Data: 30 de junho de 2025
O que estava em jogo: uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025.
Local: Estádio Camping World, Orlando, EUA
Árbitro: Jesús Valenzuela (VEN)
Público: 42.311 pessoas
Os Times:
Manchester City-ING: Ederson; Matheus Nunes (Aké), Rúben Dias, Gvardiol (Akanji) e Aït-Nouri; Reijnders (Cherki), Bernardo Silva e Gündogan (Rodri) (Foden); Savinho, Haaland (Marmoush) e Doku. Técnico: Pep Guardiola.
Al-Hilal-ARS: Bono; Koulibaly, Rúben Neves e Renan Lodi; João Cancelo (Al-Yami), Milinkovic-Savic, Kanno (Ali Lajami), Al-Dawsari (Al-Juwayr)e Al-Harbi (Al-Bulayhi); Malcom (Kaio César) e Marcos Leonardo. Técnico: Simone Inzaghi.
Placar: Manchester City 3×4 Al-Hilal. Gols: (Bernardo Silva-MCI, aos 9′ do 1ºT; Marcos Leonardo-HIL, aos 1′, Malcom-HIL, aos 7′, e Haaland-MCI, aos 10′ do 2ºT. Koulibaly-HIL, aos 3′ e Foden-MCI, aos 12′ do 1ºT da prorrogação. Marcos Leonardo-HIL, aos 7′ do 2ºT da prorrogação).
“O Futebol é Mundial!”
Por Guilherme Diniz
Muito antes da primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da FIFA começar, as expectativas eram sobre qual clube europeu ficaria com o título e quais embates veríamos na fase final. Mesmo com 32 equipes de diferentes países e particularidades únicas, o velho chavão seguia intacto: “ah, os europeus vão nadar de braçada”, “ah, a diferença é abissal”. Só que esse grande torneio escancarou de vez que o futebol não se restringe apenas à Europa. Ele é, sim, mundial, com clubes poderosos, talentosos e que podem surpreender. Vimos isso na vitória do Botafogo sobre o PSG (campeão europeu), na fase de grupos. Vimos isso no triunfo do Flamengo sobre o Chelsea, também na fase de grupos. Teve também os empates do Palmeiras contra o Porto e do Fluminense diante do Borussia Dortmund, em jogos nos quais os brasileiros dominaram as ações.
Tais partidas chamaram a atenção de todos, claro, mas o favoritismo europeu seguia inabalado quando chegaram as oitavas de final. E só aumentou quando o Bayern venceu o Flamengo por 4 a 2 e o PSG superou o Inter Miami por 4 a 0. Porém, no dia 30 de junho, tudo começou a mudar quando o Fluminense derrotou de maneira categórica a favorita e vice-campeã europeia, Internazionale, por 2 a 0, e se garantiu nas quartas de final. Após o jogo, todos já planejavam um duelo entre tricolores e ingleses, pois o Manchester City iria enfrentar o Al-Hilal no jogo que decidiria o rival brasileiro. Mas peraí: será que ninguém confiava no time árabe? Será que ninguém viu que eles haviam empatado com o Real Madrid na fase de grupos em 1 a 1? Será que ninguém sabia que eles tinham um dos melhores goleiros do mundo (Bono), um zagueiraço (Koulibaly), um grande meio-campista (Milinkovic-Savic), um lateral-direito badalado (João Cancelo) e uma rápida e talentosa dupla de ataque (Malcom e Marcos Leonardo)? E, no comando de todos eles, tinha Simone Inzaghi, que sabia muito bem como enfrentar e vencer equipes que jogavam com linhas altas.
Quem esperava um passeio do City, viu um jogo histórico, disputado e eletrizante. Os ingleses abriram o placar logo aos 9’ e passaram a administrar o jogo como de costume, mas não ampliaram por culpa do goleiro Bono. No segundo tempo, tudo mudou quando o Al-Hilal chegou ao empate logo no primeiro minuto. Preocupado, Guardiola decidiu mexer no time e colocar três titulares. No entanto, enquanto passava as instruções, viu o Al-Hilal engatilhar um contra-ataque mortal que resultou na virada. Com mais estrelas em campo, o City foi pra cima e empatou. Uma nova virada parecia consumada, mas os ingleses pararam em Bono e no ferrolho saudita, capitaneado por Koulibaly.
O tempo regulamentar se esgotou e a partida foi para a prorrogação. Nela, o zagueiro senegalês do Al-Hilal coroou sua atuação irretocável com um gol. O tempo passou e Phil Foden, outro titular que entrou naquele tempo extra, empatou. No segundo tempo, Marcos Leonardo, autor do primeiro gol dos sauditas, fez o quarto e decretou a vitória por 4 a 3 que classificou o Al-Hilal para as quartas de final. Foi o primeiro triunfo de um time asiático sobre um europeu na história dos Mundiais e a prova máxima de que o esporte jamais pode se resumir apenas a um só continente. De quebra, decretou o fim de uma temporada melancólica para Guardiola, que não conseguiu nenhum grande troféu pelo City em 2024-2025. É hora de relembrar o Manchester City 3×4 Al-Hilal 2025.
Sumário
Pré-jogo

