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Esquadrão Imortal – Bayer Leverkusen 2023-2024

Em pé: Boniface, Kossounou, Tapsoba, Xhaka, Andrich e Kovár. Agachados: Tella, Adli, Wirtz, Hincapié e Grimaldo. Foto: Imago

 

Grandes feitos: Campeão Invicto do Campeonato Alemão (2023-2024), Campeão Invicto da Copa da Alemanha (2023-2024) e Vice-campeão da Liga Europa da UEFA (2023-2024). Conquistou a primeira Bundesliga da história do clube, foi o primeiro clube a vencer a Bundesliga de maneira invicta e atingiu a maior série de jogos sem perder da história do futebol no século XXI – 51 partidas.

Time-base: Hradecky (Kovár); Kossounou (Stanisic), Tah e Tapsoba; Frimpong (Tella), Andrich, Xhaka (Exequiel Palacios) e Grimaldo (Hincapié / Arthur); Hofmann (Borja Iglesias) e Wirtz (Adli); Boniface (Schick / Hlozek). Técnico: Xabi Alonso.

 

“NeverLusen: o esquadrão que não sabia perder”

 

Por Guilherme Diniz

 

Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco vezes. Foi essa a quantidade de vices-campeonatos que o Bayer Leverkusen acumulou ao longo de sua história na Bundesliga. Fundada em 1904, a equipe alemã jamais havia conseguido levantar o maior título do país, e isso mesmo com investimentos sólidos e grandes elencos formados ao longo dos anos. Para piorar, alguns desses vices foram traumáticos e inacreditáveis, como na temporada 2001-2002, quando a equipe ficou invicta por 14 rodadas seguidas no primeiro turno, tinha nomes como Zé Roberto, Berbatov, Michael Ballack, Lúcio, Schneider, Neuville e Ramelow e perdeu o título nas últimas rodadas, ficando um ponto atrás do Borussia Dortmund. Para piorar, a equipe perdeu naquela temporada a final da Copa da Alemanha e também a final da LIga dos Campeões da UEFA, um Treble Horror que deu ao clube o apelido de Neverkusen (um trocadilho para dizer que nunca seriam campeões).

A torcida ainda se apegava à conquista da Copa da UEFA de 1987-1988 e à Copa da Alemanha de 1992-1993 como únicos grandes troféus do clube. De fato, com a hegemonia do Bayern München e a força de Borussia e RB Leipzig, ficava difícil para o Bayer brigar por algum troféu. Bem, isso até chegar o mês de outubro de 2022, quando o jovem Xabi Alonso, ex-craque de Liverpool, Real Madrid, Bayern e multicampeão pela seleção da Espanha, assumiu o comando técnico do clube para transformar de vez a história do Leverkusen. 

Após terminar na 6ª colocação a Bundesliga de 2022-2023, ele teve sua primeira temporada completa em 2023-2024 e, com tempo, contratações certeiras e um futebol bonito de se ver, Alonso fez do Bayer o time mais encantador e devastador da Europa. Jogo a jogo, trucidou os adversários na Bundesliga. Eles venciam, empatavam, mas não perdiam. E, com cinco rodadas de antecipação, celebraram o inédito título alemão com uma goleada de 5 a 0 sobre o Werder Bremen que simplesmente enlouqueceu seus torcedores, que invadiram o gramado e transformaram a BayArena em um mar rubro-negro impressionante.

Muitos pensaram que eles iriam relaxar, mas Xabi Alonso manteve seu time concentrado para alcançar algo que nenhum outro clube na Alemanha conseguiu: o título invicto da Bundesliga. E ele foi consumado na última rodada, após vitória em casa sobre o Augsburg. Com 51 jogos sem perder, eles já estavam na história como o NeverLusen, o esquadrão dono da maior série invicta no futebol europeu e mundial no século XXI. A série foi encerrada na final da Liga Europa, mas eles venceram a Copa da Alemanha dias depois e se colocaram de vez na história com o doblete doméstico e mais títulos do que derrotas! É hora de relembrar o esquadrão com a história mais espetacular da temporada 2023-2024 do futebol mundial.

 

Hora de competir

Xabi Alonso: técnico mudaria a história do Leverkusen. Foto: Reuters.

 

Em outubro de 2022, o Bayer Leverkusen anunciou a contratação do técnico Xabi Alonso, novato treinador que havia completado sua licença da UEFA em 2018 e tinha passagens pelo time sub-14 do Real Madrid e a equipe da Real Sociedad B, além de ter sido sondado pelo Borussia Mönchengladbach em 2021. Mesmo sem experiência em um clube da elite, Alonso tinha no currículo uma trajetória irrepreensível como jogador, tendo conquistado títulos por Liverpool, Real Madrid, Bayern München e, claro, pela seleção da Espanha, com a qual venceu a Copa do Mundo de 2010 e as Eurocopas de 2008 e 2012.

Xabi Alonso se inspirava exatamente nos técnicos que teve em sua trajetória como jogador, tais como Rafa Benítez, Pep Guardiola, Vicente Del Bosque, José Mourinho e Carlo Ancelotti. “O que aprendi com Guardiola e Mourinho é que os jogadores precisam acreditar e seguir o treinador. Quero ajudá-los com meu conhecimento, minha fome e minhas qualidades de liderança. Queremos jogar um futebol moderno: intenso, ativo e com boa mentalidade”, disse Alonso em sua apresentação, em 2022. Ele ainda ressaltou o conhecimento que tinha no Leverkusen e sua tradição em reunir grandes talentos. 

 

“Eu conheço o Leverkusen do meu tempo na Alemanha [quando jogava no Bayern München] como um clube excelente. O Bayer sempre teve grandes jogadores e vejo muita qualidade no elenco atual também. Nas minhas conversas com o clube, rapidamente ficou claro que, apesar da difícil situação atual, metas ambiciosas ainda estão traçadas. Estou muito animado para essa tarefa e estou seguro de que vamos fazer jus”.

