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Esquadrão Imortal – Sparta Praga 1919-1927

Em pé: Kolenatý, Šíma, Myclík, Pešek, Silný, Horejs, Burgr, Perner e Hochman.
Agachados: Hajný e Patek.

 

Grandes feitos: Campeão da Copa Mitropa (1927), Heptacampeão do Campeonato Tchecoslovaco (1919, 1920, 1921, 1922, 1923, 1925-1926 e 1926-1927) e dono da maior série de vitórias consecutivas da história do futebol: 50 jogos (estima-se que a soma chegue a 58 partidas).

Time-base: Frantisek Peyr (Antonín Kaliba / Frantisek Hochmann); Antonín Hojer (Jaroslav Burgr) e Antonín Perner; Frantisek Kolenaty, Karel Pesek e Ferdinand Hajny; Josef Sedláček (Adolf Patek), Antonín Janda (Josef Síma), Václav Pilát (Josef Miclík), Josef Silny (Jan Dvořáček) e Josef Horejs. Técnicos: John Dick (1919-1923) e Vaclav Spindler (1923-1927).

 

“Sparta de Ferro”

Por Leandro Stein

 

O futebol no leste europeu quase sempre é cultuado pelos grandes esquadrões sustentados durante o período do comunismo. Uma maneira dos regimes mostrarem força para o resto do planeta, ainda que com timaços formados de maneira arbitrária e, às vezes, com histórias sujas por trás. Não quer dizer, no entanto, que a força do futebol na Europa Oriental esteja limitada a esse período. Mostra disso são os vice-campeonatos mundiais de Tchecoslováquia e Hungria nas Copas de 1934 e 1938, respectivamente. Já entre os clubes, não há representante melhor do que o Sparta Praga.

Durante a década de 1920, o clube ficou conhecido como Sparta de Ferro. Logo após a Primeira Guerra Mundial, os grenás foram tetracampeões nacionais com números surreais, formaram a base de uma seleção fortíssima e passaram a ser respeitados em toda a Europa. Pelas vitórias em amistosos, chegaram até a reivindicar o posto de melhor clube do continente. E conquistaram um título para ao menos ressaltar essa importância, vitoriosos na primeira edição da Copa Mitropa, a precursora da Liga dos Campeões. É hora de relembrar.

Índice

 

O início dos anos de ferro

O surgimento do grande esquadrão do Sparta Praga começa com o fim da Primeira Guerra Mundial. Na época do conflito, a Tchecoslováquia fazia parte do Império Austro-Húngaro, centro das trincheiras. O armistício permitiu a reconstrução do país, com os tchecoslovacos independentes. Praga despontou como capital, a cidade mais desenvolvida da Europa Central por causa da sua força industrial. O futebol tchecoslovaco continuou centrado em Praga durante o pós-guerra.

A regionalização já era forte no começo do Século XX e até foram realizados dois playoffs nacionais na década de 1910, mas a Primeira Guerra fez esse processo regredir. Ainda assim, as principais potências do esporte local estavam sediadas na capital, tornando o torneio forte no contexto regional. O Slavia Praga foi o primeiro campeão no retorno da competição. Entretanto, o Sparta ficou com o vice-campeonato, ainda no processo de formação de sua forte equipe. Antonín Janda era a principal peça que continuara no time durante o conflito, enquanto a estrela que voltava do front era Vacláv Pilát. O talentoso atacante chegou a combater na guerra e ficou ferido nas trincheiras, mas surpreendeu ao retomar sua carreira de jogador.

 

O comandante do sucesso veio de fora

 

O período de conquistas arrasadoras do Sparta Praga começou apenas em 1919. Não coincidentemente, o ano da chegada de John Dick ao comando do time. O escocês havia feito longa carreira no futebol inglês, sendo um dos primeiros ídolos do Arsenal. O capitão foi o primeiro jogador a passar das 250 partidas pelos Gunners, famoso pela liderança e pela solidez no meio-campo da equipe. Em 1910, passou a comandar o time reserva dos londrinos, antes de pendurar as chuteiras dois anos depois. Na ocasião, o Arsenal seguiu em turnê pela Tchecoslováquia e assumiu o Deutscher FC, um dos adversários na excursão.

A chegada de John Dick ao Sparta Praga aconteceu em 1919, após tornar-se campeão regional na Boêmia com o Deutscher. O ex-jogador mantinha a ligação do Sparta com o Arsenal, que já tinha inspirado o uniforme grená dos tchecoslovacos. À frente do clube, o escocês manteve a mentalidade de forte trabalho físico, que vinha dos tempos de jogador – quando também competia em provas de atletismo cross-country. Em suas mãos, surgiu o Zelezná Sparta, o Sparta de Ferro, uma equipe praticamente imbatível nas competições locais e de alto poder ofensivo.

