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10 Maiores Meias das Copas

 

Por Guilherme Diniz

 

Neste ano de Copa do Mundo – que também marca nosso aniversário de 10 anos! -, o Imortais faz uma viagem no tempo e relembra grandes momentos do maior torneio do futebol. E, entre os especiais, destaque para os 10 Mais das Copas, com os principais craques que ajudaram a construir o legado da competição. Neste texto, elencamos os maiores Meias da história dos Mundiais. Lembrando que o foco nessas listas são os jogadores que brilharam exclusivamente em Copas, por isso, muitas lendas não irão aparecer por aqui ou não estarão em uma posição tão relevante quanto outros que brilharam mais na competição, ok? Boa leitura!

OBS.: temos um empate na 4ª posição e um mega empate na 10ª posição (não conseguimos deixar certos nomes de fora!). Por isso, a lista contém, na verdade, 13 atletas. E, antes que sinta falta de Puskás ou Pelé, eles estarão em nossa lista de Atacantes! 😉

 

10º Zico (Brasil)

Copas disputadas: 3 (1978, 1982 e 1986)

Jogos: 14 (6 jogos em 1978; 5 jogos em 1982; 3 jogos em 1986)

Gols: 5 (1 gol em 1978; 4 gols em 1982)

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1982
  • Chuteira de Bronze da Copa do Mundo de 1982 (4 gols)

 

Um dos maiores meias de todos os tempos, cerebral, decisivo, artilheiro e letal em cobranças de falta, Zico com a bola nos pés fazia coisas inimagináveis. Deus no Flamengo e ídolo de gerações, o meia é um dos muitos exemplos de craques incontestáveis que jamais conseguiram vencer uma Copa do Mundo. O Galinho disputou três Mundiais (1978, 1982 e 1986), mas só conseguiu jogar em sua plenitude um deles, em 1982, quando foi um dos destaques do timaço de Telê Santana que só não foi adiante por causa da Itália de Paolo Rossi e companhia. Naquela Copa, Zico deu passes exuberantes, marcou quatro gols, venceu a Chuteira de Bronze e foi eleito para o All-Star Team do Mundial. 

Em 1978, o meia só jogou uma partida completa, pois estava machucado. E, em 1986, também longe da melhor forma física, acabou indo ao México por insistência do técnico Telê Santana e dos companheiros de seleção. Porém, no duelo contra a França nas quartas de final, Zico perdeu um pênalti que poderia mudar a história do jogo e o Brasil foi eliminado. Mesmo com tais decepções, o camisa 10 é aclamado até hoje como um dos melhores e mais talentosos jogadores que já desfilaram suas virtudes em Copas. Ele é um dos maiores artilheiros do Brasil com 48 gols em 71 jogos. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

10º Michel Platini (França)

Copas disputadas: 3 (1978, 1982 e 1986)

Jogos: 14 (3 jogos em 1978; 5 jogos em 1982; 6 jogos em 1986)

Gols: 5 (1 gol em 1978; 2 gols em 1982; 2 gols em 1986)

Premiações

  • Eleito para os All-Star Teams das Copas do Mundo de 1982 e 1986
  • Eleito para o All-Star Team do Século XX da Copa do Mundo
  • Eleito para o Time dos Sonhos da Copa do Mundo em 2002

 

Quem conheceu aquele garoto franzino e pequenino da cidade de Joeuf, na França, jamais poderia imaginar que ele se transformaria num dos maiores gênios do futebol mundial. Michel Platini fez de tudo com a bola nos pés no final da década de 1970 e em quase toda a de 1980, época em que reinou absoluto no futebol europeu e mundial. Capaz de dar passes com uma qualidade absurda, cobrar faltas com extrema perfeição e marcar gols maravilhosos com um exímio faro de artilheiro digno dos mais plenos atacantes, Platini venceu quase todos os torneios que disputou, seja com a camisa do Nancy ou Saint-Étienne, seja com a da inesquecível Juventus campeã de quase tudo nos anos 1980. Pela seleção, Platini venceu apenas um título, a Eurocopa de 1984 (como maior artilheiro em uma só edição do torneio com 9 gols em apenas cinco jogos!), e jamais pôde levantar a maior de todas as taças: a Copa do Mundo, por culpa da falta de sorte e da Alemanha, algoz nos Mundiais de 1982 e 1986, quando a França alcançou as semifinais em ambos. 

Em 1986, Platini deixou sua marca contra o Brasil.

 

Mesmo sem uma Copa no currículo, Platini conseguiu façanhas históricas, como ser o primeiro jogador a faturar três Ballon d’Or em sequência (1983, 1984 e 1985). Em 72 jogos, Platini marcou 41 gols e é o 3º maior artilheiro da história da seleção francesa. O meia disputou as Copas de 1978, 1982 e 1986. Uma pena que o craque tenha manchado sua trajetória desportiva após pendurar as chuteiras quando um grave caso de corrupção o baniu do esporte em 2015, no período em que ele era presidente da UEFA. Mas o que ele fez em campo isso ninguém jamais irá esquecer. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

10º Thomas Müller (Alemanha)

Copas disputadas: 3 (2010, 2014 e 2018)

Jogos: 16 (6 jogos em 2010; 7 jogos em 2014; 3 jogos em 2018)

Gols: 10 (5 gols em 2010; 5 gols em 2014)

Títulos: 1 (2014)

Premiações

  • Eleito para os All-Star Teams das Copas do Mundo de 2010 e 2014
  • Chuteira de Ouro da Copa do Mundo de 2010 (5 gols)
  • Chuteira de Prata da Copa do Mundo de 2014 (5 gols)
  • Melhor Jogador Jovem da Copa do Mundo de 2010
  • Bola de Prata da Copa do Mundo de 2014

 

O mundo conheceu o talento e a vontade de Thomas Müller na Copa de 2010, quando o alemão se tornou a maior revelação do Mundial e um dos artilheiros com cinco gols – ele acabou vencendo a Chuteira de Ouro, o prêmio de Melhor Jogador Jovem da Copa, foi eleito para o All-Star Team e ainda deu três passes para gols (!). A partir dali, o craque virou um dos maiores símbolos da seleção alemã e capaz de jogar como centroavante, atacante, meia, ponta e até por mostrar um futebol muito solidário e operário ao ajudar na marcação, roubar bolas dos adversários e jogar com muita gana e raça. Além de tudo isso, Müller sempre teve uma inteligência tática acima da média e raríssima, fazendo dele o jogador ofensivo dos sonhos para qualquer treinador. Porém, os privilegiados foram apenas Joachim Löw, da Alemanha, e os técnicos que passaram pelo Bayern…

Müller vibra: jovem foi a maior revelação da Copa da África.

