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10 Maiores Técnicos das Copas

 

Por Guilherme Diniz

 

Neste ano de Copa do Mundo – que também marca nosso aniversário de 10 anos! -, o Imortais faz uma viagem no tempo e relembra grandes momentos do maior torneio do futebol. E, entre os especiais, destaque para os 10 Mais das Copas, com os principais personagens que ajudaram a construir o legado da competição. Neste texto, elencamos os maiores técnicos da história dos Mundiais. Lembrando que o foco nessas listas são os treinadores que brilharam exclusivamente em Copas, por isso, muitas lendas não irão aparecer por aqui ou não estarão em uma posição tão relevante quanto outros que brilharam mais na competição, ok? Boa leitura!

 

OBS.: temos um grande empate na 10ª posição. Por isso, a lista contém, na verdade, 12 treinadores.

 

10º Telê Santana (Brasil)

 

Copas disputadas: 2 (1982 e 1986)

Jogos: 10 (5 em 1982 e 5 em 1986)

Retrospecto: 8V 1E 1D

 

Um dos maiores entusiastas do futebol-arte e comandante de uma das maiores seleções da história das Copas, Telê Santana certamente estaria em uma posição maior se sua equipe de 1982 tivesse vencido o Mundial da Espanha. Mesmo sem a taça, o Mestre ganhou o respeito de todos pelo futebol primoroso apresentado por aquela equipe. Em 1982, ele conseguiu reunir um timaço com craques em praticamente todas as posições. Tudo ia bem até o fatídico jogo contra a Itália, no qual a Azzurra conseguiu aproveitar as falhas do time canarinho e venceu por 3 a 2. Naquele jogo, ficou explícito que o time não era perfeito e que faltou ao Brasil mais força de marcação e também um centroavante mais letal, como Roberto Dinamite e Reinaldo, por exemplo, já que Careca havia se lesionado.

Sócrates, Telê e Zico.

 

Em 1986, Telê não tinha um time tão forte como o de 1982, mas voltou a triunfar nos quatro primeiros jogos – com direito a uma vitória categórica por 4 a 0 sobre a Polônia nas oitavas de final. Nas quartas de final, o time encarou a França e, após empate em 1 a 1, acabou eliminado nos pênaltis. A “falta de sorte” de Telê em duas Copas só foi superada em sua carreira por clubes, quando comandou um São Paulo brilhante campeão de tudo nos anos 1990. Leia mais sobre Telê clicando aqui!

 

10º Enzo Bearzot (Itália)

 

Copas disputadas: 3 (1978, 1982 e 1986)

Jogos: 18 (7 em 1978; 7 em 1982 e 4 em 1986)

Títulos: 1 (em 1982)

Retrospecto: 9V 6E 3D

 

Técnico com mais jogos no comando da Itália na história (104 jogos) e também em Copas do Mundo pela Azzurra (18 jogos), Bearzot virou uma lenda não só pelos números, mas pelo trabalho de reconstrução da seleção no Mundial de 1982. Após uma boa campanha na Copa de 1978, quando alcançou o 4º lugar, o treinador foi mantido no cargo e pegou uma equipe abalada e sem moral após um escândalo de manipulação de resultados que acometeu o futebol italiano no começo dos anos 1980. Bearzot não se abateu, levou à Espanha seus melhores jogadores e, após três empates na primeira fase, fez a Itália ressurgir com vitórias marcantes sobre Argentina e, sobretudo, Brasil, que classificaram a Azzurra para a semifinal. Nela, a Nazionale venceu a Polônia e, na final, bateu a Alemanha por 3 a 1 para ficar com a Copa.

O título consagrou uma geração inteira de futebolistas lendários e o trabalho de Bearzot, que estudava os adversários com afinco, preparava sua equipe de maneira meticulosa e com base em cada rival e não via problemas em mudar os esquemas táticos, alterando para 4-3-3, 4-4-2 e 5-2-3, por exemplo. Em 1986, Bearzot classificou a Itália mais uma vez a uma fase final de Copa, mas acabou eliminado nas oitavas para a França e deu adeus à Nazionale. Sua marca, porém, ficou eterna, pois foi o responsável por acabar com o jejum de mais de 40 anos sem títulos mundiais da Azzurra e resgatar o orgulho ferido do esporte no país.

