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Time dos Sonhos do Botafogo

 

Por Guilherme Diniz

 

Tua estrela solitária te conduz. E tuas estrelas nada solitárias te colocaram entre os maiores clubes do século XX da FIFA e no que mais jogadores cedeu à seleção brasileira em Copas do Mundo – incríveis 48 atletas. E, desses nomes, a grande maioria possui um nível de importância tão grande que o Brasil dificilmente seria pentacampeão mundial sem os jogadores do Botafogo de Futebol e Regatas. Afinal, não podemos pensar na seleção canarinho sem Nilton Santos, Garrincha, Didi, Zagallo, Amarildo, Jairzinho e Paulo Cézar Caju, todos campeões do mundo pelo Brasil e todos gastando a bola com a camisa do Glorioso, um dos mais tradicionais clubes do Brasil e da América do Sul. Berço de craques fantásticos, o alvinegro já teve alguns esquadrões inesquecíveis. E eles serviram como base para a formação deste time dos sonhos – outro que pode ser considerado um dos mais fortes já formados aqui no Imortais. Vamos a ele!

 

Os convocados pelos leitores e leitoras:

 

Goleiros: Manga e Jefferson

Laterais-Direitos: Carlos Alberto Torres e Josimar

Laterais-Esquerdos: Nilton Santos e Marinho Chagas

Zagueiros: Mauro Galvão, Wilson Gottardo, Gonçalves e Brito

Volantes: Didi, Paulo Cézar Caju e Alemão

Meias: Gérson, Zagallo, Jairzinho e Seedorf

Atacantes: Garrincha, Túlio Maravilha, Heleno de Freitas, Amarildo e Quarentinha

Técnico: João Saldanha

 

Esquema tático escolhido pelos leitores e leitoras: 4-3-3 (64,5% dos votos)

 

Time A – formação 1 – 4-3-3:

Manga; Carlos Alberto Torres, Wilson Gottardo, Mauro Galvão e Nilton Santos; Didi, Jairzinho e Zagallo; Garrincha, Túlio Maravilha e Heleno de Freitas.

O nível de “apelação” desse time A é altíssimo, a começar pelo goleiro: o lendário Manga, multicampeão pelo Botafogo e ídolo também no Nacional de Montevidéu e no Internacional. Nas laterais, simplesmente dois dos maiores que o futebol já viu: Nilton Santos, pela esquerda, e Carlos Alberto Torres, pela direita. No miolo de zaga, Mauro Galvão, craque da virada dos anos 1980 e início dos anos 1990, e Wilson Gottardo, o xerife do time campeão brasileiro de 1995 e que jogou com Galvão no time bicampeão carioca de 1989 e 1990. Do meio para frente os sonhos ficam ainda maiores. Didi, o Príncipe Etíope, comanda as ações e dita o ritmo para Jairzinho, pela direita, e Zagallo, pela esquerda, criarem jogadas de ataque para o trio devastador da frente formado por Garrincha, Túlio Maravilha e Heleno de Freitas. Para comandar essas feras, outra fera: João Saldanha, botafoguense de coração e emblemático comandante alvinegro no final dos anos 1950.

 

Time A – formação 2 – 4-3-3:

Manga; Carlos Alberto Torres, Mauro Galvão, Wilson Gottardo e Nilton Santos; Didi, Gérson e Zagallo; Garrincha, Túlio Maravilha e Heleno de Freitas.

Nesta formação, Gérson, o Canhotinha de Ouro, entra no lugar de Jairzinho para dar ainda mais criatividade ao ataque do time com seus lançamentos sensacionais.

 

Time A – formação 3 – 4-3-3:

Manga; Carlos Alberto Torres, Mauro Galvão, Wilson Gottardo e Nilton Santos; Didi, PC Caju e Gérson; Garrincha, Túlio Maravilha e Jairzinho.

Aqui, para Didi não ficar sobrecarregado na marcação do meio de campo, PC Caju entra para ajudar o Príncipe, enquanto Gérson dita as ações de ataque para Jairzinho, Garrincha e Túlio fazerem o carnaval de gols do Fogão.

 

Time B – formação 1 – 4-3-3:

Jefferson; Josimar, Brito, Gonçalves e Marinho Chagas; Alemão, PC Caju e Seedorf; Jairzinho, Quarentinha e Amarildo.

No time B, lendas de diferentes épocas marcam presença. No gol, o ídolo Jefferson, 3º que mais vestiu o manto alvinegro na história e muito identificado com o clube no novo milênio. Nas laterais, mais dois atletas titulares do Brasil em Copas: Josimar, pela direita, e Marinho Chagas, pela esquerda, com Brito, campeão do mundo em 1970, e Gonçalves, outra estrela campeã brasileira em 1995, no miolo de zaga. No meio, Alemão, motor do meio de campo do alvinegro nos anos 1980, teria funções mais defensivas para liberar os criativos e intempestivos PC Caju e Seedorf – outro ídolo recente do clube. Na frente, Jairzinho marca presença mais uma vez e jogaria ao lado de Quarentinha, maior artilheiro da história do Botafogo, e Amarildo, o “Possesso” e campeão do mundo em 1962 pela seleção.

 

Time B – formação 2 – 4-3-3:

Jefferson; Josimar, Brito, Gonçalves e Marinho Chagas; Alemão, PC Caju e Seedorf; Garrincha, Quarentinha e Jairzinho.

Nesta formação, Garrincha – praticamente hors concours – entra no ataque ao lado de Quarentinha e Jairzinho.

 

Os Escolhidos – OBS.: os números de jogos e gols são do site do Botafogo, de edições da revista Placar e do site Mundo Botafogo.

 

Goleiro: Manga – 85,7% dos votos

Período no clube: 1959-1968

Principais títulos pelo clube: 1 Taça Brasil (1968), 3 Torneios Rio-SP (1962, 1964 e 1966) e 4 Campeonatos Cariocas (1961, 1962, 1967 e 1968).

Jogos: 442

 

Ele tinha mãos enormes, cara de mal, era ágil, se colocava precisamente embaixo do travessão, esbanjava autoconfiança, era decisivo, vencedor e foi ídolo por onde passou. Além de tudo isso, se tornou especialista em provocar os rivais, se garantir em campo e ainda fazer pontes impecáveis só para ver a torcida se maravilhar com sua arte de defender uma bola. Haílton Corrêa de Arruda, mais conhecido como Manga, foi o mais legítimo sinônimo de goleiro no futebol brasileiro e mundial durante os anos 1960 e 1970 e se consagrou eternamente como um dos maiores do futebol nacional em todos os tempos.

