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Barcelona x Real Madrid – El Clásico

 

 

Por Guilherme Diniz

 

Este é o maior clássico do mundo de uma lista especial do Imortais. Confira a relação completa no link ao final deste texto!

 

A rixa: o Barcelona fica na Catalunha, tradicional região separatista da Espanha. É o maior divulgador da causa catalã, do idioma, da cultura, de todo um povo. O Real é de Madrid, representa o “outro” lado, com laços estreitos no antigo franquismo, no governo e no nacionalismo espanhol. Ambos possuem torcidas imensas não só na Espanha, mas em todo mundo. Construíram ao longo das décadas alguns dos mais famosos e inesquecíveis esquadrões da história do futebol. Quase todos os maiores jogadores de todos os tempos vestiram ao menos uma vez a camisa de um ou de outro. No século XXI, os clubes praticamente monopolizaram os noticiários, transmissões na TV e  os principais Resultados de LaLiga ao vivo. Possuem estruturas invejáveis. Patrocínios milionários. Estádios exuberantes. Patrimônios impressionantes. E, claro, títulos quase incontáveis. Não é apenas um clássico. É um jogo político. Um evento mundial. Barça x Real é o clássico dos clássicos. É a essência do futebol globalizado.

Quando começou: no dia 13 de maio de 1902, na vitória do Barcelona sobre o então chamado Madrid FC, por 3 a 1. Mas a rivalidade explodiu, mesmo, nos anos 1940, após a Guerra Civil Espanhola.

Maior Artilheiro: Lionel Messi-ARG (Barcelona): 26 gols

Quem mais venceu: Real Madrid – 101 vitórias (até outubro / 2022). O Barcelona venceu 97. Foram 52 empates. Obs: apenas jogos oficiais.

Se contarmos todos os jogos temos o Barcelona como maior vencedor – 116 vitórias. O Real Madrid venceu 105. Foram 62 empates.

Maiores goleadas: Real Madrid 11×1 Barcelona, 19 de junho de 1943

Real Madrid 8×2 Barcelona, 03 de fevereiro de 1935

Barcelona 7×0 Real Madrid, 1º de novembro de 1913

Barcelona 7×2 Real Madrid, 24 de setembro de 1950

Barcelona 6×1 Real Madrid, 19 de maio de 1957

Imagine a maior região econômica de um país sedenta por independência. Agora pense em uma época de opressão e guerras que reprimiram tais sentimentos por muito tempo. Como enfrentar e viver em um ambiente tão hostil? Com escapes. E o apoio a um time que virou a representação máxima de toda a Catalunha. Vestir a camisa azul e grená do Barcelona virou o mantra contra o governo espanhol. Principalmente após a Guerra Civil. Do outro lado, o Madrid FC ganhou o título de Real e virou a grande vitrine do governo Franco. Ano a ano, o clube foi construindo uma história de títulos e hegemonias, mas sempre teve percalços justamente diante do vizinho catalão. Sofreu grandes derrotas. Eliminações. Goleadas. Os merengues quase sempre levam a melhor sobre qualquer adversário no planeta. Mas, quando encaram os blaugranas, toda a imponência é reduzida a pó. Eles se comportam de maneira diferente.

Ali está o rival. Ali está o único clube capaz de impor medo a um time destemido. E é assim, década após década. Se o Real monta um esquadrão competitivo, vai o Barça e monta outro tão bom quanto. Ou melhor. E vice e versa. Se o Real foi eleito o melhor clube do século XX pela FIFA, o Barça começa o novo século com shows e a alcunha de o melhor do novo milênio. É uma briga de gigantes. Requintada. Clássica. Com particularidades. Política ao extremo. E, claro, cheia de tensão e provocações. Barcelona e Real Madrid é El Clásico, o número 1 dessa lista tão complexa e com tantos duelos históricos. Pelo peso que tomou nas últimas décadas e pelo passado repleto de interferências políticas, é fácil entender o motivo de o duelo entre madrilenos e catalães estar neste posto. E entender a rivalidade entre ambos é percorrer a própria evolução do futebol ao longo de mais de um século.

O primeiro clássico, lá em 1902: tempos (ainda) tranquilos…

 

Antes da grande rivalidade tomar forma, Barcelona e Madrid FC duelavam normalmente no futebol espanhol, sendo o primeiro encontro no dia 13 de maio de 1902, pelas semifinais da Copa de la Coronación, competição amistosa organizada em Madrid como parte dos festejos da coroação do rei Alfonso XIII. O Barcelona, mais experiente (era de 1899), venceu o novato Madrid (fundado naquele ano) por 3 a 1. As equipes disputavam, juntamente com a outra grande potência do país naquele começo de século XX, o Athletic Bilbao, os principais títulos do calendário nacional.