 

10º Vicente Del Bosque (Espanha)

 

Copas disputadas: 2 (2010 e 2014)

Jogos: 10 (7 em 2010; 3 em 2014)

Títulos: 1 (em 2010)

Retrospecto: 7V 3D

 

Único técnico com Copa do Mundo, Eurocopa, Liga dos Campeões da UEFA e Mundial Interclubes no currículo, Vicente del Bosque é uma lenda do futebol. O treinador começou sua brilhante trajetória no grande Real Madrid de 1999-2003 e ficou marcado por dar mais oportunidades aos jovens das categorias de base no time principal, entre eles Casillas e Raúl. Após vencer os principais títulos possíveis pelo clube merengue e comandar o Besiktas-TUR por um breve período, Del Bosque assumiu a Espanha após a conquista da Eurocopa de 2008 e aprimorou o trabalho de seu antecessor, Luis Aragonés, fazendo a Espanha ter um controle absoluto da bola, ser um adversário quase intransponível na defesa e competitivo ao extremo.

Usando como base os principais atletas de Barcelona e Real Madrid, principalmente o meio de campo catalão, Del Bosque venceu a Copa de 2010 e a Euro de 2012 com esplendor e recordes. Teve pulso ao controlar os nervos exaltados dos atletas oriundos de Barça e Real para não deixar o clima da rivalidade nas alturas da época atrapalhar o rendimento da seleção e foi recompensado com atuações históricas de uma seleção que já está marcada como uma das mais brilhantes de todos os tempos. Del Bosque comandou a Espanha em 114 jogos entre julho de 2008 e junho de 2016, disputando as Copas de 2010 e 2014 e as Euros de 2012 e 2016. Foram 87 vitórias, 10 empates, 17 derrotas, 254 gols marcados e apenas 79 gols sofridos. Um aproveitamento de 76,3%. 

 

9º Luiz Felipe Scolari (Brasil)

 

Copas disputadas: 3 (2002 e 2014 – Brasil / 2006 – Portugal)

Jogos: 21 (7 em 2002; 7 em 2006; 7 em 2014)

Títulos: 1 (em 2002)

Retrospecto: 14V 3E 4D

 

A história de Felipão pode ser resumida em a.2014 e d.2014. Antes de 2014, o brasileiro tinha um currículo invejável em Copas. Em 2001, quando assumiu a seleção brasileira em frangalhos e com sérios riscos de não se classificar para um Mundial pela primeira vez, o experiente técnico conseguiu formar um grupo unido e confiante que, aos poucos, tomou forma e cresceu de produção. Na Copa, o Brasil ressurgiu de maneira histórica, venceu todos os sete jogos que disputou – incluindo duelos complicados contra Turquia, Bélgica e Inglaterra -, e a poderosa Alemanha na final, quando a estrela de Ronaldo brilhou para garantir o pentacampeonato. 

 

Quatro anos depois, Felipão voltou a uma Copa no comando de Portugal e alcançou a incrível marca de 11 vitórias seguidas em Mundiais, quando a seleção das Quinas venceu os três jogos da primeira fase e a Batalha de Nuremberg nas oitavas de final, contra a Holanda. Nas quartas, Portugal eliminou a Inglaterra nos pênaltis e só parou na semifinal, quando a França de Zidane venceu os lusitanos por 1 a 0. Na disputa pelo terceiro lugar, a anfitriã Alemanha derrotou Portugal e ficou com o bronze. Até aquele momento, a carreira do técnico em Copas era fantástica. Mas veio 2014… Ele de novo no comando do Brasil. Quer dizer, de um caricato Brasil… O time foi capengando e chorando até a semifinal. E pegou a Alemanha. O resto é his7ór1a. Na disputa pelo terceiro lugar, novo vareio – derrota por 3 a 0 para a Holanda – e um fim melancólico do 2º técnico com mais vitórias em Copas na história – 14 triunfos. Entretanto, é necessário sempre salientar o trabalho dele entre 2002 e 2006, quando foi um dos principais técnicos do planeta.

 

8º Carlos Bilardo (Argentina)

 

Copas disputadas: 2 (1986 e 1990)

Jogos: 14 (7 em 1986; 7 em 1990)

Títulos: 1 (em 1986) / Vice-campeão em 1990

Retrospecto: 8V 4E 2D

 

Meio-campista de sucesso na década de 1960, época em que venceu três Copas Libertadores consecutivas com o Estudiantes, Carlos Bilardo virou técnico e brilhou na seleção da Argentina, implantando o 3-5-2 que fez tanto sucesso na Dinamarca na Eurocopa de 1984. O esquema surtiu efeito logo na primeira Copa do Mundo em que dirigiu sua equipe, em 1986, sendo perfeito para Maradona brilhar. Aliás, foi Bilardo o principal responsável por apaziguar o clima daquele time e dar carta branca para Dieguito comandar a seleção em uma época em que muitos criticavam o craque por não render o suficiente com a camisa da seleção. Bilardo bancou Maradona como capitão e foi presenteado com o título e atuações fenomenais do gênio argentino.

