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Jogos Eternos – Argentina 3×2 Egito 2026

Data: 07 de julho de 2026

O que estava em jogo: uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo da FIFA de 2026

Local: Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, EUA.

Árbitro: François Letexier (França)

Público: 68.239 pessoas

Os Times:

Argentina: Emiliano Martínez; Molina (Montiel, 73′), Romero (Otamendi, 90’+5′), Lisandro Martínez e Tagliafico (Nico González, 66′); Paredes; De Paul (Lautaro Martínez, 66′), Enzo Fernández e Mac Allister; Lionel Messi e Júlian Álvarez (Medina, 90’+5′). Técnico: Lionel Scaloni.

Egito: Shobeir; Hany, Rabia, Yasser Ibrahim e Hafez; Attia e Lashin (Zizo, 90’+6′); Hassan (Trezeguet, 73′), Salah e Ashour (Fathy, intervalo); Mostafa Ziko (Marmoush, 80′). Técnico: Hossam Hassan.

Placar: Argentina 3×2 Egito. Gols: Yasser Ibrahim-EGI, aos 15′ do 1º T; Mostafa Ziko-EGI, aos 22′, Romero-ARG, aos 34′, Lionel Messi-ARG, aos 38′ e Enzo Fernández-ARG, aos 45’+2′ do 2º T.

 

“A Remontada ‘Faraônica’ da Albiceleste”

Por Guilherme Diniz

Os nuances e dramas vividos quatro dias antes ainda eram sentidos pelos argentinos. Eles haviam sofrido uma barbaridade diante da seleção de Cabo Verde na fase de 16 avos de final da Copa do Mundo. Flertaram com a eliminação, mas conseguiram a vitória na prorrogação por 3 a 2, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar. Claro que a albiceleste estava acostumada a sofrer nos mais diversos cenários e palcos, mas, naquele nível, nem o mais pessimista argentino poderia imaginar. Os dias se passaram e, nas oitavas de final, havia certa calma para o duelo contra o Egito. O time africano também havia passado por uma prorrogação (e pênaltis) diante da Austrália, por isso, a condição física de ambas as seleções estava praticamente igual. 

Como detentora do título, a Argentina era favorita e muitos acreditavam que a campeã não ia passar pelo mesmo sufoco. Pois passou. E em um nível altíssimo. O Egito abriu o placar aos 15’, em cabeçada fulminante de Yasser Ibrahim. A Argentina teve que ir pra cima em um cenário inédito para ela naquele Mundial – sair atrás no placar. A oportunidade do empate veio minutos depois, quando Messi teve a chance em uma cobrança de pênalti. No entanto, o camisa 10 bateu e o goleiro Shobeir defendeu. O tempo passou e nada de gol. No segundo tempo, o Egito fez o segundo, mas o VAR anulou. No entanto, dez minutos depois, lá se foi o time africano de novo ao ataque e Salah deu um passe perfeito para Ziko, que fez 2 a 0.

Era um roteiro dramático. A Argentina tinha pouco tempo para tentar descontar, talvez empatar e levar o jogo para a prorrogação. Ela foi pra cima. Aos 34’, Messi cruzou na área e o zagueiro Romero fez o primeiro gol. Foi o estopim para a albiceleste renascer. Com pressão, garra e vontade, seguiu atacando o Egito, cada vez mais acuado. E, aos 38’, Messi iniciou a jogada que terminou com gol dele, o 8º do camisa 10 na Copa de 2026, o 21º na história: 2 a 2. O craque vibrou de uma maneira rara, como poucas vezes vimos ao longo de sua carreira. Com raiva, fibra, gana. Ele não queria se despedir da Copa. A Copa não queria que ele fosse embora. 

Já nos acréscimos, uma roubada de bola no campo de defesa de Julián Álvarez pra cima de Salah iniciou um contra-ataque mortal. Lautaro foi lançado na direita do ataque, conduziu a redonda e cruzou para a área. Lá estava Enzo Fernández. O meio-campista subiu, cabeceou e mandou a bola para o fundo do gol: 3 a 2. Argentina classificada. Na raça, na bola e no misticismo de seu camisa 10, que outra vez liderou uma seleção que se recusava a perder. É hora de relembrar uma das maiores viradas da história das Copas: Argentina 3×2 Egito 2026.

