Nascimento: 18 de setembro de 1973, em Fortaleza, CE, Brasil.
Posição: Centroavante
Clubes: Vasco-BRA (1992-1994), Grêmio-BRA (1995-1996), Porto-POR (1996-2000), Galatasaray-TUR (2000-2001), Sporting-POR (2001-2003), Bolton-ING (2003-2004), Ancona-ITA (2004-empréstimo), Newell’s Old Boys-ARG (2004), Alavés-ESP (2005), Goiás-BRA (2005-2006), Beira-Mar-POR (2006-2007), Anorthosis-CPR (2007), Newcastle United Jets-AUS (2007-2008), Criciúma-BRA (2008), Ferroviário-BRA (2009), América do Ceará-BRA (2009), Flamengo do Piauí-BRA (2010), Cherno More-BUL (2010) e Rio Negro-BRA (2011).
Principais títulos por clubes:
- 3 Campeonatos Cariocas (1992, 1993 e 1994) pelo Vasco.
- 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996) e 2 Campeonatos Gaúchos (1995 e 1996) pelo Grêmio.
- 3 Campeonatos Portugueses (1996-1997, 1997-1998 e 1998-1999), 2 Taças de Portugal (1997-1998 e 1999-2000) e 3 Supertaças de Portugal (1996, 1998 e 1999) pelo Porto.
- 1 Supercopa da UEFA (2000) pelo Galatasaray.
- 1 Campeonato Português (2001-2002) e 1 Taça de Portugal (2001-2002) pelo Sporting.
- 1 Campeonato Argentino (2005) pelo Newell’s Old Boys.
- 1 Campeonato Goiano (2006) pelo Goiás.
- 1 Copa do Chipre (2007) pelo Anorthosis.
Principais títulos individuais e Artilharias:
- Artilheiro da Copa Libertadores: 1995 (12 gols)
- Artilheiro da Liga dos Campeões da UEFA: 1999-2000 (10 gols)
- Artilheiro do Campeonato Português: 1996–97 (30 gols), 1997–98 (26 gols), 1998–99 (36 gols), 1999–2000 (37 gols) e 2001–02 (42 gols)
- Artilheiro da Taça de Portugal: 1997–98 (10 gols), 1999–00 (6 gols), 2001–02 (7 gols)
- Chuteira de Ouro da Europa: 1998-1999 (36 gols) e 2001-2002 (42 gols)
- Bola de Ouro do Futebol Português: 1997, 1998 e 2002
- Único jogador brasileiro na história a vencer a Chuteira de Ouro da Europa duas vezes
“Terror dos Ares”
Por Guilherme Diniz
Com quase 1,90m de altura, ele poderia ser jogador de vôlei ou basquete, mas, para a alegria dos gremistas, portistas, sportinguistas e vários outros torcedores, ele partiu para o futebol. Tal vocação explica a impulsão absurda daquele atacante que marcava a maioria de seus gols de cabeça – cerca de 35% do total de seus quase 400 tentos. Ele foi um verdadeiro terror para as defesas do Brasil e do mundo pela quantidade de gols que fazia, pela ótima colocação e por aproveitar de maneira plena os cruzamentos que recebia. Depois de gastar a bola no Vasco e, principalmente, no Grêmio, foi para o futebol europeu e fez história com a camisa do Porto, pelo qual colecionou títulos e recordes que até hoje jamais foram igualados ou superados por qualquer outro atacante brasileiro. Mário Jardel Almeida Ribeiro, ou simplesmente Jardel, foi um dos grandes e mais prolíficos atacantes dos anos 1990 e 2000 e um emblema do Grêmio, do Porto, do Sporting e do Galatasaray, clubes onde mais se destacou. Por conta de problemas pessoais, acabou declinando na carreira principalmente após 2003, mas seu legado em campo segue intacto. É hora de relembrar.
Sumário
De Fortaleza à Colina