 

Müller (ao centro, com olhar penetrante): gol do artilheiro foi o de número 2000 na história da Seleção Alemã. E o primeiro do 7 a 1…

 

Na Copa de 2014, continuou artilheiro e fez mais cinco gols na campanha do título mundial dos alemães, incluindo o gol que abriu o placar do épico 7 a 1 sobre o Brasil na semifinal e três nos 4 a 0 sobre Portugal, na primeira fase. Mais uma vez o craque entrou para o All-Star Team da Copa, venceu a Chuteira de Prata e a Bola de Prata. Em 2018, esteve no time alemão que disputou a Copa da Rússia e acumulou mais três partidas, mas não brilhou e viu a Nationalelf ser eliminada na fase de grupos. Em 16 jogos, Müller marcou 10 gols em Copas. Um desempenho impressionante que o colocou no rol dos imortais da Alemanha em Copas.

 

10º Iniesta (Espanha)

Copas disputadas: 4 (2006, 2010, 2014 e 2018)

Jogos: 14 (1 jogo em 2006; 6 jogos em 2010; 3 jogos em 2014; 4 jogos em 2018)

Gols: 2 (2 gols em 2010)

Títulos: 1 (2010)

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 2010

 

Foram 32 títulos pelo Barcelona. Quatro Liga dos Campeões da UEFA. Três Mundiais de Clubes da FIFA. Duas Eurocopas e uma Copa do Mundo pela Espanha, esta última com direito a gol do título, na tensa prorrogação contra a Holanda. Dezenas de prêmios individuais. E até o reconhecimento posterior da revista France Football de que ele foi o melhor jogador do planeta em 2010 (na época, ele terminou na 2ª colocação na premiação do Ballon d’Or). Andrés Iniesta é outra lenda incontestável da Espanha que dispensa qualquer comentário sobre sua capacidade e seu talento.

O gol de Iniesta em 2010 deu a Copa do Mundo à Espanha.

 

Assim como o companheiro Xavi, o craque foi simbólico não só para o Barcelona, mas também para a seleção da Espanha que venceu tudo entre 2008 e 2012. Além de ser cerebral e ter uma visão de jogo estupenda, Iniesta se consagrou pelos gols decisivos, pelos passes, pela maneira como escapava dos rivais com toques rápidos na bola e dribles, e o modo como organizava o jogo e podia atuar em várias posições como meia (e até atacante) graças à sua notável versatilidade. Iniesta disputou quatro Copas, três delas como titular absoluto, e acumulou 131 jogos pela Fúria, além de ter anotado 13 gols. Simplesmente imortal.

 

9º Rivaldo (Brasil)

Copas disputadas: 2 (1998 e 2002)

Jogos: 14 (7 jogos em 1998; 7 jogos em 2002)

Gols: 8 (3 gols em 1998; 5 gols em 2002)

Títulos: 1 (2002) / Vice-campeão em 1998

Premiações

  • Eleito para os All-Star Teams das Copas do Mundo de 1998 e 2002
  • Chuteira de Prata da Copa do Mundo de 2002 (5 gols)

 

Poucos jogadores na história das Copas foram tão decisivos e cruciais para suas seleções como o brasileiro Rivaldo. Ele disputou apenas dois Mundiais, mas foi titular absoluto, esteve presente em todos os jogos do Brasil e ajudou a seleção a alcançar a final em ambas as ocasiões. Com chutes poderosos de dentro e fora da área, visão de jogo e faro artilheiro, o craque disputou sua primeira Copa em 1998 com a classe de sempre, marcou um gol na primeira fase, contra Marrocos, e ganhou o dificílimo jogo contra a Dinamarca, nas quartas de final, praticamente sozinho, ao marcar dois gols e ser o nome do jogo. Quem achava que ele só jogava pelo Barcelona, estava enganado. O meia era essencial, também, na seleção. O craque seguiu impecável, mas o Brasil acabou perdendo a decisão para a anfitriã França. Mesmo com o revés, Rivaldo foi eleito um dos melhores da Copa.

Em 1998, Rivaldo jogou muito e foi um dos destaques do Brasil.

 

Em 2002, o craque voltou a dar show já consagrado e eleito Melhor do Mundo pela FIFA em 1999. O meia foi, ao lado de Ronaldo, um dos maiores responsáveis pelo pentacampeonato mundial do Brasil. O meia usou todos os seus artifícios para ajudar a seleção a levantar a Copa perdida de maneira tão dolorosa em 1998. Com cinco gols e passes impecáveis para Ronaldo, principalmente na final, contra a Alemanha, Rivaldo foi genial e decisivo, sendo até cômico na estreia do Brasil, contra a Turquia, quando simulou que tinha levado uma bolada no rosto, que na verdade pegou na sua perna, num dos lances mais engraçados dos Mundiais. O gesto provocou a expulsão do turco. E uma multa bem “salgada à shoyu” para o brasileiro tempo depois…

O título mundial com a camisa amarela foi o último de Rivaldo pela seleção. Embora tenha sido uma das estrelas, ele não teve o devido reconhecimento por grande parte da mídia por sempre ser avesso aos holofotes. Porém, a torcida e os amantes do futebol sempre souberam da importância e valor que ele teve para o Brasil e para a história das Copas. Uma simbiose profunda e eterna. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

8º Fritz Walter (Alemanha)

Copas disputadas: 2 (1954 e 1958)

Jogos: 11 (6 jogos em 1954; 5 jogos em 1958)

Gols: 3 (3 gols em 1954)

Títulos: 1 (1954)

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1954
  • Bola de Bronze da Copa do Mundo de 1954

 

Capitão do Milagre de Berna, como ficou conhecida a vitória da Alemanha sobre a Hungria na final da Copa de 1954, patrimônio do Kaiserslautern, clube pelo qual jogou toda a carreira e empresta seu nome ao estádio dos Diabos Vermelhos, e sobrevivente da 2ª Guerra Mundial, quando foi convocado para a brigada de paraquedistas e chegou a jogar futebol com guardas húngaros e eslovacos em um campo de prisioneiros de guerra. Fritz Walter conseguiu vencer todos os obstáculos da vida com perseverança, liderança e, claro, futebol. Foi o esporte que o salvou quando um guarda húngaro, no já citado campo de prisioneiros de guerra, reconheceu Walter por tê-lo visto jogar pela Alemanha em um duelo contra a Hungria, em 1942, vencido pelos alemães por 5 a 3. Dias depois, o nome de Walter foi retirado da lista de prisioneiros que seriam enviados para a Sibéria, e Walter pôde retornar ao seu país no final de 1945.

