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Esquadrão Imortal – Internacional 1940-1948

Em pé: Nena, Assis, Alfeu, Ávila, Abigail e Ivo Winck. Agachados: Tesourinha, Russinho, Villalba, Ruy e Carlitos.

 

Grandes feitos: Octacampeão do Campeonato Gaúcho (1940, 1941, 1942, 1943, 1944, 1945, 1947 e 1948) e Octacampeão do Campeonato Citadino (1940, 1941, 1942, 1943, 1944, 1945, 1947 e 1948). Foi o primeiro clube a vencer o Campeonato Gaúcho por seis vezes consecutivas.

Time-base: Ivo Winck (Júlio / Rubens); Alfeu (Maravilha) e Nena (Risada / Álvaro); Assis, Ávila (Felix Magno / Brandão) e Abigail (Pedrinho); Tesourinha, Russinho (Ghizzoni), Villalba (Castillo  / Marques), Ruy Motorzinho (Adãozinho) e Carlitos (Xinxim). Técnicos: Rui Azevedo e Sousa (1940), Orlando Cavedini (1940, 1941, 1942 e 1944), Vormi Bocorni (1941, 1943 e 1944), Ricardo Diéz (1942), Carlos Ribeiro da Silva (1943), Hermínio de Brito (1945) e Carlos Volante (1946-1948).

 

“Rolo Compressor Colorado”

 

Por Guilherme Diniz

 

Foram oito títulos em nove anos. Jogos espetaculares. Gols em profusão. E uma lendária linha de ataque que marcou época no futebol gaúcho. Aquele esquadrão, que abriu suas portas para jogadores negros, algo que os adversários no futebol do Rio Grande do Sul não faziam, foi pioneiro e de vanguarda. Não se contentava apenas com a vitória. Ela tinha que ser com autoridade, de preferência de goleada. E, quando o rival era o Grêmio, aí que aquele time jogava ainda mais e alcançou a marca de 19 vitórias (uma delas por 7 a 0), 5 empates e apenas 4 derrotas nos 29 Gre-Nais disputados entre 1940 e 1948. Por tudo isso, um portentoso apelido lhe caiu super bem: Rolo Compressor. O Internacional viveu naquela década de 1940 um período histórico e que lhe colocou de vez nos holofotes do futebol brasileiro. Foi aquele timaço que transformou o Inter no “Clube do Povo” e manteve o colorado no topo do estado como maior campeão gaúcho. É hora de relembrar a primeira era de ouro do Internacional.

 

Sem preconceito e a montagem do esquadrão 

Depois de conquistar seu primeiro título gaúcho em 1927, o Internacional começou a se popularizar mais no estado ao abrir suas portas para jogadores de diferentes classes sociais, algo que ninguém fazia no futebol gaúcho na época. Foi em 1928, inclusive, que o Inter teve pela primeira vez um jogador negro em seu escrete: o defensor Dirceu Alves. Na década de 1930, após quase fechar as portas por não ter uma sede própria, o clube deu a volta por cima graças ao engenheiro Ildo Meneghetti, que criou uma campanha de arrecadação de fundos que ajudou o Inter a comprar um terreno no bairro Menino Deus que serviu como base para a construção do Estádio dos Eucaliptos, a primeira casa própria colorada. Em 1931, o estádio foi inaugurado em grande estilo: vitória por 3 a 0 sobre o Grêmio, rival que já era “odiado” pelas bandas vermelhas. O novo estádio virou rapidamente um polo futebolístico do estado e foi a casa do Inter até o final da década de 1960, quando o clube iria construir o Beira-Rio.

O estádio dos Eucaliptos: casa de grandes momentos do Inter. Foto: Acervo / Site oficial do Inter.

 

Em 1934, o Inter foi campeão mais uma vez do Gauchão, mas entrou em uma seca de títulos que iria durar até 1940, ano em que o presidente Hoche de Almeida Barros assumiu a direção colorada. Naquela época, o Inter já tinha em seu elenco três nomes que seriam fundamentais para o sucesso do clube na década: o ponta Tesourinha, o artilheiro Carlitos e o meia Ruy Motorzinho. Tesourinha chegou em 1939, aos 18 anos, quando um olheiro ficou espantado com a habilidade do jovem e o levou para fazer um teste no clube. Aprovado de primeira, Tesourinha passou por um processo de ganho de massa muscular curioso: o Inter autorizou a padaria ao lado do clube a dar pão e leite de graça a ele, para que tivesse o mínimo de sustância. Como jogava na ponta-esquerda, Tesourinha foi deslocado para a ponta-direita pelo fato de o Inter já ter Carlitos naquele setor. 