Carlos Bilardo e Diego Maradona. Foto: David Cannon/Allsport.

 

Mas não foi apenas Maradona quem brilhou naquela seleção. Bilardo dirigiu com maestria jogadores como Batista, Ruggeri, Burruchaga, Enrique e Valdano, que fizeram uma Copa brilhante e foram enormes para a albiceleste. Quatro anos depois, na Copa de 1990, Bilardo conseguiu, mesmo sem apresentar um grande futebol, levar a Argentina a mais uma decisão, eliminando pelo caminho o Brasil, nas oitavas, e a favorita Itália, na semifinal. No último desafio, porém, a Argentina não conseguiu vencer o talento da Alemanha, que ficou com a taça.

 

7º Juan López (Uruguai)

 

Copas disputadas: 2 (1950 e 1954)

Jogos: 9 (4 em 1950; 5 em 1954)

Títulos: 1 (em 1950)

Retrospecto: 6V 1E 2D

 

Foi nomeado treinador do Uruguai apenas 30 dias antes do Mundial de 1950, mesmo dirigindo a pequenina equipe do Central. Fez carreira como auxiliar técnico e trabalhou durante 36 anos pela seleção. Naquela Copa, soube armar uma equipe forte e aguerrida, além de dar liberdade para Obdulio Varela exercer a liderança em campo e até mesmo fora dele. Predestinado, conduziu a Celeste Olímpica a uma das maiores façanhas da história do futebol quando levantou a Copa em pleno Maracanã, na epopeia do Maracanazo. López montou um esquadrão fortíssimo, que explorava bastante as pontas do ataque e criava oportunidades perigosas de gol, além de contar com Schiaffino, Ghiggia, Míguez, Julio Pérez e Rodríguez Andrade, além do já citado Varela.

O esquadrão do Maracanazo de 1950. Em pé: Obdulio Varela, Tejera, Gambetta, Matías González, Máspoli e Andrade. Agachados:Ghiggia, Julio Pérez, Míguez, Schiaffino, Morán.

 

Em 1954, López seguiu no comando da seleção e levou um time ainda mais forte para a Copa da Suíça, na qual o Uruguai venceu de maneira categórica equipes como Tchecoslováquia (2 a 0), Escócia (7 a 0) e Inglaterra (4 a 2). Na semifinal, a Celeste teve o “desprazer” de encarar a fortíssima Hungria e, sem o capitão Varela, lesionado, levou 2 a 0 e viu a vaga praticamente ruir. Só que a Celeste não desiste nunca e a equipe conseguiu o empate de maneira espetacular com o artilheiro Hohberg, que quase faleceu em campo – leia mais clicando aqui!

O Uruguai em campo em 1954. Em pé: Juan López (técnico), Carballo, Rodríguez Andrade, Santamaría, W. Martínez, Máspoli e Cruz. Agachados: Souto, Ambrois, Schiaffino, Hohberg e Borges.

 

Na prorrogação, porém, o Uruguai acabou levando mais dois gols e, exausto, não conseguiu a classificação, sofrendo sua primeira derrota em Copas na história. Na disputa pelo terceiro lugar, a equipe perdeu para a Áustria e terminou na 4ª posição. Desde então, o Uruguai jamais conseguiu levantar outra Copa do Mundo e tem nas memórias do time de 1950-1954 de Juan López a idolatria eterna.

 

6º Gusztáv Sebes (Hungria)

 

Copas disputadas: 1 (1954)

Jogos: 5 (5 em 1954)

Vice-campeão em 1954

Retrospecto: 4V 1D

 

Você pode estar se perguntando por que um técnico sem títulos e com apenas uma Copa no currículo está fazendo nessa posição. Pois saiba que o húngaro merece tal posto pela revolução que proporcionou. Nos anos 1950, o esquema tático WM, com dois zagueiros, três volantes, dois meias e três atacantes era a principal referência no esporte e comum em praticamente todas as equipes. Porém, em 1950, Gusztáv Sebes decidiu inovar. Ele percebeu que o WM provocava espelhos nos confrontos em que duas equipes o utilizavam. Com a facilidade de ter craques fora do comum no time húngaro, ele inverteu o M e criou o WW. 

A Hungria de 1954: uma das maiores seleções da história do futebol mundial.

 

O esquema primou pela movimentação do time, pelo toque de bola, e pelo fator surpresa no ataque, pois um meia-atacante pelo meio (que os zagueiros achavam ser um centroavante) atraía a marcação adversária, deixando os dois atacantes livres para fazer a festa. No caso da Hungria, Hidegkuti era o falso centroavante, e Puskás e Kocsis os atacantes genuínos. O trio foi fundamental para o sucesso que aquela seleção começaria a fazer.

