Jogos Eternos – Brasil 1×7 Alemanha 2014

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Data: 08 de julho de 2014

O que estava em jogo: uma vaga na final da Copa do Mundo da FIFA de 2014.

Local: Estádio do Mineirão, Belo Horizonte (MG), Brasil.

Juiz: Marco Rodriguez (MEX)

Público: 58.141 pessoas

Os Times:

Brasil: Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho, intervalo) e Oscar; Hulk (Ramires, intervalo), Bernard e Fred (Willian, aos 23´do 2º T). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker, intervalo) e Höwedes; Schweinsteiger, Khedira (Draxler, aos 31´do 2º T), Kroos e Özil; Thomas Müller e Klose (Schürrle, aos 12´do 2º T). Técnico: Joachim Löw.

Placar: Brasil 1×7 Alemanha (Gols: Müller-ALE, aos 11´, Klose-ALE, aos 23´, Kroos-ALE, 24´e aos 26´, e Khedira-ALE, aos 29´do 1º T; Schürrle-ALE, aos 24´e aos 34´, e Oscar-BRA, aos 45´do 2º T.)

 

“O espetáculo alemão na partida da abertura de olhos”

Desde 2013, após a conquista da Copa das Confederações, que a história era a mesma e repetida aos borbotões em solo brasileiro: “seremos hexacampeões”. “O Maracanazo será enterrado”. “A amarelinha pesa”. E vários outros blábláblás. O povo, que em sua maioria não entende nada de futebol como ele realmente é, acreditou na ladainha. Quando a Copa começou, o script do ano anterior foi repetido: hino cantado à capela, emoção, bravura. Os jogadores pareciam guerreiros antes de entrarem em uma batalha. Na primeira fase, liderança, duas vitórias e um empate e nada de futebol bonito e eficiente. Nas oitavas, um empate que poderia ser uma derrota contra o Chile e classificação no sufoco (e no chororô) apenas nos pênaltis. Nas quartas, outra vitória apertada contra a freguesa Colômbia. Aí veio a semifinal. E o primeiro grande adversário. Outra vez, o discurso foi o mesmo, de otimismo e de superação mesmo sem a principal estrela brasileira, Neymar. Mas, quando a bola rolou no Mineirão, o que se viu foi um atropelamento. A Alemanha, exemplo de seleção bem treinada, bem preparada e com talento em praticamente todos os cantos do campo, não se importou com o adversário em casa, com a torcida toda contra, com a tal da amarelinha e suas cinco estrelas no escudo etc. Eles fizeram um gol. Dois gols. Três gols. Quatro gols. Cinco gols. E tudo isso em apenas 18 minutos, do gol de Müller, aos 11´, até o gol de Khedira, aos 29´. Nunca antes na história das Copas algo semelhante havia acontecido. No segundo tempo, eles fizeram mais um. E outro. O placar da FIFA teve que usar pela primeira vez o scroll para mostrar os marcadores para quem via pela TV. Era Brasil 0x7 Alemanha. SETE! No final, ainda teve um golzinho de Oscar, o único que logo após o apito final do jogo chorou. Era o fim do oba-oba. A prova real de que aquela seleção (?) treinada (??) por um ex-técnico em atividade não iria e não merecia final alguma. Era um time medíocre. Um time sem alma. Um time desequilibrado emocionalmente. Um time sem talento à altura da história da amarelinha. Para os daqui, foi a maior tragédia (e foi mesmo) da história centenária da Seleção Brasileira. Mas, para o futebol, foi um prêmio, um favor prestado pela Alemanha por evitar que uma aberração como aquela chegasse à decisão e, quem sabe, vencesse uma das melhores Copas dos últimos tempos. Lembra do Maracanazo? Pois é. Ele virou partida comum. É hora de relembrar a mais nova ferida do futebol nacional: o Mineirazo (ou seria Mineiratzen?).

 

Pré-jogo

Os alemães na Bahia: descontração e calmaria sem perder o foco em nenhum momento.

Os alemães na Bahia: descontração e calmaria sem perder o foco em nenhum momento.

