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Craque Imortal – Gyula Grosics

Gyula Grosics

Nascimento: 04 de fevereiro de 1926, em Dorog, Hungria. Faleceu em 13 de junho de 2014, em Budapeste, Hungria.

Posição: Goleiro

Clubes: Dorogi Bányász-HUN (1945-1947), MATEOSZ Budapest-HUN (1947-1949), Teherfuvar-HUN (1949-1950), Budapeste Honvéd-HUN (1950-1957) e Tatabánya Bányász-HUN (1957-1962).

Principais títulos por clubes: 4 Campeonatos Húngaros (1950, 1952, 1954 e 1955) pelo Budapeste Honvéd.

Principais títulos por seleção: 1 Medalha de Ouro Olímpico (1952), 1 Copa da Europa Central (1953), 1 Copa dos Balcãs (1947) e 1 Vice-campeonato da Copa do Mundo da FIFA (1954) pela Hungria.

Principais títulos individuais:

Jogador do Ano do Futebol Húngaro: 1949 e 1950

Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 1954

World Soccer World XI: 1960 e 1961

 

“O Primeiro Goleiro-Líbero”

Por Guilherme Diniz

No futebol deste século XXI, um pré-requisito para qualquer goleiro é saber jogar com os pés. Nas partidas rápidas e que recomeçam a todo momento lá do campo de defesa, um goleiro deve saber improvisar, dominar a bola e dar passes para seus companheiros. Mas, lá nos anos 1940 e 1950, quando isso era algo fora do comum, um goleiro húngaro quebrou um paradigma. Jogando mais à frente da pequena área e todo de preto, ele era uma figura marcante e se transformou no primeiro goleiro-líbero da história, bem antes de outras lendas cravarem seu nome jogando assim. Mas não era apenas com os pés que Gyula Grosics se destacava. Ele também conseguia realizar defesas milagrosas, tinha reflexos apurados e um grande senso de antecipação que transformaram o húngaro no “Fekete párduc” (Pantera Negra), em um dos maiores de todos os tempos e titular de uma das mais fabulosas seleções que o mundo já viu: a Hungria campeã olímpica e vice-campeã mundial dos anos 1950. É hora de relembrar a carreira dessa lenda do esporte.

Sacerdote? Que nada!

Grosics

Grosics nasceu na pequena cidade de Dorog, a cerca de 40 km de Budapeste, em uma família de mineiros, atividade muito comum na região. No entanto, a mãe do jovem queria que o filho seguisse a carreira de sacerdote para que a vida dedicada a Deus “o afastasse dos males do cotidiano”. Só que o futebol entrou cedo na vida de Grosics, que preferiu a bola ao invés da batina. “A vida às vezes é cheia de surpresas”, lembrou Grosics, certa vez, em entrevista ao site da FIFA. 

“Aos 15 anos, e basicamente ainda uma criança, joguei minha primeira partida como goleiro pelo time principal do Dorog. Daquele dia em diante, o futebol se tornou uma parte importante da minha vida”.

No entanto, antes de Grosics começar efetivamente a encarar o futebol como seu ganha-pão, ele teve que viajar até a Áustria para trabalhar durante a Segunda Guerra Mundial, pois a Hungria se aliou à Alemanha nazista em 1938 e todos os homens entre 12 e 21 anos deveriam trabalhar de alguma maneira durante o conflito. Grosics, felizmente, não se feriu nem teve que ir ao front como soldado, mas só retornou ao seu país em 1945, quando pôde, enfim, vestir a camisa do time de sua cidade, o Dorogi FC, pelo qual jogou de 1945 até 1947. 

Seria difícil para o goleiro ganhar algum título pela modesta equipe rubro-negra, mas seu bom desempenho no campeonato local começou a chamar a atenção de outras equipes. Embora não fosse tão alto para a posição – tinha 1,78m -, Grosics compensava a estatura mediana com reflexos apurados, enorme senso de colocação e um estilo de jogo diferenciado. E tal estilo seria aprimorado nos anos seguintes, em especial na seleção, para a qual passaria a ser convocado em 1947 (sem ser vazado nos dois primeiros jogos, contra Albânia e Romênia) pelo técnico Gusztáv Sebes.

