Por Guilherme Diniz
De um lado, o clube argentino com mais títulos internacionais em todos os tempos – 18 troféus. Do outro, o clube brasileiro com mais títulos internacionais em todos os tempos – 12 troféus. Seis títulos mundiais. Nove Copas Libertadores. Três Copas Sul-Americanas. Dezenas de títulos nacionais. E muita, mas muita história. Boca Juniors e São Paulo são dois colossos do futebol que, curiosamente, se encontram poucas vezes. É como um Brasil x Alemanha no âmbito de seleções: um duelo de gigantes que só foi visto míseras duas vezes em quase 100 anos de Copas do Mundo, por exemplo – uma final, em 2002, e uma semifinal, em 2014.
Por isso, quando xeneizes e tricolores se enfrentam, é um evento imperdível. Eles já decidiram final de Recopa, vaga em Sul-Americana, mas, acredite, jamais se enfrentaram em uma Libertadores. E, neste ano de 2026, argentinos e brasileiros têm encontro marcado nas quartas de final da Copa Sul-Americana, nos primeiros jogos entre a dupla depois de 19 anos. É hora de relembrar os grandes jogos na história entre Boca e São Paulo!
Sumário
São Paulo 0x1 Boca Juniors – Amistoso – 1947
A primeira partida da história entre a dupla aconteceu em janeiro de 1947, em um amistoso disputado no Pacaembu. Com um gol de Boyé, o Boca conseguiu a vitória por 1 a 0 e surpreendeu o grande time tricolor da época, que era conhecido como Rolo Compressor e colecionava títulos em SP. Um ano depois, as equipes voltaram a se enfrentar em um amistoso, de novo no Pacaembu, e o Boca repetiu o placar: 1 a 0. O troco tricolor só viria alguns anos depois.
São Paulo 4×0 Boca Juniors – Torneio Internacional Roberto Gomes Pedrosa – 1956
Com dois gols de Gino, um de Maurinho e outro de Canhoteiro, o tricolor venceu sua primeira partida contra o Boca de goleada, no Pacaembu: 4 a 0. A vitória foi válida pelo Torneio Internacional Roberto Gomes Pedrosa, realizado pela Federação Paulista de Futebol no mês de abril de 1956 e que reuniu, além do tricolor, os convidados Nacional-URU e Newell’s Old Boys-ARG, além de Corinthians, Palmeiras, Portuguesa e Santos. O torneio acabou suprindo a lacuna deixada pelo Torneio Rio-SP, que não aconteceu por conta da recusa dos clubes cariocas de participar da competição na época.

Com isso, foi realizada a fase internacional, com jogos entre os clubes paulistas contra os estrangeiros, e a fase nacional, apenas com os paulistas. Ao final, o Santos terminou campeão da fase internacional (o São Paulo ficou em 4º), enquanto o Boca teve o pior desempenho entre os participantes – uma vitória e quatro derrotas em cinco jogos. Já o São Paulo terminou campeão da fase nacional, com triunfo decisivo sobre o Santos por 5 a 3.
Boca Juniors 5×2 São Paulo – Amistoso – 1960
Na primeira partida entre a dupla em solo argentino, o Boca enfrentou o tricolor no campo do Huracán e venceu por 5 a 2. Os xeneizes tinham um forte time na época, que, dois anos depois, seria vice-campeão da Copa Libertadores, quando foi derrotado pelo Santos de Pelé. Já o São Paulo passava por um período complicado por conta da construção do estádio do Morumbi, que sugou os principais recursos do clube durante anos.
Ratauskas, contra, abriu o placar para o Boca no primeiro tempo e Roberto Froijuello empatou para o tricolor ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, Rattín deixou o Boca na frente e Garabal ampliou. Froijuello fez mais um para o tricolor, mas José Sasía, aos 88’ e aos 89’, fechou os 5 a 2 dos argentinos.
Boca Juniors 1×5 São Paulo – Torneio Internacional de Verão – 1961
Em janeiro de 1961, foi realizado o Torneio Internacional de Verão – também chamado de Octogonal de Verão -, com oito clubes da América do Sul: Corinthians, Flamengo, São Paulo e Vasco, do Brasil, Boca Juniors e River Plate, da Argentina, e Cerro e Nacional, do Uruguai. A competição foi estilo turno único, todos contra todos, com jogos em várias cidades. O duelo entre Boca e tricolor aconteceu no dia 25 de janeiro, com os argentinos como mandantes, em La Bombonera. E, no dia de seu aniversário, o São Paulo simplesmente goleou o Boca sem dó nem piedade.
Baiano, aos 18′, Agenor, aos 30′, e Gonçalo, aos 41′, abriram 3 a 0 só no primeiro tempo. Na segunda etapa, Baiano fez mais um e Agenor fez 5 a 0. Loayza fez o único gol do Boca, aos 81′, mas de nada adiantou. O placar foi o maior já registrado no duelo na época e a maior goleada do tricolor sobre os xeneizes na história. Uma curiosidade é que o Boca era comandado na época por Vicente Feola, técnico campeão do mundo com a seleção em 1958, enquanto o tricolor era dirigido por Flávio Costa, lendário técnico do Expresso da Vitória do Vasco e também da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950. O Torneio acabou vencido pelo Flamengo, que venceu cinco jogos e perdeu dois dos sete que disputou. O Boca ficou em terceiro e o São Paulo apenas na sétima colocação.
Boca Juniors 1×0 São Paulo / São Paulo 1×1 Boca Juniors – Semifinal da Copa Ouro de 1993
Argentinos e brasileiros disputaram ainda dois amistosos em 1961 – ambos terminaram empatados em 1 a 1 – e só voltaram a se enfrentar mais de 30 anos depois, em 1993, na edição inaugural da extinta Copa Ouro, que reunia clubes campeões das grandes competições vigentes da Conmebol na época. Com isso, a edição de 1993 reuniu o campeão da Libertadores de 1992 (São Paulo), o campeão da Supercopa da Libertadores de 1992 (Cruzeiro), o campeão da Copa Conmebol de 1992 (Atlético-MG) e o campeão da Copa Master da Supercopa de 1992 (Boca Juniors).