Nascido na capital cearense, Jardel desde pequeno demonstrava enorme vontade de ser jogador de futebol e começou, assim como muitos garotos no Brasil, a disputar peladas nas ruas. Só que a primeira posição do jovem foi como goleiro, e dos bons. “Eu era goleiro, muito bom goleiro. Comecei a jogar no Montese, bairro da minha cidade em Fortaleza, na rua. Fiz minha base toda no Ceará, depois fui ao Ferroviário e depois para o Rio de Janeiro, onde estourei no Vasco da Gama. Não sou diferente dos outros: comecei na rua, jogando aquelas ‘peladas’, com muita força de vontade”, comentou o craque ao site O Gol, em 2019.
Durante cinco anos, Jardel treinou no Ferroviário e utilizava quatro ônibus por dia para ir e voltar dos treinos. Foi preciso muita perseverança e força de vontade, além do apoio dos pais, para o garoto conseguir se destacar nas categorias de base do clube cearense. Depois de jogar no gol, Jardel acabou indo para o ataque por conta da boa estatura e grande senso de colocação, além de demonstrar boa precisão nos chutes e, principalmente, cabeçadas, características que fizeram dele o principal atacante do Ferroviário na época. Isso acabou despertando o interesse do Vasco, que adquiriu o passe do jogador em meados de 1992 por 27,5 mil dólares.
Antes de integrar a equipe profissional, Jardel passou pelos times de juniores do cruzmaltino e também da seleção brasileira, pela qual venceu o Mundial Sub-21 de 1993. Sempre carismático e brincalhão, era muito querido pelos companheiros e tal fato o ajudou a ter uma boa relação dentro e fora de campo com os atletas. No mesmo ano de 1993, foi artilheiro da Copa SP de Futebol Júnior com 8 gols e passou a jogar algumas partidas no time profissional. Com isso, integrou o elenco vascaíno campeão carioca daquele ano e também de 1994, principalmente após assumir a titularidade por conta da morte prematura de Dener, grande esperança do clube carioca na época.
“Foi muito interessante meu percurso no Vasco. Fiz um teste com 17 anos e fui aprovado. Comecei a fazer gols na base e subia e descia para o profissional. Eu treinava muito as finalizações depois dos treinos, isso me ajudou a adquirir confiança”, comentou o jogador, anos depois, ao globoesporte.com.

O experiente zagueiro Ricardo Rocha foi quem convenceu o técnico Jair Pereira a escalar Jardel no time principal naquela reta final do Carioca. E a confiança deu certo, pois Jardel marcou os dois gols no último jogo do quadrangular final diante do Fluminense que garantiu o tricampeonato estadual do Vasco, o primeiro da história do Gigante da Colina.
“Não fui unanimidade no Vasco, as pessoas me chamavam de grandalhão desengonçado, e esse grandalhão desengonçado fez dois gols na final. Tive uma história muito bonita, mas não tenho tanta identificação com a torcida, até porque era inconstante a titularidade. Devo muito ao Vasco, sou muito grato a todos que participaram da minha história no clube. Para mim é inesquecível”. – Jardel, em entrevista ao globoesporte.com, 15 de maio de 2024.
O super artilheiro