Tesourinha, lenda do Inter.

 

Carlitos havia chegado ao Inter em 1938 e já tinha média de gols estrondosas: em 1939, por exemplo, anotou 30 gols em 25 jogos. Motorzinho também chegou em 1938 ao Inter e se destacava pela mobilidade e criatividade, além de se movimentar pelo campo todo – daí o apelido. Com ampla visão de jogo, ele comandava a meia-esquerda do time com classe. Com esse trio e por ser um clube que buscava o profissionalismo e pagava salários aos seus atletas, o Inter conseguiu naquela época reunir grandes nomes para seu elenco e fugiu do que muitos clubes faziam: utilizar familiares e jogadores que tinham outras profissões. Tendo atletas que se dedicavam exclusivamente ao esporte, o colorado podia sonhar alto. E dominar o futebol estadual.

 

Primeiras glórias

Luiz Luz (Grêmio), Telêmaco Frazão de Lima (presidente tricolor), Francisco Azevedo (Juiz), Hoche de Almeida Barros (presidente colorado) e Russinho (Inter). Foto: Acervo / 1909emcores.blogspot.com

 

Em 1940, o Inter chegou à fase final do Campeonato Gaúcho como campeão da região metropolitana – na época, a reta final da competição reunia os melhores times do interior contra o campeão da capital (também conhecido como campeão citadino), por isso, a dupla Grêmio e Inter não se enfrentavam nessa etapa. Para chegar ao título estadual depois de sete anos, a equipe despachou naquela etapa decisiva o Juventude (6 a 3), o Riograndense (4 a 2), e o Bagé na final após vitórias por 4 a 1 (com show de Marques, autor de três gols) e 2 a 1. 

Ivo em ação: muralha colorada no gol. Foto: Acervo / Site Oficial do Internacional

 

No ano seguinte, comandado por Vormi Bocorny, ex-velocista, o Inter foi ainda mais absoluto graças ao preparo físico imposto pelo técnico, que era adepto de equipes com excelente vigor físico e também bem montadas taticamente. E tal excelência fez com que o Internacional alcançasse o bicampeonato sem qualquer susto: fez 7 a 1 no Riograndense nas semifinais e aplicou duas goleadas implacáveis no Rio Grande nas finais: 9 a 2 e 6 a 2. Foi nesse ano que o argentino Villalba começou a desfilar suas virtudes no setor ofensivo do time e virou o primeiro grande artilheiro gringo do Inter. No primeiro jogo da final, Villalba anotou quatro gols – ele foi artilheiro do Gauchão de 1941 com 9 gols e repetiu a dose em 1942, com 8 gols. Falando em 1942, foi na campanha do tricampeonato que o Inter teve a escalação que marcou época naquela década e entrou para a história: Ivo; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Russinho, Villalba, Ruy e Carlitos. Com eles em campo, não teve para ninguém: Inter tricampeão consecutivo e uma campanha devastadora na fase final:

  • Inter 8×1 Inter de Santa Maria, fase preliminar
  • Inter 7×3 Armour, semifinais
  • Inter 10×2 Floriano (4 gols de Villalba e 4 gols de Carlitos) / Inter 4×1 Floriano, finais
Foto: Acervo / 1909emcores.blogspot.com

 

Campeão invicto desde a fase citadina, o Inter estabeleceu naquele ano o recorde de gols em uma só temporada no país: foram 108 gols, algo até então inimaginável para um clube brasileiro. Com uma dominância plena, o time colorado passou a ser conhecido como Rolo Compressor, alcunha criada por Vicente Rao, ex-jogador do Inter nos anos 1920 e conhecido em Porto Alegre por ser um grande animador de torcida, Rei Momo e chargista. Ele desenhava as charges do Inter e dos jogadores em um rolo compressor esmagando os rivais e levava pessoalmente aos jornais, o que ajudou bastante a popularizar o apelido no estado. Foi Rao quem ajudou a criar a primeira torcida organizada do Rio Grande do Sul, denominada na época com o curioso e formal nome “Departamento de Cooperação e Propaganda”.

