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Esquadrão Imortal – Fenerbahçe 2006-2008

Grandes feitos: Campeão do Campeonato Turco (2006-2007) e Campeão da Supercopa da Turquia (2007). Chegou a uma etapa de quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA pela primeira vez na história do clube (em 2007-2008).

Time-base: Volkan Demirel; Önder Turaci (Gökhan Gönül), Edu Dracena, Diego Lugano e Roberto Carlos (Ümit Özat / Vederson); Mehmet Aurélio (Maldonado), Selçuk Sahin (Appiah), Alex e Tuncay Sanli (Uğur Boral / Deniz Baris / Kazim-Richards); Deivid e Mateja Kezman (S. Şentürk). Técnico: Zico.

“O inesquecível centenário dos Canários”

Por Guilherme Diniz

No final dos anos 1990 e começo dos anos 2000, o futebol turco viveu um predomínio marcante do Galatasaray, que construiu uma dinastia de quatro títulos seguidos no campeonato nacional e estendeu essa boa fase para o futebol continental, quando levantou, em 1999-2000, uma incrível Copa da UEFA diante do Arsenal e, tempo depois, a Supercopa da UEFA em cima do poderoso Real Madrid. Aquele foi, sem dúvida, o esquadrão mais emblemático da história do futebol turco e deixou obviamente um time muito incomodado: o Fenerbahçe, maior rival dos leões no quente Derby Intercontinental. Em 2001, o Fener encerrou a hegemonia do inimigo com o título nacional e, em 2004 e 2005, faturou o bicampeonato.

Em 2006, o Galatasaray voltou a triunfar na Süper Lig, mas o Fener recuperou a coroa no melhor momento possível: no ano de seu centenário, em 2007. Sob o comando do técnico brasileiro Zico e grandes jogadores como Lugano, Edu Dracena, Appiah, Kezman, Deivid e sobretudo o maestro Alex, o time de Kadiköy levantou o troféu do Campeonato Turco com enorme vantagem sobre os rivais e, na temporada seguinte, faturou a Supercopa da Turquia e alcançou uma incrível fase de quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA, a melhor colocação do clube na história da competição. Com uma equipe ofensiva, qualificada tecnicamente e baseada em um sistema de jogo que explorava a criatividade de Alex, aquele Fenerbahçe 2006-2008 foi um dos mais fortes times da Europa na época e cravou seu nome na história. É hora de relembrar.

Missão centenário

Depois de passar em branco a temporada 2005-2006, o Fenerbahçe entrou na época 2006-2007 disposto a ser campeão turco. O motivo era a celebração histórica de seu centenário, em 03 de maio de 2007, justamente dentro do período de disputa do principal torneio nacional. A Copa da Turquia também era um objetivo, mas nada poderia ser maior do que a Süper Lig. Por isso, o presidente Aziz Yıldırım, no comando do clube desde 1998, abriu os cofres e trouxe grandes nomes para compor o elenco dos Canários. Chegaram o meia turco Uğur Boral, o zagueiro uruguaio Diego Lugano – no auge da carreira após ser campeão mundial e da Libertadores pelo São Paulo-BRA – o atacante sérvio Mateja Kezman (ex-Atlético de Madrid-ESP), o zagueiro brasileiro Edu Dracena (com grande passagem pelo Cruzeiro-BRA) e o atacante brasileiro Deivid, ex-Sporting-POR e multicampeão por Cruzeiro e Santos-BRA.

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Para dirigir o time, Aziz Yıldırım contratou o brasileiro Zico, que substituiu o alemão Christoph Daum e vinha de um grande trabalho na seleção do Japão, pela qual venceu a Copa da Ásia de 2004 e conduziu o time asiático à Copa do Mundo da FIFA de 2006. Consagrado como um dos maiores jogadores da história, o brasileiro ainda tentava consolidar sua trajetória também como técnico e o Fenerbahçe, por estar na maior vitrine do futebol mundial – a Europa – seria um capítulo importante naquela jornada. A chegada do Galinho foi cercada de expectativa e festa em Istambul.

“Eu agradeço à diretoria do Fenerbahçe e a todos os torcedores. É uma honra dirigir o clube no ano de seu centenário. Vamos levar o Fenerbahçe ao sucesso”, afirmou o brasileiro na época.

Com os reforços garantidos e uma base competitiva, Zico de fato teria um grupo capaz de levantar o troféu turco e fazer uma festa inesquecível naquela temporada. E, dia após dia, o Fenerbahçe do Rei Arthur, como ele ficaria conhecido em solo turco, ganharia corpo.

A referência é Alex

Zico fez questão de agregar o antigo DNA brasileiro ao estilo de jogo do Fenerbahçe. O foco seria um eficiente toque de bola, investidas rápidas ao ataque, ofensividade e a bola passando por um camisa 10 cerebral e único: Alex, que estava no clube desde a metade de 2004. O craque já era o principal nome do time, mas foi com Zico que o meia virou de vez a personalidade máxima dos Canários, afinal, Zico era o ídolo de infância de Alex e ter o Galinho ao seu lado foi a realização de um sonho, mas que demorou um pouco para o meia conseguir desvencilhar aquela imagem. 

