Grandes feitos: Bicampeão do Campeonato Inglês (1968-1969 e 1973-1974), Campeão da Copa da Inglaterra (1971-1972), Campeão da Copa da Liga Inglesa (1967-1968), Campeão da Copa das Cidades com Feiras (1967-1968 invicto e 1970-1971), Campeão da Supercopa da Inglaterra (1969), Vice-campeão da Liga dos Campeões da UEFA (1974-1975) e Vice-campeão da Recopa da UEFA (1972-1973).
Time-base: David Harvey (Gary Sprake / David Stewart); Paul Reaney, Gordon McQueen (Jack Charlton), Norman Hunter e Terry Cooper (Trevor Cherry / Frank Gray); Billy Bremner, John Giles (Paul Madeley / Mick Bates), Peter Lorimer e Terry Yorath (Eddie Gray / Albert Johanneson); Allan Clarke (Joe Jordan) e Mick Jones (Duncan McKenzie). Técnicos: Don Revie (1968-1974), Brian Clough (1974) e Jimmy Armfield (1974-1975).
“Dias de Glórias em Elland Road”
Por Guilherme Diniz
Durante oito anos, o futebol inglês presenciou a ascensão de um clube que jamais havia conquistado qualquer título relevante e lutava mais para não cair do que se manter na elite: o Leeds United. Graças ao fantástico trabalho do técnico Donald “Don” Revie, que mudou até a cor do uniforme do clube e hábitos alimentares de um grupo enxuto, porém bastante entrosado e talentoso, a equipe de West Yorkshire conquistou títulos nacionais, continentais e só não empilhou mais troféus por conta da sequência sufocante de jogos decisivos que disputou na época sem um elenco que pudesse dar respiro aos intocáveis titulares. Se os Whites tivessem mais atletas no mesmo nível de David Harvey, Paul Reaney, Jack Charlton, Norman Hunter, Billy Bremner, Peter Lorimer, Allan Clarke, Mick Jones e companhia, teríamos uma dinastia semelhante a do Liverpool nos anos 1980 e do Manchester United nos anos 1990 e 2000 na Inglaterra.
Mesmo assim, aquele esquadrão fez história com dois títulos do Campeonato Inglês, dois títulos da Copa das Cidades com Feiras – precursora da Copa da UEFA / Liga Europa -, uma Copa da Inglaterra e dois vice-campeonatos continentais, um na Recopa da UEFA e outro na Liga dos Campeões. Aquele Leeds praticou um futebol insinuante e em alguns momentos agressivo que rendeu jogos memoráveis e feitos jamais repetidos por qualquer outro time de Elland Road. É hora de relembrar o Leeds United 1968-1975.
Sumário
Revielution
A história do Leeds começou a mudar na temporada 1961-1962, quando Don Revie foi efetivado como jogador-treinador do clube. Atacante com início de carreira no Leicester City, em 1944, Revie jogava no Leeds desde 1958 e já pensava em pendurar as chuteiras quando aceitou o desafio. Aquela primeira temporada, no entanto, não foi das melhores: o clube, na segunda divisão, brigou para não cair para a terceirona até o fim do campeonato e só se salvou na última rodada. A partir dali, o treinador começou a mudar radicalmente a estrutura do clube, começando pelo uniforme: as tradicionais camisas listradas em azul e branco, assim como a camisa azul com detalhes brancos ou dourados deram lugar a um kit totalmente branco, com inspiração no Real Madrid, já uma lenda na época por conta dos cinco títulos europeus consecutivos no final dos anos 1950 e as dezenas de troféus na Espanha.

A mudança foi polêmica, mas acabou bem aceita com o passar do tempo. Revie decidiu também se livrar de vários atletas que não demonstravam interesse em jogar e fez uma limpa de 27 atletas (!) em apenas dois anos. Ele decidiu investir em jovens e dar oportunidades aos jogadores da base. O treinador trouxe também em uma nova comissão técnica, com profissionais experientes e que ajudaram Revie a criar um ambiente familiar no clube. O técnico adotou medidas consideradas revolucionárias e pioneiras como a preparação meticulosa antes dos jogos, com a equipe técnica responsável pela elaboração de dossiês extremamente detalhados sobre os adversários.
O auxiliar Les Cocker, por exemplo, foi responsável por desenvolver altos níveis de condicionamento físico nos jogadores do Leeds, utilizando dietas e programas de treinamento rigorosos, em estilo militar. A abordagem de Don Revie no Leeds United foi muito semelhante a realizada décadas depois por Arsène Wenger no Arsenal. E, assim como o Professeur, Revie também teve sucesso. O time conseguiu já na temporada 1963-1964 o título da segunda divisão inglesa e o acesso à elite. E, em 1964-1965, enfiou 4 a 2 no então campeão Liverpool, apresentando suas credenciais ao grande público.

Com um elenco jovem, talentoso e muito bem treinado, o Leeds United brigou até o fim pelo título nacional, mas acabou com o vice-campeonato por causa do famigerado critério da média de goal average, o saldo de gols, pois os Peacocks somaram os mesmos 61 pontos do Manchester United, mas contabilizaram 1596 de goal average (83 gols marcados e 52 gols sofridos, saldo de 31 gols) contra 2282 do United (89 gols marcados e 39 gols sofridos, saldo de 50 gols). Na Copa da Inglaterra, a equipe chegou até a final, com direito a vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United na semifinal, mas perdeu na prorrogação para o Liverpool por 2 a 1. Os vices foram amargos, mas o caminho estava certo. Em breve, aquele trabalho renderia troféus.
Dirty Leeds
Após mais duas temporadas com boas campanhas, o Leeds United chegou em 1967-1968 sedento por troféus, ainda mais forte e tido como o clube mais apto e tecnicamente mais proficiente do futebol inglês, principalmente após Don Revie contratar bailarinos para ensinar os jogadores sobre o equilíbrio, além de ampliar a imposição de padrões alimentares e nutricionais. “Suas ideias de treinamento estavam à frente de seu tempo”, comentou Peter Lorimer ao The Guardian (Reino Unido), em novembro de 2007.
“Era uma equipe que tinha tudo. Os jogadores tinham força. Tinham classe. Tinham experiência. Foi uma equipe completa, a mistura perfeita de jogadores que ofereciam tudo em todas as partes do campo”, completou Lorimer.
Àquela altura, o Leeds já impunha um estilo de jogo feroz, com uma marcação alta rara para a época, mas comum no futebol atual. Os atletas pressionavam bastante os oponentes, que não tinham outra opção a não ser rifar a bola e inverter o jogo. E, se o adversário apelava para faltas duras, o Leeds fazia faltas ainda mais duras. Revie dizia para os atletas fingirem lesões, intimidarem árbitros e oponentes, o que fez o clube ganhar o apelido de Dirty Leeds – Leeds Sujo, em tradução literal -, um estilo de jogo visceral e bastante comum nos clubes argentinos que disputavam a Libertadores daquela época, em especial o Estudiantes de Verón e Bilardo.