 

Xabi Alonso chegou a um Leverkusen na vice-lanterna da Bundesliga e vivendo seu pior início de temporada no Campeonato Alemão desde 1979. Ainda sem poder montar o time à sua maneira, ele tratou de organizar o elenco rapidamente para subir posições e afastar de vez o perigo de rebaixamento. Logo na estreia, aplicou 4 a 0 no Schalke 04. E, jogo após jogo, foi devolvendo a confiança aos jogadores e conseguiu terminar a competição nacional na 6ª colocação, além de alcançar as semifinais da Liga Europa da UEFA, quando acabou eliminado pela Roma de José Mourinho após perder por 1 a 0, fora de casa, e empatar sem gols na BayArena.

Foto: Getty Images

 

Ao término da temporada, a diretoria ficou muito satisfeita com o trabalho de Alonso e ele pôde detectar nomes que teriam ainda mais brilho na época seguinte como o atacante Schick, o polivalente Frimpong, os meio-campistas Andrich e Palacios, os meias Adli e Wirtz e os defensores Tapsoba, Tah e Hincapié. Era um elenco jovem, determinado e que tinha tudo para fazer jogos melhores. E eles fariam (muitos) com os reforços e mais tempo de treinamento.

 

A montagem do esquadrão

Para ter mais capital de investimento em contratações, o Bayer Leverkusen decidiu vender seu principal artilheiro de 2022-2023, o francês Moussa Diaby, por 55 milhões de euros ao Aston Villa-ING. Além dele, outros 13 atletas deixaram o clube, gerando um total de 69,2 milhões de euros. Tais negociações foram essenciais para que o clube alemão pudesse trazer reforços a vários setores, cumprindo com o desejado por Xabi Alonso de o Bayer ter condições e força na luta por troféus. Os contratados foram: 

 

  • Álex Grimaldo, lateral-esquerdo, ex-Benfica, sem custos;
  • Arthur, lateral-direito, ex-América Mineiro, por 7 milhões de euros;
  • Jonas Hofmann, meia, ex-Borussia Mönchengladbach, por 10 milhões de euros;
  • Granit Xhaka, meio-campista, ex-Arsenal, por 25 milhões de euros;
  • Victor Boniface, atacante, ex-Union Saint-Gilloise, por 20 milhões de euros;
  • Matej Kovár, goleiro, ex-Manchester United, por 5 milhões de euros;
  • Josip Stanisic, zagueiro, ex-Bayern München, por empréstimo;
  • Nathan Tella, atacante, ex-Southampton, por 23,3 milhões de euros;
  • Borja Iglesias, atacante, ex-Real Betis, por empréstimo.

 

Os investimentos superaram um pouco os ganhos com as vendas – o clube gastou 90,3 milhões de euros -, mas foram feitos dentro das condições financeiras e sem exageros. Com tais reforços, Xabi Alonso começou a esquematizar seu time de uma maneira diferente da temporada anterior. Ao contrário do 4-3-3 habitual, ele passou a desenhar seu time com três zagueiros, quatro homens mais à frente, dois meias ofensivos e um atacante centralizado, um 3-4-2-1 que virava 5-3-2 em determinadas ocasiões. 

Tais esquemas soavam como defensivos, mas eram “ilusionistas”, pois o Leverkusen de Xabi Alonso iria se impor fisicamente perante os rivais na zaga, mas do meio para frente o time teria muita velocidade e habilidade com laterais ofensivos, praticamente pontas, e um meio de campo povoado que daria ao time mais posse de bola, além de meias muito criativos para abrir espaços nas zagas e atacarem constantemente com infiltrações e chutes de média e longa distâncias. Com variações táticas, jogadores polivalentes e treinamentos com foco no preparo físico e resistência, o Bayer Leverkusen seria um time completamente diferente em 2023-2024. E encantaria os amantes do futebol de maneira inesquecível.

 

As primeiras vítimas

Boniface comemora: atacante foi o artilheiro dos Leões na temporada.

 

O cartão de visitas do Bayer Leverkusen foi logo no primeiro jogo oficial da temporada, em 12 de agosto, quando a equipe visitou o Teutonia Ottensen e aplicou inapeláveis 8 a 0, em partida válida pela Copa da Alemanha. Sete jogadores marcaram os gols – Tapsoba, Boniface, Wirtz, Adli, Frimpong, Hlozek (2) e Hofmann – , dando uma mostra do quão democrático seria aquele time ao longo da temporada. Dias depois, os rubro-negros estrearam na Bundesliga contra o sempre complicado RB Leipzig e venceram por 3 a 2, gols de Frimpong, Tah e Wirtz. 

No duelo seguinte, contra o Borussia Mönchengladbach, a equipe de Alonso venceu por 3 a 0 – dois gols de Boniface e um de Tah – e goleou o Darmstadt 98, em casa, por 5 a 1 (mais dois gols de Boniface, um de Palacios, outro de Hofmann e um de Hlozek). Na quarta rodada, os comandados de Xabi Alonso tiveram o primeiro encontro contra o temido Bayern München, na Allianz Arena, e saíram atrás do placar logo aos 7’, em gol de Harry Kane. O Bayer foi pra cima e empatou ainda no primeiro tempo, com Grimaldo. Na etapa final, Goretzka fez 2 a 1 para os donos da casa, aos 41’, mas Exequiel Palacios, de pênalti, aos 90’+4’, decretou o empate que manteve o Bayer na liderança.

Palacios calou a Allianz Arena e o Leverkusen empatou com o poderoso Bayern. Foto: Getty Images.

 

Naqueles primeiros jogos, já era possível perceber o quão organizado era o time rubro-negro. Com uma transição rápida de ataque, solidez defensiva e aproveitamento pleno dos espaços do campo, a equipe de Xabi Alonso conseguia envolver seus adversários sem marasmo, mas com objetividade e fome de gol. Com jogadores rápidos e muito inteligentes taticamente, o Leverkusen demonstrava personalidade e força para reverter situações adversas. Eles não tinham receio ou medo de ninguém. E, se algo não estava indo bem, Xabi Alonso mudava aqui e ali para colocar a engrenagem nos eixos e vencer o jogo. 

No dia 21 de setembro, o Bayer enfrentou o Häcken-SUE na estreia da fase de grupos da Liga Europa da UEFA e venceu por 4 a 0, em casa, estendendo a boa fase também para a competição europeia. Três dias depois, os alemães venceram o Heidenheim por 4 a 1 (mais dois gols de Boniface, um de Hofmann e outro de Adli) e, no dia 30 de setembro, fizeram 3 a 0 no Mainz, fora de casa, resultado que deixou os Leões na liderança da Bundesliga. A partir dali, eles não iriam mais sair do topo. E aumentariam a dominância perante os adversários.

