Esquadrão Imortal – Nottingham Forest 1977-1980

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Grandes feitos: Bicampeão da Liga dos Campeões da UEFA (1978/1979 e 1979/1980), Campeão da Supercopa da UEFA (1979), Campeão Inglês (1977/1978), Bicampeão da Copa da Liga Inglesa (1977/1978 e 1978/1979) e Campeão da Supercopa da Inglaterra (1978).

Time base: Peter Shilton; Viv Anderson, Frank Clark (Frank Gray), Kenny Burns e Larry Lloyd; John McGovern, John Robertson (Bryn Gunn), Ian Bowyer (Archie Gemmill) e Trevor Francis (Martin O´Neill); Garry Birtles e Tony Woodcock (Gary Mills). Técnico: Brian Clough.

 

“A mais meteórica das ascensões”

Aqui no Brasil, de 2000 até 2004, um clube chamou a atenção pela meteórica e surpreendente ascensão no cenário futebolístico nacional e até continental em tão pouco tempo: o São Caetano. O clube do ABC paulista virou, de uma hora para outra, um clube temido, aguerrido, competitivo e que fez história ao chegar aos vice-campeonatos do Campeonato Brasileiro (2000 e 2001) e da Copa Libertadores (2002). Porém, a história do Azulão não foi novidade no futebol. No final da década de 70, outro clube, dessa vez da Inglaterra, conseguiu igual ascensão meteórica, mas que teve mais brilho e foi ainda mais marcante: o Nottingham Forest, que passou de um mero clube da segunda divisão do futebol inglês a bicampeão europeu. De 1977 até 1980 foram 7 conquistas, sendo 3 títulos continentais e 4 nacionais. O clube mostrou que não são apenas estrelas que fazem um grande time, mas sim a união, a força de vontade e a gana por vitórias. Claro, ter um goleiro como Peter Shilton e um técnico como Brian Clough e seu assistente, Peter Taylor, ajudou muito a trajetória do Forest. O Imortais relembra agora uma das maiores façanhas do futebol mundial.

Mudando de posição

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O Nottingham Forest era uma equipe mediana e de pouco brilho no futebol inglês até meados da década de 70. O time nunca havia ganhado um campeonato nacional e ostentava apenas duas FA Cup como principais títulos, além de troféus de divisões inferiores. Foi então que em 1975 chegou ao clube a pessoa mais importante na história do time: o técnico Brian Clough. O treinador assumiu o time debaixo de muita desconfiança por parte da torcida por ele ter dirigido o maior rival do Forest, o Derby County, e ter tido muito sucesso por lá, tendo conquistado, inclusive, um Campeonato Inglês. Clough chegava ao clube do mesmo jeito que havia chegado ao Derby, com o time na segunda divisão e precisando de um “boom” para tentar a glória na liga inglesa. Logo em seus primeiros anos, ele conseguiu levar o time ao acesso à primeira divisão de 1977/1978. O time era modesto, não tinha estrelas e sabia que não cair era o grande desafio na temporada 1977/1978. Porém, o Forest conseguiria muito mais que isso.

Despontando no país

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Na temporada 1977/1978, o Nottingham começou a fazer história. Com uma equipe muito bem montada por Clough, o time se tornou um dos pouquíssimos clubes a vencer o Campeonato Inglês um ano após conseguir o acesso à primeira divisão. O time deixou para trás grandes titãs do país como Arsenal, Manchester United e o poderoso Liverpool da época e conquistou seu primeiro título inglês. Um dos pontos altos da campanha foi uma goleada de 4 a 0 pra cima do Manchester United em pleno Old Trafford. Embalado, o time de Nottingham venceu, também em 1978, a Copa da Liga Inglesa e a Supercopa da Inglaterra, ao vencer o Liverpool, por 1 a 0, e o Ipswich Town, por 5 a 0, respectivamente. Três canecos em apenas uma temporada era demais para a fanática torcida do Forest. O título inglês dava, ainda, a chance de o pequenino clube disputar pela primeira vez em sua história a Liga dos Campeões da UEFA.