“Eu odiava jogar contra eles, eu realmente joguei. Eles também tinham muita habilidade, mas ainda eram um pesadelo sangrento”, comentou certa vez o lendário craque do Manchester United George Best, que passou a usar caneleiras, item que ele não costumava usar, somente nos jogos contra o Leeds United. Já o meio-campista Bremner refutou a fama do time. “O que foi chamado de cínico neste país foi chamado de profissional quando os italianos o jogaram”, disse o jogador, em referência ao Catenaccio em voga na Itália nos anos 1960. O fato é que o Leeds United podia “bater” se um time fosse mais bruto, mas podia jogar futebol se o adversário fosse técnico.
Don Revie criou uma personalidade dentro do clube jamais vista antes no futebol inglês. Na época, era chamado de “profissionalismo”, mas este não era um termo complementar. Em vez disso, encapsulava o cinismo, a fisicalidade e a implacabilidade. Depois de alguns anos, principalmente após 1968, outros clubes, incapazes de lidar com eles de qualquer outra maneira, tentariam copiá-los. E, com isso, Revie foi o homem que acabou com a era da inocência do futebol inglês. Não por acaso, os clubes do país passariam a dominar o futebol europeu nos anos 1970 e 1980, competindo e vencendo clubes de todo o continente.
As primeiras taças
Na temporada 1967-1968, o Leeds United não conseguiu vencer o Campeonato Inglês (4º lugar) nem a Copa da Inglaterra (semifinal), mas celebrou inéditas glórias na Copa da Liga Inglesa e na Copa das Cidades com Feiras. No torneio nacional, os Whites eliminaram pelo caminho Luton Town (1 a 0), Bury (3 a 0), Sunderland (2 a 0), Stoke City (2 a 0) e Derby County (1 a 0 e 3 a 2). Na grande final, diante de quase 100 mil pessoas em Wembley, os comandados de Revie encararam o Arsenal e, aos 20’, após cobrança de escanteio de Eddie Gray, o goleiro do Arsenal, Jim Furnell, teve de lidar com dois jogadores adversários, a bola sobrou no lado esquerdo da área e Terry Cooper emendou de primeira para o gol.

O 1 a 0 permaneceu e o Leeds celebrou seu primeiro grande título nacional. Meses depois, a equipe levantou a Copa das Cidades com Feiras após uma campanha invicta e irrepreensível. Tudo começou nos massacres pra cima do Spora Luxembourg-LUX por 9 a 0 (fora) e 7 a 0 (em casa). Depois, os ingleses venceram o forte Partizan-IUG da época por 2 a 1 fora de casa e empataram em 1 a 1 em casa. Na sequência, duelos complicados contra o Hibernian-ESC: 1 a 0 em casa e 1 a 1 fora. Nas quartas, o rival foi o Rangers-ESC, e os Whites seguraram um 0 a 0 em pleno Ibrox para vencer por 2 a 0 no Elland Road lotado (50.498 pessoas) e garantir a vaga na semifinal.
Antes da decisão, os comandados de Don Revie enfrentaram outro rival escocês: o Dundee. Na ida, na casa dos azuis, empate em 1 a 1. Na volta, o Leeds venceu por 1 a 0 e carimbou o passaporte para a decisão contra o Ferencváros-HUN, do craque Flórián Albert. Os ingleses disputaram o primeiro jogo em casa diante de apenas 25 mil pessoas, pelo fato de a BBC transmitir o jogo ao vivo pela TV, o que acabou dissipando o público. Apesar da falta de gente in loco, o Leeds venceu por 1 a 0 (gol de Mick Jones) e viajou até a bela Budapeste com a vantagem do empate.

As mais de 70 mil pessoas no Népstadion (atual Puskás Arena) empurraram os alviverdes, mas o Leeds United jogou de forma muito mais defensiva, praticamente com 10 homens na zaga. O Ferencváros dominou as ações, com boas chances criadas por Gyula Rákosi e István Szőke no primeiro tempo. Porém, o zero não saiu do placar e o título continental ficou com os ingleses, que se tornaram naquele dia os primeiros do país a vencer a Copa das Cidades com Feiras. Peter Lorimer, com 8 gols, foi o artilheiro da competição e principal referência ofensiva da equipe.
Os campeões (quase) imbatíveis
Vencer o Campeonato Inglês naquele final de anos 1960 era uma tarefa árdua. Além de as vitórias valerem dois pontos, o que dificultava uma equipe sobrar muito na ponta, eram intermináveis 42 rodadas. Sem um elenco encorpado e com boas peças de reposição, era quase impossível aguentar tantos jogos e ainda as outras competições do calendário inglês – as duas copas nacionais e ainda uma copa continental. Por isso, Don Revie decidiu abdicar das competições de mata-mata (os Peacocks foram eliminados precocemente em todos os torneios) e focou seus esforços no Campeonato Inglês. E tal estratégia foi a melhor possível, principalmente para um time que tinha um time titular maravilhoso, mas poucos atletas de reposição. Nas primeiras nove rodadas, o Leeds não perdeu e só foi tropeçar pela primeira vez diante do Manchester City, fora de casa, em setembro de 1968. Após mais três vitórias, os Whites perderam para o Burnley, fora, por 5 a 1, resultado que deixou Don Revie furioso. O técnico deu uma chacoalhada no elenco e dali em diante o time não perdeu mais.