Em 1916, os times tiveram um primeiro entrevero na semifinal da Copa do Rei, quando foram necessárias quatro partidas para ver quem iria para a grande decisão. Na primeira, em Barcelona, deu Barça: 2 a 1. Na segunda, no estádio de O’Donell, em Madrid, vitória do time da capital por 4 a 1. Na terceira, um alucinante 6 a 6 também em Madrid marcou época e soa como utópico nos dias de hoje. No quarto e último duelo, os merengues venceram por 4 a 2, mas o Barcelona deixou o campo sob protestos contra a arbitragem e também por causa dos dois jogos extras terem sido disputados na capital.

Os anos passavam e nada de os times se cruzarem em finais. Era mais comum ver Athletic x Madrid decidindo um título do que Barça x Madrid, tanto é que o jogo entre bascos e madrilenos tinha a alcunha de “mais clássico” do que madrilenos e catalães. No entanto, até o início da década de 1930, o Barcelona já colecionava oito troféus da Copa do Rei contra cinco do Madrid. Só o Athletic acumulava mais: 10 taças. Era clara a vocação vencedora de ambos. Em 1929, o Barcelona venceu o primeiro Campeonato Espanhol da história, mas só voltaria a celebrá-lo nos anos 40. Já o Real (que já tinha esse nome desde 1920, após ganhá-lo do rei Alfonso XIII), foi bicampeão em 1931-1932 e 1932-1933.

E, em 1936, enfim aconteceu a primeira decisão da história entre merengues e blaugranas, na Copa do Rei. Disputada no campo do Valencia, a decisão terminou com triunfo do Real por 2 a 1, em um jogo simbólico por dois motivos: foi a última partida oficial antes do início da Guerra Civil Espanhola, que pararia o futebol do país por três anos, e também o último jogo da carreira do lendário goleiro Ricardo Zamora, que mais uma vez fez grandes defesas para o Real e garantiu a taça diante dos catalães.

Zamora, herói do Real campeão de 1936.

 

Com a guerra entre republicanos e nacionalistas e a vitória do general Franco, todas as regiões espanholas que possuíam culturas e ideologias distintas, como os bascos e os catalães, foram duramente reprimidos. Franco não iria permitir a divulgação de formas culturais que não fossem “genuinamente espanholas”, muito menos em línguas diferentes do espanhol. Com isso, o Barcelona teve que tirar a bandeira da Catalunha de seu escudo e até mudar seu nome para Club de Fútbol Barcelona. Até a antiga Copa do Rei mudou de nome para Copa del Generalísimo na época. Felizmente, o ditador não extinguiu as práticas esportivas e os jogos do Barcelona passaram a ser uma forma de mostrar as qualidades que a Catalunha tinha e sua identidade.

Com a construção do Camp Nou e sua inauguração, nos anos 50, o estádio virou a fortaleza na qual se refugiava a identidade catalã. E, como não poderia deixar de ser, os jogos contra o Real Madrid, lá da capital, viraram duelos políticos. O barcelonista não podia negar que o time merengue carregava em si a identidade espanhola e os ideais do General Franco, que usaria o Real como bandeira esportiva da pátria principalmente nos anos 50, no apogeu do timaço merengue pentacampeão da Liga dos Campeões da UEFA.

O início dessa nova era no futebol espanhol viu o Barça ser campeão da copa nacional em 1942 e dois duelos que catapultaram a rivalidade extrema entre madrilenos e catalães nas semifinais da competição, em 1943. No primeiro jogo, em Barcelona, o time da casa fez 3 a 0 com muita contestação merengue por causa da arbitragem e também pelo comportamento dos torcedores catalães, que vaiaram e provocaram sem parar os madrilenos. Com isso, os torcedores do Barça foram proibidos de viajar até Madrid. Lá, no dia do jogo, o ônibus que levou o Barcelona até o estádio de Chamartín foi apedrejado e hostilizado na saída do hotel pelos madrilenos.

Em campo, moedas e objetos foram jogados na grande área do Barça no começo do jogo. Nas arquibancadas, os torcedores gritavam “separatistas, separatistas!”. O goleiro catalão Miró nem sequer podia chegar perto da linha de seu próprio gol para não levar pedradas. Era um ambiente impossível de se praticar um jogo de futebol – a ponto das autoridades da Segurança Nacional irem ao vestiário do Barça e dizer que “não tinham como garantir a segurança dos jogadores” em campo, com aquele ar de “não vençam aqui, ok?”. Qual a chance de um time jogar em um ambiente daquele? Nem é preciso mencionar o juiz, que nem ligou. Com isso, só o Real jogou. O primeiro tempo acabou 8 a 0. E o jogo (jogo?) terminou 11 a 1. Foi um escândalo.