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Um treino que virou coisa séria

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Ao entrar na Liga dos Campeões, o Forest queria apenas ter a competição como teste para ter mais experiência nos torneios seguintes que viriam. Nem o clube e nem a torcida esperavam grande sucesso no torneio, que era dominado pelo compatriota Liverpool nos dois últimos anos (1977 e 1978). Porém, aquele treino viraria coisa séria logo na primeira partida, contra o então bicampeão Liverpool. O Forest venceu a primeira partida por 2 a 0, gols de Birtles e Barrett, e obteve uma boa vantagem para a partida de volta. Jogando na casa do Liverpool, o Forest conseguiu segurar o ímpeto do adversário e empatou em 0 a 0, obtendo uma surpreendente classificação. O Liverpool, bicampeão da Europa, estava fora da Liga logo na primeira fase. Era o estímulo que o Forest precisava para tratar a competição não mais como um treino, mas sim como “O” principal objetivo na temporada.

O Forest campeão europeu de 1979: recuo d capitão McGovern dava mais proteção à zaga e ataques pelas pontas eram o ponto forte do time de Clough.

O Forest campeão europeu de 1979: recuo do capitão McGovern dava mais proteção à zaga e os ataques pelas pontas eram o ponto forte do time de Clough.

 

Rumo à final

Na segunda fase o Forest enfrentou os gregos do AEK Atenas e não teve dificuldades: vitórias por 2 a 1 na Grécia e 5 a 1 na Inglaterra. Nas quartas de final, o Forest despachou o Grasshopper, da Suíça, ao vencer o primeiro jogo por 4 a 1 e empatar o segundo em 1 a 1.

Nas semifinais, um duro duelo contra o Köln, da Alemanha. No primeiro jogo, na Inglaterra, um show de gols que resultou em empate: 3 a 3. O Forest teria que vencer os alemães na Alemanha se quisesse ir à final. E venceu. Com um gol de Bowyer na segunda etapa, o time inglês garantiu o 1 a 0 e seu lugar na decisão. A glória máxima do continente, por mais incrível que pudesse parecer, estava muito próxima.

Reforço garante o título

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No começo da temporada de 1979, o técnico Brian Clough conseguiu convencer a diretoria do Forest a gastar o dinheiro ganho com a conquista do Campeonato Inglês na contratação do atacante Trevor Francis, do Birmingham City. Foi a primeira contratação de um milhão de libras no futebol britânico. Porém, por conta de regras da UEFA, Francis deveria ficar três meses sem jogar competições da entidade. Com isso, ele pôde jogar apenas… A final! E foi do jogador o único gol da final entre Nottingham Forest e Malmö, da Suécia, que garantiu o primeiro e incrível título de campeão europeu ao time inglês, de maneira invicta. O time não quis disputar o Mundial Interclubes, mas também nem precisava: a festa era tão grande que a competição foi menosprezada sem dó.

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Outro título europeu

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Ainda em 1979, o Nottingham Forest conquistou outro grande feito: venceu a Supercopa da UEFA ao derrotar o poderoso Barcelona, da Espanha, por 1 a 0 no primeiro jogo, na Inglaterra, e empatar em 1 a 1 no Camp Nou. A conquista somou-se ao bicampeonato da Copa da Liga Inglesa, quando o Forest venceu o Southampton por 3 a 2, de virada. Era o fim de uma temporada quase perfeita, onde só faltou o título do Campeonato Inglês, que ficou com o Liverpool.

Base mantida

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O Forest começou a temporada 1979/1980 cheio de pompa. O time já era uma potência na Inglaterra, tinha o respeito dos adversários e jogava de igual para igual com qualquer clube do mundo. Com a segurança do goleiro Peter Shilton, o ótimo lateral Viv Anderson, o meia Martin O´Neill e o trio de escoceses John Robertson, Archie Gemmill e Kenny Burns, o Forest começou a disputa de uma nova Liga dos Campeões da UEFA com mais segurança, auto estima, mas, acima de tudo, pés no chão. O discurso na época era: “Conquistar a primeira taça da UEFA foi além de nossos sonhos. Conquistar a segunda era pura fantasia”.

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O time começou a luta pelo Bi eliminando o Öster, da Suécia, ao vencer por 2 a 0 e empatar em 1 a 1. Na segunda fase, duas vitórias sobre o Arges Pitesti, da Romênia, por 2 a 0 e 2 a 1. Nas quartas de final, o Forest conheceu a sua primeira derrota no torneio continental ao perder por 1 a 0, em casa, para o Dynamo Berlin, da Alemanha Oriental. Na volta, porém, o então campeão europeu mostrou sua força e venceu os alemães, na Alemanha, por 3 a 1, com show de Francis, que marcou dois gols. Nas semifinais, uma prova de fogo contra o Ajax, time que havia encantado a Europa e o mundo no início da década de 70 ao conquistar três Ligas dos Campeões seguidas. No primeiro jogo, na Inglaterra, vitória do Forest por 2 a 0. Na volta, o Ajax venceu os campeões por 1 a 0, placar que não garantiu a classificação dos holandeses. Em sua segunda participação, o Forest estava na final. Era hora de enfrentar o embalado Hamburgo (ALE), que eliminara o Real Madrid (ESP) com um acapachante 5 a 1.

