Por Guilherme Diniz
Com estilos ofensivos e grandes craques, Brasil e Holanda já protagonizaram alguns dos jogos mais eletrizantes e imprevisíveis da história das Copas, consagrando um dos duelos que mais vezes se repetiu no torneio. Além dos jogos em Mundiais, sul-americanos e europeus já fizeram alguns amistosos e o equilíbrio predomina no retrospecto geral: em 12 jogos, são quatro vitórias para cada lado e quatro empates. Mas, quando falamos em Copas, a vantagem é da Holanda, com três vitórias (1974, 2010 e 2014), uma vitória do Brasil (1994) e um empate (1 a 1, com triunfo do Brasil nos pênaltis em 1998). É hora de relembrar os grandes jogos na história entre Brasil e Holanda!
Sumário
Holanda 1×0 Brasil – Amistoso – 1963
A primeira partida da história do clássico aconteceu em maio de 1963, em amistoso disputado no Estádio Olímpico de Amsterdã (HOL) lotado com mais de 60 mil pessoas. O Brasil, então bicampeão do mundo, era uma atração à parte e despertou enorme frisson na capital holandesa. O time comandado por Aymoré Moreira foi a campo com craques como Gylmar, Roberto Dias, Gérson, Zito, Pelé e Pepe, enquanto a Holanda apostava em nomes como Tonny Pronk, Piet Ouderland, Henk Groot, Peet Petersen (todos do Ajax), Graafland, Klaassens, Bennaars e Bergholtz (todos do Feyenoord).

Na época, porém, o Brasil não vivia grande fase e havia perdido vários jogos amistosos e partidas locais. Só em 1963, o time canarinho levou de 3 a 0 da Argentina pela Copa América, perdeu de 5 a 4 da Bolívia também pelo torneio continental, voltou a perder para a Argentina (3 a 2, pela Copa Roca), e, em sua gira europeia, vinha de derrotas para Portugal (1 a 0), Bélgica (5 a 1) e Racing Paris-FRA (2 a 0). Só em abril de 1963 que a equipe, enfim, venceu uma (3 a 2 sobre a França). A má fase parecia um prenúncio do que estava por vir na Copa de 1966 (a seleção foi eliminada ainda na fase de grupos) e, diante da Holanda, o escrete canarinho foi derrotado por 1 a 0, em gol de Peet Petersen, aos 89’.
Holanda 2×0 Brasil – Segunda Fase da Copa do Mundo da FIFA de 1974
Mais de uma década depois, holandeses e brasileiros voltaram a se enfrentar, dessa vez em uma Copa do Mundo. A equipe sul-americana era tricampeã mundial e o técnico do Brasil, Mário Zagallo, estava confiante e convicto de que não seria eliminado pelos europeus. A equipe do Velho Lobo tinha o ótimo goleiro Leão, o zagueiro Luís Pereira, o craque Rivellino no meio de campo e Jairzinho na frente.


Porém, nem sempre camisa ganha jogo. Muito menos se o adversário tiver Cruyff e Neeskens, os autores dos gols da vitória Laranja por 2 a 0 que mandou o Brasil para a disputa do 3º lugar (perdida para a Polônia por 1 a 0). O Brasil ficou perdido em campo, não conseguiu neutralizar a Holanda e apelou para a pancadaria, com Luís Pereira expulso já perto do final do jogo. Não fosse Leão, o Brasil teria levado uma goleada. E Zagallo teve que digerir uma laranja bem azeda… Leia mais clicando aqui!
Holanda 0x1 Brasil – Amistoso – 1989
A primeira vitória do Brasil sobre a Laranja aconteceu em 1989, em pleno estádio De Kuip, em Roterdã, um ano depois de a equipe da casa vencer a Eurocopa. A Holanda, mesmo sem os craques Van Basten e Gullit, entrou em campo com um time forte que tinha nomes como Van Breukelen, Ronald Koeman, Van Aerle, Van Tiggelen, Wouters, Berghuis e Wim Kieft, além dos suplentes Aron Winter e Danny Blind, que entraram no decorrer da partida. Só que o Brasil vinha embalado após o título da Copa América e, com Taffarel, Aldair, Branco, Jorginho, Mozer, Alemão, Dunga, Careca e Romário, a equipe de Sebastião Lazaroni venceu por 1 a 0 (gol de Careca, aos 9’ do segundo tempo) e acabou com o jejum na história do duelo.
Brasil 3×2 Holanda – Quartas de final da Copa do Mundo da FIFA de 1994
Exatos 20 anos depois, Brasil e Holanda se encontraram em mais uma Copa do Mundo, dessa vez nas quartas de final. Parecia um repeteco cênico. Os europeus de camisa branca, como em 1974. Os sul-americanos, de camisa azul, como em 1974. O Brasil continuava com suas três estrelas no peito. Parado no tempo. Há 24 anos buscando um tetra que não vinha. Zagallo estava lá de novo, agora como coordenador técnico. A Holanda não tinha os mecânicos de 1974. Mas tinha Bergkamp. Ronald Koeman. Rijkaard. Aron Winter. Overmars. O Brasil não tinha Rivellino, Leão, Luís Pereira. Mas tinha Romário. Bebeto. Taffarel. Aldair. E Branco. Não eram seleções queridas pelo público. Mas buscavam a provação.



