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Jogos Eternos – Palmeiras 4×0 LDU 2025

Data: 30 de outubro de 2025

O que estava em jogo: uma vaga na final da Copa Libertadores da América de 2025.

Local: Estádio Allianz Parque, São Paulo (SP), Brasil.

Árbitro: Wilmar Roldán (COL)

Público: 39.941 pessoas

Os Times:

Palmeiras-BRA: Carlos Miguel; Bruno Fuchs (Khellven), Gustavo Gómez e Murilo; Allan (Giay), Andreas Pereira, Sosa (Felipe Anderson), Maurício (Raphael Veiga) e Piquerez; Flaco López e Vitor Roque (Aníbal Moreno). Técnico: Abel Ferreira.

LDU-EQU: Domínguez; Quintero, Adé, Richard Mina (Freddy Mina), Quiñónez e Cuero (De La Cruz); Gruezo, Cornejo (Alvarado) e Villamil; Alzugaray (Pastrán) e Medina (Estrada). Técnico: Tiago Nunes.

Placar: Palmeiras 4×0 LDU. Gols: Sosa-PAL, aos 20′ e Bruno Fuchs-PAL, aos 45’+5’ do 1ºT; Raphael Veiga-PAL, aos 23′ e aos 37’ do 2ºT.

 

“A Noite Mágica: 90 minutos no Allianz Parque é muito tempo!”

Por Guilherme Diniz

Uma das viradas mais espetaculares da história da Libertadores aconteceu em agosto de 1995, quando o Palmeiras, após perder por 5 a 0 para o Grêmio o duelo de ida das quartas de final, conseguiu devolver os cinco gols sofridos, mas levou um e viu a vaga escapar por detalhes. Aquele jogo ficou marcado para sempre pela entrega, intensidade e vontade empregada pelos jogadores do Verdão na época, mesmo que a classificação não tenha vindo. Foi um jogo que encheu de orgulho o torcedor e que sempre temperou discussões sobre o que teria acontecido se a remontada com a vaga tivesse acontecido. Exatos 30 anos se passaram e eis que o Palmeiras se viu diante de um novo cenário desafiador: reverter uma diferença de três gols da LDU. Muitos diziam ser impossível, principalmente pelo bom momento do time equatoriano, que só tinha levado um gol em cinco jogos do mata-mata.

Só que o Palmeiras invocou seu próprio hino. Surgiu imponente no gramado em que a luta o aguardava, sabendo bem o que vinha pela frente. O técnico Abel Ferreira resgatou a mitologia dos estádios e, com uma licença poética, disse que “90 minutos no Allianz Parque é muito tempo”, assim como o Real Madrid trata suas partidas de mata-mata no Santiago Bernabéu desde os anos 1980. E, quando a bola rolou, o Verdão lutou pela bola como se aquele jogo fosse uma final. Lutou pelo orgulho. Lutou por uma remontada para chamar de sua, para que gerações pudessem relembrar. O primeiro gol saiu aos 20 minutos. O segundo tinha que sair ainda no primeiro tempo, para a cartilha do “vira dois, acaba quatro” ficar completa. Pois no último minuto, saiu.

Veio o tempo complementar e mais um gol, dessa vez dos pés do talismã Raphael Veiga, tão simbólico nos títulos alviverdes do começo da década de 2020. O 3 a 3 já era uma realidade. Só que o Palmeiras não queria disputa de pênaltis. Queria decidir nos 90 minutos. Tinha tempo, muito tempo, graças ao feitiço de Abel. E, aos 37’, Raphael Veiga, de pênalti, fez o gol da classificação e da maior virada de um clube brasileiro na história da Libertadores: 4 a 0. Ao final do jogo, o feiticeiro Abel não se conteve e chorou, justamente na noite em que completava cinco anos de seu anúncio como técnico do Palmeiras. E, naquela noite, ele entregou a Noite Mágica ao torcedor palmeirense. É hora de relembrar Palmeiras 4×0 LDU 2025.

Pré-jogo

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Jogo da ida foi um pesadelo para os alviverdes. Foto: Franklin Jacome / Getty Images.
 