“O Zico marcou uma época do futebol. Se não bastasse, foi meu treinador, o que não foi fácil. Naqueles dois anos, nas primeiras vezes que entrei no vestiário e o vi em minha frente, não via apenas um treinador, mas sim uma referência. Ele que me transformou em capitão. Foi o melhor gerenciador de pessoas que conheci no futebol. Deixava o ambiente sempre agradável”, disse Alex ao site Terra, em dezembro de 2014. 

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Alex e Zico: choque de gerações.

Na mesma reportagem, Zico confirmou aquele início da relação entre ídolo e fã. “O grande desafio no começo foi quebrar uma barreira inicial, de vencer a relação de ídolo que ele tinha comigo. Por mais que fosse bacana, lá éramos do Fenerbahçe e eu precisava fazê-lo entender que ele era o capitão e ídolo do time. Depois disso foi tudo bem, tivemos uma harmonia muito boa”, comentou o Galinho. 

Naquela primeira temporada, Alex teria o papel de organizar o jogo, ditar o ritmo das jogadas ofensivas, encontrar passes decisivos, mas também aparecer para finalizar como fazia nos tempos de Cruzeiro. Tuncay Sanli seria o homem da velocidade, mobilidade e agressividade na marcação, enquanto o brasileiro naturalizado turco Mehmet Aurélio esbanjava força, grande noção tática e qualidade nos desarmes do meio de campo, fazendo o papel clássico de carregador de piano do time.

Ainda no meio, o ganense Stephen Appiah teria papel importante na distribuição de jogo e na ligação com o ataque, além de ser muito eficiente nos passes. Nas laterais, Önder Turaci era o titular da ala direita, enquanto Ümit Özat, capitão até a mudança da braçadeira para Alex, era o titular da esquerda e também capaz de jogar em qualquer outra posição da zaga e até como volante.

Na zaga, Zico não pensou duas vezes e compôs o setor com Lugano e Edu Dracena. O uruguaio seria o responsável pelo combate e pela imposição física, a exemplo do que já fazia no São Paulo e na seleção uruguaia, enquanto Dracena, além de também oferecer boa presença física, tinha qualidade na saída de bola e aparecia no ataque para cabecear e marcar gols em jogadas de bola parada e escanteio. No gol, Volkan Demirel conseguiu desbancar o badalado goleiro Rüstü Reçber e foi titular em boa parte da temporada, o que motivou o ex-titular a ir jogar no Besiktas na época seguinte.

No ataque, os titulares seriam Kezman e Deivid, com o sérvio jogando muitas vezes mais centralizado e o brasileiro pela direita, entrando na área e, por vezes, como centroavante, a depender do adversário. Sentürk era outro que também ganharia espaço na frente entrando quase sempre no segundo tempo e, de vez em quando, como titular. Zico não iria apostar em um só esquema tático, mas sim em variações que pudessem explorar as fragilidades dos adversários, além de forçar sempre o talento de Alex, que tinha liberdade no meio de campo e na intermediária para capitanear as ações ofensivas. 

Sem respiro aos rivais

A campanha dos Canários começou com goleada de 6 a 0 sobre o Kayseri Erciyesspor, em casa, com tripleta de Alex. Após mais duas vitórias, a equipe perdeu para o Sakaryaspor por 2 a 1, fora, venceu o Antalyaspor por 4 a 2 e empatou em 1 a 1 com o Sivasspor, resultado que derrubou os Canários para a vice-liderança. O topo só foi retomado na rodada 11, após os 3 a 2 sobre o Vestel Manisaspor, fora de casa, com três gols do atacante Deivid. Na rodada 14, os Canários enfrentaram o Besiktas, principal concorrente ao título na época, e empataram em 0 a 0. Na rodada seguinte, a vitória por 2 a 1 sobre o Trabzonspor, fora de casa, embalou o time de Zico para o clássico contra o Galatasaray, também na briga pelo caneco, na casa dos Canários. Com um início fulminante, o Fenerbahçe abriu 2 a 0 com 25 minutos de jogo, em gols de Alex e Kezman. Ümit Karan descontou no segundo tempo, mas a vitória por 2 a 1 deixou o Fener mais confortável na liderança.

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Em paralelo ao campeonato nacional, o time teve compromissos pelas fases preliminares da Liga dos Campeões da UEFA, da qual acabou eliminado e teve que se contentar com a Copa da UEFA. Depois de superar a primeira fase, os Canários avançaram pela fase de grupos graças ao terceiro lugar, mas caíram na etapa 32 avos de final diante do AZ-HOL após empate de 3 a 3 em casa e 2 a 2 fora, por conta do critério do gol qualificado. Já em fevereiro 2007, os Canários tropeçaram duas vezes no Campeonato Turco, mas não iriam mais perder até o fim da competição.

Campeões do centenário!

