vaga na final, contra o timaço do Arsenal de Seaman, Tony Adams, Ashley Cole, Ljungberg, Patrick Vieira, Robert Pires, Wiltord e Thierry Henry.
Favoritos, os Gunners queriam salvar uma temporada na qual a equipe terminou 10 pontos atrás do campeão Manchester United. A partida foi equilibrada, com chances para ambos os lados, embora o Arsenal tenha chutado mais ao gol. Com muitas faltas, o duelo foi bastante pegado e terminou sem gols na etapa inicial. No segundo tempo, as redes seguiram intactas no Millenium Stadium até uma defesa ruim de Westerveld sobrar para Grimandi, que passou a bola para Pires e este tocou para Ljungberg, que recebeu e driblou o goleiro para marcar 1 a 0, aos 72’. Dois minutos depois, Henry quase marcou, mas Westerveld defendeu o chute do francês e Hyypiä afastou. Até que, aos 83’, McAllister cobrou falta na área, a zaga cortou mal e Owen, de sem-pulo, marcou um lindo gol para empatar: 1 a 1.
O gol inflou os Reds, que seguiram em busca da virada. E ela veio, aos 88’, quando Patrick Berger, que havia entrado na etapa final, fez um lançamento lá do campo de defesa buscando Owen. O atacante, mesmo cercado por dois marcadores, saiu em velocidade, sua principal arma. Ele ganhou a primeira disputa do lateral Lee Dixon, invadiu a área e, antes da chegada de Tony Adams, chutou cruzado, no canto de Seaman, para marcar um golaço: 2 a 1. Virada dos Reds! E que fase de Owen, jogando muito e decidindo para o Liverpool!







Ao apito do árbitro, o time de Houllier garantiu mais uma taça nacional na temporada e virou o grande “rei de Cardiff” na temporada 2000-2001: dois troféus, duas conquistas! O treinador dos Reds comentou sobre a garra de seu time em busca da vitória. “Em algumas ocasiões, a vontade de vencer é mais importante que a habilidade de vencer”. Owen foi aclamado pela imprensa, que disse que “o Owen da Copa de 1998 reapareceu na final de Cardiff”. O atacante comentou sobre aquele jogo, tempo depois, ao The Telegraph (UK):
“Aquela final foi o melhor dia da minha carreira, o jogo que eu olho para trás mais do que qualquer outro e acho que foi a experiência mais emocionante que já tive jogando futebol”.
A temporada só não foi mais perfeita em solo nacional porque no Campeonato Inglês o Liverpool realmente não conseguiu o título. A equipe terminou na 3ª colocação, com 69 pontos, 11 atrás do campeão Manchester United, que foi derrotado novamente no returno, em Anfield, por 2 a 0 (gols de Gerrard e Fowler). Em 38 jogos, foram 20 vitórias, 9 empates, 9 derrotas, 71 gols marcados e 39 sofridos. Owen (16 gols) e Heskey (14 gols) foram os artilheiros dos Reds na competição e Gerrard ganhou o prêmio de melhor jogador jovem da Premier League. A campanha irregular no turno custou o caneco, enquanto que no returno, os Reds perderam apenas três jogos e, nas últimas sete rodadas, venceram seis e empataram um.
A trajetória na Copa da UEFA

Além de todos os jogos em solo nacional, o Liverpool teve os desafios pela Copa da UEFA, que começou lá em setembro de 2001, contra o Rapid Bucareste-ROM. Na ida, fora de casa, vitória magra por 1 a 0 (gol de Barmby) e empate sem gols na volta, em Anfield. Classificados, os ingleses tiveram pela frente o Slovan Liberec-RCH. Na ida, em casa, o Liverpool sofreu, mas venceu por 1 a 0 com um gol no finalzinho do jogo anotado por Heskey. Na volta, em solo tcheco, Stajner abriu o placar para o Slovan logo aos 9’, mas Barmby empatou ainda no primeiro tempo.
Na etapa final, Heskey virou e Owen deixou o seu. Breda descontou, mas o 3 a 2 colocou o Liverpool na fase 16-avos de final, quando enfrentou o Olympiacos-GRE, do brasileiro Giovanni. Na ida, em um estádio Olímpico lotado em Atenas, Barmby manteve a fase goleadora e abriu o placar para o Liverpool, aos 38’ do primeiro tempo. Na etapa final, Alexandris empatou e, dois minutos depois, Gerrard manteve o Liverpool em vantagem. Já nos acréscimos, Alexandris empatou e deixou a partida aberta para a volta, na Inglaterra.
Houllier deixou Owen e Fowler no banco, a fim de poupar suas estrelas naquela temporada muito puxada, e nem precisou deles. Heskey, aos 28’, e Barmby, aos 68’, fizeram os gols da vitória por 2 a 0 que garantiu o Liverpool nas oitavas de final, quando teve pela frente a velha conhecida Roma-ITA (adversária do clube lá na final europeia de 1984), que seria campeã italiana naquela temporada e tinha estrelas como Samuel, Cafu, Emerson, Nakata, Montella, Candela, Batistuta, Totti e companhia. Na ida, no Estádio Olímpico, o Liverpool manteve a escrita de ser carrasco dos italianos e venceu por 2 a 0, com dois gols de Michael Owen. Houllier destacou a performance do time no pós-jogo.
“Todo o time foi excelente. Fiquei preocupado porque tínhamos jogadores desfalcados por lesão e outros suspensos, enquanto vários jogadores estavam jogando mesmo retornando de lesões, mas os gols do Michael nos deram confiança e a zaga foi excelente”.