Walter cumprimenta o capitão húngaro, Ferenc Puskás, antes da decisão.

 

Mesmo com o abalo psicológico da guerra, Walter colecionou troféus pelo Kaiserslautern e foi campeão do mundo em 1954 com a Alemanha como líder e capitão do grande time treinado por Sepp Herberger. A emoção de Walter na entrega da taça Jules Rimet e a festa após o título foram cenas marcantes para o povo alemão, que viu naquele título a volta por cima após anos tão obscuros. “Somos alguém novamente”, disseram muitos na época. O primeiro título de Copa da Nationalelf abriu caminho para que a seleção alemã se transformasse em uma das mais temidas e vitoriosas de todo o planeta, deixando seu lado coadjuvante de lado para sempre. Com 34 anos, Fritz Walter foi um dos mais veteranos capitães a levantar uma Copa em toda a história. E, também, um dos que mais mereceram a honra por tudo o que sofreu e passou em sua vida. 

Fritz Walter seguiu jogando em alto nível pelo Kaiserslautern e também pela seleção alemã, pela qual disputou a Copa de 1958 já com 38 anos. A Nationalelf se classificou em primeiro no Grupo 1 após vencer a Argentina (3 a 1) e empatar com a Tchecoslováquia (2 a 2) e Irlanda do Norte (2 a 2). Na etapa seguinte, triunfo por 1 a 0 sobre a Iugoslávia e, na semifinal, derrota por 3 a 1 para a anfitriã Suécia, no último jogo da carreira de Fritz Walter pela seleção. O craque atuava sempre mais avançado, construindo jogadas e marcando gols. Foram 61 jogos e 33 gols pela Nationalelf entre 1940 e 1958. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

7º Rivellino (Brasil)

Copas disputadas: 3 (1970, 1974 e 1978)

Jogos: 15 (5 jogos em 1970; 7 jogos em 1974; 3 jogos em 1978)

Gols: 6 (3 gols em 1970; 3 gols em 1974)

Títulos: 1 (1970)

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1970

 

Ele foi a inspiração de ninguém mais ninguém menos que Diego Armando Maradona. Ele meteu uma bola entre as pernas do mito Beckenbauer, pouco antes da Copa do Mundo de 1970. Ele foi ídolo incontestável de duas torcidas, Corinthians e Fluminense. E ele imortalizou para sempre um dos dribles mais difíceis e icônicos do futebol, o elástico. Roberto Rivellino cravou seu espaço na melhor seleção brasileira de todos os tempos e deu aulas de futebol nos mais diversos campos do planeta, sempre com dribles curtos irresistíveis e dando chutes poderosos com sua incrível perna esquerda, que fez a torcida mexicana o apelidar de “patada atômica”. 

 

Rivellino foi um dos maiores craques do futebol brasileiro nas décadas de 1960 e 1970, e também um dos maiores do futebol mundial em grande parte dos anos 1970, rivalizando com Beckenbauer e Cruyff o posto de melhor do mundo após a aposentadoria de Pelé. Em seu primeiro Mundial, em 1970, foi um dos craques do timaço brasileiro campeão do mundo ao marcar três gols – um de falta, contra a Tchecoslováquia, um no triunfo sobre o Peru, nas quartas, e outro na virada sobre o Uruguai, na semifinal -, e fazer jogadas estupendas durante a trajetória brasileira. 

Quatro anos depois, na Alemanha, foi uma das raras estrelas a escapar das críticas na campanha do Brasil, que terminou na 4ª colocação. Ainda sim, Rivellino marcou mais três gols. Em 1978, ainda mais consagrado por ter pilotado a Máquina Tricolor, não conseguiu render o esperado por causa de uma contusão. Mas o seu legado em Copas já estava garantido. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

6º Zagallo (Brasil)

Copas disputadas: 2 (1958 e 1962)

Jogos: 12 (6 jogos em 1958; 6 jogos em 1962)

Gols: 2 (1 gol em 1958; 1 gol em 1962)

Títulos: 2 (1958 e 1962)

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1962

 

Maracanã, 16 de julho de 1950. Cerca de 200 mil pessoas lotavam o gigante de concreto para o jogo decisivo da Copa do Mundo. Brasil e Uruguai em campo. Também em campo, mas na patrulha da Polícia do Exército, um alagoano vestia verde oliva, capacete, botina entre outros acessórios. Ali, em um dos grandes momentos da história do futebol, ele foi testemunha ocular do Maracanazo (leia mais clicando aqui). Na época, ele já se arriscava no futebol. E queria fazer do esporte o seu ganha-pão. Mas será que aquela fatídica derrota não iria abalar a vontade do recruta? De jeito nenhum. 

Zagallo em ação na Copa. Foto: Arquivo / Ag. O Globo.

 

Oito anos depois, aquele mesmo alagoano estava na Suécia, no estádio Råsunda, disputando a final da Copa do Mundo de 1958. Ele era o camisa 7. O “Formiguinha” do time. O homem que cobria os espaços de Nilton Santos quando o lateral se mandava para o ataque. O homem que passava, driblava, desarmava. O ponta moderno, revolucionário, à frente de seu tempo. E que ainda marcava gols, como o que ele fez naquela goleada de 5 a 2 sobre os suecos que garantiu a ele seu primeiro título mundial. A tristeza de 1950 estava sepultada. Quatro anos depois, lá estava o Formiguinha em outra Copa, dessa vez no Chile. Foi dele o primeiríssimo gol do Brasil, na estreia, contra o México. E lá estava ele em outra final. Titularíssimo, mais uma vez pintou e bordou na conquista do bicampeonato. Ele gostou tanto, mas tanto de Copas, que pendurou as chuteiras três anos depois e virou técnico. 

Zagallo não segurou o choro após a final de 1962. Foto: Arquivo / O Globo.