 

Imparáveis

Foto: ICONSPORT

 

Com a bola, o Bayer Leverkusen era um time voraz, capaz de chegar ao gol em poucos toques e de várias maneiras, com bons finalizadores e sem depender de um só homem-gol. Sem a bola, a equipe formava um bloco com cinco homens atrás e, se fosse necessário, fazia com que o adversário tentasse, em vão, encontrar uma brecha para penetrar a zaga rubro-negra. Isso era um terror para quem visitava o time na BayArena ou recebia o Leverkusen em seu campo. Na 7ª rodada, a equipe visitou o Colônia e venceu por 3 a 0 (gols de Hofmann, Frimpong e Boniface), mantendo uma média superior a três gols por jogo aos comandados de Xabi Alonso. Pela Liga Europa, os alemães superaram o Molde-NOR, fora de casa, por 2 a 1, e golearam o Qarabag-AZE, em casa, por 5 a 1. Ainda em outubro, mais duas vitórias pela Bundesliga: 2 a 1 no Wolfsburg, fora de casa, e 2 a 1 no Freiburg, em casa.

Irresistíveis, os Leões seguiram com a boa fase nos dois últimos meses de 2023. Pela Liga Europa, venceram o Qarabag por 1 a 0, fora de casa, bateram o Hacken, também fora de casa, por 2 a 0 e golearam o Molde, em casa, por 5 a 1. Em seis jogos, o Bayer venceu todos, marcou 19 gols e sofreu apenas três, garantindo facilmente a vaga na fase seguinte. Pela Copa da Alemanha, a equipe eliminou o Sandhausen por 5 a 2 e bateu o Paderborn por 3 a 1, sacramentando a vaga nas quartas de final. Na Bundesliga, os Schwarzroten venceram mais três jogos – 3 a 2 no Hoffenheim, fora; 4 a 0 no Union Berlim, em casa; 3 a 0 no Werder Bremen, fora – totalizando oito vitórias seguidas e 13 jogos sem derrotas na competição nacional. 

Uma das (muitas!) formações do Leverkusen na temporada: três atrás, quatro no meio, dois meias e um centroavante.

 

Após os empates diante do Borussia Dortmund (1 a 1, em casa) e Stuttgart (1 a 1, fora), a torcida temeu por uma queda de rendimento, mas o Bayer tratou de dar a volta por cima com mais quatro vitórias seguidas: 3 a 0 no Eintracht, 4 a 0 no Bochum, 1 a 0 no Augsburg e 3 a 2 no RB Leipzig, fora e de virada, com o gol da vitória anotado por Hincapié aos 90’ + 1’. Àquela altura, o Bayer Leverkusen já era o mais badalado time da temporada do futebol europeu, invicto e recordista em partidas sem derrotas na Bundesliga em um início de temporada.

 

É o time da virada!

O time que fez 3 a 0 no Bayern: mesmo sem Boniface, equipe teve bastante volume de jogo ofensivo.

 

Já em 2024, o Bayer Leverkusen mostrou uma outra face: o time que nunca se entrega. Para aqueles que estavam acostumados às derrapadas nas temporadas passadas, o Leverkusen respondeu a todos que tudo aquilo havia ficado para trás. Na Copa da Alemanha, a equipe encarou o Stuttgart nas quartas de final e estava perdendo em casa por 2 a 1 até os 66’, quando Adli empatou. Aos 90’, o zagueiro-artilheiro Tah virou o jogo e classificou a equipe para a semifinal. Na Liga Europa, os alemães reencontraram o Qarabag nas oitavas de final e, no primeiro jogo, no Azerbaijão, levaram 2 a 0 no primeiro tempo, com um show do brasileiro Juninho, autor de um gol. Irreconhecível, os rubro-negros mudaram a partida na etapa final e empataram com gols de Wirtz, aos 70’, e Schick, aos 90’.

Mas o surreal aconteceu na partida de volta, na BayArena. O valente Qarabag abriu 2 a 0 no segundo tempo e o Bayer tinha pouco mais de 20 minutos para tentar o empate. Pois a equipe ligou o modo turbo, foi pra cima e empatou com um gol de Frimpong, aos 72’, e Schick, aos 90’+3’. Aos 90’+8’, Schick fez mais um e virou o jogo de maneira histórica, fechando a vitória por 3 a 2 e a classificação dos alemães às quartas de final. A vitória aumentou na época a marca de jogos sem perder dos rubro-negros, que alcançaram 37 partidas sem derrotas, além de impressionantes 106 gols marcados. 

 

“Estou feliz que estejamos juntos e tenhamos esse espírito de equipe, é talvez o mais importante dessa temporada, construir isso. Acreditar, ter apetite competitivo, isso para mim é lindo. Não só hoje. Eu sei que esse time quer o sucesso. A atmosfera, a festa com os torcedores, esse sentimento e crença são muito importantes, temos que aproveitar isso”, comentou Xabi Alonso após a classificação.

 

Antes do momento épico na Liga Europa, o Bayer viveu outro pela Bundesliga, na 21ª rodada, quando recebeu o Bayern München em casa. Jogando um futebol bonito e altamente eficiente, os rubro-negros não tomaram conhecimento do supercampeão alemão e venceram por 3 a 0, gols de Stanisic, aos 18’, Grimaldo, aos 50’, e Frimpong, aos 90’+5’, este em um contra-ataque mortal após cobrança de escanteio na qual o goleiro do Bayern foi tentar subir na áerea, mas não conseguiu fazer nada. Foi um jogo mágico, com a apresentação plena das virtudes de um time que encantava e demonstrava cada vez mais o apetite para fazer história e levantar o título que tanto escapava de suas mãos. A dinastia de 11 temporadas dos bávaros estava muito, mas muito perto de terminar.