No sorteio, o tricolor encarou o Boca e viajou até a Argentina para o duelo semifinal com um time misto, com o novato Rogério Ceni no gol, e nomes como Ronaldão, Lula, Vítor, Ronaldo Luíz, Dinho, Juninho Paulista, Toninho Cerezo, Gustavo Matosas, Pintado e Guilherme. Já o Boca apostava em nomes como o goleiro colombiano Navarro Montoya, Medero, Soñora, Carlos Mac Allister (pai do meio-campista campeão do mundo com a Argentina em 2022, Alexis Mac Allister), Luis Carranza, Carlos Tapia, Manteca Martínez, Gustavo Neffa, entre outros.
O tricolor tentou segurar o empate, mas um gol de Manteca Martínez, aos 85’, deu a vitória aos xeneizes por 1 a 0. Na volta, no Pacaembu super vazio – pouco mais de 7 mil pessoas, em uma mostra de que o torcedor só tinha foco no Mundial Interclubes, pois o São Paulo já havia vencido o bicampeonato da Libertadores -, o tricolor teve que superar a retranca xeneize e só conseguiu fazer 1 a 0 aos 72’, em gol de Matosas. O 1 a 0 permaneceu e a decisão da vaga na final foi para a prorrogação, que tinha Gol de Ouro. Nela, o Boca foi pra cima e fez um gol logo no primeiro minuto, com Sergio Martínez. A equipe foi para a final contra o Atlético-MG, que superou o Cruzeiro na outra semifinal. Os xeneizes empataram sem gols em Belo Horizonte na ida e venceram por 1 a 0 na volta, em casa, e ficaram com o título.
Boca Juniors 2×0 São Paulo / São Paulo 1×0 Boca Juniors – Semifinal da Supercopa da Libertadores de 1994
Na temporada seguinte, argentinos e brasileiros voltaram a se enfrentar em uma competição da Conmebol, dessa vez na semifinal da Supercopa da Libertadores, torneio que reunia apenas clubes campeões da América. O Boca havia superado Peñarol-URU e River Plate-ARG, enquanto o São Paulo vinha de triunfos sobre Atlético Nacional-COL e Colo-Colo-CHI, mas ainda tinha na memória o dolorido revés na final da Libertadores diante do Vélez Sarsfield-ARG. Por isso, enfrentar um novo adversário argentino naquela Supercopa trouxe fantasmas do passado aos tricolores, que não resistiram ao duelo da ida, em La Bombonera, e perderam por 2 a 0.
Na volta, Caio Ribeiro fez 1 a 0 para o São Paulo no segundo tempo, mas o time brasileiro não conseguiu chegar aos 2 a 0 e o Boca foi para a decisão, na qual perdeu para o Independiente e ficou com o vice.
São Paulo 1×0 Boca Juniors / Boca Juniors 2×3 São Paulo – Triangular Classificatório da Supercopa da Libertadores de 1995
Com mais clubes na disputa, a Conmebol teve que aprontar das suas para conseguir criar o mata-mata característico da Supercopa. E, para definir uma das equipes classificadas para as quartas de final, ela colocou Boca Juniors, São Paulo e Olimpia-PAR em um triangular todos contra todos, em jogos de ida e volta, para ver quem ficaria com uma única vaga. O primeiro compromisso do São Paulo foi justamente contra o Boca, no Pacaembu, e o tricolor venceu por 1 a 0, gol de Caio Ribeiro. Os brasileiros venceram o Olimpia no Paraguai por 2 a 1 no segundo jogo e, na terceira partida, foram até La Bombonera para o segundo duelo contra o Boca.