E a amostra ilustrada de que o Real era o time da ditadura e o Barça o dos oprimidos. O jogador catalão Fernando Argila, em entrevista publicada no livro “Fear and Loathing in La Liga: Barcelona vs Real Madrid”, de Sid Lowe, disse: “não havia rivalidade. Não, ao menos, até aquele jogo”. A Federação Espanhola multou os times após o ocorrido em 2,5 mil pesetas. Foi tão obsceno que a goleada nem foi celebrada em Madrid e tão pouco é recordada. Mais tarde, o Real acabou derrotado pelo Athletic Bilbao por 1 a 0 na final.

 

A goleada da discórdia: Real ainda ficou muitos anos na fila depois do resultado atípico e suspeito.

 

Em 1953, outro episódio deflagrou ainda mais a rivalidade entre os clubes. Alfredo Di Stéfano, um dos maiores jogadores do futebol mundial na época, chamou a atenção de Barça e Real graças ao seu talento com a camisa do Millonarios-COL, que havia participado das Bodas de Ouro do Real Madrid, em 1952, e vencido os merengues por 4 a 2, com dois gols do argentino. A queda de braço foi intensa, e, por um momento, o Barcelona conseguiu um acordo com o craque. No entanto, quando o Real chegou na parada, a briga alcançou patamares enormes que precisaram de intervenção da FIFA e, dizem, do próprio governo Franco. Após muita discussão, ficou decidido que ele jogaria um período em cada clube. Mas o Barcelona não aceitou e concedeu o direito ao Real Madrid. O resto é história: o clube empilhou taças na década, faturou um pentacampeonato europeu, eliminou o rival na semifinal da Liga dos Campeões de 1959-1960 e virou o titã que conhecemos hoje em dia.

Mas o Barça não deixou por menos: inaugurou seu imponente Camp Nou, formou um grande esquadrão com Kubala, Kocsis e companhia e levantou vários títulos nacionais e internacionais, além de ser o responsável por eliminar o Real Madrid pela primeira vez na história de uma Liga dos Campeões, nas oitavas de final da temporada 1960-1961, após cinco temporadas seguidas com títulos merengues.

Kubala e Di Stéfano: quase a dupla jogou junta no Barcelona…

 

…Mas o craque argentino acabou indo para o Real Madrid.

 

Nos anos 60, o Real concentrou suas ações em solo nacional e deixou os rivais muito para trás no quesito títulos. Além disso, emendou sua maior sequência de vitórias no clássico: seis triunfos, entre setembro 1962 e fevereiro 1965, igualando a mesma conquistada pelo Barça entre janeiro de 1948 e janeiro de 1949. Mas vale destacar um nobre gesto que amenizou um pouco as tensões entre catalães e madrilenos no ano de 1961. Santiago Bernabéu, lendário presidente do Real, viajou até Budapeste (HUN) e, durante um jantar, foi questionado por um dos anfitriões o que a cidade húngara poderia oferecer ao mandatário espanhol. Ele disse:

“Vive na Espanha um homem que vocês conhecem muito bem. Se chama Ladislao Kubala. Há quase 13 anos que ele deseja abraçar sua mãe, que vive aqui na Hungria. Vocês sabem tanto quanto eu que diversos problemas de ordem política impedem que esses dois seres se encontrem. Eu gostaria que vocês me ofereçam a possibilidade de brindar a Kubala, que não joga no meu clube, o abraço de sua mãe”.

As autoridades húngaras deram poucos dias depois uma permissão para que a mãe de Kubala viajasse até Barcelona para passar as festas de fim de ano e Natal com seu filho e netos. O próprio Bernabéu teve que intervir junto ao governo espanhol para a entrada da senhora, pois o franquismo proibia a entrada de pessoas oriundas de países socialistas e não mantinha relações diplomáticas com a Hungria na época. Por fim, tudo deu certo e a “guerra fria” entre Madrid e Barcelona foi rompida por uma nobre causa. Era a prova máxima de respeito que Bernabéu tinha para com Kubala, que tanto brilhou pelo Barça e foi desejado pelo próprio presidente madrileno.

Kubala (à esq.) e sua mãe, em Madrid. Foto: La Vanguardia.