 

Rolo compressor e a conquista eterna

Em março, o Bayer Leverkusen continuou fazendo vítimas na Bundesliga e emendou mais vitórias seguidas. A equipe venceu o Heidenheim, fora, por 2 a 1, venceu o Mainz, em casa, por 2 a 1, derrotou o Colônia, fora, por 2 a 0, venceu o Wolfsburg, em casa, por 2 a 0, derrotou o Freiburg, fora, por 3 a 2, bateu o Hoffenheim, em casa, por 2 a 1 e venceu o Union Berlim, fora, por 1 a 0. Com uma sequência de nove vitórias seguidas, o Bayer Leverkusen chegou à 29ª rodada com a chance de ser campeão com cinco rodadas de antecipação. Era só vencer o Werder Bremen, em casa, que a salva de prata seria do Bayer Leverkusen pela primeira vez na história!

Antes do jogo decisivo, os alemães enfrentaram o West Ham-ING, em casa, no primeiro jogo das quartas de final da Liga Europa e venceram por 2 a 0, gols de Hofmann e Boniface, em ótima fase após superar uma lesão. No dia 14 de abril de 2024, mais de 30 mil pessoas lotaram a BayArena para a partida contra o Werder Bremen, adversário simbólico naquele dia, afinal, foi o Bremen que derrotou o Bayer Leverkusen por 2 a 1 lá em abril de 2002 e contribuiu para a derrocada do time na reta final da Bundesliga daquele ano. Mas, em 14 de abril de 2024, ninguém venceria o Bayer. 

Com dominância plena e controle das ações, o time da casa abriu o placar aos 25’, com Boniface em cobrança de pênalti. Xhaka, aos 60’, fez 2 a 0. Mas seria a partir dos pés de Wirtz, que entrou no segundo tempo, que a festa iria começar. O maestro do time iniciou seu recital e marcou três gols: aos 68’, 83’ e 90’. No quarto gol, o craque teve que pedir para a torcida se acalmar e esperar o apito final, pois dezenas de torcedores invadiram o gramado na ânsia para celebrar o título. Mas foi no quinto gol, aos 90’, que a festa explodiu de vez e ninguém conseguiu controlar a torcida, que invadiu o gramado, obrigou o árbitro a encerrar o jogo e um mar de gente tomou conta do campo da BayArena em busca de recordações, pedaços de grama, da rede e alguma peça do uniforme dos jogadores, em especial Wirtz, principal estrela do dia.

Enfim, a Alemanha era do Bayer Leverkusen. Justamente no ano em que o clube completava 120 anos de história. Com impressionantes 16 pontos de vantagem sobre o Bayern, o Leverkusen se consagrou de vez como um dos maiores campeões da história da Bundesliga, além de ser o clube alemão com maior número de jogos sem perder em uma só temporada na época – 43 jogos, 38 vitórias, cinco empates, zero derrotas, 123 gols marcados e apenas 31 sofridos, incontestáveis 88% de aproveitamento.

 

Vivendo perigosamente

Logo após a conquista, o Bayer voltou suas atenções para a Liga Europa, quando enfrentou o West Ham, em Londres. Mesmo com a vantagem de dois gols, os alemães sofreram bastante em um jogo dramático, com o time inglês pressionado demais, saindo na frente em gol de Antônio no primeiro tempo e até princípio de briga entre comissões técnicas e jogadores em campo, parecendo jogo de Libertadores! Como em vários jogos da temporada, Xabi Alonso deu uma ensaboada no time e o Leverkusen voltou melhor para a etapa final, com boas chances pela direita nas investidas de Frimpong, que teve duas chances claras, uma delas aos 82’, em contra-ataque mortal, no qual ele chutou pra fora. 

Mas o lateral não desistiu e, aos 89’, entrou na área, esperou, fintou e chutou para marcar o gol de empate e a manutenção da impressionante e interminável invencibilidade dos alemães de 44 jogos seguidos! No domingo após a classificação continental, o Bayer começou sua série de cinco partidas para manter a invencibilidade na Bundesliga. O rival foi o Borussia Dortmund, no temido Signal Iduna Park. Os aurinegros abriram o placar e seguraram o 1 a 0 até os 97’, quando Stanisic subiu muito, mas muito alto para fazer o gol de empate após cobrança de escanteio e decretar o empate em 1 a 1 e o 45° jogo sem derrota do clube na temporada. Simplesmente inacreditável!! O Leverkusen se recusava a perder! 

Andrich vibra com o gol do empate diante do Stuttgart. Foto: AFP

 

Na rodada seguinte, em outro domingo, o Bayer reencontrou sua torcida e enfrentou o Stuttgart, terceiro colocado. A equipe visitante abriu 2 a 0, mas o Bayer não se abateu e foi pra cima de novo. Adli, aos 61’, descontou. E, acredite, aos 90’+6’, bola na área e Andrich fez o gol do empate que comprovou que aquele time tinha um pacto! Eles não sabiam perder! Era o NeverLusen! A equipe já havia conseguido evitar derrotas nos minutos finais em impressionantes 11 jogos, conseguindo empatar quatro partidas após os 45’ finais e vencer sete partidas após os 45’ finais.

 

Rumo à final continental e o recorde 

Foto: Giampiero Sposito / Getty Images.

 

No começo de maio, o Bayer Leverkusen viajou até Itália para encarar a Roma, no primeiro jogo da semifinal da Liga Europa da UEFA. Xabi Alonso sabia que a equipe italiana era um rival que tinha potencial para causar problemas ao seu time, principalmente pela boa fase que a Loba vivia na competição continental e com nomes importantes no ataque como Dybala e Lukaku. Mas, quando a bola rolou, após alguns minutos de pressão romana, o Bayer Leverkusen se impôs e, com a marcação adiantada e toques de bola rápidos e insinuantes, foi pra cima. Acuada, a Roma passou a errar demais e um desses erros deixou a bola nos pés dos alemães quando Karsdorp tocou muito curto e deixou com Grimaldo, que invadiu a área e só rolou para Wirtz fazer 1 a 0. Foi a 18ª assistência de Grimaldo na temporada e o 18º gol de Wirtz! Que dupla!