 

Em 1970, lá estava o alagoano em outro Mundial, comandando a melhor seleção brasileira da história. Um a um, os adversários foram derrotados. E, na decisão, a goleada de 4 a 1 sobre a Itália deu a posse definitiva da Jules Rimet ao Brasil. E, indiretamente, ao próprio técnico daquela seleção, bicampeão como jogador, primeiro a ser campeão como jogador e técnico, legítimo tricampeão. Mário Jorge Lobo Zagallo foi tudo isso. Fez tudo isso. E muito mais. Foi um dos mais emblemáticos jogadores da história do futebol, ícone dos anos 1950 e 1960, ídolo do Flamengo, ídolo do Botafogo, ídolo brasileiro. 

Zagallo orienta Jairzinho e Clodoaldo: como técnico, Velho Lobo venceu a Copa de 1970 e foi vice em 1998.

 

Zagallo quebrou paradigmas ao se tornar um ponta-esquerda que atacava e defendia com a mesma precisão, cobrindo espaços, ajudando os companheiros no ataque com enorme inteligência tática, transformando o 4-2-4 do Brasil em 4-3-3. Multicampeão por onde passou, Zagallo é um verdadeiro patrimônio não só do Brasil, mas da própria Copa do Mundo. Afinal, ele é o único a vencer o torneio duas vezes como jogador, uma vez como técnico e uma como coordenador técnico, além de ter sido vice em 1998 como técnico. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

4º Bobby Charlton (Inglaterra)

Copas disputadas: 4 (1958, 1962, 1966 e 1970)

Jogos: 14 (4 jogos em 1962; 6 jogos em 1966; 4 jogos em 1970)

Gols: 4 (1 gol em 1962; 3 gols em 1966)

Títulos: 1 (1966)

Premiações

  • Bola de Ouro da Copa do Mundo de 1966
  • Eleito para os All-Star Teams das Copas do Mundo de 1966 e 1970
  • Eleito para o All-Star Team do Século XX da Copa do Mundo

 

Ele teve todas as características de um jogador exuberante: velocidade, técnica apurada, inteligência fora do comum, pioneirismo tático, força nos chutes, faro de gol e espírito vencedor, além de cavalheirismo e exemplo de fair play. Mas o inglês, que ostentou durante muito tempo o recorde de gols com a camisa do English Team (49 gols em 106 jogos), foi um autêntico imortal ao driblar a morte, quando resistiu ao trágico desastre aéreo de Munique, que matou oito jogadores do Manchester United (time de Charlton) em 06 de fevereiro de 1958, além de vários outros tripulantes. O futuro astro do futebol mundial teve ferimentos graves, mas conseguiu sobreviver e continuar sua carreira mesmo com as cicatrizes físicas e, principalmente, mentais. 

Charlton e Beckenbauer: estrelas se anularam na final da Copa de 1966.

 

Para o bem do futebol, Charlton se transformou num craque fora de série e viveu seu auge nos anos 1960, quando conduziu o Manchester United a títulos inesquecíveis – como a Liga dos Campeões da UEFA de 1967-1968 – e a Inglaterra ao triunfo em sua primeira (e única) Copa do Mundo. Naquela Copa, Charlton marcou três gols, sendo dois deles na tensa semifinal contra Portugal, e ainda mostrou sua eficiência na marcação quando conseguiu anular uma das estrelas da Alemanha na final, Beckenbauer, que na época jogava no meio de campo e era uma das armas ofensivas do time germânico. Acontece que Beckenbauer também marcou muito bem Charlton e os dois se anularam naquela decisão! No fim, a Inglaterra venceu por 4 a 2 e levantou a Jules Rimet. 

Emocionado, Charlton carrega a Taça Jules Rimet.

 

Irresistível com a bola nos pés, símbolo de uma geração de ouro do futebol inglês e considerado por muitos como o maior jogador da história de seu país, Sir Bobby Charlton marcou época com qualidades únicas e paixão pelo esporte que ele tanto ajudou a engrandecer. Ele disputou não só a Copa de 1966, mas também as de 1958 (foi convocado, mas não jogou), 1962 e 1970. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

4º Giuseppe Meazza (Itália)

Copas disputadas: 2 (1934 e 1938)

Jogos: 9 (5 jogos em 1934; 4 jogos em 1938)

Gols: 3 (2 gols em 1934; 1 gol em 1938)

Títulos: 2 (1934 e 1938)

Premiações

  • Bola de Ouro da Copa do Mundo de 1934
  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1938

 

Simplesmente uma lenda do Calcio, bicampeão mundial com a lendária Azzurra de 1934-1938, ícone da Internazionale e craque que dá nome ao estádio San Siro, Giuseppe Meazza é presença obrigatória em qualquer lista de grandes craques das Copas. Com uma técnica rara, perito em dribles curtos em direção ao ataque e precisão cirúrgica nas finalizações ao gol, Meazza possui uma importância imensurável ao esporte italiano e contribuiu demais para o desenvolvimento do futebol no país. É considerado por muitos como o melhor futebolista do país em todos os tempos. 

Mesmo adepto da noite e festas, sempre rendia em campo e podia atuar como atacante, meia ou centroavante. Ao lado de Giovanni Ferrari e Eraldo Monzeglio, é um dos três jogadores italianos a ter no currículo duas Copas do Mundo, exatamente as duas que disputou. Meazza ostenta também o 2º lugar na lista dos maiores artilheiros da Azzurra: foram 33 gols em 53 jogos, três deles em Mundiais: dois na Copa de 1934 e um na Copa de 1938, quando ajudou a Itália a eliminar o Brasil de Leônidas da Silva e Domingos da Guia na semifinal. Leia mais sobre Il Peppino clicando aqui!

 

3º Johan Cruyff (Holanda)

Copas disputadas: 1 (1974)

Jogos: 7 (7 jogos em 1974)

Gols: 3 (3 gols em 1974)

Vice-campeão em 1974

Premiações

  • Bola de Ouro da Copa do Mundo de 1974
  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1974
  • Eleito para o All-Star Team do Século XX da Copa do Mundo
  • Eleito para o Time dos Sonhos da Copa do Mundo (2002)

 

O maior gênio do futebol holandês em todos os tempos e um dos maiores jogadores de toda história é presença obrigatória em qualquer Top 10 das Copas. Ele poderia estar em um Top 10 de Atacantes, Volantes, Laterais, enfim, o que você quiser, afinal, ele foi o maior Jogador Total do futebol e capaz de atuar em qualquer posição. Podemos dividir o futebol holandês em a.C. e d.C. (antes de Cruyff, depois de Cruyff) tamanha sua importância para o reconhecimento do país no cenário esportivo e também nos clubes pelos quais jogou. No Ajax, Cruyff foi uma lenda, tricampeão da Liga dos Campeões da UEFA, multicampeão nacional, estandarte do Futebol Total e jogador que dá nome ao estádio do clube, a Johan Cruyff Arena. 

