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Jogos Eternos – Cruzeiro 6×1 Atlético-MG 2011

Data: 04 de dezembro de 2011

O que estava em jogo: a permanência na elite do Brasileirão, para o Cruzeiro, e a chance de rebaixar o rival, para o Atlético, na 38º rodada do Campeonato Brasileiro de 2011

Local: Arena do Jacaré, Sete Lagoas (MG), Brasil

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)

Os times:

Cruzeiro: Rafael; Léo, Victorino, Naldo e Diego Renan; Leandro Guerreiro, Fabrício e Charles (Farías); Roger Flores (Ortigoza); Wellington Paulista e Anselmo Ramon (Everton). Técnico: Vágner Mancini.

Atlético-MG: Renan Ribeiro; Serginho (Magno Alves), Réver, Leonardo Silva (Werley) e Richarlyson; Filipe Soutto e Pierre; Carlos César, Bernard e Daniel Carvalho; André. Técnico: Cuca.

Placar: Cruzeiro 6×1 Atlético-MG. Gols: Roger Flores-CRU, aos 8’, Leandro Guerreiro-CRU, aos 28’, Anselmo Ramon-CRU, aos 33’ e Fabrício-CRU, aos 45’ do 1º T; Wellington Paulista-CRU, aos 12’, Réver-CAM, aos 16’, e Everton-CRU, aos 45’ do 2º T. 

Cartões Vermelhos: Wellington Paulista-CRU e Werley-CAM, aos 32’ do 2º T

“A goleada da honra”

Por Guilherme Diniz

Não havia cenário mais desejado pelo torcedor atleticano: na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011, o Atlético-MG tinha a chance de rebaixar o maior rival, o Cruzeiro, pela primeira vez na história do torneio. Com um time (na teoria) mais forte e sem qualquer risco de queda, o alvinegro tinha o maior dos motivos para jogar tudo o que podia naquele 04 de dezembro. Era a oportunidade única de causar uma decepção gigantesca no rival celeste e ter o gosto de zoá-lo por muito, muito tempo. A torcida se mobilizou, incentivou o elenco ao longo da semana e sabia que o rival teria duas baixas importantes para o clássico: o goleiro Fábio e o meia Montillo. De fato, tudo conspirava a favor do Atlético. 

Só que ninguém do lado alvinegro contava com a superação do Cruzeiro e nem havia notado que o clube estava há cinco jogos sem perder. O clube relembrou seus esquadrões do passado, seus grandes jogos e protagonizou uma partida digna de sua gloriosa história. Abriu o placar com apenas oito minutos. Ampliou tempo depois. Fez o terceiro logo em sequência. E transformou o drama em goleada ainda no primeiro tempo. Tinha mais. O quinto saiu com 12 minutos da etapa final. O Galo descontou, mas o sexto gol azul saiu aos 45’, para fechar não só a vitória, mas a permanência do Cruzeiro na elite do Brasileirão e a maior goleada da Raposa sobre o rival em toda a história do Clássico Mineiro. Um jogo tão marcante que se tornou o ponto de virada na história dos dois clubes a partir dali. É hora de relembrar o Cruzeiro 6×1 Atlético-MG 2011.

Pré-jogo

Vice-campeão brasileiro em 2010, o Cruzeiro começou a temporada 2011 cheio de expectativas. A equipe foi campeã estadual e disputou a Libertadores, mas a eliminação nas oitavas de final para o Once Caldas, na famigerada quarta-feira negra do futebol brasileiro na competição, iniciou uma sequência negativa terrível no Brasileirão, principalmente no segundo turno e que começou curiosamente após uma vitória por 2 a 1 sobre o rival Atlético. A Raposa ficou 11 jogos seguidos sem vencer (!), com sete derrotas e quatro empates, além de três mudanças de treinador – Joel Santana, Emerson Ávila e Vágner Mancini, que permaneceria até o fim da competição. Mesmo com desempenho tão pífio, o time azul não frequentou a zona de rebaixamento nenhuma vez, apesar de ficar na 16ª colocação a maior parte do tempo.

gil do cruzeiro e consolado por jogador do once caldas no final do jogo
Queda para o Once Caldas, na Libertadores, iniciou o pesadelo cruzeirense no ano.

Depois de uma vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-GO, em casa, vieram mais duas derrotas – incluindo um 5 a 1 para o Flamengo – que levaram a Raposa à degola pela primeira vez na 34ª rodada, mesmo com triunfo por 1 a 0 sobre o Internacional. A partir dali, os comandados de Vágner Mancini tinham que somar pontos de qualquer jeito e torcer contra os rivais próximos. Na 35ª rodada, empate com o Avaí (fora) em 0 a 0. Na 36ª, empate em 1 a 1 com o Athletico-PR (casa). E, na 37ª, empate em 2 a 2 com o Ceará (fora). Na 16ª colocação, o Cruzeiro entrou na última rodada com risco de queda em caso de derrota para o rival e se Ceará e Athletico-PR, seus concorrentes diretos, somassem pontos.

