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Brasil x Japão: Grandes Jogos na História

Por Guilherme Diniz

O elo entre Brasil e Japão é notório e secular, com início em 1908, quando o navio Kasato Maru desembarcou no Porto de Santos com os primeiros imigrantes japoneses e deu início a uma ligação que influenciou a cultura dos dois países ao longo das décadas. E, no futebol, o Brasil levou ao Oriente sua paixão pelo esporte com seus clubes na época do Mundial Interclubes disputado em jogos únicos em Tóquio, e também com os vários craques que foram jogar por lá, em especial o meia Zico, um ídolo e que até treinou a seleção japonesa na Copa do Mundo de 2006.

Com tanta história, brasileiros e japoneses sempre fizeram jogos amigáveis e muito interessantes, porém, o time canarinho sempre levou vantagem. De 1989, ano do primeiro jogo, até 2026, foram 15 jogos, com 12 vitórias brasileiras, dois empates e apenas uma vitória japonesa: exatamente em 2025, já no ciclo pré-Copa de 2026. Curiosamente, os dois países se enfrentaram na fase 16-avos de final do Mundial. É hora de relembrar os grandes jogos entre Brasil x Japão!

Brasil 1×0 Japão – Amistoso – 1989

Brasil x Japão: Grandes Jogos na História

A primeira partida da história entre Brasil e Japão aconteceu em julho de 1989, logo após o título brasileiro na Copa América. O jogo foi disputado no estádio de São Januário e apenas 2174 pessoas viram o time do técnico Sebastião Lazaroni derrotar a equipe nipônica por 1 a 0, gol de Bismarck. A seleção foi a campo naquele dia com Taffarel; André Cruz, Aldair, Mauro Galvão e Branco; Dunga, Mazinho e Valdo; Careca, Romário e Bebeto. Uma pena que a equipe foi bem diferente no Mundial de 1990…

Brasil 3×0 Japão – Copa Umbro de 1995

Um ano após tetracampeonato, o Brasil começou um novo ciclo sob o comando de Zagallo, que teve o torneio amistoso chamado Copa Umbro como teste para a seleção antes da disputa da Copa América de 1995. Os protagonistas daquela época foram Juninho Paulista, Edmundo, César Sampaio e um atacante talentosíssimo que gastava a bola no PSV-HOL na época: Ronaldo. O carequinha era uma verdadeira máquina de fazer gols, com uma explosão estonteante e piques de tirar o fôlego de qualquer rival. Com a bola dominada, era quase imparável. 

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A equipe que venceu a Copa Umbro de 1995. Em pé: Zetti, César Sampaio, Aldair, Márcio Santos, Jorginho e Dunga. Agachados: Edmundo, Juninho Paulista, Ronaldo, Roberto Carlos e Zinho.
 

Em solo europeu, Ronaldo foi um dos destaques da campanha vitoriosa brasileira no torneio, após triunfos sobre a Suécia (1 a 0) e o Japão, derrotado por 3 a 0 com dois gols de Zinho e um de Roberto Carlos. No jogo decisivo, o Brasil venceu a anfitriã Inglaterra por 3 a 1, com gols de Ronaldo, Edmundo e Juninho Paulista, e ficou com o caneco. Na Copa América, a equipe acabou com o vice ao perder para o Uruguai de Francescoli.

Japão 1×5 Brasil – Amistoso – 1995

Meses depois, as equipes voltaram a se enfrentar, dessa vez em Tóquio. Com várias caras novas como Giovanni, Rodrigo, Narciso e Bruno Carvalho, o Brasil derrotou facilmente a equipe asiática por 5 a 1, com gols de Kojima (contra), Edmundo, Leonardo, César Sampaio e Sávio. Fukuda descontou para os japoneses e se tornou o primeiro jogador japonês a marcar um gol sobre a equipe canarinho.