Pré-jogo

Você já leu aqui no Imortais sobre a partida angustiante da Argentina diante de Cabo Verde. Depois de sofrer tanto, ninguém poderia imaginar que o time de Lionel Scaloni pudesse passar pelo mesmo roteiro contra o Egito, adversário que a albiceleste havia enfrentado apenas duas vezes na história, com duas vitórias: goleada de 6 a 0 nas Olimpíadas de 1928 (tempos em que os profissionais ainda disputavam o torneio) e um 2 a 0 em amistoso disputado no Cairo, em 2008. Porém, o time sul-americano ligou o alerta para se blindar de uma nova surpresa. Dias antes do jogo, o técnico Scaloni comentou sobre o adversário e sobre a situação de sua seleção.

“Me perguntaram se o time sentiu a pressão de ser candidato. Quando jogamos depois de ganhar o Mundial, sempre jogamos bem. Em uma partida quando as coisas não saem e o rival dá dificuldades, não há uma maneira só de ganhar. Têm muitas maneiras… Com a garra, com a intensidade, com o espírito que levamos. Isso a equipe tem. A ideia é dominar a partida como dominamos com Cabo Verde, não deixar essas transições deles. Tentar defender com a bola. Temos que refinar esse aspecto. Não tentar chegar em dois ou três toques. Temos visto que às vezes recuperamos e tentávamos atacar muito rápido”.

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Contra Cabo Verde, a Argentina sofreu demais e viu a eliminação de perto. Foto: Reuters
 

Scaloni ressaltou ainda que não havia nenhum favorito claro no Mundial e elogiou o Egito, lembrando que Mohamed Salah, o principal astro da equipe, era “um grande jogador e será um prazer enfrentá-lo”. Do outro lado, o técnico Hossam Hassan elogiou a Argentina, mas demonstrou que não iria ficar na retranca como muitos pensavam. 

“Independentemente do rival, vamos com tudo. Argentina tem uma lenda, que é o Messi. Devemos respeitar a todos, ao coletivo. É futebol. Não podemos subestimar e nem pensar de maneira negativa. Levo tempo trabalhando com meus jogadores para impor nosso estilo e fazemos isso independente do ranking da FIFA do rival. Temos ambição para o povo egípcio e os povos africanos. Isso nos faz concentrar em nós mesmos. Poder melhorar nosso rendimento. Chegar à área rival. É uma Copa do Mundo, vamos desfrutar todos os dias”. 

Com relação ao time que venceu Cabo Verde, Scaloni colocou Paredes como cabeça de área a fim de ter mais cobertura no meio de campo e não sofrer contra-golpes como no duelo contra os africanos. No ataque, ele optou por Messi e Julián Álvarez, parceria clássica do título de 2022, deixando Almada, muito aquém do esperado, no banco. Na lateral-esquerda, o experiente Tagliafico ganhou a vaga de Medina, enquanto a zaga e o meio de campo permaneceram os mesmos. No Egito, Lasheen ganhou a vaga de Fatih no meio de campo e Ziko ficou isolado no ataque para o recuo de Salah para a meia, enquanto Haissem Hassan foi escalado para ajudar na criação no lugar do inoperante Marmoush.

A trajetória dos egípcios era muito boa e já histórica pelo fato de a seleção estar disputando pela primeira vez uma etapa de oitavas de final de Copa. Nos amistosos pré-Mundial, a equipe goleou a Arábia Saudita em plena cidade de Jeddah por 4 a 0, empatou com a Espanha na casa dos europeus em 0 a 0, venceu a Rússia por 1 a 0 e perdeu para o Brasil por 2 a 1. Já na Copa, os africanos empataram em 1 a 1 com a Bélgica, venceram a Nova Zelândia por 3 a 1 e empataram com o Irã em 1 a 1, resultado que classificou o time egípcio em segundo lugar no grupo G. Na fase de 16 avos de final, o empate em 1 a 1 com a Austrália e vitória por 4 a 2 nos pênaltis provou que os comandados de Hossam Hassan eram muito competitivos. E isso seria um grande problema para os argentinos.

Primeiro tempo – Pelos poderes dos Faraós!

A partida começou com uma investida perigosa do Egito logo aos 6’, que teve uma falta a seu favor pela direita, Hany mandou a bola para a área e a zaga argentina teve que tirar de qualquer maneira e evitar que a redonda chegasse a Yasser Ibrahim. A resposta sul-americana veio aos 8’, quando Romero tocou para Mac Allister e este deixou com De Paul, mas ele já estava impedido na hora do passe para Enzo Fernández, que chutou para fora. O Egito atacava sempre pela direita e percebia várias lacunas na área argentina. Era o caminho do gol. E, aos 14’, Ashour tocou atrás para Attia, que recebeu e, de primeira, cruzou na área. A bola foi na cabeça de Yasser Ibrahim, que ganhou de Lisandro Martínez e testou pro gol: 1 a 0. Foi um prêmio ao time africano, que marcava forte e atacava de maneira organizada e incisiva. Já a Argentina via um cenário inédito para ela desde o início do Mundial: sair atrás do placar.