No Botafogo, Manga se transformou em um dos maiores goleiros do Brasil.

 

Campeão por absolutamente todos os clubes por onde passou, Manga fez história com defesas incríveis, coragem em sair do gol e ir de encontro às travas das chuteiras dos atacantes e jogar durante anos sem luvas, fato que lhe rendeu dezenas de machucados e várias contusões em seus instrumentos de trabalho. Mito no melhor Botafogo de todos os tempos, Manga cumpriu tão bem seu papel de goleiro e jogou tanto que a data de seu aniversário (26 de abril) virou, no Brasil, o Dia do Goleiro em sua homenagem.

Além de jogar muito, Manga fez a alegria dos botafoguenses no primeiro bicampeonato carioca vencido pelo camisa 1 nos anos de 1961 e 1962 (o outro seria em 1967 e 1968) quando ele eternizou suas frases a respeito do Flamengo, adversário que mais gostava de enfrentar, vencer e deixar as redes de seu gol intactas. Em 1961, o Botafogo derrotou o time da Gávea por 3 a 0 (dois gols de Amarildo e um de China) e, em 1962, repetiu o placar, dessa vez com dois gols de Garrincha e um de Vanderlei (contra).

Em pé: Paulistinha, Manga, Nadir, Nilton Santos, Airton e Rildo. Agachados: Garrincha, Edson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.

 

Como na época se pagavam “bichos” para os jogadores em caso de vitórias em determinadas partidas (em especial os clássicos), Manga dizia que “o leite das crianças está garantido” antes das partidas contra os rubro-negros. Além dos títulos nacionais e estaduais, Manga conquistou vários troféus internacionais pelo Botafogo nas muitas excursões que o time de General Severiano fez pelo mundo, o que só fez aumentar o prestígio e fama do goleiro por onde ele passava. Por isso, Manga é sempre o primeiro a ser eleito o goleiro de qualquer Time dos Sonhos do Botafogo. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Goleiro: Jefferson – 64% dos votos

Período no clube: 2003-2005 e 2009-2018

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Cariocas (2010, 2013 e 2018) e 1 Campeonato Brasileiro – Série B (2015).

Jogos: 459

 

Em tempos de títulos escassos, o torcedor do Botafogo viu no gol um ídolo que sempre estava pronto para defender o Glorioso de todas as maneiras. Um jogador que sabia da importância de um posto que fora de Roberto Gomes Pedrosa, Ubirajara, Manga, Wágner. E ele honrou como poucos a camisa 1 com partidas históricas e amor à camisa. Jefferson superou diversas lendas para entrar nesse time dos sonhos graças à sua devoção ao Botafogo e a regularidade que fez dele um dos grandes goleiros do futebol brasileiro nos anos 2000 e início da década de 2010. Capaz de defesas impressionantes e dono de reflexos apurados, Jefferson garantiu três títulos estaduais ao Alvinegro e foi figura marcante em grandes campanhas do Botafogo. O camisa 1 esteve entre os convocados do Brasil na Copa de 2014.

 

 

 

Lateral-Direito: Carlos Alberto Torres – 78,6% dos votos

Período no clube: 1971

Principais títulos pelo clube:

Jogos: 22

Gols: 4

 

Após levantar a Taça Jules Rimet pela seleção brasileira na Copa de 1970, o Capita Carlos Alberto Torres foi jogar no Botafogo em 1971 e chegou logo com status de ídolo do alvinegro. Também pudera, afinal, imagine ter em seu time o capitão da mais emblemática seleção de todos os tempos e um dos maiores laterais da história? Após disputar alguns jogos do Campeonato Carioca, o craque acabou se contundindo e desfalcou o Botafogo justamente na final do torneio, contra o Fluminense. Sem o Capita, o Alvinegro perdeu por 1 a 0 e ficou com o vice, em um balde de água fria para o time de Paulo Cézar, Ubirajara e o próprio Carlos Alberto. 

Mesmo sem um título, o craque fez ótimas apresentações, mas acabou voltando ao Santos tempo depois, onde permaneceu até 1974. Embora tenha disputado poucos jogos pelo Botafogo, a posição de lateral-direito deste Botafogo dos Sonhos foi facilmente vencida pelo Capita, que torna desleal qualquer concorrência. Depois de pendurar as chuteiras, Carlos Alberto Torres virou técnico e conduziu o Botafogo ao título da Copa Conmebol de 1993. Leia mais sobre o Capita clicando aqui!

 

Lateral-Direito: Josimar – 47,8% dos votos

Período no clube: 1981-1989

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Carioca (1989).

Jogos: 305

Gols: 13

 

Revelado nas categorias de base do Fogão, Josimar foi lançado no time profissional em 1982 e rapidamente ganhou espaço graças às suas investidas ao ataque, fôlego privilegiado e eficiência nos passes e chutes de longa distância. Em 1986, ganhou a convocação para a Copa do Mundo e virou titular já na fase de grupos. O lateral aproveitou a chance e fez um bom Mundial, com direito a dois gols antológicos nos duelos contra Irlanda do Norte e Polônia, este nas oitavas de final. Josimar esteve no time que acabou com o jejum de títulos no Campeonato Carioca de 1989, mas teve a carreira abreviada por causa dos problemas com álcool e drogas. Mesmo assim, marcou seu nome na história do clube como um dos mais regulares e eficientes laterais do Botafogo.

 

 

Lateral-Esquerdo: Nilton Santos – 96,9% dos votos

Período no clube: 1948-1964

Principais títulos pelo clube: 1 Torneio Internacional de Paris (1963), 2 Torneios Rio-SP (1962 e 1964) e 4 Campeonatos Cariocas (1948, 1957, 1961 e 1962).

Jogos: 721

Gols: 11

 

Lateral que ataca, hoje em dia, virou balela. Mas, se voltarmos ao tempo, mais precisamente na década de 1950, isso era algo impensável no futebol, quase uma utopia. Quem pensaria em deixar a defesa, apoiar o ataque, ter fôlego para voltar e ainda correr o risco de ver uma “avenida” em suas costas? Uma pessoa: Nilton Santos. Esse imortal do futebol marcou época como o mais talentoso, rápido, técnico e completo lateral-esquerdo do século XX, sendo sempre lembrado por acabar com o paradigma do lateral preso à defesa. Nilton foi exemplo de lealdade e amor a um só clube, a uma só estrela, o Botafogo, onde ficou de 1948 até 1964 e se transformou no atleta que mais vestiu o manto alvinegro na história. A única camisa diferente que vestiu em toda sua carreira foi a amarela ou azul da seleção brasileira.