Com boas contratações e a ótima fase de sua dupla de ataque – Flaco López e Vitor Roque – o Palmeiras foi uma equipe totalmente diferente no segundo semestre de 2025. Saiu o time moroso e pouco efetivo dos primeiros seis meses do ano e entrou uma equipe mais ofensiva, dinâmica e competitiva. Reflexo disso foram os jogos no mata-mata da Libertadores e no Brasileirão, com destaque para os triunfos sobre o Universitario-PER, em pleno Peru, por 4 a 0, e sobre o River Plate-ARG, nas quartas de final, tanto na Argentina (2 a 1) quanto em SP (3 a 1), além de uma arrancada no Brasileirão que deixou o Verdão na liderança, seguido de perto pelo Flamengo. Nas semifinais da Liberta, o time de Abel Ferreira teve pela frente a LDU, que vinha de triunfos marcantes sobre o então campeão continental Botafogo, nas oitavas, por 2 a 0 (em casa), após derrota por 1 a 0 fora, e sobre o São Paulo, nas quartas, por 2 a 0 (em casa) e 1 a 0 (fora). 

O time do brasileiro Tiago Nunes tinha uma equipe que se garantia em casa, como tradicionalmente a LDU sempre se garantiu, mas que também levava perigo fora dela, tanto é que foi líder de um dos grupos mais difíceis da primeira fase, o Grupo C, à frente do Flamengo (que chegou à final), do Central Córdoba-ARG e do Deportivo Táchira-VEN. A aposta da equipe equatoriana era construir um bom resultado em Quito e ir com a vantagem para o Brasil. Só que nem o mais otimista torcedor poderia imaginar uma partida tão perfeita: vitória por 3 a 0, com amplo domínio dos equatorianos para cima dos brasileiros, principalmente no primeiro tempo, quando construíram o elástico placar com gols aos 16′, 27′ e 45’+2′. Se o desempenho da LDU foi ótimo, o do Palmeiras foi decepcionante e colocou em risco a classificação. No pós-jogo, o treinador alviverde se mostrou muito abatido, mas convicto de que era possível reverter. 

“Eu acredito que é possível, que é possível na nossa casa fazer o mesmo número de gols ou mais. Não tenho pacto com ninguém. Não vamos ganhar sempre, mas vamos sempre lutar até o último segundo. A derrota é dura, pesada, e eu acredito que se há uma equipe que pode inverter essa vitória somos nós”.

O técnico ainda evocou o poder do time em seu estádio: “Não vou perder muito tempo a pensar naquilo que se passou aqui hoje. Não é a primeira equipe brasileira que vem aqui na altitude e sofre dessa maneira. O nosso foco a partir de agora são os 90 minutos no Allianz Parque, e 90 minutos é muito tempo. Parabéns ao nosso adversário, hoje foram melhores. Agora temos 90 minutos no Allianz Parque e vamos à procura de virar esse resultado”.

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Um decepcionado Abel, em Quito. Foto: Franklin Jacome / Getty Images
 

Ao longo da coletiva, Abel disse ao menos cinco vezes que “90 minutos no Allianz Parque é muito tempo”, uma referência direta ao Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid, que ganhou fama de ajudar o time merengue em suas viradas nas competições europeias principalmente nos anos 1980, na época da Quinta del Buitre. Já na semana do jogo, o Palmeiras teve três dias de preparação. O técnico definiu que seu time não iria jogar como jogou em Quito. Precisava de um plano surpresa, mais ousado. Por isso, escalou o time em um 3-5-2, com Bruno Fuchs entrando no lugar de Emiliano Martínez, Ramón Sosa no lugar de Felipe Anderson, pela esquerda, para ter mais agressividade no ataque, e o talentoso e rápido Allan no lugar de Khellven, pela direita.