Mesmo levando um gol de Alberto Márcico, aos 45’+’1 do primeiro tempo, o São Paulo estava disposto a acabar com a sina de eliminações diante dos xeneizes e empatou com Amarildo, aos 59’. O mesmo Amarildo virou o jogo, aos 65’, mas Walter Pico empatou. Faltando três minutos para o fim, Caio Ribeiro provou ser o carrasco do Boca na época e marcou mais um gol, decretando a vitória por 3 a 2 que classificou o tricolor. Nas quartas, porém, a equipe foi eliminada pelo Cruzeiro nos pênaltis.
Boca Juniors 5×1 São Paulo / São Paulo 1×1 Boca Juniors – Grupo C da Copa Mercosul de 1999
De um jeito ou de outro, o Boca sempre consegue suas vinganças no futebol. E ele foi paciente até acertar as contas contra o São Paulo. Os xeneizes sabiam que a maior goleada da história do confronto era aquele 5 a 1 do tricolor em plena La Bombonera. Pois o Boca repetiu o placar em 1999, no Grupo C da Copa Mercosul daquele ano. Jogando na casa do Ferro Carril Oeste, o Boca, já com seu timaço comandado por Carlos Bianchi e nomes como Óscar Córdoba, Walter Samuel, Arruabarrena, Ibarra, Serna, Basualdo, Riquelme, Guillermo Schelotto e companhia, passeou sobre o São Paulo de Paulo César Carpegiani, que vivia um jejum de grandes títulos, mas tinha nomes memoráveis do torcedor como Rogério Ceni, Edmílson, Marcelinho Paraíba, Raí e França.


O problema era a zaga, formada na época por Nem, Wilson e Márcio Santos… E, claro, a força do Boca, que abriu 3 a 0 em apenas 22 minutos. Logo aos 3’, Schelotto recebeu cruzamento e bateu no contrapé de Rogério. Dez minutos depois, de pênalti, Schelotto ampliou para 2 a 0. E, aos 22’, Ibarra entrou livre na área e bateu na saída de Rogério. Aos 30’, em um contra-ataque, Raí diminuiu, tocando no canto rasteiro de Córdoba. Só que o Boca Juniors voltou a marcar cinco minutos depois, após Nem cometer pênalti infantil e Schelotto marcar seu terceiro gol na partida.
No segundo tempo, o São Paulo tentou ameaçar o gol argentino e perdeu duas chances, com Sandro Hiroshi e Raí. Mas, no último minuto, Barijho fechou o 5 a 1 dos argentinos. Foi a pior derrota do São Paulo em torneios internacionais na história. No returno do grupo, o São Paulo empatou com o Boca em 1 a 1, resultado que acabou prejudicando a tentativa de classificação da equipe brasileira, que terminou na terceira colocação.
O Boca terminou em segundo e poderia avançar como um dos melhores segundos colocados, mas acabou eliminado após sorteio entre ele e o Corinthians, que terminou empatado com os xeneizes nos critérios de classificação e venceu o sorteio realizado na sede da Conmebol. O campeão daquele ano foi o Flamengo, que derrotou o Palmeiras na final.
Boca Juniors 2×1 São Paulo / São Paulo 2×2 Boca Juniors – Final da Recopa Sul-Americana de 2006
Os maiores jogos da história do confronto aconteceram em 2006, na grande final da Recopa Sul-Americana. O São Paulo, campeão da América e do mundo em 2005, enfrentou um embalado Boca, campeão da Copa Sul-Americana em 2005 e em grande fase sob o comando do técnico Alfio Basile. No primeiro jogo, em La Bombonera, o time brasileiro, mesmo cheio de desfalques, começou melhor e marcou 1 a 0 após Danilo passar pela bola e ela sobrar para Thiago Ribeiro, que driblou um zagueiro e finalizou de fora da área. A conclusão foi no meio do gol de Bobadilla, que falhou e tomou um frango incrível.