Brasil 0x0 Japão – Fase de Grupos da Copa das Confederações da FIFA de 2001

Após mais dois amistosos e duas vitórias brasileiras, em 1997 (3 a 0) e 1999 (2 a 0), o Japão conseguiu arrancar seu primeiro empate contra o Brasil na história do duelo – e justamente no primeiro jogo válido por uma competição oficial entre as nações: a Copa das Confederações da FIFA. O duelo foi pelo Grupo B e o Japão, comandado pelo francês Philippe Troussier e com o talentoso meia Nakata, não teve lá grandes chances, mas soube conter o fraco time brasileiro, que desperdiçou várias oportunidades e demonstrou enorme falta de pontaria. 

Brasil x Japão
Julio Baptista disputa a bola com Kenichi Uemura. Foto: Popperfoto via Getty Images/Getty Images
 

Comandado por Emerson Leão, o Brasil foi a campo naquele dia com Dida; Zé Maria, Lúcio, Edmílson e Léo; Leomar, Carlos Miguel, Fábio Rochemback e Ramon; Leandro Amaral e Washington. O Brasil se classificou para a fase seguinte e acabou eliminado pela França na semifinal. Já a equipe asiática também conseguiu a vaga na semifinal e eliminou a Austrália (1 a 0). Na decisão, porém, o Japão perdeu para a França por 1 a 0 – gol de Vieira – e terminou com o vice. O Brasil ainda perdeu para a Austrália por 1 a 0 a disputa pelo terceiro lugar e nem o bronze pegou… Eram tempos sombrios para a Amarelinha!

Japão 2×2 Brasil – Fase de Grupos da Copa das Confederações da FIFA de 2005

Quatro anos depois, brasileiros e japoneses fizeram outro jogo pela Copa das Confederações, na qual a equipe sul-americana era uma das favoritas, ao lado da Alemanha (anfitriã), a Argentina, classificada como vice-campeã da Copa América, e a Grécia, surpreendente campeã da Eurocopa. Na estreia, a seleção derrotou facilmente os gregos por 3 a 0, gols de Adriano, Robinho e Juninho. Na sequência, derrota por 1 a 0 para o México, que mais uma vez deixou a classificação em risco. No último jogo, contra o Japão, a seleção encarou um adversário muito complicado e bem treinado pelo brasileiro Zico, ídolo dos japoneses e estrela do futebol canarinho nos anos 1970 e 1980.

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Foto: Masahide Tomikoshi/TOMIKOSHI PHOTOGRAPHY
 

Quando a bola rolou, Robinho abriu o placar, aos 10’, e Nakamura empatou, aos 27’. Aos 32’, Ronaldinho deixou a seleção em vantagem, que seguiu até o finalzinho do jogo, quando Oguro empatou. O resultado acabou classificando o Brasil, mas na segunda colocação, com o México em primeiro – o Japão acabou eliminado. A seleção de Parreira terminou campeã com show diante da Argentina na final: 4 a 1, um baile comandado por Adriano, Kaká, Ronaldinho, Cicinho e companhia.

Brasil 4×1 Japão – Fase de Grupos da Copa do Mundo da FIFA de 2006

A primeira partida entre a dupla em Copas foi no Mundial de 2006, quando a seleção brasileira era favoritíssima com suas estrelas e o famigerado “quadrado mágico”. Na fase de grupos, o Brasil teve pela frente adversários bem brandos e que não iriam atrapalhar a caminhada em busca de uma vaga nas oitavas de final. Na estreia, em Berlim, contra a Croácia, o time canarinho venceu por 1 a 0. Na partida seguinte, contra a Austrália, a vitória veio aos trancos e barrancos – 2 a 0 -, com mais críticas ao futebol ruim da seleção. Só no último jogo, contra o Japão, que o Brasil, enfim, jogou bem. 

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Parreira escalou Cicinho e Gilberto nos lugares dos laterais Cafu e Roberto Carlos, os volantes Gilberto Silva e Juninho Pernambucano substituíram Emerson e Zé Roberto, e Robinho entrou na vaga de Adriano. O Brasil jogou muito mais leve, com criatividade, velocidade e alternativas. Ronaldinho ficou mais solto, teve espaço para criar e dar passes, Ronaldo marcou dois gols (um deles um belo gol, em tabelinha com Juan), Juninho fez outro e Gilberto também marcou o seu na vitória por 4 a 1. 