Na volta, o Liverpool foi surpreendido e perdeu por 1 a 0, mas o placar foi insuficiente para tirar os ingleses do torneio. Nas quartas de final, a equipe encarou o Porto-POR, com o primeiro jogo empatado em 0 a 0 no Estádio das Antas, em nova grande atuação da zaga vermelha. Na volta, Murphy e Owen fizeram os gols da vitória por 2 a 0 ainda no primeiro tempo e colocaram o Liverpool na semifinal europeia. O adversário derradeiro antes da final foi o Barcelona-ESP, que tinha grandes nomes como Pepe Reina, Frank de Boer, Puyol, Sergi, Luis Enrique, Guardiola, Cocu, Overmars, Rivaldo, Kluivert e um novato Xavi.
Seria um teste e tanto para o time de Houllier, mas a equipe se portou perfeitamente no duelo de ida, no Camp Nou. Com Babbel, Henchoz, Hyypiä e Carragher simplesmente soberbos, os Reds seguraram o 0 a 0 e a decisão ficou para Anfield Road. Jogando diante de quase 45 mil pessoas, o Liverpool conseguiu evitar mais uma vez o forte ataque blaugrana, Rivaldo não fez a diferença e McAllister, de pênalti, fez o gol da vitória por 1 a 0 que colocou o Liverpool em uma final europeia depois de 16 anos, justamente após a Tragédia de Heysel, a maior mancha na história do clube em torneios continentais. Era hora de voltar a levantar um troféu europeu e fazer história.
A alucinante glória e a “semente”

No dia 16 de maio de 2001, o Liverpool entrou em campo no Signal Iduna Park, em Dortmund (ALE), contra um surpreendente Deportivo Alavés-ESP, que havia despachado pelo caminho a Internazionale-ITA (5 a 3 no agregado) e o Kaiserslautern-ALE (9 a 2) de maneira categórica. Embora a diferença entre camisas fosse gritante, o técnico Houllier não estava tão tranquilo assim.
“Alguém chegou a dizer que esta foi a eliminatória mais fácil que poderíamos ter. Não é bem assim. Não vamos cometer esse erro. Se eles estão na final, significa que devem ter um bom time, mas, ao contrário de alguns, esperávamos que eles chegassem à final. Damos muita importância ao que nossos olheiros nos dizem”.
De fato, quando a bola rolou, ficou claro que aquela seria uma final totalmente aberta e que os espanhóis iriam impor dificuldades até então inéditas para a sólida zaga inglesa. E Dortmund foi palco de uma das mais alucinantes finais da história. Logo aos 4’, Gary McAllister cobrou uma falta da direita, a bola viajou toda a área e encontrou a cabeça de Markus Babbel, que abriu o placar para os ingleses: 1 a 0. Aos 16´, a zaga do Alavés saiu tocando errado no campo de defesa, Hamann recebeu e deixou com Owen. O baixinho deu um passe magistral para Gerrard fuzilar e marcar um golaço: 2 a 0.
Dez minutos depois, após uma mexida do técnico do Alavés e algumas alterações táticas, o time espanhol descontou com o romeno Cosmin Contra. O Liverpool reagiu, e, aos 40’, McAllister, de pênalti, ampliou para 3 a 1. No segundo tempo, muita gente só esperava a consolidação do título vermelho. Mas os espanhóis conseguiram, em apenas quatro minutos, colocar fogo no jogo. Aos dois minutos, Contra entortou Carragher, esperou o momento certo e fez mais um lindo cruzamento para que Moreno, de cabeça, diminuísse a vantagem inglesa: 3 a 2.