Apesar do título carioca, Jardel não conseguiu se firmar no Vasco e acabou emprestado ao Grêmio em 1995. A mudança acabou sendo um divisor de águas para a carreira do atacante, que simplesmente decolou no futebol. Treinado por Luiz Felipe Scolari e com grandes nomes como Danrlei, Arce, Roger, Rivarola, Adílson, Dinho, Paulo Nunes e companhia, o Grêmio era um dos maiores esquadrões do país e da América na época e Felipão lapidou Jardel para que ele deixasse de ser apenas um centroavante que ficava fixo na área para se movimentar mais e trabalhar a bola. O técnico do tricolor percebeu a qualidade de Jardel nas bolas paradas e desenvolveu um esquema de jogo para facilitar o trabalho do centroavante. Com isso, Arce e Roger eram os responsáveis pelos cruzamentos da direita e esquerda que caíam na cabeça de Jardel, que ganhava todas dos zagueiros e colocava a bola nas redes. Mas aquilo não era obra do acaso ou de sua altura. Era fruto de muito treino, como ele mesmo sempre ressaltou e aprimorou em seus tempos de Ferroviário e Vasco.
“As pessoas não sabiam, mas eu treinava na praia à noite. Já cabeceava bem e fazia dois treinos extras na praia, correndo e treinando finalização, cabeceio. Ficava fácil na hora do jogo, só escolhia o canto para colocar a bola. Nada foi por acaso”. – Jardel, em entrevista ao globoesporte.com, 15 de maio de 2024.


Lutando pelo título da Libertadores de 1995 como campeão da Copa do Brasil do ano anterior, o Grêmio começou sua jornada no Grupo 4 da competição e travou logo naquela etapa jogos complicados contra o Palmeiras. Na estreia, derrota por 3 a 2, com um gol de Jardel. Na sequência, empate em 2 a 2 contra o Emelec, no Equador, com um gol de Jardel. Após triunfo por 2 a 1 sobre o El Nacional-EQU, fora de casa, e empate sem gols com o Verdão, em casa, o Grêmio garantiu a classificação após golear o Emelec, no Olímpico, por 4 a 1 (mais um gol de Jardel) e vencer o El Nacional também em casa por 2 a 0.
Nas oitavas de final, Jardel deixou sua marca mais uma vez no duelo de ida contra o Olimpia-PAR na vitória por 3 a 0 em pleno Defensores del Chaco e, na volta, fez mais um nos 2 a 0 que colocaram o tricolor nas quartas de final. O adversário seguinte foi o Palmeiras e, na ida, no Olímpico, Jardel simplesmente destruiu o Verdão ao marcar três gols no lendário 5 a 0 do Grêmio pra cima do badalado time paulista. Os gols do craque foram todos no segundo tempo, quando o placar já apontava 2 a 0.




O primeiro veio com um toque, após cruzamento rasteiro da esquerda de Roger. O segundo foi de cabeça – em passe de Arílson – e o terceiro também de cabeça, após bola alçada por Paulo Nunes. No segundo jogo, Jardel fez mais um no começo do jogo no Palestra Itália, mas o Palmeiras conseguiu uma vitória histórica de 5 a 1, porém, insuficiente para se classificar, por o Grêmio venceu no agregado por 6 a 5.
Veja 9 gols incríveis de cabeça de Jardel pelo tricolor:

Na semifinal, o reencontro com o Emelec teve vitória tricolor por 2 a 0 em casa (mais um gol de Jardel) após empate sem gols no Equador. Na final, os gaúchos fizeram 3 a 1 no Atlético Nacional-COL no Olímpico (mais um gol de Jardel) e, no segundo jogo, seguraram o 1 a 1 para ficar com o bicampeonato continental. Jardel foi o artilheiro com 12 gols – maior número em uma só edição desde os 13 gols do brasileiro Palhinha, do Cruzeiro, em 1976 – e foi o maior artilheiro do Grêmio na história da Libertadores. O craque ainda faturou o Campeonato Gaúcho daquele ano e ficou com o vice-campeonato no Mundial Interclubes após derrota nos pênaltis diante do Ajax-HOL.
Máquina de Golos em Portugal