Após empate em 2 a 2 com o Sivasspor, em casa, os Canários venceram Konyaspor (3 a 0), Bursaspor (4 a 0) e Ankaraspor (2 a 1). Depois, empataram em 2 a 2 com o Kayserispor, em 0 a 0 com o Vestel Manisaspor, venceram o Gaziantepspor (2 a 0), empataram em 2 a 2 com o Denizlispor e venceram um jogo essencial contra o Besiktas, fora, por 1 a 0, com gol de Mateja Kezman, aos 13′ do primeiro tempo. A vitória praticamente selou o título do Fenerbahçe, que foi campeão com duas rodadas de antecedência após empate em 2 a 2 com o Trabzonspor e a derrota do Besiktas para o Bursaspor por 3 a 0. Na penúltima rodada, os Canários fizeram uma festa ainda maior pelas ruas de Istambul após a vitória por 2 a 1 (gols de Lugano e Edu Dracena) sobre o rival Galatasaray em pleno estádio Ali Sami Yen, antiga casa dos Leões, em duelo que ficou marcado pela chuva de copinhos de água que a torcida rival jogou nos jogadores do Fener. Para retribuir a provocação, Tuncay Sanli bebeu um dos copinhos, tirando onda da torcida e pedindo para jogarem mais.

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A campanha terminou em casa, no triunfo por 3 a 1 sobre o MKE Ankaragücü, com o time entrando em campo com uma faixa dizendo: “não desperdicem sua água”, provocando o Galatasaray por conta dos acontecimentos do clássico da semana anterior. A vitória coroou uma campanha incontestável de um time que liderou 29 das 34 rodadas do torneio. Em 34 jogos, o Fenerbahçe venceu 20, empatou 10, perdeu quatro, marcou 65 gols e sofreu 31, somando 70 pontos – 9 a mais do que o Besiktas e 14 a mais do que o Galatasaray. Alex foi o artilheiro do time e da competição com 19 gols marcados, além de ter contribuído com 12 assistências para gols, provando que o craque não era simplesmente um camisa 10 que distribuía passes, mas também um dos principais finalizadores da equipe, aparecendo na área e assumindo a responsabilidade nas bolas paradas. 

Fenerbahçe 2006-2008

Campeão turco no ano do centenário, o Fenerbahçe ainda tirou onda do rival, que não conseguiu o título em seu centenário – em 2005 – justamente por culpa do Fener, campeão daquele ano. E nem vice o Galatasaray foi em 2007 – terminou na 3ª colocação, com o Besiktas em segundo. De quebra, o Fener passou o Galatasaray em número de títulos na era moderna do campeonato na época: 17 a 16. Nas celebrações do título, o técnico Zico fez questão de relembrar outros técnicos brasileiros que haviam passado pelo clube turco. 

“Gostaria de dedicar este título especialmente a dois brasileiros que fizeram história no clube. Primeiro Didi, o pioneiro que levou o Fener ao bicampeonato em 1974 e 1975, e o segundo o Parreira, que foi campeão em 1996 e deu força para a minha vinda para cá. Esse título é um prêmio merecido para todos, parabéns aos jogadores, comissão técnica, diretoria e para essa torcida maravilhosa”, disse o treinador.

O clube só não conseguiu a dobradinha nacional por causa da eliminação para o Besiktas na semifinal da Copa da Turquia após derrota por 1 a 0 na ida, fora de casa, e empate em 1 a 1 na volta, em casa, com a igualdade do rival alcançada na prorrogação, após 1 a 0 no tempo regulamentar. Só que a vingança já tinha data marcada: na final da Supercopa da Turquia de 2007.

Supercampeões e novos reforços

Na temporada 2007-2008, o Fenerbahçe manteve boa parte do elenco e anunciou a contratação de um reforço bombástico: o lateral-esquerdo brasileiro Roberto Carlos, lenda do Real Madrid e que deixou o clube merengue depois de 11 anos. A vinda do estrelado craque foi muito festejada pelo presidente do clube, que disse: “nós estamos vivendo um dia histórico. Iremos começar a nossa luta pelo sucesso na Europa”. Além dele, chegou também o lateral-direito Gökhan Gönül, que ganharia espaço no lugar de Önder Turacı e ficaria conhecido como o Cafu Turco, por conta de seu estilo ofensivo, semelhante ao do lendário brasileiro, e o lateral-esquerdo brasileiro naturalizado turco Gökçek Vederson.

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Roberto Carlos foi o principal reforço dos Canários em 2007-2008.

A ideia do Fenerbahçe era mesmo fazer uma temporada ainda melhor do que a do centenário e ir longe na Liga dos Campeões da UEFA. Tudo começou com a vitória por 2 a 1 sobre o Besiktas, na final da Supercopa da Turquia, em agosto de 2007, em duelo realizado na cidade de Colônia, na Alemanha. Deivid, aos 14′, abriu o placar para os Canários e Bobô empatou. No segundo tempo, aos 86′, Mateja Kezman fez 2 a 1 e sacramentou outro título para os comandados de Zico.