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Ibrahim subiu mais do que todo mundo e fez 1 a 0. Foto: Reprodução / Cazé TV
 

Só que a alegria egípcia durou pouco. Aos 18’, Enzo Fernández lançou Tagliafico na área e Hassan acabou dando o bote errado e derrubou o jogador argentino: pênalti. Na cobrança, claro, Lionel Messi. O camisa 10 tinha a chance de chegar ao 21º gol em Copas e iniciar a reação instantânea de sua equipe. Só que o capitão bateu mal e o goleiro Shobeir defendeu! Sabemos que cobrança de pênalti nunca foi o forte de Messi: foi o 4º pênalti perdido pelo argentino na história das Copas, um recorde negativo do craque.

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Goleirão egípcio parou Messi! Fotos: Reprodução / Cazé TV
 

Após a pausa para hidratação, a Argentina foi com tudo pra cima do Egito e quase empatou aos 27’, quando De Paul cruzou da direita para Mac Allister, que cabeceou e, à queima-roupa, o goleiro Shobeir fez uma defesaça! Na sequência, a zaga argentina quase se complicou em uma bola alta perto da área, mas Romero conseguiu recuperar e deixou com Dibu Martínez. Aos 30’, foi a vez de Messi cobrar falta de longe e mandou a bola na trave. Por mais que tivesse o controle, a Argentina não conseguia se impor como nos outros jogos e demonstrava muito incômodo com aquele placar adverso. Messi olhava para os céus, tentava buscar uma inspiração, uma bola, para superar o erro e dar sobrevida à sua equipe. 

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Os times em campo: Egito conseguiu neutralizar a Argentina graças ao goleiro Shobeir, além de aproveitar os erros de marcação no primeiro e no segundo gols.
 
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Shobeir fez uma defesa impressionante em chute de Álvarez. Fotos: Reprodução / Cazé TV
 

O Egito roubava bolas no campo de defesa e mostrava muita disposição e habilidade, bem diferente de outras seleções do país no passado. Aos 38’, a Argentina construiu outra chance claríssima de gol. Paredes lançou Tagliafico na esquerda e este cruzou de primeira para a área. Julián Álvarez recebeu e, de primeira, mandou para o gol. A torcida estava pronta para gritar gol quando Shobeir operou outro milagre e evitou o empate sul-americano. Impressionante! A albiceleste seguiu pressionando, em especial com outro chute de Álvarez, aos 42’, mas a bola foi pra fora. Ao fim do primeiro tempo, a Argentina teria que encontrar uma maneira de superar Shobeir. O problema é que o goleirão estava impossível. Será que ele recebia uma ajuda dos faraós? 

Segundo tempo – Messi e seus guerreiros

O Egito começou a etapa final com uma modificação: saiu o meio-campista Ashour e entrou o zagueiro Fathy, em uma clara opção do técnico Hassan em fechar seu time. O roteiro seguiu o mesmo, com a Argentina pressionando e o Egito apostando no contra-ataque. No primeiro minuto, De Paul arriscou chute rasteiro, mas o goleiro Shobeir defendeu. Minutos depois, Salah quase aproveitou contra-ataque ao desarmar Paredes no meio de campo, mas o árbitro marcou falta do camisa 10 e evitou uma oportunidade enorme para os africanos. Na sequência, Messi cruzou na segunda trave e Shobeir tirou de soco. Paredes soltou a bomba de fora da área e a bola saiu acima da meta. Aos 12’, o Egito engatilhou um contra-ataque rápido pela direita e Hassan saiu jogando com categoria e passando por dois marcadores, com direito à bola por entre as pernas de Tagliafico. O camisa 12 deixou com Salah, que deu o passe para Ziko, livre na esquerda, que só tocou na saída de Dibu Martínez para fazer um lindo gol: 2 a 0.

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Foto: Reprodução / Cazé TV
 

Festa egípcia em Atlanta! Bem, por pouco tempo. Logo após o gol, o árbitro foi chamado pelo VAR por uma suposta falta no início do lance que originou o contra-ataque. No vídeo, Letexier entendeu que Attia cometeu falta em Lisandro Martínez ao roubar a bola na linha de fundo e anulou o gol em uma decisão bastante polêmica. Na imagem, podemos ver um leve pisão do jogador egípcio, mas tal lance é muito interpretativo para diversos árbitros, sendo passível de falta ou não. Nesse caso, pior para os africanos, que viram a Argentina celebrar a anulação como um gol e ganhar sobrevida.

