
Grandes feitos: Bicampeã do Campeonato Espanhol (1980-1981 e 1981-1982), Primeira Campeã da Supercopa da Espanha (1982) e Semifinalista da Liga dos Campeões da UEFA (1982-1983) .
Time-base: Luis Arconada; Celayeta, Górriz (Agustín Gajate / Tomás Orbegozo), Kortabarría e Julio Olaizola; José Diego Álvarez (Eliseo Murillo), Javier Zubillaga (Miguel “Periko” Alonso / Larrañaga) e Jesús Zamora; Pedro Uralde (Santiago Idígoras), Jesús Satrústegui (José Maria Bakero) e Ufarte (Begiristain). Técnico: Alberto Ormaetxea.
“Txuri-urdin no topo da Espanha”
Por Guilherme Diniz
Ao longo das décadas, a Real Sociedad teve que conviver com os inúmeros títulos de seu rival, o Athletic Bilbao, dentro da Espanha. Enquanto os alviazuis só tinham em sua galeria uma única Copa do Rei conquistada lá em 1909 (!), o Athletic ostentava naquele começo de anos 1980 incríveis 22 Copas do Rei e vários campeonatos espanhois. Era uma diferença gritante que incomodava demais o torcedor da equipe de San Sebastián, mas que foi amenizada no começo dos anos 1980 graças ao maior esquadrão da história do clube, bicampeão espanhol, campeão da primeira edição da Supercopa da Espanha e que por muito pouco não alcançou a final da Liga dos Campeões da UEFA de 1983. Com um timaço e repleto de lendas como Arconada, Kortabarría, Alonso, Uralde, Zamora, Satrústegui e Ufarte, a Real Sociedad se firmou como principal potência da Espanha na época, base da seleção na Copa de 1982 e um símbolo de orgulho do País Basco, que recuperou exatamente naquela época sua autonomia perante a Espanha. É hora de relembrar a Real Sociedad 1980-1983.
Sumário
A mudança definitiva

Em 1978, após décadas sob o regime do ditador Franco, a Espanha passou à Monarquia Constitucional e criou naquele ano a sua Constituição. Nela, foi estabelecida uma nova organização territorial baseada na autonomia de municípios, províncias e Comunidades Autônomas, sendo uma delas o País Basco, que pôde voltar a ostentar sua bandeira e nacionalidade próprias mesmo dentro do território espanhol. Ainda sem a independência total, o povo da região passou a exibir nas casas e estabelecimentos o orgulho basco, que só faltava ser correspondido por seus clubes, Athletic Bilbao e Real Sociedad, que passavam por um jejum de títulos na época.
O Athletic não vencia o Campeonato Espanhol desde 1956 e sua última Copa do Rei datava de 1973. Já a Real Sociedad só tinha a Copa do Rei de 1909 em sua galeria, muitas decepções em La Liga e vários rebaixamentos. Foi então que, em 1978, Alberto Ormaetxea, ex-lateral da Sociedad entre 1962-1974, substituiu José Antonio Irulegui no comando técnico e começou uma reviravolta no clube. Usando muito bem as prolíficas categorias de base bascas e os jovens, ele incorporou ao elenco da temporada 1978-1979 três nomes: o defensor Alberto Górriz, o lateral Genaro Celayeta e o atacante Pedro Uralde, todos de muito talento e que seriam essenciais para as conquistas que viriam pela frente. Além deles, a Real Sociedad já tinha uma equipe-base competitiva e que tinha ótimos jogadores em todos os setores, a começar pelo gol: Arconada, um dos melhores goleiros da história do futebol espanhol, presente em mais de 60 jogos pela seleção e que seria titular da equipe na Copa do Mundo de 1982.

Na zaga, Kortabarría jogava pelos alviazuis desde 1971 e era a voz da equipe em campo, além de ser muito identificado com as questões políticas tão em alta na época. Quem também despontava era o meio-campista Periko Alonso, dono de exímia técnica e essencial no elo entre defesa e ataque – seus filhos, Mikel e Xabi Alonso, também seriam futebolistas anos depois. No ataque, Ufarte, rápido e letal pela ponta-esquerda, e Satrústegui, centroavante batalhador, de movimentação constante e que se tornaria o maior artilheiro da história do clube, eram as referências já naquele final de anos 1970.
Na temporada 1978-1979, a Real Sociedad provou seu talento e terminou o Campeonato Espanhol na 4ª colocação, apenas seis pontos atrás do campeão Real Madrid. Satrústegui, com 20 gols em 30 partidas, e Ufarte, com 12 gols em 33 jogos, foram os artilheiros da equipe basca, que conseguiu uma vaga na Copa da UEFA de 1979-1980. E seria nessa temporada que a Real Sociedad iria provar que estava pronta para brigar com qualquer adversário.
Só faltou um ponto…

A época 1979-1980 entraria para sempre na memória do torcedor txuri-urdin. Embora não tenha conquistado títulos, a Real Sociedad cravou seu lugar entre os principais esquadrões do país e por muito, mas muito pouco não foi campeã espanhola. Antes de La Liga entrar em sua rota mais decisiva, a Real Sociedad teve pela frente logo na primeira fase da Copa da UEFA a Internazionale-ITA, em jogos quentes e muito disputados. Na ida, em Milão, os donos da casa fizeram valer a força de sua camisa e experiência para vencer por 3 a 0, gols de Muraro, Giuseppe Baresi e Marini. O jogo foi muito complicado não só dentro, mas fora de campo, pois os ultras da Inter proferiram diversas ofensas e criaram um ambiente bastante hostil ao clube basco, principalmente à sua torcida, tudo por causa da recente autonomia do País Basco na época.
Na volta, em um estádio Atotxa lotado, a Real Sociedad colocou a Inter “na lona” e fez 2 a 0, com dois gols de Satrústegui, mas o terceiro não saiu e a vaga acabou ficando mesmo com os italianos. Esses duelos ajudaram a forjar a faceta competitiva e de jogos grandes para a Real Sociedad não temer os titãs Real Madrid e Barcelona e brigar pelo troféu de La Liga. Com uma equipe muito sólida defensivamente e um ataque rápido e perigoso, a alviazul ficou na cola do Real Madrid durante todo o campeonato e liderou o torneio em sete rodadas.