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Com a saída de Tuncay Sanli para o futebol inglês, Zico reorganizou o setor ofensivo e passou a utilizar jogadores como Deivid, Uğur Boral e Kazım-Richards nas faixas laterais, mantendo Alex como referência criativa. Com atletas experientes e entrosados, o Fenerbahçe almejava voos altos. E o foco era, sem dúvida, a Liga dos Campeões da UEFA.

A saga europeia

O caminho dos turcos na principal competição do continente começou em agosto de 2007, na última fase preliminar antes da etapa de grupos. O adversário foi o Anderlecht-BEL, que não resistiu à força do time de Zico e perdeu os dois jogos: 1 a 0 na Turquia (gol de Alex) e 2 a 0 na Bélgica (gols de Kezman e Alex). Classificados, os Canários foram para o Grupo G, ao lado da Internazionale-ITA, do PSV-HOL e do CSKA-RUS. E o primeiro desafio foi logo a Inter, treinada por Roberto Mancini na época e com grandes nomes como Zanetti, Walter Samuel, Stankovic, Cambiasso e Ibrahimovic, além de ter no banco Luís Figo e Hernán Crespo. Um timaço, que anos depois seria campeão europeu.

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Deivid vibra: atacante foi o principal artilheiro do Fenerbahçe na Champions League.

Só que o Fenerbahçe não se importou com a tradição do rival e, com gol de Deivid aos 43’ do primeiro tempo, venceu por 1 a 0 e garantiu os três primeiros pontos do grupo, para delírio da torcida no estádio Şükrü Saracoğlu. O gol saiu após uma bola perfeitamente cruzada por Alex, que pedalou para escapar da marcação do também brasileiro Maxwell e deixá-lo sentado. Ao receber a bola, Deivid chutou de primeira com o pé direito e venceu o goleiro Júlio César para concluir um lindo gol. Os Canários ainda tiveram várias chances de ampliar e mandaram uma bola na trave no final do jogo, com Vederson, além de Alex mais uma vez sobrar com uma atuação de gala que só confirmava sua importância para o esquema de jogo do time, além de Roberto Carlos jogar bem à vontade na frente, quase como um ponta-esquerda.

Na partida seguinte, o Fenerbahçe viajou até a Rússia para enfrentar o CSKA, que na época vivia grande fase graças aos brasileiros Dudu, Jô e Vágner Love. Alex abriu o placar para o Fener, aos 9’, e Krasic empatou para os russos no começo do segundo tempo. Love virou, aos 53’, de pênalti, mas Deivid, aos 85’, empatou e manteve a invencibilidade dos Canários, mantida após o empate sem gols com o PSV em Eindhoven. Zico mantinha uma escalação muito forte ofensivamente e que também conseguia oferecer dificuldades aos rivais no setor defensivo. No returno do grupo, os Canários venceram o PSV em casa por 2 a 0 (gols de Marcellis, contra, e Sentürk) e perderam a primeira na quinta rodada, nos 3 a 0 diante da Inter no Giuseppe Meazza. 

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Festa após a vitória sobre o CSKA, na última rodada. Foto: Getty Images.
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Uma das formações do Fenerbahçe na época 2007-2008.

A vaga nas oitavas de final ainda era possível com uma vitória simples diante do já eliminado CSKA, em casa, independente do resultado entre PSV e Inter. Mais de 45 mil pessoas lotaram o estádio Şükrü Saracoğlu e transformaram o local em um verdadeiro caldeirão. Só que quem saiu na frente foi o time russo, aos 30’, em uma infelicidade de Edu Dracena, que desviou uma bola cruzada e marcou contra. Mas quem tem Alex, tem tudo. O brasileiro empatou dois minutos depois, após aproveitar um rebote da zaga, matar no peito e mandar um chutaço de fora da área. Golaço! Nos acréscimos, Alex deu um passe perfeito para Ugur Boral virar: 2 a 1.

No segundo tempo, o Fenerbahçe manteve o controle do jogo, criou chances com Roberto Carlos e Boral e este completou a festa aos 90’, quando tocou de cabeça e fez 3 a 1. O resultado classificou o time turco às oitavas de final após três vitórias, dois empates e uma derrota em seis jogos, com 11 pontos ganhos. A Inter avançou em primeiro, com 15, e o PSV terminou em terceiro, com 7. O CSKA ficou com a lanterna e somou apenas um ponto.

Da classificação histórica ao fim do sonho europeu

O adversário do Fenerbahçe nas oitavas de final seria bem difícil: o Sevilla, então bicampeão da Copa da UEFA e com um elenco bastante competitivo e experiente em competições de mata-mata. Nomes como Palop, Daniel Alves, Dragutinovic, Adriano, Jesús Navas, Keita, Luís Fabiano e Kanouté eram os destaques de um dos times mais bem treinados e vencedores da época no Velho Continente. E o duelo de ida, em Istambul, reservou um jogaço mesmo com o frio e a neve que castigaram a capital turca naquela semana. Kezman, recuperado de uma lesão no joelho, retornou em grande estilo e fez 1 a 0 aos 17’, após cruzamento de Boral. O Sevilla não se abateu e empatou aos 23’, após Edu Dracena, de novo azarado, desviar contra a própria meta um cruzamento de Daniel Alves. 