O técnico Scaloni aproveitou para mexer no time e colocou Lautaro Martínez e Nico González nos lugares do volante De Paul e do lateral Tagliafico, respectivamente. Porém, logo depois das mexidas, o Egito conseguiu um novo contra-ataque rápido, após sobra de escanteio, e Salah se mandou para o ataque. O camisa 10 foi acompanhado por Hassan, que recebeu, invadiu a área e cruzou rasteiro para Mostafa Ziko, que encheu o pé de primeira para fazer, enfim, o 2 a 0. Uma verdadeira aula de contra-ataque e sem ninguém ficar prendendo a bola em demasia. A vaga nas quartas de final era uma realidade possível. Que resultado para o Egito!

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Foto: Reprodução / Cazé TV
 

Atônitos, os argentinos pareciam não acreditar. E, para piorar, o time demonstrava cansaço e nenhuma chance de que poderia reagir. Após a pausa para hidratação, a albiceleste ligou o modo raça pura. Entendeu que era preciso não só jogar futebol, mas transpirar mais se quisesse continuar na Copa. Aos 30’, Álvarez chegou na esquerda e cruzou rasteiro para trás. A bola passou pelo goleiro, mas ninguém da Argentina estava na pequena área. No minuto seguinte, Trezeguet recebeu livre na esquerda, mas não conseguiu dominar bem. O camisa 7 ainda conseguiu recuperar e tentou o chute rasteiro, mas a bola foi para a rede pelo lado de fora.

O relógio corria e a Argentina se esvairava. Até que, aos 34’, Messi cruzou na área e o zagueiro Romero, como um legítimo centroavante, fez o primeiro gol albiceleste. Shobeir até tocou na bola, mas foi com a mão mole e a redonda entrou. Pronto. A esperança estava renovada. A blitz argentina seguiu. Aos 36’, Messi fez uma jogadaça pela direita, deu um corta-luz em um dos marcadores e tocou rápido no meio, para Lautaro. O atacante finalizou com uma cabeçada para o chão, mas a bola subiu e foi para fora. 

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Bola na área e gol de Romero: Argentina viva. Foto: Reprodução / Cazé TV
 

A Argentina estava entorpecida. Buscava energia aonde não tinha. Corria mesmo com as pernas cansadas. Analisava as brechas, as oportunidades. Aos 38’, Messi recebeu na direita, tentou o chute, mas a bola bateu na zaga. Ela voltou para ele. O craque cruzou, Lautaro dominou para o meio da área, Lisandro Martínez tentou ajeitar e não conseguiu, mas uma pessoa vinha de trás pronta para chutar: Messi. O camisa 10 disparou de primeira um petardo, o goleiro Shobeir de novo tocou na bola, mas ela estava flamejante. E só foi se apagar no fundo do gol, após tocar no travessão: 2 a 2.

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Messi bateu de primeira…
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Fez um golaço…
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E celebrou com socos no ar. Foto: Carlos Barria / Reuters
 

Messi saiu correndo em puro delírio. Socou o ar duas vezes, como tanto fez Pelé. O Rei, lá de cima, não se importou, mesmo o camisa 10 lá no gramado sendo argentino. Era Copa do Mundo. E ele era Messi, então maior artilheiro da história das Copas. Foi o 21º gol dele em Mundiais. O gol que manteve a Argentina no jogo e querendo mais. Nada de prorrogação nem sofrimento. Eles queriam decidir logo. Nos acréscimos, o Egito tentou um ataque pelo meio, no 3 contra 2, mas, na hora do passe, Marmoush perdeu a disputa para o volante Paredes, que recuperou a bola de maneira absoluta. O Egito continuou com a bola no ataque e se arriscou pela direita, com Salah. O camisa 10 teve a chance de cruzar ou invadir a área, mas acabou desarmado por Julián Álvarez, que saiu jogando e engatilhou um contra-ataque. 

Imediatamente, Messi sinalizou para o camisa 9 lançar na direita, em profundidade, para Lautaro. Óbvio que Álvarez obedeceu. Lautaro recebeu, esperou a chegada dos companheiros e cruzou. A bola foi na cabeça de Enzo Fernández, que testou no canto do goleiro para decretar a virada histórica: 3 a 2. Dessa vez, o goleiro Shobeir nem foi na bola… De quebra, o gol de Enzo Fernández foi o de número 3000 na história das Copas!