Os capitães Fritz Walter e Ferenc Puskás antes da grande final.

 

Foi assim que Sebes desenhou o 4-2-4, fundamental para o sucesso da Hungria na Copa de 1954 e nos muitos jogos do esquadrão magiar na época. Estrategista, Sebes foi um dos maiores técnicos de sua geração e moderno para sua época, pois primava pela eficiência de seus jogadores, bem como preparo físico, treinamento e habilidade. Se a Hungria não venceu a Copa de 1954 por detalhes, Sebes fez daquela seleção uma das mais cultuadas da história e dona da melhor média de gols em um Mundial em todos os tempos – mais de cinco por partida! Leia mais clicando aqui!

 

5º Sepp Herberger (Alemanha)

 

Copas disputadas: 4 (1938, 1954, 1958 e 1962)

Jogos: 18 (2 em 1938; 6 em 1954; 6 em 1958; 4 em 1962)

Títulos: 1 (em 1954)

Retrospecto: 9V 4E 5D

 

Foi graças à sua inteligência, controle e visão que Herberger conseguiu fazer da Alemanha a campeã da Copa do Mundo de 1954. Foi um dos técnicos com maior poder de estratégia de todos os tempos e mostrou, na prática, que o futebol não obedece lógicas, apostas certeiras ou favas contadas. Ele é imprevisível e fascinante, como foi a vitória alemã pra cima da Hungria naquela Copa. Herberger foi, sem dúvida alguma, um imortal, que conseguiu refazer uma seleção dilacerada após a 2ª Guerra Mundial, formar um time forte e vencer um Mundial surpreendente. Em 1958, conseguiu ir longe e alcançou o 4º lugar, mas não repetiu o sucesso em 1962, caindo nas quartas de final. Seus ensinamentos foram cruciais para Helmut Schön reconduzir a Nationalelf ao topo do mundo tempo depois.

 

4º Helmut Schön (Alemanha)

 

Copas disputadas: 4 (1966, 1970, 1974 e 1978)

Jogos: 25 (6 em 1966; 6 em 1970; 7 em 1974; 6 em 1978)

Títulos: 1 (em 1974) / Vice-campeão em 1966

Retrospecto: 16V 5E 4D

 

Nenhum treinador teve um desempenho tão marcante e notável quanto Helmut Schön no comando da Nationalelf. Após ser assistente técnico da seleção entre 1956 e 1964, ele assumiu a Alemanha entre 1964 e 1978 para acumular as maiores glórias possíveis. O início, claro, não foi nada fácil, afinal, a Alemanha amargou um polêmico vice-campeonato na Copa de 1966 – com o famoso gol-fantasma -, caiu na semifinal da Copa de 1970 diante da Itália e só começou a volta por cima em 1972, com a conquista da Eurocopa. Estrategista nato, Schön lapidou os melhores craques da época e soube aproveitar a melhor safra da história germânica para montar uma seleção forte na marcação, criativa no meio de campo e letal no ataque.

Cruyff cumprimenta o capitão alemão Beckenbauer antes da final de 1974.

 

Assim, levantou a Copa do Mundo de 1974 com a lendária vitória por 2 a 1 sobre a favorita Holanda de Cruyff. Em 1976, quase venceu outra Eurocopa, mas sua Alemanha perdeu nos pênaltis para a Tchecoslováquia e a cavadinha de Panenka. Sua despedida aconteceu na Copa do Mundo de 1978, quando a Alemanha caiu na segunda fase. Schön foi o primeiro técnico a vencer uma Euro e uma Copa por seleção e detém o recorde de mais partidas e de mais vitórias na história dos Mundiais: 25 jogos e 16 vitórias, além de ser um dos recordistas em número de Copas consecutivas disputadas no comando da mesma seleção: quatro torneios (1966, 1970, 1974 e 1978). Schön treinou a Alemanha em 139 jogos, com 87 vitórias, 31 empates, 21 derrotas, 292 gols marcados e 107 sofridos, aproveitamento de 62,5%, um dos maiores da história da Nationalelf.

