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Jogos Eternos – França 0x2 Espanha 2026

Data: 14 de julho de 2026

O que estava em jogo: uma vaga na final da Copa do Mundo da FIFA de 2026

Local: AT & T Stadium, Arlington, EUA.

Árbitro: Iván Barton (ELS)

Público: 70.176 pessoas

Os Times:

França: Maignan; Koundé, Upamecano, Saliba (Lacroix, 30′) e Digne (Théo Hernandez, 72′); Tchouaméni e Rabiot (Koné, intervalo); Dembélé, Olise (Cherki, 72′) e Barcola (Doué, 57′); Mbappé. Técnico: Didier Deschamps.

Espanha: Unai Simón; Pedro Porro (Marcos Llorente, 83′), Cubarsí, Laporte e Cucurella; Rodri, Dani Olmo (Mikel Merino, 77′) e Fabián Ruiz (Pedri, 77′); Lamine Yamal, Oyarzabal (Ferran Torres, 74′) e Álex Baena (Nico Williams, 83′). Técnico: Luis de la Fuente.

Placar: França 0x2 Espanha. Gols: Oyarzabal-ESP (pênalti), aos 22’ do 1º T; Pedro Porro-ESP, aos 13’ do 2º T.

 

“A vitória da verdadeira favorita ”

Por Guilherme Diniz

Dentre todos os clássicos entre seleções do futebol mundial, Espanha e França possuem um dos históricos mais “pesados” do futebol, com duelos em finais e eliminatórias. Tudo começou em 1984, quando a França derrotou a Espanha na final da Eurocopa e foi campeã continental pela primeira vez. Depois, os franceses eliminaram os espanhóis nas quartas de final da Euro de 2000 e nas oitavas da Copa do Mundo de 2006. Em 2012, a Espanha conseguiu um troco ao eliminar os Bleus nas quartas de final da Eurocopa, mas, em 2021, a França voltou a triunfar sobre a França em uma final – da Nations League – e celebrou outra taça europeia diante dos espanhóis.

Só que a equipe ibérica decidiu mudar essa história de poucos triunfos e muitas decepções. Eliminou a França na semifinal da Eurocopa de 2024. Eliminou a França na semifinal da Nations League de 2025. E completou a trinca de vitórias com um triunfo maiúsculo e inesquecível na semifinal da Copa do Mundo de 2026. Em um jogo que foi praticamente uma final antecipada e que reunia os principais elencos de todo o torneio, a Espanha conseguiu neutralizar os badalados nomes do ataque francês, fez com que Mbappé, artilheiro daquela Copa, passasse em branco, e venceu por 2 a 0 com uma autoridade impressionante e inesperada. Se muitos pensavam que teríamos um duelo parelho, o jogo foi de uma equipe só, que controlou o jogo do começo ao fim e ditou o ritmo como quis, com um jogo coletivo perfeito. É hora de relembrar França 0x2 Espanha 2026.

Pré-jogo

O duelo entre Espanha e França era tido como uma “final antecipada” da Copa de 2026, pois ambos eram favoritos desde o início da competição e provaram, jogo a jogo, que não estavam entre os quatro melhores times do Mundial por acaso. De La Fuente valorizou seu time no pré-jogo e disse que não temia a equipe de Deschamps. “É lógico que vamos dar o nosso melhor para vencê-los; acho que eles estão tão preocupados quanto nós. Somos o único time que os derrotou em duas partidas consecutivas. Um grande time enfrentará outro grande time.” De fato, as duas últimas semifinais foram vencidas pela Espanha, tanto na Euro de 2024 quanto na Nations League de 2025. E o treinador sabia como neutralizar as armas francesas: tendo a bola e não deixando a França controlar o ataque como estava acostumada.

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Dani Olmo celebra seu gol no duelo contra a França pela semifinal da Eurocopa de 2024.