Sem os titulares já citados Fábio e Montillo, além do volante Marquinhos Paraná, todos suspensos, Mancini apostou no goleiro Rafael, em uma linha defensiva com Léo, Victorino, Naldo e Diego Renan, em três homens no meio de campo (Fabrício, Leandro Guerreiro e Charles), Roger Flores na criação e o ataque com Wellington Paulista e Anselmo Ramon. A Raposa se apegava ainda à superstição para sair com a vitória: o uniforme branco. Foi com ele que o time de Vágner Mancini venceu o Inter por 1 a 0 e permaneceu sem perder nas cinco rodadas anteriores. E tal vestimenta trazia lembranças de um outro período de reviravolta do clube. 

98 montillo lamenta o penalti perdido injustamente marcado cont

No Brasileiro de 1987 – que na verdade foi a bagunçada Copa União -, o Cruzeiro jogou de branco em cinco dos oito jogos finais e conseguiu a classificação para a semifinal diante do Santos de branco, enquanto o Peixe jogou de camisa listrada. Na semi, porém, o Cruzeiro empatou com o Inter em pleno Beira-Rio jogando de branco e levou a vantagem para BH. Porém, o Colorado só levou sua camisa branca e “obrigou” o Cruzeiro a jogar de azul. O time mineiro perdeu e viu os gaúchos irem à final.

Ainda sobre a mística do branco, o Cruzeiro já havia enfrentado o Atlético jogando de branco em duas ocasiões marcantes e saiu vencedor de ambas. A primeira, em 1967, válida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, terminou com vitória de 4 a 0 da Raposa. E a segunda, na final do Campeonato Mineiro de 1984, também terminou com goleada azul por 4 a 0. E vale sempre lembrar que o primeiro título nacional do clube, em 1966 – a Taça Brasil – foi conquistado após triunfo no jogo decisivo contra o Santos de Pelé por 3 a 2 com o Cruzeiro jogando de branco. Ou seja, o uniforme, de fato, trazia boas lembranças e era um amuleto para garantir a permanência do clube na Série A.

cruzeiro de branco galo
Cruzeiro jogou de branco contra o rival em 1967 e 1984 e goleou em ambas as ocasiões!

Os jogadores sabiam da dificuldade do jogo e da vontade que o Atlético iria entrar para rebaixar o Cruzeiro, por isso, o grupo se uniu para vencer a qualquer custo e por qualquer placar. O capitão Fabrício, em entrevista ao site Trivela, parceiro do Imortais, comentou sobre aquela semana que poderia mudar para sempre o destino do Cruzeiro para pior, apenas um ano depois de um vice-campeonato brasileiro e dois anos após o vice da Libertadores, em 2009.

“Foi uma semana intensa. Normalmente a gente se policia para não ficar só pensando no jogo, para focar mais na véspera, mas aí foi a semana inteira. Era tratamento, treino, alimentação, dormir. Na última noite eu dormi pouco, pensei, como vou jogar sem dormir? 

[…] Falei com todo mundo para ficarem tranquilos, sem preocupação, que a gente ia ganhar. E foi um jogo que deu tudo certo. O apoio da torcida foi muito importante também. Se não fosse isso, não iríamos conseguir. Uma pressão deles iria dificultar ainda mais, mas os torcedores abraçaram a causa. Desde a saída da Toca 2 rumo a Sete Lagoas a gente foi acompanhado pela torcida, na chegada ao estádio. E aí foi olho no olho. A gente nem falou muito. Era todo mundo com o olho esbugalhado”.

Já sem risco de queda e longe de ser um exemplo naquela temporada – a equipe terminaria apenas na 15ª colocação, com 45 pontos -, o Atlético, claro, queria rebaixar o rival e fazê-lo sofrer o calvário da Série B, que o Galo já havia enfrentado ao disputar o torneio em 2006 (após a queda em 2005). “Não temos nada com o Cruzeiro. Temos um clássico, um Atlético e Cruzeiro, é importante, sempre foi. Vamos focar, centrar, trabalhar para jogar o último jogo, todos são profissionais, ganham bem e em dia”, comentou o presidente atleticano da época, Alexandre Kalil. 

O time alvinegro era favorito por ter um elenco que já tinha nomes que iriam compor o time campeão da Libertadores de 2013 como Leonardo Silva, Réver, Richarlyson, Pierre e Bernard, mesmo com o jogo disputado com torcida única (toda do Cruzeiro) na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (MG), devido às obras do Mineirão. Claro que, em clássico, tudo poderia acontecer. Mas nem o mais otimista cruzeirense imaginava o que estava por vir.