O problema é que a equipe de Muricy Ramalho recuou demais e começou a dar espaços ao Boca, principalmente após a saída de Aloísio, aos 34’, por lesão – o atacante era uma referência no ataque e um perigo constante aos defensores xeneizes. O Boca aproveitou essa fragilidade e tomou conta do jogo, em especial no segundo tempo. Rodrigo Palacio, aos 53’ e aos 63’, fez os gols da virada xeneize e os 2 a 1 deram a vantagem argentina para a volta.
“Erramos muito na marcação, principalmente no segundo tempo, e poderíamos ter levado até mais gols. Demos muitos espaços para o Boca Juniors e conseguimos um resultado que podemos reverter na partida de volta”, comentou o goleiro tricolor Rogério Ceni no pós-jogo.

Na volta, no Morumbi, Muricy escalou apenas Thiago Ribeiro como atacante fixo, mas surpreendeu o Boca com uma marcação forte e pressão na saída de bola, principalmente pelas laterais, com Souza pela direita e Júnior pela esquerda – dupla que fez muita falta no duelo de ida. O primeiro gol tricolor saiu aos 34’, quando o zagueiro Alex Silva roubou uma bola pela direita e tocou na frente para Souza, que fez um lindo lançamento em diagonal para Júnior. O lateral-esquerdo invadiu a área, dominou e tocou de bico, no canto direito de Bobadilla.
Ao invés de seguir na pressão, o São Paulo parou e o Boca aproveitou: aos 39’, Cardozo fez lançamento longo da esquerda para a área e encontrou o centroavante Palermo. O camisa 9 desviou de cabeça e Palacio, também de cabeça, completou dentro da pequena área para empatar o jogo. Cometendo muitos erros, o São Paulo não conseguia definir e pouco criava no ataque. No segundo tempo, as mexidas de Muricy não surtiram efeito e o Boca praticamente liquidou a partida aos 76’, quando Souza tentou um lance individual na direita, demorou para soltar a bola e foi desarmado. No contra-ataque, a defesa tricolor não conseguiu cortar um lançamento e a sobra ficou com Palermo, que invadiu a área e tocou de pé direito, no canto de Rogério Ceni: 2 a 1.

Faltando cinco minutos para o fim, Alex Dias carregou pela esquerda e cruzou rasteiro. Dentro da pequena área, Rodríguez tentou cortar e marcou contra, mas o gol não animou o São Paulo, que acumulou seu terceiro vice na temporada: Paulista, Libertadores e Recopa. Só no final do ano que o tricolor iria celebrar um título, graças à conquista do Brasileirão.

Já o Boca fez a festa no Morumbi pela terceira vez – assim como nas finais das Libertadores de 2000 e 2003 – e levantou sua quinta taça seguida na época. Afinal, o clube havia vencido o Campeonato Argentino (Apertura) de 2005, a Copa Sul-Americana de 2005, a Recopa de 2005, o Campeonato Argentino-Clausura de 2006 e a Recopa de 2006. No ano seguinte, com o reforço de Riquelme, o time levantou a Libertadores e coroou uma nova era recheada de títulos. Leia mais clicando aqui!
Boca Juniors 2×1 São Paulo / São Paulo 1×0 Boca Juniors – Oitavas de Final da Copa Sul-Americana de 2007
O troco tricolor veio já na temporada seguinte, nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Campeão da América em junho, o Boca era favorito diante de um São Paulo que seguia tropeçando em competições da Conmebol, mas que dominava o Campeonato Brasileiro – o clube foi bicampeão consecutivo naquele ano. Mesmo sem Riquelme, o time xeneize ainda tinha boa parte do elenco campeão como Caranta, Ibarra, Maidana, Dátolo, Battaglia, Ledesma, Palermo e Palacio, além do técnico Miguel Ángel Russo.