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Foto: Reprodução / Cazé TV
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Messi não segurou as lágrimas após o jogo. Foto: Reprodução / Cazé TV
 

O banco egípcio entrou em fúria após o gol por pedir pênalti no lance que originou o gol, mas o árbitro não deu. A Argentina aproveitou para ganhar tempo e fez duas mudanças, enquanto Zizo entrou no lugar de Lashin do lado africano. Os sul-americanos conseguiram controlar a partida, ficaram com a bola no campo de ataque e, ao apito do árbitro, celebraram uma classificação histórica e dramática. Messi, aos prantos, vibrou como se tivesse conquistado outra Copa. Era a celebração por continuar em seu provável último Mundial da carreira. 

O camisa 10 não foi apenas a referência técnica. Foi outra vez o líder, batalhador, brigador, como todos os companheiros que também se inflaram em busca da virada. Parecia até que aquele time precisava “pegar no tranco” para jogar futebol. Bem, com drama e emoção é muito melhor, no clássico estilo argentino de brigar sempre. E até o fim. 

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

Argentina: a virada “faraônica” dos argentinos comoveu a imprensa mundial e embalou ainda mais o time em busca do tetracampeonato. Os jogadores e a comissão técnica se encheram de emoção, em especial Messi e o técnico Scaloni, que nem sequer conseguiu dar entrevista. “Não posso levantar os olhos. Sinto muito. Estou emocionado. Que grupo de jogadores… é isso. Tenho que ir”. Os jogadores deixaram claro que iriam brigar até o fim e exaltaram o capitão Messi. “Impressionante. Disse pra ele (Messi) em campo… ele merece pelo que se permite, pelo fato de ser a última Copa. A gente tenta acompanhar ele sempre e mais uma vez deixamos a Argentina bem representada”, comentou Lautaro Martínez no pós-jogo. 

“Estou convencido de que ele joga futebol para isso. É um amante da bola. Viver essa emoção a essa altura da carreira dele é algo difícil de explicar. Que o tomem como exemplo, sem dúvida. Ele poderia ter dito que perdeu o pênalti e falar: “já deu, se acabou”. Ele volta a tentar, a pedir a bola. Ele me arrepia, não só a ele”, destacou o técnico Scaloni, já na coletiva.

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Nas quartas, a Argentina enfrentou a Suíça e, de novo, viveu um drama. O time abriu o placar, levou o empate e teve que disputar a prorrogação. Nela, a vitória veio dos pés de Julián Álvarez, em um golaço de fora da área, e foi arrematada em contra-ataque já na reta final, com Lautaro Martínez. Nas semis, a albiceleste viveu outro jogo histórico contra a Inglaterra, que você lerá mais em breve por aqui.  

Egito: sem conseguir controlar o jogo enquanto vencia por 2 a 0, o time africano pecou demais na reta final e acabou reclamando bastante da arbitragem, principalmente pelo fato de o VAR ter apontado falta no lance que cancelou o segundo gol da equipe e não ter marcado nada no lance que originou o último gol argentino. A Associação Egípcia de Futebol divulgou um comunicado no qual expôs sua insatisfação, dizendo que “a arbitragem na partida comandada pelo árbitro francês, especialmente com algumas decisões relacionadas ao árbitro de vídeo (VAR), levantaram muitos questionamentos diante das amplas críticas feitas por diversos veículos de imprensa e analistas esportivos. A federação reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos da seleção nacional e ressalta que tomará todas as medidas previstas pelos regulamentos para preservar a justiça e a integridade da competição”.

O técnico Hossam Hassan também comentou sobre a arbitragem. “Jogamos melhor com a bola. Superamos os atuais campeões em tudo. No entanto, o resultado foi influenciado por fatores internos, dentro do campo também, e antes do jogo. Parece que a seleção argentina exerceu pressão sobre o árbitro. Esse foi o resultado”. Na verdade, ele deveria ter se defendido melhor e evitado os ataques massivos que sofreu na reta final da partida. Claro que a arbitragem poderia ser discutida, mas, com 2 a 0 no placar já com 30 minutos do segundo tempo, não se pode jamais permitir uma virada como a que eles levaram… Fica a lição para novas campanhas de destaque no futuro.

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1 COMENTÁRIO

  1. Pra quem achava que uma Copa com tantas seleções medianas iria ter jogos chatos eis a lista do imortais aí só teve jogão e como diz o poeta: Obrigado Futebol. E nessa Copa Nova Zelândia e Argentina conseguiram um feito raro: foram as primeiras a tomar gols de Zico e Ziko em mundiais diferentes.

Comentários encerrados.

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