Dois minutos depois, falta perto da área para o Alavés. Na cobrança, Moreno mostrou inteligência e astúcia ao notar que a barreira iria saltar bastante prevendo uma cobrança colocada. O camisa 9 chutou forte, rasteiro e conseguiu fazer a bola passar por debaixo dos pés do jogador que mais pulou no muro vermelho. O goleiro Westerveld nem sequer se mexeu e o placar cravou um inesperado empate: 3 a 3. Houllier teve que mexer no time e colocou Smicer no lugar de Henchoz e Robbie Fowler no lugar de Heskey. Com mais presença no ataque, as mudanças deram certo e os Reds chegaram ao quarto gol aos 27’, quando McAllister engatilhou um contra-ataque letal e tocou para Fowler, que invadiu a grande área, se livrou dos marcadores e chutou forte: 4 a 3.
Faltava pouco para a glória continental dos Reds. Já pensando em se precaver, Houllier tirou Owen e colocou o meio-campista Patrik Berger a fim de diminuir os espaços e dificultar novas investidas dos espanhóis. Mas ele se esqueceu de que o ponto fraco de seu time era a bola aérea. Dois dos três gols do Alavés haviam sido anotados pelos céus. E, aos 43´, um escanteio da direita fez com que a bola viajasse novamente e encontrasse a cabeça de Jordi Cruyff, que empatou o duelo e forçou uma angustiante prorrogação com morte súbita: 4 a 4 em Dortmund.

Após um primeiro tempo extra sem gols, a segunda etapa reservou as emoções finais. Aos 116’, Gary McAllister mandou para a área em direção a algum grandalhão de seu time. Mas a bola aérea, naquele jogo, só gostava dos jogadores do Alavés. Geli, na tentativa de afastar para fora, acabou mandando para sua própria meta e transformou a cobrança de McAllister em um gol. Contra, tal como o sobrenome do lateral que deu dois gols aéreos ao Alavés. Quanta ironia. E quanta festa com o fim do jogo e os 5 a 4 a favor dos ingleses. Leia mais clicando aqui!

“Quando você joga uma final europeia, você busca a imortalidade. Esses garotos produziram um jogo que será lembrado por muito tempo”. – Gérard Houllier, técnico do Liverpool, após o jogo.
Depois de 17 anos, o Liverpool vencia um torneio continental. De quebra, levantava um “treble de copas” inédito em sua história e se igualava a Internazionale e Juventus como maior campeão da Copa da UEFA na época, com três títulos – isso até o Sevilla virar o rei da competição. Em 13 jogos, o Liverpool venceu 8, empatou 3 e perdeu apenas um. Foram 19 gols marcados e 9 gols sofridos. Michael Owen e Nick Barmby, com 4 gols cada, foram os artilheiros do Liverpool na competição.
A final de Dortmund, com tantos nuances e drama, forjou a mentalidade daquele time para reviver um novo épico anos depois, na final da Liga dos Campeões da UEFA de 2004-2005, diante do Milan, no Milagre de Istambul. Ao término da temporada, o Liverpool disputou 63 jogos, com 39 vitórias, 13 empates, 11 derrotas, 132 gols marcados e 62 gols sofridos. Michael Owen foi o artilheiro do time com 24 gols em 46 jogos, seguido de Emile Heskey, com 22 gols em 56 jogos, e Robbie Fowler, com 17 gols em 48 jogos.
It’s FIVE!