Com o empréstimo chegando ao fim, Jardel começou a receber propostas de vários clubes, entre eles o Porto-POR, que que ofereceu mais de 1,5 milhão de dólares pelo passe do atacante. O Vasco, no entanto, deu prioridade ao Grêmio, que contou até com uma campanha criada pela torcida chamada “Fica, Jardel” com o intuito de arrecadar fundos para bancar a compra do jogador. O tricolor conseguiu o montante, mas, poucos dias antes da final do Mundial de 1995, a venda de Jardel foi sacramentada ao Rangers-ESC por US$ 4.500.000,00, mas o brasileiro não obteve o passaporte europeu e os empresários alugaram seu passe ao Grêmio.
Jardel permaneceu até junho de 1996 no Grêmio, levantou a Recopa Sul-Americana – um gol nos 4 a 1 sobre o Independiente-ARG – e o bicampeonato gaúcho, com recital do craque na final diante do Juventude: três gols no 4 a 0 do tricolor, jogo este que foi o último do atacante com a camisa do imortal, pois ele acabou se transferindo já no segundo semestre para o Porto-POR por mais de 6 milhões de dólares. Jardel deixou o Grêmio após 84 jogos e 65 gols.
No Estádio das Antas, antiga casa portista, Jardel seria treinado por António Oliveira, ídolo do clube e técnico de Portugal na Eurocopa 1996. De início, o centroavante compunha uma dupla com presença de área ao lado de Domingos Paciência. Todavia, a lesão do antigo artilheiro deixou o brasileiro como grande referência na linha de frente. E ele aproveitou. Municiado por companheiros como Zlatko Zahovic e Sérgio Conceição, o cearense anotou 35 gols na primeira temporada, 30 apenas pelo Campeonato Português. Artilheiro da competição, marcou 10 tentos a mais que o segundo na lista de goleadores, o holandês Jimmy Floyd Hasselbaink.

Foi em 1996 que Jardel ganhou suas primeiras convocações para a seleção brasileira, mas o excesso de craques e o auge de Ronaldo Fenômeno não deram muitas chances ao centroavante, que disputou apenas 10 jogos e marcou um gol com a amarelinha. Ele também debutou na Liga dos Campeões da UEFA e marcou dois gols na vitória do Porto sobre o Milan por 3 a 2.
Na temporada 1996-1997, Jardel seguiu como principal artilheiro do Porto, anotou 26 gols na campanha do título português e ainda atingiu a incrível façanha de marcar sete gols em apenas 45 minutos (!) em um jogo pela Taça de Portugal, contra o frágil Juventude de Évora. Teve gol de cabeça e de tudo quanto era jeito (até de letra!) e o Porto venceu por 9 a 1. Mas foi a partir da temporada 1998-1999 que o brasileiro viveu o auge goleador. Com 36 gols em 32 partidas – sendo apenas dois cobrando pênaltis -, Jardel foi novamente o artilheiro do Campeonato Português, levantou mais uma taça nacional – que completou o pentacampeonato portista – e venceu a cobiçada Chuteira de Ouro como maior artilheiro das ligas europeias, sendo o segundo brasileiro a receber o prêmio, repetindo o que Ronaldo havia conseguido em 1997 pelo Barcelona.

Em 12 partidas pela liga, Jardel anotou dois ou mais gols. A maior vítima foi o Beira-Mar, com quatro tentos nos 7 a 0 do segundo turno. E o matador seria decisivo também nos clássicos ao definir duelos contra Benfica e Sporting no Estádio das Antas, balançando as redes duas vezes para cima dos encarnados e uma diante dos sportinguistas. Na época 1999-2000, Jardel não conseguiu ajudar o Porto a alcançar o hexacampeonato nacional, mas levantou a Taça de Portugal com um gol em uma das finais contra o Sporting.
Na Liga dos Campeões da UEFA, marcou 10 gols e foi um dos artilheiros do torneio, ao lado do brasileiro Rivaldo e do espanhol Raúl. Jardel fez três gols no Real Madrid, na primeira fase de grupos, incluindo dois na vitória por 2 a 1 sobre os merengues, em Portugal, e ainda gols diante do Barcelona e do Bayern. O Porto, porém, foi eliminado nas quartas de final diante dos bávaros.
Naquela época, o craque tinha média superior a um gol por jogo e era um dos mais prolíficos e perigosos atacantes do Velho Continente, reconhecido por toda a imprensa e até pelos adversários. Além do posicionamento pleno dentro da área, Jardel conseguia se desvencilhar dos adversários com facilidade, era ótimo nos arremates de primeira para o gol e aproveitava como poucos as chances que recebia.
Temporada turca e ida ao Sporting