 

3º Rinus Michels (Holanda)

 

Copas disputadas: 1 (1974)

Jogos: 7 (7 em 1974)

Vice-campeão em 1974

Retrospecto: 5V 1E 1D

 

O lendário mestre do Futebol Total e comandante da Holanda na Copa de 1974 e na conquista da Eurocopa de 1988 é uma unanimidade incontestável no futebol holandês e tido por muitos como o maior técnico de todos os tempos. Tal alcunha não é nenhum exagero, afinal, Michels foi um estudioso do esporte que colocou em prática conceitos excepcionais que serviram como base para alguns dos maiores times da história e referência para dezenas de treinadores de sucesso se espelharem. O que aquela Holanda jogou no Mundial foi algo jamais visto no futebol até então. A troca de posições, a movimentação, os gols, as jogadas, tudo era impressionante e arrebatador, com a síntese maior provavelmente na vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai.

Cruyff (ao centro) em ação: nenhum uruguaio conseguiu pará-lo.

 

Na final, a Holanda acabou sucumbindo diante da anfitriã Alemanha, que era também um timaço, mas até hoje o time laranja é mais lembrado e cultuado do que a campeã. Michels treinou a Holanda em quatro épocas distintas: 1974, 1984-1985, 1986-1988 e 1990-1992. Uma pena o treinador não ter comandado a laranja no Mundial de 1990, pois sua experiência fez falta para a equipe manter o favoritismo e vencer aquela Copa. Leia muito mais sobre ele clicando aqui!

 

2º Mário Zagallo (Brasil)

 

Copas disputadas: 3 (1970, 1974 e 1998)

Jogos: 20 (6 em 1970; 7 em 1974; 7 em 1998)

Títulos: 1 (em 1970) / Vice-campeão em 1998

Retrospecto: 13V 3E 4D

 

Das cinco estrelas no escudo da seleção brasileira, quatro tiveram participação direta de uma pessoa. Um homem que sempre honrou ao máximo a Amarelinha. Primeiro, como jogador, ele foi a engrenagem do meio de campo e ataque que mais trabalhou nas conquistas das Copas de 1958 e 1962. Depois, foi o técnico da maior seleção de todos os tempos, a do tri de 1970. O tempo passou e lá estava aquele senhor de cabelos brancos como coordenador técnico no título de 1994. E poderia ter vindo outra taça em 1998 se não fosse uma série de problemas e erros de todos os lados que culminaram na derrota para a França de Zidane. Após se aposentar da seleção que tanto amou (e ainda ama), ele ainda levantou títulos no clube que defendeu lá na década de 1950, o Flamengo, com direito a uma taça épica do Carioca de 2001 contra o rival Vasco.

 

Ninguém tem mais Copas do que ele. Ninguém teve tanta paixão quanto ele. Ninguém comandou a seleção mais vezes do que ele. E ninguém pode contestar o trabalho de Mário Jorge Lobo Zagallo, um dos maiores técnicos da história do futebol e responsável por grandes avanços táticos ao longo dos anos não só aqui, mas também em outros países. Com uma simbiose impressionante na seleção, seu trabalho no time de 1970 até hoje é cultuado não só pela campanha espetacular com 100% de aproveitamento, mas pelas variações táticas do time, pela intensidade e pelo preparo físico dos jogadores no México, que sobravam diante dos rivais principalmente no segundo tempo. Embora tenha sucumbido em 1974 e 1998, Zagallo alcançou a imortalidade em Copas com 20 jogos e 13 vitórias (justamente seu número predileto), o 3º na lista dos que mais acumularam vitórias em Mundiais. Leia mais sobre Zagallo clicando aqui!

 

1º Vittorio Pozzo (Itália)

 

Copas disputadas: 2 (1934 e 1938)

Jogos: 9 (5 em 1934; 4 em 1938)

Títulos: 2 (1934 e 1938)

Retrospecto: 8V 1E

 

Único técnico bicampeão mundial, campeão olímpico em 1936 e profundo conhecedor do futebol, Vittorio Pozzo foi um dos mais lendários treinadores do esporte e mantém até hoje recordes inigualáveis, o principal deles como único homem a vencer a Copa do Mundo da FIFA como técnico por duas vezes (e de maneira consecutiva!). Criador do Metodo, o esquema tático 2-3-2-3 que tinha como principais características a força no meio de campo e o contra-ataque rápido, os quais, segundo ele, eram perfeitos para o estilo de jogo dos italianos, Pozzo comandou a Itália durante incríveis 19 anos, de 1929 até 1948, além de passagens anteriores nos anos de 1912, 1921 e 1924.

Vittorio Pozzo, seus pupilos, e a taça Jules Rimet: único técnico bicampeão mundial. Foto: AFP / Colorização da foto: Daniel Farjoun.