 

Brasil e Alemanha chegaram à semifinal em condições completamente opostas. Do lado alemão, a equipe havia iniciado a caminhada com uma sonora goleada de 4 a 0 sobre Portugal, empatou um jogo disputadíssimo contra Gana e venceu os EUA por 1 a 0, resultados que classificaram os alemães em primeiro lugar no Grupo G. Nas oitavas de final, o time penou para vencer a Argélia, que segurou o 0 a 0 no tempo normal e só caiu na prorrogação, vencida pelos europeus por 2 a 1. Nas quartas, um duelo cheio de história contra a França e, como sempre, final feliz para a Alemanha: vitória por 1 a 0. Sólidos, organizados e com o astral lá em cima graças a hospedagem na belíssima Santa Cruz Cabrália, na Bahia, os jogadores alemães pareciam se divertir no Brasil em busca de um título que era o objetivo primordial para coroar um trabalho iniciado há mais de uma década.

Por outro lado, o time que o Brasil levava para a “sua” Copa, a Copa tão esperada depois de 64 anos, era um verdadeiro crime contra a história da Seleção Brasileira – que, justamente em 2014, completava 100 anos de vida. A comissão técnica era ultrapassada e tinha Luiz Felipe Scolari, um ex-treinador em atividade, como o “comandante” do hexa, amparado por um igualmente retrógrado Parreira. A dupla acreditava veemente que o trabalho estava bem feito e que o time vencedor da Copa das Confederações (competição que, convenhamos, nunca valeu nada e nunca foi levada a sério pelas grandes seleções) poderia ser campeão do mundo jogando em casa. Mas, a partir da estreia, contra a Croácia, tudo começou a ficar bem claro que nada daquilo iria terminar bem. Na primeira fase, a seleção da casa venceu os croatas graças a uma providencial ajuda do árbitro, empatou sem gols com o México e venceu a patética seleção de Camarões (e ainda levou um gol dos africanos). A equipe jogava um futebol medíocre, sem brilho e sem nenhuma organização tática. Neymar era o único jogador considerado craque no elenco, mas só havia feito jus ao nome nos jogos em que não recebeu marcação cerrada – contra Croácia e Camarões.

Choro, choro e mais choro: um dos muitos retratos do Brasil na Copa.

Choro, choro e mais choro: um dos muitos retratos do Brasil na Copa.

 

Nas oitavas, um exemplo máximo do despreparo do time: empate em 1 a 1 com o Chile, prorrogação e quase eliminação quando os chilenos mandaram uma bola na trave no finalzinho do tempo extra. Mesmo com o apoio da torcida, os brasileiros desabaram no choro antes da disputa de pênaltis e mostraram para todo o mundo o despreparo emocional que aquela seleção (?) tinha. Nos pênaltis, Júlio César fez sua parte e deu a vaga para o Brasil. Nas quartas de final, a equipe encarou a sensação Colômbia, que não confiou em si própria e acabou derrotada por 2 a 1, embora tenha levado perigo nos minutos finais.

Naquele jogo, Neymar sofreu uma pancada de Zuñiga que o tirou do Mundial, além de Thiago Silva ter levado o segundo amarelo após uma falta boba e desnecessária. Falando em faltas, o que mais aquele Brasil fazia era faltas, numa clara incapacidade de roubar bolas dos adversários. Sem sua principal estrela (que se mostrou apagada nos dois jogos de mata-mata por ter recebido a marcação devida), a equipe, ao invés de chamar a responsabilidade e buscar alternativas para vencer a Alemanha, começou uma verdadeira procissão pela saúde do astro, com mensagens, vídeos e várias ações de puro marketing que até parecia que Neymar nunca mais iria voltar a jogar – ou até que tinha partido para a vida eterna! Era simplesmente patético. Os jogadores apareciam mais nas redes sociais e em fotos do que no campo de treinamento, enquanto a Alemanha treinava e se preparava para um jogo de tamanha importância que era uma semifinal. Completa e sem desfalques, a equipe europeia era a favorita mesmo contra o país sede e sua torcida. Mas o Brasil tinha a certeza de que iria vencer, principalmente sua torcida, que mostrava em sua grande maioria uma alienação tremenda e olhos fechados para o péssimo time que o Brasil tinha naquele Mundial.

Enquanto o Brasil se preocupava com Neymar e postava fotos em redes sociais, a Alemanha treinava...