O time alemão passou a dominar o jogo e a Roma simplesmente desabou. A equipe de Xabi Alonso só não marcou mais gols por causa das boas defesas do goleiro Svilar e da pontaria descalibrada, pois mais dois ou três gols poderiam ter saído facilmente. Com a vantagem, a equipe alemã controlou o jogo na segunda etapa, fechou os espaços e não deixou a Roma crescer. E, em um contra-ataque mortal, o Leverkusen matou o jogo, aos 73’, em belo gol de Andrich de fora da área: 2 a 0. Mais uma vitória para a conta e 47º jogo seguido sem perder! Faltava pouco para a decisão continental, a primeira desde a fatídica final da UCL de 2002. Antes do duelo da volta, os rubro-negros ainda golearam o Eintracht Frankfurt por 5 a 1 pela Bundesliga e alcançaram os 48 jogos de invencibilidade, igualando a marca do Benfica de Eusébio de 1963-1965.

Na partida de volta, em Leverkusen, o jogo foi quente, com muitos cartões e predomínio do Bayer, que sufocou a Roma em todo primeiro tempo, mas parou no goleirão Svalar, que salvou os romanos em chutes impressionantes dos alemães. O Bayer tinha 17 finalizações quando, aos 43′, a Roma teve um pênalti a seu favor. Paredes cobrou e fez 1 a 0. Que ironia! Precisando de mais um gol, a Roma foi pra cima no segundo tempo e levou perigo nos primeiros 10 minutos até um novo pênalti ser marcado para os italianos, após a bola bater no braço de um jogador do Bayer. Paredes cobrou bem de novo e fez 2 a 0. Por mais que o Bayer gostasse de viver perigosamente, era semifinal de Liga Europa e o time não conseguia marcar nada. 

Foto: Ina Fassbender/AFP

 

Mas, se o Bayer não fazia, a Roma ajudou aos 81’ quando Mancini tocou contra após cobrança de escanteio: 1 a 2. A torcida levantou e começou a empurrar a equipe de novo. A vantagem era alemã novamente. Só faltava um gol para manter a invencibilidade. E, aos 90’ + 7’, Stanisic, que havia entrado naquele segundo tempo, engatilhou contra ataque, invadiu a área, cortou e bateu: 2 a 2. Bayer Leverkusen na final da Liga Europa! E outra salvação espírita nos acréscimos! 

 

“Não sabemos como perdíamos por 2 a 0, mas empatar contra uma equipe como essa é inacreditável, essa vontade é inacreditável. Vocês veem o desejo do time, não queremos diminuir Queríamos fazer o segundo gol para seguirmos invictos. Estamos na final, um sonho se tornou realidade. Faremos tudo o que pudermos para levar o troféu para Leverkusen”, comentou Xhaka na coletiva após a partida.

 

Era o pacto! Eles não sabiam perder! Foi o 17º gol do time na temporada após os 45’ e a 11ª vez que isso aconteceu. Veja a lista:

 

  1. 15/9/2023 – Bayern München 2 x 2 Bayer Leverkusen – Bundesliga – gol de Palacios aos 49’
  2. 9/11/2023 – Qarabag 0 x 1 Bayer Leverkusen – Europa League – gol de Boniface aos 49’
  3. 13/1/2024 – Augsburg 0 x 1 Bayer Leverkusen – Bundesliga – gol de Palacios aos 49’
  4. 20/1/2024 – RB Leipzig 2 x 3 Bayer Leverkusen – Bundesliga – gol de Hincapié aos 46’
  5. 6/2/2024 – Bayer Leverkusen 3 x 2 Stuttgart – Copa da Alemanha – gol de Tah aos 45’
  6. 7/3/2024 – Qarabag 2 x 2 Bayer Leverkusen – Europa League – gol de Schick aos 47’
  7. 14/3/2024 – Bayer Leverkusen 3 x 2 Qarabag – Europa League – gols de Schick aos 48’ e 52’
  8. 30/3/2024 – Bayer Leverkusen 2 x 2 Hoffenheim – Bundesliga – gol de Schick aos 46’
  9. 21/4/2024 – Borussia Dortmund 1 x 1 Bayer Leverkusen – Bundesliga – gol de Stanisic aos 52’
  10. 27/4/2024 – Bayer Leverkusen 2 x 2 Stuttgart – Bundesliga – gol de Andrich aos 51’
  11. 9/5/2024 – Bayer Leverkusen 2 x 2 Roma – Europa League – gol de Stanisic aos 52’

 

De quebra, o clube se tornou naquela noite o dono da maior série invicta da história do futebol europeu: 49 jogos, superando o Benfica de 1963-1965. Eram 40 vitórias e nove empates, 136 gols marcados e 38 sofridos. No fim de semana seguinte, os rubro-negros golearam o Bochum por 5 a 0, fora de casa, e chegaram à marca de 50 partidas sem perder! Detalhe: o Bochum não deu nenhum chute ao gol, enquanto o Leverkusen deu incríveis 29 chutes, sendo 10 ao gol!

 

NeverLusen!

Wirtz, melhor jogador da Bundesliga, ergue a Salva de Prata. Foto: Getty Images

 

No dia 18 de maio, enfim, o Leverkusen encerrou sua campanha na Bundesliga diante de sua torcida, contra o Augsburg. A equipe venceu por 2 a 1 e conseguiu o que nenhum outro clube havia conseguido em toda a história do torneio: terminar sua campanha sem nenhuma derrota! Os comandados de Xabi Alonso finalizaram o torneio com 90 pontos, 28 vitórias, seis empates, 89 gols marcados e 24 gols sofridos (melhor defesa). Boniface, com 14 gols, foi o artilheiro do time na competição e o goleiro Hradecky foi o arqueiro que permaneceu mais jogos sem levar gols: 15 partidas.

Grimaldo foi o rei das assistências da Bundesliga com 13 passes para gols, seguido de Florian Wirtz, com 11 passes. Wirtz ainda foi eleito o melhor jogador da competição. Após a conquista, a festa no gramado foi enorme e os jogadores não esconderam a emoção em levantar a Salva de Prata. Xabi Alonso ressaltou a importância do título invicto:

 

“Permanecer invicto foi um feito extraordinário não só no futebol alemão, mas em toda a Europa. Jamais vamos nos esquecer desse dia e tenho certeza que esse time deixou sua marca na história da Bundesliga. Daqui uns 20 anos vamos vamos olhar para trás e dizer ‘uau, estávamos ali’”. 