Incrível soberano europeu

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O duelo entre Nottingham Forest e Hamburgo, no estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, colocava duas equipes em franca ascensão na Europa. De um lado, o Forest, que saiu da segunda divisão inglesa para chegar ao topo do continente. Do outro, o Hamburgo, que vinha de várias conquistas nacionais e até uma Recopa Europeia, em 1977. O Forest apostava na força de seu conjunto e na experiência de seus jogadores, brilhantemente treinados por Brian Clough. Já o Hamburgo concentrava suas fichas no talentoso meia Felix Magath. O jogo foi disputado e bem acirrado até os 20´do primeiro tempo, quando John Robertson marcou o primeiro gol do Forest, que seria novamente o único do time em uma final de Liga. Com o 1 a 0 no placar, o time inglês venceu o antes “fantasioso” bicampeonato da Liga dos Campeões da UEFA, ficando à frente do Manchester United em número de títulos europeus e se igualando ao Liverpool com duas conquistas.

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O time conseguia, também, ser o primeiro clube a ter mais títulos europeus do que títulos de sua liga nacional. O feito do Forest seria igualado apenas em 1989 e 1990, com o bicampeonato do Milan (ITA).

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Fim do encanto

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O Nottingham Forest, depois do bicampeonato europeu, começou a cair no futebol europeu e também inglês. O time perdeu a Supercopa da UEFA para o Valencia (ESP) e o Mundial Interclubes de 1980, o primeiro disputado no Japão, para o Nacional (URU). O clube de Nottingham disputou a Liga dos Campeões de 1980/1981 e sucumbiu logo na estreia, edição que foi a última disputada pelo clube na história. O time também jamais venceu outro Campeonato Inglês. Desde a aposentadoria do técnico Brian Clough, em 1993, o Nottingham Forest não teve mais momentos brilhantes em sua trajetória nem mesmo se reergueu após tantas conquistas em tão pouco tempo. A história do Nottingham se confunde com a própria de Brian Clough, tanto é que o treinador ganhou uma estátua na cidade tamanha sua importância. As façanhas do time inglês permanecem intactas até hoje e inatingíveis para alguns grandes clubes da Inglaterra, como o Arsenal (que nunca venceu uma Liga dos Campeões), e também da Europa. Por tudo o que o time ganhou, e por tudo que o unido time de Brian Clough jogou, é fácil entender porque o Nottingham Forest 1977-1980 é, sem dúvida alguma, um imortal do futebol.

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Os personagens:

Peter Shilton: é um dos jogadores ingleses com maior número de jogos pela seleção inglesa: 125 partidas. Foi a referência no gol do Forest de 1977 até 1982, participando de todas as grandes glórias do time no período. É um dos grandes nomes do futebol inglês da história e também um dos maiores goleiros. Brilhou em diversas Copas do Mundo e detém o recorde de 10 partidas sem levar gols, ao lado do francês Fabien Barthez.

Viv Anderson: foi o primeiro jogador inglês negro a vestir a camisa da Inglaterra, além de ser um ícone no Nottingham em seu período mais brilhante. Em 10 anos, Anderson conquistou 7 títulos com o clube vermelho. Foi brilhante na lateral e na defesa do time.

Frank Clark: zagueiro muito eficiente e clássico, foi essencial no título europeu de 1979 e nas conquistas nacionais do período. Se aposentou logo depois da primeira conquista europeia da equipe inglesa e virou técnico.

Frank Gray: revelado pelo Leeds United, Gray foi trazido pelo técnico Clough, que adorava seu futebol. O jogador mostrou toda a sua categoria na defesa do Nottingham com ótimas partidas nos três anos em que jogou no time vermelho.

John McGovern: símbolo do Forest, McGovern foi o capitão do time bicampeão europeu que fez história em 79 e 80. Meio campista cheio de raça e vigor, McGovern disputou mais de 250 partidas pelo Forest.