Jogando em casa, a Real Sociedad não perdeu e registrou 13 vitórias e quatro empates em 17 jogos, incluindo uma goleada de 4 a 0 sobre o rival Athletic, um 4 a 3 diante do Barcelona e um inesquecível 4 a 0 sobre o Real Madrid! Tudo levava a crer que a Real Sociedad iria levantar sua primeira La Liga, afinal, a equipe estava na liderança faltando duas rodadas para o fim e ostentava uma invencibilidade de 38 jogos na competição, algo inédito na história do campeonato espanhol. A série foi iniciada nos seis últimos jogos da temporada 1978-1979 e se somou aos 32 jogos na temporada 1979-1980.
Mas, na penúltima rodada, a Real Sociedad visitou o Sevilla e acabou perdendo por 2 a 1 (mesmo com dois jogadores a mais…), resultado que colocou o Real Madrid na liderança mais uma vez. Na última rodada, os txuri-urdin venceram o Atlético de Madrid, em casa, por 2 a 0, mas o resultado não adiantou, pois o Real Madrid também venceu e terminou campeão com um ponto a mais: 53 a 52 (na época, as vitórias valiam apenas dois pontos). Em 34 jogos, a Real Sociedad venceu 19, empatou 14 e perdeu apenas um. Foram 54 gols marcados e 20 gols sofridos (melhor defesa). Os 38 jogos de invencibilidade em La Liga da Real Sociedad só foi superado pelo Barcelona, que alcançou 43 jogos sem perder entre abril de 2017 e maio de 2018.
O recomeço

Perder La Liga por apenas um ponto e com uma derrota em um momento tão crucial doeu demais no torcedor da Real Sociedad, mas os valentes jogadores bascos não se abateram e trataram de fazer o caminho de volta na temporada 1980-1981. Com a mesma base e ainda o reforço do talentoso meio-campista José Maria Bakero (que faria história também no Barcelona), a Real Sociedad demorou a engrenar no Campeonato Espanhol e jamais alcançou a liderança até a reta final. Em tempos de vitórias valendo apenas dois pontos, era difícil uma equipe se distanciar da outra e os campeonatos eram muito equilibrados. E La Liga de 1980-1981 não foi diferente, com vários candidatos ao título embolados no topo da tabela, mas uma certa vantagem para o Atlético de Madrid, líder da 6ª até a 30ª rodada.
A trajetória dos txuri-urdin começou com derrota por 3 a 2 para o forte Valencia da dupla de ataque Mario Kempes e Fernando Morena. Na sequência, a equipe basca venceu Osasuna (2 a 1) e Las Palmas (3 a 0), empatou contra o Atlético de Madrid (2 a 2) e Real Betis (2 a 2) e perdeu para o Hércules (2 a 0). Na sétima rodada, enorme vitória por 2 a 0 em casa sobre o Barcelona de Krankl, Quini, Simonsen, Alexanco e Migueli, que inspirou o time a vencer também a Salamanca (2 a 0) e o Real Zaragoza (1 a 0), resultados que colocaram a Real Sociedad na 3ª colocação. Na 10ª rodada, os bascos visitaram o Real Madrid e fizeram um jogo muito disputado, mas que acabou com vitória merengue por 1 a 0.

A inconstância continuou nas rodadas seguintes: vitória por 1 a 0 sobre o Real Valladolid, derrota por 3 a 2 para o Almería, triunfo por 4 a 1 no clássico contra o Athletic Bilbao (com dois gols de Satrústegui e dois de Ufarte), empate sem gols contra o Sevilla, vitória por 1 a 0 sobre o Real Murcia, empate sem gols contra o Espanyol e derrota por 2 a 1 em casa para o Sporting Gijón. Àquela altura, a Sociedad estava na 4ª colocação, mas não dava mostras de que poderia brigar pelo título justamente por não conseguir emendar uma sequência constante de vitórias.
Ainda no final de 1980, os bascos tiveram compromissos pela Copa da UEFA e, após superarem as duas primeiras etapas, foram eliminados nas oitavas de final pelo Lokeren-BEL após derrota por 1 a 0 na Bélgica (gol da lenda polonesa Grzegorz Lato) e empate em 2 a 2 na Espanha. O lado bom é que a Real Sociedad poderia se dedicar exclusivamente ao Campeonato Espanhol a partir do segundo turno. E, com mais foco, tudo seria diferente.
De volta aos eixos

Em janeiro de 1981, a Real Sociedad começou o segundo turno de La Liga (vitória por 2 a 1 sobre o Valencia, em casa) e também a trajetória na Copa do Rei, quando eliminou o Cádiz na primeira fase. Após vencer Osasuna e Las Palmas, os bascos alcançaram a vice-liderança, mas ficaram quatro jogos sem vencer – derrotas para Atlético de Madrid (2 a 0), Real Betis (1 a 0), empate em 1 a 1 com o Hércules e derrota por 2 a 0 para o Barcelona – e despencaram para a 7ª colocação, a seis pontos do líder Atlético. Faltando 10 rodadas para o fim, a margem de erros a partir dali era mínima. E, como em um verdadeiro milagre, o time não perdeu mais.
Na rodada 25, a Real Sociedad venceu a Salamanca por 1 a 0, e, na sequência, venceu o Real Zaragoza por 1 a 0, fora de casa, e bateu o Real Madrid em casa por 3 a 1, com gols de Diego, Periko Alonso e Zamora – essa vitória seria determinante para o final do campeonato, como você vai ler em breve. Após o empate sem gols contra o Real Valladolid, a Sociedad chegou ao 3º lugar e via a liderança de perto graças à má fase do Atlético de Madrid, que perdia fôlego naquela reta final. Na sequência, as vitórias sobre Almería (3 a 1), Athletic Bilbao (2 a 0 em pleno San Mamés e com dois gols do artilheiro Satrústegui) e Sevilla (3 a 0) colocaram a Real Sociedad na liderança, seguida de perto pelo Real Madrid, uma reviravolta tremenda no topo da tabela.
Em sete jogos, a Real Sociedad venceu seis e empatou um, somando 13 pontos, enquanto o Atlético de Madrid, líder em quase todo o campeonato, somou apenas seis pontos. Na antepenúltima rodada, a Real Sociedad venceu o Real Murcia por 2 a 0, fora de casa, e derrotou o Espanyol por 2 a 1 em casa, ficando com um ponto de vantagem sobre o Real Madrid.
Na última rodada, a Real Sociedad só dependia de si para ser campeã espanhola pela primeira vez: era só vencer o Sporting Gijón (7º colocado), fora, que o título seria dos alviazuis. O empate também daria o troféu aos bascos, pois, mesmo se o Real Madrid vencesse, ele chegaria aos mesmos 45 pontos, mas como o primeiro critério de desempate era o confronto direto, a Real Sociedad levava vantagem com um agregado de 3 a 2 sobre os madrilenos, pois venceu por 3 a 1 em casa e perdeu por apenas 1 a 0 em Madri. O único cenário que tiraria o título dos bascos era uma derrota para o Gijón e vitória do Real Madrid.
O Épico do El Molinón