A primeira taça da liga só foi conquistada nos critérios de desempate. Sparta e Slavia terminaram o Campeonato Central da Tchecoslováquia de 1919 com os mesmos 14 pontos, mas vantagem dos grenás no confronto direto. O Union Zizkov, terceiro colocado na tabela, foi o único time local capaz de bater o time de John Dick. Algo que ninguém mais conseguiria no país durante os próximos quatro anos. Na sequência do certame, ainda houve um quadrangular nacional, em que o clube da capital venceu os três jogos e marcou 17 gols, consolidando a conquista.

 

A medalha de ouro que não veio e o rótulo de melhor da Europa

Os melhores jogadores da Tchecoslováquia se concentravam no Sparta Praga. Prova disso é que 12 atletas do clube faziam parte da seleção que disputou os Jogos Olímpicos de 1920, o principal torneio de futebol da época, sendo 10 deles titulares constantes. Após golearem França, Noruega e Iugoslávia nas fases anteriores, os tchecoslovacos acabaram abandonando o campo na decisão da Medalha de Ouro, em 02 de setembro de 1920, contra a anfitriã Bélgica. A equipe estava descontente com a confirmação dos dois gols da Bélgica, bem como com a expulsão de um jogador. Diziam-se intimidados com a presença de soldados belgas à beira do campo no Estádio Olímpico da Antuérpia. Mas, por causa da desistência, sequer receberam a medalha de prata, que ficou com a Espanha após vencer a Holanda em um mini-torneio criado pelo COI.

Final olímpica de 1920 teve polêmica e evitou conquista tcheca. Foto: Popperphoto archive

 

Já no Campeonato Central da Tchecoslováquia, o Sparta dominava de uma maneira espantosa, chegando ao pentacampeonato. Foram 11 vitórias em 1920 e 1921, 13 em 1922, 15 em 1923 – sem uma mísera derrota ou sequer um empate. Somando também os triunfos que carregavam de seu primeiro título, os grenás chegaram a 58 vitórias seguidas. O número ainda hoje é um recorde na Europa e no mundo, embora a contagem exata e a sequência de jogos sejam difíceis de se encontrar. E, como era de se esperar, o ataque atingiu números monstruosos. Foram 235 gols durante o penta, média de 3,92 tentos por rodada. E a defesa só sofreu 46. Em 1923, na campanha mais impressionante, foram 94 bolas na rede, mais de seis por partida em média.

Não à toa, o Sparta Praga passou a ser visto como um adversário a ser batido por outras grandes potências da Europa. Em 1921, o Nuremberg-ALE treinado por Dori Kürschner desafiou os tchecoslovacos para dois duelos, que seriam uma decisão extraoficial do melhor time da Europa continental. Os alemães viviam o melhor momento de sua história, donos de cinco títulos nacionais entre 1920 e 1927. No entanto, não foram páreos. Após o empate por 0 a 0 em Nuremberg, o Sparta se impôs em casa com a vitória por 5 a 2. No Natal daquele ano, os tchecoslovacos ainda foram à Espanha encarar o Barcelona, campeão da Copa do Rei do ano anterior e estrelado por Paulino Alcântara. Mesmo desfalcados, os visitantes venceram por 3 a 2, reiterando a noção de que eram os melhores do continente.

Ainda assim, o Reino Unido possuía fama inegável no esporte. E a ida do Celtic à Praga em 1922 foi marcante. Os donos do título escocês chegaram badalados à capital, anunciados pelos jornais como “o melhor time do mundo”. A vitória por 2 a 1 foi vista como um milagre pelos tchecoslovacos, com grande atuação dos comandados de John Dick. Antonín Janda, em grande atuação, recebeu elogios até mesmo do goleiro rival: “Jogo futebol há 25 anos e nenhum jogador me fez ter tanto medo quanto esse rapaz careca”. Quem dizia isso era o lendário Charlie Shaw, que manteve o recorde de minutos sem tomar gols na Grã Bretanha por quase 100 anos, superado apenas por Edwin van der Sar. Dias depois, os times se enfrentaram e o Sparta venceu outra vez, por 2 a 0.

O adeus do mestre e a recuperação dos gigantes

Karel Pesek, um dos maiores craques do século XX.