Única equipe 100% na fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes, o Manchester City era um dos favoritos ao título naquela fase final. Mesmo após uma temporada bem abaixo da média e sem nenhum grande título após sete anos – desde 2017 que os Citizens não passavam por uma época tão “seca” -, a equipe utilizava o Mundial como uma espécie de pré-temporada e Guardiola fazia testes com as novas contratações: o lateral argelino Aït-Nouri, o meia francês Cherki e o meio-campista holandês Reijnders, todos vindos como reforços para o Mundial.
Na estreia, o City venceu o Wydad-MAR por 2 a 0 e, na sequência, goleou o Al Ain-EAU por 6 a 0, encaminhando a classificação para as oitavas de final sem sustos. No grande duelo do Grupo G, contra a Juventus, os ingleses venceram por 5 a 2 e deram mostras de que o estilo competitivo de Guardiola estava de volta. Mesmo mexendo bastante nas escalações, o técnico mantinha seu jogo intacto e via sua equipe marcar muitos gols e demonstrar dominância sobre os rivais.
Do outro lado, o Al-Hilal entrou na competição disposto a ficar com uma das vagas do Grupo H, que tinha o favorito Real Madrid, o RB Salzburg-AUT e o Pachuca-MEX. Os árabes tinham um elenco muito forte e se reforçaram com as chegadas do lateral-direito português João Cancelo (ex-Manchester City), o atacante brasileiro Marcos Leonardo (ex-Benfica) e o meia brasileiro Kaio César (ex-Vitória Guimarães). Além deles, a diretoria trouxe o técnico Simone Inzaghi, ex-treinador da Internazionale, para comandar o time no Mundial. Com a experiência de ter comandado a nerazzurri ao longo de quatro anos, com dois vices-campeonatos da Liga dos Campeões, um título da Série A, duas Copas da Itália e três Supercopas da Itália, Inzaghi tinha talento e podia fazer o Al-Hilal surpreender.

E foi isso que aconteceu logo na estreia da equipe, diante do Real Madrid, quando os árabes empataram em 1 a 1 um duelo disputado e mais parelho do que o esperado. Na partida seguinte, os azuis empataram sem gols com o RB Salzburg e, no último jogo do grupo, venceram o Pachuca por 2 a 0, resultado que classificou o time árabe em segundo lugar, com 5 pontos, atrás apenas do Real Madrid, líder, com 7. Nas oitavas, os árabes tinham pela frente o Manchester City, rival conhecido de Inzaghi lá da final europeia de 2023. O italiano sabia como enfrentar o time de Guardiola e iria fazer uma linha de cinco homens parecida com a que tanto utilizou na Internazionale a fim de explorar as bolas alçadas em velocidade e engatilhar contra-ataques rápidos.
Essa estratégia se mostrou decisiva nos grandes jogos da equipe italiana durante a trajetória até a final da Liga dos Campeões da UEFA de 2024-2025, quando protagonizou embates épicos contra o Barcelona nas semifinais. Inzaghi apostou na dupla de ataque brasileira Malcom e Marcos Leonardo, além dos lançamentos do sérvio Milinkovic-Savic. Na zaga, recuou o lateral de origem Renan Lodi e fez um trio com Koulibaly e Rúben Neves.
Já o City teria outra escalação alternativa, com quatro homens na zaga – Matheus Nunes e Aït-Nouri nas laterais, Rúben Dias e Gvardiol na zaga -, o meio de campo com os experientes Bernardo Silva e Gündogan mais abertos e Reijnders centralizado e um ataque com Savinho e Doku pelas pontas e Haaland centralizado. No banco, Guardiola ainda teria Akanji, Aké, Foden, Cherki e Rodri, este voltando de lesão e jogando alguns minutos. O técnico poderia colocar sua força máxima e liquidar o jogo, mas demonstrava certa “preguiça” e abusava dos testes. O que o espanhol não sabia era que tal estratégia poderia custar caro…
Primeiro tempo – Muito pouco