Na temporada 2000-2001, Jardel acabou negociado ao Galatasaray-TUR, que precisava de um atacante para suprir a saída do ídolo Hakan Sükur, que foi jogar na Internazionale. O clube turco vivia o mais vertiginoso período de sua história e havia conquistado o título da Copa da UEFA em 1999-2000. Com os brasileiros Taffarel e Capone, os romenos Popescu e Hagi, além dos turcos Hasan Sas, Korkmaz, Hakan Ünsal, Belözuglu e Ümit Davala, o time de Istambul era muito competitivo e seria um lugar ideal para Jardel seguir devastando adversários. E seu início não poderia ser melhor: cinco gols nos 7 a 0 sobre o Erzurumspor, pelo Campeonato Turco, e dois gols (um deles o Gol de Ouro, na prorrogação) na vitória por 2 a 1 sobre o Real Madrid-ESP, então campeão da Liga dos Campeões da UEFA, na final da Supercopa da UEFA.
Embora tenha marcado 22 gols em 24 jogos no campeonato nacional, Jardel não conseguiu fazer o Galatasaray campeão nacional e o clube amarelo e vermelho acabou com o vice-campeonato turco. Na Liga dos Campeões, o atacante marcou gols importantes, inclusive um nos 3 a 2 sobre o Real Madrid, nas quartas de final, em Istambul – o time turco acabou derrotado em Madri por 3 a 0 e foi eliminado.

Após 34 gols em 43 jogos, Jardel acabou se transferindo para o Sporting, onde recuperou o lado prolífico dos tempos de Porto e venceu outra Chuteira de Ouro da Europa em 2001-2002, quando marcou 42 gols em 30 jogos. Ele foi campeão português e da Taça de Portugal naquela temporada, mas seguiu ausente da seleção brasileira, algo que o magoou profundamente. Além disso, foi em 2002 que Jardel entrou em um visível declínio na carreira.
Passando por problemas pessoais (incluindo o divórcio da esposa, Karen Ribeiro) e emocionais, lesões frequentes e vício em drogas, que começou em meados de 2000, Jardel não manteve a regularidade dos tempos de Porto. Segundo o técnico do Sporting na época, László Bölöni, o jogador se mostrava entorpecido até mesmo nas preleções.

“Eu colocava a escalação no quadro, com os jogadores ali, e o médico me sinalizava que não seria possível porque o Jardel… (aponta para o nariz). Faziam o teste para ver se o médico o liberaria para jogar, e ele testava positivo (para cocaína)”.
“Uma vez eu disse a ele: ‘Vou te levar comigo para o centro de treinamentos e ficamos trancados em Alcochete. Você fica no seu quarto e eu no meu. Conversamos, comemos, treinamos’. Eu fazia treinos extras para ver se ele se recuperava. O que saía daquele homem era algo terrível. Depois de seis dias, ele me disse que não estava bem e que precisava sair, mas que voltaria. Ele fez uma ligação, pegou um táxi e desapareceu. Acabou aparecendo no dia seguinte, mas o médico novamente me sinalizou”. – László Bölöni, em entrevista ao podcast Vorbitorincii (Romênia), 17 de novembro de 2025.