No dia 26 de abril de 1981, o estádio do Sporting Gijón, El Molinón, estava lotado para uma das “decisões” de La Liga daquele ano – a outra, claro, seria no jogo do Real Madrid contra o Real Valladolid. Com sua força máxima, a Real Sociedad foi pra cima logo no início e, aos 7’, fez 1 a 0 em gol de pênalti cobrado pelo capitão Kortabarría. O triunfo deu tranquilidade aos bascos, que seguraram o placar até o final do primeiro tempo, quando Manuel Mesa empatou, aos 44’. No começo do segundo tempo, logo aos 2’, o desastre: Mesa, de novo, virou o jogo para o Gijón. A derrota da Real Sociedad, somada ao triunfo do Real Madrid sobre o Valladolid, dava o caneco aos merengues, em um cenário quase igual ao da temporada anterior. Mas ainda mais cruel, pois era na última rodada.
A Real Sociedad foi para o tudo ou nada, só que o gol não saía, pois o Sporting Gijón permanecia “plantado” em sua defesa e a equipe alviazul tentava, em vão, furar aquele bloqueio. O técnico Ormaetxea colocou Bakero e Larrañaga a fim de dar mais velocidade e criatividade, mas tudo parecia conspirar mesmo para a derrota. Nos minutos finais, até os narradores na transmissão da partida davam como consolidado o título do Real, principalmente quando acabou o jogo dos merengues e eles começaram a celebrar o título de maneira efusiva e com Juanito caminhando de joelhos pelo gramado. Só que a partida entre Gijón e Sociedad ainda não havia acabado. E, no futebol, sabe como é, só acaba quando termina…
Quando o relógio estava prestes a chegar aos 45’, um bate-rebate na área fez a bola chegar nos pés de Górriz, que chutou mal e a bola foi ao encontro de Zamora, livre. O meio-campista chutou forte, a bola ainda bateu no goleiro, mas foi parar no fundo do gol: 2 a 2. O impossível acontecia! Real Sociedad campeã da Espanha! Zamora e os jogadores bascos celebraram de maneira histórica, enquanto o banco txuri-urdin não se conteve e invadiu o gramado. Foi uma festa memorável e que parou a cidade de San Sebastián, que via sua equipe ser campeã pela primeira vez.

Em 34 jogos, a Real Sociedad venceu 19, empatou sete, perdeu oito, marcou 52 gols e sofreu 29 (melhor defesa pelo segundo ano seguido). Em casa, a Real Sociedad só perdeu um jogo (curiosamente para o Sporting Gijón, adversário que quase lhe tirou o título), venceu 13 e empatou três. Já fora, a equipe venceu seis, empatou quatro e perdeu sete. Satrústegui, com 16 gols, foi o artilheiro do time na competição, a apenas quatro gols do artilheiro máximo do campeonato, Quini, do Barça, que anotou 20 tentos. Luis Arconada foi eleito mais uma vez o melhor goleiro da competição e levou o Troféu Zamora. Dias depois e ainda de ressaca pelo título, a Real Sociedad foi eliminada pelo Sevilla nas oitavas de final da Copa do Rei, um mero detalhe diante de uma temporada já histórica.
Em busca do bi

Com a mesma base campeã (exceto Idígoras, negociado junto ao Puebla-MEX) e mais experiente, a Real Sociedad quis provar na temporada 1981-1982 que o título anterior não havia sido um “acidente”. Muito pelo contrário. O técnico Ormaetxea seguiu com seu esquema tático predefinido, um 4-3-3 que por vezes virava 4-4-2, com a dupla Kortabarría e Górriz na zaga, Celayeta e Olaizola nas laterais, José Diego Álvarez e Periko Alonso no meio, Zamora e Ufarte como meias ofensivos e Uralde e Satrústegui os atacantes de ofício. Antes dos jogos mais agudos de La Liga, a Real Sociedad fez sua estreia – em setembro de 1981 – na Liga dos Campeões da UEFA (na época chamada de Copa dos Campeões da Europa), mas logo de cara foi eliminada: derrota por 1 a 0 para o CSKA Sofia-BUL, fora de casa, e empate sem gols em casa.
A estreia em La Liga aconteceu também em setembro, em casa, diante do Real Madrid. Os txuri-urdin levaram um gol logo aos 2’, mas o craque Ufarte, aos 20’, Periko Alonso, aos 64’, e Zamora, aos 72’, viraram o jogo para 3 a 1 e deram a vitória à campeã, que venceu o Real Betis (1 a 0) e o Cádiz (3 a 0) nas rodadas seguintes até empatar em 0 a 0 com o Las Palmas. Líder, a Real Sociedad permaneceu em tal posição da 3ª até a 12ª rodada, graças às vitórias sobre Sporting Gijón (3 a 0) e Castellón (3 a 1), empate em 1 a 1 contra o Barcelona, vitórias sobre Racing Santander (3 a 2), Atlético de Madrid (1 a 0) e Hércules (2 a 1), empate com o Sevilla (2 a 2) e apenas uma derrota, na 9ª rodada, com o Real Valladolid (2 a 1, fora de casa).
Mas, na 13ª rodada, a Real Sociedad perdeu para o Real Zaragoza por 3 a 2 e o Barça assumiu a liderança. Embora tenha vencido o Valencia já na rodada seguinte por 4 a 1, a equipe basca perdeu para o Espanyol (2 a 1) e, após uma vitória (1 a 0 no Osasuna) e um empate (1 a 1 com o Athletic Bilbao), terminou o primeiro turno na 3ª colocação, atrás de Barcelona e Real Madrid. Líder por 10 rodadas, a Real Sociedad precisava vencer mais fora de casa se quisesse retornar ao topo. E não deixar os novos ponteiros do campeonato abrirem tanta vantagem.
Sapecando o rival