Foto: Perfil oficial do Bayer Leverkusen no Instagram

 

De fato, aquele Bayer Leverkusen já estava marcado para sempre pelo feito enorme e por ser um dos raros clubes a vencer uma das principais ligas do futebol sem derrotas. Para se ter uma ideia, se considerarmos a era moderna do futebol após os anos 1970, apenas o Arsenal conseguiu tal feito na Premier League (2003-2004), enquanto Milan (1991-1992) e Juventus (2011-2012) são os únicos invictos na Série A italiana. Na Espanha, nenhum clube conseguiu vencer La Liga sem derrota desde os anos 1930.

 

Assim não, professor…

Atalanta campeã da Liga Europa… Foto: Adrian Dennis / AFP

 

No dia 22 de maio de 2024, o Bayer Leverkusen entrou no Aviva Stadium, em Dublin (Irlanda), como favoritaço ao título da Liga Europa da UEFA. Ninguém esperava que a Atalanta-ITA, embora muito bem treinada e com vitórias categóricas sobre Liverpool e Olympique de Marselha nas etapas anteriores fosse levar algum perigo aos alemães. Só que aquela noite foi simplesmente catastrófica para o Leverkusen. E ela foi consumada muito por causa, quem diria, do técnico Xabi Alonso. 

Para começar, ele escalou o time muito, mas muito mal. Ao invés de ir com força máxima, decidiu optar por um time sem centroavante e sem um meio de campo com mais pegada. Boniface, Andrich e Hofmann ficaram no banco de reservas e deram lugar a Adli, Palacios e Stanisic. Com isso, a Atalanta “devorou” os Leões com um volume de jogo impressionante, ataques precisos e aproveitando o show de erros do time alemão. Resultado? Placar de 2 a 0 só no primeiro tempo para os italianos. 

No segundo tempo, Xabi Alonso entrou com Boniface para tentar a virada ao estilo do Bayer, mas era tarde demais. A Atalanta ainda marcou mais um gol (todos de Lookman, que levou a bola do jogo para casa!) e o placar de 3 a 0 deu o inédito título à equipe de Bérgamo. No final da partida, era nítida a consternação nos atletas e na torcida, que não entendeu como um time tão embalado, tão em sintonia ao longo de 51 jogos sem perder foi cair justamente em uma final continental. Além dos erros de escalação e dos jogadores, vale destacar o jogaço da Atalanta, que mereceu demais a conquista e coroou um trabalho fantástico do técnico Gasperini, no comando da deusa desde 2016. Na coletiva, Alonso rechaçou o rival e os erros cometidos por ele e por sua equipe.

 

“A Atalanta foi melhor do que nós, não podemos dizer o contrário. Não pudemos jogar como queríamos depois do primeiro gol, pois a Atalanta encontrou muita energia. Estávamos prontos para os duelos em campo, mas não soubemos nos impor. […] Vamos analisar depois, tivemos alguns erros, meus também. Perdemos muitos duelos mano a mano. Não era nosso dia e é uma pena que tenha sido justo na final. Mas temos que aceitar. Foi a primeira derrota, algo novo para nós, vida que segue. Aprenderemos muito dessa partida. Não se esquece uma final. Cada um de nós, eu incluso, aprenderemos com as experiências vividas hoje”.

 

Copou!

Xhaka (à esq.) celebra o gol do título. Foto: Tobias SCHWARZ / AFP.

 

Era mais do que uma questão de honra vencer a Copa da Alemanha no dia 25 de maio, no belíssimo estádio Olímpico de Berlim. O Leverkusen teve pela frente o Kaiserslautern, de grande história, mas na segunda divisão e muito inferior ao time de Xabi Alonso. Por isso, nenhum resultado sem ser a vitória era tolerado. E, quando a bola rolou, os Leões demonstraram muito mais foco e determinação do que na fatídica noite em Dublin e abriram o placar em golaço de Xhaka, aos 17′ do primeiro tempo. O gol trouxe muito alívio, mas veio seguido de apreensão quando o zagueiro Kossounou foi expulso, aos 44′, obrigando Xabi Alonso a desfazer sua habitual linha de três zagueiros e recuar um meia para compor o esquema com quatro homens na zaga.

No segundo tempo, Stanisic entrou no lugar de Schick, o Bayer jogou de maneira mais precavida, mas em nenhum momento deixou o rival lhe impor pressão. O Leverkusen ainda teve grandes chances, mas escorregões de Frimpong em dois lances impediram o segundo gol. O tempo foi passando, o placar ficou mesmo em 1 a 0 e Leverkusen celebrou sua segunda Copa da Alemanha na história, a primeira desde 1993, e corou de vez a temporada perfeita dentro de casa, com dois títulos invictos. Se fosse possível voltar no tempo e jogar de outra maneira a final da Liga Europa, a época 2023-2024 seria perfeita em todos os sentidos e cenários.

Xabi Alonso ergue a Copa da Alemanha. Foto: EFE

 

Mesmo assim, a torcida celebrou sem moderação os feitos do time e os jogadores ainda assinaram o livro de ouro da cidade de Leverkusen pelos feitos esportivos na temporada, além de serem recebidos em uma imensa festa na BayArena no dia seguinte. Eles mereceram, pois escreveram a maior história no futebol mundial em 2023-2024, sem dúvida alguma!

 

Quem poderá superá-los?

Foto: Wolfgang Rattay / Getty Images

 

Por mais amarga que tenha sido a derrota na final da Liga Europa da UEFA, os feitos do Bayer Leverkusen na temporada 2023-2024 já estão marcados para sempre na história do clube e do futebol. Ficar 51 jogos sem perder foi uma enormidade, algo que nem os mais emblemáticos times deste século conseguiram – e nem mesmo do século passado! -, além de ter sido a maior temporada do clube em seus 120 anos. Se manter o elenco e contratar alguns reforços para o meio de campo e o ataque, o Bayer Leverkusen pode sonhar com mais taças na próxima temporada, na qual ele irá disputar a Liga dos Campeões da UEFA, competição que será um enorme teste de fogo para esse time. Com certeza eles aprenderam muito com o revés em Dublin. Mas também com as vitórias, os sofrimentos e a glória. O fato é que o tempo irá passar e vamos sempre nos perguntar: quem poderá superar o recorde de 51 jogos sem perder do NeverLusen? Só um novo esquadrão imortal. Como já é o Bayer Leverkusen 2023-2024.

