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Roma x Lazio – Derby della Capitale

 

Por Guilherme Diniz

 

Este é o maior clássico do mundo de uma lista especial do Imortais. Confira a relação completa clicando aqui!

 

A rixa: ambos são da região do Lácio, na Itália Central. A Roma herdou o nome da capital e foi fundada em 1927 após a fusão de três times. Seriam quatro, pois a ideia era criar uma só agremiação para a região. Contatada para compor a nova equipe, a Lazio, fundada em 1900, recusou. O resto é história…

Quando começou: no dia 08 de dezembro de 1929, na vitória da Roma por 1 a 0 em plena casa da Lazio, gol de Rodolfo Volk.

Maior Artilheiro: Francesco Totti-ITA (Roma): 11 gols

O brasileiro Dino da Costa, também da Roma, possui 11 gols em partidas oficiais e um em uma partida não-oficial, por isso, deve ser contabilizado aqui também.

Quem mais venceu: Roma – 73 vitórias (até março / 2022). A Lazio venceu 55. Foram 66 empates.

Maiores goleadas: Roma 5×0 Lazio, 1º de novembro de 1933

Lazio 1×5 Roma, 11 de setembro de 1955

Lazio 1×5 Roma, 10 de março de 2002

Roma 0x3 Lazio, 26 de junho de 1932

Lazio 4×1 Roma, 06 de janeiro de 1998

Lazio 3×0 Roma, 10 de dezembro de 2006

 

Em 1927, o regime fascista em vigor na Itália queria um clube de grande porte para levar o nome da capital italiana para fora do país e que representasse a força esportiva da região. Com isso, Italo Foschi criou a AS Roma, unindo três clubes: Alba, Fortitudo e Roman. Ele iria juntar mais um, mas esse um era a Lazio, que se recusou a fazer “simbiose” e trouxe à tona naquele final de década uma das maiores rivalidades da Europa e também a maior de toda a Itália. Fanáticos ao extremo e moldados pela paixão exacerbada, os tifosi de Roma e Lazio conseguiram ocultar os títulos dos vizinhos de Milão e Turim e deram ao futebol romano o troféu de maior rivalidade do Calcio. Criados sob o fascismo, Roma e Lazio protagonizaram o primeiro duelo entre ambos em dezembro de 1929, com uma vitória da Roma por 1 a 0 na casa da Lazio, no Stadio della Rondinella.

Foi uma vitória que significou muito não só pelo histórico “não” da Lazio, mas pelo fato de a Roma vir da área popular da cidade e vencer um time oriundo das camadas mais ricas. Além disso, os giallorossi sempre tiveram posição esquerdista quando o assunto era política, e os celestes, de direita. Nos anos 30 e 40, o regime de Mussolini foi uma sombra no futebol romano que acabou refletindo até mesmo no título italiano da Roma de 1941-1942, com supostas interferências na arbitragem.

O fascismo esteve estreitamente ligado ao futebol romano nos anos 30 e 40.

 

Arne Selmosson (à dir.), único jogador a marcar gols pelos dois clubes na história do dérbi.

 

Com grandes jogadores em diferentes épocas, os dois times sempre fizeram jogos equilibrados, além de jogos amistosos e festivos com jogadores de ambas as equipes, em raros momentos sem rivalidade nem desavenças. Foi assim em 1928, quando os times enfrentaram os tchecos do Viktoria Zizkov em um combinado com jogadores da Lazio e da Roma e um uniforme especial, com uma loba azul no centro – os romanos venceram por 4 a 2. Em 1973, enfrentaram o CSKA, da Rússia, outra vez com uniforme especial e time mesclado, mas perderam por 1 a 0. E, em novembro de 1979, as equipes se uniram após uma tragédia que ocorreu um mês antes, quando o torcedor da Lazio Vicenzo Paparelli foi atingido no olho por um sinalizador lançado por torcedores da Roma. Paparelli faleceu a caminho do hospital e, mesmo com a ira da torcida, o jogo não foi suspenso e continuou mesmo assim – com empate em 1 a 1.

Foi o mais grave incidente em toda a história do clássico, que foi mais ameno nos anos seguintes muito por causa do ótimo futebol praticado pela Roma de Falcão, Di Bartolomei, Conte e Pruzzo, nos anos 80, e por ambas as equipes no final dos anos 90 e início dos anos 2000, quando o dérbi virou o grande jogo da Itália e parava o calendário do Calcio em tempos de craques e títulos históricos para ambos os lados, com Totti, Cafu, Batistuta e Montella do lado da Roma e Nedved, Crespo, Verón, Mancini e Nesta do lado da Lazio.

O capitão da Lazio, Wilson, tenta acalmar os torcedores na fatídica partida de Paparelli.

 

Bruno Conti e Bruno Giordano, em um clássico no final dos anos 70.

 

Dino da Costa, um dos artilheiros do clássico.

 

Totti vai pra galera: aprontar contra a Lazio era com ele mesmo!

 

Em 2004, outro episódio tenso tomou conta do clássico. Confrontos entre policiais e torcedores fora do estádio e até um falso rumor de que a polícia havia matado um garoto atropelado fizeram com que o presidente da federação italiana na época, Adriano Galliani, pedisse o adiamento da partida ligando para o árbitro no estádio. A bagunça começou após os torcedores verem o corpo de um garoto coberto com um lençol. Só depois que ficou claro que aquilo foi feito pelos paramédicos, pois o menino estava com dificuldade para respirar por causa das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia e, por isso, ficou protegido pelo lençol. O saldo da bagunça: 13 detidos e mais de 170 feridos. Em janeiro de 2005, os nervos voltaram a se acirrar quando Di Canio, da Lazio, celebrou a vitória de seu time sobre a Roma (3 a 1) fazendo a saudação romana, gesto clássico do fascismo.

Festa da Lazio na Copa da Itália de 2013.

 

Desde então, o duelo perdeu o brilho internacional que tinha por causa da queda de rendimento como um todo do futebol italiano, mas, em 2013, o sonho de todo tifosi se realizou: aconteceu a primeira decisão de título entre os rivais, na final da Copa da Itália, quando a Lazio bateu a Roma por 1 a 0 no estádio Olímpico abarrotado de gente – mais de 70 mil pessoas. A Lazio pode ter desvantagem na história do duelo e sido vítima das maiores goleadas do confronto, mas levantar uma taça em cima do maior rival certamente rende muita gozação perante os giallorossi, que esperam ansiosamente pela revanche.

 

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