O craque apoiava o ataque com a mesma precisão que defendia e ainda se tornou um ótimo zagueiro perto da aposentadoria. Conhecido como “A Enciclopédia do Futebol”, por sua imensa sabedoria sobre o esporte tanto na prática quanto na teoria. O garoto Nilton Santos já demonstrava toda sua categoria e finco com a bola nos pés nas peladas de rua na Ilha do Governador, no Rio. Jogava de ponta esquerda, descalço e chutando bolas de meia, que apenas um tempo depois viraram de borracha. A prática do futebol era contra a vontade dos pais, mas Nilton não ligava. Seu sonho era ser atacante dos bons, e se empenhava nisso com muita habilidade e condicionamento físico, fruto das braçadas do remo.

Depois de jogar em times das forças armadas e fazer testes em alguns clubes, Nilton foi tentar a sorte no Botafogo, aos 23 anos, em 1948. O craque, claro, passou de primeira, mas viu o sonho de ser atacante ruir nas mãos de Carlito Rocha, então presidente do Botafogo. O mandatário alvinegro percebeu que Nilton tinha tanta qualidade e técnica que seria um defensor primoroso, e pediu para o treinador do time, Zezé Moreira, colocar o jovem na zaga. Nilton passou, então, a atuar na lateral-esquerda, muito contra sua vontade. Mas ele tinha uma carta na manga e iria provar que poderia, sim, ajudar o ataque sem prejudicar a defesa, com uma consequência: deixar os técnicos loucos da vida. A audácia deu certo e ele virou uma lenda do clube e do futebol brasileiro. Nilton Santos venceu as Copas do Mundo de 1958 e 1962 como titular absoluto e ainda esteve presente nos grupos que disputaram os Mundiais de 1950 e 1954. Sua importância ao Botafogo é tão grande que o estádio Engenhão foi batizado como Estádio Nilton Santos em sua homenagem. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Lateral-Esquerdo: Marinho Chagas – 52,2% dos votos

Período no clube: 1972-1977

Principais títulos pelo clube:

Jogos: 183

Gols: 39

 

Mantendo a vocação ofensiva do Botafogo, Marinho Chagas desfilou suas virtudes pelo Glorioso durante cinco anos inesquecíveis. Com uma notável inteligência tática, velocidade, precisão nos dribles, cruzamentos e grande visão de jogo, “A Bruxa” jogava como um verdadeiro ala no Botafogo dos anos 1970 e marcou 39 gols com a camisa alvinegra, um número e tanto para um lateral. Vencedor das Bolas de Prata da Placar de 1972 e 1973 com a camisa do Glorioso, merecia demais um caneco pelo clube, mas acabou de mãos vazias. Pela seleção, brilhou na Copa do Mundo de 1974 e foi presença constante nas convocações da equipe na época. Irreverente e brincalhão, era um dos mais queridos da torcida. 

 

 

Zagueiro: Mauro Galvão – 76,3% dos votos

Período no clube: 1987-1990

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Cariocas (1989 e 1990).

Jogos: 115

Gols: 1

 

Após grandes jogos pelo Internacional e pelo Bangu, Mauro Galvão já era um dos principais zagueiros do Brasil quando chegou ao Botafogo, em 1987, para ajudar o clube a sair da seca de títulos que durava mais de 20 anos com o título estadual de 1989. Seguro, com um senso de posicionamento sensacional e perito nos desarmes, o craque virou ídolo e um símbolo de uma era de libertação para o torcedor alvinegro. Em 1990, o defensor foi titular na seleção que disputou a Copa do Mundo da Itália, mas o time acabou eliminado pela Argentina nas oitavas de final. Seu desempenho pelo Botafogo e a visibilidade no Mundial acabaram atraindo a atenção do futebol europeu, para onde Galvão foi já em 1990.

 

Zagueiro: Wilson Gottardo – 65,7% dos votos

Período no clube: 1987-1990, 1994-1995 e 1995-1996

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1995), 2 Campeonatos Cariocas (1989 e 1990) e 1 Troféu Teresa Herrera (1996).

Jogos: 354

Gols: 10

 

Com 354 jogos pelo Botafogo, Gottardo foi um dos maiores ídolos do clube nos anos 1990 e outro símbolo de uma era de ouro. Seguro, raçudo, com grande visão de jogo e implacável na marcação, foi o dono da área do Fogão campeão brasileiro em 1995 e fez uma lendária dupla de zaga com Gonçalves. Antes, entre 1987 e 1990, esteve no time bicampeão carioca e que acabou com o jejum de títulos do alvinegro ao fazer dupla de zaga com Mauro Galvão. Após o período de glórias, brilhou também no Cruzeiro, onde levantou a Copa Libertadores de 1997.

 

Zagueiro: Gonçalves – 63,7% dos votos

Período no clube: 1989-1990, 1995-1997 e 1998

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1995), 2 Campeonatos Cariocas (1990 e 1997), 1 Torneio Rio-SP (1998) e 1 Troféu Teresa Herrera (1996).

Jogos: 118

Gols: 8

 

Outro grande ídolo do Botafogo, o zagueiro foi um dos principais em sua posição nos anos 1990 e formou uma das mais eficientes duplas de zaga da história do clube ao lado de Gottardo, entre 1995 e 1996. Além de ser muito regular na zaga, costumava ir ao ataque em jogadas aéreas e marcava gols importantes. Quando o companheiro deixou a equipe, Gonçalves assumiu a braçadeira de capitão e foi o líder do time campeão estadual em 1997 e do Torneio Rio-SP em 1998. A boa fase na época rendeu-lhe várias convocações para a seleção brasileira, além de presença entre os convocados para a Copa do Mundo de 1998.

 

Zagueiro: Brito – 41,9% dos votos

Período no clube: 1971-1974

Principais títulos pelo clube:

Jogos: 123

Gols: —

 

Outro grande nome da história do Botafogo que não conquistou títulos, o xerife campeão do mundo pela seleção na Copa de 1970 foi ídolo do alvinegro e esbanjou vigor físico e muita regularidade nos jogos que fez com a camisa do Glorioso. Temido pelos atacantes por seu ímpeto na hora de dividir a bola e nas jogadas aéreas, transmitia muita segurança no sistema defensivo. Certa vez, em 1971, pegou uma suspensão de um ano (reduzida depois para seis meses) por ter acertado um soco em um árbitro após a marcação de um pênalti. Ele comentou: “O pênalti foi uma vergonha. Olhei para ele, que me deu uma risada de deboche. Não aguentei e dei um gancho que pegou na barriga dele. Aí, gritei. ‘Isso é para você tomar vergonha na cara’.” – trecho extraído do site Mundo Botafogo. 

