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Alemanha x Holanda: Grandes Jogos na História

Por Guilherme Diniz

Um dos duelos mais tradicionais (e pesados) do futebol mundial, Alemanha x Holanda reúne países que nutrem entre si uma rivalidade que extrapola o esporte. Tudo começou com a ocupação nazista no território holandês durante a 2ª Guerra Mundial, com fortes bombardeios em diversas cidades, principalmente Roterdã. Foram cinco anos de ocupação até o fim da Guerra encerrar um período sangrento – foram mais de 250 mil mortos – e complicado no país. 

Após os anos 1950, um sentimento anti-alemão cresceu nos holandeses, que sempre trataram o país vizinho como “inimigo”, com a célebre frase do ex-jogador holandês Willy van Hanegem sintetizando tudo aquilo: “Eu os odeio. Eles assassinaram minha família. Meu pai, minha irmã, dois dos meus irmãos. Toda vez que eu enfrentava a Alemanha, sentia uma angústia profunda”. E obviamente que isso acabou migrando para o futebol, com o primeiro grande encontro oficial em plena final de Copa do Mundo, em 1974, quando o lendário Carrossel Holandês acabou perdendo de virada para a anfitriã Alemanha por 2 a 1.

Dali em diante, grandes jogos aconteceram em Copas, Eurocopas e Eliminatórias, com muita provocação, hostilidade, brigas e até cusparadas! É hora de relembrar os principais duelos entre alemães e holandeses.

Holanda 4×2 Alemanha – Amistoso – 1910

A primeira partida entre as duas seleções aconteceu na cidade holandesa de Arnhem, dois anos depois da conquista do Bronze olímpico pelo time da casa nos Jogos Olímpicos de Londres de 1908. Com a mesma base vencedora, a Holanda começou perdendo por 1 a 0, empatou, levou outro gol no primeiro tempo, mas conseguiu a virada na etapa final graças aos gols de Jan Thomée (medalhista olímpico de 1908) e um contra de Walter Hempel. O 4 a 2 selou a vitória holandesa. Meses depois, um novo amistoso aconteceu na Alemanha e de novo a Holanda venceu: 2 a 1.

Holanda 5×5 Alemanha – Amistoso – 1912

De novo em casa, dessa vez na cidade de Zwolle, a Holanda enfrentou os alemães em amistoso que serviu como preparação para a disputa dos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo (SUE). E a equipe laranja sofreu diante do atacante Julius Hirsch, que marcou simplesmente quatro gols no pirotécnico empate de 5 a 5 – ele foi o primeiro jogador alemão na história a marcar quatro gols em uma só partida. Até hoje, este jogo é o recordista em número de gols na história do confronto com 10 tentos!

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A Holanda dos Jogos Olímpicos de 1912: seleção conseguiu Bronze naquele ano. Foto: Nationaal Archief NL (Spaarnestad Collection)

Jan Thomée abriu o placar para a Holanda aos 5′, e Fuchs empatou logo aos 12′. Hirsch começou seu show e virou aos 13′, ampliando a contagem aos 30′. Francken descontou para a Holanda aos 34′ e, no segundo tempo, empatou. Thomée virou para a Holanda aos 53′ e Breunig, contra, fez 5 a 3. O jogo parecia condicionado à vitória holandesa quando Hirsch, aos 75′ e aos 78′, empatou e fechou o show de gols em 5 a 5. 

Meses depois, a Holanda faturou seu segundo Bronze nas Olimpíadas, enquanto a Alemanha foi eliminada logo na primeira fase da competição. Uma nota triste é que Julius Hirsch, que era judeu, acabou morto pelos nazistas no campo de concentração de Auschwitz durante o holocausto em 1945.

Holanda 0x1 Alemanha – Amistoso – 1924

Após seis jogos, com três vitórias holandesas e três empates, enfim a Alemanha conseguiu sua primeira vitória no duelo. O triunfo aconteceu em um amistoso disputado em Amsterdã, no Oude Stadion, e terminou 1 a 0 para a Nationalelf, com gol de Karl Auer, aos 14’ do primeiro tempo. Naquele ano, a Holanda brigou por mais um Bronze nas Olimpíadas, mas foi derrotada pela Suécia por 3 a 1, enquanto a Alemanha seguia irrelevante no cenário futebolístico – imagem que só iria mudar nos anos 1950, quando o país levantou sua primeira Copa do Mundo da FIFA, em 1954.