 

No franquismo, de 1939 até 1975, os merengues levantaram 14 títulos nacionais, seis copas nacionais, seis Ligas dos Campeões da UEFA e um Mundial Interclubes. Já o Barcelona conquistou oito títulos nacionais, nove copas nacionais e três Copas das Cidades com Feiras (precursora da Copa da UEFA, atual Liga Europa). Placar geral: 27 títulos merengues contra 20 dos catalães (a maioria nos anos 50), que tiveram um rápido suspiro de equiparidade com a chegada de Johan Cruyff nos anos 70, que ajudou o Barça a encerrar um jejum de 14 anos sem títulos no Campeonato Espanhol na temporada 1973-1974, com direito a um histórico 5 a 0 do Barça pra cima do Real em Madrid. Naquele final de anos 70 e ao longo dos anos 80, a rivalidade entre a dupla diminuiu um pouco, sem grandes tensões e graças ao fim da ditadura. Além disso, a boa fase do Atlético de Madrid fez com que o Dérbi Madrileno ganhasse mais atenção na capital do que o próprio Barça x Real.

Cruyff no Barça, na década de 70.

 

Mas tudo começou a mudar nos anos 90 e 2000. Com investimentos cada vez maiores e grandes times, os clubes voltaram a protagonizar grandes embates e monopolizaram mais uma vez as conquistas nacionais. Além disso, os dois principais ultras – grupos que se assemelham às organizadas brasileiras – dos clubes, os Boixos Nois, pelo Barcelona, e os Ultras Sur, pelo lado do Real Madrid, ganharam força com inspirações ultranacionalistas. De um lado, os Boixos Nois nasceram com uma tendência política de esquerda e antifascista, que foi sendo apagada ao longo dos anos. Enquanto isso, ideais franquistas norteavam os grupos de torcedores merengues. Ambos torcedores carregavam um sentimento ufanista radical.

Na virada do milênio, os times passaram a abrir o leque para o futebol globalizado e concentraram alguns dos principais craques do planeta. Até que, em 2000, mais um episódio reacendeu a rivalidade: o português Figo, ídolo da torcida do Barcelona, estava descontente por não ter sido valorizado como deveria após tantos jogos marcantes tanto pelo Barça quanto pela seleção de Portugal. Com isso, o Real fez uma tentadora proposta ao meia e conseguiu levá-lo para Madrid por 60 milhões de euros.

Figo pelo Barça: foi um choque a troca que o português fez naquele começo de século.

 

Pérez, Figo e Di Stéfano, na apresentação do craque português em Madrid.

 

Foi uma bomba. A torcida do Barcelona não perdoou a traição e Figo virou Judas na Catalunha. Era como se Messi deixasse o Barça e fosse para o Real. Ou se o goleiro Marcos, eterno xodó do Palmeiras, decidisse jogar no Corinthians. Era totalmente impensável. Mas aconteceu. E, como não poderia deixar de ser, o primeiro reencontro de Figo com a torcida no Camp Nou, em um clássico disputado no dia 21 de outubro de 2000, foi uma guerra. As quase 100 mil pessoas no gigante estádio catalão vaiaram de maneira impiedosa o português e causaram uma poluição sonora que superava o barulho da decolagem de um avião, segundo contagem de decibéis da TV3 na época.

Nas arquibancadas, faixas com xingamentos, notas com o rosto de Figo e dezenas de objetos lançados ao gramado foram apenas alguns dos itens que encheram o campo e a cabeça do jogador. Para piorar, o Barça venceu por 2 a 0 e fez a festa da torcida. Em 2002, a recepção barcelonista no Camp Nou ao craque foi ainda mais severa, com muitos objetos arremessados contra ele a cada cobrança de lateral ou escanteio, incluindo uma macabra cabeça de porco (!). O jogo foi encerrado em 0 a 0 pelo árbitro antes do tempo normal por questões de segurança.

Torcedores queimam foto de Figo nas arquibancadas do Camp Nou.

 

Em 2002, a torcida do Barça jogou até uma cabeça de porco (no detalhe) contra seu ex-ídolo.

 

A situação vivida por Figo foi bem diferente das passadas por Evaristo e Ronaldo, brasileiros que jogaram em ambos os clubes, mas que não enfrentaram a fúria da torcida como a vivida pelo português. Após o período Galáctico do Real, o Barcelona tomou para si o protagonismo no futebol espanhol e europeu e iniciou uma fase de vitórias históricas sobre o rival, tanto em casa como fora. Na Era Ronaldinho, o destaque foi o triunfo por 3 a 0 no Santiago Bernabéu, em 19 de novembro de 2005, quando o craque brasileiro foi aplaudido de pé.