Em agosto de 2001, o Liverpool continuou sua sina copeira e levantou mais duas taças. Primeiro, de novo no Millenium Stadium, em Cardiff, venceu a Supercopa da Inglaterra ao bater o Manchester United por 2 a 1, com gols de McAllister, de pênalti, logo aos 2’, e Owen, aos 16’, com Van Nistelrooy descontando para os Red Devils. Foi a terceira vitória seguida do Liverpool sobre o histórico rival. Dias depois, os ingleses foram até Mônaco disputar a final da Supercopa da UEFA contra o Bayern München-ALE, campeão da Liga dos Campeões da UEFA e com nomes como Oliver Kahn, Kovac, Linke, Sagnol, Hargreaves, Lizarazu, Pizarro, Élber e companhia.
Implacável, o Liverpool começou com tudo e abriu o placar aos 23’, quando Owen disparou pela direita e cruzou rasteiro para Riise (contratado para aquela temporada) completar e fazer 1 a 0. No final do primeiro tempo, Heskey passou como quis por dois defensores, invadiu a grande área e tocou na saída do goleiro Kahn para ampliar. No segundo tempo, segundos após dar a saída de bola, Carragher fez um lançamento longo para o ataque e Michael Owen, oportunista pleno, aproveitou o erro no tempo de cabeçada do zagueiro Thiam, dominou a bola em velocidade e chutou rasteiro, sem chances para Kahn: 3 a 0. Que show!
O Bayern tentou diminuir o vareio nos minutos seguintes e conseguiu: fez um gol aos 57’, com Salihamidžić, e aos 82’, em cabeçada de Jancker após cruzamento de Élber. O jogo ganhou emoção nos minutos finais, mas o Liverpool se segurou e garantiu o segundo título da Supercopa da UEFA aos Reds. Foi a quinta taça do clube no ano, algo inédito e que nem os esquadrões dos anos 1970 e 1980 conseguiram alcançar!
À espera de 2005

Para a sequência da temporada 2001-2002, o Liverpool reforçou seu elenco com as contratações do já citado lateral-esquerdo e ponta John Arne Riise, o atacante Milan Baros e o goleiro Jerzy Dudek, que supriram as saídas posteriores de Ziege, Fowler e Westerveld. Com muitas expectativas, a torcida acreditava em mais títulos, mas o clube decepcionou. Sem o técnico Houllier entre outubro de 2001 e março de 2002, que ficou afastado por causa de uma cirurgia de emergência no coração, o clube não conseguiu superar o Arsenal na disputa do título da Premier League e terminou com o vice-campeonato, sete pontos atrás dos Gunners. Na Copa da Inglaterra, a queda foi já na segunda fase, com revés por 1 a 0 diante do Arsenal. Na Copa da Liga, eliminação logo na primeira fase, em casa, para o modesto Grimsby Town.
Por fim, na Liga dos Campeões da UEFA, a equipe até superou a fase preliminar e as duas fases de grupos da época, mas caiu nas quartas de final diante do Bayer Leverkusen-ALE após vitória por 1 a 0 em Anfield e derrota por 4 a 2 na Bay Arena, em show de Ballack, autor de dois gols. Os Reds só voltariam a levantar um caneco em 2002-2003, quando celebraram a Copa da Liga Inglesa. Após outra época decepcionante em 2003-2004, Gérard Houllier deixou o Liverpool em maio de 2004 para a chegada de Rafa Benítez, que promoveu a grande volta por cima na época 2004-2005, quando os Reds venceram a Liga dos Campeões da UEFA em uma história marcante que você pode ler mais clicando aqui.
O ano de 2001, porém, segue intacto na história do clube como o mais prolífico e laureado da rica trajetória dos ingleses, que venceram cinco troféus e resgataram o orgulho ferido durante anos de decepções, elencos ruins e crises. Com jovens, grande futebol e muito talento, o Liverpool voltou a ser o gigante que sempre foi. E um esquadrão imortal.