Alemanha 7×0 Holanda – Amistoso – 1959

Já campeã do mundo, a Alemanha não tomou conhecimento de uma frágil Holanda, ainda longe dos grandes times que teria a partir dos anos 1970, e aplicou a maior goleada da história do clássico: 7 a 0, em amistoso disputado na cidade de Colônia, em outubro de 1959. Treinada pelo célebre Sepp Herberger, o mesmo técnico do título mundial de 1954, a Nationalelf fez 2 a 0 no primeiro tempo, em gols de Brulls e Alfred Schimidt. 

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Alemanha x Holanda

Mas foi no segundo tempo que o time desandou a fazer gols graças ao artilheiro Uwe Seeler. O Panzer fez 3 a 0 aos 54′ e ampliou aos 66′. Schimidt fez 5 a 0 aos 77′ e Seeler completou seu triplete aos 88′. Um minuto depois, Gerhard Siedl fechou o 7 a 0.

Alemanha 2×1 Holanda – Final da Copa do Mundo da FIFA de 1974

Este foi o jogo que mudou para sempre a rivalidade. Nunca uma final de Copa do Mundo parecia tão decidida como a do dia 07 de julho de 1974. Ao longo de quase um mês, 16 seleções entraram em campo em solo germânico e apenas uma encantou de maneira incomparável: a Holanda. Com um esquema de jogo revolucionário no qual nenhum jogador guardava posição fixa, a equipe do técnico Rinus Michels e do genial Johan Cruyff aplicou vareios históricos sobre os mais diversos rivais, incluindo o trio sul-americano Uruguai, Argentina e Brasil, este tricampeão mundial quatro anos antes. Com vários craques e absoluta, a Laranja Mecânica ou Carrossel Holandês, como ficou conhecido aquele esquadrão, era candidato único ao título mundial, que iria coroar para sempre uma seleção espetacular.

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Cruyff e Beckenbauer durante a final.

Só que, do outro lado, estava uma equipe acostumada a derrubar por terra (ou melhor, por grama) qualquer favorito: a Alemanha, que na época era Alemanha Ocidental. Exatos 20 anos antes, na Copa de 1954, a Nationalelf viveu um roteiro idêntico na final do Mundial da Suíça ao encarar a avassaladora Hungria de Puskás, Kocsis e companhia, que praticava um futebol moderno, rápido e protuberante em gols. Pois aquela Alemanha conseguiu derrotar os húngaros mesmo levando 2 a 0 com menos de 20 minutos de jogo graças à frieza, à tática e às supostas travas de chuteiras anti-escorregões desenvolvidas por Adi Dassler, lendário fundador da adidas. A Alemanha venceu por 3 a 2 e ficou com um título improvável no “Milagre de Berna”, mas que nem foi tanto milagre assim com você pode ler mais clicando aqui.

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Vogts perseguiu Cruyff durante toda a partida.
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Gerd Müller (à esq.) celebra: virada alemã em Munique.
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Beckenbauer ergue o troféu da Copa de 1974. Foto: imago/Pressefoto Baumann

Acontece que, na final de 1974, por mais que a Alemanha tivesse um timaço, a Holanda era ainda mais favorita do que a Hungria pelo futebol, pelas condições climáticas favoráveis e pelo embalo que a equipe vinha no Mundial – apenas um gol sofrido, quatro vitórias seguidas, três delas sem levar gols. Só que a Alemanha resgatou seu misticismo de 1954 e foi convicta de que iria neutralizar aquele time quase perfeito. Eles conseguiram anular as principais jogadas laranjas e deram à Johan Cruyff a maior marcação de sua vida. Resultado? Vitória alemã, de virada, por 2 a 1. 

O revés se transformou em um grande estigma para o povo holandês, na “mãe de todas as derrotas”. E foi após aquele jogo que o meio-campista Willy van Hanegem proferiu a já citada frase no começo deste texto, mas com o complemento do duelo: “Eu não estava nem aí para o placar. 1 a 0 bastava, desde que pudéssemos humilhá-los”. Leia mais sobre esse jogo eterno clicando aqui!

Alemanha 2×2 Holanda – Segunda Fase de Grupos da Copa do Mundo da FIFA de 1978

Após superarem a primeira fase de grupos do Mundial de 1978, alemães e holandeses se enfrentaram na segunda fase daquela Copa, que dava ao líder da chave uma vaga na final. Depois de derrotar a Áustria por 5 a 1 e ver a Alemanha empatar sem gols com a Itália, a Holanda precisava de pelo menos um empate para ir à última rodada mais tranquila em busca da vaga. Com vários remanescentes do jogo de 1974, havia claramente a sensação de revanche do lado holandês, mas foi a Alemanha que começou vencendo por 1 a 0 logo aos 3′, em gol de Abramczik. 