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No segundo tempo, Alex cobrou escanteio e Lugano subiu para deixar os Canários novamente em vantagem, aos 57’. O jogo seguiu disputado e Escudé, aos 66’, empatou de novo. Tempo depois, Roberto Carlos teve que ser substituído após sofrer um profundo corte no queixo e uma lesão na perna direita, mas a força ofensiva dos turcos não diminuiu e, aos 87’, Senturk, artilheiro do time naquela temporada, anotou o gol da vitória por 3 a 2 que levou a torcida turca ao delírio. O triunfo deu a vantagem do empate para a volta, na Espanha.

No Ramón Sánchez Pizjuán, o Sevilla se impôs e abriu 2 a 0 com menos de dez minutos, em gols de Daniel Alves e Keita. Parecia que a vaga ficaria mesmo com os espanhóis, só que o time da casa sentou na vantagem e permitiu a chegada do Fenerbahçe, que descontou ainda na etapa inicial, aos 21’, quando Deivid, sempre oportunista, desviou cobrança de escanteio. No entanto, quando parecia que o time de Zico iria empatar, quem balançou as redes foi o Sevilla. Após belo passe de Daniel Alves, Kanouté matou no peito e, de voleio, marcou um belo gol, aos 41’, mantendo a vantagem no agregado aos espanhóis.

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Na etapa final, o jogo seguiu lá e cá, com boas oportunidades criadas tanto pelo Fenerbahçe – em especial com Alex e Mehmet Aurélio – e pelo Sevilla. Mas quem marcou foi o time turco, aos 80’, quando Deivid aproveitou bola alçada na área por Alex e, ao escorar e mandar no pé da trave, pegou o rebote ele mesmo e fez 3 a 2. Com a igualdade no agregado, o jogo foi para a prorrogação e, apesar do time da casa criar mais chances, o Fenerbahçe se defendeu bem e levou a decisão para os pênaltis.

Na marca da cal, o goleiro Volkan Demirel se redimiu das falhas nos dois primeiros gols do Sevilla e defendeu as cobranças de Escudé, Maresca e Daniel Alves, enquanto apenas Edu Dracena desperdiçou do lado turco. O placar de 3 a 2 a favor dos Canários classificou o Fenerbahçe pela primeira vez à uma etapa de quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA. O técnico Zico celebrou a vaga e exaltou a coragem do elenco, além da volta por cima do goleiro Volkan Demirel. 

“A equipe jogou com coragem para dar um grande passo fora de casa, diante de um rival muito bom e com um grande pressão da torcida deles no estádio. […] Ele (Volkan) mostrou personalidade, não baixou a cabeça e no final esteve muito bem”.

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O time que enfrentou o Chelsea.

Nas quartas, o Fenerbahçe teve um adversário duríssimo: o endinheirado Chelsea-ING, repleto de estrelas como Essien, John Terry, Ricardo Carvalho, Ashley Cole, Makélélé, Michael Ballack, Joe Cole, Lampard, Drogba, Malouda, entre outros. O esquadrão inglês era um dos favoritos ao título e um teste de fogo para os comandados de Zico. Mas, no primeiro duelo, em Istambul, o Fenerbahçe provou sua força em casa e conseguiu superar a ausência de Roberto Carlos, lesionado, a adversidade de um gol contra de Deivid, aos 13’ do primeiro tempo, e total predomínio dos ingleses para buscar uma virada épica na etapa final. 

Zico mexeu no posicionamento do meio-campo, Alex se reencontrou e o time passou a chegar mais ao ataque. Em dez minutos, assustou mais o goleiro Cudicini do que em todo primeiro tempo. Aos 65’, Kazim-Richards, que havia entrado há pouco tempo, recebeu belo passe de Mehmet Aurélio pelo alto, entrou na área e soltou uma bomba para empatar: 1 a 1. O jogo pegou fogo e, aos 81’, Deivid se redimiu e, de bem longe, acertou uma bomba no ângulo de Cudicini para virar: 2 a 1. Delírio dos fanáticos turcos, que seguiram com o sonho da primeira semifinal do clube na competição. 

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Foto: AFP

Jogando em Stamford Bridge, o Fenerbahçe de novo não teve Roberto Carlos, mas Zico conseguiu armar uma equipe mais contida no campo de defesa e no meio de campo, com o chileno Maldonado, Mehmet Aurélio e Kazim-Richards centralizados, Alex e Deivid na intermediária e Senturk como homem de área. Lá atrás, os laterais eram Gönül e Vederson e a zaga a titularíssima Lugano e Edu Dracena.