Nas partidas anteriores, a Espanha havia dominado seus rivais e vencido de maneira convincente, com exceção de Cabo Verde, que conseguiu segurar os europeus na estreia e empatou sem gols. A Roja derrotou na primeira fase a Arábia Saudita por 4 a 0 e o Uruguai por 1 a 0. Depois, bateu a Áustria por 3 a 0, Portugal por 1 a 0 (este um jogo mais parelho) e Bélgica por 2 a 1. Organizada e com um toque de bola envolvente e irrepreensível, a Espanha era uma equipe que impunha seu jogo e anulava os rivais, que não conseguiam jogar da maneira como estavam acostumados. Só que o time francês era dono de um dos melhores ataques do Mundial e provou isso ao longo do torneio.

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Mbappé vivia grande fase goleadora naquela Copa. Foto: Shaun Botterill / FIFA via Getty Images

Na fase de grupos, os Bleus derrotaram Senegal (3 a 1), Iraque (3 a 0) e Noruega (4 a 1). Na fase final, passaram por Suécia (3 a 0), Paraguai (1 a 0) e Marrocos (2 a 0). Com 8 gols, Mbappé era o grande nome do setor ofensivo francês, que ainda tinha o garçom Olise, o também goleador Dembélé (5 gols) e ainda Barcola e Doué, talentos que podiam decidir a qualquer momento. Deschamps tinha uma seleção ótima e candidata ao título, porém, os últimos anos não provaram a eficiência da equipe quando mais se esperava. E isso passava pelos jogos contra a Espanha, algoz nas duas oportunidades de título que os Bleus tiveram pós-2022: a Eurocopa e a Nations League. E, por isso, o técnico francês jogou o favoritismo para o outro lado.

“Sim, eu confirmo (que a Espanha é favorita). Não quero colocar mais pressão no time do Luis (de la Fuente), mas todos esperam muito da Espanha. Eles podem defender bem, só tomaram um gol nos últimos seis ou sete jogos”, disse o treinador no pré-jogo.

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Do lado espanhol, Oyarzabal era a referência no ataque.

Deschamps ainda comentou sobre possíveis táticas. “A gente sabe os pontos fortes do adversário. Levamos em consideração a qualidade dos nossos atletas, Luis provavelmente estudou nosso time, e eu estudei Lamine (Yamal) e os outros atletas. Todos os jogadores devem tentar limitar as qualidades do outro time. Temos soluções no um contra um, e enfrentar meus jogadores assim não é fácil”. O fato é que a Copa ganharia mais um jogo inesquecível para seu interminável acervo. 

Primeiro tempo – Dianteira espanhola

A partida começou com a França melhor, explorando jogadas em alta velocidade. A primeira veio aos 5’, quando Barcola ganhou dividida com Pedro Porro e, na hora de cruzar, viu Cubarsí afastar para escanteio. Na cobrança, Olise mandou na área e a zaga espanhola afastou o perigo. Dois minutos depois, o mesmo Olise tentou passe em profundidade para Mbappé, mas Laporte interceptou. Aos 15’, a França conseguiu bloquear um ataque espanhol pela esquerda e engatilhou um contra-ataque rápido, com Dembélé lançando para Mbappé. O camisa 10 saiu no mano a mano com a marcação, mas, ao tentar o drible, mais dois espanhóis chegaram. A pressão impediu qualquer ação do atacante, que foi obrigado a devolver para Dembélé e este deixar com Barcola, que tocou para Olise, travado pela marcação.

Foi a primeira transição de perigo da seleção francesa, porém, ficou claro que aquele tipo de jogada e qualquer outra não seria concluída de maneira fácil como eles estavam acostumados. A Espanha pressionava muito e colocava dois, três marcadores perto da bola, enquanto outros também cercavam os mais próximos do lance, evitando qualquer sobra ou jogador livre. Era muita velocidade e muita movimentação, atributos que os adversários anteriores dos franceses não tinham.

Até que, aos 19’, Cucurella avançou pela esquerda e cruzou para a área. A bola ficou com o zagueiro Digne, que errou o tempo de bola e viu a chegada de Lamine Yamal. Na hora de tentar afastar, ele acabou chutando o espanhol e, claro, o árbitro assinalou pênalti. Que erro bobo do defensor! Na cobrança, já aos 22’, Oyarzabal chutou forte, no canto, Maignan foi no lado certo, mas não alcançou: 1 a 0. Roja na frente! O gol deixou a Espanha mais confortável na partida e fez com que os comandados de Luis de la Fuente passassem a atacar mais a França, que, ao invés de ser ainda mais incisiva no ataque, teve dificuldades para construir jogadas. 