Enquanto o Brasil se preocupava com Neymar e postava fotos em redes sociais, a Alemanha treinava…

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Primeiro tempo – O atropelamento

Com quase 60 mil pessoas, o Mineirão se pintou mais uma vez de amarelo para apoiar sua seleção em busca da final, do último degrau, do Maracanã, do hexa. Na escalação, Felipão optou por Bernard e pela manutenção do mesmo esquema de jogo fraco no meio de campo e que dava total liberdade para o rival tocar a bola e pensar, algo que nunca este mesmo Felipão faria em seus tempos de treinador vitorioso e copeiro. O Brasil vestia seu uniforme tradicional, belo, inconfundível, mas que era vestido por um punhado de jogadores que nunca souberam o tamanho da camisa que tinham em seus corpos. Já a Alemanha optava pela combinação rubro-negra, tida por alguns da imprensa brasileira como um tiro no pé pelo fato de o Flamengo, clube homenageado pelos alemães, nunca ter sido bem vindo em Minas Gerais (vê se pode!).

Na hora dos hinos, mais um exemplo do marketing e da supervalorização da imagem dos jogadores ao cantarem segurando a camisa de Neymar (!). Qual o motivo daquilo? Em 2002, quando Emerson foi cortado, ele teve sua camisa levada nos jogos? Em 1998, quando Romário foi cortado, ele teve sua camisa levada nos jogos? Em 1962, quando Pelé foi cortado, ele teve sua camisa levada nos jogos? Não, não e não! O público alienado adorou, claro, mas aquilo era mais uma prova de que o time dependia demais de Neymar e não tinha talento suficiente para suplantá-lo.

Müller (ao centro, com olhar penetrante): gol do artilheiro foi o de número 2000 na história da Seleção Alemã.

Müller (ao centro, com olhar penetrante): gol do artilheiro foi o de número 2000 na história da Seleção Alemã.

 

Quando a bola rolou, o equilíbrio e o 0 a 0 duraram apenas dez minutos, tempo para a Alemanha ter um escanteio a seu favor, cobrar e Müller aparecer no meio da área, sozinho, para fazer o primeiro gol do jogo (e o de nº 2000 da Seleção Alemã na história): 1 a 0. Era o primeiro ato da melhor e mais brilhante partida da Alemanha em toda a Copa do Mundo. E o início de um jogo que entraria para todos os livros e enciclopédias sobre esportes (e não só sobre futebol) no planeta. Sem criatividade nem força ofensiva, o Brasil não esboçava reação alguma para chegar ao gol de empate. Com um centroavante nulo e longe de seus melhores dias (Fred), nenhum meia digno da camisa 10 e até com um jogador com nome de herói da Marvel, o Brasil era nulo. E a Alemanha era tudo o que um dia o time canarinho foi. Toques precisos, dedicação tática, marcação suprema, lealdade e total confiança em si e no time, no conjunto, e não só em um jogador. A torcida brasileira, lacônica, não apoiava sua seleção e parecia só existir, mesmo, para cantar o hino nacional e as músicas manjadas e “brocha-jogador” de sempre (“Eeeeeeu sou brasileiro, com muito orgulho…” e “Brasil, Brasil”).

Klose celebra seu gol nº16 em Copas.

Klose celebra seu gol nº16 em Copas.

 

Avessa a tudo aquilo, a Alemanha tratou de mostrar seu futebol e seu apetite aos 23´, quando Fernandinho não interceptou um passe e deixou a bola livre para Kroos, que tocou para Müller e este deixou com categoria para Klose chutar duas vezes antes de marcar o segundo gol: 2 a 0. Era o 16º gol do atacante em Copas, tento que fez o alemão ultrapassar o brasileiro Ronaldo como o maior goleador da história dos Mundiais. Certa dos espaços que tinha, a Alemanha decidiu aproveitar e ver até onde seu talento iria. E até que ponto aquele Brasil era ruim. Apenas um minuto depois, em mais um ataque de pé em pé, Khedira deixou no meio com Kroos, este deixou com Özil, que viu a passagem de Lahm na direita e fez o lançamento. Sozinho, o capitão cruzou para a área, Müller furou, mas Kroos pegou o rebote e, de primeira, fez um belo gol: 3 a 0. Era um desfile da Alemanha. E uma passividade impressionante do Brasil. Dois minutos depois, acredite, Kroos roubou a bola de Fernandinho no campo de defesa com uma facilidade imensa, deixou com Khedira, e este devolveu como se a jogada fosse num treino ou os zagueiros brasileiros fossem bobinhos. Kroos fuzilou e fez o quarto gol: 4 a 0.