O problema é que todos os planos de pelo menos empatar em solo inglês foram por água abaixo logo aos 4’, quando Lampard cobrou falta da direita, Ballack aproveitou erro de Mehmet Aurélio e tocou de cabeça para abrir o placar. O 2 a 2 no agregado dava a vaga ao Chelsea, por causa do critério do gol qualificado em vigor na época. Três minutos depois, Joe Cole ainda acertou a trave e quase ampliou. A sorte parecia do lado azul, mas mudou aos 25’, quando o goleiro Cudicini, que substituia Petr Cech (se recuperando de uma grave lesão na época) sentiu uma lesão muscular e foi substituído pelo terceiro goleiro, Hilário. 

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Lampard acabou com o sonho dos turcos. Foto: Getty Images.

A saída deixou o Chelsea mais temeroso e o Fenerbahçe confiante. Aos 29’, Lugano puxou o contra-ataque, tocou com Alex e o meia deixou com Senturk na entrada da área, mas o atacante bateu para fora. Um minuto depois, Alex cobrou falta na cabeça de Lugano na pequena área e o uruguaio tocou para fora, rente à trave. No segundo tempo, o Fener não conseguiu atacar como no duelo de ida e só foi chegar com perigo aos 36’, quando Gönül chutou de longe, a bola desviou na zaga e Hilário tirou em cima da linha. Em seguida, Kazim soltou uma bomba de fora da área e o goleiro salvou de novo. Até que, aos 87’, Lampard recebeu de Essien e mandou a bola pro fundo do gol de Volkan Demirel, decretando a vitória inglesa por 2 a 0 e a vaga nas semifinais. Era o fim da jornada europeia dos turcos. O Chelsea foi até a final, mas perdeu para o compatriota Manchester United. 

Decepção em casa e o fim

Fazer uma campanha tão intensa em uma competição de alto nível como a Liga dos Campeões sugou bastante as energias do Fenerbahçe na temporada 2007-2008, o que acabou resultando na perda de troféus em solo nacional. No Campeonato Turco, os Canários até tiveram o melhor ataque – 72 gols em 34 jogos -, mas ficaram na segunda colocação com 73 pontos, seis a menos do que o campeão Galatasaray. Senturk, com 17 gols, e Alex, com 16, foram os artilheiros do time e da competição. O meia brasileiro ainda foi o rei das assistências mais uma vez ao dar 15 passes para gols. Deivid e Kezman, com 11 gols cada, também brilharam na trajetória dos Canários na Süper Lig. Na Copa da Turquia, a campanha terminou nas quartas de final, após revés para o rival por 2 a 1, fora de casa, e empate em 0 a 0 em casa. 

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Por outro lado, foi em 2008 que o Fenerbahçe iniciou um período de sete jogos sem perder para o rival Galatasaray que só terminou em março de 2011. Aliás, entre maio de 2005 e março de 2011, o auge do período em que Alex esteve no clube, o Fenerbahçe perdeu apenas três dos 18 jogos que disputou no Derby Intercontinental. Foram 12 vitórias e três empates. Dos triunfos, dois foram especiais: um 4 a 0 em abril de 2006, com um gol de Alex, e um 4 a 1 em novembro de 2008, além de uma sequência de seis vitórias seguidas no Campeonato Turco, entre maio de 2005 e dezembro de 2007, um recorde até hoje no clássico.

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Ao fim da temporada, Zico optou por não renovar seu contrato com o clube por conta de divergências entre ele e os dirigentes do Fenerbahçe. O brasileiro já tinha demonstrado vontade de sair, e assumiu o Bunyodkor, do Uzbequistão, já em 2008. Com a saída do Galinho, o Fener perdeu força e, na temporada seguinte, terminou em uma péssima 4ª colocação no Campeonato Turco mesmo sob o comando de Luis Aragonés, campeão da Eurocopa de 2008 pela Espanha. A equipe só voltaria a brilhar no começo da década de 2010, quando levantou os Campeonatos Turcos de 2010-2011 e 2013-2014 (seu último título do campeonato desde então) e as Copas da Turquia de 2011-2012 e 2012-2013.

O clube, no entanto, vive em um período difícil, coleciona mais vices do que títulos, viu outros rivais crescerem e serem campeões como Besiktas, Trabzonspor e até o İstanbul Başakşehir, além de o Galatasaray manter a rotina regular de troféus. Enquanto uma nova era de ouro não volta, a torcida continua com as memórias de Alex e um time que marcou época com grandes jogos, bom futebol e a inesquecível glória nacional no ano do centenário. Um esquadrão imortal.

Os personagens:

Volkan Demirel: apesar das falhas no jogo contra o Sevilla na Liga dos Campeões de 2007-2008, Demirel provou que aquele ocaso não iria manchar sua grande fase na época, a ponto de deixar no banco o badalado goleiro Rüştü Reçber – titular da Turquia 3ª colocada na Copa do Mundo de 2002 – no banco. Com 1,91m de altura e eficiente nos confrontos mano a mano com atacantes, foi um dos destaques do Fenerbahçe na época e jogou no clube até 2019, quando encerrou a carreira como um dos recordistas em jogos pelos Canários – 525 partidas. Vestiu ainda a camisa da seleção turca em 63 oportunidades, incluindo jogos na Eurocopa de 2008. 