 

O Sparta de Ferro entrou em crise em 1923. John Dick deixou o clube, partindo para o Beerschot VAC. O time belga havia sido vencido pelos tchecoslovacos em amistoso e ficou impressionado com o trabalho do escocês, com o qual conquistou quatro Campeonatos Belgas. Sob as ordens de Vaclav Spindler, o clube da capital também havia perdido algumas de suas principais referências, como o atacante Mazal, o defensor Antonín Hojer e o goleiro Frantisek Peyr. Em consequência, os grenás foram surpreendentemente mal no Campeonato Central da Tchecoslováquia de 1924, terminando na quarta colocação. No mesmo ano, a equipe foi desafiada pelo Bolton, então campeão da Copa da Inglaterra. Os britânicos aceitaram entrar em campo sem receber cachê, dizendo que estavam ali pelo “prestígio dos adversários tchecoslovacos”, e venceram por 3 a 1.

A redenção do Sparta Praga aconteceu a partir de 1925. Naquele ano, um Campeonato Tchecoslovaco mais abrangente foi criado e o futebol no país se profissionalizou. Os grenás acabaram superados pelo Slavia na edição de verão da liga, mas ficaram com o título na primeira temporada completa, em 1925/26. A equipe conquistou 18 vitórias e foi derrotada apenas uma vez em 22 rodadas, com 97 gols marcados. Novo show do clube que se reencontrava com os seus melhores momentos.

E o sinal de que o Sparta seguia como um dos melhores times do mundo veio em maio de 1925. A equipe recebeu o Nacional, do Uruguai, em amistoso disputado em Praga. Os uruguaios viajavam em turnê bem sucedida pela Europa (foram 26 vitórias e sete empates em 38 jogos) e reuniam a base da Celeste campeã dos Jogos Olímpicos em 1924 – seis jogadores estiveram no feito de Paris, incluindo Héctor Scarone. Entretanto, não tiveram forças suficientes para derrubar os anfitriões. Empurrado por 40 mil torcedores, o Sparta venceu por 1 a 0, gol de Jaroslav Polacek. Dias depois, o Sparta foi até Viena disputar um torneio amistoso contra equipes locais. Empatou com o Hakoah Viena, campeão austríaco em 1925 e famoso por ter um dos estilo de jogo mais bonitos do continente, mas perdeu o título para o Rapid Viena.

Janda, um dos grandes artilheiros do Sparta nos anos 1920.

 

Em 1926, os tchecoslovacos ainda fizeram uma turnê pelos Estados Unidos, pela Europa Ocidental e pelo Reino Unido. Na Península Ibérica, golearam Benfica e Sporting, além de terem vencido o Athletic Bilbao e massacrado o Barcelona por 7 a 2. Já na França, também passaram por cima de uma seleção de clubes parisienses por 11 a 3. E na Grã Bretanha, venceram sete e perderam apenas dois dos jogos que disputaram contra os clubes locais, dando o troco no Bolton, outra vez campeão da Copa da Inglaterra, com triunfo por 2 a 0. Ao fim da viagem, milhares de torcedores foram às ruas de Praga receber os seus heróis.

O grande título dos grenás na Europa

Em 1927, o Sparta faturou o bicampeonato tchecoslovaco. Outra campanha invicta, superando o Slavia no topo da tabela. No entanto, a principal conquista na década de 1920 foi mesmo a Copa Mitropa. O torneio era uma novidade em 1927, reunindo as melhores equipes da Europa Central, verdadeiras forças do futebol continental. Afinal, o momento era de times qualificados entre Tchecoslováquia, Hungria, Áustria e Iugoslávia, que disputaram aquela primeira edição.

A primeira vítima do Sparta foi o Admira Viena, campeão austríaco naquele ano. Os grenás golearam por 5 a 1 na ida, permitindo a derrota por 5 a 3 fora de casa. Já o grande desafio da campanha veio nas semifinais. O MTK Hungária vivia momento inspiradíssimo, donos de nove títulos nacionais entre 1917 e 1925. No comando, o inglês Jimmy Hogan criava uma geração de grandes treinadores que revolucionariam o esporte, entre eles Béla Guttmann e Dori Kürschner. Em 1927, ainda estavam no elenco Gustav Sebes, Gyúla Mandi e Jenõ Kalmár – o técnico da seleção da Hungria de 1954, seu assistente e o comandante do Honvéd na mesma época, respectivamente. Nos dois encontros, dois empates, por 2 a 2 e 0 a 0. Mas o Sparta acabou se classificando graças à escalação de um jogador irregular pelo MTK.