Foram 28 jogos seguidos sem perder, um recorde histórico do clube, que deram o troco no Burnley com uma goleada de 6 a 1 na visita do adversário em Elland Road, no returno, assim como o Manchester City, que perdeu de 1 a 0 na casa dos Whites. O título nacional foi confirmado na penúltima rodada, após empate sem gols contra o Liverpool, em pleno Anfield Road, com os Reds brigando pela taça contra os Whites. Após a vitória na última rodada sobre o Nottingham Forest, em casa, por 1 a 0, o Leeds United confirmou também uma incrível campanha invicta em casa: 21 jogos, 18 vitórias e três empates.

No total, a equipe disputou 42 jogos, venceu 27, empatou 13 e perdeu apenas dois, com 66 gols marcados e 26 gols sofridos, além de seis pontos de vantagem sobre o vice-campeão Liverpool. Mick Jones, com 14 gols, foi o artilheiro do time no torneio. O título deu ao clube o direito de disputar, pela primeira vez, a Copa dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões da UEFA) de 1969-1970.
Supercopa e vices
A temporada seguinte ao título nacional começou muito bem. Primeiro, com a contratação de Allan Clarke, talentoso atacante do Leicester City, por 165 mil libras, valor recorde no futebol britânico na época. Com ele, o time de Elland Road ganhou mais fôlego no ataque e a esperança de poder competir até o fim por todos os títulos da temporada. Tudo começou com a conquista da Supercopa da Inglaterra, após vitória por 2 a 1 sobre o Manchester City, com gols de Eddie Gray e Jack Charlton. No campeonato nacional, os Whites disputaram com o Everton o caneco durante boa parte da temporada, mas tropeços na reta final – foram quatro derrotas nos últimos seis jogos – custaram o título, que ficou mesmo com os azuis. Mesmo com o vice, o Leeds United registrou o melhor ataque da competição: 84 gols.

Na Copa da Inglaterra, os Whites despacharam Swansea Town, Sutton United, Mansfield Town, Swindon Town e Manchester United – este após dois empates e uma vitória por 1 a 0, em campo neutro – até chegarem na decisão contra o Chelsea. Diante de 100 mil pessoas em Wembley, o Leeds saiu na frente com Jack Charlton, aos 20′, mas levou o empate aos 41′, com Houseman. No segundo tempo, Mick Jones, sempre decisivo, fez 2 a 1 aos 84′ e deixou os Whites perto da conquista inédita.
Porém, aos 86′, Hutchinson empatou e levou o duelo para a prorrogação. Nela, o empate permaneceu e uma partida desempate foi marcada para o final de abril de 1970, dessa vez em Old Trafford. Mais uma vez Mick Jones deixou sua marca e fez 1 a 0, aos 35′, até Osgood empatar para o Chelsea, aos 78′. Na prorrogação, o cansaço pesou para os Whites e Webb, aos 104′, deu o título aos Blues, que ainda eliminaram o Leeds da Copa da Liga Inglesa.

Na Copa dos Campeões, o Leeds brigou até o fim por uma vaga na final. A equipe eliminou o fraco Lyn-NOR com um 16 a 0 no agregado (!), passou pelo Ferencváros-HUN (6 a 0 no agregado) e pelo Standard Liège-BEL (2 a 0 no agregado), nas quartas de final, até chegar à semifinal. O adversário foi o fortíssimo Celtic-ESC, campeão europeu de 1967, que calou Elland Road na partida de ida ao vencer por 1 a 0. Na volta, os escoceses contaram com o apoio de mais de 136 mil pessoas em Hampden Park, no maior público em uma partida da UEFA em toda história, e venceram por 2 a 1, resultado que colocou o time de Glasgow na final – eles acabaram perdendo a chance do bicampeonato diante do Feyenoord-HOL.
Bicampeonato continental e novo vice no Inglês
Com a mesma base, o Leeds United manteve a competitividade em alta e brigou novamente pelo título inglês, já que, nas copas nacionais, o time não foi bem. Com cinco vitórias seguidas no início da competição, incluindo um 1 a 0 sobre o Manchester United (fora), um 3 a 2 sobre o Everton (em casa) e um 3 a 0 sobre o West Ham (em casa), a equipe só tropeçou na oitava rodada, no revés fora de casa para o Stoke City (3 a 0). Na sequência, os Whites permaneceram 16 rodadas sem perder até serem derrotados pelo Tottenham, em casa, por 2 a 1. Depois de duas vitórias, os comandados de Revie perderam para o Liverpool também em casa por 1 a 0 e emendaram mais seis jogos sem derrotas.

Na reta final, porém, o time voltou a perder pontos importantes até chegar o fatídico jogo contra o West Bromwich Albion, em 17 de abril de 1971, em casa, a quatro rodadas do fim. O Leeds teve um gol de Mick Jones anulado e, mais tarde na partida, um passe da equipe foi interceptado pelo jogador do West Bromwich, Tony Brown. Brown hesitou, pois seu companheiro de equipe Colin Suggett estava retornando de uma posição de impedimento e o bandeirinha sinalizou a irregularidade, com a maioria dos jogadores parada ao ver a bandeira levantada.
O árbitro Ray Tinkler, porém, ignorou a marcação do auxiliar, permitindo que Brown passasse a bola para Jeff Astle, que marcou o gol da vitória do West Bromwich Albion. Tanto o técnico Don Revie quanto os torcedores do Leeds ficaram tão revoltados que invadiram o campo para protestar, causando enorme confusão. Como consequência, a FA proibiu o Leeds de disputar em casa seus cinco primeiros jogos como mandante na temporada seguinte.
“Nunca me senti tão mal em toda a minha vida no futebol, mas vamos continuar lutando até o último suspiro”, disse Revie na época.
Apesar de vencer todas as partidas restantes (incluindo uma vitória por 1 a 0 sobre o rival Arsenal), o Leeds perdeu o título justamente para o Arsenal por um ponto de diferença – 65 a 64. Os Whites estabeleceram na época o recorde de pontuação para um vice-campeão, ficando incríveis 12 pontos à frente do terceiro colocado, o Tottenham. O novo vice só foi amenizado pela glória da equipe na Copa das Cidades com Feiras tempo depois. Os ingleses eliminaram Sarpsborg-NOR (6 a 0 no agregado), Dynamo Dresden-ALE (2 a 2 no agregado, com classificação graças ao gol qualificado), Sparta Praga-TCH (9 a 2 no agregado), Vitória Setúbal-POR (3 a 2 no agregado) e o compatriota Liverpool após vitória por 1 a 0 em Anfield Road e empate sem gols em casa.