Primeiro tempo – O show da Raposa

Com muita tensão no ar, o jogo começou repleto de faltas mais ríspidas e com os jogadores dando trabalho ao árbitro Marcelo de Lima Henrique. Pierre e Fabrício fizeram faltas duras e, em uma disputa na área do Atlético-MG, Charles deu uma cotovelada em Pierre, mas a arbitragem não viu nada. Se na época existisse VAR, certamente o volante cruzeirense seria expulso e iria complicar bastante a vida da Raposa. Até que, aos 8’, o Cruzeiro aproveitou o espaço encontrado pela direita com Anselmo Ramon, que saiu em disparada e cruzou rasteiro na área. Por lá, Roger Flores, o substituto de Montillo, completou de primeira e fez 1 a 0. Foi o alívio que o torcedor cruzeirense tanto queria. E um gol que serviu para tornar a Arena do Jacaré (completamente lotada) em um imensa Arena da Raposa!

roger vip

Mais concentrado e com vontade, o Cruzeiro seguiu como protagonista do jogo, marcando muito e não deixando a bola chegar em Daniel Carvalho nem no atacante André. Essa supremacia ainda não resultava em mais gols e o magro 1 a 0 seguiu até os 28’, quando Roger Flores conduziu a bola pela esquerda e foi derrubado com falta. Ele mesmo cobrou e a bola voou na cabeça de Leandro Guerreiro, que subiu mais do que Pierre e mandou a bola pro fundo do gol, sem chance alguma para o goleiro Renan Ribeiro.

O gol atordoou os atleticanos, que continuaram a ceder espaços, principalmente na intermediária da zaga. E, aos 33’, Réver não conseguiu se desvencilhar de Wellington Paulista, que roubou a bola do zagueiro, conduziu pela ponta-direita e cruzou rasteiro, fraco. Ainda sim, a bola sobrou para Anselmo Ramon, que girou pra cima de Leonardo Silva e chutou por baixo das pernas do goleiro para fazer 3 a 0. Era um passeio azul! Ou melhor, branco!

cruzeiro 6 1 atletico 2011

Tentando mudar alguma coisa, Cuca tirou Serginho, improvisado na lateral-direita, e colocou o experiente atacante Magno Alves, deslocando Carlos César para a lateral. Só que o Cruzeiro estava com tudo. E, aos 45’, um contra-ataque mortal pela esquerda comandado por Fabrício resultou em mais um gol. O capitão conduziu a bola desde o meio de campo, até olhou para o meio e pensou em cruzar, mas foi ele mesmo quem levou a bola até perto da área. Chegando mais próximo da meia-lua, o meio-campista chutou rasteiro, a bola ainda desviou em Leonardo Silva e entrou: 4 a 0.

Fabrício saiu correndo, ajoelhou e vibrou muito. Foi a imagem na qual o torcedor cruzeirense se inspirou e se refletiu. O gol que praticamente selava a permanência do Cruzeiro na Série A. Que dava aos milhões de apaixonados da Raposa espalhados por Minas e pelo Brasil o alento de um desfecho de temporada feliz.

cruzeiro atletico tatica 2011
Os times em campo: Cruzeiro dominou as ações desde o início e engoliu o rival.
fabricio capitao cruzeiro gol 2 2011
Fabrício chutou de fora da área, após bela jogada individual, e marcou o quarto gol da Raposa.
fabricio cruzeiro vibra
fabricio cruzeiro 2011

“A gente ganhando de 3 a 0 e o último contra-ataque do primeiro tempo, eu consegui fazer aquele gol ali, nossa, que alívio. Foi uma comemoração de alívio. Na verdade eu queria que já tivesse acabado ali. Para mim acabou o mundo ali. Sair com esse resultado no primeiro tempo, era difícil demais para eles reverterem, do jeito que a gente estava. Claro, tudo pode acontecer, por isso, no segundo tempo, só rezava para acabar. Dava até para forçar para sair mais gols, mas não houve relaxamento. Todo momento foi como se tivesse zero a zero, sem correr riscos. 

A gente deu uma pisada no freio no segundo tempo para não se arriscar, por isso só saíram mais dois gols. A comemoração eu nem sei, só lembro que saí correndo, você não sabe para onde olhar. Foi o gol mais importante da minha vida. Extravasei tudo aquilo que estava assombrando nosso time naquele ano”, comentou Fabrício, tempo depois, ao Trivela.

