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A amarelinha sangra

Por Guilherme Diniz

 

O 7 a 1 é interminável. Os anos passam e a seleção brasileira segue sem rumo, sem perspectivas, sem esperança. A derrota em pleno Maracanã para a Argentina foi mais um capítulo desse martírio. Foi ainda a primeira derrota em casa do Brasil em Eliminatórias na história. Eram 51 vitórias, 13 empates e 0 derrotas até o revés para a campeã do mundo. Qual a explicação para tanto vexame? Bem, poderíamos elencar vários pontos. Os principais são, sem dúvida, o cada vez maior amadorismo dos cartolas da CBF, a falta de organização e planejamento de médio e longo prazos e a mentalidade dos jogadores. Antigamente, o jogador tinha orgulho em vestir a camisa da seleção, se dedicava, mostrava serviço, tinha paixão. Hoje, salvas as raríssimas exceções, eles não estão nem aí. Querem apenas jogar por seus clubes (quando jogam, claro), curtir a vida, ganhar likes. Não se importam em ganhar títulos com a seleção nem com o jejum de títulos de Copas que logo completará 25 anos. 

Veja outras seleções. A França possui um trabalho de base que colhe frutos desde pelo menos 2016, quando soube se reerguer após a derrota na final da Eurocopa e conquistou o mundo em 2018, a Liga das Nações da UEFA em 2021 e o vice-campeonato mundial em 2022. O último Mundial, inclusive, mostrou o poder de grupo do país, que ficou em frangalhos após vários jogadores se lesionarem e serem cortados da Copa e ainda sim teve material humano para substituí-los, dar show e raspar as mãos no troféu. A Inglaterra, embora não conquiste nada há décadas, também possui um elenco capaz de competir e demonstrou isso com o 4º lugar na Copa de 2018, o vice da Eurocopa de 2020 e alcançar as quartas de final da Copa de 2022. Até a Itália, ausente das duas últimas Copas, conseguiu ressurgir com o título da Euro em 2020 e carimbar sua vaga para a próxima edição do torneio continental. A Croácia é outra seleção que brilhou intensamente nos últimos anos com um notável trabalho técnico que conduziu o país ao vice-campeonato da Copa de 2018, ao 3º lugar na Copa de 2022 e ao vice-campeonato da Liga das Nações da UEFA de 2023. 

Mbappé, estrela maior da constelação da França desde 2018.

 

 

A Espanha também mostra força com um time muito jovem que está crescendo a cada ano e, após o vice-campeonato na Liga das Nações da UEFA de 2021, venceu o título em 2023 e tem tudo para alcançar algo grande nos próximos anos. E temos também a seleção marroquina, grande sensação da última Copa, que desbancou vários titãs para ser a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal de Mundial. Aqui na América do Sul, a Argentina, claro, voltou a brilhar desde o título da Copa América de 2021 e o tricampeonato mundial em 2022. O Uruguai vem jogando muito bem sob o comando de Marcelo Bielsa e uma geração talentosa que veste com orgulho e raça a camisa celeste – e isso com praticamente todos os atletas jogando no exterior. 

 

 

 

Aí eu pergunto: e o Brasil? Consegue elencar quais os grandes feitos do time nos últimos 10 anos? Copa América de 2019? Não. Foi um torneio fraquíssimo e o time demonstrou sua fraqueza nos anos seguintes. O Brasil não tem laterais eficientes há mais de 10 anos. Não tem um meia criativo desde os tempos de Rivaldo, Ronaldinho e Kaká. Não tem um camisa 9 autêntico, que faz gols e mete medo, desde Ronaldo. Vivemos dos louros do passado. Das lembranças de nossos ídolos e dos craques que construíram a aura da camisa do Brasil e fizeram do país o único pentacampeão do mundo. Antes, os adversários temiam enfrentar o Brasil. Hoje, sabem que vão enfrentar um catado, um punhado de jogadores que não fazem ideia do que é a seleção brasileira e sua história. Dá pena. Mas é a realidade. E não há perspectiva nenhuma para o futuro. Às vezes, penso que seria melhor o Brasil nem se classificar para a próxima Copa do Mundo. Evitaria um vexame ainda maior. E mais um para a interminável coleção iniciada lá em 08 de julho de 2014.

 

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