Önder Turaci: o lateral-direito nasceu na Bélgica e chegou até a jogar pelas seleções de base dos vermelhos, mas preferiu vestir a camisa turca. No Fenerbahçe, chegou em 2004 e permaneceu até 2010 como opção mais defensiva pelo setor, ajudando na marcação e na contenção. Por causa de suas características, era capaz de jogar até como zagueiro e tinha eficiência no jogo aéreo graças ao porte físico – tinha 1,86m de altura. 

Gökhan Gönül: absoluto na lateral-direita do time a partir de 2007, o “Cafu turco” foi um dos principais jogadores do Fenerbahçe na época e apoiava constantemente o ataque dos Canários, além de marcar alguns gols. Com 361 jogos e 14 gols entre 2007 e 2016 e 2020-2021, Gönül virou ídolo e brilhou, também, pela seleção turca, vestindo a camisa vermelha e branca em 66 jogos.

Edu Dracena: o zagueiro brasileiro chegou em 2006 ao Fenerbahçe, após anos de ouro pelo Cruzeiro, pelo qual venceu a Tríplice Coroa em 2003. Eficiente no jogo aéreo, nas aparições no ataque e na saída de bola, fez uma dupla memorável com Lugano na zaga dos Canários e jogou no clube até 2009, quando retornou ao Brasil para jogar no Santos, onde também fez história e faturou títulos como a Libertadores de 2011 e a Copa do Brasil de 2010.

Diego Lugano: ídolo do São Paulo, “Dios” chegou em 2006 a Istambul e manteve a boa fase com sua tradicional raça uruguaia, entrega ao máximo e muita garra, além de aparecer constantemente em jogadas de ataque e marcar gols – foram 21 gols em 125 jogos disputados entre 2006 e 2011. Lugano chegou a capitanear o Fenerbahçe na ausência de Alex e ganhou a simpatia eterna da torcida turca.

Roberto Carlos: a lenda brasileira chegou já longe de seus melhores tempos, mas ainda sim causou impacto com sua experiência e vitoriosa bagagem de títulos pelo Real Madrid e pela seleção brasileira. Com suas cobranças de falta sempre hostis, cobertura plena e investidas no ataque, Roberto Carlos foi um dos xodós do torcedor na temporada 2007-2008 e fez muita falta nos duelos contra o Chelsea pela Liga dos Campeões. Foram 103 jogos e 9 gols pelo Fenerbahçe entre 2007 e 2009. Leia mais sobre ele clicando aqui!

Ümit Özat: apesar de jogar com a perna direita, Özat fez carreira como lateral-esquerdo, demonstrando boa técnica e podendo exercer qualquer função na defesa, incluindo atuações como zagueiro e volante. Sua polivalência foi fundamental para o sistema tático de Zico. Com 11 gols em 182 jogos pelo clube entre 2001 e 2007, levantou três títulos do Campeonato Turco e foi uma importante liderança até a ascenção de Alex. Integrou a seleção turca na Copa de 2002. 

Vederson: o brasileiro naturalizado turco alternou jogos como lateral-esquerdo e ponta-esquerda no time de Zico. Tinha velocidade, bom domínio de bola e apoiava bem o ataque. Jogou no Fenerbahçe até 2010.

Mehmet Aurélio: outro brasileiro naturalizado turco, o volante tinha grande importância na proteção da defesa e na recuperação da bola. Sua presença permitia que Alex atuasse com maior liberdade e que os laterais avançassem. Aurélio jogou de 2003 até 2010 no Fenerbahçe e faturou quatro títulos, disputou 218 jogos, marcou 18 gols e deu 35 assistências.

Maldonado: velho conhecido do público brasileiro por conta de suas passagens de destaque por São Paulo, Cruzeiro e Santos, o volante chileno chegou no meio da temporada 2007-2008 ao Fenerbahçe e ajudou o time na fase mais aguda da Liga dos Campeões e do Campeonato Turco, apesar dos tropeços. Sempre forte na marcação e na distribuição da bola, reeditou a boa parceria que teve com Alex no Cruzeiro, em 2003, mas sofreu com lesões e não teve uma estadia maior em Istambul, deixando o clube já em 2009.

Selçuk Sahin: outra lenda do clube turco, o meio-campista jogou de 2003 até 2015 pelos Canários e acumulou mais de 300 jogos no período. Sahin jogava mais recuado, ajudando na marcação, e tinha bom passe e visão de jogo. Vestiu a camisa da seleção turca em 25 oportunidades.

Appiah: o ganense chegou em 2005 ao Fenerbahçe, após um período no futebol italiano. Com força física, boa qualidade nos passes e na saída de bola, foi um dos destaques do time na campanha do título nacional de 2006-2007. Sua estadia só não foi maior por causa de uma lesão no joelho que o tirou de combate por muito tempo e antecipou sua saída de Istambul, em 2008.