Uma das famosas charges de Rao. Foto: Acervo / Site Oficial do Internacional.

 

Torcida do Inter celebra um dos muitos títulos do clube na época. Foto: Acervo / Site Oficial do Internacional.

 

Naquela metade de anos 1940 e com a popularidade do Rolo Compressor, a torcida colorada começou a sofrer dos mais diversos preconceitos dos torcedores de times que ainda eram fechados a grupos étnicos específicos. Com isso, algumas charges de jornais começaram a vincular a imagem do Inter com a figura de um menino negro de vestes humildes. Além disso, preconceituosos atrelaram as vitórias do Inter à magias e mandingas (!). Com o passar dos anos, tais representações foram unidas e surgiu o menino negro e mágico como mascote do clube, o Saci.

 

À frente do rival e o hexacampeonato

 

Em 1943, o Internacional venceu mais um título estadual seguido e aplicou outras goleadas sobre os rivais na fase final. Com o elenco cada vez mais entrosado e o quinteto de ataque simplesmente irresistível, o Inter venceu o Farroupilha, nas semifinais, por 8 a 5 e bateu o Guarany de Cachoeira do Sul nas finais com vitórias por 3 a 0 e 7 a 1 (três gols de Tesourinha). Em 1944, o colorado venceu o pentacampeonato de maneira dramática. No primeiro jogo da final, a equipe perdeu por 3 a 1 para o Bagé e precisou de uma virada para ficar com o título na volta, em casa. Pois ela veio espetacularmente: 9 a 0, com três gols de Xinxim e três de Adãozinho.

Foto: Acervo / 1909emcores.blogspot.com

 

No ano de 1945, o Inter colecionou façanhas marcantes. Durante a campanha do Gauchão, o artilheiro Carlitos marcou o lendário gol de plano inclinado, quando foi tão rápido em direção à bola que acabou passando por ela. Mesmo assim, teve tempo de voltar e empurrar a redonda de cabeça para marcar o gol que ajudou o Inter a empatar em 4 a 4 uma partida contra o Cruzeiro-POA, no estádio dos Eucaliptos. No campeonato citadino, o Inter enfiou 4 a 1 no rival Grêmio em pleno estádio da Baixada – casa tricolor -, com gols de Adãozinho (2), Tesourinha e Carlitos, e passou à frente do rival em número de gols marcados. Tempo depois, o Inter passou o Grêmio em vitórias em Gre-Nais e desde então jamais perdeu a vantagem no clássico.

 

A formação ideal do Rolo Compressor: time devastador no ataque, mas que não descuidava da defesa.

 

 

No Campeonato Gaúcho, o Inter venceu o Pelotas nas finais – 4 a 2 e 3 a 1 – e ficou com o inédito hexacampeonato gaúcho, uma façanha memorável e que ganhou as manchetes não só do Rio Grande do Sul, mas de todo país. Essa hegemonia fez com que vários clubes do eixo Rio-SP fizessem propostas pelos astros do Inter, mas ninguém queria sair. O Inter fez inclusive partidas amistosas contra os clubes do Sudeste nos anos seguintes e, em 1947, aplicou um 6 a 2 no Flamengo, com quatro gols da máquina Carlitos, que levou ao delírio o torcedor no estádio dos Eucaliptos.

 

Goleada eterna

Foto: 1909emcores.blogspot.com

 

Em 1946, o Inter perdeu sua hegemonia no estado e viu o Grêmio ser campeão gaúcho. Mas, em 1947, o colorado recuperou a coroa ao derrotar o Floriano nas finais – 3 a 2 e 2 a 2 – e, em 1948, foi bicampeão gaúcho com um capítulo especial no campeonato citadino. Em plena final, que decidiria qual clube iria disputar as fases finais do Gauchão, o Internacional goleou o Grêmio por 7 a 0 em plena Baixada, na maior goleada do Inter em Gre-Nais e na maior goleada da história do clássico no profissionalismo. Villalba anotou quatro gols, Carlitos fez dois e Roberto anotou um. Nas finais do campeonato estadual, o Inter triturou o Grêmio Santanense com duas vitórias: 2 a 1 e 5 a 0. 