 

Foram 97 jogos, 65 vitórias, 17 empates e apenas 15 derrotas, aproveitamento superior a 67%, jamais igualado por outro treinador à frente da seleção italiana. Se contarmos apenas o período de ouro dos 19 anos, o aproveitamento sobe a 68,97%, com 60 vitórias, 16 empates, 11 derrotas em 87 jogos, além de 224 gols marcados e 110 sofridos. Nos dois títulos, Pozzo formou um time muito forte e um dos mais lendários da história das Copas, com craques como Rava, Ferrari, Meazza, Schiavio, Piola entre outros, que construíram uma dinastia e fizeram da seleção a mais forte do planeta na época. Leia mais sobre Pozzo clicando aqui.

 

Menções Honrosas

 

Hugo Meisl (Áustria)

O grande comandante do Wunderteam da Áustria nos anos 1930 disputou apenas a Copa de 1934, mas conseguiu marcar seu nome na história do torneio ao conduzir o time austríaco ao 4º lugar. A Áustria estreou na Copa contra a França e venceu por 3 a 2 após empate em 1 a 1 no tempo normal. Sindelar, Schall e Bican fizeram os gols dos austríacos. Na fase seguinte, duelo contra a grande rival Hungria e vitória por 2 a 1, gols de Horvath e Zischek. Classificada, a Áustria tinha pela frente o tão esperado e temido confronto contra a Itália, na semifinal. Debaixo de muita chuva e num campo pesadíssimo e enlameado, os austríacos, mais técnicos e velozes, foram presas fáceis para a força dos jogadores italianos, que venceram por 1 a 0. Na disputa pelo terceiro lugar e com o desfalque da estrela Sindelar, o time perdeu para a Alemanha por 3 a 2. Leia mais sobre Meisl clicando aqui!

 

Vicente Feola (Brasil)

O técnico do primeiro título mundial do Brasil muitas vezes é esquecido por conta do talento dos atletas daquela seleção, mas foi ele quem ousou na parte tática da equipe canarinho ao transformar o 4-2-4 aprendido com Béla Guttmann em 4-3-3 com o recuo do ponta Zagallo para auxiliar na marcação. Com isso, ele formou uma equipe extremamente ofensiva, mas que não se descuidava da defesa. Nos seis jogos, o Brasil venceu cinco, empatou um, marcou 16 gols e sofreu apenas quatro, uma enormidade para a época. Em 1966, Feola comandou o Brasil em mais uma Copa, mas a bagunça e a falta de bons nomes ruiu a chance do tri.

 

Alf Ramsey (Inglaterra)

Um dos grandes técnicos do futebol inglês, Ramsey conseguiu a proeza de conquistar de maneira consecutiva os títulos nacionais da terceira, segunda e primeira divisão com o Ipswich Town no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, feito que o credenciou ao cargo de técnico da Inglaterra em 1963. Mal sabia ele que seria o primeiro e único treinador campeão mundial com a seleção inglesa. Suas táticas – ele criou o tão famoso esquema 4-4-2 – e ótimas lições de motivação foram essenciais para a histórica conquista dos Three Lions. Ramsey seguiu no comando da seleção na Copa de 1970, mas não conseguiu superar a Alemanha na fase eliminatória. O treinador dirigiu a Inglaterra entre 1963 e 1974 e acumulou 69 vitórias, 27 empates e 17 derrotas em 113 jogos, aproveitamento de 61,1%.

 

César Menotti (Argentina)

O comandante da Argentina campeã do mundo em 1978 marcou seu nome na história não só pelo título mundial, mas também pelo conhecimento que sempre teve e demonstrado nos times que treinou. Embora tenha apenas quatro títulos pelos clubes que dirigiu – um campeonato nacional pelo Huracán-ARG, em 1973, uma Copa do Rei, uma Copa da Liga e uma Supercopa, todos em 1983, pelo Barcelona-ESP -, Menotti sempre foi uma figura de respeito no futebol e referência em seu país. Ele comandou a seleção de 1974 até 1983, venceu a Copa de 1978, o Mundial Sub-20 de 1979 e levou a Argentina até a segunda fase do Mundial de 1982. Foram 86 jogos, com 47 vitórias, 20 empates e 19 derrotas, aproveitamento de 66%. 

 

Guy This (Bélgica)

Guy This, técnico da Seleção Belga por mais de dez anos.

 

O treinador belga foi o grande responsável por levar a grande seleção de seu país nos anos 1980 aos mais altos e impensáveis patamares durante mais de uma década. Com notável espírito esportivo e capaz de unir seus grupos em prol de um objetivo, This fez história ao comandar a seleção nas Copas de 1982 e 1986, quando alcançou o 4º lugar, posição só superada pela Bélgica de 2018, que terminou em 3º lugar o Mundial da Rússia.