Nasce o goleiro-líbero

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Após jogar pelo MATEOSZ Budapest e também pelo Teherfuvar, Grosics expandiu suas qualidades em definitivo com a camisa do Budapeste Honvéd, onde o jovem brilharia ao lado de lendas da seleção como Puskás, Kocsis e Czibor. Além de ser um goleiraço, Grosics jogava de maneira avançada, dificultava as ações dos atacantes com suas saídas arrojadas do gol e era capaz de distribuir bem a bola tanto com as mãos quanto com os pés. Ele era um defensor extra do time, praticamente um líbero, o que permitia aos seus companheiros pressionar o fundo do campo adversário.

Como resultado, ele se tornou o ponto de partida para os ataques de sua equipe e avançava para longe da linha, desafiando a ideia de que um goleiro deve permanecer confinado à sua área. Com isso, Grosics foi o primeiro goleiro-líbero do futebol, algo que ficou muito comum décadas depois com outros camisas 1 como Amadeo Carrizo (que começou a brilhar na mesma época de Grosics, inclusive), Hugo Gatti, René Higuita, José Chilavert, Rogério Ceni e Manuel Neuer.

Além desse estilo pioneiro, Grosics criou uma identidade única para si. Cansado de ter que trocar constantemente as cores da camisa ao longo da temporada, o goleiro começou a entrar em campo vestido inteiramente de preto. Foi uma escolha de estilo que lhe rendeu o apelido de “Pantera Negra”, por conta de seus reflexos rápidos e a abordagem toda preta. Logo, se tornou popular entre seus colegas de profissão, com Lev Yashin posteriormente adotando tais vestimentas e sendo apelidado de “Aranha Negra”.

Craque dos Mágicos Magiares e o drama de 1954

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Em 1952, Grosics iniciou a era mais fantástica da carreira ao ser um dos pilares da sublime seleção húngara campeã olímpica de futebol. Ele levou apenas dois gols nos cinco jogos da seleção magiar e, em 1953, foi um dos protagonistas do “Jogo do Século” entre Inglaterra e Hungria em Wembley, que terminou com vitória magiar por 6 a 3, na primeira derrota do English Team para uma seleção não-britânica na história. Imbatíveis, os húngaros demoliam os adversários sem dó e marcavam gols e mais gols, na maioria das vezes com dois gols em menos de 20 minutos. Em tempos de futebol ofensivo, Grosics era um dos raros goleiros que levava poucos gols não só pela qualidade de seu time como também por ele mesmo.

Em 1954, na Copa do Mundo, Grosics chamou a atenção por não usar um item antes tido como indispensável para um goleiro: as joelheiras. Pelo fato de a proteção limitar um pouco os movimentos na hora de saltar, Grosics passou a jogar sem o artefato e, assim, conseguia ter mais elasticidade e liberdade. Favorita, a Hungria superou sem qualquer problema a fase de grupos ao golear a Coreia do Sul por 9 a 0 e bater a Alemanha por 8 a 3. Nas quartas de final, derrotou o Brasil por 4 a 2 e, na semifinal, venceu o Uruguai por 4 a 2 em um jogo épico decidido apenas na prorrogação.

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Na grande final, a Hungria reencontrou a Alemanha e abriu 2 a 0 em apenas oito minutos. A Alemanha conseguiu empatar ainda no primeiro tempo – embora um dos gols tenha acontecido após falta em Grosics – e, na etapa final, virou o jogo para 3 a 2 com Helmut Rahn, em um gol que causou pesadelos em Grosics durante anos, pois o húngaro acabou escorregando na grama molhada e não conseguiu defender. “Continuo tendo o mesmo pesadelo, até hoje: vejo aquele gol do Rahn e, de repente, me jogo em um abismo”, comentou Grosics anos depois, sobre o lance fatídico. Mesmo com o vice, Grosics foi eleito para o All-Star Team como melhor goleiro do Mundial.