Foto: 1909emcores.blogspot.com

 

 

Tesourinha e Zizinho, lendas do futebol brasileiro, em 1947. Foto: 1909emcores.blogspot.com

 

Falando em Gre-Nal, a hegemonia do Inter no clássico foi incontestável. Entre janeiro de 1942 e maio de 1944, o colorado emendou 12 jogos de invencibilidade e, de 1940 até 1949, acumulou 32 vitórias, 10 empates e míseras 7 derrotas em 49 jogos, com 136 gols do Inter e 71 gols do Grêmio. Além dos 7 a 0, o Inter ainda aplicou as seguintes goleadas:

 

  • 6 a 1, em 04 de janeiro de 1940;
  • 5 a 1, 11 de março de 1943;
  • 7 a 3, 28 de maio de 1944;
  • 4 a 0, 1º de maio de 1947;
  • 6 a 2, 18 de julho de 1948.

 

Naquele ano de 1948, Tesourinha, já consagrado como um dos principais jogadores do Brasil, foi eleito o maior craque do país na premiação “Melhoral dos Cracks”, da Rádio Tupi. Ele teve quase 3,9 milhões de votos! Não foi à toa que o ponta virou titular absoluto da seleção brasileira nos Campeonatos Sul-Americanos de 1945, 1946 e 1949, além de ser o artilheiro da equipe com 7 gols na conquista continental de 1949, quando formou uma lendária linha ofensiva ao lado de Zizinho, Ademir de Menezes, Jair e Simão. 

 

O fim de um esquadrão imortal

Foto: 1909emcores.blogspot.com

 

Em 1949, o Grêmio voltou a celebrar o título estadual e o Inter começou a perder seus principais jogadores. Tesourinha foi negociado ao Vasco para ganhar 35 vezes mais do que recebia no Inter, Carlitos já entrava no final de sua carreira e iria pendurar as chuteiras dois anos depois e o Rolo Compressor acabou. Nos anos 1950, a equipe voltaria a celebrar títulos em sequência, mas só nos anos 1970 que um novo esquadrão iria dominar não só o Rio Grande do Sul, mas também o Brasil com títulos em profusão e três campeonatos brasileiros em 1975, 1976 e 1979. Mas foi o Rolo Compressor de 1940-1948 que colocou de vez o Inter no mapa do futebol brasileiro, ajudou o estádio dos Eucaliptos a ser uma das sedes da Copa do Mundo da FIFA de 1950 e transformou para sempre a história do Clube do Povo. Um legado eterno e que jamais será esquecido pelos colorados, que enaltecem até hoje as lendas daquele esquadrão imortal.

 

Os personagens:

 

Ivo Winck: foi o titular do Inter por nove anos – de 1941 até 1950 – e é considerado um dos maiores goleiros da história do futebol gaúcho e do próprio Inter. Arrojado e sempre bem posicionado, fazia defesas marcantes e não temia atacante algum. Venceu sete títulos estaduais com o Inter.

Júlio: antes da titularidade plena de Ivo, foi o goleiro do time campeão gaúcho de 1940 e se revezava, também, com Rubens e Marcelo na posição. Jogou no Inter por 10 anos até deixar o clube em 1943 para jogar no rival Grêmio.

Rubens: outro bom goleiro colorado da época, se revezava com Júlio nas partidas do início dos anos 1940 até a titularidade de Ivo.

Alfeu: um dos grandes defensores do Inter nos anos 1940, teve uma primeira passagem pelo clube em 1936 e retornou em 1939 para jogar até 1949. Venceu todos os títulos do Rolo Compressor e era exemplo de garra e dedicação. Em 1944, em um Gre-Nal decisivo, mesmo lesionado, permaneceu em campo até o final do jogo e ainda evitou o gol de empate do tricolor no minuto final. O Inter venceu por 2 a 1 e Alfeu foi carregado, aos prantos, pelos jogadores colorados. 