Kroos chuta para marcar um de seus dois gols: jogador foi o melhor em campo.

Kroos chuta para marcar um de seus dois gols: jogador foi o melhor em campo.

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A Alemanha flutuava, encantava. O Brasil agonizava. E chorava, claro. Mas ainda tinha mais. Aos 29´, em mais um ataque pelo meio, Hummels saiu do campo de defesa, foi levando e deixou com Khedira, que tocou para Özil, e este devolveu para o meio-campista fazer o quinto: 5 a 0. Era um estrondo! Um vexame para os brasileiros. E um feito para a história das Copas. Nunca uma seleção havia marcado cinco gols em apenas 18 minutos. Muito menos QUATRO gols em seis minutos.

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A partir daquele gol, era fato que a Alemanha estava na final. E que os europeus poderiam aumentar o placar quando quisessem e como quisessem. Cientes do que estavam fazendo, os respeitosos alemães diminuíram o ritmo e não quiseram se esforçar mais naqueles quinze minutos restantes. Kroos ainda chutou uma bola aos 31´que quase enganou Júlio César. Ao invés de se fechar para não tomar mais, o Brasil continuava da mesma maneira, concedendo espaços, sem apertar na marcação e sem um mínimo de raça. Ao apito do árbitro, o Mineirão era um misto de choque e revolta, com as vaias ecoando em meio aos cânticos dos alemães de “Rio de Janeiro, ô ô ô ôô” e “Deutschland, Deutschland, Deutschland”. Será que viraria cinco e acabaria dez? Ninguém duvidava…

Os times em campo: com todos os espaços possíveis, a Alemanha aplicou seu jogo coletivo e colocou o Brasil na roda.

Os times em campo: com todos os espaços possíveis, a Alemanha aplicou seu jogo coletivo e colocou o Brasil na roda.

 

Segundo tempo – A consagração alemã e o vexame eterno

O paredão Neuer defende um chute de Paulinho: só faltava a exibição dele para o show ficar completo!

O paredão Neuer defende um chute de Paulinho: só faltava a exibição dele para o show ficar completo!

 

Tentando esboçar alguma reação, Felipão tirou o pseudo super-herói e Fernandinho para as entradas de Ramires e Paulinho, volantes que teriam a obrigação de diminuir os espaços no meio de campo. Nos primeiro minutos, o Brasil foi mais ativo do que não tinha sido no primeiro tempo e percebeu que a Alemanha não era apenas um time excelente, mas também detentora de um goleiro fora de série: Neuer. Aos 6´, o camisa 1 alemão cortou com precisão um cruzamento rasteiro de Ramires que tinha endereço certo (os pés de Oscar). Aos 7´, Neuer defendeu com as pernas um chute de Oscar à queima roupa. Aos 8´, o gigante fez duas defesas sensacionais em dois chutes de Paulinho e mostrou que aquele era mesmo o dia da Alemanha – e que ele era, de fato, o melhor goleiro do mundo na época. Mesmo sofrendo aqueles ataques, a Alemanha continuava seu jogo solidário e com os jogadores cumprindo suas funções com maestria. Müller e Özil ajudavam na marcação e voltavam para recuperar a bola, Lahm tinha o apoio dos volantes, Schweinsteiger e Kroos eram os comandantes das jogadas pelo meio e Boateng o pilar do sistema defensivo.

Schüurle vibra...

Schüurle vibra…

 

Aos 12´, o técnico alemão Joaquim Löw decidiu sacar Klose para a entrada de Schüurle, atacante oportunista e com muita técnica. Querendo mostrar serviço, o camisa 9 entrou com gás e disposto a acabar com aquele “marasmo” alemão. Aos 15´, Müller arriscou de fora da área e Júlio César espalmou para escanteio. Aos 24´, a Alemanha cansou de ficar sem fazer gols e decidiu construir mais um. Lá atrás, Boateng tocou para Özil, que partiu em direção ao ataque e deixou com Kroos, que tocou para Lahm e este deixou na direita para Khedira. Como um verdadeiro lateral, o meio-campista cruzou rasteiro para o mesmo Lahm, que tocou para o miolo da área, onde Schüurle se movimentou como quis e só teve o trabalho de tocar para o canto oposto do goleiro: 6 a 0. Que fácil! Estava claro que a Alemanha marcava quando queria e do jeito que mais lhe convinha. No placar o jogo, a FIFA era obrigada a baixar a barra de rolagem para mostrar os autores dos gols alemães, algo pouco comum (seria inédito?) nas transmissões pela TV.