Tempos difíceis

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Foto: PA Images via Getty Images
 

Após a Copa, Grosics viveu momentos tensos em sua carreira. Por jogar em um país que usava o esporte como propaganda do regime comunista da Hungria na época, o goleiro era um dos escudeiros do técnico Sebes, ligado ao governo e vice-ministro de Esportes. O problema é que Sebes não via Grosics muito confiável nesse aspecto político, pois o camisa 1 havia tentado deixar o país em 1949 e, em novembro de 1954, foi preso por suspeita de espionagem e “traição ao Estado” – o caso aconteceu momentos antes de entrar em campo pelo Honvéd. Na época, disseram ao goleiro que ele nunca mais iria jogar futebol no país.

Ao longo de mais de um ano, Grosics foi interrogado, investigado e espionado. Ficou sem jogar e sob ameaças constantes da polícia, que era conhecida por promover espancamentos e execuções a quem era contra o regime. Grosics não podia sair de casa e não tinha contato com seus colegas de time nem de seleção. Tudo aquilo, segundo o jogador, tinha sido plantado por alguém de dentro da seleção que achava que ele tratava de relações com outros atletas no exterior. Após 15 meses de angústia, o goleiro foi liberado pelo governo por falta de provas. Ele voltou a jogar pela seleção em 1956 e seguiu como principal em sua posição no país até 1962, disputando inclusive as Copas de 1958 e 1962. Porém, em ambas, a Hungria não repetiu o desempenho de antes.

O problema é que, em 1956, explodiu a Revolução Húngara que iniciou um regime de extrema repressão que duraria até 1989. Foi nesse período que vários jogadores húngaros, em excursão pela América do Sul com o Honvéd, decidiram não retornar à Hungria e assinaram contratos com outros clubes quando o clube voltou ao Velho Continente. Puskás foi jogar no Real Madrid, Czibor e Kocsis foram para o Barcelona, mas Grosics, na esperança de jogar em alguma equipe estrangeira ou mesmo no Ferencvaros, seu sonho de infância, ruíram. O goleiro tentou sair do país com sua família, mas foram forçados a retornar e, diante da opressão do governo, Grosics foi jogar no modesto Tatabányai, onde permaneceu até 1962, quando pendurou as luvas em definitivo, aos 36 anos, diante de uma nova negativa em jogar no Ferencvaros.

O maior da Hungria

Gyula Grosics

Grosics seguiu no mundo do futebol após se aposentar e foi técnico de vários clubes do país e ainda da seleção do Kuwait. Nos anos 1990, com o fim do regime ditatorial, ele tentou uma vaga no Parlamento, mas não conseguiu vencer as eleições. Em 2008, um gesto simbólico marcou a vida de Grosics. Exatos 46 anos após não conseguir jogar pelo Ferencvaros, Grosics, com 82 anos, participou de uma partida em sua homenagem e vestiu, enfim, a camisa do clube pelo qual torcia. Ele trajou um uniforme todo preto, como mandava sua cartilha, e arrancou aplausos e muita emoção de todos no estádio. Ele esteve em campo por um minuto, até ser substituído por Holczer. O amistoso do Ferencvaros contra o Sheffield United-ING terminou com vitória inglesa por 1 a 0 (mas ele não levou o gol…).

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Seis anos depois, Grosics faleceu, aos 88 anos, devido a problemas no pulmão e no coração. O Tatabányai, seu último clube na carreira, prestou uma bela homenagem ao lendário goleiro ao batizar seu estádio em homenagem a Grosics, que segue até hoje como o mais importante e reconhecido goleiro húngaro de todos os tempos e inspiração para tantos outros brilharem com as mãos e os pés muito além da grande área.

Números de destaque:

  • Disputou 61 jogos pelo Dorogi.
  • Disputou 85 jogos pelo MATEOSZ.
  • Disputou 125 jogos pelo Honvéd.
  • Disputou 123 jogos pelo Tatabányai.
  • Disputou 86 jogos pela seleção da Hungria.

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1 COMENTÁRIO

  1. Grosics merece ser mais lembrado mas como aquela Hungria era toda ataque a defesa passa despercebida mas ele se destacava muito mesmo num time ultra ofensivo.grosics primeiro húngaro a jogar três copas do mundo com treze jogos e dezessete gols sofridos.ai Guilherme uma deixa pra você: se colocar no site o Josef boszik e o Zoltan czibor você fecha a máquina magiar dos anos 50.fica a dica.parabens pelo trabalho amigo estamos de olho sempre.

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