A ideia era pressionar desde o primeiro pontapé na bola, não deixar o rival ficar tocando e encurralá-lo em seu campo de defesa. As bolas aéreas também seriam alternativas cruciais para as jogadas ofensivas, principalmente pelo fato de o Verdão ser perito no assunto. Do lado da LDU, o time seria praticamente o mesmo da ida, com a diferença de ir com uma linha de cinco mais fixa no meio de campo e sem a correria da ida, em Quito. Os equatorianos apostavam na resiliência e no passado de classificações e títulos em jogos no Brasil, mesmo com derrota. Só que, naquela noite de 30 de outubro, a história seria completamente diferente…

Primeiro tempo – Quando surge o Alviverde Imponente…

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Sosa comemora o primeiro gol. Foto: Marcos Ribolli
 

Diante de quase 40 mil pessoas, o Palmeiras tinha um ambiente perfeito para a virada histórica. E, assim que a bola rolou no Allianz Parque, o time tratou de responder ao apoio maciço que recebeu. Com uma dominância impressionante, o time inteiro do Verdão foi pra cima da LDU e fechou os espaços para forçar o erro do rival, que já cedeu escanteio logo aos 2’, quando Vitor Roque pressionou o zagueiro Adé e este mandou a bola para a linha de fundo. Aquele era o jogo que Abel queria, a intensidade necessária para a virada. Depois de uma chance desperdiçada por Roque, após a cobrança de escanteio de Andreas Pereira, Piquerez cruzou para o meio da área e achou Flaco, que chutou e acabou bloqueado. A bola sobrou para Maurício, mas ele também teve seu chute parado pela defesa da LDU. Aos 6’, Vitor Roque recebeu de Andreas Pereira e tentou acionar Flaco López dentro da área. O argentino acabou caindo, pediu pênalti, mas Wilmar Roldán mandou seguir.

Com quase 75% de posse de bola, o Palmeiras via a LDU totalmente recuada, com quatro defensores fixos dentro da área e uma lacuna na intermediária que passou a ser explorada pelo alviverde. Só aos 11’ que os equatorianos chegaram pela primeira vez no ataque, com Villamil, mas o lateral chutou para fora. Aos 14’, Bruno Fuchs apareceu no ataque como um lateral e cruzou na cabeça de Flaco López, que desviou de cabeça rente à trave de Domínguez. Aquele era o caminho do gol. E, aos 20’, Allan recebeu na direita, ajeitou para a perna esquerda com liberdade e cruzou. A bola foi na cabeça de Sosa, no meio de dois zagueiros, que só escorou e mandou a bola pro fundo do gol: 1 a 0. Só faltavam três!

Os jogadores celebraram, mas não perderam tempo. Era correr para o outro lado do campo e seguir atacando! Apesar da tensão envolvida na partida, só aos 24’ que ocorreu a primeira falta da partida, num ótimo exemplo de jogo limpo das duas equipes, o que valorizava ainda mais a partida, embora os primeiros cartões tenham surgido aos 25’, para Gustavo Gómez, ao impedir um ataque equatoriano, e aos 26’, para Quintero, após falta dura em Flaco. O Palmeiras continuava pressionando, mas pecava um pouco no último toque e na marcação da LDU, que melhorou dos 30’ aos 40’. Já eram 14 finalizações do Palmeiras contra apenas três da LDU, um reflexo claro da superioridade alviverde. Aos 35’, grande chance do Verdão, quando Vitor Roque arrancou no três contra um, com Allan e Sosa, invadiu a área e teve o chute bloqueado por Mina, cara a cara com Domínguez.

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Os times em campo: Palmeiras todo no ataque e LDU toda na defesa. Óbvio que deu Verdão!
 
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Fuchs celebra o segundo gol. Foto: Marcello Zambrana / AGIF
 

Já nos acréscimos, o Palmeiras sabia que mais um gol deixaria sua missão mais fácil para a etapa final. E lutou naqueles últimos minutos pelo gol da esperança. E a esperança era verde! Aos 48’, Richard Mina cometeu falta em Vitor Roque e levou cartão amarelo. Na cobrança, Andreas Pereira cobrou rasteiro para Sosa, no meio de campo, e saiu em disparada pela esquerda, enquanto um bolo de jogadores da LDU ficou no meio da área esperando a bola aérea. A redonda acabou indo para a esquerda, mas não na direção de Andreas Pereira, mas sim de Vitor Roque, que subiu sozinho para cabecear e ajeitou para o meio da pequena área. A bola sobrou para Bruno Fuchs, que bateu de primeira e fez 2 a 0.