No final de 1981, a Real Sociedad começou sua caminhada na Copa do Rei e teve pela frente na primeira fase o time B do Athletic Bilbao, também conhecido como Bilbao Athletic. E os txuri-urdin trataram de despachar a “cópia” do rival logo de cara com duas vitórias: 3 a 1, fora de casa, e 1 a 0, em casa. Na etapa seguinte, foi a vez de eliminar o Osasuna com um 4 a 2 no agregado e, nas oitavas, superar o Real Valladolid após empate em 3 a 3 em casa e vitória por 2 a 0 em plena Valladolid, com gols de José Diego e Periko Alonso.
Nas quartas de final, a Real Sociedad teve pela frente o… Athletic Bilbao (!), dessa vez o time A, e deu ao torcedor o prazer em eliminar o rival duas vezes no mesmo torneio! Na ida, em San Mamés, o Athletic venceu por 1 a 0, e, na volta, a Real Sociedad venceu por 3 a 2, resultado que levou o duelo para os pênaltis. Na marca da cal, os txuri-urdin converteram todas as suas cobranças, enquanto Arconada defendeu o pênalti de Daní e viu Goikoetxea chutar para fora o quarto chute dos alvirrubros. A vitória por 4 a 2 colocou a Real Sociedad na semifinal e fez a alegria dos txuri-urdin, carrascos em dose dupla do Athletic naquela temporada e que ainda jogaram desfalcados de Zamora, essencial no meio de campo do time.

“Sentimos muito a ausência de Zamora. Em jogos assim, ele é um dos melhores meio-campistas do futebol espanhol. No entanto, a equipe jogou com muita garra, influenciada muito pelo ambiente criado pela torcida nas arquibancadas. Sorte? Nós buscamos a vitória com esforço, entrega e aproveitando as chances que tivemos”, comentou o técnico Ormaetxea ao jornal Mundo Deportivo, em fevereiro de 1982.
A Real Sociedad teve pela frente o Real Madrid nas semifinais e venceu o duelo de ida, em casa, por 1 a 0. Na volta, em Madri, os txuri-urdin seguraram o empate sem gols até os 89’, quando Juanito empatou e levou o duelo para os pênaltis. Arconada defendeu um chute e viu Camacho mandar o seu para fora, mas a Real Sociedad errou três e o placar de 4 a 3 deu a vitória aos merengues, que seriam os campeões.
Na cola dos líderes e o retorno ao topo

Por conta dos intensos compromissos pela Copa do Rei, a Real Sociedad acabou perdendo pontos importantes no returno do Campeonato Espanhol. Os txuri-urdin empataram em 1 a 1 com o Real Madrid, fora de casa, perderam para o Cádiz, fora, por 2 a 1, e para o Barcelona por 2 a 0, fora. O que salvou a terceira colocação da equipe foi a série de três vitórias seguidas antes do revés para o Barça – 2 a 0 no Las Palmas, 3 a 2 no Sporting Gijón e 3 a 1 no Castellón, além do 1 a 0 sobre o Real Betis logo após o empate contra o Real Madrid.
Após empatar em 1 a 1 com o Racing Santander, em casa, e vencer o Real Valladolid por 4 a 0, a Sociedad voltou à vice-liderança e empurrou o Real Madrid para a terceira colocação na rodada 26, mantendo a posição até a rodada 28. Nesse período, os bascos perderam para o Atlético de Madrid (2 a 0), venceram o Sevilla (1 a 0) e perderam para o Hércules na rodada 29, quando caíram para a terceira posição novamente. Nas cinco rodadas finais, a Real Sociedad precisava somar o maior número de pontos possível e torcer para Barça e Real Madrid tropeçarem.

Na rodada 30, Uralde, Periko Alonso e Ufarte fizeram os gols da grande vitória por 3 a 0 sobre o Real Zaragoza, que colocou mais uma vez os txuri-urdin na vice-liderança. Nas duas rodadas seguintes, as vitórias sobre Valencia (2 a 1, fora de casa, com dois gols de Uralde) e Espanyol (2 a 1) deixaram a equipe basca beliscando o topo. Na rodada 33, no clássico entre Barcelona e Real Madrid, eis que os merengues derrotaram os blaugranas por 3 a 1 e ajudaram os bascos, que voltaram à liderança com um ponto de vantagem sobre os rivais após empate sem gols contra o Osasuna!
A última rodada reservava fortes emoções e três times com chances de título: a Real Sociedad só dependia de si para ficar com o título, mas com o adendo de só a vitória interessar, pois um empate era arriscado diante da vantagem do saldo de gols do confronto direto do Barcelona que, se vencesse, seria campeão por ter vencido os txuri-urdin em casa e empatado fora. Já o Real Madrid só seria campeão se vencesse seu jogo e tanto a Real Sociedad quanto o Barcelona perdessem as suas partidas.
Bicampeões!