Na final, o adversário foi a Juventus-ITA de Salvadore, Causio, Capello, Anastasi e Bettega. No primeiro jogo, em Turim, Bettega colocou os italianos na frente, mas Paul Madeley empatou no começo do segundo tempo. Capello deixou a Velha Senhora em vantagem e Mick Bates empatou em 2 a 2. Na volta, no Elland Road tomado por 42.483 pessoas, Clarke fez 1 a 0 e Anastasi empatou. O empate permaneceu e, como o Leeds United havia marcado mais gols fora de casa do que em casa, acabou ficando com o título.


O bicampeonato deu ao clube o direito de disputar, contra o Barcelona-ESP, a posse definitiva do troféu, já que, a partir de 1971-1972, a competição seria substituída pela Copa da UEFA. O jogo foi realizado em setembro de 1971, o Barça acabou vencendo por 2 a 1 e ficou com a taça. Os catalães foram os maiores campeões da competição com três títulos, seguido do Leeds United (dois títulos e um vice) e do Valencia-ESP (dois títulos e um vice). Leia mais clicando aqui!
Glória em Wembley e outro vice
O Leeds United disputou a primeira edição da Copa da UEFA em 1971-1972, mas acabou eliminado na primeira fase para o Lierse-BEL. Já em casa, apesar da queda na Copa da Liga, os Whites mais uma vez fizeram grandes campanhas na Copa da Inglaterra e no Campeonato Inglês, este a vedete do time de Don Revie. Apesar da punição com a perda de mando de campo nas primeiras rodadas, o Leeds United manteve-se no topo durante boa parte do torneio, brigando ponto a ponto com Derby County, Liverpool, Manchester City e Arsenal. Só que, de novo, o excesso de jogos na reta final da temporada prejudicou o desempenho da equipe, que teve três jogos cruciais em um intervalo de oito dias!
No dia 1º de maio de 1972, os Whites enfrentaram o Chelsea, em casa, pela penúltima rodada do Campeonato Inglês, e venceram por 2 a 0, resultado que dava ao time de Elland Road a vantagem de apenas empatar com o Wolverhampton Wanderers, na última rodada, fora de casa, para ficar com o troféu. Tal jogo estava marcado para o dia 08 de maio. E, dois dias antes, em 06 de maio, o Leeds United tinha simplesmente a final da Copa da Inglaterra pela frente, em Wembley, contra o Arsenal. Obviamente que o técnico Revie escalou sua força máxima para a decisão da Copa da Inglaterra e conseguiu o título após vitória por 1 a 0, gol de Clarke.


Dois dias depois, veio o jogo contra o Wolves e os Whites não conseguiram encontrar forças depois de uma final tão exaustiva: perderam por 2 a 1 e o troféu ficou com o Derby County, que somou 58 pontos contra 57 do Leeds. O troféu nacional, de novo, escapou por entre os dedos. E a pecha de time azarado aumentou ainda mais pelas bandas de Elland Road. Anos depois, Jack Charlton comentou em sua autobiografia, lançada em 1996, sobre essa fama.
“Dizem que o Leeds United deveria ter conquistado muito mais — e talvez tivéssemos conquistado muito mais se não tivéssemos disputado todas as competições até o final de cada temporada. Quero dizer, acabamos nos acostumando a perder… Sim, houve muita decepção, mas também houve muito orgulho — orgulho, paixão e disciplina que mantiveram a família Leeds unida quando poderíamos ter desmoronado”.
Novas (e polêmicas) decepções
Na temporada 1972-1973, o Leeds perdeu força no Campeonato Inglês e viu os rivais se distanciarem ao longo do torneio, principalmente no segundo turno, quando o clube de Elland Road tropeçou demais e estacionou na terceira colocação – nos últimos nove jogos, foram apenas três vitórias e cinco derrotas. Já nas copas, o Leeds teve um desempenho muito melhor, apesar dos finais ruins. Defendendo o título da Copa da Inglaterra, a equipe superou pelo caminho Norwich City, Plymouth Argyle, West Bromwich Albion, Derby County e o algoz da temporada anterior, os Wolves, até chegar na decisão diante do Sunderland, da segunda divisão inglesa.
Favoritos plenos, os Whites tinham tudo para ficar com o bi, mas Wembley foi palco de uma das maiores zebras da história da competição. Os alvirrubros não se intimidaram com a força do adversário e criaram as melhores chances desde o início. Até que, aos 32’, Vic Halom dominou no peito uma cobrança de escanteio de Billy Hughes. A bola, que desviou e subiu, foi ajeitada por Dave Watson para Ian Porterfield, que finalizou para o gol. O Leeds, atônito, reagiu com sua habitual determinação. O goleiro do Sunderland, Jimmy Montgomery, teve uma atuação excepcional, frustrando o Leeds com uma série de defesas brilhantes e mantendo a vantagem de sua equipe.

O momento decisivo da partida ocorreu na metade do segundo tempo. Montgomery mergulhou para espalmar uma cabeçada à queima-roupa de Trevor Cherry. A bola sobrou para Lorimer, que disparou um chute em direção ao gol. No entanto, Montgomery conseguiu desviar a bola, fazendo com que ela tocasse a parte inferior do travessão, antes que Malone afastasse o perigo. Essa defesa é considerada uma das maiores da história do futebol inglês, sendo comparada à realizada pelo inglês Gordon Banks na partida contra o Brasil, pela Copa do Mundo da FIFA de 1970.