 

 

Volante: Didi – 93,8% dos votos

Período no clube: 1956-1959, 1960-1962, 1964 e 1964-1965

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Cariocas (1957, 1961 e 1962) e 1 Torneio Rio-SP (1962).

Jogos: 313

Gols: 114

 

Elegante, clássico, soberano, impecável, perfeito. Adjetivos dos mais variados tipos e com as mais diversas conotações podem ser utilizados para descrever a qualidade e importância para o futebol brasileiro e mundial de Waldir Pereira, o Didi, simplesmente o pai da primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, em 1958. Inventor da “folha seca”, aquela cobrança de falta que cai lentamente no fundo gol adversário, e de lances como o passe de trivela, Didi foi ídolo no Botafogo e um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e mundial. Tinha a calma e a aura do craque. Sabia cadenciar o jogo como ninguém, era líder e transpirava confiança em todos os companheiros de time.

Sua genialidade ficou marcada para sempre e fez o eterno dramaturgo Nelson Rodrigues batizar o meio-campista de “O Príncipe Etíope”, pela elegância em campo e pela aparência do jogador. Didi rapidamente encantou os torcedores alvinegros quando chegou em General Severiano e virou uma referência no futebol nacional por sua classe, técnica e maestria. Seus lançamentos para Garrincha quase sempre resultavam em gols, numa das parcerias mais incríveis do clube alvinegro. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Volante / Meia: Paulo Cézar Caju – 55,9% dos votos como Volante / 36,6% dos votos como Meia 

Período no clube: 1967-1972 e 1977-1978

Principais títulos pelo clube: 1 Taça Brasil (1968) e 2 Campeonatos Cariocas (1967 e 1968).

Jogos: 264

Gols: 83

 

Outro craque revelado pelo Botafogo, Paulo Cézar Lima foi um dos mais talentosos e polivalentes atletas do futebol brasileiro nos anos 1960 e 1970. Habilidoso, com um fôlego impressionante, driblador e dono de uma visão de jogo e noção tática raras, ele cravou seu nome no timaço alvinegro campeão nacional de 1968 e bicampeão carioca de 1967 e 1968, além de ser campeão do mundo com a seleção em 1970 como uma espécie de 12º jogador do elenco estrelar de Zagallo. Caju ainda marcava muitos gols por atuar mais avançado no meio de campo e foi artilheiro do Campeonato Carioca de 1971 com 11 gols. 

 

Volante / Meia: Seedorf – 41% dos votos como Volante / 24,2% dos votos como Meia

Período no clube: 2012-2014

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Carioca (2013).

Jogos: 81

Gols: 24

 

Consagrado e multicampeão, Seedorf chegou ao Botafogo em 2012, após uma longa e surpreendente negociação e sob olhares ainda incrédulos diante da presença de uma estrela do futebol mundial em solo brasileiro. Poliglota, Seedorf esbanjou simpatia e educação em suas entrevistas e fez questão de falar um ótimo português com muito pouco sotaque. Acostumado aos padrões europeus, o craque nem ligou para as instalações e estádios simplórios do Brasil e mostrou que, mesmo com quase 37 anos, ainda tinha muita lenha para queimar.

O jogador virou rapidamente o grande maestro do meio de campo do clube alvinegro e fez grandes exibições no segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2012. Mas foi em 2013 que ele virou a grande estrela do time do técnico Osvaldo de Oliveira. No Campeonato Carioca, Seedorf marcou seu primeiro hat-trick da carreira (na vitória por 3 a 1 sobre o Macaé) e ajudou o Botafogo a conquistar os dois turnos do Estadual e faturar a competição. No Brasileirão, o clube carioca deu mostras de que poderia brigar pelo título, mas faltou fôlego no returno e a equipe terminou na quarta posição, mas o suficiente para conseguir uma vaga na Copa Libertadores de 2014. Como não poderia deixar de ser, Seedorf venceu a Bola de Prata da revista Placar.

No tempo em que vestiu a camisa 10 do clube alvinegro, Seedorf se notabilizou pela liderança perante os companheiros, pelo carisma junto ao torcedor, pela forma física invejável e por se mostrar solidário aos problemas enfrentados pelos atletas brasileiros dentro e fora de campo. Além disso, o craque se dispôs a ajudar na “arrumação” do calendário esportivo que tanto prejudica clubes, torcedores e o espetáculo em si. Plantada a semente da mudança, o craque decidiu se aposentar em janeiro de 2014, para a tristeza da massa botafoguense que queria ver seu “Professor” disputando uma Libertadores. Mesmo assim, ele entrou para a história e para este Time dos Sonhos. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Volante: Alemão – 36,6% dos votos

Período no clube: 1981-1987

Principais títulos pelo clube:

Jogos: 62

Gols: 7

 

Com enorme qualidade nos passes, muito técnico e eficiente na marcação, Alemão foi outro craque que brilhou no Botafogo nos tempos difíceis dos anos 1980 e que não levantou títulos. O meio-campista chegou em 1981 ao Fogão e permaneceu até 1987, período no qual fez grandes partidas e ganhou espaço na seleção brasileira, pela qual disputou a Copa do Mundo de 1990. Após seu período no Glorioso, foi para a Europa e marcou época no Napoli de Maradona, vencendo vários títulos e marcando gol na final da Copa da UEFA conquistada pelos italianos em 1989.

 

 

Meia: Gérson – 90,1% dos votos

Período no clube: 1963-1969

Principais títulos pelo clube: 1 Taça Brasil (1968), 2 Torneios Rio-SP (1964 e 1966), 2 Campeonatos Cariocas (1967 e 1968) e 2 Pequenas Taças do Mundo (1967 e 1968).

Jogos: 248

Gols: 96

Ele não era muito de cabecear, não gostava de marcar, costumava ficar centralizado em uma posição, tinha cara amarrada e nenhuma papa na língua. No entanto, aquele meia-armador tinha uma perna esquerda capaz de verdadeiras obras de arte e de realizar lançamentos superiores a 40 metros de distância como quem os fazia com as mãos. Ninguém jamais lançou como ele e com tamanha precisão. Ninguém colocou bolas nos peitos, pés e cabeças de tão longe e com tanta classe. E nenhum jogador na história do futebol brasileiro foi tão precioso como um legítimo armador de jogadas e, claro, gols, como Gérson, “cérebro” da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, no México, e ídolo em todos os clubes por onde passou. 

Gérson faz a festa em 1967…

 

… E repete a dose em 1968.