Quando a bola rolou, o Al-Hilal se fechou com sua linha de cinco no meio, três zagueiros fixos e deixou apenas Malcom e Marcos Leonardo avançados, em busca do contra-ataque. O City, à sua maneira, foi trabalhando a bola de pé em pé principalmente pelas pontas, em especial no lado esquerdo, com o habilidoso Doku, que levava muito perigo com seus dribles e arrancadas. Porém, como o City jogava muito avançado, corria o risco de perder a bola e dar espaço ao Al-Hilal. A primeira chance clara de gol veio aos 5’, quando Doku driblou e levantou a bola na pequena área. Rúben Dias apareceu sozinho para cabecear, mas jogou em cima do goleiro Bono. Tempo depois, Malcom recebeu e tentou contra-ataque, mas foi derrubado por Reijnders. Na sequência, Marcos Leonardo recebeu na área, ajeitou e tocou para Kanno. O camisa 28 finalizou, mas a bola bateu na zaga inglesa.
A resposta do City veio em forma de gol, aos 9’. De novo pela esquerda, Doku iniciou a jogada e abriu com Aït-Nouri. O lateral tocou para Reijnders e se mandou para a grande área, onde recebeu de volta de Reijnders. Aït-Nouri cruzou, a bola bateu no peito de Gündogan e sobrou para Bernardo Silva, que só empurrou para o fundo das redes: 1 a 0. Os jogadores do Al-Hilal reclamaram de toque de mão de Aït-Nouri no momento do passe, mas o braço do argelino estava colado ao corpo, por isso, não houve infração.
O gol deixou o City mais confortável na partida e a equipe inglesa dava mostras de que iria vencer sem grandes sustos. Só que o Al-Hilal estava concentrado e esperando uma bola para engatilhar seu contra-ataque. Aos 17’, Marcos Leonardo recebeu um presente e avançou sozinho, mas errou a ajeitada e perdeu a posse. Aos 21’, Savinho levou perigo em chute por cima do gol de Bono, em momento do jogo no qual o City explorava mais o lado direito do ataque.


Aos 23’, uma grande chance desperdiçada pelo City. Haaland tocou para Savinho, que driblou Bono para arriscar a finalização. O brasileiro, porém, demorou demais para chutar e, sem ângulo, bateu em cima do goleiro, que se recuperou a tempo para evitar o segundo gol. Aos 28’, foi a vez de Gündogan receber lindo passe de Savinho dentro da pequena área. O alemão tentou a cavadinha, mas Bono fez linda defesa e mandou para fora. Na cobrança de escanteio, o goleiro salvou uma cabeçada com a pontinha do dedo. Aos 36’, Bernardo Silva e Savinho tabelaram e a bola ficou com Doku, que finalizou de primeira dentro da área, mas Bono defendeu. Aos 42’, enfim, o Al-Hilal conseguiu levar perigo quando Kanno arrancou pela direita e tocou para Marcos Leonardo na área. O camisa 11 subiu sozinho e cabeceou, mas a bola raspou o travessão e foi para fora.
No minuto seguinte, Bernardo Silva quase fez o segundo, mas Bono, de novo, defendeu o chute do português. Aos 45’+1’, foi a vez de Savinho tentar o cruzamento para a pequena área e Bono se esticar para evitar o perigo. O goleirão era o grande nome do Al-Hilal naquele primeiro tempo. O City pecava demais na conclusão e não conseguia chutar de fora da área por causa do bloqueio defensivo dos árabes. O 1 a 0 estava de bom tamanho para o Al-Hilal, que só precisava organizar melhor seu avanço ao ataque explorando o lado esquerdo do City, o mais vulnerável do time de Guardiola.
Segundo tempo – Virada árabe e máxima tensão

Sem mudanças, as equipes voltaram do intervalo e o Al-Hilal conseguiu o ataque que tanto buscava logo no primeiro minuto. Malcom roubou a bola exatamente no lado vulnerável dos ingleses, o esquerdo, e saiu em disparada, com categoria e habilidade. O brasileiro superou dois adversários e tocou na direita para Cancelo. O português cruzou, a zaga do City se atrapalhou e a bola sobrou para Marcos Leonardo, de cabeça, empatar: 1 a 1. Euforia árabe em Orlando! Logo na saída de bola, o Al-Hilal conseguiu atacar de novo com Malcom, que driblou e tocou para João Cancelo, que chegou batendo, mas a bola acertou a rede pelo lado de fora.
Guardiola precisava mudar a partida e chamou Akanji, Aké e Rodri. Enquanto orientava seus jogadores antes das substituições, o técnico viu o City ter um escanteio a seu favor. Na cobrança, a zaga do Al-Hilal afastou, o City tentou recuperar, mas a redonda voltou ao clube árabe, que engatilhou um contra-ataque com João Cancelo, que matou no peito, dominou e fez um lançamento espetacular para Malcom, que recebeu e saiu em disparada, livre de marcação. Ao entrar na área, o brasileiro chutou no cantinho do goleiro Ederson para virar: 2 a 1. Que aula de contra-ataque! E um gol pleno da tática de Inzaghi, que superou as linhas altas do rival para atacar no vácuo e marcar.