De novo, nada de comemorar por muito tempo. Era correr para o outro lado e seguir com foco na virada, mas o árbitro encerrou o primeiro tempo. Os jogadores alviverdes foram para os vestiários ávidos, embalados, certos de que a missão estava sendo cumprida! Só faltava um gol para igualar o placar agregado. E dois gols para a virada. Já os da LDU suavam frio. A vaga na final estava escorrendo pelas mãos.

Segundo tempo – A maior virada brasileira da história

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Veiga, com a bola: meia protagonizou a remontada histórica.
 

Sem modificações, o Palmeiras voltou da mesma maneira para a etapa final, enquanto a LDU tirou um atacante (Alzugaray) para a entrada de um meio-campista (Pastrán). E, com a bola em jogo, o Verdão seguiu como se a partida tivesse começado: fôlego no alto, velocidade, concentração, vontade. E, com apenas 3’, Piquerez cruzou para o meio da área e a bola foi ao encontro de Flaco López. O argentino desviou de cabeça e o goleiro Domínguez fez a defesa, evitando o terceiro gol – tudo bem que a cabeçada acabou saindo fraca, mas o arqueiro equatoriano teve reflexo para espalmar. A LDU continuava em seu campo, muito retraída, uma postura bem contestável para um time que queria disputar uma final de Libertadores (será que queria mesmo?). Mesmo com a vantagem, os equatorianos deveriam sair mais, tocar a bola, ser mais ofensivo. Apenas esperar e se defender era um erro crasso. E, como disse Abel, 90 minutos no Allianz é muito tempo…

Os minutos foram se passando e o terceiro gol não saiu. Com isso, Abel mudou o time aos 18’, quando colocou Raphael Veiga no lugar de Maurício e Felipe Anderson na vaga de Sosa. E tais mexidas seriam cruciais para o desenrolar da partida. Experiente, Veiga virou outra referência ofensiva do Verdão e iria não só levar perigo nas bolas aéreas como também flutuar entre os zagueiros equatorianos. Logo no primeiro minuto em campo, o meia cobrou falta e obrigou Domínguez a espalmar para escanteio.

Até que, aos 22’, começou a ser construído o gol do êxtase. Veiga recebeu no meio de campo e, de primeira, mandou a bola lá pro ataque, na esquerda, para Vitor Roque. O atacante dominou já dentro da área e encarou a marcação. Enquanto isso, Veiga saiu correndo para o meio e, levantando os braços, pediu a bola. Vitor Roque cortou para a direita e deu um passe telegrafado que passou por quatro defensores da LDU e sobrou completamente livre para Veiga. O camisa 23 dominou, ajeitou e bateu: 3 a 0.

Explosão no Allianz Parque! Estava empatada a semifinal! O meia pegou a bola e foi em direção ao meio de campo. Nada estava decidido. O mantra seguia: correr para o outro lado e continuar lutando por mais um gol. Já eram 22 finalizações do Palmeiras e apenas cinco da LDU. Só dava Verdão. As duas equipes fizeram modificações e, aos 31’, Raphael Veiga inverteu a bola para Felipe Anderson, que cortou para o meio e soltou a bomba para defesa de Domínguez. O goleirão rebateu para o meio e quase cedeu rebote. 

No minuto seguinte, Allan (que partida fez o jovem!) pintou e bordou pela direita, driblou três jogadores da LDU, invadiu a área e acabou derrubado por Gruezo. Pênalti! A torcida vibrou como se fosse um gol, e, claro, pela jogadaça do camisa 40. Na cobrança, Raphael Veiga. O especialista. O talismã. O homem das decisões e de tantos gols emblemáticos do Verdão. Ele respirou fundo, bateu firme, forte, no meio do gol e marcou: 4 a 0. Enfim, ele pôde sair correndo para comemorar. Tirou a camisa, pulou, berrou. O Palmeiras estava na frente! Diferença de três gols? Pulverizada, destroçada, enterrada. No banco de reservas, o técnico Abel Ferreira, energético, pediu para o time manter o foco e a calma, pois ainda tinha jogo. E, como 90 minutos no Allianz Parque é muito tempo, poderia complicar para o próprio Verdão!

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Allan fez fila e conseguiu um pênalti para o Verdão.
 