Alex: falar do brasileiro em Kadiköy e falar de um ser divino, ídolo, incontestável e único. A idolatria do jogador foi tão grande que ele ganhou uma estátua do lado de fora do estádio do Fenerbahçe, tamanha sua importância para a história do clube. Alex viveu momentos inesquecíveis pelos Canários, fez o clube ser respeitado por todos e impôs medo nos rivais, em especial o Galatasaray. E só isso já diz tudo para o torcedor. Entre 2004 e 2012, Alex disputou 378 jogos, marcou 185 gols e deu 162 assistências pelo Fenerbahçe, quase uma média de contribuição de um gol por jogo. Leia mais sobre esse craque imortal clicando aqui!

A estátua de Alex em Istambul.

Tuncay Sanli: com 71 gols em quase 190 jogos pelo Fenerbahçe, o meia-atacante era descrito por Zico como uma das almas do time, tamanha sua importância para o setor ofensivo. Entre 2002 e 2007, o turco foi essencial para o sucesso e os títulos dos Canários, além de fazer uma parceria incrível com Alex na intermediária graças à sua movimentação, habilidade e enorme inteligência tática. Seu sucesso o levou ao futebol inglês logo após o título do campeonato nacional de 2007, o que enfraqueceu bastante o setor na temporada 2007-2008. Sanli brilhou também pela seleção turca, pela qual disputou 80 jogos e marcou 22 gols.

Uğur Boral: outro jogador polivalente do elenco e que podia jogar na meia-esquerda e até na lateral-esquerda, Boral viveu grande fase na temporada 2007-2008 com gols importantes e atuações decisivas no ataque dos Canários, em especial com seus chutes de média e longa distâncias. Jogou de 2006 até 2011 no Fener e vestiu a camisa da seleção turca em 11 oportunidades.

Deniz Baris: com a concorrência no time principal, o volante, que podia jogar também como zagueiro, foi um suplente utilizado por Zico com certa frequência em alguns jogos do Campeonato Turco e também da Liga dos Campeões. Foi convocado ainda pela seleção turca no período, pela qual disputou 21 jogos.

Kazim-Richards: chegou na temporada 2007-2008 ao Fenerbahçe e foi um dos atletas mais utilizados por Zico tanto nos torneios nacionais quanto na Liga dos Campeões – na qual disputou 10 jogos e marcou um gol. Rápido e habilidoso, trouxe mais alternativas ao setor ofensivo e jogou até 2011 no clube turco, acumulando 105 jogos e 11 gols.

Deivid: o brasileiro viveu uma temporada de mais baixos do que altos em 2006-2007, mas deu a volta por cima na época seguinte e deixou o torcedor muito feliz com suas atuações na Liga dos Campeões da UEFA, quando foi decisivo e deixou sua marca em jogos importantíssimos diante da Inter, do Sevilla e do Chelsea – ele anotou 5 gols em 11 jogos na Champions. Sua capacidade de atuar pelo lado direito fez dele uma das peças mais perigosas do esquema de Zico. Em 2007-2008, o brasileiro anotou 16 gols em 39 jogos, além de contribuir com várias assistências – foram 9 no Campeonato Turco. Deivid deixou o Fenerbahçe em 2011 após 108 jogos e 28 gols.

Mateja Kezman: o atacante sérvio explodiu nos anos 2000 com a camisa do PSV, mas teve atuações apagadas por Chelsea e Atlético de Madrid, seus clubes posteriores ao período na Holanda. Quando chegou ao Fenerbahçe, em 2006, criou-se uma expectativa de redenção do jogador, que não teria a pressão de decidir como nos outros clubes. Isso fez bem a ele e Kezman marcou 11 gols em 33 jogos na trajetória dos Canários na época 2006-2007, incluindo 9 na campanha do título turco no ano do centenário. Em 2007-2008, Kezman sofreu com uma lesão, mas ainda sim aumentou seu número de gols – foram 19 em 36 partidas – e manteve a boa fase. Após 30 gols em 69 jogos, foi jogar no PSG em 2008-2009.

S. Sentürk: cria das bases, o atacante foi um suplente de luxo na temporada 2006-2007, mas provou seu valor na temporada 2007-2008, quando foi o artilheiro do Campeonato Turco com 17 gols, além de marcar dois gols na campanha da Liga dos Campeões. Com 89 gols em quase 300 jogos disputados entre 2001 e 2014, Sentürk é um dos grandes artilheiros da história do clube. 

Zico (Técnico): apesar do pouco tempo, o brasileiro cravou seu nome na história do Fenerbahçe com um dos mais importantes títulos do clube – o Campeonato Turco no ano do centenário – e por dirigir um time ofensivo, competitivo e que brilhou na Liga dos Campeões como nenhum outro Fenerbahçe conseguiu brilhar. Com o elenco na mão, criou um time que merecia sorte melhor na Champions e sobretudo no Campeonato Turco de 2007-2008. As desavenças com a complicada diretoria dos Canários motivaram sua saída. Zico registrou um aproveitamento de 61,6% no clube. Foram 120 jogos, 74 vitórias, 28 empates e apenas 18 derrotas.

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