O adversário final da Real Sociedad era, adivinhe, o Athletic Bilbao, 4º colocado, sedento por uma vitória e por estragar a festa dos txuri-urdin depois de tanto sofrer naquela temporada e na anterior para seu rival. Confiando em sua torcida e em seu alçapão absolutamente lotado – a antiga casa dos alviazuis era terrível! – , a Real Sociedad tinha um dérbi lendário pela frente, talvez um dos mais importantes de sua história. Perder para o maior rival significava perder o título espanhol, o bicampeonato, depois de tanto lutar por ele ao longo da temporada. Não seria fácil enfrentar aquele Athletic, que já na temporada seguinte seria campeão espanhol e consagraria lendas como Zubizarreta, Urquiaga, Goikoetxea, Gallego, De Andrés, Dani e companhia. Mas a Real Sociedad foi gigantesca.
No começo do segundo tempo, Celayeta, fazendo uma partidaça, tocou para trás uma bola alçada por Górriz e Zamora, o talismã, encheu o pé para abrir o placar. Tempo depois, Ufarte recebeu na ponta-esquerda, fintou todo mundo que apareceu em sua frente e chutou cruzado para fazer 2 a 0. Faltando cinco minutos para o fim, Sarabia descontou para o Athletic, mas a Real Sociedad manteve a calma, deixou a bola no ataque e quase fez o terceiro gol com Ugarte, mas a zaga tirou em cima da linha. Ao apito do árbitro, a vitória por 2 a 1 deu o bicampeonato nacional à Real Sociedad! E fechou uma temporada mágica de vitórias sobre o maior rival!

Diferente de 1981, a festa daquele ano de 1982 era ainda mais emblemática por ser em Atotxa e diante da torcida txuri-urdin, que invadiu o gramado e celebrou com os jogadores. Em 34 jogos, a Real Sociedad venceu 20, empatou sete, perdeu sete, marcou 58 gols e sofreu 33 (melhor defesa pela terceira temporada seguida). Os bascos somaram 47 pontos contra 45 do Barcelona, que só empatou seu último duelo. Uralde, com 14 gols, foi o artilheiro da equipe basca na competição.
Base da seleção na Copa de 1982

Confirmando a excelente fase de seus jogadores, a Real Sociedad foi a base da seleção da Espanha na Copa do Mundo de 1982, disputada no próprio país. O técnico José Santamaría levou os seguintes atletas:
- Luis Arconada (goleiro);
- Periko Alonso e Jesús Zamora (meio-campistas);
- Satrústegui, Ufarte e Uralde (atacantes).
Com eles e ainda outros grandes nomes como Camacho, Gordillo, Gallego e Quini, a expectativa era de uma grande campanha da anfitriã. Na fase de grupos, a Fúria se classificou, mas sem convencer. Empatou em 1 a 1 com Honduras (gol de Ufarte), venceu a Iugoslávia por 2 a 1 e perdeu para a Irlanda do Norte por 1 a 0. Na segunda fase de grupos, formada por três seleções e que dava apenas ao primeiro colocado a vaga na semifinal, a Espanha sucumbiu diante da Alemanha – 2 a 1, com o gol espanhol marcado por Zamora – e empatou em 0 a 0 com a Inglaterra.
O desempenho abaixo das expectativas na Copa em casa fez com que a imprensa e parte da torcida espanhola culpasse os jogadores da Real Sociedad pelo ocorrido. O único que passou sem críticas foi o goleiro Arconada, que ainda seguiu na equipe por um tempo. A eliminação fechou as portas para vários atletas da Sociedad no ciclo seguinte. O craque Ufarte comentou sobre esse episódio ao jornal Notícias de Gipuzkoa (ESP), em maio de 2022.
“Tínhamos uma seleção fantástica e fizemos um torneio desastroso, essa é a verdade. Depois, falou-se muito se a culpa era dos jogadores da Real (Sociedad). Tiraram-nos praticamente todos da seleção; mantiveram apenas o capitão, Arconada, e ainda bem, porque quando chegou a hora, também o tiraram. Foi como se tivéssemos sido eliminados duas vezes. E era isso que ninguém entendia. Eu, por exemplo, continuei a fazer boas temporadas. Miguel Muñoz, o substituto de Santamaría, que era considerado o número um por quase todo o país, foi um ponto negativo para mim.
Tenho a impressão de que ele não nos queria contratar porque se alinhou com o sentimento geral de que íamos jogar com uma equipa diferente, com mais gente do Real Madrid… E esqueceu-se de que durante dois anos a Real Sociedad tinha sido campeã da Liga e que o futebol do norte continuava a crescer com o Athletic Club. Mas suponho que existam treinadores que se guiam mais por considerações políticas e midiáticas. Eu aceitei, é claro, mas com muita dor. Eu tinha 24 anos, poderia ter continuado. Nós ‘pagamos um pedágio’”.
Com uma imprensa tradicionalmente influenciadora em vários aspectos, não ter muitos jogadores do Barça e do Real na seleção, mas sim vários atletas de um time basco, era uma “ofensa” para muitos. Pura bobagem e que prejudicou a própria seleção.
“O técnico (Santamaría) teve personalidade e valentia por apostar na base do campeão. E, claro, pelo núcleo ser formado pela Real Sociedad, a imprensa de Barcelona e de Madri contestou, e ela tem muita força. Santamaría não se importava com a opinião pública e por isso ele convocou nossos seis melhores. E se estávamos ali era por méritos próprios. Nosso nível era altíssimo”. – Ufarte, em entrevista ao jornal Notícias de Gipuzkoa (ESP), em maio de 2022.
Supercampeões e a trajetória europeia