O 1 a 0 deu o título histórico ao Sunderland, que só voltaria a celebrar uma conquista em 2021, no Troféu EFL. A derrota devastou o Leeds, que tinha outra decisão importante duas semanas depois: a Recopa da UEFA, segundo mais importante torneio da Europa na época e no qual o Leeds vinha de trajetória invicta após eliminar pelo caminho Ankaragücü-TUR (2 a 1 no agregado), Carl Zeiss Jena-ALE (2 a 0 no agregado), Rapid Bucaresti-ROM (8 a 1 no agregado) e Hajduk Split-IUG (1 a 0 no agregado).
O adversário na final foi o sempre copeiro Milan-ITA, comandado por Nereo Rocco e com nomes como Anquilletti, Rosato, Gianni Rivera e Luciano Chiarugi. A partida foi disputada na Grécia, com arbitragem do grego Christos Michas. Além de ainda rememorar a derrota na Copa da Inglaterra e o adeus do ídolo Jack Charlton, o Leeds foi a campo sem Bremner, Giles e Clarke, e também sob uma onde de especulações da imprensa em torno de Don Revie, que estava fortemente cotado ao cargo de técnico do Everton.

Essa especulação e a revelação de Revie, uma hora antes da partida, de que ele havia decidido aceitar o cargo, criaram uma atmosfera pesada e de tristeza dentro do vestiário do Leeds, mas os jogadores decidiram que iriam ganhar o troféu em homenagem ao seu técnico. Só que, logo aos 5’, o Milan abriu o placar com Chiarugi e a partir dali uma série de decisões arbitrais duvidosas de Christos Michas manchou a decisão. Ele ignorou inúmeras faltas cometidas contra o Leeds, e a tensão acabou transbordando na reta final do jogo, resultando na expulsão de Norman Hunter por revidar uma falta justamente quando o Leeds buscava o gol de empate.

O time inglês também teve dois pedidos de pênalti ignorados pelo árbitro: um por toque de mão e outro por um carrinho no atacante Mick Jones, ambos dentro da área do Milan. O jogo terminou com o arremesso de objetos contra os jogadores do Milan e a equipe de arbitragem por parte do público grego que, embora tivesse começado a partida como espectador neutro, terminou torcendo pelos jogadores do Leeds. Os atletas, mesmo com o vice, deram uma volta olímpica no estádio sob aplausos entusiasmados do público.
Posteriormente, a UEFA baniu o árbitro Christos Michas de qualquer atividade na arbitragem por toda a vida. Contudo, apesar dos apelos do Leeds United, a entidade máxima do futebol europeu não determinou a realização de uma nova partida, e o Milan jamais sofreu qualquer punição, mantendo o troféu. Esse cenário trágico e injusto acabou motivando Don Revie, que declinou da proposta do Everton e permaneceu em Elland Road. Ele queria dar a volta por cima. E ajudar o Leeds United em seu canto do cisne.
Enfim, o bicampeonato inglês
Sem Jack Charlton, o Leeds promoveu como titular o zagueiro escocês Gordon McQueen, no clube desde 1972, como sucessor do ídolo na zaga. Outro escocês, Joe Jordan, que esperava por sua chance, também foi integrado ao ataque dos Whites. E a temporada 1973-1974 viu um Leeds determinado, certo de sua capacidade e limitações e com um único objetivo: ser campeão inglês. Com exatos 22 jogadores no elenco, não havia margem para erros e as reposições eram limitadas. Por isso, as copas foram ignoradas – a equipe caiu precocemente em todas – e o campeonato nacional foi o objetivo número 1 desde o início. Don Revie foi audacioso e disse que queria “permanecer invicto” no torneio.
E tal pretensão foi cumprida à risca em boa parte da competição. O Leeds apresentou um futebol excepcional e envolvente nos primeiros meses da temporada, mantendo-se firme no objetivo de Revie. Os Peacocks venceram os sete primeiros jogos e, no Natal, estavam invictos há 21 partidas, com sete pontos de vantagem na liderança da tabela, à frente do então campeão Liverpool. O recorde de 30 jogos invictos, do Burnley de 1920-1921, estava no horizonte, mas os Whites conseguiram “apenas” 29 partidas, pois perderam por 3 a 2 para o Stoke City, fora de casa. O revés ainda manteve a equipe com oito pontos de vantagem no topo.

No entanto, uma sequência de três derrotas seguidas, incluindo um 1 a 0 para o Liverpool, em Anfield, fez a diferença despencar para quatro pontos. A sorte é que os Reds também viviam um período de altos e baixos, por isso, a esperança da conquista permaneceu após a vitória por 2 a 0 sobre o Derby County, a seis rodadas do fim. Uma vitória por 2 a 0 sobre o Sheffield United e um triunfo em casa contra o Ipswich Town (3 a 2) restauraram a vantagem de cinco pontos do Leeds, que tinha um jogo a disputar contra o Queens Park Rangers. O Liverpool tinha três jogos restantes, todos contra clubes londrinos.
O time de Bill Shankly perdeu o primeiro deles, por 1 a 0 (em casa) para o Arsenal, dando assim o título ao Leeds. Em 27 de abril, o time de Elland Road venceu por 1 a 0 no Loftus Road, casa do QPR, graças a um gol de Clarke, e celebrou o bicampeonato inglês. Com exceção da segunda rodada, o Leeds liderou o torneio em todas as outras 41 rodadas, confirmando o absolutismo perante os rivais. Foram 24 vitórias, 14 empates, apenas quatro derrotas, 66 gols marcados e 31 gols sofridos em 42 jogos, com destaque para Mick Jones, artilheiro do time com 14 gols.