Uma das formações do Sparta em 1927.

 

Na decisão, o adversário do Sparta Praga foi o Rapid Viena, vice-campeão austríaco e seu algoz dois anos antes em torneio amistoso. O serviço dos tchecoslovacos, porém, foi bem mais fácil na final. Os grenás golearam por 6 a 2 no jogo de ida, em casa, e até foram derrotados por 2 a 1 em Viena. Nada que tirasse a taça das mãos do capitão Karel Pesek. Serviu para eternizar a imagem do meio-campista que defendeu o clube por 20 anos e, ao mesmo tempo, também foi um dos craques do hóquei no gelo tchecoslovaco – medalha de ouro em três campeonatos europeus e bronze nas Olimpíadas de 1920. Outro a se consagrar naquele momento foi Josef Silny, um dos maiores artilheiros da história do futebol local.

O Sparta segue no topo, mas não com tantas taças

Em 1928, o Sparta Praga contou com o retorno de John Dick ao comando da equipe. Porém, o clube perdeu sua hegemonia local para o Slavia Praga, tricampeão nacional entre 1929 e 1931. Já na Copa Mitropa, o clube voltou a fazer grande campanha em 1930, mas foi vice-campeão na revanche do Rapid Viena. Os grenás passavam por uma renovação mais profunda de seu elenco. Começavam a preparar a geração que ajudaria a Tchecoslováquia a ser vice-campeã do mundo em 1934, incluindo Oldrich Nejedly, artilheiro daquele Mundial. Também passaram a contar naquele ano com Raymond Braine, jogador de Dick no Beerschot VAC e que se tornou ídolo absoluto no novo clube.

Em 1931/32, o Sparta recuperou o título tchecoslovaco. E chegou a sua segunda conquista da Copa Mitropa em 1935, dois anos depois da nova saída de John Dick. Os grenás eliminaram First Viena, Fiorentina, Juventus (então pentacampeã italiana, em uma histórica goleada por 5 a 1 no jogo de desempate) e o Ferencvaros na final. Já era uma glória esparsa, uma lembrança do esquadrão que dominara a Europa na década anterior. A história do Sparta, e da Tchecoslováquia, mudaria depois que o país foi invadido pela Alemanha nazista. E entraria em outra realidade a partir do final dos anos 1940, com a instauração do comunismo. Os feitos do Sparta de Ferro, porém, já estavam na eternidade do esporte.

Os personagens (Por Guilherme Diniz):

Frantisek Peyr: teve uma breve carreira, de 1919 até 1923, mas conseguiu ser um dos principais goleiros da Tchecoslováquia no período. Esteve no grupo que disputou as Olimpíadas da Antuérpia de 1920. 

Antonín Kaliba: chegou ao Sparta em 1925, após boas temporadas no Union Zizkov. Embora fosse reserva de Hochmann, atuou em algumas partidas e venceu o campeonato nacional de 1925-1926.

Frantisek Hochmann: foi o principal goleiro do Sparta entre 1923 e 1927 e integrou o time multicampeão do período, além da equipe campeã da Copa Mitropa de 1927. Disputou também sete jogos pela seleção tcheca.

Antonín Hojer: defensor que tinha vocação ofensiva, Hojer marcou 34 gols em 91 jogos pelo Sparta Praga no período em que jogou pelo clube, de 1913 até 1931. Venceu mais de 14 títulos pelo Sparta, além de vestir a camisa da seleção tcheca em 35 oportunidades.

Jaroslav Burgr: outro grande zagueiro da história do futebol tcheco, Burgr vestiu a camisa do Sparta Praga por impressionantes 20 anos, de 1926 até 1946, e acumulou mais de 200 jogos só pelos campeonatos nacionais e mais de 600 jogos no total. Foi figura constante também na seleção tcheca, pela qual disputou 57 jogos, incluindo a Copa do Mundo de 1934, quando a equipe terminou como vice-campeã mundial.

Antonín Perner: atuava no miolo central, com características mais de marcação e passes. Jogou no Sparta de 1913 até 1933, vencendo os principais títulos do clube no período. Jogou também em 28 partidas pela seleção entre 1920 e 1931.

Frantisek Kolenaty: outro meio-campista muito talentoso, esteve em dois Jogos Olímpicos pela seleção – 1920 e 1924 – e jogou no Sparta de 1916 até 1930, vivendo seu melhor momento entre 1920 e 1927.