Larry Lloyd: outro grande defensor do Forest, Lloyd jogou no clube de 1976 até 1981. Foi outro trazido pelo técnico Brian Clough.

Kenny Burns: ótimo na defesa e também no ataque, o polivalente Burns era um dos grandes escoceses do time vermelho. Foi fundamental nas conquistas continentais do time de Nottingham.

Bryn Gunn: zagueiro e volante, Gunn mesclava aparições como titular e como reserva no time inglês. Teve um bom desempenho quando necessário.

Martin O´Neill: o Forest pôde contar por mais de 10 anos com o futebol desse grande irlandês. Martin disputou mais de 280 jogos pelo clube inglês e atuou de maneira mais constante nos títulos do Campeonato Inglês de 1978 e da Liga dos Campeões de 1980.

Ian Bowyer: Bowyer é um dos grandes ídolos na história do Forest com mais de 400 jogos pelo clube. Marcou muitos gols importantes e deu várias assistências. Venceu todos os principais títulos da era de ouro do time.

Archie Gemmill: outro grande jogador escocês, Gemmill ficou marcado pela habilidade e pelo golaço que marcou por sua seleção na Copa do Mundo de 1978. Foi uma das referências no meio campo e no ataque do Forest nos principais títulos do clube. Saiu magoado do clube por não ter jogado a final da Liga dos Campeões da UEFA de 1979, ao perder lugar para o recém-contratado Trevor Francis.

Trevor Francis: foi contratado como ídolo e estrela, e foi logo mostrando serviço ao marcar o gol do primeiro e histórico título europeu do Forest. Porém, o meia e atacante não teve o brilho intenso que dele era esperado. Vítima de muitas contusões, Francis não foi o goleador dos sonhos da torcida. Porém, seu tento salvador em 1979 nunca sai da memória do torcedor.

John Robertson: muito identificado com o Forest (tendo atuado por mais de 13 anos no clube), Robertson completava a trinca de escoceses brilhantes do Forest. Foram mais de 380 partidas pelo time, muitos gols e lugar cativo na história ao marcar o gol do bicampeonato europeu do Forest, em 1980, contra o Hamburgo.

Garry Birtles: foi um dos grandes matadores do futebol inglês no período em que atuou pelo Forest e uma das referências no ataque do time. Marcou muitos gols importantes e decisivos.

Tony Woodcock: muito habilidoso, Woodcock fez uma grande dupla de ataque com Birtles na conquista da Liga dos Campeões de 1979. Brilhou, também, na seleção da Inglaterra, onde marcou 16 gols em 42 jogos.

Gary Mills: estreou com apenas 16 anos, em 1978, no time profissional do Forest e logo mostrou sua qualidade na defesa e no meio de campo. Mills foi o jogador mais jovem a participar de uma final de Liga dos Campeões da UEFA, em 1980, aos 18 anos. Técnico e com ampla visão de jogo, jogou no clube até 1982.

Brian Clough (Técnico): ao lado de seu célebre assistente Peter Taylor, Brian Clough conseguiu façanhas inimagináveis transformando equipes pequenas em esquadrões vencedores e respeitados. Sua maior obra foi comandar com maestria o grande Nottingham Forest bicampeão europeu. Ao montar um time sem estrelas, mas muito competitivo, ele quebrou paradigmas e deixou a Europa embasbacada ao deixar, na época, uma equipe pequenina na frente de potências como Juventus, Barcelona e Manchester United em número de títulos europeus. Seus feitos foram tão notáveis que Clough ganhou várias estátuas pela Inglaterra, virou nome de rua e entrou para sempre na galeria dos maiores treinadores ingleses de todos os tempos. Leia mais sobre ele clicando aqui.

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Extras:

Prazer, Nottingham Forest

Em uma final atípica, o Forest bateu o Malmö por 1 a 0 e faturou uma incrível Liga dos Campeões da UEFA de maneira invicta.

Mais perto das finais

O Forest encarou o grande Ajax nas semifinais da Liga dos Campeões de 1980. No primeiro jogo, em seu estádio lotado, o time venceu os holandeses e garantiu a vantagem que foi crucial para o caminho até a final.

Bicampeões

O Nottingham Forest nem ligou para o Hamburgo e venceu por 1 a 0, conquistando o bicampeonato europeu. Era o auge dos incríveis e meteóricos vermelhos.

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