Passada a Copa, a Real Sociedad quis retomar o orgulho ferido por causa do fracasso da seleção no Mundial e tratou de provar que seus jogadores continuavam vencedores. E isso foi colocado à prova na edição inaugural da Supercopa da Espanha, criada em 1982 pela RFEF e que colocava frente a frente o campeão espanhol contra o campeão da Copa do Rei. Com isso, a primeira final foi entre a Real Sociedad (campeã de La Liga) e o Real Madrid (campeão da Copa do Rei). No primeiro jogo, em Madri, os merengues venceram por 1 a 0 e levaram a San Sebastián a vantagem do empate. Só que em Atotxa a Real devolveu o 1 a 0 (gol de Uralde) e levou o jogo para a prorrogação. Nela, os bascos amassaram os merengues e fizeram 3 a 0, com gols de Ufarte, Uralde de novo e Salguero, contra. O placar de 4 a 0 fez da Real Sociedad a primeira supercampeã da Espanha, coroando de vez aquele esquadrão.
Com a mesma base vencedora, exceto o meio-campista Periko Alonso, que se transferiu para o Barcelona, os txuri-urdin tiveram compromissos por La Liga, Copa do Rei, Copa da Liga e Copa dos Campeões da Europa. E seria na competição continental que a Real Sociedad concentrou suas atenções. Na estreia, os bascos despacharam o Víkingur-ISL após vitória na Islândia por 1 a 0 (gol de Satrústegui) e triunfo por 3 a 2 em San Sebastián (dois gols de Uralde e um de Satrústegui). Nas oitavas de final, os bascos enfrentaram o Celtic-ESC, que fez jogo duro no duelo da ida, no Atotxa.
Após um primeiro tempo sem gols, Satrústegui e Uralde fizeram os gols da vitória por 2 a 0. Na volta, em Glasgow, Uralde abriu o placar aos 26’ do primeiro tempo e aumentou para 3 a 0 o placar agregado a favor dos bascos. O Celtic, empurrado por sua fanática torcida, empatou quatro minutos depois, com MacLeod, e virou o jogo só no final do segundo tempo, de novo com MacLeod, tarde demais para atrapalhar a classificação da Real Sociedad para as quartas de final pela primeira vez. A torcida do Celtic, em profundo respeito, aplaudiu os bascos após o jogo, reconhecendo o mérito da equipe e a grande equipe alviazul.

A boa fase na Europa não era refletida em casa. Por causa de vários problemas de lesão em jogadores essenciais como Satrústegui e Zamora, que desfalcaram a Real Sociedad em vários compromissos de La Liga. Com isso, a Real caiu precocemente nas copas nacionais e não conseguiu manter a coroa em La Liga, terminando apenas na 7ª colocação. Em março de 1983, os txuri-urdin iniciaram os duelos das quartas de final da Copa dos Campeões contra o Sporting, do goleiro Mészáros, do meia Manuel Fernandes e do artilheiro Rui Jordão. Jogando em Lisboa, a Real Sociedad tentou segurar o empate mesmo sem o capitão Kortabarría, suspenso. Com poucas chances de gol, os alviazuis tiveram sucesso em sua missão até os 89’, quando Manuel Fernandes fez o gol da vitória leonina.
Precisando de dois gols para se classificar, a Real Sociedad se impôs e contou com mais de 25 mil pessoas no caldeirão do Atotxa para construir sua vitória. No final do primeiro tempo, Bakero tocou curto para Larrañaga, que chutou rasteiro e a bola foi parar no fundo do gol: 1 a 0. pelo mar de adversários e foi parar no fundo das redes, a cinco minutos do fim do primeiro tempo. Aos 22’ do segundo tempo, Zamora recebeu um lateral do lado esquerdo do ataque e, mesmo sob os olhares de quatro sportinguistas, driblou pra lá, driblou pra cá e tocou para Bakero, que enganou o marcador e bateu rasteiro, sem chances para o goleiro Mészáros: 2 a 0. Real Sociedad na semifinal!
Vítimas de um timaço. E do apito

O último adversário antes da final foi o experiente Hamburgo, comandado por Ernst Happel e com nomes como Stein, Kaltz, Jakobs, Rolff, Hrubesch e Magath, um esquadrão fortíssimo e já multicampeão alemão na época. Só faltava um título europeu, que não vinha desde a Recopa de 1977, além de o clube ter perdido as finais da Copa dos Campeões de 1980 (para o Nottingham Forest) e da Copa da UEFA de 1982 (para o surpreendente IFK Göteborg). Além de enfrentar um rival complicado, a Real Sociedad teve mais problemas no elenco por causa de lesões, pois Kortabarría, com uma lesão na clavícula, e Olaizola, suspenso, eram desfalques para aqueles jogos semifinais, além do centroavante Satrústegui. O técnico Ormaetxea teve que improvisar jogadores e fez o que pôde para conseguir duelar contra os alemães.
Na ida, no Atotxa absolutamente lotado, o Hamburgo segurou os espanhóis e demonstrou enorme segurança no meio de campo e sobretudo na defesa. O ataque txuri-urdin pouco agrediu e Zamora não jogou bem. Com isso, Rolff abriu o placar para o Hamburgo no começo do segundo tempo. Minutos depois, a Real Sociedad conseguiu o empate após escanteio cobrado por Ufarte e gol do zagueiro Gajate, que apareceu na pequena área para empurrar a bola pro fundo do gol. O empate até que foi um bom resultado diante das circunstâncias – e pelo fato de Hrubesch ter mandado uma cabeçada na trave nos minutos finais do jogo.
Na volta, a Real Sociedad teve que encarar o Hamburgo diante de 51 mil pessoas no Volksparkstadion e com mais desfalques – sem o zagueiro Gajate e sem o meia Zamora, além de Kortabarría e Satrústegui. Temerosa, a imprensa espanhola temia por uma derrota de goleada dos bascos, a exemplo da sofrida pelo Real Madrid na semifinal de 1980 do torneio, quando os merengues levaram de 5 a 1 dos alemães e foram eliminados. Ormaetxea outra vez arquitetou seu time do jeito que deu, com Celayeta no centro da defesa, improvisado ao lado de Górriz, Murillo na lateral-direita e Olaizola retornando na esquerda após cumprir suspensão. Larrañaga e Zubillaga jogariam recuados no meio de campo, com Diego e Orbegozo (que entrava no lugar de Bakero) abertos pelas pontas. López Ufarte, em má fase, jogaria mais recuado para ser o garçom de Uralde, o centroavante.
A partida foi dramática e o Hamburgo teve grandes chances no primeiro tempo, mas Arconada e a trave impediram ao menos três gols dos alemães. Até que, no intervalo, aconteceu algo inesperado e que mudaria a história do jogo: um dos árbitros assistentes do trio suíço sofreu uma lesão no tornozelo e precisou deixar o jogo, tendo de ser substituído pelo alemão Udo Horeis, que seria o bandeirinha do lado onde o Hamburgo iria atacar no segundo tempo. O jogo ficou mais morno a medida em que o tempo passava, até porque o empate sem gols classificava o Hamburgo (na época, ainda valia o gol fora). E, aos 75’, Jakobs acertou uma cabeçada poderosa que não deu chance alguma para o goleiro Arconada: 1 a 0.
Parecia o fim da Real Sociedad. Mas não. Quatro minutos depois, uma reposição longa de Arconada foi ao encontro de Bakero, na ponta-direita. Ele dominou e percebeu a passagem de Diego pelo meio, fazendo o passe na frente. O camisa 8 mandou um chutaço no canto de Uli Stein e recolocou a Real Sociedad na briga pela vaga na final! Mas, quatro minutos depois, um escanteio para o Hamburgo pela direita foi cobrado e a zaga espanhola afastou. No rebote, Magath chutou, a bola desviou em Jakobs e sobrou para Von Heesen, em posição de impedimento. Ele tocou para o gol e o tento foi validado.
Sem VAR nem qualquer câmera lateral, os espanhóis não tiveram como contestar o gol. E o placar de 2 a 1 colocou o Hamburgo na final – a equipe alemã seria campeã ao derrotar a Juventus por 1 a 0. Era o fim do sonho europeu dos txuri-urdin, que sofreram demais com os desfalques e a falta de um elenco mais encorpado. Se estivesse inteira, a equipe certamente teria vencido a ida e poderia, quem sabe, segurar o empate na Alemanha. E aquele gol polêmico de Von Heesen atrapalhou demais uma reação dos espanhóis.
O fim do esquadrão