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Arie Haan empatou aos 27′ e, na segunda etapa, Dieter Müller fez 2 a 1 para a Nationalelf. Faltando oito minutos para o fim, René van der Kerkhof empatou e o 2 a 2 acabou beneficiando a Holanda, que venceu a Itália na rodada final por 2 a 1 e se garantiu na decisão, perdida para a Argentina por 3 a 1. 

Um fato curioso no empate entre os rivais é que, na reta final, o reserva holandês Dick Nanninga, que entrou aos 80’, recebeu um cartão amarelo por um incidente longe da bola e, segundos depois, o árbitro Barreto lhe aplicou o cartão vermelho por, aparentemente, rir da decisão de puni-lo. Levou cinco minutos para que a ordem fosse restabelecida em campo enquanto Nanninga, atônito, era retirado da partida.

Alemanha 3×2 Holanda – Fase de Grupos da Eurocopa de 1980

Os nervos ficaram à flor da pele no tenso duelo entre alemães e holandeses válido pela Eurocopa de 1980, na Itália. A tensão já existia antes da partida, alimentada pela mídia dos dois países, além do fato de a Holanda não vencer a Alemanha desde 1956 – desde então, eram sete jogos, com cinco vitórias alemãs e dois empates.

“Antes do jogo, sabíamos que seria tenso. Estávamos determinados a vencer, pois aquela vitória era muito importante para o nosso orgulho. Para eles, nos vencer é a melhor coisa que existe. Eles nos odeiam muito mais do que nós os odiamos”, comentou  o alemão Karl-Heinz Förster, anos depois, sobre o duelo.

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E, quando a bola rolou, a Alemanha foi pra cima e abriu 3 a 0, com todos os gols anotados por Klaus Allofs, sendo dois deles com participação decisiva de Bernd Schuster, meia de apenas 20 anos que fez um partidaço ao demonstrar muita velocidade, enorme visão de jogo e aparecendo constantemente na área holandesa. Quem também apareceu em campo foi Lothar Matthäus, de 19 anos, debutando pela primeira vez com a camisa alemã. No entanto, o conforto no placar e a superioridade da Alemanha quase ruiu quando a Holanda diminuiu no segundo tempo com Rep, de pênalti, e fez o segundo gol com Willy van de Kerkhof, aos 40’. Mas o placar ficou mesmo 3 a 2 para a Alemanha, que praticamente garantiu sua vaga na decisão.

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Allofs (à dir.) comemora um de seus três gols contra a Holanda.

Durante a partida, muitas faltas ríspidas e discussões aconteceram, sendo as mais notáveis uma entre o goleiro alemão Schumacher com Huub Stevens, que quase foram às vias de fato, e ainda quando o holandês René van de Kerkhof acabou acertando um soco no olho de Bernd Schuster. Por incrível que pareça, ninguém foi expulso e o árbitro só aplicou dois cartões amarelos (!). A Alemanha foi para a final e acabou campeã europeia, enquanto a Holanda amargou um período de entressafra terrível que lhe deixou de fora de duas Copas (1982 e 1986).

Alemanha 1×2 Holanda – Semifinal da Eurocopa de 1988

Depois de décadas de espera, sofrimento e angustia, enfim a Holanda conseguiu uma vingança pra cima da Alemanha. A Eurocopa de 1988 foi realizada em solo alemão e a Holanda tinha na época um time lendário comandado por Rinus Michels – técnico do Carrossel de 1974 – e com craques como Ronald Koeman, Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Van Basten. Depois de superarem a fase de grupos, alemães e holandeses se encontraram na semifinal da Euro, em duelo realizado na cidade de Hamburgo. Sem vencer a Alemanha há 10 jogos (ou 32 anos), aquela era a oportunidade para exorcizar um fantasma e amenizar os traumas que a Nationalelf causava nos holandeses.

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Gullit e Rijkaard celebram a vitória histórica.