 

A campanha geral em 2023-2024

J V E D GM GS SG A
53 43 9 1 145 42 +103 81,1%

Os personagens:

 

Hradecky: com 1,92m de altura e ótimo senso de colocação, o goleirão finlandês foi o titular nos jogos do Campeonato Alemão, enquanto Kóvar ficou com as partidas da Liga Europa da UEFA. Hradecky chegou em 2018 ao Bayer após boas temporadas no Eintracht Frankfurt, pelo qual venceu a Copa da Alemanha de 2017-2018. Desde o início, foi o titular do time e ganhou a confiança da torcida com muita regularidade e baixas médias de gols sofridos. Convocado regularmente para a seleção de seu país, já tem quase 100 jogos pela Finlândia na carreira, além de mais de 240 jogos pelo Bayer Leverkusen.

Kovár: o tcheco de 1,96m de altura – ainda mais alto que o companheiro Hradecky! – foi o guardião do gol do Bayer na caminhada da Copa da Alemanha e também da Liga Europa, fazendo parte do rodízio que preservou bastante a condição física dos atletas ao longo da temporada. Após começar a carreira no Manchester United, Kovár não teve espaço no time do então técnico Solskjaer e foi emprestado a outros clubes até ganhar seu espaço no Leverkusen em agosto de 2023, firmando um contrato de quatro anos. Xabi Alonso percebeu que o arqueiro de 23 anos precisava de mais oportunidades, confiou nele para as trajetórias copeiras do time e não se arrependeu. Com bons jogos, ajudou a equipe a alcançar as finais.

Stanisic: um dos muitos polivalentes do elenco, o croata podia atuar em qualquer posição do setor defensivo, mas tinha mais facilidade no setor direito, em especial na lateral. Stanisic chegou por empréstimo em 2023 e rapidamente ganhou espaço na equipe titular, participando de mais de 30 jogos na temporada. Ele marcou ainda quatro gols, um deles o do empate em 2 a 2 com a Roma na semifinal da Liga Europa. 

Kossounou: marfinense muito forte tanto na marcação quanto nas jogadas aéreas, além de ser um dos melhores defensores em roubar a bola dos rivais no futebol europeu, Kossounou atuou no miolo de zaga e também na lateral-direita do time de Xabi Alonso. Quase complicou o time an final da Copa da Alemanha ao ser expulso, mas o Leverkusen controlou o jogo e ficou com a taça. Disputou 33 jogos na temporada e marcou um gol.

Tah: xerifão do time, o zagueiro Tah está desde 2015 no Bayer e se consagrou como um dos principais defensores dos Leões no período. Disputando uma média de 35 jogos por temporada, Tah cresceu bastante de produção sob o comando de Xabi Alonso e passou a subir mais ao ataque em jogadas de bola parada para explorar seus 1,95m de altura. E deu resultado, pois a temporada 2023-2024 foi a mais prolífica da carreira do zagueiro, que marcou seis gols em 48 jogos.

Tapsoba: o zagueiro de Burkina Faso começou sua carreira profissional em 2014, no Salinas, de seu país, até chegar ao futebol português em 2017. Em 2020, foi contratado pelo Bayer Leverkusen e passou a jogar com mais frequência no time titular a partir de 2020-2021. Sob o comando de Xabi Alonso, fez uma dupla marcante com Tah e esbanjou agilidade, eficiência no desarme, nos passes e na recomposição, gerando comparações com o veterano zagueiro alemão Boateng. Foram 45 jogos e três gols na temporada 2023-2024.

Frimpong: no Leverkusen desde 2021, o holandês já é um dos melhores e mais regulares laterais-direitos do futebol mundial e demonstrou isso na temporada irrepreensível que fez em 2023-2024. Com muito volume ofensivo, bons passes, cruzamentos e muitos gols, Frimpong atuava praticamente como um ala na maioria das partidas. Após 48 jogos e 9 gols na época 2022-2023, Frimpong elevou a conta para 14 gols em 46 jogos, além de contribuir com 12 assistências. Ele foi eleito para o Time do Ano da Bundesliga em 2022-2023 e 2023-2024.

Tella: o nigeriano podia atuar como meia de ligação ou ponta-direita na equipe de Xabi Alonso e teve boas atuações na trajetória da equipe na Liga Europa e em alguns jogos da Bundesliga. Foram 37 jogos na temporada, seis gols e cinco assistências.

Andrich: meio-campista muito eficiente na marcação, nos lançamentos e nos chutes de fora da área, Robert Andrich começou sua trajetória no Hertha Berlim e passou por vários clubes até chegar ao Bayer Leverkusen em 2021. Com personalidade, ganhou a posição de titular e integrou o time em 43 jogos na temporada, marcando cinco gols e dando cinco assistências.

Exequiel Palacios: cria do River Plate, Palacios integrou o time campeão da América em 2018 e também vice-campeão na temporada seguinte até ser contratado pelo Bayer Leverkusen em 2020. Embora tenha demorado para se firmar, cresceu bastante de produção com Xabi Alonso e passou a jogar mais graças à sua qualidade na distribuição da bola, nos passes rápidos e na chegada à intermediária dos rivais. Foram 36 jogos, seis gols e cinco assistências na temporada. 

Xhaka: o experiente meio-campista caiu perfeitamente no time de Xabi Alonso pela qualidade no passe, visão de jogo e por ser muito eficiente na ligação entre o meio e o ataque. Após quase 300 jogos e 23 gols pelo Arsenal, o suíço foi um dos principais artífices do Leverkusen e disputou 49 jogos, um dos recordistas em partidas no elenco. Foi dele o gol do título da Copa da Alemanha.

Grimaldo: com passagens pelo Barcelona B e Benfica – pelo qual jogou de 2016 até 2023 -, o espanhol chegou para dar mais força ao lado esquerdo da defesa e do meio de campo, afinal, ele pode jogar como lateral, ala ou meia-esquerda, características que fizeram dele um dos maiores garçons do time com 19 assistências para gols, 13 delas na Bundesliga! Na campanha do título da Bundesliga, Grimaldo disputou 32 jogos e marcou 10 gols, além de ter anotado dois gols nos 11 jogos que disputou na Liga Europa. Na temporada, acumulou 50 jogos e marcou 12 gols.