Imediatamente, Guardiola sacou Matheus Nunes, Gvardiol (vivendo péssima fase na temporada) e Gündogan (outro bem abaixo do que fora nos anos anteriores) e colocou Aké, Akanji e Rodri. A esperança era dominar novamente a partida, principalmente o meio de campo, e ter mais alternativas de chute na entrada da área. Apenas três minutos depois do gol, o City conseguiu o empate. Após cobrança de escanteio, Rúben Dias tentou o cabeceio. No bate-rebate, Haaland aproveitou a sobra e mandou para o fundo das redes, em típico gol de centroavante. Aos 10’, Malcom recebeu outra bola para explorar as lacunas da zaga inglesa, foi derrubado e o árbitro marcou pênalti, mas houve impedimento no início do lance e a infração foi anulada.
O City retomou a posse de bola, mas o Al-Hilal não dava espaços e se mostrava mais compacto do que na primeira etapa. Cansado e com dores, Malcom acabou substituído aos 19’ por Kaio César, que jogaria ao lado de Marcos Leonardo. Aos 28’, em nova cobrança de escanteio, Haaland subiu e ajeitou para trás. Doku apareceu para cabecear e a bola passou raspando o travessão de Bono. A resposta árabe veio aos 32’, quando o Al-Hilal cobrou falta na área e Kanno não conseguiu cabecear bem. Minutos depois, Haaland teve a chance, mas perdeu a disputa para Koulibaly. Aos 36’, Kanno saiu para a entrada de Lajami e o zagueiro teve trabalho logo aos 38’, quando Akanji cabeceou no ângulo superior esquerdo de Bono, a bola respingou e sobrou para Haaland, que bateu pro gol e Lajami tirou em cima da linha!
Os jogadores do City pediram para o árbitro verificar se a bola havia passado, mas ela foi tirada exatamente em cima da linha! A pressão inglesa aumentou nos minutos finais, mas Bono evitava de todas as maneiras o terceiro. Aos 44’, Kaio César apareceu no ataque, mas a finalização foi para fora. Após os acréscimos, a decisão seria na prorrogação. Expectativa de pênaltis? Que nada. Os árabes queriam a vitória.
Prorrogação – O épico árabe

Guardiola fez mais duas mudanças no time e colocou Cherki e Marmoush nos lugares de Reijnders e Haaland, respectivamente. Mas quem começou melhor foi o Al-Hilal, que ganhou escanteio logo aos 2’, após Renan Lodi receber bom passe de Rúben Neves, chutar para o gol e Rúben Dias mandar para fora. Na cobrança de Rúben Neves, Koulibaly subiu no meio de dois defensores e cabeceou pro gol, sem chances para o goleiro Ederson: 3 a 2. A vaga estava mais perto dos azuis de Riade! Guardiola decidiu fazer sua última mudança e sacou Rodri para a entrada de Phil Foden, formando assim uma linha de frente com Cherki, Savinho, Doku, Marmoush e Bernardo Silva.
Após mais uma interceptação de Koulibaly, aos 11’, o City conseguiu o empate no minuto seguinte. Em cruzamento de Cherki, Foden dividiu com Al-Yami e mandou no cantinho de Bono: 3 a 3. Ao fim do primeiro tempo, Guardiola reuniu todo o elenco para dar as últimas instruções. O último suspiro. A Copa do Mundo de Clubes era a cartada final para salvar a temporada. Se alguém ainda pensava que os “europeus não davam bola pro Mundial”, aquela reunião, naquela intensidade, desmentia tal crença por completo.