A Holanda tinha um grande time, mas a Alemanha também contava com seus predicados. Era um time comandado por Franz Beckenbauer e que seria, dois anos depois, campeão do mundo: Kohler, Brehme, Thon, Matthäus, Rudi Völler, Klinsmann, Littbarski estavam lá, prontos para causar mais um pesadelo aos laranjas. Só que, naquela noite, não haveria outro sucesso germânico. O primeiro tempo terminou sem gols, com a Holanda demonstrando muito nervosismo e o goleiro Van Breukelen berrando contra tudo e todos, principalmente com o árbitro romeno Ioan Igna, que não marcava algumas faltas claras a favor dos holandeses.

Aos 55’, Matthäus, de pênalti, abriu o placar para a Alemanha e a torcida laranja temeu pelo pior. Minutos depois, a Alemanha começou a ganhar tempo e Rudi Völler, sentado no gramado após sofrer uma falta, teve o cabelo puxado por Van Aerle, gerando discussões acaloradas e princípio de briga. O lance colocou a Holanda de volta no jogo e Van Basten acabou derrubado por Kohler, aos 73’. Ronald Koeman bateu um minuto depois e fez o gol de empate. E, a dois minutos do fim, uma jogada despretensiosa iniciada no meio de campo terminou na virada. 

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Ronald Koeman ameaçou lançar para Gullit, que avançou pela esquerda e atraiu a marcação de Borowka e Matthäus. Koeman acabou tocando em profundidade para Wouters, que deixou com Van Basten. O craque deu um toque sutil, de carrinho, e venceu o goleiro Immel: 2 a 1. A vitória colocou a Holanda na final e uma festa sem precedentes tomou conta do estádio e da Holanda, com milhares de pessoas celebrando pelas ruas a vitória. 

“Esperava por isso havia 14 anos. Antes do jogo, lembrei de mim mesmo, ao assistir à final de 1974, adolescente, e isso aumentou minha raiva. Estou feliz por dar este presente às antigas gerações, a quem viveu a guerra”, comentou o goleiro Van Breukelen no pós-jogo.

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A insólita cena de Koeman com a camisa de Thon.

Durante as celebrações em campo, a mais icônica foi a do zagueiro Ronald Koeman usando a camisa alemã que havia trocado com Olaf Thon para “limpar suas nádegas”. Ele foi muito criticado pelo gesto, mas se desculpou prontamente com Thon e a Alemanha. Na final, a Holanda venceu a URSS por 2 a 0 e celebrou seu primeiro título na história em pleno Estádio Olímpico de Munique, o mesmo da fatídica final da Copa de 1974. Leia mais clicando aqui!

Alemanha 2×1 Holanda – Oitavas de Final da Copa do Mundo da FIFA de 1990

Após a vitória holandesa de 1988, a rivalidade entre os países diminuiu por conta da queda do sentimento anti-alemão entre os holandeses. Aquele triunfo foi uma espécie de quebra de barreira e os pré-jogos deixaram de ser tão agressivos quanto nos anos 1970 e 1980. Só que, em 1990, tudo voltou quando os países se encontraram nas oitavas de final da Copa do Mundo da Itália. A tensão começou nas arquibancadas, com os holandeses vaiando os alemães e estes gritando “Deutschland! Deutschland!” durante o hino nacional holandês. E, quando a bola rolou, o que se viu foi uma partida cheia de faltas, lances ríspidos e o estopim aos 21’ do primeiro tempo.

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A infame cusparada… Foto: dpa picture alliance/Alamy Photograph
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Indignado, o alemão mostrou a “prova” ao árbitro. Foto: Colorsport/REX

Depois de ser derrubado por Frank Rijkaard – que recebeu cartão amarelo -, Rudi Völler levou uma cusparada no cabelo do adversário. Na cobrança de falta seguinte, Völler e o goleiro holandês Van Breukelen chocaram-se ao disputar a bola; Van Breukelen e Rijkaard gritaram com Völler e Rijkaard puxou o cabelo dele. O árbitro expulsou ambos, Rijkaard cuspiu no cabelo de Völler uma segunda vez enquanto os dois jogadores deixavam o campo. Outros três cartões amarelos foram aplicados e a Alemanha conseguiu a vitória no segundo tempo, em gols de Klinsmann e Brehme. Ronald Koeman, de pênalti, descontou, mas o placar de 2 a 1 classificou a Alemanha, que seguiu firme rumo ao tricampeonato mundial. 