A conquista significou muito para o clube e para Don Revie, que teve seu trabalho devidamente reconhecido e convidado pela FA para assumir o cargo de técnico da seleção da Inglaterra, prontamente aceito pelo treinador. Com isso, chegou ao fim a era de ouro do clube sob o comando do revolucionário comandante que mudou para sempre o status do Leeds United. Em 13 anos no comando, Revie conduziu o esquadrão de Elland Road aos seguintes títulos:
- 2 títulos do Campeonato Inglês;
- 1 título da Copa da Inglaterra;
- 1 título da Copa da Liga Inglesa;
- 2 títulos da Copa das Cidades com Feiras;
- 1 título da Supercopa da Inglaterra;
- 1 título da segunda divisão inglesa
Ele ainda levou a equipe a outras três finais e duas semifinais da Copa da Inglaterra; mais uma final e uma semifinal da Copa das Cidades com Feiras; uma final da Recopa Europeia e a uma semifinal da Copa dos Campeões. Além disso, o time terminou em segundo lugar na primeira divisão cinco vezes, em terceiro lugar uma vez e em quarto lugar duas vezes. A reputação do Leeds foi construída com base em uma organização sólida, profissionalismo e vigor físico, além de um jogo ofensivo fluído pelas pontas e um estilo paciente, baseado na posse de bola.

A equipe de Revie foi estruturada em torno de um núcleo de atletas habilidosos, inteligentes e versáteis, dispostos a atuar em diversas posições e capazes de trocar de funções e postos ao longo da partida. Tanto é que grande parte do time de Revie acabou defendendo suas respectivas seleções nacionais – em 1970, o elenco contava com 17 jogadores que eram atletas de suas seleções. Isso em tempos nos quais os elencos raramente ultrapassavam 20 jogadores, e na qual a presença de atletas de fora do Reino Unido no futebol inglês era algo raro – bem diferente de hoje.
Vice europeu e o fim
Em sua saída, Revie sugeriu à diretoria do Leeds United a contratação de Johnny Giles, que pensava em iniciar sua carreira de treinador, pois, com 34 anos, ele já não teria mais condições de jogar como antes. Porém, a direção optou pela vinda do técnico Brian Clough, campeão inglês pelo Derby County em 1972. Clough acabou não levando seu fiel auxiliar Peter Taylor e decepcionou. O Leeds venceu apenas um dos sete jogos que disputou sob o comando do treinador, que criticou duramente o estilo de jogo “sujo e trapaceiro” do Leeds, relembrando as disputas ferrenhas de anos atrás quando ainda comandava o Derby.

Clough comprou briga com vários atletas experientes do elenco, incluindo o capitão Billy Bremner e Norman Hunter, e teria dito ao propenso a lesões Eddie Gray que se ele fosse um cavalo, teria levado um tiro anos atrás (!). Sem qualquer clima amistoso, a estadia de Clough em Elland Road durou apenas 44 dias e ele foi demitido. O treinador acabaria brilhando no Nottingham Forest, pelo qual levantou incríveis duas Ligas dos Campeões da UEFA no final da década de 1970.
Quem conseguiu recuperar a forma de jogar do time foi Jimmy Armfield, ex-capitão da seleção inglesa, que fez com que o clube terminasse o campeonato nacional na 9ª colocação e fizesse uma campanha louvável na Copa dos Campeões da Europa. Pelo caminho, os Whites superaram Zürich-SUI (5 a 3 no agregado), Újpest-HUN (5 a 1 no agregado), Anderlecht-BEL (4 a 0 no agregado) e o Barcelona-ESP de Johan Cruyff e Johan Neeskens na semifinal após 2 a 1 em casa e empate em 1 a 1 no Camp Nou.
Na final pela primeira vez, os Whites enfrentaram o então campeão Bayern München-ALE, base da seleção alemã campeã da Copa de 1974 e com nomes como Sepp Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Uli Hoeneß, Gerd Müller entre outros. A partida foi disputada em Paris e o Leeds teve a chance de vencer o jogo, mas novas decisões polêmicas da arbitragem prejudicaram bastante os Peacocks, pois o árbitro ignorou dois pedidos contundentes de pênalti por faltas cometidas por Franz Beckenbauer, do Bayern. De fato, o Leeds chegou a marcar um gol aos 63 minutos, por meio de Peter Lorimer, mas o imponente capitão alemão conseguiu convencer Michel Kitabdjian a consultar o bandeirinha. Na sequência, Kitabdjian indicou que Lorimer estava, por uma margem mínima, em posição de impedimento.