 

Polêmico dentro e fora de campo e com um repertório infindável de jogadas, desde cobranças de faltas magníficas até chutes com o mais puro veneno, o craque superou críticas e maus momentos para entrar na história com um futebol virtuoso e sem frescuras. Se fosse preciso, ele dava bicão. Se fosse preciso, ele dividia e até quebrava a perna de algum rival mal intencionado. E, se fosse preciso, ele construía uma jogada que resultaria em um gol de cinema. Em General Severiano, Gérson venceu diversos torneios e foi um dos principais jogadores que abriram a segunda era de ouro do clube alvinegro. Após as saídas e/ou aposentadoria de algumas lendas do começo da década, Gérson se uniu a Jairzinho, Paulo Cézar Caju, Ferreti e muitos outros que colocariam o Fogão no topo. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Zagallo – 75,2% dos votos

Período no clube: 1958-1965

Principais títulos pelo clube: 2 Torneios Rio-SP (1962 e 1964), 2 Campeonatos Cariocas (1961 e 1962), 1 Torneio Internacional de Paris (1963) e 1 Torneio Pentagonal do México (1962).

Jogos: 300

Gols: 22

 

Consagrado após seus tempos de Flamengo e por brilhar na Copa do Mundo de 1958, o Formiguinha Zagallo encontrou vários craques da seleção no Botafogo, clube que passou a defender no final dos anos 1950. Ao lado de Didi, Garrincha, Nilton Santos, Amarildo (além de Quarentinha e companhia), Zagallo compôs um dos mais lendários esquadrões brasileiros de todos os tempos. Antes de começar a brilhar, porém, veio um susto: na quinta partida pelo Fogão, justo um clássico contra o Flamengo, o ponta-esquerda sofreu uma pancada violenta no joelho e ficou quase nove meses sem jogar. Nesse período, ele teve que ficar com a perna engessada, fazer bastante fisioterapia e até ouvir dos médicos que “não voltaria a jogar futebol”.

Mas Zagallo foi persistente, fez exercícios em casa, no Botafogo, ao lado do preparador físico Paulo Amaral, na piscina, na praia, tudo para provar aos médicos que ele podia, sim, voltar a jogar. E voltou. Humilde, pediu para iniciar sua volta em 1959, na reta final do Campeonato Carioca de Aspirantes. Ele, um campeão do mundo, não se importou em jogar ao lado de jovens como se ainda quisesse ser profissional. Ele já era um. E um dos raros, dos humildes, que não havia deixado a fama subir à cabeça. Com sua categoria e experiência, Zagallo ajudou a molecada a vencer o torneio e entrou de vez nas graças da torcida.

Garrincha, Édson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo: uma das linhas de frente do Botafogo nos anos 1960…

 

Com a camisa alvinegra, Zagallo mostrou o futebol eficiente da Copa de 1958, esbanjou talento e ajudou o Botafogo a vencer um bicampeonato carioca em 1961 e 1962, dois Torneios Rio-SP e vários troféus internacionais. O Botafogo se transformou em um dos poucos times do Brasil capaz de duelar com o Santos de Pelé. Mesmo já veterano naqueles anos 1960, Zagallo tinha uma inteligência tática impressionante, algo que dava a ele muita vantagem sobre qualquer jogador que ousasse em duelar com ele no time alvinegro. Ele sabia que não tinha um chute potente ou força física para divididas, mas ninguém se deslocava como ele e nem tinha a importância tática dele. Por isso, Zagallo era um dos titulares, além de ser inteligente, também, fora de campo, sabendo trabalhar muito bem nos negócios e na parte burocrática de seus contratos. Leia mais clicando aqui!

 

Meia / Atacante: Jairzinho – 60,9% dos votos como Meia / 53,4% dos votos como Atacante

Período no clube: 1960-1974 e 1981-1982

Principais títulos pelo clube: 1 Taça Brasil (1968), 2 Torneios Rio-SP (1964 e 1966) e 2 Campeonatos Cariocas (1967 e 1968)

Jogos: 412

Gols: 189

 

Pará-lo? Só com um trator, uma bazuca ou um tanque de guerra. Zagueiros não tinham fôlego para ir atrás daquele craque cheio de energia, fibra, força, ímpeto e explosão. Ele era demais. Um verdadeiro furacão. Jairzinho foi um dos maiores craques do futebol mundial nas décadas de 1960 e 1970 e teve um dos maiores desempenhos individuais na história das Copas do Mundo, em 1970. No Mundial do México, o ponta-direita marcou sete gols e se tornou o primeiro e único a balançar as redes em todos os jogos de uma seleção campeã mundial na história. O craque jogou demais naquela Copa, feito que deu a ele o apelido que o consagrou para sempre: Furacão.

A família de Jairzinho foi uma das principais responsáveis por traçar o caminho do jovem ao Botafogo quando se mudou para os arredores de General Severiano, território do clube alvinegro. O garoto, que já mostrava muito talento desde pequeno, começou a fazer testes no Glorioso no começo dos anos 1960, tendo grande destaque nas equipes juvenis do clube e conquistando seu espaço rapidamente. Com o privilégio de atuar ao lado de diversos craques, o jovem tinha o ambiente perfeito para brilhar e aprender como se tornar um dos grandes atacantes do esporte mundial.

Jairzinho ainda brilhou nas excursões do Botafogo pela Europa e América Latina, que renderam títulos amistosos, reconhecimento e popularidade não só ao jogador, mas também ao clube. Em 1965, recebeu a dura missão de herdar a camisa 7 e substituir ninguém mais ninguém menos que Garrincha. Mas, quem achava que o jovem de 19 anos ia decepcionar ou fraquejar, se enganou. O craque começou a jogar muito, abusar da técnica, habilidade e da força física impressionante, levando ao delírio os torcedores alvinegros. Em pouco tempo, Jairzinho virou titular absoluto, estrela e foi convocado para a Copa do Mundo de 1966.

Uma das escalações do Botafogo de 1968. Em pé: Moreira, Manga, Zé Carlos, Afonsinho, Leônidas e Waltencir. Agachados: Rogério, Gérson, Roberto, Jairzinho e Paulo Cézar Caju.

 

Após a conquista do Mundial de 1970, Jairzinho aumentou ainda mais sua idolatria no Botafogo ao protagonizar partidas memoráveis. A maior delas, sem dúvida, foi pelo Campeonato Brasileiro de 1972, quando o Botafogo aplicou uma goleada histórica no rival Flamengo: 6 a 0, com três gols de Jairzinho, um deles de letra. A goleada, por placar tão elástico e bem no dia do aniversário de 77 anos do rubro-negro, garantiu anos de gozação por parte da torcida. A vitória fez nascer a famosa frase de “carinho” que a torcida alvinegra criou para azucrinar a cabeça dos flamenguistas: “Nós gostamos de Vo6!”. Simplesmente um imortal do Botafogo. Leia mais sobre Jairzinho clicando aqui!