A eliminação na semifinal da Copa dos Campeões foi o último grande momento daquela geração vencedora. A equipe começou a envelhecer e não se renovou como deveria. Mudanças na diretoria e na comissão técnica também interferiram no rendimento da equipe, que ainda teve que ver o rival Athletic Bilbao iniciar uma era de ouro com títulos nacionais e grandes momentos. A Real Sociedad só voltaria a levantar um troféu em 1987, quando foi campeã da Copa do Rei ao bater o Atlético de Madrid na final.
Tal título foi o último de expressão dos txuri-urdin por muito tempo, até que uma nova geração pudesse fazer história e levantar a Copa do Rei de 2019-2020, em uma final vencida sobre o rival Athletic Bilbao por 1 a 0, histórica, apesar de ter sido disputada sem torcida por conta da pandemia da COVID-19. Foi um alento para que a Real Sociedad possa retomar o caminho das glórias como o construído naqueles anos 1980, tempos de um esquadrão único e imortal.
Os personagens:
Luis Arconada: embora não fosse muito alto – tinha 1,78m – Arconada foi um dos maiores goleiros da história do futebol espanhol e maior da história da Real Sociedad. Conhecido como “O Polvo”, tinha enorme elasticidade, reflexos apuradíssimos, enorme senso de colocação e muito arrojo. Titular da seleção espanhola em quase 70 partidas e presente nas Copas do Mundo de 1978 e 1982, além das Eurocopas de 1980 e 1984. Revelado pelo clube, Arconada começou a jogar na equipe principal em 1974 e permaneceu até 1989, sendo a referência do time e até tema de canto da torcida, que gritava “No pasa nada, tenemos Arconada”. O goleirão é até hoje um dos recordistas em jogos pela Real Sociedad com 551 partidas disputadas.
Celayeta: lateral de enorme talento, tinha características mais defensivas e era quase um terceiro zagueiro no esquema tático daquela Real Sociedad. Marcava muito bem, cobria bem os espaços e se destacava pela lealdade. Foram mais de 300 jogos pelo clube entre 1978 e 1986.
Górriz: o zagueiro começou na Sociedad em 1979 e permaneceu ate 1993. No período, se transformou no jogador que mais vezes vestiu a camisa alviazul na história com 599 jogos. Muito veloz, ótimo nas jogadas aéreas e com bom porte físico, Górriz fez uma dupla de zaga memorável ao lado de Kortabarría e ajudou a Real Sociedad a ter a defesa menos vazada de La Liga por três temporadas seguidas.
Agustín Gajate: o zagueiro não tinha grande qualidade técnica, mas compensava com muita força de marcação e força de vontade. Só passou a integrar a equipe titular em definitivo após 1983. Gajate alcançou a marca de 469 jogos pela Real Sociedad entre 1977 e 1992.
Tomás Orbegozo: o pequenino zagueiro jogou de 1981 até 1985 na Real Sociedad e podia jogar como zagueiro, lateral-direito e também volante. Era reserva e disputou 98 jogos pelo clube no período, incluindo a segunda partida da final da Supercopa da Espanha de 1982.
Kortabarría: um símbolo daquela era de ouro, o zagueiro foi o capitão da Real Sociedad em grandes momentos e um dos principais líderes do elenco. Se posicionava muito bem, era um leão na marcação e aparecia muito bem no ataque em jogadas aéreas graças à sua impulsão, além de ser um ótimo cobrador de pênaltis. Só vestiu a camisa da Real Sociedad na carreira e disputou 442 jogos pelos txuri-urdin entre 1971 e 1985.
Julio Olaizola: assim como seu companheiro Celayeta, não era muito de avançar ao ataque pelo fato de a Real Sociedad daquela época ter pontas muito talentosos e meias criativos. Olaizola dava combate, ajudava na recuperação da bola e também na marcação. Disputou 327 jogos pelos txuri-urdin na carreira.
José Diego Álvarez: meio-campista muito consistente, jogava mais pelo lado direito e era um elo importante na transição ofensiva da equipe. Marcava alguns gols e distribuía bem a bola, dando liberdade para os companheiros de ataque. Jogou na Real Sociedad de 1974 até 1985 e disputou 349 jogos.
Eliseo Murillo: podia atuar nas duas laterais e tinha características mais defensivas. Não foi titular absoluto por causa da concorrência e entrava no decorrer das partidas. Foram 140 jogos entre 1977 e 1985.
Javier Zubillaga: meio campista muito dinâmico, substituiu Periko Alonso a partir da temporada 1982-1983 e conseguiu manter uma boa qualidade no setor, embora não tivesse a qualidade de seu antecessor. Jogou de 1981 até 1987 nos txuri-urdin até se transferir para o Espanyol, onde foi vice-campeão da Copa da UEFA de 1987-1988.
Miguel “Periko” Alonso: com ampla visão de jogo, chutes poderosos de fora da área e especialista no elo entre defesa e ataque, Periko Alonso foi um dos mais talentosos meias de sua geração e brilhou na Real Sociedad bicampeã espanhola. Cria do clube, Alonso ganhou rapidamente a titularidade e foi peça-chave na equipe de 1977 até 1982, disputando 180 jogos e marcando 26 gols. Após o título espanhol de 1982, foi jogar no Barcelona, onde venceu quatro troféus, incluindo La Liga de 1984-1985.