Maravilha: defensor do Inter, foi titular em vários jogos, mas perdeu espaço com a ascenção de Nena e Alfeu.

Nena: com excelente porte físico e notável impulsão, Nena foi um dos principais zagueiros não só da história do Internacional, mas também do futebol brasileiro nos anos 1940 e 1950. Com um raro senso de colocação, era impecável nos desarmes e ainda uma arma poderosa nas jogadas de ataque pelo alto, pois subia mais do que todo mundo e marcava alguns gols. Venceu 7 títulos do Gaúcho pelo Inter, foi convocado para a Copa do Mundo de 1950 e brilhou também na melhor Portuguesa de todos os tempos, nos anos 1950, jogando ao lado de Pinga, Julinho Botelho e Djalma Santos.

Risada: experiente, o zagueiro compôs a dupla defensiva do Inter ao lado de Alfeu naquele início de década de 1940. Foi campeão gaúcho em 1934 e se destacava pela polivalência e por saber sair jogando do campo de defesa.

Álvaro: outro que teve mais chances no time titular até a consolidação da dupla Alfeu e Nena. Atuava mais recuado e tinha eficiência no jogo aéreo.

Assis: atuava mais pela direita do meio de campo, fazendo o papel de lateral-direito do time. Muito regular, figurou em boa parte daquela era de ouro do Inter e ajudava a iniciar as jogadas de ataque com Tesourinha.

Ávila: foi o dono do meio de campo do Inter naquela época e brilhou no clube de 1941 até 1947, ganhando até uma convocação para a seleção brasileira em 1944. Encerrou a carreira no Botafogo, pelo qual jogou de 1948 até 1949.

Felix Magno: o uruguaio já era um veterano e conhecido por suas passagens por clubes do Rio Grande do Sul quando chegou ao Inter em 1939 e ajudou o clube a vencer o Gauchão de 1940, atuando como volante e meia. Encerrou a carreira em 1943, no Londrina.

Brandão: podia atuar como centromédio e também lateral-direito e se destacava pela presença física e fôlego privilegiado. Foi campeão gaúcho em 1941 pelo Inter e, após pendurar as chuteiras precocemente, em 1945, por causa de uma lesão no joelho, virou um consagrado técnico de futebol. Captou? Isso mesmo, Osvaldo Brandão, o multicampeão paulista por Corinthians, Palmeiras e São Paulo!

Abigail: fechava pelo lado esquerdo a linha média do Rolo Compressor colorado, função que cumpriu com maestria de 1942 até 1950. Mesmo com a aparência frágil e sempre muito magro, era enorme dentro de campo e uma peça essencial no time do Inter. Disputou mais de 230 partidas pelo clube na carreira.

Pedrinho: antes de Abigail, foi o titular pelo lado esquerdo da linha média do Inter no começo dos anos 1940. 

Tesourinha: sem dúvida alguma um dos maiores pontas-direitas da história do futebol brasileiro e lenda do Internacional, Tesourinha brilhou por uma década com a camisa vermelha e foi o grande nome do Rolo Compressor. Intempestivo, rápido, driblador e criativo, é muitas vezes comparado a Garrincha por conta do futebol exuberante que jogou. Foi um dos artilheiros do Brasil na conquista do título Sul-Americano de 1949 com 7 gols marcados e esbanjou técnica com grandes atuações. Só não foi titular da Copa do Mundo de 1950 por causa de uma lesão, caso contrário, seria absoluto no ataque. Foram 23 jogos e 10 gols com a camisa do Brasil e 178 gols em 278 jogos pelo Internacional – Tesourinha é o 5º maior artilheiro do clube na história.

Russinho: após passar por Grêmio e Americano, Russinho chegou ao Inter em 1939 e permaneceu até 1942. Goleador e criativo, integrou o time no tricampeonato de 1940 até 1942 e anotou 70 gols em 89 jogos.

Ghizzoni: o uruguaio foi campeão gaúcho em 1948 e marcou gols importantes na trajetória vencedora do Inter. Era um atacante incisivo, com grande presença de área e bom finalizador.