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Foi o melhor jogo do Brasil na Copa e que lembrou muito o desempenho na Copa das Confederações. Depois desse jogo, porém, o pesadelo voltou: a equipe até se classificou para as quartas de final ao vencer Gana por 3 a 0, mas foi derrotada pela França por 1 a 0 – no lendário show de Zidane – e deu adeus ao hexa. O Japão foi o último colocado do Grupo e não avançou.

Brasil 3×0 Japão – Fase de Grupos da Copa das Confederações da FIFA de 2013

País-sede da Copa do Mundo de 2014, o Brasil não precisou disputar as Eliminatórias Sul-Americanas e fez uma série de amistosos durante o ciclo pré-mundial. E, em 2013, teve também a Copa das Confederações da FIFA, em casa, como grande torneio preparatório. Assim como nas edições de 2001 e 2005, o time canarinho enfrentou o Japão na fase de grupos, dessa vez na estreia, no estádio Mané Garrincha, e conseguiu acabar com a sina de empates no torneio quando enfrentava os asiáticos. Logo aos 3’, Neymar fez 1 a 0. Paulinho, aos 48’, ampliou. E, aos 90’+3’, Jô fechou os 3 a 0 da equipe de Felipão.

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
 

Na sequência, o Brasil passou por México (2 a 0) e Itália (4 a 2) e avançou à segunda fase, na qual eliminou o Uruguai (2 a 1) na semifinal e derrotou a Espanha na final por 3 a 0, ficando com mais um título da competição. No ano seguinte, porém, a equipe viveu a tragédia do 7 a 1 e caiu na real…

Brasil 4×0 Japão – Amistoso – 2014

Se recompondo em passos lentos sob o comando de Dunga, a seleção brasileira enfrentou o Japão em Singapura, no mês de outubro de 2014, em uma série de amistosos que disputava na época. E o jogo foi todo do Brasil, ou melhor, de Neymar, que, aos 22 anos, marcou simplesmente todos os quatro gols da goleada por 4 a 0 da equipe sul-americana – desde 2000 que um jogador não marcava quatro gols pelo Brasil na época (o último havia sido Romário, que atingiu esse feito em partida contra a Venezuela). 

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Foto: Edgar Su/Reuters
 

Neymar marcou aos 17’ do primeiro tempo e depois aos 3’, 31’ e aos 35’ do segundo tempo. A seleção foi a campo com: Jefferson; Danilo (Mário Fernandes), Gil, Miranda e Filipe Luís; Luiz Gustavo (Souza), Elias (Kaká), Oscar (Philippe Coutinho) e Willian (Éverton Ribeiro); Neymar e Diego Tardelli (Robinho).

Brasil 3×1 Japão – Amistoso – 2017

Nos preparativos para a Copa de 2018 e sob o comando de Tite, o Brasil enfrentou o Japão em amistoso disputado na cidade de Lille (FRA), e venceu sem sustos por 3 a 1, com gols de Neymar, Marcelo e Gabriel Jesus, com Makino descontando para os asiáticos. Uma curiosidade é que a partida teve uso do árbitro de vídeo, ainda uma novidade e que seria consolidada em 2018, na Copa do Mundo da Rússia. A tecnologia interferiu duas vezes: na primeira, para apontar pênalti para o Brasil, convertido por Neymar. Depois, para dar cartão amarelo para o camisa 10 brasileiro por um tapa no adversário.

Brasil 1×0 Japão – Amistoso – 2022

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A seleção japonesa foi um dos últimos adversários do Brasil antes da Copa do Mundo de 2022, no Catar. O duelo aconteceu em Tóquio, no mês de junho de 2022, e o técnico Tite pôde testar vários dos convocados para o Mundial. O Brasil disputou seu primeiro jogo com Raphinha, Lucas Paquetá, Neymar e Vini Jr juntos como titulares, e o quarteto acabou demonstrando pouco entrosamento. Mesmo assim, a vitória veio: 1 a 0, em gol de pênalti anotado por Neymar, comprovando sua fama de carrasco da equipe nipônica, afinal, em todos os jogos que ele enfrentou o Japão, ele marcou: 5 jogos e 9 gols!