Quando a bola rolou, o Al-Hilal tentou dois ataques em sequência, mas não conseguiu levar perigo ao goleiro Ederson. Em um deles, Marcos Leonardo caiu no chão, com cãibras, e em breve teria que ser substituído. Aos 4’, Kaio César tentou passar por dois defensores do City, mas foi desarmado. Tentando o gol da classificação, o Al-Hilal continuou no ataque até Renan Lodi fazer um lançamento para Milinkovic-Savic, que cabeceou e Ederson defendeu. O problema é que o brasileiro espalmou a bola em direção a Marcos Leonardo, sozinho dentro da pequena área, que caiu e, mesmo no chão, chutou a bola pra dentro do gol: 4 a 3. O camisa 11 parecia até não acreditar no gol. Quando a ficha caiu, ele foi comemorar na bandeirinha de escanteio, colocando sua camisa sobre ela, como um conquistador.
A partir dali, não tinha mais tática, não tinha mais nada. O City entrou em desespero, uma situação que ele não estava acostumado, enquanto o Al-Hilal seguiu explorando os contra-ataques. Aos 11’, Renan Lodi (outro que fez uma partidaça) avançou, ergueu a cabeça e viu Rúben Neves lá na área inglesa. O brasileiro mandou para o português, que chutou e Aké salvou em cima da linha! Quase o quinto gol árabe! Sem pernas nem ânimo, o City se entregou de vez. E, ao apito do árbitro, a festa em Orlando foi árabe!


O Al-Hilal estava nas quartas de final como primeiro clube da Ásia a vencer um europeu em um Mundial de Clubes. Inzaghi conseguia sua volta por cima após o pesadelo da final da Liga dos Campeões. Já Guardiola ganhava o desfecho melancólico de sua pior temporada na carreira desde 2016-2017. O City teve 69% de posse de bola contra 31% do Al-Hilal. Foram 30 chutes a gol (15 no gol) dos ingleses contra 17 do Al-Hilal (6 no gol). Incríveis 19 escanteios dos ingleses contra 4 dos árabes. Bono fez 11 defesas e Ederson apenas duas. O City cometeu 17 faltas, o Al-Hilal, apenas 7. Um jogo limpo, eletrizante, inesquecível e que ficará na memória de muita gente por muito, muito tempo. A prova máxima de que o futebol não é apenas da e na Europa. É mundial!
Pós-jogo: o que aconteceu depois?
Manchester City: perder dessa maneira para o Al-Hilal ecoará para sempre na mente de Guardiola. O treinador poderia ter começado a partida com força máxima e, após conseguir o resultado que precisava, aí sim fazer as mudanças que queria. Foi uma aposta equivocada do espanhol deixar Cherki, Akanji e Aké no banco, por exemplo. “Criamos algumas boas chances, mas o Bono fez defesas incríveis. Não há mais nada a dizer. Vi muitas coisas boas que não tinha visto antes, principalmente no relacionamento entre os jogadores e a comissão técnica. Sinto que estávamos felizes e os treinos foram muito bons, mas o nível aqui é altíssimo”, comentou Guardiola no pós-jogo, ressaltando que “nessas fases, todas as partidas são difíceis e permitimos que criem muitas transições”. Resta ao treinador refazer seu time como sempre fez e tentar recuperar a coroa na Inglaterra e na Europa.

Al-Hilal: a classificação histórica do Al-Hilal surpreendeu o mundo, mas não foi uma surpresa diante do bom time que os árabes sempre tiveram nos últimos anos e do grande trabalho do técnico Inzaghi. Muito feliz após a vitória, o italiano comentou: “A chave desse resultado está nos jogadores, colocaram o coração em campo, tínhamos de fazer algo extraordinário hoje, porque o Manchester City todos nós conhecemos. Todos foram excepcionais, muito organizados, tecnicamente perfeitos e gigantes contra um time muito agressivo. Guardiola é o melhor técnico do mundo, mas hoje fizemos o nosso máximo e merecemos esse resultado. Tínhamos que subir o Everest sem oxigênio e conseguimos”, destacou Inzaghi, que conseguiu uma enorme volta por cima após o revés de 5 a 0 que sofreu pela Internazionale diante do PSG na final da UCL de 2025.
Nas quartas de final, os árabes enfrentaram o Fluminense, que havia despachado a Internazionale. Com a mesma base do duelo contra o City, o Al-Hilal levou o primeiro gol do Flu no primeiro tempo, mas conseguiu o empate na segunda etapa. Os árabes tentaram a virada, mas o goleirão Fábio e a zaga tricolor conseguiram evitar. Aos 70’, Hércules, talismã no duelo contra a Inter, fez o segundo gol brasileiro e sacramentou a vaga do Flu na semifinal. Restou ao Al-Hilal as façanhas de ter empatado com o Real e vencido de maneira histórica o City, feito que será relembrado para sempre pelo torcedor dos azuis.

O trabalho Imortais do Futebol – textos do blog de Imortais do Futebol foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em imortaisdofutebol.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença.