França 0x2 Espanha 2026

Aos 28’, Saliba sentiu dores e acabou desfalcando a retaguarda francesa. A troca por Lacroix enfraqueceu ainda mais o setor e possibilitou à Espanha boas chances entre os 33’ e 36’, com Dani Olmo e Pedro Porro, mas os chutes acabaram indo por cima do gol de Maignan. Aos 37’, a Fúria apertou a saída de bola da França, conseguiu a posse na entrada da área e colocou os Bleus na roda. Yamal e Dani Olmo tabelaram e a bola chegou para Fabián Ruiz na pequena área finalizar. De pé em pé, no clássico tiki-taka! Só que, na hora da finalização de Ruiz, Upamecano conseguiu travar e mandou para escanteio. Seria um golaço da Espanha! 

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Os times em campo: o pênalti e a saída de Saliba prejudicaram bastante a França no decorrer da partida. Mas o fato é que a Espanha tomou conta de todo o jogo e não deixou o rival jogar.

Aos 41’, a França teve sua primeira oportunidade depois de muito tempo após Mbappé receber na intermediária, mas Unai Simón, atuando praticamente como um líbero, apareceu para tirar e evitar a finalização do tortuga. Nos minutos finais, a França teve mais posse de bola, só que ficou travada e sem levar perigo ao goleiro Unai Simón. O cenário do jogo era totalmente diferente do previsto. O tão badalado ataque francês estava amarrado, sem dominar nem levar o perigo que tanto levava aos rivais. E a Espanha jogava como se fosse um jogo qualquer, sem sustos, sem dramas, transformando a França em uma seleção comum.

Segundo tempo – A vaga e a trinca no freguês

Precisando de mais combate no meio de campo, Deschamps trocou o fraco Rabiot por Koné no intervalo, na esperança de conseguir conter a movimentação constante de Dani Olmo, Fabián Ruiz e Rodri. Só que o cenário não mudou: a Espanha seguiu dominante e, aos 5’, Yamal recebeu de Pedro Porro, invadiu a área e finalizou para boa defesa de Maignan, apesar do impedimento assinalado posteriormente. No minuto seguinte, foi a vez de Oyarzabal chutar e levar perigo. Aos 9’, a França tentou responder em jogada pela esquerda de Barcola, mas o atacante adiantou demais a bola e Unai Simón ficou com ela. Na sequência, o camisa 12 foi substituído por Désiré Doué.

Aos 13’, a Espanha rondou a área francesa em busca do gol. Rodri tentou lançamento para a direita, mas a zaga tirou. O rebote ficou com Fabián Ruiz, que deixou com Pedro Porro. O lateral partiu pra cima de dois, tabelou com Dani Olmo e invadiu a área completamente livre. Aí, foi só escolher o canto e bater sem chance alguma para Maignan: 2 a 0. Mais um gol arquitetado e tático da Espanha! E que pane na zaga francesa, sempre um problema durante todo o ciclo de Deschamps – como o ataque sempre foi bom, acabou mascarando essa deficiência dos Bleus, que levavam muitos gols e deixavam espaços clamorosos.

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Pedro Porro fechou a conta para a Espanha. Foto: REUTERS/Hannah Mckay

Apenas três minutos depois, Lamine Yamal recebeu na ponta direita, deu um lindo corte em Digne e finalizou no ângulo para fazer um golaço. O gol, porém, foi anulado por impedimento. Só aos 19’ que a França apareceu no ataque com perigo, em lance com Mbappé pela esquerda que Unai Simón fechou o ângulo e defendeu. Minutos depois, Mbappé conseguiu chutar cruzado, na entrada da área, mas Cucurella conseguiu desviar a trajetória da bola, que passou muito perto da trave do goleiro espanhol.