Após um primeiro tempo insosso, Dallas (EUA) viu naquele dia 09 de julho de 1994 um dos maiores segundos tempos da história das Copas. Gols maravilhosos. Um Brasil demolidor nos primeiros minutos e que abriu 2 a 0, com Romário, melhor atacante do planeta na época, e Bebeto, que inspirou gerações ao comemorar o nascimento do filho “embalando-o” após o segundo gol. Mas veio a pane geral logo na sequência. E a Holanda empatou. Drama em Dallas. Até que o time brasileiro ganhou, literalmente, uma falta na entrada da área. Era de longe. Na bola, Branco, tão criticado, tão longe de suas melhores condições físicas. O lateral-esquerdo cobrou a falta de sua vida. Romário, lá na área, tirou o corpo para ajudar o amigo a entrar para a história. Gol. Vitória por 3 a 2. Zagallo conseguia sua vingança. E o Brasil o embalo necessário para o tetra. Leia mais sobre esse jogo eterno clicando aqui!
Holanda 2×2 Brasil – Amistoso – 1996
Por conta do título mundial de 1994, o Brasil não precisou disputar as Eliminatórias para a Copa de 1998 (na época, a FIFA ainda concedia o direito ao campeão de participar da Copa seguinte) e, por isso, fez uma série de amistosos até o Mundial da França. E, naquele mês de agosto de 1996, a equipe enfrentou a Holanda na Johan Cruijff Arena, novíssima casa do Ajax inaugurada duas semanas antes do duelo. Apesar do baixo público – pouco mais de 27 mil pessoas – a partida foi agitada e dava mostras do que estava por vir em 1998. Novamente comandado por Zagallo, o time brasileiro abriu o placar aos 13’, quando Zé Elias lançou Giovanni, que bateu na saída de Van der Sar.
No segundo tempo, a seleção canarinho voltou cochilando e a Holanda aproveitou. Logo aos 6’, Ronald de Boer empatou, após passe de Bergkamp. Três minutos depois, Gonçalves colocou a seleção novamente na frente, até que, nos acréscimos, numa falha geral da defesa brasileira, Bergkamp foi derrubado na entrada da área por André. O juiz, mal colocado, deu pênalti. Van Gastel cobrou e definiu o placar em 2 a 2.
Brasil 1×1 Holanda – Brasil 4×2 Holanda nos pênaltis – Semifinal da Copa do Mundo da FIFA de 1998
O maior jogo da história entre Brasil e Holanda aconteceu na semifinal da Copa do Mundo da França, em 1998. Outra vez com craques maiúsculos em campo (Taffarel, Roberto Carlos, Aldair, César Sampaio, Rivaldo, Bebeto, Ronaldo, Van der Sar, Stam, Frank e Ronald de Boer, Davids, Bergkamp, Kluivert…) e jogando um futebol ofensivo, abusado e sem medo algum de levar um gol num contra-ataque, as equipes protagonizaram um jogo espetacular, sem dúvida alguma o melhor daquele Mundial e um dos maiores de todos os tempos. O placar de 1 a 1 não refletiu o que foi a partida.

Com um segundo tempo de tirar o fôlego e uma prorrogação ainda mais vibrante, as seleções arrancaram aplausos de todos no estádio Vélodrome, que poderia tocar uma linda Marselhesa só para brindar o espetáculo protagonizado depois de mais de duas horas de jogo. Ronaldo fez 1 a 0 no começo do segundo tempo. Poderia ter feito mais, mas a zaga holandesa conseguiu neutralizar o craque brasileiro. Aos 42’, após um bombardeio de bolas aéreas, a Holanda fez o gol de empate com Kluivert, levitando sobre a zaga brasileira.