... E acerta um lindo chute para fechar o passeio.

… E acerta um lindo chute para fechar o passeio.

 

A exemplo do que já havia acontecido no primeiro tempo, mais e mais pessoas deixavam o Mineirão indignadas e revoltadas, mas com os olhos enfim abertos pela goleada alemã que escancarou a realidade daquele Brasil. Aos 34´, após uma cobrança de lateral, a Alemanha fechou sua apresentação de gala com uma pintura de Schüurle, que recebeu da esquerda, dominou e chutou uma bola indefensável para o gol: 7 a 0. Os aplausos ecoavam pelo Mineirão. Em pé, os torcedores davam sua primeira mostra lúcida de realidade ao reconhecer o talento e a força daquela Alemanha, em uma postura digna e respeitosa. Os minutos se passaram e o jogo esfriou. Özil ainda teve sua chance de fazer um gol, mas chutou para fora no finalzinho. Aos 45´, Oscar fez o gol de honra (que honra?!) do Brasil, para desespero de Neuer, que ficou p*** da vida por levar um gol daquele time tão fraco. Após os acréscimos, o árbitro Marco Rodríguez apitou o final do jogo. A Alemanha estava na final do Maracanã graças a uma das maiores atuações de sua seleção em toda a história. E o Brasil, de maneira vexatória e humilhante, eliminado em sua própria casa. Estava sacramentada a maior derrota em toda a história da Seleção Brasileira. E uma série de recordes, tais como:

– A pior derrota do Brasil em Copas;

– A partida que o Brasil mais tomou gols em Copas;

– A maior goleada em semifinais de Copa, superando outros três duelos que haviam terminado em 6 a 1;

– A maior goleada em jogo entre campeões do mundo, superando o Alemanha 4×0 Uruguai, em 1966;

– A pior derrota de um anfitrião da Copa;

– Nunca uma seleção havia marcado quatro gols em tão pouco tempo em uma Copa do Mundo. A Alemanha conseguiu isso em apenas seis minutos, entre os 23´e os 29´do 1º tempo;

– A Alemanha foi a terceira seleção a conseguir marcar cinco gols ou mais em um só tempo. As outras foram Iugoslávia (marcou seis gols no primeiro tempo), na goleada de 9 a 0 sobre o Zaire, em 1974, e a Polônia (marcou cinco gols no primeiro tempo), nos 7 a 0 sobre o Haiti, também em 1974.

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A derrota vexatória transformou a partida de 08 de julho de 2014 em Mineirazo, em alusão ao Maracanazo de 1950. Mas, ao contrário da derrota brasileira na final de 64 anos antes, o revés em Belo Horizonte significou muito mais. Foi a derrota da pior equipe que o Brasil levou para um Mundial, a maior humilhação nacional e transmitida para bilhões de pessoas, ao vivo, em todo o mundo e a deflagração de um time obsoleto, patético, individualista e parado no tempo há mais de uma década, desde o pentacampeonato conquistado na Coreia e no Japão, em 2002. Desde aquele penta (com o próprio Felipão), o Brasil jamais foi o mesmo. Não produziu mais camisas 10. Não ensinou em suas categorias de base (quais categorias?) que o futebol é, também, tático e coletivo, e cometeu o erro crasso de endeusar e adjetivar como craque qualquer jovem que marcasse algum gol bonito ou fizesse uma jogada plástica de efeito vez ou outra.