Após a pausa para hidratação e mexidas nos dois lados, a Espanha tentou o terceiro e quase fez aos 32’, quando Baena cruzou na área e Ferran Torres subiu para cabecear, mas a bola foi para fora. Tempo depois, a França teve boa chance pelo meio que Unai Simón, jogando mais como líbero do que como goleiro, saiu do gol e evitou a finalização de Mbappé. No rebote, Doué tentou surpreender o goleiro fora do gol, mas pegou mal na bola e o próprio Simón defendeu com as pernas. O atacante deveria ter tocado para Cherki, livre na meia-lua. Faltou comunicação…

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Aos 43’, a França teve falta perto da área e Mbappé chutou muito forte, por cima do gol. Já nos acréscimos, a torcida espanhola gritou “olé” durante uma troca de passes do time ibérico, na contagem regressiva da final. Os Bleus tiveram duas chances já perto do fim, ambas com Dembélé, mas Unai Simón defendeu sem problemas. Ao apito do árbitro, o triunfo por 2 a 0 colocou a Espanha na final do Mundial exatos 16 anos depois do título de 2010. De quebra, fez a Roja completar a trinca de vitórias sobre a França em semifinais recentes dos principais torneios do mundo: Eurocopa, Nations League e Copa do Mundo. Se havia uma favorita naquele Mundial, a Espanha deixou claro qual era. Apenas ela. 

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

França: a derrota dos Bleus foi tida como um apagão e frustrante, principalmente pelo fato de o tão badalado ataque não ter marcado nenhum gol e nem criado as chances vistas nas partidas anteriores. Para piorar, a imprensa francesa divulgou que, no intervalo, o atacante Ousmane Dembélé teria criticado duramente a forma como seus companheiros de equipe praticavam a pressão no campo espanhol, o que teria gerado bastante descontentamento nos jogadores, que acusaram o atacante de desviar a atenção de suas próprias falhas no jogo. O fato é que o desempenho do time foi muito abaixo do esperado.

“Os jogadores estão arrasados, mas temos que ser lógicos: fomos tecnicamente inferiores. A culpa é nossa. Mas vou fazer uma pergunta: o árbitro estava à altura de apitar uma semifinal? Não vou responder a isso. Houve várias situações… Mas o principal motivo é que simplesmente estivemos abaixo do nosso nível, com alguns erros técnicos, passes que poderiam ter resultado em oportunidades. Faltou-nos precisão técnica e energia. Os espanhóis são muito bons a quebrar ataques com antecipação e passes. Gostaríamos de ter criado mais problemas para eles no ataque”, comentou o técnico Deschamps no pós-jogo. 

Na disputa pelo terceiro lugar, a França enfrentou a Inglaterra e fez um primeiro tempo pavoroso, no qual perdeu por 4 a 0, com vários reservas. No segundo tempo, titulares entraram e ofereceram mais combate, mas foi tarde demais: a Inglaterra venceu por 6 a 4, escancarando os enormes problemas defensivos dos Bleus no ciclo Deschamps, encerrado naquele dia com o saldo de um título da Copa (2018) e um vice (2022), um título da Nations League (2021), um vice da Eurocopa (2016) e eliminações dolorosas para a Espanha em 2024, 2025 e 2026.

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Espanha: o técnico De La Fuente celebrou a vitória espanhola com entusiasmo. “Hoje nós enfrentamos uma das grandes seleções do mundo, que tem os melhores jogadores do mundo, mas temos também o melhor time do mundo. Esses jogadores sempre deixam tudo em campo e mostram dia após dia esse compromisso, com sua generosidade, sua solidariedade e seu talento. É maravilhoso vê-los jogar, é um espetáculo. Eles fazem tudo ser mais difícil para o adversário. Estou bastante orgulhoso e feliz”. Ele ainda relembrou a mentalidade vencedora do elenco.

“Eu vejo um vestiário feliz e uma nação nos apoiando. Recuperamos o espírito de 2010. O caráter desta equipe fica evidente no fato de que aqueles que não jogaram permaneceram para treinar após a partida”.

Na final, a Roja encarou a Argentina e mais uma vez não deixou o adversário jogar: controlou o jogo inteiro e, apesar da falta de objetividade e pontaria, venceu na prorrogação por 1 a 0, celebrando o bicampeonato mundial. Leia mais clicando aqui!

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