Já na segunda temporada, Jardel acabou desfalcando o time em 15 das 34 rodadas do Campeonato Português e marcou 12 gols em 21 partidas. Apesar do momento ruim que vivia, Jardel teve tempo de conviver com um jovem Cristiano Ronaldo, prodígio das categorias de base do Sporting e que começou naquela época a jogar pelos profissionais. O brasileiro chegou até a dar dicas de cabeceio ao futuro melhor do mundo. “Eu pegava a bola e chamava ele [Cristiano Ronaldo]: ‘Vai ali, juvenil, cruzar pra mim e aprender como é que se cabeceia’”, comentou Jardel, anos depois. O jogador permaneceu no Sporting até 2003 e deixou o clube com uma média de gols impressionante: 1,08 gols por jogo – 67 gols em 62 jogos.
Declínio, várias camisas e aposentadoria

A saída do Sporting aprofundou de vez a queda de Jardel. Ele nunca mais conseguiu jogar em alto nível, foi negociado várias vezes, especulado outras tantas e sempre seu físico e problemas com o vício eram determinantes para as negativas de clubes e desempenhos ruins. Sem brilhar no futebol europeu, retornou ao Brasil, jogou na Argentina, retornou à Europa, jogou até no Chipre e na Bulgária, até se aposentar de vez em 2011, aos 38 anos. Sua vida seguiu conturbada naquela década, quando entrou para a política e, após ser eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul em 2014, teve o mandato cassado em 2016 por organização criminosa, uso de documento falso, concussão e peculato, além de lavagem e ocultação de bens. Ele comentou sobre esse período conturbado.
“Eu fui acusado de muita coisa que não fiz, as pessoas que me fizeram mal sabem. E não vou falar nomes aqui. Eu entrava no elevador para subir na Assembleia, os deputados querendo fotos, não sei o que… não sabia para onde ir, errei também nas escolhas dos assessores. Errei tudo, admito. Isso é um passado, não descarto voltar a ser um deputado estadual aqui em Fortaleza (cidade onde vive atualmente), quando for a hora certa de ser um vereador, um deputado, um aliado, mas na área do esporte, no que sei fazer.
Não tive a sabedoria que os outros já tinham, fui mal orientado, então correu mal. Mas, graças a Deus, está tudo passando. Já está acabando o processo, as pessoas que queriam me fazer mal não apareceram no julgamento, porque sabem que estão errados. E eu tenho a consciência limpa, já paguei a improbidade, está tudo lá e não foi provado nada até agora. Estou muito consciente do que fiz de errado, levo uma vida honesta comigo mesmo para ter essa maturidade diária de estar onde tenho que estar, em ambientes saudáveis buscando coisas que sei fazer”. – Jardel, em entrevista ao globoesporte.com, 04 de setembro de 2025.
Atualmente, Jardel segue na luta contra a dependência química, mas seus feitos dentro de campo são reconhecidos por todos e ele é uma personalidade única em Portugal, onde já participou até do Big Brother. Artilheiro nato e um dos maiores cabeceadores da história, o brasileiro foi, sem dúvida, uma lenda incontestável, vencedora e decisiva. Um craque imortal.

Números de destaque:
Disputou 75 jogos e marcou 36 gols pelo Vasco.
Disputou 84 jogos e marcou 65 gols pelo Grêmio.
Disputou 175 jogos e marcou 168 gols pelo Porto.
Disputou 62 jogos e marcou 67 gols pelo Sporting.
Disputou 43 jogos e marcou 34 gols pelo Galatasaray.
Disputou 542 jogos e marcou 389 gols na carreira.
Marcou mais de 120 gols de cabeça na carreira.

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Jardel o melhor atacante estrangeiro da história do futebol português isso é um fato.
Eu já tinha ouvido falar do Jardel, que ele foi bem pelo Vasco e pelo Grêmio, mas que o melhor momento dele foi, mesmo, em terras europeias, mais exatamente pelo Porto-POR! Jogou muito! Uma pena ele ter tido problemas com vício!
Fez bem em lembrar o Mário Jardel, Imortais! Ele foi, de fato, um Super Mário! E craque imortal! Abraço e Feliz 2026!
Jardel foi mesmo um grande craque, Miguel! Feliz 2026! Abraço!