Japão 3×2 Brasil – Amistoso – 2025

Demorou mais de três décadas, mas o Japão, enfim, conseguiu sua primeira vitória na história sobre o Brasil. E de virada! Foi em amistoso disputado no mês de outubro de 2025, em Tóquio, com o Brasil já comandado pelo badalado técnico Carlo Ancelotti. Tudo parecia se encaminhar para outra vitória sul-americana quando Paulo Henrique, aos 25’, e Martinelli, aos 31’ do primeiro tempo, abriram 2 a 0 para a seleção canarinho. Na segunda etapa, porém, a zaga entrou em um verdadeiro colapso e os gols japoneses começaram a surgir. 

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Foto: RAFAEL RIBEIRO / CBF
 

Primeiro, após lambança do zagueiro Fabrício Bruno, que escorregou dentro da área e entregou a bola para Minamino, que fez o primeiro, aos 6’. O segundo gol veio dez minutos depois, após cruzamento na área no qual a bola passou por Paulo Henrique e sobrou para Nakamura, que bateu de primeira e empatou. A virada histórica veio aos 25’, quando Ueda ganhou pelo alto de Beraldo na movimentação, testou firme, Hugo Souza não conseguiu defender e a bola entrou: 3 a 2. A atuação trágica do zagueiro Fabrício Bruno acabou tirando o defensor da lista de convocados para a Copa de Ancelotti.

Brasil 2×1 Japão – 16-avos de Final da Copa do Mundo da FIFA de 2026

Exatos 20 anos depois, brasileiros e japoneses voltaram a se enfrentar em uma Copa do Mundo, dessa vez em uma inédita fase eliminatória, além de ser a primeira vez que ambos se encontraram em um grande torneio sem ser uma fase de grupos.

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O Brasil vinha embalado após duas vitórias convincentes sobre Haiti (3 a 0) e Escócia (3 a 0), enquanto o Japão fez uma boa campanha no difícil Grupo F, ao empatar em 2 a 2 com a Holanda, vencer a Tunísia por 4 a 0 e empatar em 1 a 1 com a Suécia, resultado este que deixou os nipônicos na segunda colocação, com 5 pontos, atrás apenas da Holanda (7 pontos).

A vitória de 2025 certamente serviu de inspiração para o técnico Hajime Moriyasu tentar um novo triunfo, embora o retrospecto fosse todo favorável ao Brasil. Já Carlo Ancelotti contava com um time que vinha melhorando a cada jogo e com um ataque muito entrosado, cujos destaques eram Vini Jr e Matheus Cunha, além de Bruno Guimarães dominando as jogadas ofensivas no meio de campo.

Quando a bola rolou, o Brasil demonstrou muita apatia e colecionou erros de passes. E um deles resultou no gol do Japão, após Danilo tocar errado no meio e dar um contra-ataque de graça para os asiáticos fazerem 1 a 0, em belo gol de Sano. No segundo tempo, o Brasil voltou com outra mentalidade e foi pra cima, pressionando bastante a zaga japonesa e flertando com o gol a todo momento, com direito a bola tirada em cima da linha pela zaga asiática e uma na trave de Vini. Só aos 56’ que Casimiro, de cabeça, fez 1 a 1 e incendiou a partida.

O Brasil seguiu com controle da partida, enquanto o Japão só se defendia. Nos acréscimos, aos 90’ + 6’, Martinelli, que havia entrado naquela etapa final, recebeu na área de Bruno Guimarães e fez o gol da virada: 2 a 1. Brasil nas oitavas de final. E soberania mantida no retrospecto.

Retrospecto

OBS.: são contabilizadas apenas partidas das seleções principais, excluindo equipes olímpicas ou sub-23.

  • 15 jogos
  • 12 vitórias do Brasil
  • 1 vitória do Japão
  • 2 empates
  • 39 gols do Brasil
  • 9 gols do Japão

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1 COMENTÁRIO

  1. Até 2025 era ótimo surrar o Japão mas a coisa mudou e hoje em dia virou um sufoco gigante ganhar dos caras.

Comentários encerrados.

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