Hincapié: o equatoriano veio após despontar no Independiente Del Valle e jogar uma temporada no Talleres-ARG. Muito consistente e capaz de atuar como zagueiro e lateral-esquerdo, Hincapié fez bons jogos e foi uma das alternativas de Xabi Alonso para rodar o elenco. O defensor jogou mais ativamente na Liga Europa e na Copa da Alemanha, mas também atuou em 27 jogos na Bundesliga.

Hofmann: atuando pela meia-direita e também mais centralizado, com foco no ataque, o alemão manteve a ótima fase no Leverkusen e repetiu o bom futebol demonstrado em seus tempos de Borussia Mönchengladbach. Com 46 jogos, 8 gols e 12 assistências na temporada, foi outro grande nome desse histórico Leverkusen.

Adli: polivalente do setor de ataque, o marroquino jogou em toda a campanha do Leverkusen na Liga Europa e na Copa da Alemanha, além de 23 jogos na Bundesliga. Rápido e com boa visão de jogo, marcou 10 gols e deu 11 assistências.

Borja Iglesias: o espanhol veio por empréstimo em janeiro de 2024 ao Leverkusen e não teve muitas chances. Atuou em 10 jogos e não marcou gols. 

Wirtz: talento puro do futebol alemão, o meia-atacante do Leverkusen é um dos mais cobiçados jogadores do futebol europeu e viveu em 2023-2024 a melhor temporada de sua carreira até o momento. Com lances geniais, precisão nos chutes e passes, enorme senso de colocação e capaz de se desvencilhar com muita rapidez da marcação, foi a síntese do futebol bem jogado proposto pelo técnico Xabi Alonso. Wirtz marcou gols decisivos e foi o nome da goleada de 5 a 0 sobre o Werder Bremen que selou o título inédito da Bundesliga. Em 48 jogos, Wirtz marcou 18 gols e deu 19 assistências. Simplesmente irrepreensível!

Arthur: o lateral-direito brasileiro chegou ao Bayer em 2023, mas ainda não conseguiu cravar seu espaço no time. Foram apenas cinco jogos na temporada.

Boniface: o grandalhão nigeriano foi um dos pilares do ataque do Leverkusen na temporada e, mesmo com a lesão que sofreu no caminho, voltou a tempo para ajudar nas conquistas históricas do clube. Com força, boa capacidade de drible e chutes precisos, marcou 21 gols em 33 jogos, além de ter dado 10 assistências, números que fizeram dele o artilheiro da equipe na temporada de um time que foi bastante democrático no quesito gols. Já é um dos mais queridos da torcida.

Schick: o tcheco também se destacou na temporada 2023-2024 do Leverkusen por seus gols – foram 13 em 32 jogos, além de três assistências -, boa presença de área e porte físico – tem 1,91m de altura. No clube desde 2020, não repetiu a temporada 2021-2022, quando marcou 24 gols em 31 jogos, mas segue como uma boa referência de ataque na equipe.

Hlozek: o outro atacante checo do clube atua mais como ponta, explorando os espaços das defesas. Disputou 35 jogos e marcou sete gols, dois deles na caminhada da Liga Europa.

Xabi Alonso (Técnico): com enorme conhecimento esportivo após sua trajetória brilhante como futebolista, o espanhol dava mostras de que seria um bom técnico. O que ninguém imaginava era que ele iria logo em sua primeira temporada completa no Leverkusen alcançar os feitos que alcançou com tamanha superioridade, imponência e a sequência absurda de partidas sem perder. Xabi Alonso foi genial ao formar um time que jamais dependeu de um só homem-gol nem de um ou dois jogadores específicos e criou uma máquina quase perfeita, que jogava com praticamente a mesma sintonia com qualquer formação. Formando um time para a Bundesliga e outro com algumas modificações para as copas, Xabi Alonso poupou suas peças e conseguiu ter o elenco inteiro até o fim da temporada sem qualquer mazela. O resultado disso foi um esquadrão imortal e inesquecível. Em 53 jogos, ele venceu 43, empatou 9 e perdeu um. Aproveitamento de 81,1%. Incontestável.

 

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8 Comentários

  1. Nunca havia logado E-mail pra comentar publicação alguma de ninguém, através do Google vi essa publicação e conheci o seu trabalho, li também sobre o Barcelona de Guardiola, mas esse texto do Leverkusen foi especial, fiquei muito triste, arrasado com a derrota para a Atalanta, e por alguns dias parece que toda a história havia sido apagada, esse é um problema que enfrentamos em nossa vida e vejo muito presente nos pacientes que atendo através da psicologia, por desejarmos algo em excesso como foi o caso da temporada invicta, as pessoas esquecem, ignoram ou desmerecer a caminhada. OBRIGADO

  2. Parabens pelo texto guilherme meu sobrinho torce pelo leverkusen e ficou feliz pelo fim das filas.na premier league o united fazia gols nos acrescimos e a imprensa dizia que era o fergie time referindo se ao sir alex mas o alonso time exagerou nessa temporada coisa de louco marcar tantos gols no apagar das luzes.mas o sarrafo agora subiu pois vai jogar a champions e la tem pedreira sempre.

  3. Que temporada! Não preciso nem dizer que foi feito de time imortal! Apesar dos erros que levaram ao apagão na final da Liga Europa, o Bayer terminou com o saldo muito positivio e levou o Campeonato Alemão e a Copa da Alemanha com estilo! O Xabi Alonso foi craque e tem de tudo para se consagrar como técnico imortal!

    Abraço, Guilherme! E, claro, quero que venha mais esquadrões imortais!

  4. Esse era o texto que eu mais aguardei desde o fim da temporada. O Bayer Leverkusen de Xabi Alonso já entrou para a história do futebol mundial. O que eles fizeram foi histórico, e nem a derrota na Liga Europa apagou os grandes feitos desse esquadrão. Afinal, não é todo dia que vemos um time que perdeu somente uma vez na temporada e que teve mais títulos do que derrotas.
    Excelente texto!

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