 

Franz Beckenbauer (Alemanha)

Segundo homem na história a vencer uma Copa do Mundo como jogador e treinador e conduzir a Alemanha também a um vice-campeonato mundial em 1986 marcou para sempre o nome de Beckenbauer em Copas – que já era enorme nos tempos do craque como atleta. Beckenbauer não tinha experiência alguma quando foi nomeado pela DFB o treinador da Nationalelf, em 1984, e nem o mais otimista torcedor poderia imaginar o sucesso que ele teve. Com seu conhecimento absoluto em futebol e táticas vividas com a camisa da própria Alemanha e, principalmente, do Bayern, o Kaiser comandou a seleção germânica no vice-campeonato da Copa de 1986, foi semifinalista da Euro de 1988 e conquistou de maneira categórica a Copa de 1990. Ele foi o responsável por dar ainda mais liberdade a craques como Rummenigge, Völler e Matthäus, além de lançar os jovens Brehme e Klinsmann e montar uma defesa fortíssima no Mundial de 1990 com Kohler, Augenthaler e Buchwald. Em 14 jogos no comando da seleção, Beckenbauer venceu oito, empatou quatro e perdeu apenas dois.

 

Carlos Alberto Parreira (Brasil)

Foto: Gazeta Press.

 

Recordista em participações em Copas – seis torneios por cinco nações diferentes – Parreira marcou seu nome com a conquista da Copa de 1994 pelo Brasil, quando montou uma seleção fortíssima no quesito tático e com uma dupla de ataque afiada e muito entrosada. O técnico formou um dos melhores sistemas de meio de campo de uma seleção brasileira em Mundiais, e, embora tenha sofrido muitas críticas na época, deixou um legado que ganhou o respeito de quem entende de futebol.

O Brasil da Copa. Em pé: Taffarel, Márcio Santos, Mauro Silva, Aldair, Jorginho e Branco. Agachados: Mazinho, Dunga, Romário, Bebeto e Zinho.

 

Ele ainda comandou o Brasil na Copa de 2006, mas não soube entusiasmar um elenco já consagrado nem dar chances a atletas que viviam fases melhores do que os medalhões e foi eliminado nas quartas de final, para a França. Parreira treinou em Copas as seleções do Kuwait (1982), EAU (1990), Arábia Saudita (1998, quando foi demitido após dois jogos, um dos três técnicos na história a ser demitido durante uma Copa), Brasil (1994 e 2006) e África do Sul (2010).

 

Guus Hiddink (Holanda)

Neeskens e Hiddink, parte da equipe técnica da Holanda rumo à Copa de 1998.

 

O técnico comandou três seleções diferentes em três Copas, mas seus mais lembrados trabalhos foram em 1998 e 2002. Primeiro, treinou uma Holanda sublime, que só não foi para a final do Mundial da França por detalhes – e Taffarel. Com Van der Sar, Frank De Boer, Davids, Bergkamp e Kluivert, ele teve o privilégio de treinar a melhor geração de futebolistas holandeses desde o título europeu de 1988. O 4º lugar na Copa foi amargo, mas o futebol da laranja naquele Mundial foi inesquecível. 

Em pé: Van der Sar, Bergkamp, Stam, Cocu, Jonk e Kluivert. Agachados: Numan, Davids, Reiziger, Frank de Boer e Ronald de Boer. Sim, leitor, nem assim eles venceram uma Copa… 🙁

 

Em 2002, Hiddink surpreendeu ao levar a Coreia do Sul a um impressionante 4º lugar, embora os erros de arbitragem tenham pesado demais na campanha dos anfitriões. E, em 2006, ele classificou a Austrália para as oitavas de final e vendeu caro a vaga para a futura campeã Itália, que venceu por 1 a 0 em gol de pênalti no finalzinho do jogo. Hiddink é um dos técnicos com mais jogos na história dos Mundiais – 18 partidas, além de ser um dos poucos a sempre classificar suas seleções para a fase final.

 

Marcello Lippi (Itália)

Colecionador de títulos na Juventus, Lippi coroou sua carreira para sempre ao vencer o tetracampeonato mundial com a Azzurra. Dono de um conhecimento tático sem igual, formou uma equipe aguerrida, raçuda e eficiente, características essenciais para uma disputa de Copa do Mundo. Seu discurso inflamado antes da Copa mexeu com o brio dos jogadores, que jogaram com o coração no bico da chuteira para retomar o orgulho ferido. Deu certo, e sua Azzurra levou o mundial. Em 2010, com um elenco fraco, acabou eliminado na primeira fase.

 

Óscar Tabárez (Uruguai)

Tabárez, o professor que mudou a história da Celeste.