A vitória alemã fez bem ao futebol. Classificou um exemplo de Seleção na mais pura definição da palavra, que se preocupa com os resultados e com o bom jogo ao invés de ficar chorando, lamentando, postando fotos e participando de centenas e dezenas e milhares e milhões de propagandas. Após a abertura de olhos para a realidade, o torcedor brasileiro espera ter uma seleção digna, profissional e organizada nos próximos anos. Mas, para isso, é preciso uma reconstrução, e, acima de tudo, educação esportiva e profissional com investimentos em jovens e em suas cabeças, para que não se transformem nos moleques que pensam ser homens que tanto empesteiam o futebol brasileiro. Falando nisso, o ex-jogador alemão Lothar Matthäus, um dos maiores craques da história, foi preciso nas palavras ao se referir sobre os jogadores brasileiros na Copa:

“Não entendo por que um jogador de futebol chora. Brasileiros sempre choram. Toca o hino, choram; eliminam o Chile, choram; perdem para a Alemanha, choram. Eles têm de mostrar que são fortes. Nunca vi nada tão nefasto como a linguagem corporal dessa equipe”. – Lothar Matthäus, em entrevista ao jornal francês Le Journal du Dimanche, 12 de julho de 2014.

 

Se a mudança tão necessária no futebol brasileiro acontecer num médio espaço de tempo, quem irá ganhar será não só o Brasil, mas também o futebol, que terá de volta a Seleção Brasileira, aquela pentacampeã mundial, mas que teve o pior presente de aniversário que ela poderia imaginar para seu centenário. Um crime que jamais será esquecido. E que, ao contrário de 1950, quando um só jogador carregou injustamente o fardo da culpa pelo resto da vida (Barbosa – leia mais clicando aqui), teve vários culpados no gramado, no banco e em paletós espalhados por aí.

Abaixo, algumas capas de jornais e home-pages de sites com a repercussão do jogo.

A Bola (Portugal) e Olé (Argentina).

A Bola (Portugal) e Olé (Argentina).

 

 

Extra (Brasil) e O Globo (Brasil).

Extra (Brasil) e O Globo (Brasil).

 

A Tarde (Brasil) e Folha de S.Paulo (Brasil).

A Tarde (Brasil) e Folha de S.Paulo (Brasil).

 

Home-page do Bild (Alemanha).

Home-page do Bild (Alemanha).

 

Home-page do Olé (Argentina).

Home-page do Olé (Argentina).

 

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

 

Brasil: depois do vexame, a comissão técnica (?) brasileira tentou explicar o fracasso com frases feitas, mentiras ridículas e que o “trabalho havia sido bem feito”, em legítimas conversinhas para enganar a torcida e a imprensa. Todos disseram que seria “questão de honra” ficar com o terceiro lugar, que a “vida deveria continuar porque amanhã é um novo dia”, mas, no jogo do dia 12 de julho, a equipe perdeu de 3 a 0 da Holanda, não jogou absolutamente nada novamente e conseguiu mais uma façanha: ter a pior defesa do Brasil em uma só Copa do Mundo com 14 gols sofridos em sete jogos, além de ter terminado o Mundial com a pior zaga da competição e ter mostrado que havia ido longe demais na Copa graças aos adversários fracos e fregueses que enfrentou pelo caminho antes de enfrentar equipes realmente fortes. Foi o “vexame dos vexames” na “Copa das Copas”.

Troca de comando técnico no jogo contra a Holanda: os jogadores do banco passando instruções para Thiago Silva, com Felipão esquecido à esquerda. Retrato de um time para se esquecer.

Troca de comando técnico no jogo contra a Holanda: os jogadores do banco passando instruções para Thiago Silva, com Felipão à esquerda. Retrato de um time para se esquecer.

 

Alemanha: seria um sacrilégio se a seleção alemã, depois de tudo o que fez no Brasil e pelo Brasil, com doações aos índios e até construção de um centro de treinamento, saísse da América sem a Copa. Na final, contra a cascuda Argentina, os europeus brincaram com a sorte e quase levaram gols de Higuaín, Messi e Palacio, mas, após 0 a 0 nos 90 minutos, o jovem Mario Götze, de 22 anos, marcou um golaço e deu a vitória por 1 a 0 e o título à melhor equipe da Copa e do mundo, que venceu seis jogos, empatou um, marcou 18 gols (melhor ataque) e sofreu apenas quatro. Um prêmio a quem tratou o Mundial com respeito e valor desde o início. E que planejou ser campeã com uma década de antecedência. Um tetra inesquecível, como foi inesquecível o vareio do eterno 7 a 1.

 

A Alemanha com a Copa: o futebol agradeceu.

A Alemanha com a Copa: o futebol agradeceu.

 

Extra:

Veja os gols e lances daquele jogo eterno.

 

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