 

Na seleção, Cruyff disputou apenas uma Copa, a de 1974, o suficiente para colocá-lo entre os maiores do torneio com atuações mágicas, três gols em sete jogos e lances maravilhosos. No Barcelona, criou a ideologia do futebol bem jogado, da excelência nos passes, da dominância diante do adversário e arrancou aplausos até mesmo do rival Real Madrid. Além de tudo isso, colecionou títulos individuais (entre eles três Ballon d’Or) e foi ainda um técnico incrível, que levou o Barcelona a títulos históricos e inéditos nos anos 1990. Cruyff disputou 48 jogos e marcou 33 gols pela Holanda, é o 9º maior artilheiro da história da seleção e um personagem que merece sempre toda e máxima honraria e respeito. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

2º Zinédine Zidane (França)

Copas disputadas: 3 (1998, 2002 e 2006)

Jogos: 12 (5 jogos em 1998; 1 jogo em 2002; 6 jogos em 2006)

Gols: 5 (2 gols em 1998; 3 gols em 2006)

Títulos: 1 (1998) / Vice-campeão em 2006

Premiações

  • Bola de Ouro da Copa do Mundo de 2006
  • Eleito para os All-Star Teams das Copas do Mundo de 1998 e 2006
  • Eleito para o Time dos Sonhos da Copa do Mundo (2002)

 

Para muitos, é o maior jogador da história do futebol francês em todos os tempos. E atributos nunca lhe faltaram: elegância, técnica, pleno controle de bola, passes perfeitos, precisão cirúrgica na bola parada e nos dribles secos. Absoluto. Virtuoso. Único. Foi decisivo sempre que a França precisou dele (exceto uma vez…), magnífico quando seus clubes também precisavam dele e primoroso quando o público queria ver um bom futebol. Venceu 3 vezes o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA e também os mais desejados títulos possíveis pela França (Copa do Mundo e Eurocopa), pela Juventus (campeonatos nacionais, Mundial de Clubes…) e pelo Real Madrid (Liga dos Campeões da UEFA, campeonatos nacionais, Mundial de Clubes…). 

Zidane em ação: maestro foi o dono da final de 1998. Foto: Getty Images.

 

Zidane foi sinônimo de seleção francesa, de carrasco do Brasil e um craque que desequilibrou nos mais diversos momentos por seu país: marcou os dois gols da final da Copa de 1998 contra o Brasil, e, como capitão da França na Copa de 2006, fez o seguinte: acabou com a Espanha nas oitavas de final (marcou um golaço nos 3 a 1); destroçou o Brasil nas quartas de final (deu o passe para o gol da vitória por 1 a 0, deu chapéu em Ronaldo, dribles, etc…), fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre Portugal de Felipão nas semifinais e se tornou um dos raros jogadores a marcar gols em duas finais de Copas na história, ao fazer um golaço de pênalti (sim, ele conseguia fazer isso…) pra cima de Buffon (só isso…) no empate em 1 a 1 contra a Itália. 

A carreira de Zidane estava perfeita até aquela decisão, mas… Aconteceu a cabeçada em Materazzi e ele foi expulso. Nos pênaltis, deu Azzurra. Mesmo assim, Zidane é até hoje uma das maiores lendas que o futebol já viu. Em 108 jogos pela seleção, Zizou marcou 31 gols. É de se imaginar o patamar que a carreira do craque iria atingir se ele tivesse vencido aquela Copa de 2006. Provavelmente estaria na primeira posição… Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

1º Diego Maradona (Argentina)

Copas disputadas: 4 (1982, 1986, 1990 e 1994)

Jogos: 21 (5 jogos em 1982; 7 jogos em 1986; 7 jogos em 1990; 2 jogos em 1994)

Gols: 8 (2 gols em 1982; 5 gols em 1986; 1 gol em 1994)

Títulos: 1 (1986) / Vice-campeão em 1990

Premiações

  • Bola de Ouro da Copa do Mundo de 1986
  • Bola de Bronze da Copa do Mundo de 1990
  • Chuteira de Prata da Copa do Mundo de 1986 (5 gols)
  • Jogador com mais assistências da Copa do Mundo de 1986 (5 assistências)
  • Eleito para os All-Star Teams das Copas do Mundo de 1986 e 1990
  • Eleito para o All-Star Team do Século XX da Copa do Mundo
  • Eleito para o Time dos Sonhos da Copa do Mundo (2002)

 

Com uma história digna de filme, cheia de drama, ação, aventura, suspense e até ficção, a carreira de Maradona e sua vida sempre estiveram ligados à seleção e às Copas do Mundo. De seu primeiro Mundial, em 1982, até o último, em 1994, Maradona foi o símbolo máximo da equipe alviceleste. Em 1986, teve um dos desempenhos individuais mais impressionantes da história das Copas – talvez o maior. O que ele jogou no México foi algo imensurável, só vendo para crer. Deu cinco passes para gols (incluindo o gol do título, na final contra a Alemanha), marcou o gol mais polêmico das Copas e também o mais bonito no mesmo jogo, classificou com dois gols seus a Argentina para a final e encontrou os espaços que precisava para derrotar a Alemanha na decisão. O México se rendeu à genialidade de Maradona naquele ano mágico e que consagrou de vez Dieguito como um dos maiores craques de todos os tempos, dono de uma habilidade fora do comum, extrema velocidade, muita inteligência dentro das quatro linhas e uma perna esquerda simplesmente fenomenal.

 

Em 1990, conseguiu dividir uma cidade – Nápoles – quando sua Argentina encarou a anfitriã Itália nas semifinais da Copa. Melhor para ele, que saiu vencedor nos pênaltis. E, nas oitavas, conseguiu destroçar o Brasil com um passe sensacional para o lendário gol de Caniggia que tirou o escrete canarinho do Mundial. Na decisão, porém, Maradona levou o troco da Alemanha e a Argentina ficou com o vice. Em 1994, marcou mais um gol em uma Copa, mas acabou deixando o Mundial após a comprovação de doping após o uso de efedrina, uma droga usada para emagrecer e com efeito estimulante. Com uma vida errática fora de campo, Maradona foi Dios dentro dele. E isso ninguém pode negar. Foram 91 jogos, 34 gols e quatro Copas do Mundo disputadas. Uma lenda. O nosso número 1 incontestável neste Top 10 de Maiores Meias das Copas. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Menções Honrosas

 

Giovanni Ferrari (Itália)

Habilidoso, forte fisicamente e muito versátil, Ferrari foi um dos principais nomes do bicampeonato mundial da Itália em 1934 e 1938. Com sua visão de jogo privilegiada, passes precisos e presença de ataque, Ferrari disputou 9 jogos em Copas e marcou três gols, todos na campanha do título de 1934. Além das Copas, Ferrari marcou época na Juventus e no Bologna, pelos quais venceu oito Scudettos, se tornando um dos mais vencedores jogadores de todos os tempos e um símbolo de uma era de ouro do futebol italiano.