Os personagens:
Sander Westerveld: com 1,90m, o goleirão holandês chegou ao Liverpool em 1999 e permaneceu até 2001 como titular absoluto da meta vermelha. Alternava bons jogos com outros nem tanto, e chegou a ser convocado para a seleção da Holanda na época, mas a concorrência quase desleal com Edwin van der Sar minou qualquer esperança do camisa 1, que vestiu a camisa laranja em apenas seis oportunidades na carreira. Por conta dos altos e baixos, foi vendido em 2001 para a Real Sociedad, abrindo caminho para o polonês Dudek virar lenda no clube a partir dali.
Marcus Babbel: grande nome do Bayern München dos anos 1990, o zagueiro e lateral-direito foi um dos principais jogadores do Liverpool entre 2000 e 2004, contribuindo para boas saídas de bola e passes precisos para gols com seus cruzamentos e lançamentos em profundidade. Com 1,91m, era eficiente, também, no jogo aéreo. Disputou 73 jogos e marcou 6 gols pelos Reds.
Stéphane Henchoz: o zagueiro suíço fez uma memorável dupla de zaga com o finlandês Hyypiä nos Reds naquela temporada de ouro e brilhou com suas antecipações, marcação ferrenha nos zagueiros e tiradas marcantes, como a que protagonizou na final da Copa da Inglaterra de 2001 contra o Arsenal, ao evitar um gol certo de Thierry Henry. Foram 205 jogos pelo clube entre 1999 e 2004.
Sami Hyypiä: outro ícone do Liverpool nos anos 2000, o finlandês foi um dos mais regulares atletas do clube e reinou absoluto no miolo de zaga por muito tempo. Além de se sair muito bem na zaga, com grande senso de colocação e eficiência no jogo aéreo, ainda aparecia no ataque para marcar gols – foram 35 gols em 464 jogos pelo clube, além de 11 assistências. Foi capitão do Liverpool em algumas ocasiões até Gerrard assumir o posto. Jogou no Liverpool de 1999 até 2009 e conquistou 10 títulos pelos Reds.
Jamie Carragher: sinônimo de fidelidade, raça e motivação. Assim pode ser definido Carragher, um dos maiores ídolos dos Reds onde, junto a Gerrard, era um dos líderes da equipe. Com incríveis 737 jogos disputados pelo Liverpool (é o 2º na lista dos atletas que mais vestiram a camisa do clube), Carragher veio das categorias de da base, virou titular no profissional e ídolo como um dos pilares das conquistas do clube e do setor defensivo durante 17 anos.
Ziege: lateral com características ofensivas e muito eficiente na armação de jogadas, cruzamentos e chutes de longa distância, Christian Ziege foi uma das principais referências da seleção da Alemanha nos anos 1990 e esteve no time campeão da Eurocopa de 1996. Contratado pelo Liverpool em 2000, fez 32 jogos na temporada, mas sofreu com lesões que acabaram abrindo caminho para Carragher assumir a titularidade no setor. Foi negociado junto ao Tottenham Hotspur já em 2001.
Dieter Hamann: conhecido como o “pitbull de Liverpool”, chegou ao clube na época 1999-2000 e sempre mostrou regularidade e muita garra dentro de campo, sendo muito importante na contenção do meio de campo, nos desarmes e na marcação. Participou constantemente nos títulos do Liverpool até sua saída, em 2006. Foram 280 jogos e 11 gols pelos Reds na carreira.
Gary McAllister: o experiente meio-campista, que começou a carreira no Motherwell-ESC lá em 1981, chegou ao Liverpool em 2000 e, mesmo com 36 anos, esbanjou qualidade e poder de decisão na trajetória da equipe naquela temporada espetacular, na qual McAllister anotou 8 gols em 49 jogos. Especialista em bolas paradas, foi o cobrador oficial de pênaltis e faltas da equipe e virou um ídolo instantâneo da torcida, afinal, foi dele a cobrança de falta que resultou no Gol de Ouro do título da Copa da UEFA. Jogou até 2002 no clube, acumulando 87 jogos e 9 gols.
Igor Biscan: podendo jogar no meio de campo, mais recuado, e também no miolo da zaga, o croata foi um dos coringas do técnico Houllier, que chegou até a utilizá-lo mais aberto, às vezes como lateral ou ponta. Tinha bom senso de colocação e jogou até 2005 no clube. Foram 117 jogos e três gols pelos Reds.
Steven Gerrard: com 50 jogos e 10 gols naquela temporada recheada de títulos, Gerrard catapultou de vez sua história no Liverpool com um futebol primoroso e completo. Podia jogar em qualquer posição do meio de campo e ainda aparecia no ataque com chutes poderosos, passes precisos e gols. Virou uma lenda dos Reds e o 3º jogador que mais vestiu a camisa do clube na história – 710 jogos -, além de anotar 186 gols. Leia muito mais sobre ele clicando aqui!
Danny Murphy: outro meia que brilhou naquele time, Murphy marcou 10 gols em 47 jogos na temporada e, embora atuasse mais no círculo central, acabou jogando mais pelas pontas no esquema do técnico Houllier e se saiu muito bem. Jogou no Liverpool de 1997 até 2004, disputou 249 jogos e marcou 44 gols.