Essa decisão de anular o gol provocou distúrbios entre os torcedores do Leeds que haviam viajado para acompanhar a partida. O Bayern acabou vencendo por 2 a 0, com gols de Roth e Müller, ambos na reta final do segundo tempo, e brigas dos torcedores ingleses contra a arbitragem geraram uma punição ao Leeds, que ficou proibido de disputar qualquer competição da UEFA em um período de quatro anos – reduzidos a dois após apelação da diretoria inglesa. Michel Kitabdjian nunca mais apitou jogos da UEFA depois desse incidente.
Após o vice-europeu, o Leeds United enfraqueceu e, embora continuasse competitivo nos anos seguintes, não levantou mais títulos. Após a saída de Armfield, em 1978, o clube despencou e foi rebaixado na época 1981-1982. Só em 1991-1992 que os Peacocks conseguiram recuperar o prestígio com a conquista do Campeonato Inglês, o último antes do início da era Premier League. Depois disso, novos altos e baixos vieram e o torcedor segue à espera de uma nova equipe temida, competitiva e vencedora como o lendário Leeds United 1968-1975. Um esquadrão imortal.
Os personagens:
David Harvey: revelado pelo Leeds, passou a figurar entre os profissionais a partir de 1965. Apesar da inconstância do titular Gary Sprake na época, Harvey só começou a ser titular mais frequentemente a partir de 1972, quando ajudou o time nas conquistas da Copa da Inglaterra de 1972 e do Campeonato Inglês de 1974. Disputou mais de 270 jogos pelo Leeds na carreira e vestiu a camisa da seleção da Escócia em 16 oportunidades.
Gary Sprake: o goleiro galês viveu uma história de amor e ódio em Elland Road, pois alternava bons jogos com outros terríveis, incluindo falhas decisivas e que custaram títulos ao Leeds United. Com mais de 500 jogos pelo clube, passou mais de 200 deles sem sofrer gols. O problema foram alguns dos jogos nos quais ele sofreu gols. Na final da Copa da Inglaterra de 1970, por exemplo, ele falhou bisonhamente no gol de Houseman, possibilitando o empate dos Blues e que gerou a partida extra, vencida pelo clube londrino por 2 a 1. E, em 1967, cometeu outro erro clamoroso que resultou em um gol do Liverpool, em Anfield, o que fez a torcida dos Reds cantar a música “Careless Hands”, de Des O’Connor, em alusão às “mãos descuidadas” do goleiro.
David Stewart: chegou em 1973 ao Leeds United e passou a ser o titular na temporada 1974-1975, substituindo David Harvey, após este sofrer um acidente de carro. Stewart ajudou o Leeds United a alcançar a final da Copa dos Campeões da Europa, com destaque para os bons jogos diante do forte Barcelona de Cruyff e Neeskens. Ficou no clube até 1979.
Paul Reaney: terceiro jogador com mais jogos na história do clube – 749 partidas -, Paul Reaney foi um dos mais talentosos laterais-direitos do futebol inglês nos anos 1960 e 1970. Ótimo no apoio ao ataque, com enorme vigor físico e força de marcação, conseguia ir e vir com muita facilidade. Só não foi convocado para a Copa do Mundo de 1970 porque quebrou a perna meses antes do Mundial. Sua ausência foi bastante sentida não só na seleção, mas também no Leeds, que não conseguiu brigar pelo Treble na temporada 1969-1970 sem seu principal jogador no setor – mesmo com o esforço do polivalente Paul Madeley jogando pela direita.
Gordon McQueen: com a dura missão de substituir Jack Charlton na zaga dos Peacocks, o escocês deu conta do recado – apesar das lesões que o atormentaram – e fez grandes jogos com a camisa do Leeds entre 1972 e 1978. Com 1,91m de altura, era muito eficiente no jogo aéreo e tinha grande senso de cobertura. Foi figura constante, também, na seleção da Escócia, sendo convocado para as Copas de 1974 e 1978.
Jack Charlton: irmão do lendário Bobby Charlton, Jack também marcou seu nome na história como um dos melhores zagueiros da Inglaterra. Com 773 jogos, é o recordista em partidas pelo Leeds United em todos os tempos e, além de ser muito eficiente na defesa, nos desarmes e no jogo aéreo – tinha 1,87m de altura -, Charlton ainda marcava gols, vários decisivos – foram 96 gols, um número impressionante. O zagueiro só vestiu a camisa do Leeds na carreira, de 1952 até 1973. Pela seleção, disputou 36 jogos, marcou seis gols e foi titular do English Team na conquista da Copa do Mundo de 1966, fazendo uma lendária dupla de zaga com Bobby Moore.
Norman Hunter: outro lendário jogador do Leeds – é o 4º na lista de atletas que mais vestiram a camisa do clube, com 726 jogos em 14 anos de clube -, Norman Hunter era extremamente vigoroso na zaga dos Whites e ganhou o singelo apelido de “Norman Morde suas pernas”, por gostar de dar carrinhos para desarmar os adversários – ou pará-los com faltas. Hunter esteve no grupo campeão da Copa de 1966 da Inglaterra e só não foi titular por causa de Bobby Moore, seu concorrente direto na seleção e inquestionável na posição.
Terry Cooper: lateral-esquerdo do Leeds entre 1962 e 1975, Cooper podia jogar também mais avançado, como ponta-esquerda, mas com funções de dar passes e abrir espaços ao invés de marcar gols. Construiu uma carreira brilhante no clube ao aliar um excelente preparo físico, habilidade técnica e precisão nos cruzamentos, além de realizar avanços devastadores pelo flanco esquerdo, dando suporte ao temido ponta Eddie Gray. Essa dinâmica funcionou tão bem que se tornou uma marca registrada do estilo de jogo do Leeds. Vestiu a camisa da seleção inglesa em 20 oportunidades e disputou a Copa do Mundo de 1970. Foram mais de 300 jogos com a camisa do Leeds.
Trevor Cherry: capaz de atuar como lateral e também zagueiro, Cherry foi contratado em 1972 e, durante uma década, disputou 486 jogos pelos Whites. Alternou jogos como titular e reserva naquele começo de anos 1970 até se firmar na equipe após 1974.
Frank Gray: irmão mais novo de Eddie Gray, Frank começou no Leeds em 1972 e virou uma importante alternativa para o setor esquerdo, substituindo Terry Cooper em algumas ocasiões. Também gostava de se mandar para o ataque e construir boas jogadas ofensivas. Em duas passagens pelos Peacocks (1972-1979 e 1981-1985), Frank Gray disputou mais de 310 jogos e marcou 27 gols.
Billy Bremner: o eterno capitão e maior ídolo da história do Leeds United, Billy Bremner foi, sem dúvida, o coração e referência do esquadrão dos Peacocks naqueles anos 1960 e 1970. Meio-campista que combinava passes precisos e desarmes perfeitos, além de notável resistência física, Bremner era quem mandava soltar e prender no time de Don Revie. O escocês jogou no Leeds de 1960 até 1976, acumulou 772 jogos pelos Whites – é o 2º com mais jogos na história -, marcou 115 gols – é o 5º maior artilheiro do clube – e ganhou estátua em Elland Road tamanha sua importância. Pela seleção da Escócia, foi capitão do time na Copa de 1974 e disputou 54 jogos entre 1965 e 1975.