 

 

 

Atacante: Garrincha – 95% dos votos

Período no clube: 1953-1965

Principais títulos pelo clube: 1 Torneio Internacional de Paris (1963), 1 Torneio Internacional da Colômbia (1960), 1 Torneio Pentagonal do México (1962), 1 Torneio Jubileu de Ouro da Associação de Futebol de La Paz (1964), 2 Torneios Rio-SP (1962 e 1964) e 3 Campeonatos Cariocas (1957, 1961 e 1962).

Jogos: 612

Gols: 245

 

A camisa 7 sempre foi digna de grandes craques do futebol, daqueles dribladores, goleadores e encantadores. Porém, ninguém ficou tão marcado como legítimo camisa 7 como Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha. Mané foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro e mundial e tido como o maior driblador de todos os tempos. Os lances geniais, a fatal puxada de bola para a direita, os cortes secos e os zagueiros esfacelados no chão o fizeram receber o apelido de “O Anjo das Pernas Tortas”, “anjo” por ser dócil, simples e muito amigo, e a relação com as pernas pelo fato de elas serem visivelmente disformes e realmente tortas.

Garrincha também foi a “Alegria do Povo” pelo fato de protagonizar lances geniais, de moleque, e jogar o simples e fácil do futebol. Ele é, ao lado de Romário e Maradona, um dos três ícones que tiveram a proeza de vencer uma Copa do Mundo “praticamente sozinho”. Foi em 1962, quando o Brasil depositou nele as esperanças de título após a contusão de Pelé. E o gênio deu conta do recado, passou por todo mundo e deu o bicampeonato mundial ao Brasil.

Quando chegou ao Botafogo, Garrincha teve que burlar a desconfiança de muita gente. Certa vez, Arati, ex-jogador do Botafogo, viu Garrincha jogar em seu pequenino clube em Pau Grande e ficou abismado com a habilidade e o jeito moleque do futuro craque. Com isso, ele levou o jovem a fazer um teste no clube de General Severiano. Antes de entrar em campo para seu primeiro teste, o então técnico do Botafogo, Gentil Cardoso, lançou um comentário que o faria queimar a língua mais tarde: “Nesse time aparece de tudo, até aleijado!”

Mané nem deu bola e tratou de entrar em campo para mostrar serviço. O jogador era ponta-direita e no treino teria que enfrentar um tal de Nilton Santos, lateral esquerdo do clube… Bastaram alguns minutos para Mané deixar Nilton simplesmente atordoado e sem rumo com tantos dribles, cortes e canetas que levou. Depois do coletivo, Nilton Santos, já bastante influente no time, exigiu de imediato a contratação de Mané. O resto é história… Leia mais sobre Garrincha clicando aqui!

 

Atacante: Túlio Maravilha – 80,1% dos votos

Período no clube: 1994-1996, 1998, 2000 e 2012-2013

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1995), 1 Torneio Rio-SP (1998) e 1 Troféu Teresa Herrera (1996).

Jogos: 223

Gols: 159

 

Artilheiro do Botafogo em quatro temporadas (três seguidas), artilheiro de dois Brasileiros pelo alvinegro, 8º maior artilheiro do clube com 159 gols em 223 jogos, falastrão, formador de torcida… Túlio foi simplesmente uma divindade no Botafogo entre 1994 e 1996, seus melhores e mais prolíficos anos da carreira. Nesse período, ganhou duas Bolas de Prata, foi artilheiro duas vezes do Brasileiro, ganhou um, marcou 134 gols em 159 jogos, brilhou na seleção e se transformou em um dos maiores goleadores da história do futebol nacional. Não era um craque de arrancadas fulminantes, lances geniais. O negócio dele era bola na rede. De um jeito ou de outro. Mas também tinha gol bonito, chorado, de calcanhar, driblando goleiro, de voleio… 

Donizete e Túlio, dupla imortal do Botafogo, comemoram o primeiro gol no Pacaembu. Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo.

 

Túlio com a taça do Brasileiro de 1995.

 

Túlio foi uma lenda no Botafogo e voltou em 1998 para ser campeão mais uma vez – do Torneio Rio-SP – e, mesmo sem o faro artilheiro de antes, foi o maior goleador do time naquele ano com 19 gols em 47 partidas. Túlio passou por vários clubes ao longo da carreira e diz ter feito 1000 gols. Mas foi com o manto alvinegro que ele entrou para os livros e enciclopédias e fez a alegria de gerações de torcedores com sua irreverência e tirações de sarro. Sujeitos como ele fazem muita falta ao futebol careta de hoje. Ainda bem que temos vídeos, reportagens e o texto do Botafogo de 1995 para matar a saudade, não é mesmo?

 

Atacante: Heleno de Freitas – 63,4% dos votos

Período no clube: 1940-1948

Principais títulos pelo clube:

Jogos: 233

Gols: 204

 

Elegante, técnico, goleador, rápido, fatal. Ao mesmo tempo, e nas mesmas proporções de suas qualidades, explosivo, temperamental, irritadiço, catimbeiro. A década de 1940 revelou o primeiro craque-problema do futebol brasileiro, mas que também seria um dos maiores atacantes do nosso futebol: Heleno de Freitas, o maior ídolo do Botafogo antes de Garrincha. O atacante boa pinta, de 1,82m, fã da boêmia e inteligente, jogou futebol apenas 11 anos, o bastante para deixar sua marca na história, principalmente no Botafogo, onde marcou 204 gols em apenas 233 jogos, uma absurda média de 0,87 gols por jogo. Pela seleção, foram 15 gols em apenas 18 jogos, que poderiam ser mais não fossem suas desavenças com o técnico Flávio Costa.

Heleno foi descoberto pelo folclórico Neném Prancha, roupeiro e massagista do Botafogo. Prancha logo levou o garoto Heleno ao Glorioso, onde teria a responsabilidade de substituir o ídolo Carvalho Leite. O atacante rapidamente conquistou a simpatia dos torcedores do Botafogo e despertou a cobiça dos adversários. De 1940 a 1948, ele foi a referência do clube alvinegro e sinônimo de perigo para os zagueiros rivais. Ao mesmo tempo em que era mortal no campo, seu temperamento começava a trazer muitos problemas, com seguidas expulsões.