Karel Pesek: meia extremamente criativo, com visão de jogo e exímia técnica, Karel Pesek foi um dos maiores jogadores do mundo entre os anos 1910 e 1930 e também um dos maiores craques tchecos de todos os tempos, eleito o 3º maior do Século XX pela IFFHS, atrás apenas de Josef Masopust (1º) e a máquina de gols Josef Bican (2º).

Pesek jogou de 1913 até 1933 no Sparta Praga e foi o símbolo do timaço que dominou o país nos anos 1920, sendo inclusive capitão da equipe em boa parte dos anos 1920. Pesek marcou 149 gols em 479 jogos pelo Sparta e disputou 44 jogos pela seleção tcheca. Tinha muita força física, fôlego invejável, categoria e excelência nos passes e lançamentos. Além de gastar a bola nos gramados, Pesek também foi um grande jogador de Hóquei no Gelo, modalidade que o atleta disputou nos Jogos Olímpicos de 1920 e venceu a Medalha de Bronze.

Vale lembrar que ele também disputou aquela edição das Olimpíadas pela seleção de futebol da Tchecoslováquia, mas acabou não vencendo a medalha por causa do abandono da equipe na final. Se ele tivesse vencido pelo menos a Prata no futebol, Pesek teria sido o primeiro atleta na história a vencer medalhas tanto em uma modalidade dos jogos de verão quanto nos jogos de inverno, algo que só aconteceu seis vezes desde o início da era moderna, iniciada em 1896. 

Ferdinand Hajny: após debutar no rival Viktoria, Hajny chegou ao Sparta em 1922 e permaneceu até 1930. Venceu vários títulos nacionais pelo clube e também a Copa Mitropa de 1927. Foram mais de 330 jogos com a camisa do Sparta na carreira, além de 12 jogos pela seleção.

Josef Sedláček: outro jogador constante na seleção, pela qual disputou as Olimpíadas de 1920 e 1924, Sedláček nasceu em Viena (Áustria), mas construiu sua carreira no futebol tchecoslovaco entre 1914 e 1926. Só não teve uma carreira mais longa por causa do excesso de lesões nas pernas.

Adolf Patek: atacante muito habilidoso, chegou ao Sparta em 1925 e permaneceu até 1931, ajudando a equipe a vencer a Copa Mitropa de 1927, quando marcou dois gols na goleada de 6 a 2 diante do Austria Vienna, no primeiro jogo da decisão. 

Antonín Janda: foi um dos mais letais atacantes de seu tempo, autor de 284 gols em 330 jogos pelo Sparta Praga entre 1916 e 1924. Com velocidade e oportunismo, o carequinha era um perigo constante aos rivais e foi crucial para os títulos nacionais do Sparta naquela época. Pela seleção, Janda disputou 10 jogos e marcou 12 gols, média superior a um gol por partida. 

Josef Síma: jogava no ataque, um pouco mais perto da área, às vezes como centroavante. Marcou um dos gols na final da Copa Mitropa de 1927.

Václav Pilát: jogou 13 anos no Sparta e foi um dos maiores artilheiros da história do clube com 323 gols em 361 jogos, além de ter vencido três títulos nacionais com o clube. Pela seleção, esteve nas Olimpíadas de 1920.

Josef Miclík: jogou de 1925 até 1929 no Sparta, foi bicampeão nacional e campeão da Copa Mitropa de 1927. 

Josef Silny: jogou de 1926 até 1933 no Sparta e foi outro grande atacante da equipe no período. Veio do Slavia a preço recorde na época de 50 mil coroas e justificou cada centavo gasto com uma média de gols de quase um por partida. Fez grandes jogos e marcou nas duas finais da Copa Mitropa de 1927, torneio no qual ele foi o artilheiro com 5 gols. Pela seleção, marcou 28 gols em 50 jogos. 

Jan Dvořáček: o atacante foi o principal nome da conquista nacional de 1925-1926, quando anotou 32 gols em apenas 18 jogos (!). Jogou no Sparta de 1922 até 1927, além de defender a seleção tchecoslovaca em 12 jogos, com 10 gols marcados.

Josef Horejs: austríaco, o atacante jogou de 1924 até 1927 no Sparta Praga e esteve no time campeão nacional de 1926 e 1927, além de ser titular na campanha do título da Copa Mitropa de 1927.

John Dick e Vaclav Spindler (Técnicos): John Dick foi sem dúvida o grande técnico do time naquela era de ouro, formando uma equipe extremamente forte no ataque e multicampeã. Após sua saída, muitos pensaram que o Sparta iria perder força, mas Spindler conseguiu manter o time entre os primeiros do país e fechou a dinastia do Sparta no campeonato nacional.

 

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