Vladimir Smicer: chegou ao clube em 1999 e conseguiu brilhar na época 2000-2001 com 7 gols em 49 jogos disputados. Rápido e muito técnico, dava mais movimentação ao ataque do time e aparecia bem no setor ofensivo, além de ajudar na recuperação da bola no campo adversário. Sofreu com algumas lesões posteriormente, mas ainda sim marcou seu nome no clube até 2005, quando levantou a Liga dos Campeões da UEFA, com direito a um gol na final contra o Milan.
John Arne Riise: o norueguês era um motorzinho em campo, rápido, habilidoso e versátil. Chegou ao clube em 2001, sendo disputado por três times da Inglaterra na época. Chegou já marcando gol na final da Supercopa da UEFA diante do Bayern e foi fundamental na histórica final da UCL contra o Milan em 2005, dando uma assistência para o gol de Steven Gerrard. Além disso, foi decisivo em muitos outros jogos e um dos jogadores mais utilizados do elenco. Jogou de 2001 até 2008 nos Reds, disputou 348 jogos e marcou 31 gols.
Michael Owen: artilheiro da equipe naquela temporada com 24 gols em 46 jogos, Owen só retificou o papel de ídolo do clube na época e foi essencial na conquista da Copa da Inglaterra, quando virou o jogo com dois golaços. Viveu seu auge exatamente pelo Liverpool, com seus dribles desconcertantes, arrancadas imparáveis e atuações que encheram os olhos do torcedor. Sem dúvida, um dos mais talentosos atacantes da história do Liverpool e que só não teve uma carreira ainda mais laureada por conta das sucessivas lesões que o atormentaram, principalmente após 2001. Foram 158 gols em 297 jogos pelo Liverpool entre 1996 e 2004. Leia mais sobre ele clicando aqui!
Robbie Fowler: revelado pelo Liverpool, o atacante debutou em 1993 e logo de cara anotou 18 gols em 34 jogos em sua temporada de estreia. Artilheiro prolífico, Fowler era um atacante rápido e oportunista, com boa habilidade técnica. Embora fosse canhoto, possuía um chute preciso e potente tanto de dentro quanto de fora da área com ambos os pés. Era um dos membros dos Spice Boys que acabou preservado pelo técnico Houllier e ajudou o Liverpool com bons jogos naquela temporada recheada de títulos. Marcou 17 gols em 48 jogos e deixou o clube para jogar no Leeds United, retornando em 2005-2006. Entre 1993 e 2001, Fowler disputou 330 jogos e marcou 171 gols. Em sua segunda passagem, foram 12 gols em 39 jogos, o que fez dele o 7º maior artilheiro do clube a história com 183 gols em 369 jogos.
Emilie Heskey: após seis anos no Leicester City, o atacante de quase 1,90m de altura e força física chegou ao Liverpool em 2000 para fazer uma grande dupla de ataque com Owen e brilhou na temporada 2000-2001 com 22 gols em 56 jogos. Ele passou a ser convocado constantemente para a seleção e integrou o elenco da Copa do Mundo de 2002. No Liverpool, Heskey jogou até 2004 e anotou 60 gols em 223 jogos.
Nicky Barmby: o meia, que podia jogar também como ponta, fez gols importantes naquela temporada, em especial na Copa da UEFA (4 gols). Habilidoso, deu muitas alternativas para o ataque da equipe ao longo da trajetória do Liverpool em 2000-2001 e marcou 8 gols em 46 jogos.
Gérard Houllier (Técnico): entre 1998 e 2004, o francês conseguiu mudar a história do Liverpool e conduziu o clube a títulos marcantes graças a um elenco jovem, diversificado e muito competitivo. Com o aval da diretoria, teve tempo para “fazer a limpa” nos atletas inutilizados ou problemáticos, trouxe nomes pontuais e conseguiu construir uma equipe capaz de brigar de igual para igual com os poderosos Arsenal e Manchester United. Embora não tenha permanecido para a temporada do título da UCL, seu trabalho serviu de base para Rafa Benítez conduzir os Reds ao topo do continente, afinal, a mentalidade vencedora já estava consolidada em todos os que já haviam trabalhado com Houllier. Entre novembro de 1998 e maio de 2004, Houllier comandou o Liverpool em 307 jogos, venceu 158, empatou 75, perdeu 74 e conquistou seis títulos – os cinco de 2001 e a Copa da Liga de 2002-2003.

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De todos aí o maior destaque vai pro técnico houllier que fez exatamente o contrário que se faz no brasil.primeiro apoio da direção e tempo pra trabalhar com os primeiros anos pra ajeitar a casa e lá a torcida entende e apoia.segundo dispensar medalhões e jogadores problema.terceiro trazer jovens e outros desconhecidos e fazer o time dar liga.quarto com o time na mão buscar todos os títulos possíveis e resultado final cinco em um ano.