Tempo depois, Rijkaard admitiu sua culpa naquele fatídico jogo. “Naquele dia, eu estava errado. Não houve insulto. Sempre tive muito respeito pelo Rudi Völler. Mas perdi a cabeça quando vi aquele cartão vermelho. Conversei com ele depois da partida e pedi desculpas. Fico muito feliz que ele tenha aceitado. Não guardo mágoa dele hoje em dia. Anos depois, chegamos até a posar juntos para um comercial muito engraçado.” 

Holanda 3×1 Alemanha – Fase de Grupos da Eurocopa de 1992

Dois anos depois, os rivais se enfrentaram em mais uma Euro, na última rodada do Grupo 2. A Holanda se impôs desde o início do jogo e abriu o placar com Rijkaard, aos 4’. Witschge ampliou aos 15’ e Klinsmann descontou no começo do segundo tempo. Aos 72’, Bergkamp fez 3 a 1 e a liderança do grupo ficou com a Holanda, com a Alemanha terminando na segunda colocação. Ambas se classificaram, mas o título ficou com a Dinamarca, que eliminou a Holanda na semifinal e bateu a Alemanha na final.

Alemanha 1×1 Holanda – Fase de Grupos da Eurocopa de 2004

Passando por uma nova entressafra, alemães e holandeses vinham de períodos de vacas magras naqueles anos 2000. A Alemanha tentava se reorganizar após o vice na Copa de 2002, enquanto a Holanda reconstruía sua equipe depois do fim da safra mágica de 1998-2000, recheada de craques, mas que não ganhou nada. Na Euro de 2004, os rivais duelaram logo na primeira rodada do grupo D e a Nationalelf abriu o placar no primeiro tempo, em cobrança de falta de Frings. 

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Cocu, Ballack e Van Nistelrooy.

A Holanda acordou só na reta final do jogo, quando Van Nistelrooy chutou cruzado após receber um cruzamento de Andy van der Meyde e empatou, aos 81’. Nos minutos finais, Philip Cocu quase garantiu a virada em cabeçada, mas ficou mesmo 1 a 1. A Holanda terminou em segundo lugar e se classificou para a etapa eliminatória, quando caiu diante de Portugal na semifinal. Já a Alemanha terminou na terceira colocação do grupo e foi embora mais cedo.

Alemanha 2×1 Holanda – Fase de Grupos da Eurocopa de 2012

Vice-campeã mundial em 2010, a Holanda era uma das favoritas ao título da Euro de 2012, juntamente com Espanha (campeã do mundo em 2010) e Alemanha (terceira colocada na Copa de 2010). Só que a seleção laranja decepcionou e, mesmo com vários remanescentes do vice como Sneijder, Robben e Van Persie, sucumbiu ainda na fase de grupos ao perder os três jogos que disputou. E um deles foi diante da Alemanha, na segunda rodada. A equipe do técnico Joachim Löw definiu a partida logo no primeiro tempo, com dois gols de Mario Gómez, aos 24′ e aos 38′. Na etapa final, Van Persie marcou aos 73′ e deu esperança ao time laranja, mas a derrota por 2 a 1 eliminou precocemente o time de Bert van Marwijk. A Alemanha seguiu até a semifinal, quando sucumbiu diante da Itália.

Holanda 3×0 Alemanha – Grupo 1 da UEFA Nations League de 2018-2019

Seis anos depois, a Holanda conseguiu uma desforra diante da rival na segunda rodada do Grupo 1 da edição inaugural da UEFA Nations League de 2018-2019. Jogando em casa, em uma Johan Cruijff Arena lotada (52.536 pessoas), a Holanda soube neutralizar as ações da rival e abriu o placar aos 29’ do primeiro tempo, quando Memphis Depay cobrou escanteio e Babel subiu para carimbar o travessão de Neuer, que ficou batido no lance. No rebote, Van Dijk aproveitou a meta aberta para fazer 1 a 0. 

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Na reta final do segundo tempo, Promes engatilhou um contra-ataque pelo lado direito, avançou com liberdade e só rolou na área para Memphis vencer Neuer, sem muita dificuldade, e anotar o segundo. Nos acréscimos, Wijnaldum ainda teve tempo para receber na intermediária, avançar, costurar a defesa, invadir a área e mandar para o fundo das redes: 3 a 0. Foi a vitória com a maior diferença de gols da Holanda sobre a rival em toda a história do confronto! No returno do grupo, os rivais empataram em 2 a 2 em solo germânico e a Holanda se classificou, seguindo até a final, quando perdeu para Portugal, enquanto a Alemanha foi eliminada já na fase de grupos.