Nesse período, se irritava facilmente quando alguém o chamava pelo apelido que ganhara a partir de 1946: Gilda, numa referência ao filme homônimo de imenso sucesso à época estrelado por Rita Hayworth, que simbolizava quase que perfeitamente o próprio Heleno, ao retratar uma mulher de beleza singular e temperamento explosivo, como o craque. Porém, sua vida no limite o levou ao fundo do poço, e Heleno faleceu com apenas 39 anos, em uma casa de saúde em Barbacena-MG. Leia mais sobre essa lenda clicando aqui!

 

Atacante: Amarildo – 50,9% dos votos

Período no clube: 1958-1963

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Cariocas (1961 e 1962) e 1 Torneio de Paris (1963).

Jogos: 231

Gols: 136

 

Além de Garrincha, outro jogador brilhou intensamente na seleção brasileira campeã do mundo em 1962: Amarildo, o “Possesso”, genial e infernal craque que a torcida alvinegra já conhecia muito bem. Aproveitando o entrosamento com Garrincha, o atacante deu show no Mundial do Chile e aumentou ainda mais sua importância para o futebol nacional. Presença constante no ataque do Botafogo naqueles anos 1960 com uma habilidade incrível, faro de gol apurado e vivendo grande fase, o atacante marcou 136 gols em 231 jogos com a camisa alvinegra, além de ajudar a equipe a levantar vários canecos. Depois de tanto brilho, foi jogar no forte Milan da época.

 

Atacante: Quarentinha – 47,2% dos votos

Período no clube: 1954-1964

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Cariocas (1957, 1961 e 1962) e 1 Torneio Rio-São Paulo (1962).

Jogos: 444

Gols: 313

 

É, até hoje, o maior artilheiro da história do Botafogo com 313 gols em 444 jogos pelo clube alvinegro e um ídolo incontestável do Glorioso. Deixava a torcida doida da vida por nunca comemorar seus gols, e dizer que “não via razão para festejos, afinal, estava apenas cumprindo sua função e era pago para isso”. Mesmo com essa característica peculiar, o craque fez história no clube e entrou para o rol dos imortais do Botafogo, causando o terror nos adversários. Embora fosse um atacante implacável e oportunista, não teve chances na seleção da época por causa da concorrência com tantos goleadores que transbordavam no país. Sorte do Botafogo, que teve Quarentinha em sua plenitude.

 

 

Técnico: João Saldanha – 38,8% dos votos

Período no clube: 1957-1959

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Carioca (1957).

 

Na segunda metade dos anos 1950, o Botafogo foi pincelando talentos em suas categorias de base e conseguiu montar um time bastante promissor com Garrincha, Quarentinha, Paulo Valentim, Didi (comprado do Fluminense), Tomé, Pampolini entre outros. Para comandar um time que já era estrelado, a diretoria alvinegra decidiu trazer um técnico sem experiência, mas que entendia muito de futebol e era apaixonado pelo Botafogo: João Saldanha, o João “sem medo”. E, com ele, o Botafogo voltou a conquistar o Campeonato Carioca de maneira incrível em 1957. 

O time mostrou ao longo da competição um faro de gol absurdo, principalmente com Didi, Quarentinha, Garrincha e Paulo Valentim. Na grande decisão, contra o Fluminense de Castilho, Pinheiro, Telê Santana e Escurinho, o alvinegro deu o maior baile da história do profissionalismo do futebol carioca em uma decisão de campeonato: 6 a 2, com cinco gols de Paulo Valentim (artilheiro do torneio daquele ano com 22 gols). Até então, a maior goleada havia sido na era do amadorismo, aplicada justamente pelo mesmo Botafogo contra o Fluminense, em 1910, por 6 a 1.

Foi um espetáculo tão grande que serviu para o técnico da seleção, Vicente Feola, abrir os olhos e levar os grandes craques alvinegros para a Copa da Suécia, em 1958. O resultado, todos conhecem: Brasil campeão mundial. Tudo isso começou com João Saldanha, uma personalidade marcante no esporte brasileiro e que, anos depois, foi técnico da seleção brasileira e montou a espinha dorsal do time que seria campeão do mundo na Copa de 1970. Por sempre ter enorme identificação com o Botafogo, Saldanha é figura fácil em várias listas de Times dos Sonhos do Alvinegro. Por isso, acabou eleito aqui também.

 

 

Time dos Sonhos do Botafogo do Imortais!

 

Goleiros: Manga e Jefferson

Laterais-Direitos: Carlos Alberto Torres e Josimar

Laterais-Esquerdos: Nilton Santos e Marinho Chagas

Zagueiros: Mauro Galvão, Leônidas, Wilson Gottardo e Gonçalves

Volantes: Didi, Paulo Cezar Caju e Seedorf

Meias: Gérson, Zagallo, Jairzinho e Carvalho Leite

Atacantes: Garrincha, Túlio Maravilha, Heleno de Freitas, Amarildo e Quarentinha

Técnico: Mário Zagallo

 

Time A – formação 1 – 4-3-3:

Manga; Carlos Alberto Torres, Leônidas, Mauro Galvão e Nilton Santos; Didi, Jairzinho e Zagallo; Garrincha, Túlio Maravilha e Heleno de Freitas.

Fizemos apenas uma mudança no time A do escolhido por vocês. Aqui, na formação 2 e na formação 3, o defensor Leônidas ganha a vaga de Gottardo e faz dupla com Mauro Galvão. As outras posições permanecem as mesmas. No comando desse timaço, optamos por Mário Zagallo, comandante do esquadrão botafoguense do final dos anos 1960 e que ajudou o Velho Lobo a comandar a seleção brasileira na Copa de 1970.

 

Time A – formação 2 – 4-3-3:

Manga; Carlos Alberto Torres, Leônidas, Mauro Galvão e Nilton Santos; Didi, Gérson e Zagallo; Garrincha, Túlio Maravilha e Heleno de Freitas.

Aqui, Leônidas fica na zaga e Zagallo faz uma dupla sensacional com Gérson no meio de campo.

 

Time A – formação 3 – 4-3-3:

Manga; Carlos Alberto Torres, Leônidas, Mauro Galvão e Nilton Santos; Didi, PC Caju e Gérson; Garrincha, Túlio Maravilha e Jairzinho.

Nessa variação, PC Caju ajuda Didi na contenção para liberar mais Gérson na criação, enquanto Jairzinho compõe o ataque ao lado de Garrincha e Túlio.

 

Time B – formação 1 – 4-2-1-3:

Jefferson; Josimar, Wilson Gottardo, Gonçalves e Marinho Chagas; Seedorf e PC Caju; Carvalho Leite; Jairzinho, Quarentinha e Amarildo.