Na prorrogação, o gol não saiu por puro capricho. E, na disputa de pênaltis, os tetracampeões do mundo converteram todas as suas cobranças. Já a mais brilhante seleção holandesa em um mundial desde aquela de Cruyff em 1974 marcou apenas dois gols. E perdeu outros dois. Falta de sorte? Nervosismo? Não. Culpa de Cláudio André Taffarel, um dos maiores goleiros da história e responsável por um dia/noite inesquecível para qualquer brasileiro vivo, lúcido e ligado na TV naquele 07 de julho de 1998. Com duas defesas incríveis, o goleiro canarinho colocou o Brasil na final da Copa da França e desempatou o duelo contra os ótimos europeus. Relembre esse jogo eterno clicando aqui!
Brasil 2×2 Holanda – Amistoso – 1999


Um ano depois do épico de Marselha, brasileiros e holandeses fizeram um agitado amistoso na Fonte Nova e empataram em 2 a 2. O Brasil, se preparando para a disputa da Copa América – da qual sairia vencedor -, abriu o placar com Amoroso, após passe de Roberto Carlos. Nos acréscimos da primeira etapa, Giovanni fez 2 a 0 e deixou a equipe de Luxemburgo confortável no jogo. Bem, confortável até demais, pois a Holanda aproveitou e, na etapa final, descontou com Kluivert, aos 62′, e empatou aos 67′, com Van Vossen.
Brasil 3×1 Holanda – Amistoso – 1999
Dias depois, em Goiânia, o Brasil conseguiu derrotar a Holanda por 3 a 1 em uma partida com cinco expulsões – três do lado holandês e duas do lado brasileiro. O Brasil foi com praticamente o mesmo time da partida em Salvador, enquanto a Holanda teve que fazer quatro alterações no time principal por um motivo curioso: vários atletas da equipe tiveram problemas estomacais por causa de excessos com a comida baiana… Aos 22, após grande jogada individual, Rivaldo cruzou para Amoroso marcar. Tempo depois, Leonardo dividiu a bola com os defensores Konterman e Frank de Boer, e este acabou marcando contra. A torcida ainda comemorava quando Leonardo recebeu outra boa bola, dentro da área, e ampliou para 3 a 0.
Na etapa final, a seleção brasileira deixou os holandeses tocarem a bola em seu campo para, num desarme, tentar o contra-ataque. Com essa postura e a falta de condição física dos rivais, o nível técnico da partida caiu e muitas faltas começaram a ser cometidas. Amoroso e Rivaldo foram expulsos, enquanto Van Vossen, Ooijer e Davids também foram para o chuveiro mais cedo do lado holandês. A Holanda até descontou em cobrança de falta de Van Hooijdonk, aos 80’, mas era tarde demais. Tempo depois, em outubro de 1999, sulamericanos e europeus voltaram a se enfrentar em amistoso na capital holandesa e empataram em 2 a 2.
Holanda 2×1 Brasil – Quartas de Final da Copa do Mundo da FIFA de 2010

Após duas eliminações seguidas para o Brasil, a Holanda conseguiu sua primeira vingança em 2010, nas quartas de final do Mundial da África do Sul. O roteiro, porém, parecia conspirar a favor do Brasil, que dominou a etapa inicial e fez 1 a 0 com Robinho, após passe de Felipe Melo. No segundo tempo, porém, a Holanda encaixou seu jogo e empatou aos 53′, com Sneijder. Pouco mais de dez minutos depois, o mesmo Sneijder, dessa vez de cabeça, virou o jogo e deixou a Holanda em vantagem. A partir dali, o Brasil não se encontrou, Felipe Melo foi expulso e a laranja seguiu firme rumo à final – quando perdeu para a Espanha.
Holanda 3×0 Brasil – Disputa pelo 3º lugar da Copa do Mundo da FIFA de 2014

Eliminada nos pênaltis para a Argentina na semifinal, a Holanda teve que se contentar com a disputa pelo terceiro lugar no Mundial do Brasil, mesmo após ter feito grandes jogos – com destaque para os 5 a 1 sobre a Espanha – e contar com uma boa equipe. O adversário foi um esfacelado Brasil, que vinha da derrota por 7 a 1 para a Alemanha na outra semifinal. Sem qualquer dificuldade e aproveitando a fragilidade emocional e, óbvio, o time pífio que o Brasil tinha naquele ano, a Holanda fez 3 a 0 e construiu o maior placar da história do confronto. Os gols foram de Van Persie, logo aos 3′, Blind, aos 17′, e Wijnaldum, aos 90’+1′. O resultado fez a Holanda passar o Brasil no histórico de duelos em Copas: três triunfos laranjas contra dois do Brasil.
Retrospecto:
- 12 jogos
- 4 vitórias da Holanda
- 4 vitórias do Brasil
- 4 empates
- 19 gols da Holanda
- 18 gols do Brasil
Curiosidades:
- Em jogos válidos por competições oficiais, a Holanda possui vantagem: ela venceu em três oportunidades: Copa do Mundo de 1974 (Segunda Fase), Copa do Mundo de 2010 (Quartas de final) e Copa do Mundo de 2014 (Disputa pelo 3º Lugar). O Brasil saiu vencedor em duas oportunidades: na Copa do Mundo de 1994 (Quartas de Final) e na Copa do Mundo de 1998 (Semifinal).

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