Holanda 2×3 Alemanha / Alemanha 2×4 Holanda – Eliminatórias para a Eurocopa de 2020

Em março de 2019, os rivais começaram uma nova batalha rumo a Eurocopa de 2020. O primeiro embate foi em Amsterdã e o time alemão abriu 2 a 0 com gols de Sané e Gnabry, aos 15’ e 34’. No segundo tempo, De Ligt descontou e Memphis Depay empatou. A partida ficou lá e cá, mas a Alemanha conseguiu a vitória aos 90’, quando Gündogan lançou para Reus, que deixou para trás e Schulz finalizou com a perna direita para garantir a vitória por 3 a 2.

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Meses depois, em setembro, a Holanda visitou a Alemanha em Hamburgo, mesmo palco do triunfo lá da Euro de 1988, e voltou a derrotar a rival em um jogaço. Gnabry, aos 9′, fez 1 a 0 para a dona da casa, mas Frenkie de Jong, aos 59′, empatou. Tah, contra, virou para a Holanda e Toni Kroos, de pênalti, empatou. Malen, aos 79′, deixou a Holanda na frente de novo e Wijnaldum, aos 90′ + 1′, fechou os 4 a 2 da laranja, que derrotou a rival fora de casa pela primeira vez desde os 3 a 1 no amistoso disputado em Gelsenkirchen em 2002. No fim, ambas as seleções se classificaram para a Euro, que acabou disputada somente em 2021, com a Itália como campeã.

Holanda 2×2 Alemanha / Alemanha 1×0 Holanda – Grupo A3 da UEFA Nations League de 2024-2025

Os mais recentes embates aconteceram na fase de grupos da UEFA Nations League de 2024-2025. No turno, em Amsterdã, a Holanda saiu na frente da Alemanha com gol de Reijnders, aos 2′, mas Undav e Kimmich viraram ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Dumfries empatou, aos 50′, e o 2 a 2 deixou ambas ainda com chances de classificação em uma chave relativamente fácil, com Bósnia e Herzegovina e Hungria.

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No returno, na Allianz Arena, a Alemanha venceu por 1 a 0, gol de Leweling, e somou mais três pontos em sua campanha. No fim, a Nationalelf se classificou em primeiro lugar e a Holanda avançou em segundo, porém, ambas caíram na fase eliminatória: a Holanda foi eliminada nas quartas de final para a Espanha e a Alemanha sucumbiu diante de Portugal (que terminou campeão) na semifinal.

Holanda x Alemanha / Alemanha x Holanda – Grupo A2 da UEFA Nations League de 2026-2027

Os próximos capítulos desse clássico já estão marcados na fase de grupos da UEFA Nations League de 2026-2027, com holandeses e alemães medindo forças não só entre si, mas também contra Sérvia e Grécia. O primeiro duelo entre os rivais acontece dia 24 de setembro de 2026, em Amsterdã, com a volta no dia 16 de outubro, em Berlim. A Alemanha, agora comandada pelo técnico Jürgen Klopp, espera iniciar uma nova era de ouro após tantos anos sem brilho e colecionando decepções, enquanto a Holanda também tem a esperança de se renovar e brilhar sob o comando do técnico espanhol Xavi Hernández, multicampeão em seus tempos de jogador pelo Barcelona e pela seleção espanhola. A certeza é uma só: teremos grandes jogos, muita história em campo e gols.

Retrospecto entre Alemanha x Holanda

  • 48 jogos
  • 18 vitórias da Alemanha
  • 12 vitórias da Holanda
  • 18 empates
  • 90 gols da Alemanha
  • 79 gols da Holanda 

Curiosidades

  • o holandês Jan Thomée é o maior artilheiro da história do clássico com 5 gols marcados;
  • Ruud Krol (Holanda) e Lothar Matthäus (Alemanha) são os recordistas em jogos disputados: 8 partidas cada um;
  • a maior série invicta do clássico é da Alemanha: 10 jogos sem derrotas, sendo sete vitórias e três empates entre abril de 1957 e maio de 1986;
  • a maior série invicta da Holanda é de 6 jogos, sendo três vitórias e três empates entre abril de 1910 e maio de 1923;
  • a maior série de vitórias seguidas é da Alemanha: 4 partidas;
  • em duelos eliminatórios, a Alemanha venceu a Holanda em duas ocasiões: Copa do Mundo de 1974 (final) e Copa do Mundo e 1990 (oitavas de final). A Holanda venceu a Alemanha uma vez: na semifinal da Eurocopa de 1988.

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