Na formação B, reeditamos a dupla de zaga campeã brasileira com Gonçalves e Gottardo, e, no meio, Carvalho Leite, lenda do timaço dos anos 1930, ganha uma vaga na construção de jogadas de ataque para servir Jairzinho, Quarentinha e Amarildo. A dupla de volantes seria Seedorf e PC Caju.

 

Time B – formação 2 – 4-2-1-3:

Jefferson; Josimar, Wilson Gottardo, Gonçalves e Marinho Chagas; Seedorf e PC Caju; Carvalho Leite; Garrincha, Quarentinha e Jairzinho.

 

Os escolhidos pelo Imortais ausentes nos times dos leitores e leitoras:

 

Zagueiro: Leônidas

Período no clube: 1966-1971

Principais títulos pelo clube: 1 Taça Brasil (1968), 1 Torneio Rio-SP (1966) e 2 Campeonatos Cariocas (1967 e 1968).

Jogos: 247

Gols: 1

 

Um dos primeiros a fazer com maestria a linha de impedimento no futebol brasileiro, Sebastião Leônidas foi uma lenda do Botafogo e ícone do grande time campeão nacional em 1968 e bicampeão carioca em 1967 e 1968. Esbanjava técnica, tinha qualidade nos passes e vigor físico. Foi convocado várias vezes para a seleção e seria um dos membros do time que viajou ao México para a Copa do Mundo de 1970, mas uma contusão o tirou da lista dias antes do embarque, algo que deu a ele a alcunha de “campeão mundial sem Copa”. Uma zaga com ele e Piazza teria sido inesquecível. Após pendurar as chuteiras, foi técnico do Botafogo em várias oportunidades. 

 

Meia: Carvalho Leite

Período no clube: 1928-1941

Principais títulos pelo clube: 5 Campeonatos Cariocas (1930, 1932, 1933, 1934 e 1935), 2 Torneios dos Campeões Estaduais Rio-SP (1930 e 1935) e 1 Copa dos Campeões Rio-Sul (1931). 

Jogos: 326

Gols: 273

 

Foi, sem dúvida alguma, um dos maiores craques brasileiros dos anos 1930 e referência máxima em gols no Botafogo daquela época. Marcou 273 gols em 326 jogos pelo clube, sendo o segundo maior artilheiro do alvinegro, atrás apenas de Quarentinha e à frente de outros ícones como Garrincha e Heleno. Trombador, astuto e muito oportunista, Carvalho Leite era terrível dentro da área e tinha um chute fortíssimo. Foi convocado para a seleção brasileira que disputou as Copas de 1930 e 1934. Ídolo eterno do clube de General Severiano.

 

Técnico: Mário Zagallo

Foto: AE.

 

Período no clube: 1966-1970, 1975, 1978 e 1986-1987

Principais títulos pelo clube: 1 Taça Brasil (1968) e 2 Campeonatos Cariocas (1967 e 1968).

 

Quando jogador, Zagallo já demonstrava grandes dotes para seguir uma promissora carreira de técnico de futebol. Ele contribuiu de maneira decisiva nos títulos da seleção brasileira nas Copas de 1958 e 1962 mudando o esquema 4-2-4 para o 4-3-3, algo novo na época, como um ponta que voltava para ajudar na marcação do meio de campo. Com essa vocação para a mudança, o caminho natural de Zagallo após pendurar as chuteiras em 1965, aos 34 anos, foi aceitar um convite para dirigir o time de juniores do Botafogo e iniciar uma nova era na carreira: a de treinador. Quando aceitou comandar o time juvenil, disse: “aceito agora, mas não quero saber de despedida. Penduro a chuteira hoje e começo o treino amanhã!”

Dito e feito. Em pouco tempo, Zagallo foi para os profissionais e começaria a modernizar para sempre a parte tática e técnica dos times de futebol, virando exemplo e referência para todos. Com isso, Zagallo montou um novo esquadrão histórico e conduziu o Botafogo aos títulos das Taças Guanabaras de 1967 e 1968, dos Campeonatos Cariocas de 1967 e 1968 e da Taça Brasil de 1968, esta conquistada após empate em 2 a 2 com o Fortaleza, fora de casa, e vitória por 4 a 0 na final, no Maracanã. Foram quatro vitórias, dois empates e uma derrota em sete jogos, além de Ferretti ser o artilheiro da competição com sete gols. 

O Botafogo daqueles anos fez história não só pelos títulos, mas pelo futebol apresentado. A equipe aplicou goleadas históricas nos mais diversos rivais, incluindo um 4 a 1 sobre o Flamengo na final da Guanabara de 1968 e um 4 a 0 sobre o Vasco na final do Carioca de 1968, e excursionou pelo continente levantando títulos marcantes, como o Torneio de Caracas de 1967, após empate sem gols contra o Peñarol-URU e vitória por 3 a 2 sobre o Barcelona-ESP, e também a edição de 1968, batendo a Seleção da Argentina (1 a 0) e o vice-campeão europeu Benfica-POR (2 a 0). 

Com muito equilíbrio entre meio de campo e ataque, o time era devastador quando partia em direção ao gol com Jairzinho, Gérson, Roberto e Paulo Cézar Caju, e sabia se recompor quando sofria contragolpes. Caju era o jogador símbolo daquela parte tática do alvinegro e cumpria a função que Zagallo exerceu em seus tempos de jogador: o ponta que recuava para ajudar na marcação. Era um 4-2-4 que virava 4-3-3, bem típico do Brasil de 1958. Tempo depois, Zagallo assumiu a seleção brasileira e levantou a Copa do Mundo de 1970. Por tudo isso, ele é o técnico do Botafogo dos Sonhos do Imortais. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Leia mais sobre o Botafogo clicando aqui!

 

 

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Comentários encerrados

6 Comentários

  1. Acho que acabei não participando desta enquete… uma pena!

    Bem lembrado, Imortais – pelo Sebastião Leônidas e o Carvalho Leite!

    Eu tenho uma revista placar que o pessoal da antiga lembraram do jogador “Basso” um zagueiro que fez poucas partidas, mas de uma classe que até mesmo foi elogiado pelo N.Santos e entrou na seleção do Botafogo desta revista.

    o que eu queria é deixar registrado que é o time que teve por mais tempo em campo o MAIOR JOGADOR que o mundo viu atuar, se fosse hoje, teria uma mistura de CR& com Ronaldinho!

    Garrincha, para mim, sem comparação!!!

Seleções Imortais – Senegal 2002

Esquadrão Imortal – Fluminense 2007-2012