Segundo tempo – A maior goleada cruzeirense

Os times voltaram sem alterações do intervalo e o Cruzeiro, apesar de diminuir o ritmo, continuou com mais posse de bola e pressionando o rival, visivelmente conformado com a derrota. A torcida não escondia a alegria e começou a soltar rojões no gramado, com um deles estourando bem perto do goleiro atleticano antes dos 5’. O arqueiro reclamou com o árbitro e este paralisou o jogo por alguns minutos. Quando a partida foi retomada, o Cruzeiro fez mais um gol. Roger Flores passou por dois marcadores, pela direita, e cruzou com muita categoria para Wellington Paulista subir sozinho e só tocar de cabeça no canto oposto de Renan Ribeiro: 5 a 0.

cruzeiro 6x1 galo

A goleada já era a maior da Raposa na história do clássico, igualando os 5 a 0 de abril de 2008 e os 5 a 0 de abril de 2009. O Atlético começou a buscar o gol de honra, e teve uma chance com Daniel Carvalho em cobrança de falta, mas defendida por Rafael. Na sequência, Leonardo Silva apareceu como um lateral, cruzou e Réver fez. As equipes mudaram nos minutos seguintes, com Werley no lugar de Leonardo Silva, do lado atleticano, e José Ortigoza e Everton nos lugares de Roger Flores e Anselmo Ramon, respectivamente. Roger e Anselmo foram muito aplaudidos pela torcida, que reconheceu a partidaça que a dupla fez.

Aos 32’, Wellington Paulista e Werley, que estava em campo há apenas seis minutos, trocaram farpas e foram expulsos pelo árbitro, que nem amarelo deu. Com 10 de cada lado, a partida acabou esfriando um pouco, com o Cruzeiro só contando os minutos para extravasar a vitória, enquanto o Atlético esboçava marcar o segundo gol, mas não tinha muita criatividade para isso. Até que, aos 45’, Rafael cobrou tiro de meta, a bola sobrou para Ortigoza, que tabelou com Everton e avançou até a linha de fundo. O paraguaio cruzou e Everton, mesmo cercado, apareceu para escorar e fechar a nova e eterna maior goleada cruzeirense da história do Clássico Mineiro: 6 a 1.

everton gol
no dia 4 de dezembro de 2011 cruzeiro
Delírio puro na Arena do Jacaré!

Ao apito final, a festa tomou conta da Arena do Jacaré e a torcida azul teve ainda outro motivo para celebrar: a goleada tirou o Atlético da Copa Sul-Americana, com isso, ambos terminaram exatamente nas posições que não renderam nada no Brasileirão. Naquela tarde de 04 de dezembro de 2011, o Cruzeiro de fato jogou como poucas vezes se viu. Jogou pelo orgulho. Pela honra. Por milhões. E por sua gloriosa história.

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

Cruzeiro: a missão cumprida não apagou a campanha ruim que o time fez, algo que os próprios jogadores reconheceram, mas a permanência na elite fez o time mineiro entrar em uma nova era de glórias. Já em 2013, o clube foi campeão brasileiro e, em 2014, faturou o bi. Em 2017, levantou a Copa do Brasil e emendou outro bi, em 2018. Mas, em 2019, a equipe acabou vivendo o calvário do rebaixamento ao perder para o Palmeiras por 2 a 0. O retorno só aconteceu em 2023, após o título da Série B de 2022. Em 2024, foi vice da Copa Sul-Americana e segue na luta para voltar aos bons tempos.

Atlético-MG: assim como o rival, o Galo usou aquele revés para se reerguer e iniciou em 2012 uma nova era de ouro em sua história. A equipe foi vice-campeã brasileira e, em 2013, levantou uma inédita Copa Libertadores. Em 2014, venceu a Recopa Sul-Americana e a inédita Copa do Brasil em uma final, adivinhe, contra o Cruzeiro, que apostou no branco para tentar reverter o placar de 2 a 0 sofrido no duelo de ida, no Estádio Independência. 

atletico cruzeiro Alexandre Guzanshe EM DA Press
Em 2014, Diego Tardelli e Marcos Rocha fizeram alusão à goleada de 9 a 2 sobre o Cruzeiro com o número de suas camisas.

Jogando no Mineirão, o Cruzeiro acreditou na virada, rememorou a goleada de 2011… Mas perdeu por 1 a 0 (gol de Diego Tardelli) e viu o Galo celebrar o título no maior clássico mineiro da história. Ainda em 2014, em vitória do Atlético por 3 a 2 pelo Brasileirão, em setembro, os atleticanos Diego Tardelli (camisa 9) e Marcos Rocha (camisa 2) aproveitaram para provocar o rival na comemoração do segundo gol sobre qual é a maior goleada da história do clássico: 9 a 2, em 07 de setembro de 1927.


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