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Foto: Miguel Schincariol/AFP
 

Nos minutos seguintes, Tiago Nunes tentou (obviamente em vão) mexer no time e colocou o atacante Freddy Mina no lugar do zagueiro Richard Mina, enquanto Abel Ferreira sacou Vitor Roque e colocou o volante Aníbal Moreno, além de trocar Allan por Giay na lateral-direita. O jogo teve seis minutos de acréscimos, mas não nenhum susto para o Palmeiras. LDU eliminada. Era o fim da farra do time equatoriano em solo brasileiro! Pela sétima vez em sua história, o Palmeiras estava na final da Libertadores. E da maneira mais emblemática possível: revertendo um placar adverso de 3 a 0 com um inapelável e categórico 4 a 0.

Era a primeira vez que um clube brasileiro conseguia reverter uma diferença tão grande em um mata-mata. A vitória palmeirense, tida como improvável, foi mais do que real graças à mentalidade dos jogadores e de seu técnico. Eles acreditaram do início ao fim. Jogaram de cabeça erguida, com sabedoria e certos do que eram capazes de fazer. Com 68% de posse de bola, 28 finalizações contra 8 dos equatorianos, e mais passes (445 a 260), o Palmeiras deu aula e foi absoluto no Allianz Parque, palco da Noite Mágica que sempre será relembrada e contada por gerações de alviverdes.

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Gustavo Gómez e a faixa dos “90 minutos”, após a partida.
 
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Abel ficou muito emocionado ao final do jogo. Foto: Nelson Almeida / AFP
 

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

Palmeiras: a emoção tomou conta dos jogadores, da torcida e do técnico Abel Ferreira após a partida. O treinador não escondeu as lágrimas ainda em campo e sentiu um orgulho imenso do feito de seu esquadrão. A classificação serviu para selar as pazes com a torcida após as sofridas derrotas da temporada para o rival Corinthians – no Paulistão e na Copa do Brasil. Na coletiva, voltou a se emocionar. 

“Eu ainda não consigo desfrutar das vitórias, penso que todos os dias tenho que estar a provar o lugar que eu mereço. Não consigo pensar, não tenho que provar a ninguém. Tenho que provar todos os dias que mereço estar onde estou. Não sei se vou conseguir ser capaz de entregar esse tipo de vitórias porque o futebol tem ganhar, perder e empatar. Por isso sou tão mau perdedor. Quanto ao jogo é um sentimento de alívio, agradecer as pessoas que estão comigo, queria abraçar minha filha que não está agora comigo, está em Portugal”, disse Abel, emocionado. 

Sobre a tática da vitória, revelou que o time “precisava se partir em dois. Três e um para construir e seis para atacar. Não só fazer a bola chegar na frente, mas como parar o ataque adversário”. A vitória do Verdão entrou direto para a lista das maiores viradas da história da Libertadores e o time fez a final em Lima (PER) contra um velho conhecido: o Flamengo, mesmo rival da final de 2021, vencida pelo alviverde. No entanto, o rubro-negro conseguiu sua vingança, venceu por 1 a 0 com muita autoridade e controle do jogo e ficou com o tetracampeonato da América. Parece que o estoque de milagres do Verdão se acabou mesmo naquela noite mágica do Allianz… 

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Foto: Marcos Ribolli
 

LDU: com uma atuação pífia e vexatória, o time equatoriano não foi nem uma caricatura da equipe que derrotou Botafogo, São Paulo e o próprio Palmeiras. Tentando encontrar explicações, o técnico Tiago Nunes jogou a culpa no gramado sintético do Allianz Parque, dizendo: “não conseguimos fazer um jogo tecnicamente bom porque a gente sempre tinha pouco espaço. A gente está em um campo muito difícil de jogo. É um campo sintético, que parece um pátio de colégio. Muito rápido, a bola está sempre viva. É complicado para quem não está acostumado a esse ritmo de jogo”. A ironia nisso tudo é que ele venceu os principais títulos da carreira no Athletico-PR 2018-2019, clube que joga em um estádio também com gramado sintético… O fato é que ele e sua equipe não entregaram futebol, táticas nem vontade de vencer.

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