Larrañaga: o meio-campista, que também podia jogar como zagueiro e líbero, é o 2º atleta que mais vestiu a camisa da Real Sociedad na história com 589 jogos. Foi integrado aos profissionais em 1980 e, mesmo com a concorrência de outros jogadores, jogou regularmente nas campanhas vencedoras daquele começo de anos 1980. Jogou nos txuri-urdin até 1994 e foi titular absoluto entre 1986 e 1992.
Jesús Zamora: ídolo, camisa 10 e autor do gol que garantiu o título espanhol de 1981, Jesús Zamora foi um dos maiores craques da história da Real Sociedad e uma verdadeira divindade dos txuri-urdin. Além de sua grande técnica, como organizador e formidável passador, tinha capacidade para chegar ao ataque e marcar gols, além de ser driblador e ter grande visão de jogo. Zamora é o 3º atleta com mais jogos pela Real Sociedad em todos os tempos com 588 partidas, além de ter marcado 69 gols. Ele só vestiu a camisa dos txuri-urdin na carreira entre 1974 e 1989.
Pedro Uralde: ponta-direita que chutava muito bem, Uralde também podia jogar mais pelo meio ou ser usado como um segundo atacante no 4-4-2. Jogou de 1978 até 1986 na Real Sociedad e marcou 80 gols em 221 jogos com a camisa alviazul. Foi o herói do título da Supercopa da Espanha de 1982, com dois gols nos 4 a 0 sobre o Real Madrid.
Santiago Idígoras: El Vikingo de Oñati foi outro bom atacante da Real Sociedad naquela época e podia jogar como ponta-esquerda e segundo atacante. Marcou três gols em 21 jogos como titular na campanha do título espanhol de 1980-1981. Por causa da concorrência no setor ofensivo e a ascensão de jovens da base, acabou deixando o clube em 1981 para jogar no futebol mexicano. Entre 1974 e 1981, disputou 229 jogos e marcou 40 gols pelos txuri-urdin.
Jesús Satrústegui: maior artilheiro da história da Real Sociedad com 163 gols em 375 jogos, era incansável na movimentação, batalhador, perito em abrir espaços, bom finalizador e ótimo no cabeceio graças à boa impulsão. Jogou de 1973 até 1986 e brilhou intensamente em todos os títulos dos txuri-urdin naqueles anos 1980, sendo o artilheiro do time na temporada 1980-1981 (19 gols) e vice-artilheiro da temporada 1981-1982 (13 gols). Sofreu uma gravíssima lesão nos ligamentos do joelho na temporada 1982-1983 e nunca mais se recuperou 100%, encerrando sua carreira em 1986.
José Maria Bakero: começou sua carreira como atacante, mais foi recuando para o meio de campo até virar meia. Muito habilidoso, com enorme visão de jogo e com faro artilheiro, foi um dos mais talentosos jogadores de seu tempo e só não teve mais espaço no time bicampeão espanhol por causa da concorrência dos mais experientes e por ter sofrido uma grave lesão na temporada 1981-1982. Recuperado, virou titular na temporada 1982-1983 e ajudou a Real Sociedad a alcançar a semifinal da Liga dos Campeões daquela época. Seguiu intocável no time até 1988, quando Johan Cruyff foi buscá-lo e o levou ao Barcelona, onde integrou o lendário Dream Team multicampeão do final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Em 288 jogos pela Real Sociedad, Bakero marcou 90 gols.
Ufarte: “El Pequeño Diablo” era o grande craque daquela Real Sociedad bicampeã espanhola. Infernizava as zagas rivais com dribles, arrancadas e jogadas incisivas que encantavam o torcedor basco. Nascido no Marrocos, mas criado no País Basco, foi um ídolo dos txuri-urdin e um dos maiores artilheiros da história do clube ao marcar 129 gols em 474 jogos entre 1975 e 1987. Em 1988, foi jogar no Atlético de Madrid, mas sem o brilho de antes.
Begiristain: despontou na Real Sociedad exatamente no fim daquela geração de ouro. Fez algumas partidas já na temporada 1982-1983 e passou a ser titular a partir de 1983-1984, atuando como ponta e segundo atacante. Não era goleador, mas um jogador importante para abrir espaços nas zagas rivais com sua habilidade e inteligência tática. Foi outro que brilhou no Barcelona de Cruyff entre 1988 e 1995.
Alberto Ormaetxea (Técnico): após se aposentar, foi auxiliar técnico da Real Sociedad até alcançar o posto principal em 1978. Com um trabalho marcante de lapidar talentos nas categorias de base e montar um time forte no setor defensivo e também no ataque, Ormaetxea foi sem dúvida o mais importante técnico da história da Real Sociedad. Levantou títulos inéditos, criou uma identidade única entre time e torcida e poderia ter ido ainda mais longe se o excesso de problemas físicos de seus atletas e a arbitragem não tivessem prejudicado a Real Sociedad na semifinal europeia de 1983. Entre 1978 e 1985, comandou a Real Sociedad em 324 jogos, com 157 vitórias, 87 empates, 80 derrotas, 451 gols marcados e 280 gols sofridos. Ganhou uma estátua no estádio Anoeta, casa dos txuri-urdin desde 1993.


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De 80 a 84 a sociedad e o Bilbao faturaram quatro ligas e bateram de frente com o Madrid e o Barcelona mostrando a força do país basco pena que isso ficou no passado pois no futebol multi milionário de hoje não dá mais pra competir.ser base da seleção como a real já foi em plena copa do mundo então impossível.bom Guilherme você já tinha feito o Bilbao BI campeão e agora a real BI campeã um time realmente muito legal de se saber a história valeu.