Já o São Paulo tinha uma equipe mais leve, rápida e criativa, além de uma zaga que era um verdadeiro paredão como Miranda, André Dias e Breno, uma linha de quatro no meio com Souza, Richarlyson, Hernanes e Jorge Wagner, e um ataque ora formado por Leandro, Aloísio Chulapa e Hugo, ora por Leandro, Borges e Dagoberto. No duelo de ida, em La Bombonera, o jogo começou com domínio do Boca, mas o São Paulo teve boas chances com Breno e em cobrança de falta de Rogério Ceni. Porém, aos 26 minutos, Morel Rodríguez avançou pela esquerda e cruzou na área. A bola encontrou o artilheiro Palermo, que chutou e fez 1 a 0.
No segundo tempo, o tricolor foi pra cima, mas cedeu um contra-ataque e levou o segundo aos 83’, de novo com Palermo. Quando tudo estava perdido, eis que Borges aproveitou passe de Miranda e descontou, aos 90’, resultado que deixou tudo aberto para a volta, no Morumbi, duelo no qual o técnico Muricy Ramalho apostou em Leandro e Dagoberto pelas pontas e Borges mais centralizado para destronar o rival. E a partida foi digna de Libertadores, com as duas equipes brigando muito pela bola em um Morumbi com mais de 46 mil pessoas.

Se o Boca assustava em alguns ataques, o São Paulo respondia na velocidade com Dagoberto, pela esquerda. E foi dele o cruzamento para a melhor chance do time no primeiro tempo, quando a bola encontrou Leandro, que dominou, mas bateu para fora.
O tempo passava e os argentinos tentavam gastar o tempo, com o goleiro Rogério pedindo mais pressa nos lances. Na etapa final, Muricy tirou Borges e colocou Aloísio Chulapa. E a mudança surtiu efeito, pois o centroavante recebeu de Dagoberto, aos 53’, matou no peito, usou seu corpanzil para afastar a marcação de dois jogadores xeneizes e fuzilou o goleiro Caranta para fazer 1 a 0.

A partir dali, o jogo ficou dramático, cheio de catimba e com o São Paulo segurando o resultado, pois na época valia o gol qualificado. O Boca até tentou pressionar na base do chuveirinho nos minutos finais, mas a ótima zaga tricolor passou ilesa. A vitória por 1 a 0 classificou o tricolor e foi o prenúncio da derrocada dos xeneizes, que foram derrotados na final do Mundial de Clubes da FIFA daquele ano pelo Milan-ITA e não conseguiram mais levantar nenhum título internacional desde então. Já o São Paulo acabou eliminado nas quartas de final da Copa Sul-Americana pelo Millonarios-COL.
Uma anedota curiosa foi do atacante Aloísio, que disse no pós-jogo, sempre bem humorado, que jogou no sacrifício após o gol.
“Eu senti um estiramento, mas eu disse ao professor Muricy Ramalho que queria ficar em campo e que ia para o pau. Se estourasse tudo eu ficaria um mês fora, mas pelo menos não perderia um jogo como esse”, disse o atacante.
Boca Juniors x São Paulo – Quartas de Final da Copa Sul-Americana de 2026
Exatos 19 anos depois dos duelos de 2007, os titãs voltam a se enfrentar em um torneio da Conmebol, tido como uma verdadeira final antecipada da Copa Sul-Americana de 2026. Os clubes vivem momentos parecidos, com seus times jogando mais pela camisa e pelo passado glorioso do que talento. Do lado xeneize, a Sula virou o consolo depois da eliminação na Copa Libertadores e a esperança de um título continental que não vem desde a Liberta de 2007. Já o São Paulo também se apega ao que lhe restou na temporada, já que não tem chances de título no Brasileirão – muito pelo contrário… – e deu adeus à Copa do Brasil. Sem favoritos, o duelo promete muitas emoções, nostalgia e a tentativa do tricolor em igualar o rival em número de vitórias em duelos eliminatórios, afinal, os argentinos estão na frente com três triunfos contra dois do São Paulo.
Números de destaque:
- 20 jogos
- 8 vitórias do Boca Juniors
- 7 vitórias do São Paulo
- 5 empates
- 29 gols do Boca Juniors
- 29 gols do São Paulo
Curiosidades e dados de Boca Juniors x São Paulo:
- O Boca eliminou ou derrotou o São Paulo em três competições eliminatórias: Copa Ouro de 1993; Supercopa da Libertadores de 1994 e Recopa Sul-Americana de 2006;
- O São Paulo eliminou ou derrotou o Boca Juniors em duas competições: Supercopa da Libertadores de 1995 e Copa Sul-Americana de 2007;
- Guillermo Schelotto, Rodrigo Palacio, Martín Palermo e Caio Ribeiro são os maiores artilheiros do duelo, cada um com três gols marcados;
- Jogando no Morumbi, o São Paulo nunca perdeu para o Boca Juniors;
- Jogando em La Bombonera, o Boca perdeu para o São Paulo duas vezes: em 1961, no Torneio Internacional de Verão (5 a 1), e em 1995, na Supercopa da Libertadores (3 a 2).

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