 

“El Maestro” foi, sem dúvida, o principal responsável por remontar o Uruguai e devolvê-lo ao topo do futebol mundial com grandes campanhas entre 2010 e 2018. Inteligente e inspirador, comandou com brilho seus jogadores e criou um grupo coeso e conhecido por todos os torcedores, que souberam depois de muitos anos escalar seu time do goleiro ao último atacante sem pestanejar. O treinador cumpriu seu papel por renascer a Celeste e trazer de volta ao esporte uma das mais vitoriosas e místicas seleções que existem, tudo com muito planejamento e um árduo trabalho que começou lá em março de 2006, quando ele assumiu a Celeste e apresentou um programa chamado “O Proceso”, que consiste em formar jogadores e times que pudessem representar de maneira plena o Uruguai nos mais diversos torneios, do sub-17 até a equipe profissional. E é claro que deu mais do que certo! 

Uma das formações do Uruguai em 2010. Em pé: Forlán, Muslera, Lugano, Victorino, Cavani e Suárez. Agachados: Álvaro Pereira, Maxi Pereira, Diego Pérez, Arévalo Ríos e Fucile. Foto: Ezra Shaw/Getty Images.

 

Com ele, o Uruguai fez uma grande Copa em 2010 e alcançou o 4º lugar, campanha que teve como destaques nomes como Forlán, Cavani, Suárez entre outros. Em 2014, ele levou a Celeste até as oitavas de final e, em 2018, até as quartas de final. O técnico comandou o Uruguai em quatro Copas do Mundo (1990, 2010, 2014 e 2018) e venceu a Copa América de 2011.

 

Joachim Löw (Alemanha)

Após o “estágio” com Klinsmann na Copa de 2006, o treinador mostrou talento próprio e personalidade para comandar uma legião de jovens craques e mostrar a eles que um título mundial era mais do que possível. Após uma ótima Copa em 2010 (3º lugar) e uma decepção na Euro de 2012, o treinador deu a volta por cima, arrumou a casa e criou um time impecável e capaz de jogar sufocando o adversário ou cozinhando uma partida com apenas um gol de vantagem. Teve méritos enormes no tetracampeonato mundial da Alemanha em 2014. Em 2018, decepcionou com a queda na fase de grupos, mas marcou seu nome pelo brilhante trabalho entre 2010 e 2014.

 

Didier Deschamps (França)

Ele pode não ter explorado toda a capacidade do elenco fantástico que tinha em mãos na Copa de 2018. Ele pode ter sido pragmático em alguns jogos. Ele pode ter sido pouco ousado. Mas ele foi campeão. Invicto. Com méritos. E usando e abusando da eficiência e do erro praticamente zero, virtudes que dominam um esporte cada vez mais competitivo e sagaz. A história de Deschamps como treinador não começou por acaso. Ele conduziu com maestria um grande time do Monaco a uma final de Liga dos Campeões da UEFA lá em 2004. Depois, trouxe a Juventus de volta à Série A italiana. Continuou escrevendo sua história pelo Olympique de Marselha, campeão francês de 2009-2010 após 18 anos de jejum, justamente na época em que ele próprio era jogador do OM. Até que, em 2012, assumiu uma seleção francesa em frangalhos e começou a reconstruir a imagem dos Bleus, convocando atletas jovens e inspirando confiança a eles, treinando jogadas ensaiadas à exaustão, transformando zagueiro em lateral e elevando a mística de uma camisa que não brilhava há quase uma década – a equipe caiu só nas quartas de final da Copa de 2014, diante da Alemanha.

A França campeã do mundo. Em pé: Pogba, Umtiti, Lucas Hernandéz, Varane, Giroud e Lloris. Agachados: Griezmann, Matuidi, Pavard, Kanté e Mbappé. Foto: Carl Recine / Reuters.

 

Na Euro de 2016, conduziu a França até a final, mas o vice trouxe à tona contestações sobre seu trabalho, o tal excesso de confiança e a incapacidade de matar o jogo quando podia. Virada a página, Deschamps classificou os Bleus para o Mundial sem repescagem, e, com uma retaguarda impecável, um meio de campo de combate e uma linha de frente rápida e devastadora em contra-ataques, catapultou a França até à final e foi campeão exatamente com as virtudes que sempre deixou aflorar no time: eficiência e erro zero, ensinamentos da derrota de dois anos atrás. Com isso, Deschamps se tornou apenas o terceiro homem campeão do mundo como jogador e treinador. Com arte ou sem arte, isso pouco importa. Ele já está no rol dos imortais do futebol.

 

 

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