 

Juan Alberto Schiaffino (Uruguai)

Foram duas décadas de brilho, gols, cadência e passes exuberantes. Duas décadas como o mais técnico jogador que o Uruguai já havia revelado. Duas décadas de títulos, grandes feitos e duas Copas do Mundo no currículo. E, como se não bastasse, uma participação mais do que decisiva no bicampeonato mundial da Celeste Olímpica, em 1950. Se houve um jogador que encheu os olhos de todos nos anos 1940 e 1950, foi ídolo de dois dos maiores clubes do planeta (Peñarol e Milan) e conseguiu virar um verdadeiro “Deus do futebol” para uruguaios e italianos, esse alguém foi Juan Alberto Schiaffino. 

Schiaffino empata o jogo contra o Brasil: era o início do Maracanazo.

 

O alto e esguio meia / atacante foi um dos maiores de todos os tempos ao aliar toques rápidos e total domínio de bola a uma visão de jogo e cadência dignas de um camisa 10. Lenda e patrimônio do futebol uruguaio, Schiaffino venceu várias eleições de melhor jogador de seu país na história. Foram 21 jogos e oito gols pelo Uruguai. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Zizinho (Brasil)

Ele foi (e é) o ídolo de Pelé. E todos, sem exceção, admiravam sua valentia, seu talento e sua genialidade em atacar, armar jogadas, cabecear, chutar e ver o jogo como ninguém poderia ver. Na Gávea ou no Maracanã, dava aula e se exibia para todos com seu jeito arisco de ser. Zizinho foi um craque que ditava as ações do meio de campo e não tirava a perna nas divididas. Com a camisa do Brasil, venceu apenas um Campeonato Sul-Americano, em 1949, e teve o vice da Copa de 1950 como o grande drama de sua carreira. Mesmo assim, Zizinho conseguiu escrever seu nome na história como um craque completo, ídolo e imortal, além de ter feito jogos sensacionais naquele Mundial após se recuperar de uma lesão e marcar dois gols. 

Zizinho foi o maestro do Brasil no último jogo da primeira fase.

 

No duelo contra a Iugoslávia, por exemplo, Zizinho foi sublime e acertou todos os passes que deu, em uma das maiores atuações de um jogador brasileiro na história das Copas. Depois daquele jogo, Zizinho recebeu elogios rasgados do jornalista italiano Giordano Fattori, da Gazzetta dello Sport, que disse: “O futebol de Zizinho faz recordar Da Vinci pintando alguma obra rara”. Foi o bastante para o craque ganhar o apelido que tanto o consagrou: Mestre Ziza. Zizinho venceu a Bola de Ouro da Copa de 1950. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Nándor Hidegkuti (Hungria)

Sabe a expressão “falso 9”? O “culpado” dela é Hidegkuti, um dos maiores craques da história do futebol húngaro e centroavante que recuava para armar jogadas e distribuir a bola para os companheiros. O jogador revolucionou o futebol naqueles anos 1950 exercendo essa função tática de muita movimentação no esquema do técnico Gusztáv Sebes na lendária seleção da Hungria na Copa de 1954. Além de dar passes, Hidegkuti, claro, marcava gols e anotou quatro nos quatro jogos que disputou naquele Mundial, além de ter sido eleito para o All-Star Team. Em 1958, o craque disputou dois jogos, mas não deixou sua marca.

 

Raymond Kopa (França)

O francês foi um dos mais temidos e destemidos meias de seu tempo e um dos mais brilhantes e completos jogadores de ataque de toda a história do futebol francês e mundial. Habilidoso, velocíssimo, técnico, sagaz, dono de uma visão de jogo e raciocínio fantásticos e encantador de plateias pleno, Kopa ajudou a transformar o Stade de Reims no maior clube da França e em um dos mais fortes times de todo o Velho Continente. Além disso, conseguiu ser titular no seleto Real Madrid de Di Stéfano e ainda levou a França a um histórico terceiro lugar na Copa do Mundo de 1958, torneio onde ele foi o principal responsável por fazer de Just Fontaine o artilheiro máximo do Mundial com incríveis 13 gols, graças aos seus passes precisos. Além disso, Kopa marcou 3 gols e foi eleito para o All-Star Team do Mundial de 1958. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Teófilo Cubillas (Peru)

Com apenas 16 anos, já entortava rivais pelo Alianza Lima. E, ano a ano, consolidou-se como o maior jogador peruano de todos os tempos. Rápido, inteligente, habilidoso, letal em bolas paradas, em chutes de curta, média e longa distância, driblador, artístico, único. Artilheiro peruano em duas Copas (5 gols em 1970 e 5 gols em 1978), ícone de gerações e ídolo. Teófilo Cubillas foi tudo isso e muito mais. Marcou 26 gols em 81 jogos pela seleção e foi, por décadas, o maior artilheiro da história da blanquirroja até ser superado por Paolo Guerrero. Foi fundamental para a campanha do Peru na Copa de 1970 e ainda mais no título da Copa América de 1975 e na participação peruana no Mundial de 1978. Leia mais sobre esse craque imortal clicando aqui.

 

Rob Rensenbrink (Holanda)

Capaz de atuar como meia e também atacante, o holandês foi um dos mais talentosos jogadores da história de seu país e estrela da seleção laranja vice-campeã nas Copas de 1974 e 1978. Rensenbrink gostava de jogar mais pelo lado esquerdo do campo e não era muito amigável ao esquema do Carrossel do técnico Rinus Michels, mas mesmo assim contribuiu demais para o sucesso da lendária Holanda naquela Copa. No entanto, seu melhor Mundial foi em 1978, quando marcou quatro gols e por pouco não fez o gol do título na final contra a Argentina, nos minutos finais, pois seu chute carimbou a trave do goleiro Fillol. Foram 13 jogos e cinco gols em duas Copas disputadas.