Villalba: o argentino fez carreira exclusivamente no futebol brasileiro e brilhou no Inter em duas épocas: 1941 até 1944 e 1946 até 1949. Goleador nato e 2º maior artilheiro do Inter em Gre-Nais com 21 gols, venceu 5 títulos gaúchos e foi um dos principais matadores daquele esquadrão. Em 194 jogos pelo Inter, Villalba marcou 148 gols.

Castillo: outro grande artilheiro do Inter, o uruguaio fez jogos memoráveis ao lado de Carlitos e Tesourinha no ataque do Rolo Compressor. Oportunista e com boa presença de área, atuou, também, pelo rival Grêmio na metade dos anos 1930.

Marques: centroavante, integrou o time campeão estadual de 1940 e jogou apenas 10 jogos no Inter, mas o suficiente para anotar impressionantes 13 gols. Mesmo com o grande desempenho, preferiu retornar ao clube de seu coração, o Passo Fundo, já em 1941.

Ruy Motorzinho: hexacampeão gaúcho pelo Inter, foi um dos principais nomes ofensivos do time naquela era de ouro. Além de construir jogadas e dar passes precisos, ainda marcava gols – foram 72 gols em 214 jogos. Simplesmente decisivo para o sucesso do Rolo Compressor.

Adãozinho: outro atacante infernal do Inter, Adãozinho se transformou em um dos maiores artilheiros do clube na época com 113 gols em 195 jogos, além de contribuições decisivas para os títulos gaúchos de 1943, 1944, 1945, 1947 e 1948. Mesmo de baixa estatura – tinha 1,60m – era extremamente rápido, oportunista e se colocava muito bem. Marcou 16 gols no rival Grêmio, uma de suas vítimas preferidas.

Carlitos: com números impressionantes e média superior a um gol por jogo, Carlitos é presença obrigatória em qualquer Time dos Sonhos do Internacional, além de ter sido uma das maiores máquinas de gols do futebol brasileiro. Apaixonado pelo Inter, Carlitos só vestiu o manto Colorado na carreira e venceu 10 torneios estaduais, além de ser o maior carrasco do Grêmio na história com 42 gols em 62 Gre-Nais disputados, uma abundância que ajudou o Inter a tomar a dianteira no clássico e mantê-la desde então. O artilheiro ficou conhecido por nunca ter perdido um pênalti e por adorar aprontar contra o rival, como uma vez em que prendeu o calção do goleiro Júlio em um prego da trave só para atrasar (e atazanar) a vida do rival. Carlitos adorava tanto o Inter que batizou seus três filhos com a letra inicial “i”, de seu clube de coração: Ivan, Iran e Irany. Foram 384 jogos e 485 gols pelo Inter.

Xinxim: não foi titular absoluto, mas fez bons jogos nas oportunidades que teve. No Gaúcho de 1944, foi o artilheiro do time ao lado de Adãozinho com 3 gols.

Rui Azevedo e Sousa, Orlando Cavedini, Vormi Bocorni, Ricardo Diéz, Carlos Ribeiro da Silva, Hermínio de Brito e Carlos Volante (Técnicos): em tempos de praticamente um técnico por temporada – às vezes até três – o Inter conseguiu manter sua hegemonia no estado muito por causa da qualidade de seu elenco, que se conhecia e sabia o que fazer em campo. Por isso, os treinadores que passaram pelo clube naquele período acabaram não tendo o prestígio que os atletas tiveram. Porém, é de se destacar o trabalho de Vormi Bocorni, que trabalhou muito a parte física dos atletas e venceu o campeonato de 1940, Ricardo Diéz, campeão em 1942 e que depois construiu uma carreira bem longeva no país, Orlando Cavedini, técnico com mais passagens pelo Inter no período e campeão em 1944, e Carlos Volante, argentino que conseguiu o bicampeonato em 1947 e 1948.

 

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Comentários encerrados

2 Comentários

  1. O primeiro grande time de nossa história, tenho certeza que se enfrentasse o expresso da vitória em um hipotético brasileirão dava jogo, também tenho certeza de que se o Tesourinha tivesse em 1950 a gente ganhava a copa.
    Este time foi o que nos fez hegemônico em grenais, no gauchão e nos elevou ao nível de papai (que é o maior).
    Curiosidade: David Russowsky, o Russinho, era irmão do ex presidente do Inter Gildo Russowsky
    Grande matéria como sempre!

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