John Giles: foi o parceiro ideal de Bremner no meio de campo do Leeds United e uma referência técnica graças a sua imensa qualidade nos passes e lançamentos. Com uma visão de jogo notável, marcava gols e deixava os companheiros em grandes condições perto da área adversária. Dinâmico, exerceu seu brilho também na seleção da Irlanda, pela qual disputou 59 jogos. Giles registrou 527 jogos e marcou 114 gols pelo Leeds entre 1963 e 1975. Antes, já havia brilhando no Manchester United de Matt Busby.
Paul Madeley: o inglês foi, possivelmente, o jogador mais versátil de todo o elenco. Ao longo de sua trajetória no Leeds United entre 1963 e 1980, Madeley atuou em todas as posições em campo, exceto a de goleiro. Sua habilidade natural de se adaptar constantemente a diferentes funções deu ao inglês o apelido de “The Eleven Pauls” (algo como “os onze Pauls”) e fazia com que ele fosse frequentemente incluído na equipe titular pelo técnico Don Revie, além de ser o suplente ideal quando um companheiro se lesionava, geralmente no setor defensivo. Madeley disputou 725 jogos pelo Leeds United na carreira e marcou mais de 30 gols, incluindo um decisivo na final da Copa das Cidades com Feiras de 1971, contra a Juventus. Madeley disputou também 24 jogos pela seleção da Inglaterra.
Mick Bates: outra cria das bases, o meio-campista começou a jogar no time principal em 1962 e tinha muita qualidade nos passes e na distribuição do jogo, alternando jogos como titular e reserva. Não era de marcar muitos gols, mas anotou alguns decisivos, incluindo na final da Copa das Cidades com Feiras de 1971.
Peter Lorimer: outra lenda do clube, o escocês se tornou o maior artilheiro da história do Leeds United ao marcar 238 gols em 703 jogos disputados entre 1962 e 1978 e 1983-1985. Tinha apenas 16 anos quando estreou pelos titulares e se transformou em uma das peças mais importantes do esquema tático do técnico Don Revie. O escocês se destacava pelos chutes poderosos de longa distância, que rendiam vários golaços. Lorimer costumava jogar aberto pela direita, e, além de marcar gols, era perito nos cruzamentos e em lançamentos precisos aos companheiros. Um grande ídolo dos Whites.
Terry Yorath: o meio-campista não foi titular absoluto, mas entrou bem quando preciso e tinha funções mais defensivas, ajudando na marcação e contenção. Disputou 59 partidas pela seleção de País de Gales e pouco mais de 170 jogos pelo Leeds United.
Eddie Gray: veloz, driblador e perigosíssimo em suas investidas pela esquerda e nas tabelas com Reaney, Eddie Gray foi outro grande nome da história do Leeds, seu único clube na carreira. Apesar de não ser muito goleador – marcou 52 gols em 577 jogos -, era crucial para as jogadas de ataque e busca por espaços nas defesas adversárias. Seu único problema eram as lesões, que atrapalharam bastante sua sequência no time titular durante várias temporadas, principalmente após 1972. Perto do final da carreira, foi recuando e chegou a jogar de lateral-esquerdo no começo dos anos 1980.
Albert Johanneson: ponta-esquerda de muito talento e força física, o sul-africano chegou ao Leeds United em 1961 e permaneceu até 1970, contribuindo para a ascensão marcante do esquadrão de Don Revie naquela época, em especial nas campanhas do título da segunda divisão de 1963-1964 e da primeira divisão em 1968-1969. Em 1965, se tornou o primeiro jogador africano a disputar uma final de Copa da Inglaterra, quando os Whites acabaram derrotados pelo Liverpool por 2 a 1. Johannesson disputou 200 jogos e marcou 67 gols pelo clube.
Allan Clarke: terceiro maior artilheiro da história do Leeds United com 151 gols em 351 jogos, o atacante era um dos mais talentosos e cobiçados do futebol inglês naquele final de anos 1960 e foi contratado a peso de ouro em 1969. O investimento deu resultado e Clarke virou ídolo graças ao seu faro de gol apurado e intensa movimentação que lhe deu o apelido de Sniffer (farejador), por sempre buscar oportunidades de gol. Pela seleção inglesa, disputou 19 jogos e marcou 10 gols.
Joe Jordan: atacante mais combativo, que brigava pela bola e atazanava os zagueiros, Jordan chegou ao Leeds em 1970 e permaneceu até 1977, período no qual se transformou em uma das principais referências no ataque do Leeds, destacando-se por ajeitar muitas bolas para os companheiros, especialmente para Peter Lorimer. Com outros jogadores escoceses no elenco, Jordan fazia parte da chamada “máfia escocesa”, ao lado do goleiro David Harvey, do zagueiro Gordon McQueen, do meio-campista Billy Bremner, do ponta-esquerda Eddie Gray e do ponta-direita Peter Lorimer. Foram mais de 200 jogos e 35 gols pelos Peacocks na carreira.
Mick Jones: atacante que aproveitava as chances de gol e não costumava enfeitar muito, Jones se transformou no 7º maior artilheiro da história do Leeds com 111 gols em pouco mais de 270 jogos. Fez uma ótima parceria com Allan Clarke, em especial na temporada 1973-1974, quando foi o artilheiro do time na campanha do título inglês.
Duncan McKenzie: chegou ao Leeds United em 1974, quando o clube ainda era treinado por Brian Clough. Atacante inteligente, porém inconstante, McKenzie fez uma boa parceria com Allan Clarke principalmente na temporada 1975-1976, quando anotou 16 gols em 39 jogos. Deixou o Leeds já em 1976.
Don Revie, Brian Clough e Jimmy Armfield (Técnicos): o Leeds foi o que foi naquela era de ouro por causa de Don Revie, sem dúvida alguma o maior técnico da história do clube e maior vencedor. Quando jogador, Revie já dispunha de uma notável inteligência tática e conseguiu ampliar essa condição quando virou treinador. Com métodos revolucionários, polêmicos e capaz de ter o elenco inteiro em sua mão, Revie montou um time extremamente competitivo e que só não ganhou mais títulos pela já citada escassez de bons atletas para todas as posições, além da carga excessiva de treinos e jogos. Depois dele, o time perdeu o ritmo com Clough e se reencontrou com Armfield, mas já sem a intensidade de antes. Don Revie comandou o Leeds em 741 jogos, com 395 vitórias, 197 empates e 149 derrotas. Ele possui uma estátua em Elland Road.

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