 

Dirceu (Brasil)

Com intensa movimentação, passes precisos, fôlego privilegiado e um futebol virtuoso, Dirceu foi um dos destaques do “campeão moral” Brasil na Copa do Mundo de 1978. Eleito para o All-Star Team daquele Mundial, Dirceu foi o líder técnico daquela seleção que terminou na 3ª colocação sem derrotas – quatro vitórias e três empates. Dirceu conseguia cobrir os espaços, dar passes, reorganizar o jogo e levar perigo com seus chutes de perna esquerda. Ele disputou os sete jogos do Brasil e marcou três gols. Em 1974, o meia disputou sua primeira Copa e começou a jogar apenas na segunda fase, o suficiente para dar mais organização ao confuso time canarinho. Em 1982, por conta da concorrência no meio de campo, só jogou uma partida. Dirceu brilhou no Coritiba, no Botafogo, no Fluminense e no Vasco.

 

Bruno Conti (Itália)

Eleito para o All-Star Team da Copa de 1982, Conti foi um dos mais habilidosos jogadores da história do futebol italiano e essencial na conquista do título mundial da Azzurra naquele ano, atuando em todos os sete jogos da equipe e marcando um gol. Ídolo da Roma nos anos 1980, Conti podia jogar como ponta e também mais recuado, pelo meio, organizando as jogadas de ataque.

 

Zbigniew Boniek (Polônia)

Cerebral e decisivo, ele chamava a responsabilidade. Em qualquer jogo, sob qualquer circunstância. Desde jovem, tinha a perspicácia e imponência do mais veterano jogador. Se sobressaia perante os rivais com técnica, dribles e força. Chutava com as duas pernas. Cabeceava muito bem. Tinha elegância, polivalência e velocidade. Era o rei dos contra-ataques, o jogador ideal para engatilhar esse estilo de jogo. Disputou três Copas do Mundo e foi eleito para o All-Star Team do Mundial de 1982. Boniek foi uma lenda da Polônia e símbolo de tempos inesquecíveis do país. 

Boniek comemora um de seus três gols contra a Bélgica. Foto: FIFA.

 

Após disputar os seis jogos da equipe no Mundial de 1978 e marcar dois gols, Boniek chegou à Copa de 1982 já como um dos melhores jogadores do futebol europeu. E, na Espanha, confirmou a boa fase anotando quatro gols – três deles no 3 a 0 sobre a forte Bélgica da época – e conduzindo com maestria a Polônia até a semifinal. Porém, nela, o craque não jogou por ter levado o segundo cartão amarelo na fase anterior e fez uma falta danada diante da Itália, que venceu e foi à final. Na disputa pelo terceiro lugar, Boniek retornou e ajudou a Polônia a ficar com o bronze. Na Copa de 1986, o meia sofreu com os joelhos e acabou não rendendo como antes. Mesmo assim, foi um dos maiores craques da história dos Mundiais. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Michael Laudrup (Dinamarca)

Um dos meias mais cerebrais da história do esporte e também perito em dar assistências para gols, Laudrup foi o maestro da seleção dinamarquesa na Copa do Mundo de 1986, quando o time ficou conhecido como Dinamáquina após uma grande primeira fase e depois de enfiar 6 a 1 na tradicional seleção uruguaia. Foram quatro jogos e um gol em 1986, e, anos depois, mais cinco jogos e um gol na Copa do Mundo de 1998, quando jogou ao lado do irmão, Brian Laudrup, e ajudou a Dinamarca a alcançar as quartas de final, quando perdeu para o Brasil em um jogaço. Leia mais sobre Michael Laudrup clicando aqui!

 

Paul Gascoigne (Inglaterra)

O popular “Gazza” foi um dos maiores jogadores do futebol mundial, estrela da seleção inglesa no começo dos anos 1990 e um ícone do esporte e dos tabloides naqueles anos. Energético, carismático, fanfarrão e, lá no fundo, sensível, Gazza fez história por aliar um talento magnífico com a bola nos pés e uma personalidade autodestrutiva ao mesmo tempo, conjunto que lhe custou uma carreira apenas breve no futebol. Em seus poucos anos em campo, Gazza marcou gols históricos, fez jogadas de gênio e provou ser um dos maiores mestres em driblar os adversários em velocidade, sempre com cortes curtos e precisos, em direção ao gol. 

O choro na Copa de 1990: cena épica.

 

Gascoigne tinha um espírito vencedor único, se doava em campo como nenhum outro e vestia a camisa de seu clube ou de sua pátria para a vitória e nada menos que isso. Foi esse espírito que explicou sua reação ao levar o cartão amarelo mais famoso da história das Copas, em 1990, que o tiraria de uma possível final. Gazza não partiu pra cima do árbitro, não brigou com o adversário muito menos quis chamar a polícia. Ele chorou. Chorou muito. Copiosamente. E, naquele instante de mais pura dor e incapacidade em poder defender seu país em uma hipotética decisão de Copa do Mundo (o que não aconteceu, pois a Inglaterra perdeu para a Alemanha), Gascoigne entrava para sempre no coração dos torcedores ingleses. Foram 57 jogos e 10 gols pelo English Team e presença garantida no All-Star team da Copa de 1990. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Gheorghe Hagi (Romênia)

É o maior jogador romeno de todos os tempos e um ícone dos anos 1980 e 1990. Meia habilidoso, Hagi era letal em bolas paradas e marcava muitos golaços, como bem viu o mundo na Copa de 1994. Foi soberano no Campeonato Romeno por vários anos, sendo o principal artilheiro do país. Brilhou no Galatasaray, da Turquia, no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Durante anos foi o maior artilheiro da seleção com 35 gols em 125 jogos, até ser superado por Adrian Mutu, que chegou aos mesmos 35 gols, mas em 77 partidas. Hagi foi escolhido para o All-Star Team da Copa de 1994 e ficou conhecido como o “Maradona dos Cárpatos” por sua semelhança física e, em parte, na bola, com Dieguito. Além de brilhar no torneio dos EUA, Hagi disputou as Copas de 1990 e 1998. Foram 12 jogos e três gols (todos em 1994) em Mundiais pela Romênia. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Figo (Portugal)

O português esbanjou classe por onde passou e foi o maior símbolo, nos anos 1990 e 2000, da mais talentosa geração de futebolistas portugueses desde os anos 1960. Predestinado aos títulos, Figo levantou taças em todos os clubes por onde passou, mas não ficou longe das polêmicas quando deixou o Barcelona-ESP e assinou com o maior rival do clube catalão, o Real Madrid-ESP, deixando furiosos os torcedores blaugranas. Não era para menos, afinal, Figo jogava muito, e morou no coração dos barcelonistas durante cinco anos. 