E, na Era Guardiola, o time catalão emendou cinco vitórias seguidas em duelos pelo Campeonato Espanhol entre 2008 e 2010, incluindo nessa conta um 6 a 2 no Santiago Bernabéu, em maio de 2009 – com o blaugrana Puyol beijando a braçadeira de capitão (que sempre teve as cores da Catalunha) em frente à torcida merengue – e um 5 a 0 no Camp Nou, em novembro de 2010, com show do ataque e de David Villa. Na temporada 2010-2011, os rivais decidiram uma vaga na final da Liga dos Campeões da UEFA, algo que não acontecia desde 2002. E deu Barça, que devolveu o revés de uma década atrás com vitória por 2 a 0 fora de casa e empate em 1 a 1 em casa.

O Barcelona acumulou, de 2004 até 2018, 4 Ligas dos Campeões da UEFA, 3 Mundiais de Clubes, 3 Supercopas da UEFA, 9 Campeonatos Espanhóis, 6 Copas do Rei e 8 Supercopas da Espanha, totalizando 33 títulos, alcançando um patamar incrível no futebol e semelhante até ao do Real dos anos 50 e 60. Mas o clube merengue não deixou por menos e, entre 2004 e 2018, também venceu 4 Ligas dos Campeões da UEFA (sendo três de maneira consecutiva), 3 Mundiais de Clubes da FIFA, 3 Supercopas da UEFA, 4 Campeonatos Espanhóis, 2 Copas do Rei e 3 Supercopas da Espanha, um total de 19 troféus. Mesmo assim, os deuses do futebol não fizeram com que ambos decidissem uma Liga dos Campeões, sonho de todo torcedor. Eles duelaram pela taça apenas em torneios nacionais: as Copas do Rei de 2010-2011 e 2013-2014 (vitórias do Real) e as Supercopas da Espanha de 2011 (vitória do Barça), 2012 (vitória do Real) e 2017 (vitória do Real).

Messi, maior artilheiro da história do clássico.

 

Nessas duas décadas do século XXI, os clubes expandiram suas marcas pelo mundo, alavancaram torcidas por todos os cantos e transformaram o clássico em um evento mundial, maior até que embates entre seleções. Favoreceu, também, a quantidade de bons jogadores em ambos os times e justamente os melhores do mundo desde 2009 jogarem ou no Barça ou no Real. Com novos conflitos separatistas na Catalunha a partir da segunda metade da década de 2010 – a região aprovou uma declaração unilateral de independência em 2017, mas sem reconhecimento internacional e que sofreu intervenção do senado espanhol, que vetou a independência e manteve a interminável instabilidade política entre Espanha e Catalunha. E é claro que tudo isso refletiu no futebol.

Zidane se estressou nos anos 2000…

 

A provocação ácida de Puyol…

 

… Cristiano Ronaldo pedindo “calma”…

 

… E comemorando em uma decisão de Supercopa…

 

Provocação nos 5 a 0 do Barça sobre o rival…

 

E briga entre Puyol e Sergio Ramos: Clássico ganhou episódios quentes entre os anos 2000 e 2010.

 

Antes, um adendo: sempre que um campeão espanhol conquista o título com rodadas de antecedência, os adversários seguintes da campanha batem palmas antes de cada duelo em um corredor humano como forma de parabenizar os campeões e respeitar o feito – essa prática é conhecida como pasillo. Barça e Real já haviam feito o pasillo um para cada um em 1988 (Real campeão), 1991 (Barça campeão) e 2008 (Real campeão).

Mas, no clássico disputado em maio de 2018, o Barcelona, que já era o campeão espanhol, não recebeu o pasillo do Real Madrid, que se recusou a fazer tal homenagem. Foi uma resposta pelo fato de o Barça não ter feito o pasillo ao Real Madrid em dezembro de 2017, após o clube merengue conquistar o Mundial de Clubes da FIFA. A resposta dos catalães foi que “como eles não haviam participado do torneio, não fazia sentido algum realizar o pasillo”. Enfim, picuinhas que só reafirmaram o clima tão hostil de um clássico que sempre estará nos holofotes e na boca do torcedor. Um clássico que é a essência do futebol globalizado e símbolo político de um país inteiro.

 

 

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Comentários encerrados

2 Comentários

  1. Um clássico quente, que envolve futebol, craques, questões políticas e culturais… Não é mistério o fato dele ser gigante no mundo todo, com muita gente vibrando com os merengues e os blaugranas.

    Imortais, fez um belo trabalho! Realmente os clássicos daquela lista especial mereciam um belo texto cada um! No entanto, ainda afirmo que o site precisa de grandes clássicos entre seleções. Já tem Brasil VS Argentina, mas tem muitos outros que o Imortais pode checar. Abraço, Guilherme Diniz!

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