Ídolo em sua terra, o craque só não conseguiu glórias do tamanho de seu futebol por Portugal, embora tenha chegado muito perto, em 2004, no vice-campeonato da Eurocopa, e em 2006, quando a seleção lusa alcançou as semifinais da Copa do Mundo. Figo disputou as Copas de 2002 e 2006, mas foi no Mundial da Alemanha que ele brilhou na campanha lusitana até o 4º lugar. Ele foi eleito para o All-Star Team daquele Mundial. Figo acumulou 127 jogos e marcou 32 gols pela seleção. É o 3º na lista dos que mais vestiram a camisa de Portugal na história e o 4º maior artilheiro. Leia mais sobre ele clicando aqui! 

 

David Beckham (Inglaterra)

 

De garoto promissor das categorias de base do Manchester United a mais bem pago do mundo, Beckham conquistou torcedores por onde passou com uma habilidade incrível para bater na bola, dar passes magistrais ou cobrar faltas exuberantes. Aliás, foram de falta as maiores obras-primas de Beckham, seja pelo United, seja pela seleção inglesa, pela qual é o um dos recordistas em jogos disputados na história com 115 partidas, além de 17 gols marcados. Beckham disputou as Copas de 1998, 2002 e 2006 pela Inglaterra sempre como titular e um dos destaques do English Team.

Em 1998, Beckham disputou três jogos e marcou um gol, mas ficou marcado pela expulsão no duelo contra a Argentina, nas oitavas de final, que causou a eliminação do time inglês. Em 2002, foram cinco jogos e a revanche contra os sul-americanos na fase de grupos, quando Beckham fez o gol da vitória da Inglaterra por 1 a 0 que contribuiu para a eliminação dos argentinos ainda na primeira fase. E, na Copa de 2006, o meia marcou mais um gol e disputou cinco jogos. Ao todo, foram 13 partidas e três gols em Mundiais. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Wesley Sneijder (Holanda)

A Holanda alcançou a final da Copa do Mundo de 2010 muito graças ao talento e excelente fase de Sneijder, principal nome da laranja naquele Mundial e um dos maiores craques do planeta no final dos anos 2000 e início dos anos 2010. Maestro da Inter de Milão campeã da LIga dos Campeões da UEFA, o holandês confirmou a boa fase realizando um Mundial impecável na África do Sul. Com cinco gols (dois deles na vitória sobre o Brasil, nas quartas de final), Sneijder foi um dos artilheiros da Copa e principal referência ofensiva da equipe holandesa não só com seu faro artilheiro, mas também nas bolas paradas, passes e grande visão de jogo. Como não poderia deixar de ser, Sneijder entrou direto para o All-Star Team da Copa. Ele disputou todos os sete jogos da Holanda na Copa de 2010, anotou 5 gols e deu uma assistência. Sneijder disputou também as Copas de 2006 (quatro jogos) e 2014 (seis jogos, um gol), totalizando 17 jogos e seis gols em Mundiais. Uma verdadeira lenda holandesa. 

 

James Rodríguez (Colômbia)

A Copa de 2014 é muito cultuada pelos jogos eletrizantes, pelos golaços, pelo 7 a 1 e por um meia colombiano que simplesmente arrasou em terras brasileiras: James Rodríguez. Mesmo sem levar o título, o camisa 10 marcou seis gols em cinco jogos, foi o artilheiro e Chuteira de Ouro da Copa. Ele fez gols em TODOS os jogos da Colômbia: um em cada partida da fase de grupos, dois na vitória por 2 a 1 sobre o Uruguai – um deles uma pintura que ganhou o Prêmio Puskás de gol mais bonito do ano – e outro na derrota para o Brasil, nas quartas de final, por 2 a 1. Tido como sucessor direto do lendário Carlos Valderrama, Rodríguez entrou para o All-Star Team da Copa e foi uma estrela de seu país naquele ano de ouro para sua carreira.

James prepara o golaço contra o Uruguai: Prêmio Puskás de 2014.

 

Em 2018, mesmo longe da melhor forma física, foi o grande nome da vitória colombiana sobre a Polônia por 3 a 0, dando duas assistências para gols. Ele disputou os três jogos da seleção cafetera na fase de grupos, mas as lesões o atormentaram e ele ficou de fora do duelo contra a Inglaterra, nas oitavas. Sem os passes e maestria de Rodríguez, a Colômbia foi eliminada nos pênaltis. 

 

Luka Modric (Croácia)

Dois gols, uma assistência, eleito “Homem do Jogo” contra a Nigéria, Argentina e Rússia, 694 minutos jogados em sete jogos, 72,3 km percorridos, 523 passes efetuados, 11 desarmes, 31 bolas recuperadas, nenhum cartão recebido e Bola de Ouro de melhor jogador da Copa do Mundo de 2018. Luka Modric foi, sem dúvida, o retrato da Croácia no Mundial. Foi o capitão que fez o time antes desacreditado jogar bola. Brigar. Driblar. Marcar. Deu a volta por cima após o pênalti perdido na prorrogação contra a Dinamarca ao deixar o seu na disputa por pênaltis – e respirou aliviado com o desempenho de Subasic. Foi a referência no ataque, na construção de jogadas. 

Modric com a Bola de Ouro da Copa. Foto: Shaun Botterill / Getty Images.

 

Quando a bola passava pelos seus pés, tudo fluía, tudo ficava mais fácil. Tudo bem que o cansaço bateu na decisão e ele não rendeu como o esperado, mas Modric mereceu cada glória na Rússia. Apagou os dramas dos Mundiais de 2006 e 2014 e se consagrou de vez como um dos grandes camisas 10 do futebol, estrategista, cerebral, preciso e impecável. Com 150 jogos e 21 gols pela seleção, o meia é o líder na lista dos jogadores com mais partidas pela seleção na história. E virou para sempre o nome da geração de futebolistas croatas que levou o país a uma inédita final de Copa.

 

 

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Um Comentário

  1. Vou lançar um desafio: os 10 maiores jogos da história das Copas. Critérios: 1) relevância histórica, 2) reunião de craques, 3) lances eternizados, 4) simbolismo para os envolvidos e 5) emoção gerada. Difícil hein?

Jogos Eternos – São Paulo 1×0 Newell’s Old Boys 1992

Dois exemplos do que significa ser justo